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domingo, 8 de junho de 2014

PROÍBAM O INGLÊS!

 PROÍBAM O INGLÊS! POR OCTÁVIO DOS SANTOS




Faço um apelo a todos os serviçais de Malaca Casteleiro: sejam coerentes e proíbam o Inglês!


Não há como – nem porque – negá-lo: o Acordo Ortográfico de 1990 está a generalizar-se em Portugal a uma velocidade assustadora(ment)e surpreendente. Ainda é cedo para se (tentar) avaliar quantas instituições e quantos indivíduos estão, de facto a utilizar uma “ortografia” inútil, prejudicial, ridícula, ilegítima, imposta de forma ilegal, de uma forma não democrática… mas são mais, muitos mais do que seria de esperar.

Esta (aparente) apatia para com algo concebido por pervertidos e obedecido por iludidos é ainda mais espantosa em grupos profissionais que têm na língua a sua ferramenta principal de trabalho e que não se “poupam”, habitualmente, nos protestos quando sentem as suas prerrogativas ameaçadas: efectivamente, professores, jornalistas e juristas (advogados, procuradores, juízes) surgem, apesar de várias excepções honrosas, como classes… sem classe, sem carácter, traindo a população que deveriam defender intransigentemente e não só a espaços, intermitentemente. Este contágio de cobardia, esta epidemia de estupidez, esta infecção de imbecilidade alastra-se não só no Estado mas também na sociedade civil; no primeiro compreende-se que a prepotência burocrática, apesar de ilegítima, force as pessoas a comportamentos desviantes… do bom Português; mas na segunda não se compreende o fenómeno a não ser por mania de imitar, por uma bacoca crença de que mudar… apenas por mudar é bom, é sinal, prova, de “modernidade”.

Em plena histeria de aplicação do AO90, à revelia da lógica e da lei, da identidade cultural e da dignidade nacional, a paralela e crescente (mas que já vem de longe) “anglicização” da comunicação, da cultura, da sociedade e da economia em Portugal ilustra bem, por contraposição, as contradições, as hipocrisias, enfim, a idiotice deste processo de suposta “evolução” da língua. Veja-se, por exemplo, mais uma vez, o que se passa nas três principais estações de televisão nacionais. Cada uma delas criou em 2013 um programa com um título… em Inglês: a RTP o Chef’s Academy (culinária); a SIC o Off-Side (desporto); e a TVI o I Love It (telenovela). Todas, evidentemente, continuam a aplicar obedientemente o AO90, e por vezes com um entusiasmo… desnecessário: em legendas de serviços noticiosos a SIC já retirou o “c” de Octávio Teixeira e a TVI o “c” dos One Direction… sim, puseram “Diretion”! Entretanto, e mais inacreditável ainda, em filiais nacionais de multinacionais estrangeiras, e concretamente anglófonas, também se verifica o assalto ao bom senso ortográfico; como na Johnson & Johnson, que informa nos rótulos do Listerine que este produto é uma “proteção” com flúor contra as “afeções” das gengivas. E até – aqui já se está no campo do puro e simples delírio – no British Council de Portugal se decidiu, segundo mensagem que recebi, “adotar o novo acordo ortográfico, daí termos escrito 'respetivo' e não 'respectivo'.” Eu respondi que, nesse caso, deveriam ser “coerentes” e comunicar para a sede da instituição, em Londres, que a língua que têm por missão promover é “ultrapassada”, “decadente”, “arcaica” (tal como a francesa)… dada a profusão de palavras com vogais e consoantes repetidas e “mudas”, e até – que “horror”! – com “ph”.

Ainda no campo do ensino, e decididos a alcançar nota máxima no paradoxo, tanto o ministro Nuno Crato como o Conselho Nacional da Educação anunciaram, no final de 2013, que queriam que o Inglês fosse uma disciplina curricular obrigatória no primeiro ciclo, isto é, no ensino básico. Que confusão não acontecerá – aliás, já acontece – nas cabeças dos mais jovens ao verem numa língua “c’s”, “p’s” e até “ph’s” em excesso que na outra são – ou se tenta que sejam – eliminados. Depois disso, e como que em consonância com mais uma “lógica” inovação pedagógica estatal, RTP e TVI iniciaram a transmissão de “versões infantis” de dois dos seus programas, respectivamente Chef’s Academy - Kids e A Tua Cara não me é Estranha - Kids – porque, “evidentemente”, não ficaria bem colocar “crianças” ou “miúdos” no título. Porém, e quanto a “ironia ortográfica luso-britânica”, nada nem ninguém supera o governo regional dos Açores: o seu sítio na Internet, que, evidentemente, exibe um bem comportado, conformado, “acordismo”, tem como “e-ndereço”… azores.gov.pt!

Faço pois um apelo a todos os serviçais de Malaca Casteleiro: sejam também coerentes e proíbam o Inglês! Que há a aprender da “pérfida Albion” neste âmbito? “Apenas” isto: os britânicos sabem há séculos (tal como, aliás, os seus “vizinhos” do outro lado do canal da Mancha) que não é a “simplicidade” ortográfica – indutora de analfabetismo e de iliteracia – que deve ser estimulada mas sim a estabilidade ortográfica; esta, sim, é a que mais favorece a expansão de uma língua e de uma cultura… porque garante aos estrangeiros – indivíduos e/ou instituições – que querem, ou pensam, em aprendê-la, que os materiais, lições, livros, dicionários, que têm de ser adquiridos e utilizados não serão substituídos passados poucos anos (e outra vez, e outra, e outra…) e, desse modo, tornados obsoletos.

Eu pensava que George Byron havia insultado exagerada e injustamente os portugueses ao classificá-los de “escravos” e de “os mais baixos entre os baixos”. Agora já não tanto.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

MOSCOVO RESPONDERÁ AO AUMENTO DAS FORÇAS DA NATO PERTO DAS SUAS FRONTEIRAS

MOSCOVO RESPONDERÁ AO AUMENTO DAS FORÇAS DA NATO PERTO DAS SUAS FRONTEIRAS


Por Andrei Fedyashin

A Rússia não irá assistir impassível ao aumento das forças militares da NATO na Europa Central e Oriental. Ela irá reagir imediatamente em caso de a NATO assumir esse passo de forma unilateral. Esse aviso foi avançado em Bruxelas pelo representante permanente da Rússia na NATO, Alexander Glushko.

Esta é a sua reacção à conferência de dois dias (4 e 5 de Junho) dos ministros de defesa da Aliança em Bruxelas. Os diplomatas de carreira, como Alexander Glushko, raramente prestam declarações que não sejam previamente sancionadas pelos mais altos dirigentes do país.

O diplomata russo nem sequer excluiu a possibilidade de saída de Moscovo do Acto Fundador NATO-Rússia. Esse documento foi assinado em 1997. Nele se constatava que a Federação Russa e a NATO já não se viam como adversários e se regulava todo o âmbito das relações militares.

Glushko recordou que a Rússia não aumentou sua presença militar na região e que cumpre rigorosamente suas obrigações internacionais, incluindo as militares. “A NATO deve entender que ao trilhar esse caminho dificilmente poderá contar com uma "resposta contida" no estacionamento de forças por parte da Rússia, tal como prevê o Acto Fundador. Mas a escolha não é nossa”, avisou o chefe da missão russa junto da Aliança Atlântica.

Na reunião de Bruxelas são discutidas as “novas ameaças à segurança da NATO” relacionadas com os acontecimentos na Ucrânia. Na véspera da conferência da NATO o presidente dos EUA Barack Obama declarou que iria desbloquear um bilião de dólares adicionais para o reforço da presença militar norte-americana na Europa.

O secretário-geral da NATO Anders Fogh Rasmussen delineou na generalidade, depois do primeiro dia de reuniões, os acordos entre os ministros dos 28 países desse bloco militar:

“Nós acordámos a continuação do reforço da defesa colectiva da NATO e a introdução de patrulhamentos adicionais do espaço aéreo e marítimo. Nós acordámos o alargamento dos programas de treinos e preparação das tropas.”

Isso abrange uma maior presença das marinhas da NATO no mar Negro e no Báltico. Os responsáveis pelos Ministérios da Defesa do bloco acordaram igualmente o desenvolvimento de novas medidas para o aumento da presença permanente da Aliança, incluindo uma possível criação de novas bases militares. Um pacote de medidas mais concretas para um reforço militar será aprovado na cimeira de Setembro da NATO a realizar no País de Gales.

Até uma grande parte de peritos norte-americanos consideram que a NATO está a usar a situação na Ucrânia para se desenvolver e obter um aumento das despesas militares dos países membros do bloco. Elas estão muito longe dos compromissos assumidos há dez anos de aumentar os orçamentos militares em 2% ao ano.

Todos esses exercícios da NATO estão sendo associados artificialmente à crise na Ucrânia, diz o antigo vice-secretário do Tesouro da Administração Reagan e presidente do Instituto de Economia Política, Paul Craig Roberts. A “rotação das crises” em diferentes regiões é necessária aos Estados Unidos para que não desapareça o pretexto para os investimentos no gigantesco complexo de segurança e de poderio militar da NATO e do Pentágono.

