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domingo, 15 de fevereiro de 2026

RÚSSIA E CHINA UNEM-SE PARA CONTER A PRESSÃO DOS EUA SOBRE O IRÃO E CUBA

Rússia e China não se contentam com declarações, mas sim com medidas concretas econômicas, diplomáticas e militares. Os alicerces da hegemonia americana estão vacilando...


Por Larry Johnson, em 14 de Fevereiro de 2026

Embora este artigo seja extenso, é importante compreender as acções coordenadas da Rússia e da China para conter as medidas dos EUA destinadas a punir e isolar o Irão e Cuba.

Comecemos pelo Irão... Desde a guerra de doze dias entre o Irão e Israel em Junho de 2025, que terminou com um cessar-fogo mediado pelos EUA em 24 de Junho, a Rússia e a China têm vindo a fornecer apoio diplomático, económico, militar e estratégico ao Irão. Teerão conseguiu assim recuperar de ataques aos seus locais nucleares, defesas aéreas e infra-estrutura de mísseis, ao mesmo tempo que fortalece o seu “eixo” comum com Moscovo e Pequim contra a pressão ocidental. Esse apoio foi pragmático, e não incondicional — nenhuma das nações interveio directamente durante o conflito, causando alguma frustração por parte do Irão — mas cresceu significativamente nos meses seguintes.

A notícia mais importante, amplamente ignorada no Ocidente, é a assinatura, em 29 de Janeiro de 2026, do Pacto Estratégico Trilateral, que fornece um quadro abrangente para a coordenação diplomática, económica e de segurança, com ênfase particular na soberania, resistência às sanções e multipolaridade, sem criar uma aliança formal de defesa. A assinatura ocorreu em cerimónias simultâneas em Teerão, Pequim e Moscovo, conforme confirmado pelos meios de comunicação estatais dos três países e noticiado por veículos como Middle East Monitor, GV Wire, entre outros. Essa assinatura representa um avanço significativo na coordenação entre as três nações, que se baseia directamente nos seus marcos bilaterais existentes.

Formaliza pela primeira vez um mecanismo trilateral de coordenação que liga as três potências num quadro estratégico comum. Baseia-se nos acordos bilaterais anteriormente assinados pelo Irão com a Rússia e a China.

O Tratado de Parceria Estratégica Abrangente de 20 anos entre o Irão e a Rússia (assinado em 17 de Janeiro de 2025 e que entrou em vigor em Outubro de 2025) foca-se nas relações económicas, políticas e de defesa, bem como na evasão de sanções.

O Acordo de Cooperação Abrangente Irão-China de 25 anos (assinado em 2021) foca-se no comércio, infra-estrutura, energia e projectos como a Iniciativa do Cinturão e Rota.

Embora o texto na sua totalidade tenha sido publicado apenas gradualmente (com partes ainda em redacção no início de Fevereiro de 2026), as apresentações públicas e declarações oficiais destacam os seguintes elementos-chave:

Coordenação diplomática: posições unificadas sobre questões internacionais, incluindo o desafio às sanções ocidentais, o apoio à multipolaridade e a solidariedade mútua em fóruns como a ONU

Resiliência económica e cooperação: reforço do comércio (exportações de energia, mecanismos baseados em yuan/rublo), evasão de sanções e projectos de infra-estrutura (expansão dos vínculos sob a Iniciativa do Cinturão e Rota, participação no Corredor de Transporte Norte-Sul)

Alinhamento estratégico e de segurança: cooperação técnico-militar, partilha de informações e exercícios conjuntos (incluindo manobras anuais como o Maritime Security Belt, um treino naval em grande escala envolvendo os três países, programado para ocorrer no Golfo de Omã e no norte do Oceano Índico nas próximas semanas)

Soberania nuclear — ênfase no direito do Irão ao desenvolvimento nuclear pacífico e à resistência à interferência externa

Discussões nucleares e militares trilaterais — incluindo discussões da AIEA e exercícios coordenados

Sem cláusula de defesa mútua – evita explicitamente entrar numa aliança militar formal (ao contrário do Artigo 5.º da OTAN), focando-se antes na coordenação e apoio mútuo sem obrigações automáticas de defesa

Os meios de comunicação estatais em Teerão, Pequim e Moscovo chamaram-lhe a “pedra angular” de uma nova ordem mundial multipolar. A imprensa chinesa destacou a sua oposição à “coerção unilateral”, enquanto a imprensa russa e iraniana apresentou o acordo como uma medida para fortalecer a soberania perante ameaças externas. Não creio que a Rússia e a China entrem na disputa se o Irão for atacado, mas estão a implementar acções concertadas e substanciais para garantir que o Irão possa defender-se eficazmente e combater as tentativas dos EUA de mudança de regime.

