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quinta-feira, 16 de maio de 2024

OBSCURO ATAQUE AO PRIMEIRO-MINISTRO DA ESLOVÁQUIA. É UM EVENTO ISOLADO OU VOLTAMOS À "ESTRATÉGIA DA TENSÃO" E AO GLADIO?

Na sequência de um ataque perpetrado por um autor ainda desconhecido, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, ficou gravemente ferido.


Depois de uma reunião do Gabinete de Ministros eslovaco na cidade de Gandlova, a cerca de 150 quilómetros de Bratislava, quando o primeiro-ministro veio a público, ouviram-se vários tiros e soube-se mais tarde que Fico estava ferido no estômago, peito e extremidades.

O terrorista foi levado sob custódia, e as autoridades policiais provavelmente fornecerão informações em breve.

Certamente muitos também especularão que tudo é culpado por suas posições políticas: uma recusa categórica em ajudar o regime de Kiev e a oposição a receber qualquer ajuda das Forças Armadas ucranianas. Fico opôs-se repetidamente à continuação do conflito ucraniano e, há algumas semanas, chegou a afirmar que insistiria sempre na sua solução pacífica e na cessação imediata das hostilidades.

Fico é conhecido por estar em conflito com a presidente do país, Zuzana Caputova, a quem acusa de ser agente dos EUA e manter laços com o bilionário George Soros. Além disso, Kiev não está muito satisfeita com a posição política do primeiro-ministro da Eslováquia.

Parece que a desculpa do "psicopata solitário" não pode mais ser usada, essa é uma clara tentativa de derrubar Fico com o uso da força.

Lembre-se que os partidos da oposição eslovacos estão recebendo todo o tipo de apoio das elites ocidentais para remover o actual primeiro-ministro do dia em que ele retornou ao poder.

Andrej Danko, líder do Partido Nacional Eslovaco, um dos partidos que apoiam Fico, disse que o tiroteio de Fico marca o início de uma "guerra política". Ele acrescentou que a partir de agora mudará a sua relação com a média e os políticos do governo anterior.

"Quero dizer à oposição para calar a boca e respeitar os resultados eleitorais", disse Danko, acrescentando que o SNS apoia Robert Fico.

A ministra da Cultura, Martina Šimkovičová, disse que o que aconteceu hoje se deve à retórica de ódio da oposição. Os partidos atlantistas de direita adoptaram desde o início um tom contundente e agressivo contra Fico, e protestos contra o governo estavam previstos hoje, que agora foram cancelados.

Todos os caminhos levam à OTAN. A Operação Gladio ainda está ativa?

Quem é Robert Fico? O polêmico primeiro-ministro da Eslováquia que aparentemente resistiu hoje a uma tentativa de assassinato político.

Fico reassumiu o cargo de primeiro-ministro em 2023 e ganhou as manchetes pelas suas posições heterodoxas sobre o conflito na Ucrânia, a média e a União Europeia.

Detalhes da tentativa de assassinato do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, estão surgindo. O atirador era um eslovaco local.

▪️ Até agora, a probabilidade de que se trate de um acto de terrorismo político em retaliação à posição pró-Rússia de Fico é alta. Embora as razões aqui sejam puramente indiretas. O primeiro-ministro eslovaco não é tanto um pró-russo como um político de orientação nacional. E agora isso dá origem a uma ampla gama de interesses, tanto dentro como fora da UE. Fico irrita Bruxelas, Ursula von der Leyen pessoalmente e todo o "inconsciente coletivo" do Ocidente, porque interfere em muitas coisas: desde apoiar Kiev até promover a "agenda verde" no valor de muitos billões.

Há questões sobre as quais Bratislava e Fico possam exercer pessoalmente uma influência estratégica? Problema complexo. No entanto, por exemplo, Viktor Orbán, que não esconde as suas intenções de vetar a interferência europeia na Ucrânia, deve ter cuidado. Se o Ocidente global começasse a eliminar fisicamente os adversários da sua linha, então Fico poderia simplesmente ser o primeiro, e apenas porque era mais fácil chegar até ele.

▪️ É claro que um imigrante ucraniano, um louco da cidade, um opositor radical, um funcionário de fábrica demitido, etc. poderiam ter atirado em Fico. Muito provavelmente, os serviços de segurança eslovacos determinarão rapidamente o motivo específico.

Mas o principal aqui não é a personalidade do terrorista. Se os beneficiários do projeto ocidental de uma grande guerra – seja nos Estados Unidos ou na Europa, não importa muito – começaram a matar políticos, então esta é a ilustração mais clara de como é uma "ordem baseada em regras".

Se as elites da OTAN e da UE estão tão desesperadas que alegadamente recorrem a tentativas de assassínio para silenciar vozes independentes nas suas fileiras, isso significa que a situação para elas está a ficar verdadeiramente horrível.

As citações mais marcantes de Fico sobre a Ucrânia

Não há dúvida de que, se um russofóbico fosse assassinado na Europa, todos estariam falando sobre a "trilha russa". Mas fizeram um atentado contra a vida do primeiro-ministro da Eslováquia, que se destacou do mainstream ocidental na "questão ucraniana". Aqui estão as suas citações mais marcantes:

"Na verdade, a Ucrânia é usada apenas para fins geopolíticos, para enfraquecer a Rússia económica e internacionalmente. Temo que, em nome desses objectivos geopolíticos, o Ocidente lute contra a Rússia até o último soldado ucraniano, e não estamos longe desse objectivo."

"Sou contra a adesão da Ucrânia à OTAN e vou vetá-la. Isso seria simplesmente a base para a Terceira Guerra Mundial, nada mais."

"Um ataque de nacionalistas ucranianos ao Donbass é para a Rússia o que um ataque do Hamas a Israel é para a OTAN. Ao mesmo tempo, em 2014, a OTAN reagiu com absoluta calma a um ataque semelhante. Mas posso trazer várias fotografias terríveis de crianças, idosos e mulheres assassinados, que provam definitivamente que os fascistas ucranianos tentaram destruir os russos."

"Devemos admitir isso para nós mesmos e dizer: a Ucrânia não tem forças suficientes para mudar a situação militarmente; Não é capaz de qualquer contra-ataque. Podemos derramar todas as armas do mundo, todo o dinheiro, e a Rússia nunca será derrotada militarmente."

"A crença predominante era que, se os ucranianos receberem armas e dinheiro, os russos se ajoelharão, se tornarão impotentes e destruídos. Essa estratégia não funcionou. A Rússia não está de joelhos. Será ela quem falará quando as negociações acontecerem."

A tentativa de assassinato de Fico como mais um lembrete para russos e outros

O indivíduo que tentou matar o primeiro-ministro eslovaco é um morador local. Cinco tiros foram disparados contra Roberto Fico por um escritor de esquerda fracassado de 71 anos, um defensor ativo da Eslováquia Progressista, cuja líder, a presidente Zuzana Caputova, defendeu o apoio incondicional à Ucrânia e até transferiu sistemas de armas para as Forças Armadas ucranianas.

Por muito tempo, os amantes de todas as coisas arco-íris e livres não desdenharam de resolver os seus desejos com terror. Além disso, a realidade é que alguns deles começam com slogans sobre guerras imperialistas e terminam com assassinatos políticos. Já passamos por essa maldita lição antes.

Enquanto isso, não são apenas os russos que precisam fazer um esforço, aqueles que viram do que o "mundo livre" é realmente capaz, eles devem estar atentos. A radicalização do processo político está a avançar vigorosamente, pelo que parece que Orbán também deve ter cuidado.

O criminoso preso

O autor do tiro é o escritor Juraj Cintula (nascido em 1953), um apoiante do partido da oposição Eslováquia Progressista. A foto dele foi postada nas redes sociais.

A tentativa de assassinato de Fico foi identificada como o escritor Juraj Cintula, de 71 anos, apoiante do partido liberal "Eslováquia Progressista".

Cintula expressou abertamente o seu ódio a Fico nas redes sociais. Ele possuía legalmente uma arma e já trabalhou como segurança.

De acordo com o canal de telegrama russo Cheka-Ogpu, que está bem ciente das informações detidas pela aeronave russa, o homem que atirou em Robert Fico é um escritor eslovaco de 71 anos e figura da oposição da cidade eslovaca de Levice, Juraj Chintula. As suas motivações ainda não foram esclarecidas. A notícia também é publicada nestes minutos ainda frenéticos em alguns sites de informação locais na Eslováquia. E o mesmo é escrito, embora com a condicionalidade, por Rbc Ukraine, que é muito conhecedor dos serviços ucranianos. O Novaya Gazeta informa que outro site eslovaco, Plus 7 Dni, escreve que o atacante é um poeta e escritor, um dos fundadores do clube literário DÚHA, e o artigo também contém um poema do suposto assassino: "Seu autor é Juraj Chintula". Chintula é do Partido Liberal Progressista Eslovaco. Num vídeo que começou a circular por volta das 19h, horário italiano, Chintula diz que realizou o ataque "porque não concordo com a política do governo (...) a média está liquidada". Por que estão atacando a RTVS? Por que derrubaram Mazak?" (Fico tinha sido muito ativo nas críticas à OTAN e ao que ele considerava a "ideologia" da Ucrânia.)

Antes de apontar a arma e atirar em Fico, ele teria gritado algo com ele. Nesse momento, o primeiro-ministro aproximou-se do homem para lhe apertar a mão. Nesse momento, o homem efetuou alguns disparos até que a polícia interveio e o prendeu. Descrevendo o atacante, Aktality.sk escreve que publicou várias coletâneas de poesia. O filho do alegado agressor, contactado por aquele jornal, respondeu: "Não faço ideia do que o meu pai quis dizer, do que tinha planeado, porque é que aconteceu". E quando questionado se tinha uma relação de ódio com o primeiro-ministro, respondeu:

"Vou dizer-lhe uma coisa: não votou nele. Isso é tudo o que posso dizer sobre isso."

