ENTREVISTA A DAVID ICKE QUANDO SE REALIZA A REUNIÃO DOS BILDERBERG 2013
sábado, 8 de junho de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
MIA COUTO DISTINGUIDO COM PRÉMIO CAMÕES
MIA COUTO DISTINGUIDO COM PRÉMIO CAMÕES

"A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos."
Mia Couto.
O vencedor do prémio literário mais importante da criação literária da língua portuguesa é o escritor moçambicano autor de livros como Raiz de Orvalho, Terra Sonâmbula e A Confissão da Leoa . É o segundo autor de Moçambique a ser distinguido, depois de José Craveirinha em 1991.
O júri justificou a distinção de Mia Couto tendo em conta a “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”, segundo disse à agência Lusa José Carlos Vasconcelos, um dos jurados.
A obra de Mia Couto, “inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, acrescentou Vasconcelos. Além disso, conseguiu “passar do local para o global”, numa produção que já conta 30 livros, que tem extravasado as suas fronteiras nacionais e tem “tido um grande reconhecimento da crítica”. Os seus livros estão, de resto, traduzidos em duas dezenas de línguas.
Do júri, que se reuniu durante a tarde desta segunda-feira no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro e da Biblioteca Nacional, fizeram também parte, do lado de Portugal, a professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa Clara Crabbé Rocha (filha de Miguel Torga, o primeiro galardoado com o Prémio Camões, em 1989), os brasileiros Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas, e Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor e professor universitário moçambicano João Paulo Borges Coelho e o escritor angolano José Eduardo Agualusa.
Também em declaração à Lusa, Mia Couto disse-se "surpreendido e muito feliz" por ter sido distinguido com o 25º. Prémio Camões, num dia que, revelou, não lhe estava a correr de feição. “Recebi a notícia há meia hora, num telefonema que me fizeram do Brasil. Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz”, comentou o escritor, sem adiantar as razões.
O editor português de Mia Couto, Zeferino Coelho (Caminho), ficou também “contentíssimo” quando soube da distinção. “Já há muitos anos esperava que lhe dessem o Prémio Camões, finalmente veio”, disse ao PÚBLICO, lembrando que passam agora 30 anos sobre a edição do primeiro livro de Mia Couto em Moçambique, Raiz de Orvalho.
O escritor não virá à Feira do Livro de Lisboa, actualmente a decorrer no Parque Eduardo VII, porque esteve na Feira do Livro de Bogotá, depois foi para o Canadá e só recentemente voltou a Maputo. Zeferino Coelho espera que o autor regresse a Portugal na rentrée, em Setembro ou Outubro.
No entanto esta distinção não o vai desviar do seu novo romance, sobre Gungunhana, personagem histórico de Moçambique. "O prémio não me desvia. Estou a escrever uma coisa que já vai há algum tempo, um ano, mais ou menos, e é sobre um personagem histórico da nossa resistência nacionalista, digamos assim, o Gungunhana, que foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque, depois foi reconduzido para Portugal e acabou por morrer nos Açores”, disse Mia Couto, à agência Lusa. “Há naquela figura uma espécie de tragédia à volta desse herói, que foi mais inventado do que real, e que me apetece retratar”, sublinhou.
Nascido em 1955, na Beira, no seio de uma família de emigrantes portugueses, Mia Couto começou por estudar Medicina na Universidade de Lourenço Marques (actual Maputo). Integrou, na sua juventude, o movimento pela independência de Moçambique do colonialismo português. A seguir à independência, na sequência do 25 de Abril de 1974, interrompe os estudos e vira-se para o jornalismo, trabalhando em publicações como A Tribuna, Tempo e Notícias, e também a Agência de Informação de Moçambique (AIM), de que foi director.
Em meados da década de 1980, regressa à universidade para se formar em Biologia. Nessa altura, tinha já publicado, em 1983, o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.
"O livro surgiu em 1983, numa altura em que a revolução de Moçambique estava em plena pujança e todos nós tínhamos, de uma forma ou de outra, aderido à causa da independência. E a escrita era muito dominada por essa urgência política de mudar o mundo, de criar um homem e uma sociedade nova, tornou-se uma escrita muito panfletária”, comentou Mia Couto em entrevista ao PÚBLICO (20/11/1999), aquando da reedição daquele título pela Caminho.
Em 1986 edita o seu primeiro livro de crónicas, Vozes Anoitecidas, que lhe valeu o prémio da Associação de Escritores Moçambicanos. Mas é com o romance, e nomeadamente com o seu título de estreia neste género, Terra Sonâmbula (1992), que Mia Couto manifesta os primeiros sinais de “desobediência” ao padrão da língua portuguesa, criando fórmulas vocabulares inspiradas da língua oral que irão marcar a sua escrita e impor o seu estilo muito próprio.
“Só quando quis contar histórias é que se me colocou este desafio de deixar entrar a vida e a maneira como o português era remoldado em Moçambique para lhes dar maior força poética. A oralidade não é aquela coisa que se resolve mandando por aí umas brigadas a recolher histórias tradicionais, é muito mais que isso”, disse, na citada entrevista. E acrescentou: “Temos sempre a ideia de que a língua é a grande dama, tem que se falar e escrever bem. A criação poética nasce do erro, da desobediência.”
Foi nesse registo que se sucederam romances, sempre na Caminho, como A Varanda do Frangipani (1996), Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (2002 – que o realizador José Carlos Oliveira haveria de adaptar ao grande ecrã), O Outro Pé da Sereia (2006), Jesusalém (2009), ou A Confissão da Leoa (2012). A propósito dos seus últimos livros, o escritor confessou algum cansaço por a sua obra ser muitas vezes confundida com a de um jogo de linguagem, por causa da quantidade de palavras e expressões “novas” que neles aparecem.
Paralelamente aos romances, Mia Couto continuou a escrever e a editar crónicas e poesia – “Eu sou da poesia”, justificou, numa referência às suas origens literárias.
Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012).
O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, Prémio Camões 2008, disse à Lusa, no Rio de Janeiro, que “Mia Couto é, sem dúvida, um dos escritores mais importantes da língua portuguesa, e esse prémio é o reconhecimento que sua obra já há tempo faz por merecer”. E congratulou-se “festivamente com Mia Couto e com a literatura moçambicana, que ele honra com sua arte e exemplo”.
E o escritor português Vasco Graça Moura considerou também ser esta uma atribuição perfeitamente merecida. “Mia Couto é um grande escritor, parece-me perfeitamente justificado”, disse à Lusa. Mia Couto é um “grande autor de língua portuguesa” e tem “uma capacidade de invenção verbal surpreendente. Por isso, na perspectiva do escritor português, a obra de Mia Couto “ultrapassa, de algum modo, os limites normais da prosa escrita em português”.
Nas anteriores 24 edições do Prémio Camões, Portugal e Brasil foram distinguidos dez vezes cada, a última das quais, respectivamente, nas figuras de Manuel António Pina (2011) e de Dalton Trevisan (2012). Angola teve, até ao momento, dois escritores citados: Pepetela, em 1997, e José Luandino Vieira, que, em 2006, recusou o prémio. De Moçambique fora já premiado José Craveirinha (1991) e de Cabo Verde Arménio Vieira (2009).
Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, e actualmente com o valor monetário de cem mil euros, este é o principal prémio destinado à literatura em língua portuguesa e consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum.
Com Isabel Coutinho
Público
terça-feira, 28 de maio de 2013
PAUL KRUGMAN - PORTUGAL VIVE UM PESADELO
PAUL KRUGMAN - PORTUGAL VIVE UM PESADELO

O economista Paul Krugman abordou o tema Portugal no seu blog do jornal The New York Times para se referir à situação do país como um pesadelo. O Nobel da Economia pega no exemplo português para mandar um recado aos decisores da União Europeia: ou o euro desaparece ou se faz alguma coisa para que resulte. O que não pode acontecer – sustenta Krugman – é que se permita a destruição das unidades familiares de negócio, “o núcleo da economia e da estrutura social”, condenando “um extenso número de trabalhadores ao desemprego”.
Não é a
primeira vez que Paul Krugman se refere à situação portuguesa. Há um ano
manifestava fortes dúvidas de que Portugal conseguisse pagar a sua dívida por
inteiro.