A Rússia e a China fornecem ajuda militar significativa ao Irão, mas a China parece desempenhar um papel maior na garantia do fornecimento de equipamento, enquanto a Rússia fornece ao Irão dados críticos de informações. Segundo a imprensa e provas fotográficas, a Rússia entregou helicópteros de ataque Mi-28NE (confirmados no início de 2026) e possivelmente caças MiG-29. A Rússia também organizou inúmeros voos de transporte militar para o Irão, mas nenhuma informação foi divulgada sobre o seu conteúdo. O cenário mais provável é que a Rússia honre os seus acordos anteriores de armas e desafie as sanções restabelecidas pela ONU e pela UE através do mecanismo de “snapback” do JCPOA.

A China tem-se concentrado na modernização do sistema de defesa aérea do Irão, fornecendo sistemas de mísseis superfície-ar HQ-9B (sistemas de armas superfície-ar de longo alcance comparáveis aos russos S-300). As entregas foram noticiadas já em Julho de 2025, com autoridades iranianas a confirmarem que estavam a ser colocadas em serviço para substituir as perdas causadas por ataques israelitas. Também implantou radares de vigilância de longo alcance YLC-8B para detectar aeronaves furtivas como o F-35 e enviou componentes de mísseis (incluindo propulsores de combustível sólido e sistemas de guiagem) para reconstruir linhas de produção de mísseis balísticos danificadas durante a guerra. O Irão encontra-se numa posição militar muito melhor do que estava em 13 de Junho de 2025, quando o Estado judeu lançou o seu ataque surpresa.

Cuba

A Rússia e a China também estão a fornecer apoio político, económico, humanitário, energético e material significativo a Cuba, especialmente no contexto da grave crise energética e petrolífera na ilha, bem como da escassez de alimentos e tensões económicas, agravadas pelo bloqueio de longa data dos EUA e pelas medidas recentes adoptadas pelos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump (pressões sobre o fornecimento de petróleo venezuelano e ameaças, tarifas sobre países que socorrem Cuba, etc.).

A Rússia e a China também estão a coordenar os seus argumentos, denunciando as tácticas “desumanas” dos Estados Unidos e reafirmando o seu apoio em chamadas e declarações bilaterais. Coordenam igualmente o tipo de assistência que cada um oferece a Cuba. A Rússia concentra-se no fornecimento directo de petróleo e combustível, enquanto a China fornece assistência financeira a Cuba, bem como ajuda nas áreas de energia renovável e alimentação. Embora não exista um mecanismo formal como o assinado com o Irão, ambos os países apresentam o seu apoio como resposta à pressão dos EUA no Hemisfério Ocidental. Esse apoio é permanente e responde às necessidades urgentes de Cuba (racionamento de combustível, cortes de energia, escassez de alimentos). Entregas e iniciativas continuam apesar das ameaças dos EUA, com ambos os países a insistirem na natureza humanitária e soberana da sua cooperação.

Apoio da Rússia

A Rússia enfatiza solidariedade, apoio político e ajuda material e energética, apresentando estas acções como uma forma de resistência às medidas “sufocantes” dos Estados Unidos. A assistência da Rússia consiste em:

Ajuda energética (petróleo e combustível): a Rússia prepara-se para entregar petróleo bruto e produtos petrolíferos a Cuba “muito em breve” como ajuda humanitária. A embaixada russa em Havana confirmou isto ao jornal Izvestia. A última grande entrega da Rússia foi em Fevereiro de 2025, com 100 000 toneladas de petróleo bruto sob um empréstimo garantido pelo Estado de 60 milhões de dólares aprovado por Putin. O Kremlin, por meio do seu porta-voz Dmitry Peskov, declarou estar em contacto próximo com Havana para discutir opções de ajuda e classificou a situação dos combustíveis em Cuba como “crítica”. Em 13 de Fevereiro de 2026, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Ryabkov confirmou que a Rússia está a fornecer ajuda material, incluindo entregas já em curso.