Isso se assemelha à manobra de um charlatão que infesta a cidade de percevejos para vender insecticidas aos habitantes. Washington primeiro “infestou” Kiev de protestos, depois financiou o golpe de Estado, colocou esta camarilha no poder e agora colhe os benefícios dos apelos que lhe são dirigidos para “salvar a Europa Oriental”. Esse reinício de uma guerra fria é extremamente perigoso. Isso irá fazer desmoronar todo o sistema de estabilidade dos últimos 30 anos, considera Roberts:

“O objectivo inicial da NATO era a segurança da Europa contra uma invasão da URSS. Mas com o desmembramento da URSS essa ameaça desapareceu e a organização deveria ter sido extinta. Em vez disso, Washington ficou à mercê da influência de uma ideologia neo-conservadora, que afirmava ter a queda da URSS dado aos EUA o direito à hegemonia mundial. A NATO foi transformada na sua ferramenta principal. Por isso, no século XXI, nós vemos a NATO a fazer a guerra no Afeganistão e derrubando o governo na Líbia. Vemos a NATO aglutinando antigas parcelas da União Soviética ou preparando-se para o fazer. Estou falando da Ucrânia e da Geórgia.”

A Rússia realiza, de 27 de Maio a 5 de Junho, exercícios planeados da sua Região Militar Ocidental. Ela faz fronteira com os países bálticos e a Polónia. Entre outras, neles participa uma unidade de mísseis equipada com o sistema táctico de mísseis Iskander-M e a aviação de longo alcance. A Rússia considera o equipamento das suas forças com o novo sistema Iskander-M, com meios de combate contra a defesa anti-míssil (DAM) como uma resposta equivalente à possível instalação da DAM norte-americana na Europa.

terça-feira, 3 de junho de 2014

ALIANÇAS COMERCIAIS SÃO NEGOCIADAS PARA FORTALECIMENTO DA CPLP

ALIANÇAS COMERCIAIS SÃO NEGOCIADAS PARA FORTALECIMENTO DA CPLP

Produção de petróleo em Angola. Delegação da Sonangol esteve em Timor-Leste para analisar potencial do país para criação de consórcio


Exploração de petróleo, construção do “cluster do mar” e reinício dos voos entre Portugal e Guiné-Bissau são alguns dos acordos que estão sendo tratados. Objectivo é o fortalecimento económico para criar base competitiva.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP, está analisando a possibilidade de inúmeras parcerias entre as nações que fazem parte do bloco.
Formado por Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal e Timor-Leste, tem como um dos objectivos o fortalecimento económico dos países.

Em Díli, capital do Timor-Leste, acontece uma cúpula da Sonangol Hidrocarbonetos Internacional, a subsidiária da empresa petrolífera estatal de Angola. O país africano deve analisar a possibilidade de criação de um consórcio para exploração de petróleo em Timor Leste.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente executivo da Sonangol, Manuel Teixeira, disse que a visita ao país servirá para conhecer o potencial petrolífero da região. Ele afirma que "o objectivo dessa visita é sobretudo com a intenção do governo de Timor criar um consórcio que vai envolver todos os países da CPLP. E nós viemos aqui apenas para ver se de fato as áreas têm potencial em termos petrolíferos".

Teixeira ainda diz que, somente depois da visita estratégica, a Sonangol poderá chegar a uma conclusão se irá participar ou não do consórcio.

Para Sandro Mendonça, professor do Departamento de Economia do ISCTE Business School - Instituto Universitário de Lisboa, a cooperação entre os países da CPLP só traz vantagens.

“[É importante] a força que se dá ao português como língua de negócios. Esta nova densidade comercial é algo que, para todos os países envolvidos, acabam por reduzir a sua dependência. Por exemplo, Portugal certamente precisa se alavancar em relação a uma Europa que não cresce, mas os países africanos de língua portuguesa também precisam de se lançar para um mundo mais vasto”, afirma o professor.

Economia e interesses



Em Março deste ano, o presidente da Timor Gap, empresa petrolífera timorense, anunciou a intenção das autoridades do país para a criação de um consórcio com os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal já teriam manifestado interesse na iniciativa, com excepção do Brasil, que teria necessidades internas relacionadas aos próprios recursos.

O economista Sandro Mendonça afirma que há diferenças entre os países, já que alguns teriam mais interesses no bloco que outros. Porém, as trocas comerciais, mesmo com economias distintas, podem trazer resultados e definir a força do grupo.

Para ele, um país como o Brasil, com grandes recursos petrolíferos, pode estar menos interessado no mercado lusófono ao nível de recursos em hidrocarbonetos. Mas, no todo, pode-se redesenhar um padrão de trocas e, muitas vezes, essas novas trocas, ao somarem-se, podem vir a dar uma base competitiva para o resto do mundo.

Parcerias

No que diz respeito à Portugal, as autoridades do país sinalizam querer apoiar Cabo Verde na criação do “Cluster do Mar”, onde o país africano pretende desenvolver toda a actividade económica marítima. Além disso, irá contactar as novas autoridades de Guiné-Bissau para verificar as condições de segurança e, então, retomar as conexões aéreas entre Lisboa e o país africano. Os voos da TAP foram interrompidos após o episódio do embarque forçado de passageiros ilegais em Bissau, no dia 10 de Dezembro do ano passado.

O economista Sandro Mendonça afirma que as parcerias econômicas dos oito países lusófonos irão trazer progresso no futuro e acredita em um bloco forte para competir mundialmente.

Além disso, ao menos três nações têm boas perspectivas de crescimento nos próximos anos aos olhos do Mundo: Angola, Moçambique e Brasil.


Fonte: DW.DE



sábado, 31 de maio de 2014

QUAL O FUTURO DA UNIÃO ECONÓMICA EUROASIÁTICA

QUAL O FUTURO DA UNIÃO ECONÓMICA EUROASIÁTICA POR JOSÉ MILHAZES


Por José Milhazes

Na quinta-feira, os presidentes da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia: Alexandre Lukachenko, Nussultan Nazarbaev e Vladimir Putin, assinaram o tratado de criação da União Económica Eurasiática (UEE), que eles próprios classificaram de “acontecimento epocal”.

Claro que a ideia predominante entre os analistas políticos russos consiste em que a criação da UEE tem como objectivo a formação de um contrapeso à União Europeia, ou mais precisamente, uma organização que visa travar o alargamento da UE a países da antiga URSS, bem como reforçar a influência russa no “estrangeiro próximo”.

Os dirigentes dos países membros da UEE sublinham que esta é organização é puramente económica, mas alguns analistas consideram que esta pode ser também um contrapeso à NATO no mundo pós-soviético.

O futuro mostrará se a Rússia, enquanto motor deste processo de integração, conseguirá realizar esses objectivos ou se o destino da UEE não será mais um análogo a organizações semelhantes como a amorfa Comunidade de Estados Independentes.

Importante, agora, é analisar os interesses de cada um dos membros da nova organização.

Moscovo pretende mostrar que não está sozinho, isolado depois da anexação da Crimeia e do apoio aos separatistas na Ucrânia.

“Trata-se de uma medida necessária: a Rússia, tendo como fundo os acontecimentos ucranianos, precisa de provar que ela não está sozinha”, considera Nikolai Bardul, redactor-chefe do jornal “Finansovaia gazeta”.

É de salientar que a actual crise na Ucrânia teve como uma das suas causas a oposição da Rússia à aproximação de Kiev à UE. Quando chegou a hora de assinar de o Acordo de Parceria com a União Europeia, Victor Ianukovitch recusou-se a fazê-lo por pressão de Moscovo, que se dispôs a conceder substantivos empréstimos financeiros à Ucrânia em troca do afastamento em relação a Bruxelas e da aproximação à futura UEE.

Porém, este não é o único motivo que leva o Kremlin a criar uma organização onde ele, por um lado, irá ser o principal protagonista, mas, por outro lado, irá ser o principal financiador, pois é evidente que a UEE não é uma aliança entre três parceiros iguais.

A Rússia tenciona também evitar o avanço económico impetuoso da China na Ásia Central. Vladimir Putin e a direcção russa não se cansa de publicitar a parceria estratégica entre Moscovo e Pequim, mas a realidade é bem mais pragmática.

São os interesses russo e chineses nem sempre coincidentes que levam Nussultan Nazarbaev a manobrar entre dois gigantes e a adesão do Cazaquistão à UEE parece ser uma forma de ele proteger o seu futuro político e a integridade territorial do seu país. Periodicamente, na Rússia elevam-se vozes que fazem lembrar a Nazarbaev que significativa parte do território do Cazaquistão (mais de um terço) pertenceu à Rússia e foi ilegalmente transferido do território dela pelos dirigentes comunistas. Essas vozes soaram no momento em que Moscovo, sob o mesmo pretexto, engoliu a Crimeia.

Além disso, o desenvolvimento dos acontecimentos no Afeganistão fazem recear uma onda de instabilidade que poderá provocar grandes dores de cabeça aos dirigentes dos países da Ásia Central. Se assim for, a Rússia deverá ir em ajuda para evitar que a “chama islâmica” entre no seu território.

Claro que a política russa na Ásia Central visa também enfraquecer a presença americana nessa região.

Quanto à Bielorrússia, Lukachenko garante a sua continuação no poder, bem como vai tentar continuar a ganhar com o processo de integração, nomeadamente, adquirindo petróleo e gás russos aos preços praticados no interior da Rússia. Depois, refina o petróleo e vende esse combustível e seus derivados à Europa a preços internacionais.

Além disso, o dirigente bielorrusso tem presente o exemplo da Ucrânia e não quer arriscar o seu cargo.

A Arménia é um dos países que já se encontra na lista de espera da UEE. Sob forte pressão da Rússia, Erevan renunciou à assinatura do acordo de parceria com a UE. Mais do que os interesses económicos, os dirigentes arménios orientam-se por interesses estratégicos. Eles receiam perder o apoio de Moscovo na luta por Nagorno Karabakh, enclave arménio no território do Azerbaijão. Baku, de tempos a tempos, recorda à comunidade mundial que poderá recuar à força para readquirir esse seu território.