Desta vez vai mais longe e fala do pesadelo económico-financeiro que o país vive, para se lançar na defesa de soluções que não passam pelas políticas de austeridade a que tem deitado mão a liderança da União Europeia.
Não me digam que Portugal tem tido más políticas no passado e que tem profundos problemas estruturais. Claro que tem: como todos os outros têm, mas, sendo a situação portuguesa mais grave do que noutros países, como é que pode fazer sentido lidar com esses problemas condenando ao desemprego um grande número de trabalhadores disponíveis?” - é a questão deixada por Krugman.
Salvar as empresas familiares
Devemos
tentar perceber "como e porque é que estamos a permitir que este
pesadelo aconteça de novo, três gerações depois da Grande Depressão".
Paul Krugman |
A solução, sustenta, está numa política monetária e orçamental expansionista que Portugal não pode colocar em marcha, já que “deixou de ter moeda própria”. E é neste ponto que o economista norte-americano advoga uma decisão: ou o euro acaba ou se faz alguma coisa para o pôr a funcionar.
“Porque aquilo a que estamos a assistir (aquilo por que os portugueses estão a passar) é inaceitável”, acrescenta Krugman, defendendo que a solução deve passar por “uma expansão mais forte na zona do euro como um todo e uma inflação mais elevada no núcleo europeu”. Para o conseguir, uma política monetária menos apertada seria uma ajuda, “tendo em mente que o BCE (Banco Central Europeu), tal como a Fed (Reserva Federal Norte-Americana), são contra taxas de juro próximas de zero”. Neste sentido, acrescenta, são desejáveis “políticas não convencionais (…) e uma ajuda ao nível da política orçamental”.
O que Paul Krugman rejeita liminarmente é a solução na continuidade do que vêm sendo os últimos três anos de uma política europeia “focada quase inteiramente nos supostos perigos da dívida pública”, com “a austeridade na periferia a ser reforçada pela austeridade no centro”.
É uma visão que o Nobel norte-americano teme venha a ser comentada como a de um anti-europeu. Nada disso – garante. Num segundo texto colocado logo após no seu blog “Consciência de Um Liberal”, Paul Krugman afirma que por vezes encontra europeus que vêem nas suas críticas à troika a opinião de “um anti-europeu”.
“Pelo contrário: o projecto europeu, a construção da paz, democracia, e a prosperidade através da união, é uma das melhores coisas que aconteceu à Humanidade. É por isso que estas políticas erradas, que estão a rasgar a Europa em bocados, são uma tragédia tão grande”, explica nesse texto que aborda a sua passagem por Portugal no período pós-revolução (1975) enquanto conselheiro do MIT (Massachusetts Institute of Technology), a pedido do então governador do Banco de Portugal José da Silva Lopes.
Ainda Reinhart & Rogoff
Os dois economistas formados em Harvard
foram acusados de erros de tratamento estatístico e ocultação de dados que
comprometiam a tese central da obra - problemas detetados por um estudante de
doutoramento da Universidade Amherst de Massachusetts.
O estudo inteiramente
focado no trabalho de Reinhart e Rogoff, "É verdade que a elevada dívida
pública sufoca de forma sistemática o crescimento económico?" (Does High
Public Debt Consistently Stifle economic Growth?), de Thomas Herndon, Michael
Ash e Robert Pollin, veio apontar três fraquezas na análise de R&R: duas de
natureza metodológica e uma de erro de codificação estatística.
|
Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, economistas da Universidade de Harvard e com ligações ao FMI (Fundo Monetário Internacional), têm estado no centro de todas as discussões sobre as políticas da austeridade devido a Crescimento em Tempos de Dívida, obra de 2010 sobre o impacto da dívida pública no crescimento económico que tem sido vista como uma espécie de cartilha para neoliberais.
Há mês e meio o estudo seria posto em causa por um estudante de doutoramento. Problemas que obrigaram os autores a publicar uma correção desse estudo, mas cuja tese central – a ideia de que é impossível crescer com dívidas superiores a 90% do PIB - não mais foi vista da mesma forma.
A controvérsia em torno do estudo Crescimento em Tempos de Dívida abriu em definitivo a porta à contestação das políticas de austeridade.
Krugman foi igualmente crítico desse estudo e questionou, de forma retórica, se terão Keneth Rogoff e Carmen Reinhart “destruído por completo a economia do Ocidente?”.
“De facto, Reinhart-Rogoff poderão ter tido uma enorme influência, imediata, no debate público do que qualquer outro estudo na área da Economia”, insistiu Krugman, palavras que lhe mereceram um contra-ataque duríssimo numa carta publicada há dois dias pelos dois economistas.
Paul Krugman, acrescentam os dois autores, teve um comportamento pouco civilizado ao querer transformá-los em bodes expiatórios da situação que se vive em boa parte do Ocidente, com a implementação a toda a força de políticas de austeridade. Mas não apenas nesse departamento, também quando lançou acusações de que não partilhavam os seus dados ou ignorando estudo que vão ao encontro das suas conclusões em Crescimento em Tempos de Dívida.
R&R voltaram a repetir argumentos que têm esgrimido nos últimos tempos, procurando, em termos genéricos, desmentir a ideia de que a sua teoria estabeleça uma relação de causalidade entre forte dívida e baixo crescimento. Explicam que o que fica demonstrado é a relação (association, no original) entre uma coisa e outra.
Lusa
sexta-feira, 17 de maio de 2013
A TRANSFORMAÇÃO DO MÉDIO ORIENTE E A DECADÊNCIA DO OCIDENTE POLITICO POR PAULO RAMIRES
A TRANSFORMAÇÃO DO MÉDIO ORIENTE E A DECADÊNCIA DO OCIDENTE POLITICO POR PAULO RAMIRES



Por Paulo Ramires
Quando os EUA e aliados invadiram o Iraque, sobre o pretexto de Saddan Hussein possuir armamento químico que ameaçava o mundo, no mesmo dia da invasão esse mesmo pretexto mudou imediatamente para outro, a implementação da "democracia" e da "freedom" no estado iraquiano, 8 anos depois, o Iraque transformou-se num território semi-anarquico onde as potencias ocidentais [e não só] recrutam e treinam elementos terroristas que depois se vão juntar aos mais diversos grupos terroristas da Al-Qaeda ou de outras organizações similares para cumprir os mais diversos objectivos de acordo com as ambições de potencias e "players" do Médio Oriente como é o caso da guerra da Síria - uma guerra por proxies - que se faz pelo uso destes grupos terroristas, o problema é que esta situação está indo para uma situação sem controlo, havendo outros estados como a Arábia Saudita, Qatar a fazer o mesmo e muitas vezes com objectivos divergentes dos do ocidente, como é o caso dos movimentos salafistas do Paquistão ou sunitas radicais da Arábia Saudita que enviam jihadistas para o Mali e norte de África - um problema ainda para ser revelado em toda a sua dimensão. Muitos especialistas em defesa europeia temem esta situação. A situação é de tal forma confusa e assustadora que o próprio numero dois, agora numero um da Al-qaeda, Ayman Al Zawahiri está a sustentar, e a financiar também o Jahbat al-Nusra, em paralelo com os EUA e Israel. Ou seja a politica dos EUA e Reino Unido é convergente com os objectivos políticos da Al-Qaeda [se bem que a Al-Qaeda se tornou nos últimos anos numa coisa extraordinariamente monstruosa em que todos participam - Ayman Al Zawahiri foi o homem para lidar esta federação de organizações terroristas - um autentico politico que faz as pontes entre vários interesses]. Mas toda a zona está a ferro e fogo, toda a região está envolvida dirigindo-se também para a Turquia. E porquê tudo isto ? Pelos vários interesses estratégicos na região onde está em disputa o controlo dos recursos energéticos do petróleo cada vez mais escassos e novas explorações do gás nomeadamente a partir do irão e que irá para a Europa ou para outras zonas como Paquistão e China. A aumentar estes problemas também há a outra disputa pela água com Israel no topo. Assim tudo vale, não há lei, valores. princípios, apenas a ambição de poder e controlo de uma parte significativa da economia mundial através desses mesmos recursos energéticos mas também uma região altamente geopolítica e com interesse paras as potencias interessadas em explorar esta região. O que está agora a acontecer, na verdade resulta de uma planificação