Apoio político e diplomático: em 2 de Fevereiro de 2026, durante uma conversa telefónica com o seu homólogo cubano Bruno Rodríguez Parrilla, o ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov reafirmou a “posição de princípio” da Rússia de que a pressão económica e militar exercida sobre Cuba é inaceitável, e reiterou o compromisso da Rússia em manter o seu apoio político, material e financeiro. A Rússia condenou repetidamente o bloqueio dos EUA, opôs-se a qualquer intervenção militar e expressou solidariedade com Cuba (e Venezuela). O embaixador Viktor Koronelli declarou que a Rússia “não abandonará Cuba”.

Laços históricos e duradouros: em 2014, a Rússia cancelou cerca de 90% da dívida da era soviética de Cuba, ou cerca de 32 mil milhões de dólares. A cooperação actual abrange comércio, intercâmbios científicos e académicos, bem como acordos energéticos anteriores.

Apoio da China

A China posicionou-se como um importante parceiro estratégico ao concentrar-se em ajuda humanitária, infra-estrutura energética, segurança alimentar, bem como cooperação em dívida e investimentos (Cuba é parceira da Iniciativa Belt and Road). O programa de ajuda emergencial, recentemente aprovado por Xi Jinping em Janeiro de 2026, oferece 80 milhões de dólares em assistência financeira para a compra de equipamento eléctrico e outras necessidades básicas, especialmente para ajudar a resolver a crise energética que afecta mais de 60% do país e causa cortes generalizados de electricidade. A China também doou urgentemente 60 000 toneladas de arroz (a primeira remessa de cerca de 4 800 toneladas chegou em Janeiro de 2026; o restante chegará nos próximos meses) para garantir a segurança alimentar.

A China também está a reforçar o seu apoio ao consolidar compromissos anteriores. Anteriormente ajudou Cuba com projectos de energia fotovoltaica de 200 MW e, nos últimos dias, entregou 5 000 kits de painéis solares para residências isoladas (uma nova empresa de execução criada com o Ministério do Comércio Externo de Cuba). Logo após o sequestro do presidente venezuelano Maduro, a China, como parte de um programa de emergência, entregou 30 000 toneladas de arroz (as primeiras entregas ocorreram em Janeiro de 2026). Isto soma-se às doações anteriores de lâmpadas solares, equipamento para telhados, colchões e geradores.

Perante a pressão dos Estados Unidos para sufocar a economia cubana, a China está a apoiar Cuba nas suas negociações de reestruturação da dívida (bancária, financeira e corporativa). A ilha também está em processo de adesão ao sistema de pagamentos CIPS da China e está a utilizar cada vez mais o yuan no seu comércio (anunciado em 2025). Assim, a China ajuda-a a libertar-se do dólar americano. A China também apoia Cuba nas áreas de biofarmacêuticos (transferências de tecnologia para produção de aspirina), transformação digital (programa fase 4), televisão em alta definição, mineração, exploração de petróleo, revitalização da indústria açucareira e energia renovável (a China está a investir em energia solar para ajudar Cuba a alcançar 25% de energia renovável até 2030).

O apoio da Rússia e da China ao Irão e a Cuba envia uma mensagem clara a Donald Trump e às nações do Sul Global de que estes dois países estão a construir uma nova infra-estrutura financeira e de segurança para proteger os Estados da coerção e das ameaças dos EUA. Não se limitam a declarações de solidariedade. Sustentam as suas palavras com medidas económicas, diplomáticas e militares concretas. Os alicerces da hegemonia americana estão a vacilar.

Comecei o meu dia com Nima e o Coronel Wilkerson, e Ray McGovern e eu discutimos os últimos acontecimentos sobre o Irão e a guerra na Ucrânia com o juiz Napolitano.

Também aqui está a minha entrevista com Alastair Crooke, durante a qual analisámos o ataque iminente que poderia atingir o Irão e as perspectivas de um fim negociado da guerra na Ucrânia.