O futuro mostrará se a UEE conseguirá transformar-se num núcleo de integração viável e duradouro.

*Correspondente da Agência LUSA, RDP e SIC em Moscovo (Rússia), Consultor de empresas portuguesas na Rússia e Ucrânia. Docente no Centro de Cultura Portuguesa, Moscovo (Rússia).



sexta-feira, 30 de maio de 2014

ÍNDIA CONFIRMA INTERESSE EM INTEGRAR A CPLP

ÍNDIA CONFIRMA INTERESSE EM INTEGRAR A CPLP


 
O embaixador da Índia em Portugal, Jitendra Nath, confirmou na sexta-feira o interesse do seu país em integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas ainda sem uma decisão final.

Em entrevista à RDP Internacional citada pala AIM, o diplomata referiu exemplos de laços fortes entre a Índia e o mundo lusófono, como os Jogos da Lusofonia deste ano, em Goa.

O embaixador acentuou o aspecto económico como o factor determinante do incremento das relações entre a Índia e os países que falam português, o que torna mais viável essa eventual integração na CPLP. Neste âmbito, está a ser preparado para Outubro um encontro exactamente com esse objectivo.

Outro dos aspectos está relacionado com a cultura: o embaixador indiano disse haver cursos de Português na Índia e que muitos funcionários do Estado têm aprendido o idioma em Portugal e no Brasil.

Ainda na área da cultura, a Índia tem pedido a Portugal a tradução de livros para o idioma de Camões.

No início deste mês, o Primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, expressou o interesse do Japão de se tornar membro observador da CPLP. Shinzo Abe expressou o interesse, em Lisboa, durante a sua primeira visita oficial a Portugal.

Na ocasião, Portugal manifestou o seu apoio a pretensão japonesa, segundo uma declaração do Primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho,

O interesse japonês em adquirir o estatuto de observador na CPLP está associado à ambição do Japão de aprofundar as parcerias com países de expressão portuguesa que estão a ampliar a sua presença em África e na América Latina.

Para além de Portugal, fazem parte da CPLP Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Moçambique assume actualmente a presidência rotativa da CPLP.
 
 
 Índia antiga na altura quando os portugueses tinham grande influência
 
Fonte:  http://www.jornalnoticias.co.mz

SÍRIA: VOTO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO EXTERIOR REVELA CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES DO PAÍS

SÍRIA: VOTO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO EXTERIOR REVELA CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES DO PAÍS

Foto: Sírios que vivem no Líbano se reúnem em frente à embaixada do país em Yarze, ao leste de Beirute, para votar nas eleições presidenciais sírias (Foto: Bilal Hussein/AP)


Os sírios no exterior elegem o seu presidente no meio de uma elevada afluência às urnas, a votação foi prorrogada até a meia-noite, e mais um dia no Líbano. No dia 28 de maio 2014, as eleições presidenciais da Síria tiveram lugar em 39 embaixadas a onde estão sendo esperados mais de 200 mil sírios que estão registrados no exterior.

O comparecimento às urnas, nas eleições presidenciais, no exterior sinalizam um novo contrato dos cidadãos sírios com as as suas instituições. Amparado principalmente por uma elevada taxa de participação, a votação nas eleições presidenciais, há muito aguardadas, começou nesta quarta-feira nas embaixadas sírias em todo o mundo, o que se configura como um marco constitucional que os cidadãos sírios consideram como um sinal de firmeza, de perseverança e desafio contra a guerra terrorista deflagrada na sua pátria, e para determinar princípios nacionais.

O grande fluxo foi nos países vizinhos como a Jordânia, Iraque, Oman, Líbano, além de forte presença na Índia, China, Rússia e Brasil (países dos Brics), somam-se a eles os sírios presentes no Iemen, Egipto, Tunísia, Argélia, Irão, República Checa, Bielorrússia, Suécia, Sudão, Argentina, Chile, Venezuela, Cuba, entre outros. A maior adesão foi no vizinho Líbano que, além de ter o maior número de eleitores, acolhe o mais elevado número de refugiados sírios, estimados em mais de um milhão.

 
Ibrahim Lababidi (votante síria) ‏: Passei 5 horas hoje [dia 28] na embaixada síria em Beirute. Não tive oportunidade de votar porque era demasiada gente, mesmo assim estou orgulhosa."

O grande número de eleitores que compareceram na embaixada síria no Líbano provocou um tumulto e um caos no trânsito da capital, e as fotos mostraram os eleitores a pé seguindo em massa ao local das votações. As autoridades libanesas do grupo 14 de Março, perturbadas com o intenso fluxo de cidadãos sírios na embaixada, declararam à imprensa que os eleitores sírios que exerceram o seu direito ao voto são “elementos indesejáveis no Líbano” e pediam que retornassem à Síria. As eleições no Líbano foram prorrogadas até 29 de Maio para que todos os sírios que se registraram para votar, possam consumar o seu pleito.

Nas eleições presidenciais, que se realizam na Síria o dia 3 de Junho, concorrem três candidatos: o actual Presidente, Bashar Al Assad, no poder desde 2000, que procura o terceiro mandato; o deputado Maher Abdel Hafez Al Hajjar, membro da oposição, e o ex-ministro Hassan Abdullah al Nuri.

Na terça-feira, o ministério dos Negócios Estrangeiros Sírio acusou os Emirados Árabes Unidos de se “unirem ao clube dos países que conspiram contra a Síria” ao proibir a votação dos sírios no seu território. O ministério lamentou, em comunicado, que as 30 mil pessoas que se registaram nos Emirados Árabes Unidos não possam eleger o seu futuro líder.



Fonte: Al Watan e Agencia Sana e Al Mayadeen


quarta-feira, 28 de maio de 2014

ROCHAS MAGNÉTICAS: AVALIANDO A ESTRATÉGIA LEGAL DA CHINA NO MAR DO SUL DA CHINA

ROCHAS MAGNÉTICAS: AVALIANDO A ESTRATÉGIA LEGAL DA CHINA NO MAR DO SUL DA CHINA




Por

Nota do Editor: Este é o primeiro de uma série de duas partes avaliando as estratégias legais das disputas do Mar do Sul da China no seu contexto estratégico mais amplo. Abaixo, Sean Mirski examina como a estratégia da China tem sido impulsionada pelo seu desejo conflitante mas igualmente interessado em manter a estabilidade regional e consolidar o controle sobre o Mar do Sul da China. Para a Parte II desta série, clique aqui.

 Séculos atrás, os pescadores chineses referiam-se às ilhas do Mar do Sul da China como "rochas magnéticas"- uma alusão mórbida para a força misteriosa que atraiu navios para destinos infelizes sobre os cardumes de peixes. Hoje, no entanto, o Mar do Sul da China atrai um tipo diferente de problemas. Nas últimos seis décadas, o mar tem sido o centro de um turbilhão geopolítico alimentado por políticas de grandes potencias, nacionalismo tóxico, e de reservas de petróleo abundantes. Seis diferentes países - Brunei, China, Malásia, Filipinas, Formosa e Vietname - mantêm uma contenda uns com os outros sobre os dois territórios insulares do Mar do Sul da China e sobre as suas águas circundantes.

Dos seis contenciosos, a China tornou-se o jogador-chave. É o maior disputante e o mais poderoso, e também avançou com as reivindicações mais radicais. No entanto, o comportamento de Pequim nem sempre espelha o seu crescente poder e ambições. Em vez disso, a estratégia da China é mais complexa, e é formada principalmente pelo desejo de Pequim de manter a paz e a estabilidade na região e ao mesmo tempo avançar com as suas reivindicações expansivas.

Esse dilema tem levado a China a enfatizar o atraso na resolução do conflito, como melhor exemplificado na sua estratégia jurídica pela disputa. Mas esta estratégia tem-se tornado cada vez mais marginalizada nos últimos anos, à medida que a China se tem tornado numa vítima de seu próprio sucesso. Outros reclamantes já perceberam os perigos de jogarem pelas regras da China, assim em vez disso contrariam agora a estratégia dilatória da China com uma postura mais pró-activa destinada a forçar Pequim a parar de hesitar e enfrentar seu dilema de frente. A China tem-se esforçado para responder, e a sua reacção tem aumentado as tensões em toda a região enquanto não for mudado o cálculo dos seus adversários. À medida que a disputa se agrava, a China pode sentir pressão para abandonar sua estratégia dilatória e procurar uma resolução mais rápida do conflito, como o desenrolar dos acontecimentos agora estão começando a mostrar.

Os conflitos de interesses estratégicos da China

Ascensão Pacífica


Para entender o dilema de Pequim, considerar-se os seus interesses estratégicos conflituantes. Por um lado, a China procura perpetuar as suas décadas de crescimento raiante. As estatísticas são conhecidas: a economia do país tem crescido a uma taxa média anual de quase dez por cento nos últimos 35 anos, e sua economia duplicou de tamanho cinco vezes durante este período. Mesmo que o seu crescimento diminui-se, até certo ponto, a economia da China pode - e de facto, quase certamente irá - eclipsar a dos Estados Unidos num futuro próximo.

Mas, geopoliticamente falando, o crescimento da China é relativamente incomum. Ao invés de se encaixar na dialética "state making" de Charles Tilly e "war making", Pequim em vez disso em si compromete-se na ordem económica internacional liberal. Em retrospecto, essa decisão provou-se presciente: China foi prosperando desde que engatou a sua economia à globalização liderada pelos americanos.