continuada que se tem vindo a evoluir em termos de ajustamento da geografia, que se vem fazendo há muito tempo e que a administração Bush Jr. acelerou, isto não é nem mais nem menos que a alteração do mapa do Médio Oriente em função desses interesses energéticos mas também da geopolítica dos "players" que não é de modo alguma pacífica. Está em causa muita coisa como por exemplo a existência de vários países que arrastarão outros numa infernal espiral de terror e caos, a Síria é um deles - já morreram cerca de 80 mil pessoas [o número poderá ser mais elevado]. A questão da Síria é a ambição do controlo do espaço geográfico terrestre, marítimo (também tem acesso ao mar) e aéreo, por lá passam muitas das condutas de petróleo e gás altamente estratégico e vital para muitos países, assim é pretendida a dissolução deste estado em vários pequenos estados (segundo o desenho decidido por Israel e EUA serão 4 estados) sem qualquer independência ou autonomia, apenas controlados pelos "players", (EUA e Israel) para melhor se lidar com estes interesses no Médio Oriente, e ainda há o corredor curdo proposto também por Israel e EUA que está a desnortear por completo Erdogan envolvido em teias de interesses complexas[ a favor: PKK-PYD, Barzani, o presidente Gül e FM Davutoğlu do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), o primeiro ministro da Turquia, Tayyip Erdoğan do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), Syrian Opposition (instável), Free Syrian Army(FSA) / Plunderers e Saudi Arabia / Qatar. Mas em oposição a este projecto liderado pelos EUA e Israel, está Bashar Hafez al-Assad e que é apoiado pelo Irão, Rússia, China, Libano, Iraque e Forças Nacionais da Turquia (que participam em manifestações anti-AKP) com visões completamente diferentes[o que aqui está também em causa é a criação de um segundo Israel por intermédio da criação de estados fantoches estendidos pelo Médio Oriente, e o domínio sobre a Turquia que se arisca a ser desmembrada pela NATO [o PKK teria um importante papel nisto tudo]], assim o que os primeiros estados decidiram ? Simplesmente fabricar justamente conflitos sectários e a destruição do estado laico representado na pessoa de Bashar Hafez al-Assad. O ideal até seria um governo islâmico que pudesse fazer uma ponte com o Egipto e isolar mais o Irão. Mas isto é muito perigoso, o que se está a produzir são estados islâmicos profundamente radicais e sectários com base na Sharia islâmica, ora será para ai que vai o Iraque ? O Iraque está fora de controlo, e este vídeo não aparece por acaso, é também uma mensagem. Pelas imagens do vídeo abaixo parece que já é factual o aparente controlo do islamismo xiita radical, o que é surpreendente pois é a credibilidade ocidental que já não existe há muito tempo. [Na verdade se não houver surpresas e golpes de rins, isto poderá ser um duro golpe para os EUA]. Algumas pessoas na Europa ligadas à segurança, têm receio desta situação e com razão pois o islamismo radical tem capacidade para se expandir e irá se expandir. Se isto está acontecer muito se deve aos EUA e RU e Israel, afinal não era a democracia que eles criam ? Claro que não. Ora como é que eles poderiam crer a democracia em estados falhados não sendo eles próprios países democráticos como muita gente pensa que são ? Mas eles não criam a democracia para o Iraque, na verdade eles querem retalhar o Iraque em pedaços, consciente disto o governo iraquiano afastou-se de Washington, ora isto poderá estar relacionado com o fim do Conselho Nacional Sírio. No vídeo vemos o resultado das politicas do ocidente lideradas pelos EUA e o modelo que estes países criaram no Iraque e que agora exportam para a Líbia e todo lado. Um festim para a Al-Qaeda. Mas há mais gente envolvida nesta politica de alteração do Médio Oriente que tem causado centenas de milhares de mortos e milhões de pessoas feridas afectadas das mais diversas formas, aliás armas químicas têm sido usadas por todo o lado, particularmente por Israel na Palestina, e EUA no Iraque e Afeganistão e Paquistão (?), isto não esquecendo os drones americanos e israelitas que são responsáveis pela morte de milhares de pessoas inocentes. Kadafi era um estadista mais democrático que muitos estadistas europeus, e deu provas disso para os que quisessem ver estas questões com seriedade. Hoje a Líbia está na mão de terroristas com interesses petrolíferos, e o seu sistema bancário nas mãos de grandes grupos financeiros, a população está a sofrer quando antes tinha carros e apartamentos oferecidos pelo estado e era um pais em desenvolvimento a par do Brasil por exemplo. O plano é de tal forma visionário e de loucura sem limites que 10 anos antes Wesley Clark e o Departamento de Defesa dos EUA discutiram planos de guerra a partir da "Primavera Árabe"[uma fabricação dos EUA].
O mesmo general na página do seu livro "Vencendo Guerras Modernas" escrevia o seguinte na página 130 do livro: "Quando eu regressei ao Pentágono em Novembro de 2001, um oficial sénior do staff militar, teve tempo para falar. Sim, estamos a caminho para ir contra o Iraque, disse ele. Mas havia mais. Isto tinha sido discutido como parte de um plano de uma campanha de cinco anos, disse ele, e eram um total de sete países, começando pelo Iraque, então Síria, Líbano, Líbia, Irão, Somália e Sudão.
... ele disse isto com descrédito - com quase descrença - num suspiro de uma visão. Afastei-me da conversa, por isto ser algo que não me agradaria ouvir. E isto não era algo que eu queria que também fosse para a frente ...Deixei o Pentágono naquela tarde profundamente perturbado."
Mas em 2007 o quadro estratégico do Médio Oriente ganha uma nova relevância, era nem mais nem menos do que descobertas no campo de gás da bacia Levanthine no oriente mediterrânico, afinal tinha mais 70% de gás do que inicialmente previsto. As implicações geopolíticas e a segurança energética para estas descobertas de recursos energéticos, levaram à competição de cartéis que estão na origem e causa do conflito sírio. Mas isto revela-se muito mais complicado do que possa parecer, o controlo destas reservas por parte do cartel apoiado pela Rússia e Irão é de facto uma séria ameaça ao já bastante contestado acordo de Bretton Woods que criou o actual sistema monetário com base no dólar, e que agora estará já praticamente perto do seu fim.
Para continuar...
E como ficará a Europa neste quadro de um novo cenário bastante diferente ? Vai ser afectada ? Já está a ser afectada ? E o problema de politica económica ?
No caso de os estados Unidos e aliados imporem uma zona de exclusão aérea á Síria responderá com os mísseis Yakhont de defesa de fabrico russo, agora com um "upgrade". Os misseis Yakhont têm a capacidade de atacar o seu alvo a uma velocidade supersónica, voando a um baixo nível, deixando pouca margem de reacção ao adversário para reagir, mesmo assim as defesas da frota naval têm vindo a fazer um longo percurso desde os sistemas da guerra electrónica.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
MANIFESTANTES DA QUE SE LIXE A TROIKA INTERROMPEM VITOR GASPAR
MANIFESTANTES DA QUE SE LIXE A TROIKA INTERROMPEM VITOR GASPAR

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, foi na tarde desta
quarta-feira interrompido por cerca de duas dezenas de pessoas quando se
preparava para falar na apresentação de um livro em Lisboa.
Os manifestantes gritaram “Demissão!” e interromperam Gaspar na apresentação da obra Desta vez é diferente. Oito séculos de loucura financeira,
de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, economistas que conceberam o
polémico estudo sobre o impacto da dívida pública no crescimento
económico.
O título centra-se na análise de “diversos
episódios de vários tipos de crises financeiras” ao longo dos séculos,
revela a editora Almedina.
Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, economistas formados em Harvard, foram recentemente notícia por terem publicado uma correcção ao controverso estudo que fizeram sobre o impacto da dívida pública no crescimento económico.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
CONSENSO PARA QUÊ ? POR PAULO MORAIS

CONSENSO PARA QUÊ ? POR PAULO MORAIS
Nas últimas semanas, sucederam-se os apelos ao consenso entre as diversas forças políticas. Mas consenso para quê? Ninguém sabe ao certo.