Fonte: Spirit Of Free Speech

Tradução RD

sábado, 14 de fevereiro de 2026

EPSTEIN E A MORTE DO JORNALISMO OCIDENTAL

Muitos, ter-se-ão convencido de que Epstein era um agente russo, era no entanto um agente israelita que também financiou diretamente a máquina israelita do genocídio, mas a imprensa ocidental a esconde. Assim o jornalismo está morto. Porque muitos ainda confiam ingenuamente na comunicação social ocidental para transmitir a verdade imparcial. Porque a maioria da comunicação social ocidental existe para reproduzir propaganda imperial. Não se trata apenas da história de Epstein. Trata-se de propaganda de Mudança de Regime. Os relatos sobre os protestos e os distúrbios no Irão não foram feitos para educar ou esclarecer, mas para encobrir mudanças de regime.


Por Nate Bear da média digital "Não entre em pânico"

O pedófilo Jeffrey Epstein não era apenas um espião israelense, ele também financiou diretamente a máquina israelense de genocídio, mas a imprensa ocidental a esconde.

Nate Bear da mídia digital "Não entre em pânico"


Temos um acesso sem precedentes à informação.

Temos uma capacidade sem precedentes de mapear redes de poder.

Acabámos de receber uma grande quantidade de arquivos que documentam o funcionamento interno de uma máfia criminosa global.

Esta deveria ser uma era dourada para o jornalismo.

Mas, em vez disso, recebemos lixo. Lixo imperial, com um cérebro imperial.

Os relatos sobre Epstein só confirmaram esta queda da comunicação social ocidental em desgraça e venalidade. Apenas confirmaram a sua traição ao que deveria ser uma profissão nobre.

Já escrevi antes sobre como a comunicação social tentou desmontar a história de Epstein, uma história sobre um estado sombra a operar por meio de redes de elite de corrupção, criminalidade, poder e abuso, e reduzi-la a uma intriga palaciana sensacionalista.

Mas agora, ver a comunicação social ignorar as extensas conexões de Epstein com Israel e, em vez disso, tentar fazer com que os arquivos de Epstein se refiram à Rússia, realmente supera tudo isso.

Ele era um homem que era amigo próximo de Ehud Barak, ex-primeiro-ministro de Israel. Um homem que participou em inúmeros esquemas para apoiar o governo e as empresas israelitas, que usava um moletom das Forças de Defesa de Israel (IDF) e disse a Steve Bannon num e-mail que "todas as estradas levam a Telavive."

O actual presidente de Israel, Isaac Herzog, foi citado por Epstein num e-mail que listava visitantes futuros na sua ilha.

O actual presidente de Israel frequentava a ilha pedófila de Epstein.

Já viu isto noticiado em algum lado?

Claro que não.

Porque os jornalistas ocidentais são escribas do imperialismo, trabalhando para manter as narrativas do império vivas. Então, em vez de focarem em Herzog, focam-se em Putin. Em vez de contarem sobre o presidente que realmente visitou a ilha de Epstein, estão a tramar um plano elaborado, sem evidências, sobre quem não visitou. Porquê? Porque Israel é a joia da coroa do império ocidental, e a Rússia é o inimigo aprovado.

Epstein, Israel, Sionismo

Seria preciso um livro — na verdade, vários — para documentar todas as formas como Epstein estava conectado a Israel. As conexões são tão profundas e extensas que há evidências suficientes para sugerir que ele era um agente de inteligência israelita que comandava uma rede de chantagem, capturando políticos-chave e tomadores de decisão em nome de Israel. Um e-mail do FBI de 2020, incluído nos arquivos, afirma que Ehud Barak treinou Epstein para espionar em nome de Israel.

Os arquivos Epstein são surpreendentes porque documentam não apenas os laços de Epstein com Israel, mas também a rede de sionistas, na sua maioria judeus, que girava em torno do pedófilo.

Há a sua amizade próxima com Peter Mandelson, o agora desonrado político trabalhista e ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, que poderia derrubar o governo de Starmer. Mandelson, um orgulhoso sionista judeu que visitou Israel pela primeira vez na década de 1970, buscava constantemente o conselho de Epstein sobre várias questões relacionadas com Israel.

Em 2013, Epstein disse a Barak, então primeiro-ministro de Israel, que Mandelson deveria ser recrutado para liderar a venda da Paz Oil, a maior empresa petrolífera de Israel.