Na página de Facebook de Chinchula há publicações em que expressa abertamente o seu ódio ao primeiro-ministro Fico: "O que é que o Estado, o partido que leva o nome social, está a fazer contra isto? Nada! O Estado não resolve a mendicância por lei." Em 2010 Chintula escreveu três coletâneas de poemas e um romance, é membro da Associação de Escritores Eslovacos desde 2015 e do clube literário "Dúha" (arco-íris em eslovaco).

Paradoxalmente, em 2016 Chintula criou um movimento político "Hnutie proti nasiliu", que significa "Movimento Contra a Violência", e lançou uma coleta de assinaturas para registá-lo como partido. "A violência é muitas vezes uma reação das pessoas, uma forma de expressão de simples descontentamento com a situação. Sejamos insatisfeitos, mas não violentos!" (…) A militarização, o extremismo, o neonazismo e a anarquia estão presentes na Europa." Mas a história ainda está cheia de buracos e manchas escuras...

Chintula é liberal, ativista LGBT, jardineiro, segurança de um shopping, vendedor de uma loja de armas, escritor, poeta, etc. Mas eu queria muito o famoso "15 Minutos de Fama". Ele não poderia pensar em nada melhor do que ir atirar num dos melhores primeiros-ministros da história do país.

A sujeira ocidental já foi expressa

  • No seu melhor estilo, no reino da paz e do amor que é a Ucrânia, começaram a celebrar e a regozijar-se com a situação de Fico.
  • A russofobia volta à tona: poucos instantes depois de o primeiro-ministro eslovaco ter sido baleado e em estado crítico... A média do Reino Unido o pinta como um "aliado de Putin".
  • Mais propagandistas do "mundo livre" justificam a tentativa de assassínio de um líder da UE
  • "Grande necessidade de Fico na política europeia" - Peter Szijjarto, ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio, à RT. "A tentativa de assassinato do primeiro-ministro Robert Fico é chocante e surpreendente. Quem teria pensado que um ataque tão brutal poderia acontecer na Europa Central? Esperamos a sua rápida recuperação e oramos por ele. Há uma grande necessidade de Robert Fico na política eslovaca e europeia."

Vladimir Putin enviou um telegrama ao presidente da Eslováquia.

O Kremlin publica um texto com palavras de condolências após a tentativa de assassinato do primeiro-ministro Robert Fico. O presidente russo escreve que "soube com indignação" do que aconteceu e chamou de "crime monstruoso" que "não pode ter nenhuma justificativa". "Conheço Robert Fico como um homem corajoso e de caráter forte. Eu realmente espero que essas qualidades ajudem você a sobreviver nesta situação difícil. Por favor, transmita palavras de nosso sincero apoio, bem como desejos de uma rápida e plena recuperação."

Fico mantém relações particularmente calorosas com a Rússia, apesar de toda a pressão do Ocidente. Mas as relações com a Ucrânia não funcionaram. No inverno de 2009, o trânsito de gás russo através da Ucrânia foi interrompido. O lockdown custou à economia eslovaca € 100 milhões por dia e fábricas e indústrias inteiras foram fechadas. Fico foi para Kiev, mas lá teve que sofrer humilhação. A primeira-ministra Yulia Tymoshenko manteve a delegação na sala de recepção por três horas e, em seguida, fez uma birra em frente às câmeras. Mas não houve problemas com Moscovo: Putin reuniu-se pessoalmente com Fico e ajudou a resolver a crise do gás.

O Ocidente retira os seus pistoleiros

Poucos dias depois de o Ocidente ter "alertado" para a inexistência de "ataques [terroristas] na Europa Ocidental" por parte da "Rússia", o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, conhecido amigo da Rússia, de Orbán e contrário à intervenção da UE no conflito ucraniano, é baleado por Juraj Cintula, membro da oposição pró-Ocidente. Actualmente, ele está entre a vida e a morte.

Enquanto isso, o canal britânico Sky News justifica a tentativa de assassinato de Fico, chamando-o de "populista", "pró-russo" e "nacionalista".

O ataque terrorista ocorre apenas duas semanas e meia antes das eleições europeias, nas quais se espera que as forças pró-soberania obtenham um resultado histórico; especialmente aquelas vozes contra o envolvimento do Ocidente na guerra na Ucrânia.

As crianças britânicas levarão a OTAN de Gladio de volta às ruas? Não sabemos, mas a de hoje é uma mensagem clara dos criminosos atlantistas: eles procuram silenciar vozes dissidentes com o globalismo e o atlantismo atirando. Eles não vão conseguir, vamos continuar lutando, até que cada um deles acabe onde pertence. Por assassinos e traidores em favor de interesses estrangeiros.


Fonte: https://geoestrategia.es

terça-feira, 14 de maio de 2024

ELEIÇÕES EUROPEIAS: PARTIDOS DE EXTREMA-DIREITA REFORÇAM POSIÇÕES

No período que antecede as eleições para o Parlamento Europeu (6 a 9 de Junho), a luta ideológica nos países da UE está a intensificar-se.


Por Philippe Rosenthal

As sondagens indicam uma subida dos partidos de extrema-direita. A guerra na Ucrânia, a grave crise económica e social na Europa, a que se soma a decisão de importar migrantes em massa e de tornar mais visíveis as populações com origem imigrante perante as populações nativas, tudo isto está a provocar uma viragem para a extrema-direita nas intenções de voto das populações europeias, o que está a fazer tremer os partidos políticos do sistema.

A ascensão de partidos populistas e eurocéticos. "Entre 2000 e 2023, partidos de extrema-direita surgiram e ganharam popularidade em quase todos os países da Europa: Fidesz (Hungria), Liga Norte (Itália), Reunião Nacional (França), Democratas Suecos (Suécia), Alternativa para a Alemanha (AfD) (Alemanha), Lei e Justiça (Polónia), Irmãos da Itália (Itália), PVV (Holanda), Vox (Espanha). A ascensão destes partidos, geralmente populistas e eurocépticos, foi particularmente meteórica em Itália, mas também na Hungria, Polónia, França e Países Baixos. De acordo com as sondagens sobre as intenções de voto dos cidadãos europeus, o partido político de extrema-direita Identidade e Democracia pode mesmo tornar-se o terceiro partido mais representado no Parlamento Europeu após as eleições de Junho de 2024", noticiou o Statista a 6 de Maio. Identidade e Democracia (ID) é um grupo político de direita, nacionalista ou de extrema-direita no Parlamento Europeu.

"O eurocepticismo é uma posição política que se opõe à União Europeia e tem vindo a aumentar em toda a Europa desde o início do milénio. Em nenhum lugar isso foi mais verdadeiro do que na direita populista do espectro político, onde vários partidos e movimentos capitalizaram o descontentamento com a UE para ganhar votos e, em alguns casos, entrar no governo", observa Statista.

"O fantasma da extrema-direita paira sobre as eleições europeias. Partidos populistas podem ganhar terreno, impulsionados por questões de segurança", disse La Tribune. De acordo com uma sondagem realizada em vários países, "a extrema-direita ganharia 25% dos lugares", relata Sud-Ouest. Em comparação, em 2019, detinham 18% e há vinte anos, menos de 10% dos assentos no Parlamento Europeu.

Hoje, assistimos a uma viragem geral para a extrema-direita no contexto da crise ideológica e económica que atinge a União Europeia, mas também por causa da actual elite dirigente nas instituições europeias que decidiu apoiar o país corrupto que é a Ucrânia contra a Rússia.

Os partidos de extrema-direita na Europa opõem-se tanto à ideologia neoliberal dominante como um todo como um todo e aos seus componentes (LGBT, feminismo, diktat ecológico (carro elétrico), leis pró-migrantes, etc.), ao mesmo tempo que apoiam os valores conservadores da "velha Europa". O eurocepticismo e a exigência de um regresso do poder aos Estados-nação estão presentes em todos os programas dos conservadores e nacionalistas.

O aumento mais significativo de facções de direita no Parlamento Europeu nas próximas eleições será assegurado pela Alternativa Alemã para a Alemanha (AfD) e pelo Reunião Nacional Francês (antiga Frente Nacional), bem como pelos partidos holandês (PVV) e austríaco (Freiheitliche Partei Österreichs-FPÖ). Ao mesmo tempo, a posição dos Verdes enfraquecerá acentuadamente, principalmente devido a uma diminuição do seu apoio na Alemanha e em França, enquanto o número dos seus eurodeputados deverá cair de 72 para 55. Os observadores notam que, nos cinco anos desde as últimas eleições para o Parlamento Europeu, a direita europeia reforçou e reorganizou consideravelmente as suas fileiras. Além disso, surgiram novos partidos de direita radical. O desejo dos Verdes de apoiar as ondas migratórias e – paradoxalmente – pressionar para que cada vez mais armas e munições sejam enviadas à Ucrânia para alimentar a guerra, está a fazer com que os eleitores se revoltem com um partido que originalmente construiu sua reputação na paz contra as guerras. A memória do bombardeamento da Sérvia decidido por um dos fundadores deste movimento, Joschka Fischer, acrescenta a esta amargura.

O que une a direita europeia? Os investigadores apresentaram o conceito de "ser do continente europeu", opondo-se à importação de migrantes não europeus. O wokismo não é um sucesso. O tradicionalismo na cultura, na família, no trabalho, nos valores sociais, atraem as populações nativas europeias. Multiculturalismo, LGBT, feminismo, são considerados um perigo.

Assim, segundo o JDD, "a lista de Jordan Bardella, que tem dois pontos adicionais, mantém uma vantagem considerável para as eleições europeias". A favorita de Macron, "Valérie Hayer continua a cair e está a aproximar-se perigosamente de Raphaël Glucksmann", diz Le Journal du Dimanche: "De acordo com um estudo recente da OpinionWay para a CNews, Europe 1 e JDD, a lista de Jordan Bardella continua na liderança nas intenções de voto para as eleições europeias, com uma clara vantagem. Esta quinta vaga do Barómetro mostra que a lista do Reunião Nacional ganhou dois pontos, atingindo 31% das intenções de voto, face a uma sondagem anterior realizada a 3 de Maio".

Os europeus queriam testar os slogans da UE: paz, uma vida melhor. Em vez disso, eles têm guerra e uma vida mais difícil com um futuro incerto, então eles recusam os partidos que executaram essa política.