O consenso não tem dado bons resultados na política em Portugal. Foi por consenso que Orçamento do Estado de 2012 foi aprovado, com os votos favoráveis da maioria e a cumplicidade do Partido Socialista. Os resultados foram a desgraça que se vê.
A viabilização dos Orçamentos do Estado por consenso, a pretexto dum exaltado sentido de responsabilidade, tem sido prática neste Parlamento.
Foi com "um aparente sentido de Estado" que Manuela Ferreira Leite, enquanto presidente do PSD, aprovou o Orçamento de Sócrates e foi ainda o consenso que permitiu que Sócrates se mantivesse no poder, implementando os seus vários planos de estabilidade e crescimento, que como é sabido não trouxeram nem crescimento nem estabilidade.
Instalou-se na política o vício do consenso, uma prática agora abençoada pelo Presidente da República e que faz lembrar os parlamentos da União Nacional fascista. Onde, como agora, havia muito consenso, mas não havia nenhum senso.
OS CÂMARA BOYS, POR PAULO MORAIS
A integração de "boys" partidários nos quadros de
pessoal das câmaras e empresas municipais é regra e, com a aproximação
da data das eleições autárquicas, adivinha-se um despautério de
admissões e nomeações em catadupa.
Esta situação é
particularmente expressiva no que diz respeito aos dirigentes que, nas
juventudes partidárias, organizam as campanhas eleitorais e arregimentam
votos. Uma vez instalados nos seus "tachos", continuam por norma a
trabalhar ao serviço dos partidos, mas remunerados à custa dos
municípios. Ao longo dos últimos anos, este fenómeno agravou-se de tal
forma que algumas empresas municipais mais parecem sedes partidárias
dissimuladas.
Contudo, é nos municípios mais
pequenos, alguns com apenas quatro ou cinco mil eleitores, que este
problema se torna ainda mais grave e dramático no plano social. Nesses
municípios, a obtenção de um qualquer emprego, ou a promoção numa
função, depende quase exclusivamente do presidente de câmara local. Isto
porque o maior empregador no concelho é a câmara; o segundo maior é,
por regra, a misericórdia local ou alguma instituição de solidariedade,
que atua em conúbio com o poder autárquico. Segue-se-lhes a
administração central descentralizada, de forte dependência política, ou
eventualmente uma empresa de média dimensão… amiga da câmara. Com esta
estrutura de emprego, só o presidente de câmara e os caciques que dele
dependem conseguem atribuir empregos que, em regra, beneficiam afilhados
e familiares do presidente, os militantes do partido e os apaniguados
das redes clientelares. Claro que a sua seleção raramente resulta do seu
currículo ou das suas competências.
Estas
práticas reiteradas, nomeadamente nos pequenos concelhos do interior,
consolidam, na maioria do território nacional, a ideia de que o estudo, a
formação e o esforço de nada adiantam. Fazem vingar a tese de que a
qualidade do desempenho é irrelevante para ocupar um qualquer cargo. A
qualidade não constitui critério de escolha de colaboradores, ou de
progressão nas carreiras. A estrutura de recursos humanos está
invertida. O profissionalismo foi dizimado pelo clientelismo.
domingo, 12 de maio de 2013
TRAGÉDIA DO BANGLADESH, FOTOS IMPRESSIONANTES
TRAGÉDIA DO BANGLADESH, FOTOS IMPRESSIONANTES
A fotografia mostra o dramatismo de duas vitimas que acabariam por morrer pressionadas por um monte de escombros de uma fábrica alemã que colapsou em Savar perto de Dhaka em Bangladesh. A fotografia é estremecedora com o corpo feminino completamente dobrado e o corpo masculino quiçá persentindo a morte agarrando-se àquele num enlaço deficil de descrever com uma gota de sangue como se fosse uma lágrima.

OUTRAS FOTOS DA MESMA TRAGÉDIA:

terça-feira, 7 de maio de 2013
FRACO COM OS FORTES, POR PAULO MORAIS
FRACO COM OS FORTES, POR PAULO MORAIS
O novo pacote de austeridade anunciado na sexta-feira chega a ser uma agonia. Mais uma vez, o governo fustiga os trabalhadores e pensionistas e poupa os grandes grupos económicos. As medidas para reequilibrar as contas públicas em cerca de 1500 milhões de euros por ano poderiam ser outras, bem diversas.
Em primeiro lugar e de uma vez por todas, o governo tem de baixar drasticamente as rendas das parcerias público-privadas (PPP). O eventual ganho anual para as Finanças com as medidas agora anunciadas pelo primeiro-ministro pouco excede o que foi pago a mais, só num ano, em 2011, nas PPP rodoviárias. Nos últimos quatro anos, os encargos líquidos com as PPP quadruplicaram, atingindo por ano montantes da ordem de dois mil milhões de euros. Basta! Baixem as rendas ou, em alternativa, expropriem as PPP pelo seu justo valor.
Em
segundo lugar, o governo poderia ainda conseguir poupar nos juros da
dívida pública. Não é aceitável que o estado consigne ao pagamento de
juros 14% dos impostos pagos por todos os cidadãos e empresas. Em 2013, à
semelhança de anos anteriores, o estado pagará em juros mais do que
gasta em saúde, educação ou qualquer outra atividade. Para baixar o
custo do serviço da dívida, é necessário colocar parte da dívida no
mercado interno a juros bem mais favoráveis, renegociar os contratos com
juros mais elevados e obter períodos de carência nos pagamentos. Não
podemos ter um estado refém da sua dívida pública. Foi aliás para evitar
esta situação que tivemos um resgate!
Também ao
nível da receita o governo tem margem para atuar. Poderia aumentar a
coleta se tributasse todos os cidadãos e não isentasse de impostos os
fundos imobiliários fechados. Os maiores beneficiários da especulação
imobiliária estão isentos de IMI ou IMT. Uma tributação deste património
com taxas de 1% poderia representar um ganho superior a mil milhões de
euros.
Claro que para tomar medidas deste tipo e
outras afins há que ter coragem para enfrentar o fortíssimo "lobby"
financeiro que se alimenta da dívida pública portuguesa e suga os
recursos do orçamento de estado. Mas é este o nível mínimo de coragem
que se exige ao chefe do governo de Portugal.
O EURO NÃO TEM CONDIÇÕES PARA PROSSEGUIR DIZ OSKAR LAFONTAINE, EX-MINISTRO ALEMÃO DO DER LINKE
O EURO NÃO TEM CONDIÇÕES PARA PROSSEGUIR DIZ OSKAR LAFONTAINE, EX-MINISTRO ALEMÃO DO DER LINKE
O Euro não tem condições para prosseguir, diz o ex-ministro Oskar Lafontaine ", adiantando ainda que os países europeus unirem forças para fazer um
ponto de viragem na crise penalizando inevitavelmente as exportações
alemãs”, enquanto que o ministro
das finanças francês Pierre Moscovici proclamou que "a austeridade está concluída. (...) Estamos
a ver o fim do dogma austeridade. É uma vitória do ponto de vista
francês."
Oskar Lafontaine, um dos fundadores do euro quando era ministro das
Finanças da Alemanha, pediu o fim do euro para deixar os países do Sul
recuperarem. E sublinha que "os alemães ainda não perceberam que o sul
da Europa, incluindo a França, será forçado pela sua miséria actual a
lutar, mais cedo ou mais tarde, contra a hegemonia alemã“.
Numa comunicação colocada
no site do Partido de Esquerda do Parlamento alemão, na semana passada,
Lafontaine não deixa de apontar o dedo à Alemanha por ter baixado os
seus salários para proteger as suas empresas exportadoras. Uma crítica
que vários subscrevem, a ponto de a Bélgica ter feito queixa junto da
Comissão Europeia acusando Berlim de “dumping social”, numa alusão à venda de bens abaixo do custo de produção que é proibida na UE.
Na
Alemanha não existe uma política de salário mínimo e é possível aos
trabalhadores com salários mais baixos não pagar impostos nem contribuir
para a segurança social ou outro sistema de pensões. Ou seja, há várias
empresas que pagam aos seus funcionários três a quatro euros por hora.