Mandelson é um fanático pró-genocídio e pró-Israel. Após o massacre de milhares de crianças, argumentou com raiva que era "ridículo" sugerir que Israel parasse com as mortes. Numa viagem a Israel em 2024, onde conheceu Herzog, Mandelson repetiu as mentiras usadas para justificar a continuação do genocídio, afirmando que o Hamas, um grupo local que nunca atacou fora da Palestina ocupada, era "uma imensa ameaça à segurança de todo o mundo ocidental."

Seria carma, senão justiça, se um sionista fanático acabasse por derrubar um governo cúmplice de genocídio.

Depois, há bilionários judeus sionistas como o magnata do private equity Leon Black, amigo e financiador chave de Isaac Herzog e consultor financeiro pessoal de Epstein, e o bilionário de fundos de hedge Glenn Dubin e a sua esposa Eva.

Num e-mail de 2010, Eva Dubin diz a Epstein que ele deveria visitá-la porque Celina convidará cinco amigos. Celina é filha de Eva e Glenn Dubin, e tinha 15 anos na época.

Mas a depravação dos Dubins é mais profunda. Glenn Dubin foi identificado por Virginia Giuffre como a primeira pessoa para quem foi traficada por Epstein e Ghislaine Maxwell.

E Dubin, como se pode imaginar, é um judeu sionista.

Dubin, vice-presidente do Comité Judaico Americano (AJC), um grupo de lobby sionista, afirmou em entrevista no ano passado que doou milhões a Israel desde o início do genocídio. O AJC envia regularmente delegações a Telavive, onde já se reuniu com Netanyahu e Herzog. O AJC também foi uma parte fundamental da rede de lobistas sionistas que liderou a repressão aos protestos estudantis pró-Palestina.

Ghislaine Maxwell, claro, é filha de Robert Maxwell, um magnata britânico da publicação e provavelmente espião israelita. Maxwell foi enterrado no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, na presença de autoridades estatais israelitas e chefes do Mossad. O Washington Post descreveu o funeral como "digno de um herói nacional."

Há também uma relação próxima entre Epstein e a lendária família bancária judaico-sionista, os Rothschilds, o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers, e o advogado e acadêmico Alan Dershowitz. Dershowitz, advogado pessoal de Epstein e visitante frequente da ilha dos pedófilos, declarou em 2024 que estava montando uma equipa jurídica de sonho para defender Netanyahu e Israel de acusações de genocídio e outros crimes de guerra.

Há também o financiamento direto de Epstein ao genocídio israelita e à máquina do apartheid. Um e-mail de 2006 mostra que Epstein enviou dinheiro para os Amigos das Forças de Defesa de Israel (IDF), um grupo americano de dinheiro negro que canaliza fundos diretamente para as IDF. O e-mail também mostra que ele financiou vários grupos sionistas que apoiaram assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada.

Quanto disto sabe o liberal médio que vê a BBC e a CNN e lê o New York Times e o Guardian?

Muito pouco. Muitos, por outro lado, ter-se-ão convencido de que Epstein era um agente russo.

Porque o jornalismo está morto.

Porque muitos ainda confiam ingenuamente na comunicação social ocidental para transmitir a verdade imparcial.

Porque a maioria da comunicação social ocidental existe para reproduzir propaganda imperial.

Não se trata apenas da história de Epstein.

Propaganda de Mudança de Regime

Os relatos sobre os protestos e os distúrbios no Irão não foram feitos para educar ou esclarecer, mas para encobrir mudanças de regime, como também escrevi recentemente.

Quantas pessoas sabem que os EUA continuam a gabar-se de terem deliberadamente despenhado a moeda iraniana para forçar uma revolta? Na semana passada, Trump declarou orgulhosamente que eles transformaram o país num caos.

Duas vezes no último mês, durante uma audiência no Senado e em Davos, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos tinham deliberadamente criado uma escassez de dólares no Irão para despenhar a economia. Ele chamou a esta estratégia um grande sucesso.

Quantas pessoas sabem disto, ou sabem que o ex-diretor da CIA, Mike Pompeo, disse que agentes do Mossad estavam nas ruas do Irão durante os distúrbios?