A interdependência económica internacional não acontece todavia no vácuo. Para trabalhar a sua magia comercial, a interdependência económica precisa de um ambiente externo relativamente pacífico. Conflitos podem rasgar as relações económicas no coração de um sistema comercial aberto e afastar a China para longe de parceiros comerciais valiosos, mesmo se a própria Pequim se evita envolver. Pior de tudo, qualquer imbróglios regional poderiam precipitar ainda mais os americano a afirmar o seu poder político e militar na região - uma ameaça para as ambições da China a longo prazo de preeminência regional (se não mesmo de domínio).

Para continuar crescendo, então, a China precisa de uma Ásia estável e pacífica. Consequentemente, os líderes chineses lançaram repetidamente as suas políticas em termos de uma "ascensão pacífica" ou "desenvolvimento pacífico". Essa estratégia envolve mais do que mera retórica: nas últimas três décadas, Pequim estabeleceu numerosas disputas fronteiriças; habilmente integradas na diplomacia regional; envolveu-se activamente nas organizações governamentais regionais e internacionais; e assinou acordos comerciais mutuamente benéficos em todo o mundo. Na verdade, não deve ser nenhuma surpresa que a China também se comportou muito bem na esfera militar: fez a última guerra em 1979, e só foi envolvida numa pequena escaramuça no Mar do Sul da China desde então (Johnson South Reef em 1988 ). Em suma, a China tem procurado ser um cidadão regional exemplar, tudo ao serviço das suas ambições económicas.

Controlando o Mar do Sul da China

 

Mas, enquanto as ambições de longo prazo de Pequim aconselham contenção, os seus objectivos mais imediatos - incluindo a soberania sobre o Mar da China do Sul - tendem para outro lado. No mundo ideal de Pequim, a China seria agora o mestre indiscutível do Mar do Sul da China.

Pequim busca controlar o Mar do Sul da China, a fim de gerir as ameaças à segurança nacional e avançar com os seus objectivos económicos. O mar representa uma vulnerabilidade estratégica para a China, tanto como uma rota de invasão histórica e como uma ameaça moderna para a sua segurança energética e economia orientada para a exportação. Controlando o Mar da China Meridional também oferece muitos benefícios tangíveis. O mar está repleto de reservas de pesca abundantes, um pilar de muitas economias regionais. Sob o fundo do oceano, os activos esperados são ainda mais valiosos. Embora os especialistas divirjam sobre o tamanho da potencial bonança, todos eles concordam que há petróleo e gás natural suficiente para trazer cobiça a qualquer país fronteiriço.

Estes imperativos estratégicos são reforçados por políticas internas da China. As disputas marítimas da China tornaram-se inextricavelmente entrelaçada com o nacionalismo chinês. Como resultado, o Mar do Sul da China implica não só a soberania da China, mas também a sua identidade como nação. E para complicar ainda mais, qualquer retirada de reivindicações da China provavelmente estimularia analogias desfavoráveis ​​à fraqueza da China nas mãos de potências imperiais predatórias durante o "Século da Humilhação". Assim, mesmo que os líderes chineses estivessem inclinados a entregar reivindicações chinesas no Sul do Mar da China, seriam impedidas de fazê-lo pela reacção doméstica inevitável. Em vez de compromissos, Pequim sente-se cada vez mais pressionado por um público nacionalista para agir assertivamente nas suas relações com os outros requerentes.

Os cornos do Dilema da China

 

Assim, os interesses estratégicos da China muitas vezes funcionam como objectivos opostos. Por um lado, Pequim prefere resolver a disputa do Mar do Sul da China, o mais rapidamente e pacificamente possível. A disputa tem impedido uma maior integração regional e, nos últimos anos, a China adquiriu uma reputação de comportamento belicoso que arrefeceu as suas relações regionais. Por outro lado, porém, a China também não quer perder o controle de uma área tão importante estrategicamente. As suas mãos estão mais amarradas por um público nacionalista e muitas vezes pugilístico que parece suspeito em quaisquer concessões ou fraquezas percebidas por parte da China. Em suma, a China poderia tentar resolver a disputa através de qualquer compromisso ou agressão, mas nenhuma delas é uma opção atraente.

Assim, ao invés de tentar resolver o conflito, Pequim tem coberto e adotou uma estratégia de atraso. Apanhada entre competitivos interesses estratégicos, a China tem procurado manter o controle suficiente para preservar suas reivindicações sem exercer muito controle de uma forma que pode enervar outros disputantes. Assim, enquanto a China for defendendo as suas reivindicações contra a agressão de outros estados, ela tem geralmente preferido evitar a desestabilização do status quo. É claro que uma estratégia dilatória também desempenha a maior força da China: o seu poder de expansão e trajetória de crescimento de longo prazo. Porque deveria a China tentar resolver o conflito agora, quando a sua posição de negociação melhora a cada trimestre fiscal ?

A Estratégia Legal da China em Disputa no Mar do Sul da China





Para o melhor exemplo da estratégia dilatória em funcionamento, não procure mais do que a estratégia legal da China. Esta estratégia é uma mistura cuidadosamente elaborada de reivindicações substantivas legais e táticas de negociação, todas destinadas a preservar o "status quo", mantendo a máxima flexibilidade no futuro.

A China adoptou a ambiguidade como um pilar fundamental da sua estratégia legal. Mesmo hoje, depois de várias décadas de controvérsia - o alcance das reivindicações da China ainda não está claro. Na verdade, a China só tem enturvado as águas nos últimos anos com a sua introdução formal da infame "linha de nove traços." Em 2009, a Malásia e Vietname apresentaram uma apresentação conjunta de um órgão das Nações Unidas que define os limites das suas reivindicações exteriores da plataforma continental. A China respondeu no dia seguinte com uma nota verbal de protesto às reivindicações dos dois países. A nota verbal chinesa, era um tanto enigmaticamente, afirmando que "a China tem a soberania indiscutível sobre as ilhas no Mar da China Meridional e as águas adjacentes, e goza de direitos de soberania e jurisdição sobre as águas relevantes, bem como o leito do mar e subsolo do mesmo (ver mapa em anexo). "O mapa em anexo mostrou uma linha de nove traço que vai desde a costa da China e que abrange quase todo o Mar do Sul da China. Desde então, países e os analistas Têm-se questionado o que -se é alguma coisa - a linha de nove traço indica. Parece bastante claro que a China reivindica os títulos de todas as ilhas que se enquadram dentro dos amplos limites sobre a linha expansionista de nove traços. Menos claro, porém, é saber se ela também reivindica toda a área marítima circundante pela linha.

Dessa forma seria uma flagrante violação das obrigações internacionais da China. Sob o direito internacional consuetudinário, os estados estão vinculados pelo princípio da "la terre domine la mer" (a terra domina o mar), ou a ideia de que a soberania sobre as águas flui da soberania às proximidades da terra, e não o inverso. Em consonância com este princípio, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), permite às nações para controlar as águas domésticas estender apenas a uma certa distância do seu território soberano. Mesmo sob a leitura mais caridosa da CNUDM, Pequim não podia legalmente reivindicar o controle sobre grande parte das águas delimitada pela linha de nove traços.


Tribunal Internacional para o Direito do Mar 


Especialmente nos Estados Unidos, muitos analistas têm assumido que a China interpreta a linha de nove traços expansivamente. Mas Pequim nunca foi oficialmente muito esclarecedor de qual a interpretação que significa para se adoptar. A sua recusa em fazê-lo é impressionante, especialmente porque quase todos os analistas das disputas do Mar do Sul da China - incluindo vários estudiosos chineses - têm instado a China a clarificar as suas ambíguas reivindicações legais.

Em vez disso, o governo chinês tem deliberadamente adoptado uma política de ambiguidade legal estudada sobre a dimensão das suas reivindicações. Esta "ambiguidade estratégica" é apenas uma faceta da maior estratégia de atraso da China. A nova linha de nove traços cria o espaço legal para interpretações mais amplas sobre as reivindicações da China no futuro, mas isso não significa necessariamente menciona-las por agora. Como resultado, a China mantém a flexibilidade, a longo prazo, enquanto evita os custos de curto prazo de avançar com reivindicações irrealistas. Claro que, mesmo uma política de ambiguidade estratégica tem custos - A China tem sido duramente criticada pela sua dependência em relação à linha de nove traços, mais recentemente, pelos Estados Unidos. Mas a vontade da China em suportar estes custos testemunha claramente a sua relutância em embarcar quer numa política de compromisso quer numa política de agressão.

A estratégia dilatória da China também afectou a maneira na qual a China negocia as suas reivindicações legais. Em primeiro lugar, a China tem feito o seu melhor para evitar a resolução do conflito. Embora assuma o compromisso formal de um processo de resolução pacífica, na prática Pequim tem defendido incansavelmente uma política de "desenvolvimento conjunto", pelo qual os requerentes devem adiar a resolução das disputas de soberania até que as condições estejam "maduras". Até então, todas as partes devem trabalhar em conjunto para desenvolver os recursos do Mar do Sul da China em conjunto. Não obstante a abordagem tenha ganho pouca adesão, seria permitir que a China para escapar do seu dilema se promulgasse o seguinte: Pequim poderia promover a paz regional enquanto a exploração de recursos do mar continuaria e se manteriam as suas reivindicações de soberania.