“Merkel
vai despertar do seu sono hipócrita quando, a sofrer por causa da
política salarial alemã, os países europeus unirem forças para fazer um
ponto de viragem na crise penalizando inevitavelmente as exportações
alemãs”, avisa Lafontaine.
Por estas razões, o espírito do euro
foi minado e não tem condições para prosseguir, diz o ex-ministro,
porque não foi possível nos países do euro ter uma política de salários
coordenada em função da produtividade.
Por isso, deve ser retomado
um sistema como aquele que foi precursor da união monetária, o Sistema
Monetário Europeu, que permite fazer “desvalorizações e valorizações
controladas” das moedas nacionais, defende, o que exigira um controlo
muito apertado sobre os fluxos de capitais. Os países em situação mais
débil cujas moedas seriam necessariamente desvalorizadas teriam, num
período de transição, de ser ajudados pelo Banco Central Europeu, por
exemplo, para evitar o colapso.
Uma condição essencial para o
funcionamento de um sistema monetário europeu seria a reforma do sector
financeiro assim como a sua regulação. "O casino tem de ser encerrado",
escreve. Esta transição teria de ser gradual começando, por exemplo,
pela Grécia e Chipre.
As políticas de austeridade estão a levar ao
desastre, considera, juntado a sua voz às várias que se têm levantado
na Europa contra este "aperto de cintos" e que ele próprio cita, como
Barroso e Enrico Letta, em Itália. Durante o fim-de-semana, o ministro
das Finanças francês Pierre Moscovici proclamou o fim da austeridade e
um triunfo da política francesa.
In Público
quarta-feira, 24 de abril de 2013
EXISTE UM FADIGA ENORME POR PARTE DOS EUROPEUS COM BRUXELAS E A ALEMANHA - A PACIÊNCIA ESTÁ ESGOTADA
EXISTE UM FADIGA ENORME POR PARTE DOS EUROPEUS COM BRUXELAS E A ALEMANHA - A PACIÊNCIA ESTÁ ESGOTADA

O presidente da Comissão Europeia afirmou nesta terça-feira, em Bruxelas, que se instalou uma “espécie de fadiga europeia”, acompanhada por uma “falta de compreensão”, numa altura em que muitos europeus enfrentam dificuldades.
“Numa altura em que muitos europeus enfrentam o desemprego, a incerteza e a crescente desigualdade, instalou-se uma espécie de fadiga europeia, acompanhada por uma falta de compreensão”, disse José Manuel Durão Barroso, no lançamento do projecto “Uma nova narrativa para a Europa”.
Neste contexto, o presidente da Comissão Europeia defendeu a necessidade de dar uma “resposta clara” a perguntas como ‘quem faz o quê?’, ‘quem decide o quê?’ e ‘quem controla quem e o quê?'.
Durante a sua intervenção, Durão Barroso disse que a unidade europeia não pode ser tida como certa, alertou para o ressurgimento do populismo e do nacionalismo e considerou “um risco” a “indiferença de muitos pró-europeus”.
Perante uma plateia de personalidades da cultura, o presidente do executivo comunitário defendeu que a integração europeia tem sido “muito mais” do que um projecto de integração económica.
“A União Europeia é, fundamentalmente, um projecto político e cultural baseado em fortes valores humanistas”, disse Durão Barroso, apontando a cultura como “um valor fundamental e um forte elemento unificador na integração europeia”.
O presidente da Comissão Europeia defendeu que uma nova narrativa para a Europa é necessária para que a nova geração continue a contar a História da Europa e recorreu a uma comparação: “Como um livro: não pode ficar apenas nas primeiras páginas, mesmo se estas forem extremamente bonitas. Precisamos de continuar a nossa narrativa, de continuar a escrever o livro do presente e do futuro. É por isso que precisamos de uma nova narrativa para a Europa”.
In Público
terça-feira, 16 de abril de 2013
CIBERDEMOCRACIA É A APENAS O COMEÇO POR JUAN CARLOS DE MARTIN
CIBERDEMOCRACIA É A APENAS O COMEÇO POR JUAN CARLOS DE MARTIN

Juan Carlos De Martin
16 Abril 2013 La Stampa Turim
Perante a crise dos partidos, são muitas as vozes, entre as quais a do
Movimento 5 Estrelas, em Itália, que exigem a passagem à participação
direita, tornada possível pela democratização da Internet. No entanto,
os dois sistemas deveriam completar-se e não excluir-se.
O debate político italiano tende a polarizar-se em torno da questão da democracia. De um lado, encontram-se aqueles que, como o Movimento 5 Estrelas,
propõem a ciberdemocracia direta, atribuindo aos deputados o papel de
meros executantes. Do outro, os defensores da democracia representativa,
tal como a conhecemos nas últimas décadas em Itália, e que, apesar dos
seus defeitos, é considerada como o melhor dos sistemas possíveis.
É preciso ultrapassar esta oposição e abrir novas vias de reflexão:
na verdade, as perspectivas mais prometedoras para o futuro da democracia
não residem nestas duas alternativas. Entretanto, antes de pensarmos no
futuro, será bom analisar alguns elementos do contexto.
Opacidade e fragilidade
Primeiro elemento: os partidos políticos são, desde há anos, a
instituição menos apreciada pelos italianos e, em geral, obtêm menos de
10% de opiniões favoráveis nas sondagens. Estes números desastrosos não
querem dizer que os italianos rejeitem a forma do partido enquanto tal,
mas simplesmente que não gostam dos partidos sob a sua forma actual. Os
partidos ainda não encontraram a resposta certa para esta crise de
legitimidade – agravada pelo aumento da abstenção eleitoral.
Segundo elemento: os partidos continuam a dispor de um enorme poder e
de um verdadeiro monopólio da vida pública, apesar de a desconfiança de
que são alvo atingir níveis muito elevados e de já não terem a
legitimidade dos tempos em que contavam com muitos filiados.
Terceiro e último elemento: a globalização que, a partir dos anos de
1970, vem a reduzir progressivamente a capacidade da democracia para
enquadrar a economia, ao mesmo tempo que, para além de tudo o mais,
induz o crescimento generalizado das desigualdades.
Em resumo: não é de espantar que muitos cidadãos tenham a sensação de
viver num sistema político pouco transparente, no qual as suas vozes só
contam na altura das eleições – e, mesmo assim, unicamente no quadro de
uma oferta política sobre a qual não têm nenhuma influência. Uma democracia que poderíamos qualificar de “frágil”.
A inércia dos partidos
Ao mesmo tempo que a democracia recuava, tinha início outro processo:
a democratização da revolução digital, que começou por atingir o mundo
desenvolvido e se estendeu depois ao resto do planeta.
Cada vez mais pessoas que possuem computadores passaram a utilizar a
Internet para comunicar, para se organizarem, para exprimirem as suas
opiniões, para se informarem e para muitas outras coisas.
Perante a fragilidade da democracia, milhões de pessoas aprenderam a
obter informação de forma autónoma. Aspiram à participação e à
transparência. As suas actividades na Rede formam um magma nalguns casos
permeado pela superficialidade ou pela paranóia, mas que conta também
com a intervenção de muitos cidadãos dotados de um sentido crítico
salutar, desejosos de regressar às origens e de, como testemunham os
fóruns de toda a Europa, reflectir por si mesmos sobre as grandes
questões. É fácil ridicularizar estas formas de intercâmbio de
informação mas, na verdade, elas não são diferentes das que deram origem
à modernidade, a partir da revolução inglesa.
Acontece que, enquanto os cidadãos se associavam na Rede para se
informarem, para debaterem e para se organizarem, os partidos políticos
não levavam – e, na sua maioria, continuam a não levar – em conta a
transformação que se verificava em milhões de potenciais eleitores
(sobretudo nos jovens).
Por outro lado, os partidos que se foram sucedendo no Governo não
perceberam que introduzir novos instrumentos de democracia directa nas
instituições era uma prioridade.
Por outras palavras, no momento em que passava a desempenhar um papel
cada vez mais importante na vida dos cidadãos, a Internet continuava a
quase não ter influência sobre a política.