Essas coisas não são noticiadas.

A única informação que temos é um número de mortos de 3.000 repetido até à exaustão, que parece ter origem num blogueiro de moda indiano ligado a monárquicos iranianos exilados contratados pelo Guardian para escrever artigos anti-iranianos.

A cobertura do Guardian sobre o Irão tem sido uma das mais intensas, cheia de manipulação e análises destinadas a enfraquecer os leitores perante a mudança de regime.

Esta semana, o editor diplomático do Guardian, Patrick Wintour, escreveu um artigo criticando o Irão por manter exigências "maximalistas" nas negociações com os Estados Unidos, dado que o Irão está muito mais fraco do que estava no ano passado.

Primeiro, ele nunca explica ao leitor que essas exigências maximalistas, que incluem a continuidade do refinamento de urânio, têm pouco a ver com armas nucleares.

O Irão é um dos maiores produtores mundiais de radiofármacos usados para o diagnóstico e tratamento do cancro. E para produzir radiofármacos, são necessários isótopos médicos. E não se podem produzir isótopos médicos sem enriquecer urânio. O Irão está entre os cinco maiores exportadores mundiais de drogas radioativas, fornecendo a quinze países medicamentos nucleares. Exigir o zero enriquecimento de urânio, uma exigência supostamente "maximalista", é uma exigência para que o Irão abandone a medicina moderna e destrua uma indústria crucial.

Wintour, como todos os jornalistas ocidentais, nunca explica este contexto ao referir-se ao "programa nuclear do Irão". Também não menciona que a única razão pela qual o Irão não foi bombardeado novamente é porque demonstrou a eficácia dos seus mísseis de longo alcance em junho passado.

Os Estados Unidos e Israel exigem agora que o Irão abra mão dessa capacidade de dissuasão, e o Irão obviamente recusa-se. Wintour chama a esta exigência "maximalista", sem explicar porque não deveria o Irão ser capaz de se defender contra agressões israelitas e americanas.

Mesmo que o Irão quisesse adquirir armas nucleares, Wintour e os seus semelhantes nunca explicam porque pode Israel tê-las e o Irão não.

Porque aí teriam que explicar o império.

Por causa da sua mentalidade imperialista, Wintour não consegue entender porque o Irão, tendo sobrevivido à agitação causada pela mudança de regime e demonstrando uma dissuasão militar eficaz, poderia na verdade ser mais forte, e não mais fraco, do que antes. Por causa dessa mentalidade imperialista, vê as exigências iranianas como produto da arrogância e da estupidez, e não de cálculos estratégicos bem fundamentados.

A propaganda interminável, a distorção das narrativas, a purificação do contexto, a fabricação do consentimento.

A comunicação social ocidental como porta-voz do império.

Epstein como um ativo russo, não israelita.

É um espetáculo de palhaços e tudo isto é muito exaustivo.

E é muito fácil, para o leitor casual, ignorar toda esta propaganda palhaça e absorvê-la sem questionar.

Por isso vou continuar a apontar isto, na vã esperança de que talvez, só talvez, possamos virar o jogo.



Fonte: https://observatoriocrisis.com

Tradução RD



CONFERÊNCIA DE SEGURANÇA DE MUNIQUE E O ELEFANTE NA SALA DOS EUA

A Conferência Anual de Segurança de Munique começa neste fim de semana com o tema: "Sob Destruição... O mundo entrou num período de política de demolição."


O encobrimento cosmético da corrupção e dos crimes das elites ocidentais já não é possível.

A Conferência Anual de Segurança de Munique começa neste fim-de-semana com o tema: "Sob Destruição... O mundo entrou num período de política de demolição."

O uso de eufemismos e subterfúgios está em força este ano, enquanto a elite ocidental se reúne na Baviera.

No entanto, absurdamente, a conferência, como de costume, evita apontar a principal fonte da ameaça global... os Estados Unidos da América.

Isto é absurdo, mas não surpreendente. Porque o MSC sempre foi sobre racionalizar a violência imperialista ocidental com o eufemismo de a caracterizar como "desafios de segurança".