Como outra tática de negociação, Pequim tem insistido em resolver as disputas do Mar da China Meridional numa base bilateral. De acordo com a sabedoria convencional, a China prefere negociar em termos de um-para-um em vez de as negociações multilaterais, porque pode mais facilmente alavancar a sua força para suportar o parceiro de negociação individual. Mas as negociações bilaterais implicam também um segundo e talvez mais importante benefício: elas permitem a Pequim controlar o ritmo das negociações. Em contraste, as negociações multilaterais tornam-se mais fácil para os outros requerentes fecharem acordos entre si que forçam a China a agir. Mesmo quando a China tem sido incapaz de impedir que outras partes se reúnam, tem sido impedido o progresso por cooptação dos estados individuais e o aproveitamento das divisões internas.

A crescente irrelevância da Estratégia Legal da China

Por muitos anos, a postura reactiva da China esteve bem. A partir de meados da década de 1990 ao início de 2000, a China e os outros requerentes priorizaram o direito internacional e a diplomacia, em palavras e actos. Em meados da década de 2000, no entanto, os outros contendores - especialmente Vietname e Filipinas - perceberam que estavam no lado dos derrotados de uma estratégia dilatória da China. Se eles jogassem nos termos da China, eles iriam continuar a perder influência. Então eles mudaram as regras do jogo.

As partes têm continuado a esgrimir a mesma retórica, mas começaram a alterar a sua conduta subjacente. Em vez de enfatizar o direito material, os requerentes menores - principalmente Filipinas e Vietname - aperfeiçoaram uma nova, mas extremamente arriscado estratégia: lançar a China sobre os chifres de seu próprio dilema. Manila e Hanói ambos sabem que não podem esperar para forçar a China a entregar todas as suas reivindicações, mas eles calculam que podem ser capazes de obter concessões significativas de fora da China, enquanto Pequim continua a oscilar entre a a agressão e o compromisso. Na última década, as Filipinas e o Vietname, portanto, tentaram pressionar a China, alterando a realidade no terreno e internacionalizar o conflito. Ao adotar uma postura mais pró-activa, os dois países esperam que a China seja forçada a tomar uma decisão entre respondendo agressivamente - assim, pondo em perigo o seu crescimento a longo prazo como estratégia - e cedendo algum limitado terreno na disputa. As Filipinas e o Vietname estão apostandos em que a China escolha o último.

Enquanto a China foi inicialmente apanhada desprevenida pela nova estratégia de Manila e de Hanói, ela recuperou-se rapidamente e aperfeiçoou uma nova estratégia em duas vertentes. Como Peter Dutton apontou, a primeira vertente enfatiza a coerção não-militarizada. Como um aspecto dessa estratégia, a China tem inundado o Mar da China do Sul, com uma enorme quantidade de "cascos brancos", ou navios pertencentes a agências marítimas civis da China. Estes vasos são então usados ​​para empurrar de volta os dos outros requerentes, por exemplo, a detenção de pescadores estrangeiros ou cortar os cabos de navios de exploração de petróleo. Mais recentemente, Pequim estacionou uma plataforma de petróleo ao largo da costa protegida do Vietname, é claro, por uma armada de "cascos brancos". Como parte dessa estratégia, a China também tem usado o seu peso económico para "desencorajar" os investidores internacionais a se aventurarem nas águas turvas da região.


Como parte da segunda vertente, Pequim continuou a expandir e a fortalecer as suas capacidades navais. Esses recursos são usados ​​quase que exclusivamente para efeitos de dissuasão; A China não quer se envolver num conflito directo, busca sim, colocar um travão sobre a coerção não-militarizada da primeira vertente e evitar que a partir dai surja uma espiral fora de controle. Como resultado, quando os navios filipinos encontram as embarcações marítimas civis chinesas, eles já sabem que o Exército Popular de Libertação da Marinha (EPLM)[PLAN na sigla inglesa] espreita apenas fora de vista.

Juntos, as duas vertentes permitem que a China possa responder com força às provocações de outros requerentes, ao mesmo tempo que contém a possibilidade de uma escalada. Mais uma vez, o objectivo é reconciliar interesses concorrentes estratégicos da China: Pequim defende as suas reivindicações através do seu envolvimento civil, às vezes agressivo, mas previne que a disputa ponha em risco o seu crescimento a longo prazo, garantindo que as armas permaneçam no coldre em toda parte.

Na execução desta nova estratégia, a China, por vezes, executa acções de outros disputantes para efeitos apenas de uma reacção igual e oposta; mais recentemente, no entanto, a China começou a não só retribuir, mas também a escalar, colocando uma pressão adicional sobre os outros requerentes para que recuem. Por exemplo, depois de um navio da Marinha das Filipinas ter detido pescadores chineses perto de Scarborough Shoal, em Abril de 2012, a China decidiu enviar várias das suas próprias embarcações marítimas civis. O impasse continuou por dois meses, até que os Estados Unidos negociou como intermediário uma retirada para ambos os lados. Enquanto as Filipinas obedientemente saíram, a China renegou o acordo e ficou onde estava. Um mês depois, o plano bloqueou a entrada na zona de pesca, e os seus navios têm vindo a patrulhar nas proximidades desde então.

O ponto culminante do impasse Scarborough Shoal foi uma escalada historicamente atípico por parte da China: com efeito, Pequim tomou o controle de Scarborough Shoal em resposta ao assédio inicial das Filipinas a alguns pescadores chineses. Mas em outros aspectos, a reacção da China não é particularmente surpreendente. Em resposta às provocações de outros requerentes, Pequim deve andar numa corda bamba entre o uso de muita pouco coerção (fortalecendo, assim as outras partes) e usando muita coerção (aparecendo assim como um vilão regional). No geral, não foi capaz de manter esse equilíbrio, talvez por causa que uma resposta perfeitamente calibrada é impossível. Como resultado, a opinião pública regional oscilou fortemente contra a China.

Em qualquer caso, a parte mais reveladora da história de Scarborough pode ter acontecido meses depois da China ter consolidado o controle sobre a zona de pesca. A 22 de Janeiro de 2013, as Filipinas iniciaram um processo de arbitragem sobre os créditos da China sob a égide da CNUDM. A certo nível, o caso parece marginal. A China recusou-se a participar, de modo que o caso poderia ser facilmente posto de lado por falta de jurisdição. Mas mesmo que o tribunal alcança-se os méritos, e mesmo que as regras favorecessem Manila, Pequim poderia simplesmente ignorar a decisão e esperar até que a onda de críticas internacionais passasse. Qualquer resultado será efectivamente inexequível.

No entanto, apesar insignificância prática do caso, a China tem sido freneticamente - e sem sucesso - tentada a impedi-la de prosseguir. Em Janeiro de 2014, Pequim alcançou novos níveis de desespero, e supostamente ofereceu-se para retirar os seus navios de Scarborough Shoal se as Filipinas adiassem a apresentação de seu memorial no caso. Enquanto que a proposta deve ser vista com desconfiança, afinal, Pequim já tem renegado ofertas relativas à zona de pesca antes - não deixa de ser uma oferta extraordinária se for verdadeira: a China estava disposta a abrir mão do controle do território sobre o qual ela reivindica soberania apenas para evitar um pouco de má publicidade. Assim, enquanto a China venceu a batalha para Scarborough Shoal, pode ter perdido a guerra, tudo porque Manila foi capaz de encontrar algo que Pequim valorizado ainda mais do que o território: a sua reputação em cumprir com o direito internacional. Para a China, sua reputação está intimamente ligada à sua estratégia de crescimento a longo prazo, e o país não pode dar-se ao luxo de anunciar seu descumprimento total, com a lei internacional.

O última desfecho do impasse de Scarborough Shoal ilustra as limitações da nova estratégia da China. As taticas contundentes da China tiveram alguns sucessos, e no futuro, Manila provavelmente vai pensar duas vezes antes de iniciar um confronto sobre uma ilha disputada. Mas a estratégia da China não foi capaz de alterar permanentemente o cálculo global dos outros requerentes. Toda a vez que a China efectivamente impede um tipo de provocação, isto só incentiva as outras partes a crescer através de outro tipo de provocação. Como resultado, a China está sendo consistentemente prejudicada em ambas as pontas do seu dilema: a sua estratégia de crescimento de longo prazo está cada vez mais posta em causa ao mesmo tempo que enfrenta crescentes ameaças às suas reivindicações territoriais.

O pior de tudo, é que é improvável que a situação da China melhore. A dinâmica produzida pela interacção da sua estratégia com a dos outros requerentes é inerentemente instável; contrariando uma provocação apenas leva a uma maior num outro lugar. Em algum momento, Pequim pode ter achado que tem de morder a bala e escolher entre duas opções extremamente desagradáveis: a escalada da disputa num conflito naval aberto e assistir a região a desvendar-se, ou a conceder estrategicamente valioso território, - como Pequim poderia ter oferecido à quatro meses atrás - e enfrentando potencial instabilidade doméstica em casa. A China vai fazer tudo o que for possível para adiar essa escolha, mas mais cedo ou mais tarde, ela poderá ter que se decidir.

Sean Mirski é um estudante do segundo ano da Harvard Law School, onde é presidente do Supremo Tribunal da Harvard Law Review. Ele é também o co-editor do Crux of Asia: China, India and the Emerging Global Order.



Tradução: Paulo Ramires
Cortesia: The National Interest

segunda-feira, 26 de maio de 2014

CHINA E PORTUGAL - O TAMANHO CONTA!

CHINA E PORTUGAL - O TAMANHO CONTA! 

Só com o tamanho certo seremos um parceiro para a China. Há 500 anos, como agora.

Por

Em 1513, Jorge Alvares saiu de Malaca rumo à China, tendo-se tornado no primeiro português a contactar directamente esse país. O sucesso comercial levou a novas viagens, pois a China fazia então parte de um objectivo estratégico de Portugal de definição das suas rotas comerciais.