Esta inércia dos partidos permitiu o enraizamento – primeiro em
círculos restritos de pessoas e, em seguida, em camadas cada vez mais
vastas da população – do interesse pelas formas de ciberdemocracia directa. O sistema de partidos, encarado como pouco transparente,
centrado nele mesmo e em muitos casos corrupto, viu erguer-se diante de
si a democracia directa, considerada intrinsecamente superior à
democracia representativa.
Democracia deve ser mais participativa
No entanto, quando aplicada a grupos significativos de pessoas, como
um país no seu conjunto, a ciberdemocracia não está, nem de longe,
isenta de defeitos. A crítica – em muitos casos justificada – do sistema
político italiano não deve, em especial, fazer esquecer que a atividade
política é uma arte essencial em democracia, como escreveu Bernard
Crick, em 1963, na obra que se tornou um clássico In defence of politics [Em defesa da política]: uma arte baseada em virtudes como a prudência, a conciliação, o compromisso e a faculdade de adaptação.
A segunda crítica é que existe uma diferença entre a sondagem
permanente e a votação: a democracia apela à ponderação, a uma avaliação
rigorosa dos prós e contras, à capacidade para dar sentido e coerência
ao percurso traçado. Por último, o terceiro escolho é a exclusão
digital: um em cada dois italianos não tem ligação à Internet. Em geral,
trata-se de pessoas socialmente desfavorecidas, como os idosos e as
famílias de trabalhadores não qualificados, que não é aceitável excluir.
Por conseguinte, mais vale pensar em meios de fazer evoluir a
democracia representativa para formas mais participativas, no sentido
daquilo a que, utilizando a expressão de Stefano Rodotà,
se poderá chamar “democracia contínua”. Propostas com vista a esse objectivo não faltam e algumas encontram-se mesmo já em fase de
experimentação bem sucedida. Para além do diálogo contínuo entre
eleitores e eleitos, vão das consultas populares aos *“débats publics”
[debates públicos] ao estilo francês, passando pelos orçamentos
participativos (a experiência de Porto Alegre é célebre), pelas sondagens deliberavas
propostas por James Fishkin, pelos referendos sem quórum e pela
obrigatoriedade de os projectos de lei de iniciativa popular serem
debatidos no parlamento. Ou ainda, a nível europeu, a Iniciativa Europeia de Cidadania, uma novidade introduzida pelo Tratado de Lisboa.
Os partidos deveriam tomar a seu cargo essas propostas e começar por
as aplicar a eles próprios, antes de as rejeitarem à escala local,
nacional e europeia. Por outras palavras, nem a ciberdemocracia directa
nem a defesa da situação existente nos permitirão sair da actual crise.
Só poderemos sair dela através da evolução – a ser conduzida por
partidos renovados em profundidade (ou por partidos totalmente novos) –
da democracia representativa para formas de democracia mais
participativas: alguém estará à altura deste desafio?
segunda-feira, 15 de abril de 2013
A AUSTERIDADE FACILITA A FRAGMENTAÇÃO DA EUROPA QUE A LEVARÁ AO FIM DO EURO E ARRISCA TODO O PROJECTO EUROPEU COM CONSEQUÊNCIAS AINDA IMPREVISÍVEIS
A AUSTERIDADE FACILITA A FRAGMENTAÇÃO DA EUROPA QUE A LEVARÁ AO FIM DO EURO E ARRISCA TODO O PROJECTO EUROPEU COM CONSEQUÊNCIAS AINDA IMPREVISÍVEIS

Os sete anos que Portugal beneficiaram para pagar os juros de empréstimos, significam um acréscimo dos juros sobre a divida que Portugal terá de pagar, e que correspondem a 6,3 milhões de euros ao fim de 20 anos, o que perfaz um total de 68,8 mil milhões de euros em vez dos 62,4 mil milhões.
Os sete anos que Portugal [e a Irlanda] beneficiaram para pagar os juros de empréstimos, não são assim uma alivio tão grande como o que tem sido anunciado pela comunicação social, ainda que se traduzem em beneficio para as empresas e para a economia e facilite o regresso aos mercados, no entanto esses sete anos de aumento da maturidade significa um acréscimo dos juros sobre a divida que Portugal terá de pagar, e que correspondem a 6,3 milhões de euros ao fim de 20 anos, o que perfaz um total de 68,8 mil milhões de euros em vez dos 62,4 mil milhões. Esses juros são pagos a 3% com uma maturidade de 13 anos - isto se o acordo se manter com a troica - ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e ao Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEF). Nas obrigações a 10 anos os juros estão a 6,3% o dobro do que é acordado com a troica. Mesmo assim, Portugal [tal como a Grécia] terá de pagar 20 mil milhões em divida entre 2015 e 2021, sendo que o resgate engloba 7 mil milhões em 2016 e 8,7 mil milhões em 2012.
Perante estas obrigações, Portugal enfrenta ainda uma divida no valor total de 207 703 milhões de euros em 2013, correspondendo a 122,4% do PIB (Mais elevada só a Grécia e a Itália) e com tendência a subir. A par disto existe também preocupação com o défice e que actualmente se encontra nos 6,4%, um dos critérios de compromisso com o Eurogrupo e o Ecofin, o que obriga aos cortes brutais a serem feitos nas despesas do estado, já que por via das receitas está fora de questão devido à decisão do tribunal constitucional.
São cerca 1326 milhões de euros de acordo com a 7ª revisão do programa de ajustamento da troica. Destes cortes serão 600 milhões de euros aplicados aos ministérios e o restante, à Segurança Social, Saúde, Educação e Empresas Públicas. Fala-se ainda numa TSU para pensionistas, algo imoral e degradante e o aumento da idade de reforma para os 67 anos. Ora o impacto de estas medidas de austeridade - assim decididas pela ortodoxia alemã com o apoio de outros países satélites - porque existem outras, têm efeitos completamente recessivos - ou mesmo de espiral recessiva - na economia portuguesa, impedindo o crescimento económico, e provocando um brutal desemprego gerado quer pelo facto de a economia não crescer como devido aos cortes ilógicos na despesa do estado, estas politicas têm efeitos complexos e inversos ao que supostamente se pretende, pois, aumenta a própria divida pública através do acréscimo da despesa da segurança social por exemplo.
Estou convencido que isto se deve a um crença ideológica fanática, paranóica e cega sem qualquer interesse pela constatação do resultado prático, só assim se explica a continuação dos discursos de que estas medidas se devem aplicar para desenvolver o crescimento e económico e o desemprego. Eu diria mesmo loucura ideológica na consolidação das contas públicas. Todavia a situação quer de Portugal ou de outros países, curiosamente todos do sul à excepção da Irlanda, não é brilhante, não se sabendo mesmo como lidar com este problema, assim não admira que venham a surgir muitas pessoas como Mário Soares a defender pagar a divida, porque de facto ela é impagável, e diz Soares nada aconteceu com a Argentina por não ter pago.
Mas se a dívida não for paga, Portugal sai do Euro e se o mesmo suceder a outros países como a Grécia, mas ainda pior como a Itália, então o Euro teria certamente o seu fim, o que colocaria o projecto europeu em grandes duvidas. Penso que os Eurobonds deveriam ser criados de futuro e avançar-se numa solução federalista, mas esta solução só é viável com uma democracia muito forte em todas as instituições europeias, harmonização fiscal e cooperação económica e social na União, criação de politicas de crescimento e emprego. Como não estou a ver que isto mude enquanto esta coligação de direita conservadora se mantiver na Alemanha: A coligação da CDU (União Democrata-Cristã) e a CSU (União Social Cristã), pode mesmo estar em causa se o o partido de Angela Merkel insistir na ajuda a outros países, portanto estamos completamente reféns do governo alemão e assim não pode ser, os responsáveis políticos alemãs terão de recuar nesta fracassada politica de austeridade, isto com o euro bem forte, ou será um Super Marco ? Repare a moeda única está de acordo com as economias do norte europeu e nada de acordo com as economias do sul e isto levanta muitas questões. A outra questão é o papel do Banco Central Europeu que tem feito um papel muito limitado sem poder colocar moeda no mercado.