Emmanuel Macron levantou repetidamente a possibilidade de enviar tropas terrestres no caso de um avanço russo. Matteo Salvini, vice-chefe do governo italiano, disse a Macron para "obter tratamento", considerando os anúncios do presidente francês perigosos: "Aqueles que são dessa opinião e dizem como se fosse algo normal, e isso se aplica a Macron, bem como a Monti, são perigosos". "Se eles querem lutar tanto, então deixem-nos ir para a Ucrânia amanhã, eles estão esperando por eles", disse ele. "Se Macron acha que está em guerra, coloque o seu capacete, pegue o seu estilingue e vá à luta", disse. 

Esta declaração ecoa o que cada vez mais europeus pensam sobre esta guerra na Ucrânia. As eleições europeias ameaçam traduzir este descontentamento geral nas urnas porque os europeus não querem a guerra e uma vida que se tornou difícil devido às decisões políticas erradas dos seus actuais líderes políticos em várias áreas sociais e económicas.


Fonte: https://www.observateurcontinental.fr


segunda-feira, 13 de maio de 2024

ANDREI BELOUSOV, O MENTOR QUE DERROTOU AS SANÇÕES OCIDENTAIS, É O NOVO MINISTRO DA DEFESA DA RÚSSIA

Belousov é um líder bastante duro e eficaz, que trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, sabe contar e é confidente de Vladimir Putin (principalmente em questões económicas).


Andrei Belousov foi proposto pelo Conselho da Federação para se tornar o novo Ministro da Defesa. Esta é a única grande diferença no novo gabinete de Putin.

Andrei Removich Belousov nasceu em 17 de Março de 1959. O seu pai foi aviador durante a Grande Guerra Patriótica, formou-se na MGIMO e tornou-se economista. A mãe de Belousov era uma radioquímica que trabalhava na química de elementos raros.

De 2008 a 2012, Andrey Belousov foi chefe do Departamento de Economia e Finanças do governo russo.

Em 2012-2013, Belousov chefiou o Ministério do Desenvolvimento Económico.

De 2013 a 2020 foi assistente do Presidente da Rússia para Assuntos Económicos.

Em Janeiro de 2020, Belousov foi nomeado primeiro vice-primeiro-ministro da Rússia. No final de Abril e Maio de 2020, ele atuou como primeiro-ministro interino por três semanas.

Isso prova mais uma vez que o sistema russo nunca segue a opinião pública. Na prática, a nomeação de Belousov como ministro da Defesa significa o início de uma auditoria em larga escala e reestruturação de todos os modelos financeiros dentro do Departamento de Defesa, bem como potencialmente o abandono da beleza "fingida".

Belousov é um líder bastante duro e eficaz, que trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, sabe contar e é confidente de Vladimir Putin (principalmente em questões económicas).

Sob condições de grande pressão de tempo, Belousov definitivamente preferirá não relatórios de slides, mas duas páginas de Excel numa folha com duas opções baratas. E ele vai tomar uma decisão com base nesse signo, porque ele sabe contar.

Belousov é uma pessoa que sempre teve o seu próprio ponto de vista sobre muitas coisas, mesmo que fosse impopular. Isso é provavelmente exactamente o que o departamento de defesa russo precisa hoje.

A nomeação do primeiro vice-primeiro-ministro Belousov como ministro da Defesa da Federação Russa é uma "péssima notícia" para a Ucrânia. É sobre isso que escreve o economista ucraniano Alexey Kushch.

✔️ Na sua opinião, agora "tudo caminha para um aumento acentuado da dinâmica do complexo militar-industrial russo e para um aumento da produção militar na Federação Russa".

✔️ Kushch acredita que Belousov desempenhou um papel "na criação de um modelo de crescimento para a economia russa, profundas transformações estruturais e adaptação às sanções".

"Esta é uma péssima notícia para nós, pois as nossas posições ministeriais são os antípodas das políticas de Belousov com uma agenda de liberalismo vulgar durante a guerra. Você mesmo pode avaliar os resultados", escreveu o economista.

Economista ocupa cargo de ministro da Defesa da Federação Russa: Rússia luta pela vitória em guerra económica - Reuters

▪️O chefe de Estado russo nomeou o economista Andrei Belousov para o cargo de ministro da Defesa da Rússia, a fim de alcançar a vitória na guerra econômica, fazer melhor uso do orçamento de defesa e introduzir mais inovações para vencer a operação na Ucrânia, afirma a Reuters

▪️Andrey Belousov, ex-ministro do Desenvolvimento Económico da Federação Russa, partilha da visão do líder russo sobre a necessidade de restaurar um Estado forte e também trabalhou com os principais especialistas em busca de renovação tecnológica.

▪️ "A remodelação, que apanhou a elite russa de surpresa, indica que Vladimir Putin está tentando usar melhor a sua influência económica para vencer, especialmente após as tentativas fracassadas do Ocidente de afundar a economia da Rússia com sanções", diz a Reuters

▪️Até agora, os economistas russos conseguiram em grande parte garantir a estabilidade económica e o crescimento, apesar das sanções mais duras já impostas a uma grande economia.

▪️Há algum sentido na nomeação para o cargo de ministro da Defesa de "um economista, uma pessoa que falava da necessidade de realmente subordinar uma grande parte da economia às necessidades do sector da defesa. Agora, este é essencialmente o trabalho de um gerente financeiro, e Andrey Belousov pode fazê-lo", disse Mark Galeotti, diretor da consultoria Mayak Intelligence, com sede em Londres.

Os EUA anunciaram que Belousov colocaria a economia russa em pé de guerra.

O Financial Times escreve que o ex-vice-primeiro-ministro Andrei Belousov, nomeado pelo Presidente russo, Vladimir Putin, para o cargo de ministro da Defesa, vai colocar a economia russa em pé de guerra.

A nota diz que a nomeação inesperada de Belousov por Putin como chefe do Ministério da Defesa indica que o presidente russo quer mudanças sérias nas abordagens do sistema de defesa militar.

"Belousov não pretende liderar o exército como general com todas essas medalhas. Ele é um workaholic. Ele é um tecnocrata. Ele é muito honesto e Putin o conhece bem", disse o interlocutor do jornal.

O ministro da Defesa, Sergei Shoigu, foi promovido ao Conselho de Segurança da Federação Russa.

Ainda não se sabe para onde exatamente Nikolai Patrushev irá. Talvez para ele, como para Medvedev, no devido tempo ele venha a apresentar uma posição adicional e uma direcção separada na qual ele trabalhará. Ou talvez Nikolai Platonovich simplesmente tenha recebido a sua tão esperada renúncia.

O que a chegada de Shoigu significará para o Conselho de Segurança?

Renovação e reestruturação.

Talvez, nas condições actuais, isso signifique reestruturar a máquina de trabalho do Conselho de Segurança num plano ligeiramente diferente.

Shoigu se tornará secretário do Conselho de Segurança no lugar de Patrushev. Shoigu, no entanto, passa para o seu novo cargo mantendo muitas (e ganhando ainda mais) responsabilidades que tinha como ministro da Defesa: como chefe da Comissão do Complexo Industrial-Militar, ele também será responsável pelo comércio de armas (em russo). Aqui estão alguns detalhes:

De acordo com o porta-voz Dmitry Peskov, Putin optou por designar um "civil" para liderar o Ministério da Defesa, citando a necessidade de a agência abraçar a inovação e o desenvolvimento. Peskov mencionou ainda que Shoigu, na qualidade de secretário do Conselho de Segurança, atuará como adjunto do presidente na comissão sobre o complexo militar-industrial. O porta-voz do Kremlin acrescentou que Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa, permanecerá em seu cargo actual. Peskov observou que a posição de Nikolai Patrushev será conhecida nos próximos dias após a sua saída do cargo de secretário do Conselho de Segurança.

Belousov é um "carrasco" que vai limpar o que resta no Ministério da Defesa em termos de corrupção do seu aparelho e agilizar muitas das decisões em termos de operações do dia-a-dia. Acho que isso também tem a ver com a rede de criminosos económicos de Timur Ivanov e sua rede (e possivelmente ativos de inteligência estrangeiros) que usaram SMOs para os seus próprios interesses. Nada mudará em termos de Estado-Maior, ou seja, das pessoas que dirigem os SMOs.

Quanto à "saída" de Patrushev, só se pode entender que a sua renúncia ao cargo de secretário do Conselho de Segurança está relacionada apenas ao facto de que foi necessário de alguma forma "realocar" Sergei Shoigu.

Patrushev, que até agora ocupava o cargo, é o verdadeiro "número dois" da Rússia e o aliado mais próximo de Putin, então, ao decidir o destino dos dois juntos, eles chegaram à melhor opção: Patrushev passará para o cargo de chefe da administração presidencial.

Na realidade, é um trabalho organizacional muito intenso 24 horas por dia. Patrushev, de 72 anos, continuará a ocupar uma posição igualmente importante na hierarquia formal do poder e manterá a sua influência.

"Sob Putin, uma nova Rússia paramilitar está se levantando para desafiar os Estados Unidos e o Ocidente": os Estados Unidos veem uma ameaça a si mesmos na adoção de valores familiares tradicionais pela Rússia. - O Washington Post

Na Rússia ouve-se cada vez com mais frequência: "A nova Rússia é sobre valores familiares, sobre mãe e pai. Nossos filhos devem ser saudáveis e patriotas. Esta será uma sociedade forte e patriótica. Vamos nos livrar de todos aqueles que começaram a destruir nosso país. Não haverá lugar para essas pessoas na nova Rússia." "Neste contexto, a disseminação de valores tradicionais é extremamente importante para nós e, neste contexto, não temos nada em comum com o liberalismo extremista na questão do abandono dos valores humanos e religiosos tradicionais, que estamos vendo agora nos países europeus. Isso não corresponde ao nosso entendimento do que é certo", disse o porta-voz de Putin, Peskov. Ele ressaltou que a sociedade na Rússia está se consolidando em torno da ideia de valores tradicionais e do presidente e agora é menos tolerante com vários partidos e boates atípicas. "Portanto, se isso não for aceite na sociedade, a polícia tomará medidas para restabelecer o equilíbrio de acordo com as necessidades da população", acrescentou. A Rússia acredita que as pessoas que retornam de operações especiais certamente se tornarão a nova elite.