Um pouco mais de 500 anos depois desta primeira viagem, com igual objectivo, o Presidente da República fez uma nova viagem à China, a qual tivemos a oportunidade de acompanhar, inserido na comitiva de empresários. E então como agora a questão da enorme diferença de tamanho entre os dois países não pode deixar de colocar-se.

Para a China de hoje, uma cidade considerada pequena pode atingir um ou dois milhões de habitantes, uma cidade média aproxima-se dos dez milhões e uma grande tem mais de vinte milhões. Assim considerado, Portugal inteiro poderia, no máximo, almejar qualificar-se como uma cidade média da China.

Isto retrata bem a diferença de tamanho entre Portugal e a China, tamanho populacional, mas também económico, geográfico, político e tudo o mais. Economicamente, a China é hoje a segunda potência económica mundial, apenas atrás dos EUA.

Face a estas diferenças, como pode Portugal pretender ser ouvido pela China com algum grau de atenção? O mesmo é dizer das empresas portuguesas face às suas congéneres chinesas.

Da história do relacionamento de Portugal com a China, da nossa experiência de negócios na China de alguns anos e do que pudemos assistir durante esta visita de Estado, Portugal consegue realmente ser ouvido em Pequim e os nossos empresários têm sabido ter sucesso nos seus negócios chineses. O recente investimento chinês em activos estratégicos em Portugal – na REN, na EDP, etc. – é sinal disso mesmo.

Para nós, é inegável que assume relevância o facto de Portugal ser um país da União Europeia, mas, mais até do que isso, entendemos que são as especiais relações económicas que temos com Angola, Brasil e Moçambique, locais onde a China tem interesses estratégicos, que realmente fazem a diferença. São essas relações que nos dão a dimensão certa para que Portugal conte para a China.

A China vê em Portugal uma possível porta de entrada para a Europa, mas, especialmente, para os países de expressão portuguesa com recursos naturais estratégicos. E vê muito bem! Esperemos que possa continuar a vê-lo durante muito mais tempo. E foi isso que o nosso Presidente da República, o Governo, o AICEP e os nossos empresários que integraram a comitiva foram evidenciar nesta visita.

No nosso entender, para Portugal, não há China sem Angola, Brasil e Moçambique, ou pelo menos, sem eles, haverá muito menos China. As empresas portuguesas poderão beneficiar ainda mais nas suas relações económicas se se souber ser o facilitador chinês nos países de expressão portuguesa, para o que podemos estar especialmente qualificados. Mas isto significa também que Portugal tem que manter bem presente e viva, na sua política externa e económica, a relação com o Brasil, Angola e Moçambique, o que nem sempre tem sido fácil.



A relevância dos países africanos de expressão portuguesa para a China, por exemplo, é bem atestada pela existência de um fundo soberano especial para investimentos, que abrange Angola e Moçambique, com mais de 4 biliões de dólares disponíveis para investimentos, a subir nos próximos anos para mais de 6 biliões!

Na China, o tamanho conta, e Portugal só terá o tamanho mínimo para poder contar para a China se souber aproveitar, para além da integração na União Europeia, especialmente, a sua relação privilegiada, de história, de língua, de cultura – a presença das universidades na comitiva presidencial foi por isso também uma excelente ideia –, de direito e de economia, com Angola, Brasil e Moçambique.

Isso ficou mais uma vez demonstrado nesta visita presidencial, em que a vontade chinesa ficou patente e as portas bem abertas, também ainda bem reconhecidos da forma como Portugal soube negociar a transição de Macau.

Bem andou o Presidente com a marcação oportuna desta visita e bem andará o Governo se mantiver a ligação com os países de expressão portuguesa bem viva.

Só assim, com o tamanho certo, seremos um parceiro para a China. Há 500 anos, como agora.

Advogado, sócio SRS Advogados, RL

Público de 24/05/2014

CORDATOS, CORDATOS... MAS INVERTEBRADOS

CORDATOS, CORDATOS... MAS INVERTEBRADOS

A CVDT (Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados) foi assinada no Vienna International Centre, em Viena.

Por Isabel Coutinho Monteiro

Portugal recebeu o epíteto de bom aluno pela sua submissão às exigências das instituições internacionais que, arvoradas em bons professores, lhe têm indicado o caminho da “salvação”. Um aluno cordato, muito ao gosto dos professores mais exigentes.

“Ah, mas isso já todos sabemos!” – comentarão alguns. – “Não se fala de outra coisa!”.

É verdade. Nos últimos tempos, o estribilho repete-se até à exaustão. Curiosamente, fica-nos na boca o sabor amargo de se tratar não de um elogio que pretenda enaltecer as qualidades de sensatez, perseverança e espírito de sacrifício, mas apenas de uma expressão insultuosa que envergonha muitos portugueses.

Tudo isto se passa no contexto da malfadada crise financeira e económica que, tendo assolado o mundo em 2008, teima em castigar com maior severidade precisamente os “bons alunos”.

O mesmo Portugal cordato que abnegadamente ofereceu o pescoço à pata que o esmagou, já se revelara um cordado desprovido de esqueleto, quando, tendo ousado, em 1911, levar a cabo a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa sem consultar o Brasil, logo se prontificou a reparar o erro, convidando o “país irmão” a juntar-se-lhe na simplificação da ortografia. Prazeiroso, o Brasil aceitou o convite “tardio”, em 1915, para capitular logo em 1919. O mesmo se passou com o Acordo Ortográfico de 1945, mas desta vez decorreram dez anos até à retirada do Brasil.

E o que fez Portugal, o bom aluno? Nada!

E eis que chegou a hora de mais uma tentativa de unificação – o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), mais os dois Protocolos Modificativos que lhe estão associados. E Portugal decidiu tratar o Brasil com toda a deferência – não que lhe fosse devida, obviamente, mas porque somos um povo cordato, cordado, mas invertebrado. Tudo isto é sobejamente conhecido de quase toda a gente.

O que talvez tenha escapado a muitos, é que existe um instrumento jurídico internacional – a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (adiante referida por “Convenção”) – que Portugal ratificou pelo Decreto do Presidente da República n.º 46/2003 de 7 de Agosto, suportado pela Resolução da Assembleia da República n.º 67/2003, que dá conta da aprovação. A ratificação do Brasil viria a concretizar-se mais tarde, pelo Decreto do Executivo 7.030/2009, com reserva dos artigos 25 e 66.

No artigo 2.º da supramencionada RAR 67/2003, lê-se:

«(…) Nestes termos, Portugal declara que, na sua relação com qualquer outro Estado que formulou ou formule uma reserva cujo efeito seja o de não se vincular no todo ou em parte pelas disposições do artigo 66.o [Procedimento de resolução judicial, de arbitragem e de conciliação], não se considerará vinculado em relação a esse Estado nem pelas normas processuais nem pelas normas substantivas da parte V da Convenção, relativamente às quais deixam de se aplicar os procedimentos previstos no artigo 66.o em virtude da referida reserva. (…)»

No entanto, o cordato país que assim declarou continua a sentir-se vinculado ao tratado que assinou (AO90) com o Brasil, alegadamente porque devemos uma reparação que data de 1911. Não, não devemos reparação nem satisfações a ninguém pelos regulamentos de aplicação interna. Muito pelo contrário: não seremos nós credores de alguma reparação, ou pelo menos satisfação, pelas retiradas de 1919 e 1955?

A Parte V da Convenção [Nulidade, cessação da vigência e suspensão da aplicação dos tratados], referida na declaração de não vinculação de Portugal ao abrigo do artigo 2.º da RAR 67/2003, reza assim, no artigo 42.º [Validade e vigência dos tratados]:

«1 — A validade de um tratado ou do consentimento de um Estado em ficar vinculado por um tratado só pode ser contestada de acordo com a presente Convenção.

2 — A cessação da vigência de um tratado, a sua denúncia ou a retirada de uma Parte só podem ter lugar de acordo com as disposições do tratado, ou da presente Convenção. A mesma regra vale para a suspensão da aplicação de um tratado.»

Como é sabido, o Senado do Brasil suspendeu a aplicação do AO90 até ao fim do ano de 2015. Como foi? Tudo de acordo com a Convenção?

E Portugal, o que fez?

Foi cordato, como sempre. E como sempre, cordado, mas invertebrado!

In http://ilcao.cedilha.net

terça-feira, 20 de maio de 2014

PORQUE A ALEMANHA ADMIRA PUTIN





Não pode ser tão surpreendente que a Alemanha, décadas após a reunificação, iria começar a definir os seus interesses de forma diferente dos de Washington. Esta redefinição, poderia-se até dizer, era inevitável. O surpreendente pode ter sido que levou muito tempo até ela ocorrer.





Existe um novo eixo Berlim-Moscovo em desenvolvimento ? Algumas semanas atrás, Gerhard Schroeder, o ex-chanceler alemão que faz parte do conselho da Gazprom, foi fotografado dando ao presidente russo, Vladimir Putin, um abraço de "urso". Outro ex-chanceler social-democrata, Helmut Schmidt, declarou no Die Zeit semanal que o alvoroço sobre expropriação da Criméia de Putin foi muito disparatada. Foi, segundo ele, "inteiramente compreensível." E o próprio público alemão não tem apetite para o confronto sobre a Ucrânia.