PSY, AUTOR DO SUCESSO DE GANGNAM STYLE LANÇA AGORA GENTLEMAN
PSY, AUTOR DO SUCESSO DE GANGNAM STYLE LANÇA AGORA GENTLEMAN
Após o sucesso de "Gangnam Style",o video mais visto de sempre no Youtube, o seu autor PSY, lançou agora um novo single chamado "Gentleman" que foi apresentado durante um concerto em Seul, com uma nova coreografia, alguns já dizem que a nova musica pode ajudar a desanuviar o clima de tensão que se vive na península coreana.
COREIA DO NORTE: "E AGORA ?", EM TRÊS CENÁRIOS
COREIA DO NORTE: "E AGORA ?", EM TRÊS CENÁRIOS
As ameaças de guerra por parte da Coreia do Norte não são novidade. Menos usuais são a intensidade e persistência com que Pyongyang o está a fazer desta vez. A isto soma-se um líder de 29 anos, com o poder subitamente nas mãos. Confira o que pode seguir-se, em três cenários
A Coreia do Norte continua a subir de tom nas ameaças, fazendo
entender que estará iminente um ataque nuclear. Na semana passada, dava o
dia 10 como o último dia em que podia garantir a segurança dos
diplomatas, por exemplo.
O responsável pela cadeira da Ásia e Japão no Centro de Estudos
Estratégicos e Internacionais, da Universidade norte-americana de
Georgetown, Michael Green, traçou à CNN três cenários possíveis:
1. O que Kim Jong Un espera :
Com este clima de tensão, os mercados financeiros da Coreia do Sul
caem a pique. Os líderes chineses entram em pânico com a instabilidade
na sua fronteira. Os EUA querem desesperadamente 'despachar' o problema
da Coreia do Norte, para poderem lidar com a crise no Irão. Pyongyang
propõe negociações para um tratado de paz que ponha um fim formal à
guerra da Coreia, mas exige, para isso, a suspensão das sanções
internacionais de que é alvo. Washington, Seul e Tóquio concordam... mas
a Coreia do Norte continua o processo de produção de armas nucleares, à
base de urânio, em instalações subterrâneas e secretas.
Um ano depois, testam uma ogiva mais sofisticada. Pyongyang exige
então o fim das restantes sanções internacionais, o reconhecimento como
um legítimo estado nuclear e uma reunião na capital norte-coreana com o
Presidente americano Barack Obama.
Para dar força à sua ameaça, a Coreia do Norte bombardeia várias ilhas do Sul e ameaça usar as suas novas armas nucleares.
A crise recomeça, mas com uma Coreia do Norte mais perigosa.
2. O que EUA, Coreia do Sul e Japão esperam:
A imprevisibilidade de Kim faz finalmente o seu maior aliado, a China, virar costas ao regime.
Quando Pyongyang subir o tom das ameaças, Pequim corta o abastecimento de petróleo em 50 por cento.
A Coreia do Norte concorda em assinar uma moratória sobre testes de
mísseis e armas nucleares e retoma as negociações sobre o fim do seu
programa nuclear.
Com isto, abrem-se fissuras no regime.
3. O que ninguém quer:
A estratégia de Kim Jong Un falha e as potências mundiais continuam
ser reconhecer a Coreia do Norte como um legítimo possuidor de armas
nucleares.
Prosseguem as ameaças para aterrorizar a Coreia do Sul e a China
continua a elogiar o "bom comportamento" de Pyongyang. O líder aprova um
ataque contra as montanhas desabitadas nos arredores de Seul. O Sul
responde e Pyongyang ataca com artilharia mais pesada e mísseis. Os EUA
aliam-se à Coreia do Sul. O conflito acaba com a derrota da Coreia do
Norte e a queda do líder. Onde estamos agora? Algures entre o primeiro e o seguro cenário, acredita Michael Green.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
RICHARD KOO: TODA A CRISE NA EUROPA COMEÇOU COM UM RESGATE DA ALEMANHA POR PARTE DO BCE
RICHARD KOO: TODA A CRISE NA EUROPA COMEÇOU COM UM RESGATE DA ALEMANHA POR PARTE DO BCE
RICHARD KOO: THE ENTIRE CRISIS IN EUROPE STARTED WITH A BIG ECB BAILOUT OF GERMANY
Joe Weisenthal
Rather than some inherent problem found there, Koo says that what
happened is that after the 2000 tech bubble collapsed (a bubble which
Germany shared heavily in) the ECB used exceptionally loose monetary
policy to stimulate the economy, so that Germany wouldn't have to revive
its economy via fiscal policy.
This didn't do much domestically in Germany (which was suffering from
a balance sheet recession) but did really rev up the bubbles in the
periphery, causing the boom in imports from Germany, thus putting the
periphery in debt, and boosting Germany's export sector, rescuing it
from the post-tech-bubble funk.
Says Koo:
The countries of southern Europe, which
had not participated in the IT bubble, enjoyed strong economies and
robust private- sector demand for funds at the time. The ECB’s 2% policy
rate therefore led to sharp growth in the money supply, which in turn
fueled economic expansions and housing bubbles.
Wages and prices increased... leaving those countries less competitive relative to Germany.
In short, the ECB’s ultra-low policy rate had little impact in Germany, which was suffering from a balance sheet recession, but it was too low for other countries in the eurozone, resulting in widely divergent rates of inflation.
As Germany became increasingly competitive relative to the strong economies of southern Europe, exports grew sharply and pulled the nation out of recession. Germany’s trade surplus quickly overtook those of Japan and China to become the world’s largest, with much of the growth fueled by exports to other European markets.
ECB, not southern Europe, responsible for competitiveness gap
In 2005, I told a senior ECB official that it was unfair to force other countries to rescue Germany by boosting their economies with loose monetary policy without requiring Germany to administer fiscal stimulus, when it was Germany that had become so deeply overextended in the bubble. The official responded that that is what a unified currency means: because Germany could not be granted an exception on fiscal stimulus, the only option was to lift the entire region with monetary policy.
Wages and prices increased... leaving those countries less competitive relative to Germany.
In short, the ECB’s ultra-low policy rate had little impact in Germany, which was suffering from a balance sheet recession, but it was too low for other countries in the eurozone, resulting in widely divergent rates of inflation.
As Germany became increasingly competitive relative to the strong economies of southern Europe, exports grew sharply and pulled the nation out of recession. Germany’s trade surplus quickly overtook those of Japan and China to become the world’s largest, with much of the growth fueled by exports to other European markets.
ECB, not southern Europe, responsible for competitiveness gap
In 2005, I told a senior ECB official that it was unfair to force other countries to rescue Germany by boosting their economies with loose monetary policy without requiring Germany to administer fiscal stimulus, when it was Germany that had become so deeply overextended in the bubble. The official responded that that is what a unified currency means: because Germany could not be granted an exception on fiscal stimulus, the only option was to lift the entire region with monetary policy.
In other words, there would have been no
need for such dramatic easing by the ECB—and hence no reason for the
competitiveness gap with the rest of the eurozone to widen to current
levels—if Germany had used fiscal stimulus to address its balance sheet
recession.
The creators of the Maastricht Treaty
made no provision for balance sheet recessions when drawing up the
document, and today’s “competitiveness problem” is solely attributable
to the Treaty’s 3% cap on fiscal deficits, which placed unreasonable
demands on ECB monetary policy during this type of recessions. The
countries of southern Europe are not to blame.
Nailed it.
Business Insider
quinta-feira, 4 de abril de 2013
SERÁ QUE VAMOS TER O MAPA COR DE ROSA DO ATLÂNTICO ? POR JOSÉ MANUEL NETO SIMÕES
SERÁ QUE VAMOS TER O MAPA COR DE ROSA DO ATLÂNTICO ?

Debate Defesa Nacional
José Manuel Neto Simões
O Ministro da Defesa Nacional (MDN) tem vindo a desenvolver iniciativas no âmbito do reforço da cooperação bilateral com Espanha na área da defesa. Os dois Governos comprometem-se a "identificar projectos e actividades conjuntas" no âmbito da iniciativa da NATO Smart Defence e da Política Comum de Segurança e Defesa da UE.
Aquela iniciativa, relacionada com a partilha e desenvolvimento de capacidades multinacionais conjuntas, visa racionalizar as despesas da defesa corno resposta à crise financeira: "Fazer melhor com menos recursos", cuja eficácia é discutível.