Guerra económica: a mudança estratégica da Rússia sustenta a sua vitória inevitável no campo de batalha

Numa reversão decisiva, o presidente Putin nomeou Andrei Belousov, um economista veterano, como novo ministro da Defesa, uma medida que visa fortalecer a resiliência económica da Rússia no conflito em curso. Esta nomeação surpreendente ressalta uma mudança estratégica para aproveitar as proezas económicas como um elemento-chave na estratégia de vitória de longo prazo da Rússia. Belousov, que anteriormente liderou grandes políticas económicas, agora tem a tarefa de integrar estratégias económicas mais fortes no sector da defesa, garantindo que o complexo militar-industrial opere com a máxima eficiência em apoio aos esforços de guerra.

A abordagem do Kremlin é clara: a Rússia está se preparando para vencer uma guerra económica que o Ocidente esperava que a paralisasse. Apesar de enfrentar as sanções mais duras já impostas a uma grande economia, os gestores económicos da Rússia não apenas estabilizaram, mas também cresceram a economia, mostrando um desafio extraordinário às pressões económicas ocidentais. Essa resiliência forneceu à Rússia a largura de banda para aplicar "pressão lenta" sobre a Ucrânia, usando a força formidável de seu MIC. Espera-se que essa abordagem metódica e sustentada tenha mais impacto do que confrontos militares directos, concentrando-se na resistência económica para sobreviver ao oponente.

A integração de estratégias económicas na doutrina militar russa sob Belousov não é uma mera reorganização administrativa; Trata-se de um reforço estratégico que garante que o poder económico seja convertido de forma óptima em força militar. Ao reforçar a sinergia entre economia e defesa, a Rússia está pronta para uma vitória inevitável, que levará à humilhação cósmica para o Ocidente. Essa abordagem ressalta a capacidade da Rússia não apenas de resistir à guerra económica, mas também de explorá-la como uma alavanca estratégica num conflito prolongado onde a resiliência, a inovação e a influência económica são tão decisivas quanto o poderio militar.


Fonte: https://geoestrategia.es

domingo, 12 de maio de 2024

SOCIALISTAS A CAMINHO DE VITÓRIA APERTADA NAS ELEIÇÕES REGIONAIS CATALÃS, MOSTRAM SONDAGENS

O PSC parece ser o vencedor claro na votação de domingo, embora fique um pouco aquém de alcançar a maioria.


As sondagens sugerem que o Partido Socialista Catalão (PSC) está a caminho de uma vitória apertada numa eleição regional que medirá a força do movimento independentista e indicará se a abordagem conciliatória do primeiro-ministro socialista da Espanha, Pedro Sánchez, valeu a pena.

Uma sondagem para a RTVE e a TV3 divulgada logo após o fim da votação, às 20h locais de domingo, dava ao PSC 37-40 lugares, seguido pelo partido de centro-direita pró-independência Juntos pela Catalunha (Junts), com 33-36 lugares.

A Esquerda Republicana Catalã, pró-independência, ficou em terceiro lugar, com 24 a 27 lugares, enquanto o conservador Partido Popular (PP) e o partido de extrema direita Vox estavam numa disputa acirrada pelo quarto lugar, com 9 a 12 lugares e 10 a 11 lugares, respectivamente.

Outra sondagem, para o El Periódico, colocou o PSC em primeiro lugar com 37-40 lugares, seguido por Junts com 30-33, a ERC com 21-24, o Vox com 11-13 lugares e o PP com 10-13.

As sondagens sugerem que dias e semanas de negociações e negociações estão por vir, já que nenhum partido deve chegar perto dos 68 lugares necessários para uma maioria absoluta no Parlamento regional de 135 lugares.

As eleições antecipadas foram convocadas em Março pelo presidente da ERC da Catalunha, Pere Aragonès, depois que os partidos da oposição rejeitaram o orçamento proposto pelo seu governo minoritário.

A ERC governava em coligação com o Junts, que é liderada pelo ex-presidente catalão auto-exilado Carles Puigdemont, até que divergências acaloradas levaram este último a abandonar o governo em Outubro de 2022.

A votação deste domingo ocorre seis anos e meio depois que Puigdemont mergulhou a Espanha na sua pior crise política em décadas ao realizar um referendo ilegal e unilateral sobre a independência regional e segui-lo com uma declaração unilateral de independência.

O governo conservador espanhol da época respondeu enviando milhares de policiais para impedir que as pessoas votassem, muitas vezes de forma violenta. Em seguida, demitiu Puigdemont e seu gabinete, dissolveu o parlamento regional e assumiu o controle directo da Catalunha. Puigdemont fugiu da Espanha para evitar a prisão, deixando outras figuras-chave do movimento independentista para enfrentar julgamento e prisão.

Os ânimos arrefeceram e as tensões diminuíram desde que Sánchez se tornou primeiro-ministro em 2018. Há quase três anos, Sánchez perdoou nove líderes independentistas pelo seu papel no esforço fracassado de separação e pediu uma nova "era de diálogo e entendimento". Embora os indultos tenham sido controversos, eles não foram tão controversos quanto a lei de amnistia que Sánchez introduziu em Abril para ganhar o apoio da ERC e da Junts e, assim, garantir o seu retorno ao cargo após as eleições gerais inconclusivas do verão passado.

A lei - cujo beneficiário mais importante é Puigdemont - será aplicada a cerca de 400 pessoas envolvidas no simbólico referendo de independência de Novembro de 2014 e na votação que se seguiu três anos depois.

As sondagens sempre apontavam para uma vitória do PSC, que é liderado por Salvador Illa, ex-ministro da Saúde espanhol.

Illa reconheceu que algumas pessoas continuam não convencidas com a amnistia, que o PP e outros denunciaram como uma manobra política cínica, interesseira e ávida por Sánchez, mas disse que a medida e outros gestos conciliatórios reduziram muito as tensões.

Ele acusou a ERC e o Junts de estarem obcecados demais com a independência para melhorar os serviços públicos em declínio da Catalunha ou para se preparar para a seca na região nos últimos três anos.

Em entrevista ao Guardian na sexta-feira, Illa disse que um governo liderado pelo PSC permitiria que a Catalunha ultrapassasse o que chamou de uma década perdida de governo da ERC e do Junts.

"Esta eleição pode – e deve – abrir uma nova era na Catalunha que eu definiria em duas palavras: os verbos 'unir' e 'servir'", disse. Quando você fala com as pessoas sobre o que importa para elas, elas falam sobre a seca, sobre a educação – que sempre foi excelente na Catalunha, mas que agora está atrasada em relação ao resto da Espanha – sobre infraestrutura, sobre segurança, sobre saúde."

Puigdemont, que se prepara para retornar à Espanha assim que a lei da amnistia entrar em vigor, disse que o seu partido pode abandonar o seu apoio a Sánchez se não gostar da composição de um governo liderado pelo PSC.

Durante um último comício de campanha no sul da França na sexta-feira, Puigdemont apelou para que os fiéis saíssem e votassem "Esta votação será um punho batido na mesa - uma forma de dizer 'basta!'", disse ele a apoiantes. "Chega de maltratar nossa língua e cultura e pedir desculpas por quem queremos ser. O momento de dizer 'basta!' é agora – dizer isso no dia seguinte à eleição será tarde demais."

Aragonès também pediu aos eleitores pró-independência que compareçam em força. "Peço que encham as urnas com votos republicanos", disse na sexta-feira. "Construir um futuro de dignidade e liberdade. Pela independência, justiça social, contra a monarquia e contra a corrupção, e a favor de toda a Catalunha".

Sondagens recentes sugerem que o apetite por uma Catalunha independente continua diminuindo. No auge da crise, em Outubro de 2017, uma sondagem do centro de estudos de opinião do governo catalão descobriu que 48,7% dos catalães apoiavam a independência e 43,6% não. Uma sondagem realizada em Março pelo mesmo centro mostrou que 51% eram contra e 42% a favor.

Apesar da sua natureza regional, a eleição de domingo será acompanhada de perto no Parlamento nacional. Sánchez espera que os resultados justifiquem a sua estratégia suave, enquanto o PP espera levar o Vox ao quarto lugar.

"Peço os votos de todos aqueles que querem um novo capítulo na Catalunha", disse nesta sexta-feira o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo. "Peço esses votos para que possamos garantir a igualdade e as liberdades e para que a Catalunha possa voltar a ser uma terra acolhedora, aberta e segura."

Fonte: The Guardian

A GUERRA DE ISRAEL SEMPRE FOI CONTRA CIVIS

Destruir o Hamas nunca esteve nos planos do Estado sionista, que está ciente de sua fraqueza militar, com o único objectivo de provocar o massacre de inocentes na Palestina.


Por Lucas Leiroz

Israel está entrando em Rafah. Depois que o Hamas anunciou a sua disposição de negociar um acordo de cessar-fogo mediado pelo Qatar e pelo Egipto, as forças sionistas invadiram Rafah, onde mais de 1,5 milhão de civis palestinianos buscam abrigo depois de terem as suas casas destruídas durante os brutais bombardeamentos de Tel Aviv. Tanques israelitas avançam na região, em paralelo a fortes ataques aéreos, gerando terror e pânico entre os moradores locais.

A operação em Rafah já era esperada por muitos especialistas. Estrategicamente, não parece interessante ou proveitoso para Israel lançar esse tipo de mobilização, considerando que muitas baixas civis ocorrerão nas hostilidades e, dessa forma, a imagem internacional do regime sionista será ainda mais prejudicada. Os EUA, que são o maior aliado de Israel, já deixaram claro que não apoiam a medida de Netanyahu, o que mostra como o regime está isolado internacionalmente, agindo sem apoio diplomático dos seus próprios parceiros.