Tudo isto está a criar alguma consternação dentro e fora da Alemanha, entre as elites da política externa. No New York Times de hoje, por exemplo, Clemens Wergin, que é um editor do diário conservador Die Welt, em Berlim, relata que um caso de amor está-se a desenvolver entre a Alemanha e a Rússia. Poucos dias antes, John Vinocur, escrevendo no Wall Street Journal, chegou a conclusões semelhantes: "temos um chanceler - que, independentemente da participação da Alemanha em novas sanções, ou dos oficiais alemães que estão sendo mantido em cativeiro por pró-russos separatistas - que tem passado muito de seu tempo desde a anexação da Criméia pela Rússia à espera ao telefone com Moscovo de sinais positivos do Sr. Putin ".

A essência de seu argumento parece ser que a Alemanha está revertendo o seu curso. Agora que a Guerra Fria acabou, está a olhar mais para o leste, do que para oeste, assim como fez durante a década de 1920, quando assinou o pacto de Rapallo. Vinocur observa que o historiador Heinrich August Winkler escreveu recentemente um ensaio na revista Der Spiegel deplorando a deriva da Alemanha. Ele vê "novas dúvidas sobre calculabilidade da Alemanha." Wergin parece concordar. Ele diz: "Chegamos a pensar na Alemanha como um país da Europa Ocidental, mas que é em grande parte bem mais um produto da Guerra Fria. Antes disso ocupou um meio precário entre leste e oeste. Agora Alemanha pode muito bem estar a se afastar novamente do Ocidente. "

Ele tem uma certa razão. As raízes desta antipatia por Washington são em grande parte baseado numa esquerda e tradição pacifista na Alemanha que surgiu cheia de flores durante a guerra fria. Com a Guerra do Vietname, a América passou a ser vista como o mau na Alemanha. A esquerda estudantil revoltou-se tanto contra os EUA como contra os seus pais. A América era vista como o patrono dos regimes desagradáveis, como o Irão do xá. Isso foi tão irreflectido, que conduziu ao genocídio do estado social no Vietname, tão grande como ele tinha sido contra os índios. Depois veio o movimento pacifista dos anos 1980, quando a administração Reagan era visto como a verdadeira ameaça à paz na Europa. A Alemanha, que aspirava a tornar-se numa nova Suíça, rebelou-se contra a idéia de que ela se tornaria o campo de batalha para um confronto entre as duas superpotências. Schroeder, às vésperas da Guerra do Iraque, e ele próprio um graduado da escola de paz da década de 1980, foi capaz de agir de acordo com esses impulsos retendo o apoio alemão para a guerra, garantindo assim a sua reeleição, no Outono de 2002.

Hoje esses sentimentos têm dado um grande impulso, ironicamente, pelas políticas do presidente Obama. O candidato que foi saudado perto do Portão de Brandemburgo por arrebatadoras multidões alemães e o presidente que deveria inaugurar uma nova era de paz global ? Isso foi-se. Ele foi substituído pela imagem de um presidente feliz e predador armado com mísseis que autoriza a extensa espionagem ao público alemão, incluindo à sua actual chanceler. O nome dos Estados Unidos, de modo geral, está manchado na Alemanha, pelo menos quando se trata de assuntos de política externa.

Muitos desses sentimentos são muito bem resumida pelo activista veterano da paz de 87 anos de idade,  Erhard Eppler, que foi um ministro de Willy Brandt. Escrevendo no Der Spiegel, ele demonstrou total desprezo pela noção de que Putin é o único que tenha violado a lei internacional na Criméia: "O que o direito internacional diz sobre os drones da morte que também são lançados do solo alemão ? Não está a soberania da República Federal da Alemanha e o direito internacional, assim lesados ? Quem poderia vir com a idéia de proibir a América por causa da Guerra do Iraque - que Gerhard Schroeder poupou-nos a nós alemães - da comunidade dos povos civilizados ? "Eppler também expressou compreensão por Putin. Na sua opinião, Putin tinha pouca escolha a não ser agir. Em Kiev o que foi apresentado como um governo provisório, foi de fato, "uma equipa rigidamente anti-russa que tinha de ser ensinada que não poderia abolir imediatamente o russo como língua oficial e juntar-se imediatamente à NATO. O presidente russo que simplesmente ficasse na expectativa teria sido caçado mais cedo ou mais tarde, pelos eleitores russos."

Claro que uma visão emoliente de Putin enraizada na culpa histórica alemã pela Segunda Guerra Mundial só vai tão longe para explicar a posição de Berlim. O dinheiro desempenha um grande papel. As empresas alemãs, como a Siemens em baixo, são relutantes em abrir mão dos seus contratos lucrativos com Moscovo. Eles só podem estar muito felizes em ver as empresas americanas se recusarem, a mando de Obama, a boicotar a cimeira económica de Putin em São Petersburgo.

Finalmente, não pode ser tão surpreendente que a Alemanha, décadas após a reunificação, iria começar a definir os seus interesses de forma diferente dos de Washington. Esta redefinição, poderia-se até dizer, era inevitável. O surpreendente pode ter sido que levou muito tempo até ela ocorrer.

Ainda assim, se a Alemanha se está a afastar da América - e é fácil exagerar a extensão do desvio porque os temores sobre a Alemanha foram expressos ad nauseam desde a década de 1950 sobre a verdadeira profundidade do seu compromisso com a aliança ocidental -, então, essa deriva tem vindo a ocorrer já há algum tempo. Mas não há como negar que ela tenha sido agravada pela desajeitada diplomacia americana e a sua política externa desde a queda do Muro de Berlim. Na verdade, a Alemanha não é o único aliado que parece estar em desacordo com Washington. Israel, também, parece estar se aproximando do regime de Putin por uma série de razões. Em breve, a Alemanha, Israel, e a Rússia podem descobrir que têm mais em comum entre eles do que com a América. Tudo faz lembrar o adágio de Lord Palmerston sobre nem ter aliados nem inimigos permanentes.

Publicado no Nationalinterest.org/cortesia Nationalinterest.org

Tradução Paulo Ramires

O ABSURDO DA SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA


O ABSURDO DA SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA






O ABSURDO DA SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA



Podemos ver este texto interessante e engraçado que revela o que aconteceria se se "simplificasse-mos" a língua como querem alguns. O combate ao analfabetismo não se faz simplificando a língua mas tendo um adequado sistema de ensino.


Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .

Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .

É um fato que não se pronunciam .

Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?

O que estão lá a fazer ?

Aliás, o qe estão lá a fazer ?

Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .

Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?

Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .

Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .

Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” .

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.

Não pensem qe me esqesi do som “ch” .

O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.

Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?

O “x” xama-se “xis”.

Poix é iso mexmo qe fiqa .

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .

Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .

O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural .

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .

Vejamox o qaso do som “j” .

Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?

Para qê qomplicar ? ! ?

Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .

Serto ?

Maix uma letra mud

a qe eliminamox .

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !

Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?

Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?

Outro problema é o dox asentox.

Ox asentox só qompliqam !

Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .

A qextão a qoloqar é: á alternativa ?

Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a” .

Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .

Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax .

Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .

Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !

qe é qe temux o “u” ?

Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !

Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :

quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .

U mexmu para u som “ê” .

Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .

I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .

Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .

Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?





 





O ABSURDO DA SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA



O ABSURDO DA SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA






O ABSURDO DA SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA



Podemos ver este texto interessante e engraçado que revela o que aconteceria se se "simplificasse-mos" a língua como querem alguns. O combate ao analfabetismo não se faz simplificando a língua mas tendo um adequado sistema de ensino.


Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .

Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .

É um fato que não se pronunciam .

Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?

O que estão lá a fazer ?

Aliás, o qe estão lá a fazer ?

Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .

Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?

Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .

Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .

Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” .

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.

Não pensem qe me esqesi do som “ch” .

O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.

Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?

O “x” xama-se “xis”.

Poix é iso mexmo qe fiqa .

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .

Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .

O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural .

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .

Vejamox o qaso do som “j” .

Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?

Para qê qomplicar ? ! ?

Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .

Serto ?

Maix uma letra mud

a qe eliminamox .

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !

Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?

Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?

Outro problema é o dox asentox.

Ox asentox só qompliqam !

Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .

A qextão a qoloqar é: á alternativa ?

Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a” .

Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .

Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax .

Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .

Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !

qe é qe temux o “u” ?

Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !

Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :

quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .

U mexmu para u som “ê” .

Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .

I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .

Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .

Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?




Maria Clara Assunção






sexta-feira, 16 de maio de 2014

OS RESPONSÁVEIS POLÍTICOS PELO “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990

OS RESPONSÁVEIS POLÍTICOS PELO “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990
Análise dos factos políticos lesivos da Língua Portuguesa, por parte dos governantes e dos partidos, entre 1986 e 2014


Por Ivo Miguel Barroso


1. Em 2004, foi assinado um 2.º Protocolo Modificativo ao AO90 (“Acordo Ortográfico” de 1990) pelos 7 Estados. A ratificação deste Tratado foi uma prioridade do Governo seguinte, do PS, chefiado por JOSÉ SÓCRATES.

Em 2005, o Instituto Camões pediu vários Pareceres sobre o AO90 a especialistas e entidades. Os Pareceres foram todos negativos, sendo vários “arrasadores” (à excepção de um, subscrito por MALACA CASTELEIRO -em causa própria, pois fora um dos autores materiais do AO90 -, em nome da Academia das Ciências de Lisboa). Esses Pareceres não foram divulgados pelo Instituto Camões, senão em 2008.

Até à remodelação governamental que determinou a saída de ISABEL PIRES DE LIMA de Ministra da Cultura, a questão do AO90 foi analisada três vezes pelo Conselho de Ministros. A então Ministra da Cultura manifestou sempre a sua discordância em relação ao mesmo, juntamente com outros Ministros. Pode concluir-se que foi a oposição de ISABEL PIRES DE LIMA que impediu a ratificação do 2.º Protocolo Modificativo mais cedo.