O CEDN é estruturante da Política de Defesa Nacional (PDN) e decorre dos objectivos permanentes do Estado, onde se devia incluir a extensão da Plataforma Continental (PC) pelos seus recursos. Mas, inexplicavelmente, desvalorizada no documento aprovado.
Estão em análise iniciativas em algumas áreas que poderão ser vantajosas para Portugal, mas nunca a utilização de meios espanhóis e cooperação específica ao nível da segurança e vigilância marítima.
Aquele tipo de apoio — mesmo com o argumento da crise financeira — constitui transferência de soberania inadmissível. E as agências internacionais poderão interpretar como sinal de incapacidade de Portugal e das suas FA, comprometendo a aprovação da candidatura à extensão da PC apresentada na ONU.
É imperativo nacional controlar e defender o nosso espaço geográfico. Só com segurança se desenvolve a normal actividade económica (security e safety). Curiosamente, as características arquipelágicas e área do território - o espaço marítimo será equivalente a 40 vezes o território nacional (idêntico à Índia), sendo 97% de natureza marítima —, onde passa a maioria do tráfego marítimo da nossa economia, não são consideradas como racional no redimensionamento e apetrechamento das FA. É sabido que onde houver vazio, alguém o irá ocupar. Se outro país (Espanha ou EUA) assumir esse controlo, haverá uma perda de soberania que não dignifica Portugal.
Com o eventual apoio de Espanha, no âmbito na vigilância dos espaços marítimos, poderá estar aberto um precedente insanável na reclamação sobre as nossas áreas de responsabilidade, por falta de capacidade de as controlar e vigiar. Importa lembrar a história e o que nos aconteceu em África no final do século XIX, que resultou na Conferência de Berlim.
Com a oposição de Espanha ou influência de países como a Alemanha não conseguiremos a validação da PC. Será que vamos ter o mapa cor-de-rosa do Atlântico? Estando a Alemanha a evoluir na consolidação de um poder continental — com EUA a mudarem influência para Ásia-Pacífico — pretende manter os países do Sul na sua esfera de influência, garantindo posições que assegurem o acesso marítimo ao continente.
A Alemanha está a conseguir alargar as suas fronteiras, conseguindo, pela via económica, aquilo que não conseguiu pela guerra, com Hitler. Esta enorme alteração geoestratégica pode condicionar Portugal, quando o país pretende utilizar o mar como seu principal potencial estratégico.
As relações de cooperação com a Espanha têm vindo a ser reforçadas. Todavia, a nossa liberdade de actuação não pode ser condicionada por essa ligação porque as relações entre Estados são regidas por interesses. A tendência histórica espanhola tem sido a de absorver — agressivamente ou subtilmente e de forma pacífica — a nação portuguesa. As intensas disputas pelo controlo das rotas marítimas vêm desde o século XV. Ainda hoje existe com Portugal o diferendo sobre a soberania das ilhas Selvagens.
A cooperação no âmbito da segurança marítima deverá ser ao nível multilateral, tendo em conta que o enquadramento militar internacional de Portugal é a NATO e a UE. Nesse quadro, é reconhecido: "A regionalização da defesa na Europa e, concretamente, na Península Ibérica só é benéfica para Portugal se aceite no plano estratégico da NATO".
É inaceitável confundir a segurança cooperativa — esforço colectivo privilegiado numa lógica multilateral sem comprometer interesses nacionais que são inalienáveis — com a partilha de custos na defesa ao nível ibérico, que aumentam as nossas vulnerabilidades. A utilização de capacidades partilhadas pode colidir com interesses dos dois países e inviabilizar a nossa capacidade de intervenção militar.
O Governo tem evidenciado uma visão estritamente economicista da Segurança Nacional. Mas a crise não pode comprometer as funções de soberania e não devem estar condicionadas por agendas políticas fixadas aleatoriamente ou apenas em função de critérios financeiros ou estranhos ao interesse nacional. A quem interessa uma crise de segurança?
Para que serve o CEDN, se não for um documento de orientação político. estratégico que melhor sirva os interesses de Portugal, sem sofismas, tendo em conta o ambiente estratégico prevalecente e previsível?
As FA têm que estar organizadas e preparadas, em tempo, para cumprir as missões atribuídas pelo poder político. Para isso, são necessárias capacidades militares - que assegurem o sistema de forças com coerência operacional -, com meios e a efectivos necessários, de acordo com o nível de ambição estabelecido, sem demagogia, assumindo os riscos. É imprescindível a a capacidade autónoma para executar as operações de protecção de soberania, controlo de recursos e apoio à diplomacia (resposta a crises e compromissos internacionais e evacuação de cidadãos)
Por outro lado, a limitação dos meios da é Marinha ganha relevância com o aumento o da PC - renovação indispensável para cumprimento das missões que interessam ao país. Os navios atribuídos à fiscalização da Zona Económica Exclusiva (ZEE) têm 40 anos e elevados custos de manutenção. Deve ser ponderada a condenação do Estado em tribunal por "clara omissão ilícita", pela ausência de fiscalização na ZEE.
Concluindo, é evidente a falta de racionalidade que preside à forma como os líderes políticos têm conduzido processos estrategicamente decisivos para o futuro de Portugal. E, dificilmente, a ONU reconhecerá a soberania de um território e (PC) com imensos recursos se não tivermos capacidade para o explorar e controlar. Espera-se que haja articulação entre o CEDN, os meios e os recursos necessários às EA, que são o único instrumento para a salvaguarda da soberania e interesses nacionais.
A grave crise que o país enfrenta exige ao Governo ponderação — com sentido de Estado — dos reflexos de determinadas decisões sobre a Segurança Nacional. O Estado não estará em condições de cumprir o essencial, se não tiver capacidade de assegurar com credibilidade as funções de soberania.
José Manuel Neto Simões
Capitão-de-fragata (Res)
ZONA ECONÓMICA EXCLUSIVA E PLATAFORMA CONTINENTAL
Portugal possui uma Zona Económica pi Exclusiva (ZEE) equivalente a 20 vezes o ne território terrestre — a 3ª mais extensa da UE e 11ª maior área a nível mundial — e a sua dimensão corresponde à superfície terrestre ocupada pela Espanha, França, Itália e Alemanha. O espaço marítimo, resultante da fusão da ZEE e da extensão da Plataforma Continental (PC), a ser aprovado pela ONU, será equivalente à dos países da tu UE (ou Índia). Ou seja, mais de 40 vezes me o território nacional, passando 97% do território a ser de natureza marítima.
As explorações da PC revelaram que a maior riqueza de Portugal está no fundo da sua plataforma Continental marítima. Espécies marinhas raras para a utilização em medicina de ponta e farmacologia, bem como elevada probabilidade de existência de hidrocarbonetos, gás natural ou até metano, minérios a extensa em estado de elevada pureza e fontes hidrotermais. Os teores dos metais que se encontraram apontam para cobalto, níquel, cobre, ferro, existindo muito ferro, mas também ouro, prata e uma série de metais raros.
O mar é o principal potencial estratégico para o desenvolvimento sustentado de Portugal. Os seus recursos, representam actualmente apenas cerca de 2 a 3 % do PIB, sendo possível aumentar o seu impacto para 6% a 8% podendo vir a representar 15 a 20 mil milhões de euros É este importante território marítimo que exige ao nível do Estado capacidade para vigiar e controlar, assegurando a exploração económica em segurança, face às ameaças identificadas.
Os navios da Marinha atribuídos à fiscalização da ZEE têm 40 anos e elevados custos de manutenção. Dos seis novos Patrulhas Oceânicos (NPO) previstos em 2009, apenas foram entregues dois navios (um ainda não se encontra operacional). Salienta-se também a busca e salvamento da Marinha com a Força Aérea numa área 63 vezes a do território nacional (2ª maior a seguir ao Canadá). Esta área vai até Cabo Verde, tendo como país limítrofe os EUA. Como as FA têm missões que ultrapassam o território continental e se projectam em zonas com enormes dimensões, isto deverá ter reflexos na sua dimensão, em especial na Marinha e Força Aérea. As FA deverão estar equipadas de forma adequada, para cumprimento das missões de salvaguarda dos interesses inalienáveis do País.
Fonte: Público
Fonte: Público
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