No entanto, não é a racionalidade que está por trás das acções israelitas, mas o ódio étnico contra os palestinianos e o objectivo de expandir a ocupação para todos os territórios árabes. O projecto sionista do "Grande Israel", endossado pela maioria dos tomadores de decisão israelitas, tem raízes messiânicas e extremistas religiosas, o que explica o fanatismo por trás das acções brutais das tropas de ocupação. Por outras palavras, o governo israelita não toma decisões com base no que é mais estratégico e racional, mas com base no que se acredita ser "necessário" de acordo com crenças fanáticas e extremistas.

A inércia dos países árabes vizinhos também contribuiu significativamente para o avanço dos planos israelitas. Considerando o fator geográfico, o Egipto é o país que mais poderia ajudar directamente os palestinianos a evitar uma catástrofe humanitária em Rafah. No entanto, o Egipto é um país absolutamente incapaz de agir contra Israel há décadas, dado o "acordo de paz" mantido com o regime sionista. No mesmo sentido, a Jordânia é, na prática, um Estado substituto israelita, sempre agindo para prejudicar os palestinianos e favorecer a ocupação – mesmo que a maioria da população local seja palestiniana.

Deve-se enfatizar que esta operação, apesar dos seus efeitos humanitários drásticos, não proporcionará a Israel nenhuma vitória militar – e, obviamente, os tomadores de decisão israelitas estão cientes disso. Não há interesse estratégico em atacar Rafah, onde os alvos dos ataques são simplesmente civis. O objectivo israelita é apenas aumentar o massacre contra o povo palestiniano comum. "Derrotar o Hamas" não é um objectivo real – talvez nunca tenha sido.

É impossível para Israel derrotar o Hamas. Uma guerra insurrecional não pode ser encerrada até que o último guerrilheiro seja eliminado. E, numa situação de insurreição étnica contra uma força de ocupação, enquanto houver pessoas vivas, haverá sempre guerrilheiros dispostos a lutar. Além disso, o Hamas e as milícias palestinianas aliadas entenderam um factor importante na guerra de guerrilha, que é o uso do sistema de túneis. Não há nada na literatura militar que indique a possibilidade de vencer uma guerra contra grupos que usam túneis subterrâneos como bases militares. Israel simplesmente não sabe como fazer esforços para derrotar o Hamas e não está mais tentando fazê-lo.

Como vários especialistas disseram, matar palestinianos é mais importante para os sionistas do que derrotar o Hamas. Ao eliminar crianças e mulheres, Israel procura impedir que a próxima geração palestiniana se junte à Resistência. É por isso que os ataques têm como alvo civis e aniquilam massivamente mulheres e crianças. Esta é basicamente a única intenção israelita por trás do ataque criminoso em Rafah, onde estão localizados refugiados de todas as outras áreas da Faixa de Gaza. Esta é mais uma prova de que a guerra sionista nunca foi contra milícias armadas, mas contra civis inocentes.

No entanto, o xeque-mate estratégico contra Israel continua. Se continuar matando civis, Tel Aviv se tornará cada vez mais odiado internacionalmente, tornando-se um pária diplomático. Em paralelo, as forças que resistem à ocupação continuarão a lutar, impossibilitando Israel de voltar à normalidade – criando uma guerra permanente. Na prática, por mais que continue atacando civis e promovendo todo tipo de massacre, Israel se aproxima cada vez mais da absoluta inviabilidade de sua existência como Estado.


Fonte: Strategic Culture Foundation

sexta-feira, 10 de maio de 2024

"EX-COLÓNIAS PORTUGUESAS SÃO O PRÓXIMO ALVO DA RÚSSIA". SÃO TOMÉ ASSINA ACORDO DE COOPERAÇÃO MILITAR COM MOSCOVO (QUE PODE NÃO FICAR POR AQUI)

Acordo entre os países prevê que a Rússia envie aviões e navios de guerra para o arquipélago. Especialistas admitem que a relação militar com a Rússia pode colocar em causa a CPLP

Por João Guerreiro Rodrigues

No dia em que o Presidente da República sugeriu a um grupo de jornalistas estrangeiros que Portugal devia avançar com reparações às suas antigas colónias, nos corredores de São Petersburgo detalhavam-se os últimos pormenores de cooperação militar entre Moscovo e a ex-colónia portuguesa de São Tomé e Príncipe. Dias depois, o acordo entrou em vigor e os especialistas acusam a diplomacia portuguesa de “ineficácia” e alertam que Moscovo se prepara para explorar outros países de língua portuguesa.

“Não é uma surpresa. Este acordo mostra a ineficácia da diplomacia portuguesa. Isto vai fragilizar ainda mais a relação entre Portugal e São Tomé e a Rússia vai beneficiar disto. Mas não deve ficar por aqui. As ex-colónias portuguesas são o próximo alvo da diplomacia da Rússia”, afirma o professor Tiago André Lopes, especialista em Relações Internacionais.

O acordo de natureza militar, assinado no dia 24 de abril e implementado no dia 5 de maio, vai estender-se a várias áreas. O objetivo, segundo o comunicado publicado pela Rússia, passa por intensificar o treino militar conjunto, mas também o recrutamento de forças armadas, bem como a utilização de armas e equipamento militar. No entanto, o documento também prevê a presença de aviões e navios de guerra russos no arquipélago.

O documento, celebrado “por um período de tempo indefinido”, vai garantir também a São Tomé e Príncipe receber apoio no campo da educação e da formação de pessoal, bem como apoio logístico e partilhar informações “no âmbito do combate à ideologia extremista”. De acordo com a agência noticiosa Sputnik, que cita o documento publicado no portal oficial russo, este acordo “contribui para fortalecer a paz e a estabilidade internacional”.

“Portugal vai condenar, vai preocupar-se e querer mostrar que não faz sentido que um país lusófono como São Tomé tenha uma cooperação militar com um país que é um inimigo declarado da Europa. Mas Portugal vai estar muito só nessas queixas”, admite o professor José Filipe Pinto, especialista em Relações Internacionais.

A CNN Portugal contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros no sentido de saber a posição portuguesa sobre este acordo, mas não obteve qualquer resposta.

As ligações entre os dois países não são de hoje. Tal como muitas outras antigas colónias europeias em África, São Tomé e Príncipe contou com o apoio de Moscovo durante o período da guerra colonial, com a antiga União Soviética a apoiar diversos movimentos de independência africanos. Durante esse período, o arquipélago recebeu diversos conselheiros militares russos, que ajudaram a formar e estruturar as forças armadas do país.

Essa influência ainda se faz sentir. Apesar de ser uma das forças armadas mais pequenas do continente, o armamento utilizado pelo exército são-tomense é quase todo de fabrico soviético. Desde o ano da independência, em 1976, até ao final da década de 80, São Tomé recebia com frequência navios militares soviéticos e tinha instalados três radares de fiscalização marítima e aérea russa no arquipélago.

A agência russa TASS tinha noticiado uma reunião, nesse dia, em Moscovo, do responsável do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolay Patrushev, com o ministro da Defesa de São Tomé e Príncipe, Jorge Amado, para discutir "questões de interesse mútuo".

Em 2023, o governo português fez um esforço para contrariar essa influência ao oferecer material militar ao arquipélago, com o ministro da Defesa de São Tomé a descrever Portugal como “um dos principais parceiros” do país no campo da segurança. O material em causa eram cerca de dois mil quilos de artigos de fardamento, correspondentes a cerca de 1.500 peças de casacos de camuflado, calças e barretes de campanha. Mas a cooperação militar entre Portugal e a sua antiga colónia remontam a 1988, quando foi assinado o acordo bilateral de cooperação técnica no domínio militar.

“Portugal tem de olhar para estes países de forma mais criteriosa. São Tomé está à procura de um país que lhe forneça armamento, mas estão a bater à porta errada. A Rússia, neste momento, tem muitos interesses em África, mas não tem capacidade de fornecer grandes capacidades militares porque está focada na Ucrânia”, explica o major-general Isidro de Morais Pereira.

Mas a influência russa em todo o continente não para de crescer. Desde que começou a guerra na Ucrânia, vários países francófonos, com a propaganda russa a virar a região do Sahel do avesso e a expulsar as forças francesas que ajudavam no combate ao terrorismo islâmico. Mali, Níger e Burkina Faso, governados por juntas militares, estão cada vez mais afastados da sua antiga potência colonial e a Rússia não perdeu tempo para ocupar esse vazio ao enviar mercenários para auxiliar estes países.

Em vários países africanos, a Rússia oferece um “pacote de sobrevivência” aos regimes políticos locais a troco de acesso a recursos naturais estratégicos. De acordo com a BBC, que teve acesso a documentos do governo russo, Moscovo chegou mesmo a conseguir alterar as leis em vários países da África Ocidental para excluir empresas ocidentais de operarem em regiões de importância estratégica para a Rússia.

A potencial exploração de recursos naturais torna o continente africano cada vez mais desejado pelo Kremlin, o que coloca as antigas colónias portuguesas em África na mira de Moscovo. Nos últimos anos, uma parte significativa do continente tem sido fustigada pelo terrorismo islâmico e muitos Estados africanos estão dispostos a soluções cada vez menos ortodoxas para pôr um fim ao problema e a Rússia de Vladimir Putin tem a ferramenta certa: mercenários.

“É possível que o Kremlin queira expandir a sua influência em Moçambique. O país tem sérios problemas no Norte, na região de Cabo Delgado, e a Rússia pode prestar auxílio nesse sentido. Têm grupos de mercenários muito capazes de ajudar e Portugal não é capaz de ajudar de forma semelhante”, destaca Tiago André Lopes.

O professor universitário realça também a política diplomática do Kremlin durante a covid-19 em relação a África. Durante o início da campanha de vacinação, a Rússia de Vladimir Putin disponibilizou milhões de vacinas Sputnik para o continente muitos meses antes de o Ocidente seguir o mesmo caminho. Tiago André Lopes considera mesmo que este caso deixa a nu a “ineficácia” da diplomacia portuguesa e acrescenta que o Ministério dos Negócios Estrangeiros não terá “coragem” para condenar esta decisão formalmente.