2. Foi precisamente a partir da entrada em funções do novo titular da pasta da Cultura, JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, no início de 2008, que o Governo de então decidiu acelerar o processo que, até então, havia sido “travado” pela ex-Ministra. Assim, o Governo, já após a remodelação, aprovou a Proposta de Resolução do 2.º Protocolo Modificativo em 6 de Março, a apresentar à Assembleia da República (AR).

3. No âmbito da sociedade civil, a “Petição / MANIFESTO em defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico” (com ANTÓNIO EMILIANO, MARIA ALZIRA SEIXO, VASCO GRAÇA MOURA, e muitas outras personalidades) começou a recolher assinaturas em 2 de Maio. Em 8-5-2008, 12 dias antes da conclusão do processo, a Petição aludida fora já subscrita por 17.300 pessoas. Com esse número de assinaturas, recolhidas em tempo recorde de 6 dias, os Peticionários entregaram a Petição nos serviços da AR.

4. Na tribuna parlamentar, os discursos foram laudatórios do AO90: por parte do Ministro, JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO; seguido por Deputados. Apenas NUNO MELO discursou contra.

Não obstante a entrada da Petição e da opinião pública negativa por parte da sociedade civil (que, na altura, contava com Editores que, maioritariamente, estavam contra a ratificação), a AR veio a aprovar a Resolução n.º 35/2008, na votação final global; com votos a favor dos Deputados do PS, que tinha maioria absoluta e que impôs disciplina de voto (apesar disso, o Deputado MANUEL ALEGRE votou contra, quebrando essa disciplina de voto e apresentou uma declaração de voto), do PSD, do Bloco de Esquerda.

O grupo parlamentar do CDS teve liberdade de voto. Assim, 7 Deputados do CDS-PP votaram a favor. O líder, PAULO PORTAS, absteve-se, tal como JOSÉ CARVALHO e ABEL BAPTISTA. NUNO MELO e ANTÓNIO CARLOS MONTEIRO votaram contra. Também a Deputada LUÍSA MESQUITA (dissidente do PCP) votou contra. Os grupos parlamentares do PCP e do PEV abstiveram-se. Registaram-se também algumas ausências da votação.

5. O Presidente da República ratificou o 2.º Protocolo Modificativo em 29-7-2008.

6. Só na sessão legislativa seguinte a Petição-manifesto (Petição 495/X/3ª) recebeu tramitação na AR. Em 25-9-2008, decorreu a audição dos Peticionários. Em nosso entender, após a Petição ser admitida, houve violação do art. 13.º/1, da Lei n.º 43/90, não tendo curado de tramitar com “a máxima brevidade compatível com a complexidade do assunto”.

O Relatório final da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, elaborado pelo Deputado FELICIANO BARREIRAS DUARTE, apesar de favorável à Petição, foi aprovado muito tardiamente: 11 meses depois da entrada da Petição.

Ao todo, houve um total de 113.206 assinaturas da Petição-manifesto.

O debate em Plenário decorreu em 20-5-2009.

Para além desta Petição, foi apresentada uma outra Petição contra o AO90 (n.º 511/X (3.ª)), que, após a tramitação em sede de Comissão, foi apreciada em Plenário.

7. Do ponto de vista politológico, extraem-se as seguintes conclusões políticas:

i) Por via de regra, o Governo não se limitou a negociar e a assinar as convenções internacionais – teve um “peso” político na “união pessoal” existente entre o Primeiro-Ministro e o verdadeiro chefe da maioria parlamentar;

ii) Os Presidentes da República, das várias cores políticas (PS, MÁRIO SOARES (AO90), e JORGE SAMPAIO (1.º Protocolo, em 2000); PSD, CAVACO SILVA (2.º Protocolo, em 2008), deram sempre sequência à ratificação do AO, nunca tendo recusado nenhum acto de ratificação dos Tratados;

iii) No espectro político-partidário, historicamente, verifica-se que personalidades “históricas” do PS estiveram ligados à vinculação internacional de Portugal ao Tratado do AO:

- Quanto à versão originária do AO90: regista-se o voto maioritário em 1991, embora com voto contra de 16 Deputados do grupo parlamentar, quando havia uma maioria absoluta do grupo parlamentar do PSD; também, ao que apurámos, contou com os votos do PS.

A decisão final e discricionária de ratificação coube ao então Presidente da República, MÁRIO SOARES, que ratificou o AO90 em 1991. Porém, o AO90 contou apenas com três ratificações (de Cabo Verde e, em 1995, do Brasil), pelo que não chegou a entrar em vigor.

- Quanto ao 1.º Protocolo Modificativo, os titulares de cargos políticos filiados no PS “fizeram o pleno”: no 1º Governo de ANTÓNIO GUTERRES, através do Plenipotenciário, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, JAIME GAMA, assinou o 1.º Protocolo Modificativo; este foi aprovado pela AR, com votos a favor do grupo parlamentar do PS. O 1.º Protocolo foi ratificado pelo então PR, JORGE SAMPAIO (Decreto n.º 1/2000, de 28-1).

iv) A envolvência de órgãos dominados pela cor política do PSD é também significativa e convergente, tanto no início, como no fim: ou seja, no Tratado originário de 1990 (e, antes, no AO86) e na ratificação do 2.º Protocolo Modificativo.

O 1.º e o 2.º Governo maioritários, chefiados por CAVACO SILVA, deram o impulso para a assinatura e para a posterior ratificação da versão originária do Tratado do Acordo Ortográfico de 1990.

O 1.º e o 2.º Protocolos Modificativos foram aprovados pelo grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República.

O 2.º Protocolo Modificativo foi ratificado pelo Presidente da República, CAVACO SILVA, curiosamente o mesmo titular que impulsionou a negociação do AO e a sua aprovação na AR.

7. O Governo minoritário do PS, a poucos meses da demissão, aprovou a Resolução em Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, que mandou aplicar o Acordo Ortográfico à Administração Pública e ao “Diário da República” a partir de 1 de Janeiro de 2012, bem como ao sistema de ensino, a partir de Setembro de 2011, antecipando o final do prazo de transição em praticamente 5 anos (!!).

8. Em 28-2 do corrente ano, decorreu a discussão da Petição em Plenário da Petição n.º 259/XII/2.ª (“Petição pela desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990”), que havia sido entregue em 26 de Abril por nós e por Madalena Homem Cardoso, tendo como 1.º subscritor Rui Miguel Duarte.

Face à iminente discussão em Plenário, foram apresentados 3 Projectos de Resolução: por Ribeiro e Castro, Michael Seufert e Mota Amaral; pelo BE; e pelo PCP (discussão em https://www.youtube.com/watch?v=FbjqSi-6az4; votação em http://www.youtube.com/watch?v=P2EPQeXAFJA). Apenas o tímido 1.º Projecto, que recomenda ao Governo a criação de um Grupo de Trabalho, sem prazo nem sanções, foi aprovado (Resolução da AR n.º 23/2014, de 17 de Março).

O resultado da Petição foi clarificador: todos os grupos parlamentares demonstraram-se “acordistas”, em maior ou menor medida, por esta ordem:

i) O PS é inequivocamente o Partido político com uma agenda mais “acordista”; ii) logo seguido do CDS (14 votos contra o Projecto minimalista de Ribeiro e Castro, e apenas 7 a favor, em contexto de “liberdade de voto”) e do PSD (que exigiu cortes no Projecto de Ribeiro e Castro, para que fosse aprovado; e que rejeitou sequer o cenário de suspensão do AO90, em reunião do grupo parlamentar, no dia 27-2); iii) a seguir, vem o BE (que admite entraves devidos a um possível recuo do Brasil); iv) o PEV; v) e, finalmente, o PCP (o único que, no Projecto de Resolução de 2014, admitia a desvinculação de Portugal do AO90, caso os restantes Estados não o estivessem a “aplicar”; e que se absteve nas anteriores votações do AO90 e das revisões do mesmo).

9. Em conclusão: as vias políticas para a resolução do cancro do AO90 encontram-se esgotadas: a AR, qualquer que seja a sua composição, sempre se manifestou a favor do AO90, em diversas sessões legislativas, tão díspares no tempo: 1991, 2000, 2008, 2009 e 2014.

No entanto, os estudos de opinião demonstram que os Portugueses são, com percentagens muito elevadas, contra o AO90; poucos a favor da revisão; e residualmente poucos a favor.

Ora, é mais fácil mudar de governantes, dissonantes com o eleitorado, do que mudar de povo. Daí o nosso apelo para que, nas eleições (europeias, parlamentares, presidenciais e autárquicas), as pessoas votem em listas/partidos e façam efectivar a responsabilidade política dos titulares de cargos políticos que se manifestaram a favor do AO90.

Apelamos a que os cidadãos não se abstenham, nem votem nulo ou em branco. A solução preferível para expressar o protesto (caso haja alguma escrita em “acordês” ou para expressar em geral o desacordo em relação ao AO90) é requerer que seja lavrado um protesto/reclamação, aquando do exercício do direito de voto, invocando o artigo 99.º da Lei Eleitoral da AR; protesto esse que tem de ser obrigatoriamente aceite pela Mesa de voto.

Apelamos também ao exercício do direito de resistência contra normas inconstitucionais (art. 21.º da Constituição) e dos demais mecanismos do Estado de Direito democrático.

Jurista

Publicado in “O Diabo”, 13 de Maio de 2014, pgs. 8-9

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