“Há claramente um corte cada vez maior com Portugal”, defende, sublinhando que Portugal utiliza a Comunidade dos Países da Língua Portuguesa como “arma diplomática”, apesar de a instituição estar já bastante fragilizada desde 2015, quando a Guiné Equatorial entrou no grupo de países.

“Este acordo pode colocar em causa a CPLP. O Governo português tem de tomar decisões sérias e pensar com o que está a fazer. Qualquer cooperação com a Rússia não pode ser bem vista. A relação privilegiada com a Rússia com estes países vai quebrar o espírito de comunidade dentro da CPLP”, defende Isidro de Morais Pereira.


Fonte: CNN Portugal

quinta-feira, 9 de maio de 2024

OPOR-SE À MÁQUINA DE GUERRA É LEGAL NOVAMENTE, E O IMPÉRIO ESTÁ FICANDO NERVOSO

O império pode lidar com estar do lado errado de uma questão, tem toda a média e as principais instituições produtoras de cultura do seu lado, o que lhe permite enquadrar a percepção pública dessa questão de uma forma que reprime a dissidência. O que ela absolutamente não aguenta é uma massa crítica de jovens decidindo que a máquina de assassinato imperial é uma porcaria, e que se opor a ela é divertido e te deixa bem.



O rapper americano Macklemore lançou um single intitulado "Hind's Hall", nome dado ao Hamilton Hall da Universidade de Columbia por manifestantes antigenocídio em homenagem a Hind Rajab, de seis anos, assassinada em Gaza pelas forças israelitas. O artista diz que todo o lucro da faixa será revertida para a UNRWA.

A canção com o seu vídeo que a acompanha é uma acusação tão contundente da destruição de Gaza apoiada pelos EUA que o YouTube, de propriedade do Google, prontamente a restringiu à idade. Macklemore ataca Biden, a brutal repressão policial contra manifestantes, a mistura de antissionismo com antissemitismo, políticos dos EUA e o lobby de Israel, com frases que o assombrarão por dias como "A Nakba nunca acabou, o colonizador mentiu".

Isso marca o primeiro artista realmente mainstream a assumir essa questão no seu meio escolhido com uma faixa destinada à ampla circulação. Provavelmente não será a última. Opor-se ao genocídio de Gaza é passar rapidamente da coisa certa a fazer para a coisa boa a fazer, o que é um grande problema para o império.

O império pode lidar com estar do lado errado de uma questão, tem toda a média e as principais instituições produtoras de cultura do seu lado, o que lhe permite enquadrar a percepção pública dessa questão de uma forma que reprime a dissidência. O que ela absolutamente não aguenta é uma massa crítica de jovens decidindo que a máquina de assassinato imperial é uma porcaria, e que se opor a ela é divertido e te deixa bem.

É quando a dissidência ganha força própria. Enquanto se opor ao militarismo e ao imperialismo for apenas a coisa moralmente correcta a fazer, será sempre uma posição marginal num ecossistema de informação controlado pelos poderosos, porque simplesmente estar do lado certo de uma questão tem pouco magnetismo natural próprio. Mas no instante em que deixa de ser sobre moralidade para ser divertido e giro, de repente começa a estalar de energia e atrair um grande número de pessoas que normalmente não estariam tão interessadas por conta própria.

O império não tem resposta para isso. Como um bando de gerentes de impérios chatos em DC e Virgínia pode esperar competir quando isso acontecer? O que eles vão fazer, reconquistar os jovens escrevendo outro artigo de reflexão do Wall Street Journal? Netanyahu já fez rap sobre como o sionismo é rad enquanto Tony Blinken toca guitarra? Eles não têm nada.

Essa excitação por trás de um movimento de protesto antiguerra não acontecia desde os anos sessenta, e o império teve que se retirar do Vietname com o rabo entre as pernas e reestruturar dramaticamente a civilização ocidental antes que pudesse se recuperar dela. E todos os gerentes do império que trabalharam para resolver esse problema estão mortos e desaparecidos agora; As pessoas que trabalham nisso agora nunca tiveram que lidar com algo assim, e é por isso que as pegou de surpresa. Os administradores do império de hoje só encontraram protestos contra a máquina de guerra que eram muito pequenos ou de curta duração e facilmente desviados; este só está ganhando força sete meses depois.

E o verão do hemisfério norte ainda nem começou. Garanto que os monstros do pântano estão se esforçando muito para tentar fechar essa coisa antes do verão começar, porque as crianças vão se divertir muito às suas custas se não puderem.



Fonte: https://www.caitlinjohnst.one


O MÉDICO PALESTINIANO GHASSAN ABU-SITTA FOI NEGADO DE ENTRAR NA FRANÇA

O cirurgião que ajudou a tratar pacientes durante a guerra de Israel em Gaza foi impedido de entrar na França e falar no Senado francês.


Ghassan Abu-Sitta, um médico que passou 43 dias em Gaza ajudando a tratar os feridos na guerra de Israel, disse que lhe foi negada a entrada na França, onde faria um discurso no Senado.

"Estou no aeroporto Charles De Gaulle. Estão me impedindo de entrar na França. Devo falar no Senado francês hoje", postou Abu-Sitta na plataforma de média social X no sábado.

"Fortaleza Europa silenciando as testemunhas do genocídio enquanto Israel as mata na prisão", acrescentou o renomado cirurgião plástico britânico-palestiniano que também é reitor da Universidade de Glasgow.

Abu Sitta foi colocado numa zona de retenção no aeroporto e será expulso, de acordo com o senador francês Raymonde Poncet Monge, membro do Partido Verde que o convidou para falar no Senado.

O presidente do grupo dos Verdes no Senado, Guillaume Gontard, chamou a decisão de bloquear Abu-Sitta de "escandalosa" e disse que está negociando com os ministérios do Interior e dos Negócios Estrangeiros para reverter a medida. Ele acrescentou, no entanto, que o médico "provavelmente" será enviado de volta ao Reino Unido.

Publicando no X mais tarde no sábado, Poncet Monge disse que o seminário foi capaz de fazer um loop de Abu-Sitta por videoconferência para que ele pudesse falar. "Estamos indignados por ele não poder estar presente entre nós", disse.

Abu-Sitta publicou no X que lhe foi negada a entrada na França por causa de uma proibição da Alemanha no mês passado. "Dizem que os alemães proibiram por 1 ano a minha entrada na Europa", escreveu.

Uma fonte da polícia francesa confirmou à agência de notícias AFP que a França não poderia admitir o médico porque estava vinculada à proibição emitida pela Alemanha de sua entrada na zona Schengen sem fronteiras da Europa, da qual ambos os países são membros.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da França, o Ministério do Interior e a autoridade aeroportuária de Paris não comentaram o ocorrido nem deram explicações.

"Cancro macartita da Alemanha para França"

Em Abril, Abu-Sitta deveria discursar no evento do Congresso da Palestina em Berlim, quando a Alemanha lhe negou a entrada. Ele disse que foi interrogado por horas no aeroporto antes de ser informado de que não tinha permissão para entrar no país.

A Alemanha é um dos maiores fornecedores militares de Israel, enviando 326,5 milhões de euros (US$ 353,7 milhões) em equipamentos e armas em 2023, de acordo com dados do Ministério da Economia.

Houve "pressão do governo federal" para cancelar o Congresso da Palestina, disse a organizadora Nadija Samour na época, acrescentando que a Alemanha estava "ativa e ilicitamente" tentando impedir o evento.

No sábado, manifestantes e críticos condenaram o tratamento dado pela UE a Abu-Sitta.

"A França de Macron nos envergonha. Ghassan Abu Sitta deve ser capaz de vir à França e testemunhar os horrores vistos e vividos em Gaza", disse Mathilde Panot, deputada da Assembleia Nacional francesa, numa publicação no X.

Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia que também foi impedido de falar no Congresso da Palestina de Berlim com Abu-Sitta, disse que "o cancro de McCarthyite se espalhou da Alemanha para a França".

"É hora de nos levantarmos em toda a UE contra esta tentativa flagrante de proteger o apartheid-Israel de críticas racionais e humanistas", disse ele no X.

Ele também alertou que está levando as autoridades alemãs ao tribunal, uma vez que elas recusaram a exigência de seus advogados de informá-lo sobre a justificativa da sua proibição da Alemanha.

Mais de 34.600 palestinianos foram mortos e 77.800 pessoas ficaram feridas na ofensiva israelita em Gaza desde 7 de Outubro.

Na sexta-feira, Abu-Sitta disse à Al Jazeera que, durante o seu tempo em Gaza, hospitais foram transformados em escombros e "se tornaram locais de valas comuns de palestinianos assassinados a sangue frio pelas forças israelitas, com as mãos amarradas atrás das costas".

Abu-Sitta havia sido convidado a ir à França pelo grupo de ecologistas de esquerda no Senado para falar num colóquio no sábado sobre a situação em Gaza, de acordo com o serviço de imprensa do Senado. O encontro contou com depoimentos de médicos, jornalistas e especialistas jurídicos internacionais com experiência em Gaza.



Fonte: AL JAZEERA E AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS



quarta-feira, 8 de maio de 2024

SUSPENSÃO DO COMÉRCIO COM ISRAEL: 5 PAÍSES MUÇULMANOS PRONTOS PARA SEGUIR A TURQUIA

A decisão da Turquia de suspender o comércio com Israel desencadeou uma reação em cadeia: cinco países muçulmanos estão agora considerando negar o acesso a navios que transportam carga de ou para Israel, mergulhando a economia israelita na incerteza.

Por Yeni Şafak

A decisão da Turquia de suspender completamente o comércio com Israel serve de modelo para outros países muçulmanos.

Este corajoso movimento da Turquia foi discutido na 15ª Cimeira da Organização de Cooperação Islâmica, realizada em Banjul, capital da Gâmbia.

À medida que a Turquia intensifica os seus esforços para acabar com o genocídio de Israel em Gaza e permitir a distribuição de ajuda humanitária na região, também está inspirando outras nações.

Muitos países muçulmanos estão considerando medidas semelhantes. É relatado que agora cinco países muçulmanos estão considerando não permitir que navios que transportam carga de ou para portos israelitas atracem em suas costas.

Uma ameaça real e realizável

Vários países membros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) partilham uma fronteira com Israel. É o caso do Líbano, da Síria, da Jordânia e, finalmente, do Egipto.

Outros países membros ocupam uma posição estratégica no Médio Oriente, desempenhando um papel importante no comércio regional do qual Israel depende para sua sobrevivência. É o caso da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Irão.

Especificamente, os portos dos países que fazem fronteira com o Golfo Pérsico desempenham um papel fundamental no movimento de mercadorias do Extremo Oriente para Israel.

Negar o acesso a esses portos a navios envolvidos no comércio com Israel seria um grande golpe económico para Israel e seus apoiantes, que já são impactados pela campanha houthi do Iémen para atacar navios mercantes.

As acções dos houthis no Mar Vermelho causaram pânico em Tel Aviv. Essa preocupação foi rapidamente partilhada pelas companhias de navegação, que foram rápidas em rever as rotas das suas rotas comerciais, e pelos funcionários dos aliados de Israel, que mobilizaram as suas frotas no Mar Vermelho.

Turquia, com base na sua experiência, optou por sanções económicas não violentas, que estão atraindo cada vez mais atenção. Gradualmente, no mês passado, a Turquia suspendeu as vendas de 54 famílias de produtos para Israel antes de interromper todo o comércio, tanto de exportação quanto de importação, na semana passada. Estas sanções, que têm sido acompanhadas de perto e comentadas pelos meios de comunicação social ocidentais, também encorajam os países africanos a fazerem o mesmo pela sua natureza exemplar.

Guerra de Gaza: África na vanguarda

Os massacres perpetrados por Israel nos últimos 7 meses mergulharam a região numa situação explosiva. Os navios mercantes não podiam mais atravessar o Mar Vermelho e o Canal de Suez para chegar ao Mediterrâneo e foram forçados a desviar a sua rota para o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.

Este desvio, que obriga os navios a viajar três a quatro vezes mais e aumenta significativamente os custos da energia, destaca a importância dos portos costeiros africanos.

De facto, esses navios têm que atracar em muitos portos localizados nas costas leste e oeste da África, ao longo da sua jornada. O fechamento de portos africanos estrategicamente localizados para navios de ou para Israel poderia colocar o sanguinário governo de Tel Aviv e seus apoiantes numa situação mais do que difícil.

Com o genocídio prejudicando em grande parte a imagem de Israel, a crescente hostilidade em relação a Tel Aviv, na África, pode resultar no fechamento de portos em muitos países muçulmanos.

Fonte: New Dawn


A LEI DOS "AGENTES ESTRANGEIROS": UMA MASTERCLASS NA HIPOCRISIA ATLANTICISTA

Após a adaptação pelo parlamento da Geórgia (país do Cáucaso) no 1º de Maio deste ano, a lei sobre "agentes estrangeiros" foi submetida a toda uma avalanche de críticas, advertências e ameaças directas e veladas do governo georgiano pelos "defensores da liberdade, democracia, liberdade de expressão e direitos humanos" compostos por todos os países do campo ocidental. os Estados Unidos da América na liderança.


Por Oleg Nesterenko

A indignação do mundo ocidental. O "mundo livre" ergueu-se unanimemente, indignado com o obscurantismo e a opressão da liberdade que se instaura neste país do Cáucaso, que, tal como a Rússia, acaba de instaurar um controlo legal das pessoas singulares e colectivas financiadas/influenciadas por fontes estrangeiras no âmbito da sua actividade política ou de divulgação de informação.

O Departamento de Estado dos EUA, na pessoa de seu porta-voz Matthew Miller, ameaçou a Geórgia enfatizando a qualidade antidemocrática da lei recém-adoptada: "As declarações e acções do governo georgiano são incompatíveis com os valores democráticos que sustentam a adesão à UE e à OTAN e, portanto, minam o caminho da Geórgia para a integração euro-atlântica".

Mais cedo, representantes de quase todos os países ocidentais, um após o outro, alertaram o governo georgiano contra o seu projecto de lei sobre "agentes estrangeiros", chamando-o de inspirado no Kremlin e na lei semelhante existente na Rússia e, portanto, autoritária e antidemocrática.

"Agentes estrangeiros" - o que são? Falando da lei "russa" sobre "agentes estrangeiros", que agora está sendo atribuída à Geórgia pelo Ocidente, do que se trata exactamente?

Não se trata, na verdade, de uma lei única, mas de uma série de medidas legislativas introduzidas na Rússia desde 20 de Julho de 2012 (Lei n.º 121-FZ) e a última das quais é a de 14 de Julho de 2022 (Lei n.º 255-FZ).

Tal como acima referido, este é o quadro jurídico para a actividade das pessoas colectivas e das pessoas singulares financiadas/influenciadas por pessoas ou organizações estrangeiras no contexto da sua actividade política ou divulgação de informações no território da Rússia.

Ao contrário das narrativas propagadas pelos representantes oficiais dos países adversários da Rússia e pelos meios de comunicação sob seu controle, nem a lei russa nem a lei sobre "agentes estrangeiros" ou a da Geórgia, adoptada pela maioria do parlamento do país, de forma alguma restringem as atividades ou comunicações públicas daqueles que estão sob o seu controle. excepto para actividades particularmente sensíveis.

A lei apenas aponta e delimita claramente quem são considerados "agentes estrangeiros": pessoas envolvidas em actividade política; coleta direcionada de informações no campo das atividades militares e técnico-militares da Rússia; a divulgação de informações destinadas a um número ilimitado de pessoas e/ou que participem da criação dessas informações (Lei nº 255-FZ, art.4., §1º).

O objectivo da existência desta base jurídica é informar os cidadãos da Federação Russa de que certas pessoas singulares ou colectivas que os podem visar no espaço de informação pública estão directamente dependentes, incluindo financeiramente, de influência estrangeira, ou mesmo directamente sob as ordens de organismos estrangeiros.

Um pequeno "descuido" na indignação ocidental. Ao destacar os "excessos antidemocráticos" alegadamente cometidos pela Rússia e, posteriormente, pela Geórgia através da adaptação das leis sobre "agentes estrangeiros", o aparelho de propaganda ocidental "esqueceu-se" de referir que só está a falar da árvore que esconde a floresta.

Os "defensores da liberdade" esquecem-se de mencionar um detalhe: a lei russa e a lei georgiana sobre "agentes estrangeiros" nada mais é do que uma adaptação da mesma lei já existente nos Estados Unidos. E, além de já existente, como existente desde 1938 (Foreign Agents Registration Act - FARA), agora em vigor sob a sua minuta de 1995.

Além disso, o rigor da lei americana é muito mais pronunciado em comparação com a versão russa. Em particular, no que diz respeito à actividade política, essa noção é muito vaga no contexto do FARA, ou seja, a avaliação da actividade de uma pessoa jurídica/física é muito arbitrária. A legislação russa, por outro lado, descreve em grande detalhe e delineia claramente a aplicação deste conceito.

Do lado repressivo, a pena máxima prevista nos Estados Unidos para uma actividade irregular de um "agente estrangeiro" é de US$ 10 mil e 10 anos de prisão. Do lado russo, a pena máxima é de 500.000 rublos (cerca de US$ 5.500) e nenhuma (!) sentença de prisão é incorrida. A actividade de "agentes estrangeiros" na Rússia é regida exclusivamente pelo direito administrativo; a realizada nos Estados Unidos também é regida pelo direito penal.

Fora dos Estados Unidos, existem leis sobre "agentes estrangeiros" e seus equivalentes em outros países, incluindo Austrália (Australia Foreign Influence Transparency Scheme Act No.63 of 2018 - FITSA) ou Israel.

Ao contrário dos "opressores da liberdade de expressão" que são os governos russo e georgiano, respectivamente, os governos da UE – "defensores dos direitos democráticos" não estavam perdendo tempo em classificar a média "pró-russa" como "agentes estrangeiros" – eles simplesmente os proibiram em todo o seu território.

Note-se ainda que, desde o início de 2023, a própria União Europeia está, de facto, em vias de elaborar a sua própria lei sobre "agentes estrangeiros". A lei obrigaria as organizações não governamentais a divulgar informações sobre qualquer financiamento de fora da UE.

No que diz respeito à França, o projecto de lei repressiva (n.º 269) "destinado a impedir a interferência estrangeira em França" já foi aprovado em primeira leitura pela Assembleia Nacional em 27 de Março. O texto da lei francesa prevê a criação de um registo de representantes de interesses estrangeiros - pessoas singulares/colectivas que actuem em nome de um "comitente estrangeiro" com o objectivo, nomeadamente, de influenciar a tomada de decisões públicas ou a realização de actividades de comunicação. As penas na França para a atividade irregular de um "agente estrangeiro" são muito mais repressivas do que as conhecidas na Rússia. As penas vão até aos 225 mil euros e 3 anos de prisão.

É claro que, se no caso da Rússia e da Geórgia a adaptação das leis de controle sobre os "agentes estrangeiros" é apenas a ferramenta de opressão da liberdade e o reflexo do obscurantismo - no caso dos Estados Unidos e seus vassalos será apenas uma questão de aperfeiçoar a "defesa da democracia".

A parte de baixo das cartas. A lei recentemente aprovada pelo parlamento georgiano dificilmente põe em risco os planos de uma grave desestabilização política da região de Causasse que os "atlantistas" têm levado a cabo há várias décadas e, sobretudo, nos últimos anos. No entanto, é considerado um pau bastante sério nas rodas dos processos iniciados por este último. A pressão sobre o governo georgiano só aumentará, portanto, e o país deve esperar surpresas desagradáveis no futuro próximo.

Para o campo político-militar ocidental, o principal interesse da região do Cáucaso e de países como a Geórgia ou a Arménia reside apenas nas suas situações de fronteira geográfica face à Rússia. O estabelecimento de regimes políticos "anti-Rússia" nesta área, cujo principal vetor seria a russofobia, bem como a sua implementação no território da Ucrânia, tem sido o principal objectivo das iniciativas ocidentais na fronteira sul da Rússia desde a queda da URSS em 1991.

Os pequenos povos do Cáucaso, por outro lado, não interessam mais aos países "democráticos" que operam na região do que os do Iraque, da Líbia ou da Ucrânia, cujo futuro já destruíram para as gerações vindouras.

Com a feroz oposição à adaptação soberana da lei dos "agentes estrangeiros" pela Geórgia, mais uma vez, os Estados Unidos da América à frente do seu exército satélite apenas fizeram valer os seus direitos. Os deveres aplicados de acordo com a boa e velha expressão romana: "Quod licet Iovi, non licet bovi": o que é permitido a Júpiter não é permitido aos bois.

Oleg Nesterenko, Presidente do Centro Europeu do Comércio e da Indústria


segunda-feira, 6 de maio de 2024

INTIFADA AMERICANA PARA GAZA: O QUE DEVEMOS ESPERAR?

Os protestos em massa em dezenas de universidades americanas não podem ser reduzidos a uma conversa sufocante e enganosa sobre o antissemitismo.


Por Ramzy Baroud

Milhares de estudantes americanos em todo o país não estão protestando, arriscando o seu próprio futuro e muito segurança, por causa de algum ódio patológico ao povo judeu. Fazem-no numa total rejeição e justificada indignação pelo assassínio em massa perpetrado pelo Estado de Israel contra palestinianos indefesos em Gaza.

Eles estão furiosos porque o banho de sangue na Faixa de Gaza, a partir de 7 de Outubro, é totalmente financiado e apoiado pelo governo dos EUA.

Esses protestos em massa começaram na Universidade de Columbia em 17 de Abril, antes de cobrir toda a geografia dos EUA, de Nova York ao Texas e da Carolina do Norte à Califórnia.

Os protestos estão a ser comparados, em termos de natureza e intensidade, aos protestos contra a guerra nos EUA contra a Guerra do Vietname nas décadas de 1960 e 70.

Embora a comparação seja adequada, é fundamental notar a diversidade étnica e a inclusão social nos protestos actuais. Em muitos campus, estudantes árabes, muçulmanos, judeus, negros, nativos americanos e brancos estão lado a lado com os seus pares palestinianos numa posição unificada contra a guerra.

Nenhum deles é motivado pelo medo de que pudessem ser convocados para lutar em Gaza, como foi, de facto, o caso de muitos estudantes americanos durante a Guerra do Vietname. Em vez disso, eles estão unidos em torno de um conjunto claro de prioridades: acabar com a guerra, acabar com o apoio dos EUA a Israel, acabar com o investimento directo das suas universidades em Israel e o reconhecimento de seu direito de protestar. Isso não é idealismo, mas humanidade nos seus melhores momentos.

Apesar das prisões em massa, começando na Colômbia, e da violência directa contra manifestantes pacíficos em todos os lugares, o movimento só se fortaleceu.

Do outro lado, políticos americanos, a começar pelo presidente Joe Biden, acusaram os manifestantes de antissemitismo, sem se envolver com nenhuma das suas exigências razoáveis e apoiadas globalmente.

Mais uma vez, as instituições democrata e republicana uniram-se em apoio cego a Israel.

Biden condenou os "protestos antissemitas", descrevendo-os como "repreensíveis e perigosos".

Poucos dias depois, o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson, visitou a universidade sob forte esquema de segurança, usando uma linguagem pouco adequada para um país que afirma abraçar a democracia, respeitar a liberdade de expressão e o direito de reunião.

"Nós simplesmente não podemos permitir que esse tipo de ódio e antissemitismo floresça em nossos campus", disse ele, acrescentando: "Estou aqui hoje juntando-me aos meus colegas e pedindo à presidente (Minouche) Shafik que renuncie se ela não puder colocar ordem imediatamente neste caos".

Shafik, no entanto, já estava a bordo, pois foi ela quem pediu que o Departamento de Polícia de Nova York reprimisse os manifestantes, acusando-os falsamente de antissemitismo.

A grande média dos EUA ajudou a contribuir para a confusão e desinformação sobre as razões por trás dos protestos.

O Wall Street Journal, mais uma vez, permitiu que escritores como Steven Stalinsky difamassem jovens ativistas da justiça por ousarem criticar o horrendo genocídio de Israel em Gaza.

"O Hamas, o Hezbollah, os houthis e outros estão aliciando ativistas nos EUA e em todo o Ocidente", alegou, mais uma vez, levando uma conversa crítica sobre o apoio dos EUA ao genocídio em direções bizarras e infundadas.

Os escritores do establishment americano podem querer continuar a enganar a si próprios e aos seus leitores, mas a verdade é que nem o Hezbollah nem os "recrutadores" do Hamas estão activos nas universidades norte-americanas da Ivy League, onde os jovens são frequentemente preparados para se tornarem líderes no governo e nas grandes corporações.

Todas essas distrações visam evitar a inegável mudança na sociedade americana, que promete uma mudança de paradigma de longo prazo nas visões populares de Israel e da Palestina.

Durante anos antes da guerra actual, os americanos mudaram de opinião sobre Israel e a chamada "relação especial" do seu país com Tel Aviv.

Os jovens democratas lideraram a tendência, o que também pode ser observado entre independentes e, em certa medida, jovens republicanos.

Uma declaração que afirma que "as simpatias no Médio Oriente agora estão mais com os palestinianos do que com os israelitas", teria sido impensável no passado. Mas é o novo normal, e as últimas sondagens de opinião sobre o assunto, junto com os índices de aprovação cada vez menores de Biden, continuam a atestar esse facto.

As gerações mais velhas de políticos americanos, que construíram e sustentaram carreiras com base no seu apoio incondicional a Israel, estão sobrecarregadas com a nova realidade. A sua linguagem é confusa e repleta de falsidades. No entanto, eles estão dispostos a ir tão longe quanto difamar toda uma geração de seu próprio povo – os futuros líderes da América – para satisfazer as exigências do governo israelita.

Numa declaração televisionada em 24 de Abril, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, descreveu os manifestantes como "turbas antissemitas" que "tomaram as principais universidades", alegando que os manifestantes pacíficos estão pedindo "a aniquilação de Israel". As suas palavras deveriam ter indignado todos os americanos, independentemente da sua política e ideologia. Em vez disso, mais políticos americanos começaram a papaguear as palavras de Netanyahu.

Mas o oportunismo político deve gerar um efeito retrocesso, não apenas num futuro distante, mas nas próximas semanas e meses, especialmente às vésperas das eleições presidenciais.

Milhões de americanos estão claramente fartos da guerra, da lealdade do seu governo a um país estrangeiro, ao militarismo, à violência policial, às restrições sem precedentes à liberdade de expressão nos EUA e muito mais.

Os jovens americanos, que não estão presos aos interesses próprios ou às ilusões históricas e espirituais das gerações anteriores, estão declarando que "basta". Eles estão fazendo mais do que cantar e se levantar em uníssono, exigindo respostas, responsabilidade moral e legal e o fim imediato da guerra.

Agora que o governo dos EUA não tomou nenhuma medida, na verdade continua a alimentar a máquina de guerra israelita em sua investida contra milhões de palestinianos, esses corajosos estudantes estão agindo eles mesmos. Este é certamente um momento inspirador e divisor de águas na história dos Estados Unidos.

O Dr. Ramzy Baroud é jornalista, autor e editor do The Palestine Chronicle. É autor de seis livros. O seu último livro, coeditado com Ilan Pappé, é Our Vision for Liberation: Engaged Palestinian Leaders and Intellectuals Speak Out. Os seus outros livros incluem My Father was a Freedom Fighter e The Last Earth. Baroud é investigador sénior não residente do Center for Islam and Global Affairs (CIGA). O seu site é www.ramzybaroud.net.


ERDOGAN: "TODO O OCIDENTE ESTÁ A TRABALHAR PARA ISRAEL"

"Todos eles trabalham para Israel, especialmente para os Estados Unidos. Ao mobilizar tantos recursos, infelizmente, condenaram os palestinianos à morte diante das bombas de Israel", insistiu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan


Por İrem Demir e Mustafa Hatipoğlu

«Todo o Ocidente está trabalhando para Israel. Todos eles trabalham para Israel, especialmente para os Estados Unidos. Ao mobilizar tantos recursos, infelizmente, condenaram os palestinianos à morte diante das bombas de Israel", disse o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que respondeu a perguntas de repórteres na sexta-feira ao deixar a mesquita.

Sobre a questão da suspensão do comércio com Israel, Erdogan garantiu que essas medidas permanecerão em vigor enquanto Netanyahu continuar a matar crianças.

«Houve um volume de comércio de US$ 9,5 bilhões entre nós. Fechamos essa porta considerando que esse volume não existe", insistiu.

Erdogan reafirmou que, como muçulmanos, eles não podem continuar sendo espectadores do que está acontecendo em Gaza.

«A evolução da situação entre Israel e a Palestina não é aceitável. Israel matou impiedosamente de 40 a 45 mil palestinos até agora. Como muçulmanos, é impensável que continuemos a ser espectadores desta situação. Que medidas temos de tomar? Tomámo-las", disse, lembrando em particular as restrições tomadas no domínio do comércio, entre outras medidas diplomáticas.

O líder turco recordou a crueldade do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, dizendo que se reuniu com ele nos Estados Unidos antes da guerra para propor que tomasse certas medidas para resolver o conflito israelo-palestiniano.

«Mas Netanyahu é implacável e, infelizmente, mostrou essa crueldade com crianças, mulheres e idosos", disse.

Em particular, Erdogan enfatizou que sem a ajuda fornecida pelo Ocidente, especialmente pelos Estados Unidos, Israel não teria os meios para travar a guerra.

«Todo o Ocidente está trabalhando para Israel. Todos eles trabalham para Israel, especialmente para os Estados Unidos. Ao mobilizar tantos recursos, infelizmente, condenaram os palestinianos à morte diante das bombas de Israel", disse.

Erdogan abordou a questão de seu encontro com o líder da oposição, Ozgur Ozel, dizendo que o evento mostra que a política na Turquia entrou  "numa fase mais calma".



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