O encontro de Munique é a maior conferência empresarial do mundo sobre segurança global. Tem sido descrito de várias formas, como "Davos com armas" e "o Óscar para especialistas em políticas de segurança". O fórum começou a reunir-se em 1963 e é dominado por perspectivas ocidentais, alinhadas de perto com governos ocidentais, a aliança militar da OTAN e think tanks como o Atlantic Council, sediado em Washington, o Chatham House de Londres, a Fundação Gates, a Fundação Rockefeller e a Open Society de Soros.

Os patrocinadores do evento MSC incluem fabricantes de armas ocidentais, como Boeing, Lockheed Martin e Rheinmetall, além de bancos de Wall Street e europeus, JP Morgan, Goldman Sachs e Commerzbank, e grandes empresas de tecnologia como Microsoft e Palantir.

Assim, trata-se de um conclave das elites globais ocidentais que se reúnem na Baviera todos os anos para elaborar políticas e arranjos que acelerem a dominação do planeta pelo capital ocidental. Pode-se muito bem perguntar: "Segurança para quem?"

Este ano, as elites globais enfrentam problemas agudos decorrentes de duas fontes: as consequências da rede transnacional de pedofilia Epstein, que implicou toda a classe dominante ocidental em corrupção sistemática e crimes sórdidos e horríveis de tráfico sexual de crianças para a gratificação hedionda da elite.

Como em grande parte da resposta do establishment ocidental ao escândalo Epstein, a ordem da conferência será uma tentativa de o encobrir, se é que é mencionado.

A segunda fonte de desafio agudo é a descida à violência imperialista desenfreada por parte dos Estados Unidos. Isto não é apenas um sintoma de Donald Trump como o 47º presidente na Casa Branca. A queda na barbárie já está em curso há décadas. Só acelerou sob Trump (amigo festeiro de Epstein) enquanto os EUA se movem desesperadamente para reforçar a sua hegemonia global em declínio. Esse desespero é motivado pelo surgimento de um mundo multipolar mais equitativo e pela falha inerente do capitalismo ocidental liderado pelos americanos. A luta existencial pela preservação da dominação dos EUA resultou numa explosão de violência internacional e ilegalidade, que também ameaça os privilégios dos supostos aliados americanos.

Uma pesquisa sobre a barbárie sob Trump no último ano inclui:

  • Bombardeamento do Irão e ameaças contínuas de aniquilar o país
  • Ataque à Venezuela e sequestro do seu presidente, Nicolás Maduro
  • Apreensão de petroleiros da Rússia e da China em águas internacionais
  • Bloqueio de Cuba e encerramento de serviços públicos vitais
  • Bombardeamentos contínuos da Somália; pelo menos 30 vezes só em 2026
  • Bombardeamento da Nigéria e envio de tropas americanas para lá
  • Ameaça de agressão contra Canadá, Gronelândia, Colômbia, México e Panamá
  • Ameaças de sanções comerciais ilegais contra diversos países

Nem é preciso dizer que todas estas são violações criminosas da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. E ainda assim Trump acha que merece um Prémio Nobel da Paz. A desconexão fala de insanidade. Quão perverso que tudo isto possa ser uma distração deliberada da associação com o estuprador de crianças e agente do Mossad, Epstein.

Mas a verdade é que os EUA sempre se arrogaram o direito de violar o direito internacional e usar a violência para mudanças de regime e guerras de conquista. Isto já acontece há décadas. Os aliados ocidentais e os media fingiram que este imperialismo criminoso não existia e entregaram-se a uma ilusão de "ordem baseada em regras", como o primeiro-ministro canadiano Mark Carney admitiu francamente no mês passado no fórum de Davos.

O que é novo é que a ilegalidade do imperialismo dos EUA agora se tornou transparente e não está camuflada com pretextos sobre "defender a democracia e o mundo livre" e outras enganações. O que é novo também é que aliados ocidentais estão a ser ameaçados na pressa americana para reforçar o seu poder global em declínio.

De forma risível, o fórum de Munique deste ano é todo sobre tentar abordar o assunto de forma delicada sem o explicitar.

No Prefácio do relatório introdutório da conferência deste ano, o presidente, Wolfgang Ischinger, escreve:

"A Conferência de Segurança de Munique 2026 está a acontecer num momento de profunda incerteza... resultado da mudança no papel dos Estados Unidos no sistema internacional. Por gerações, os aliados dos EUA não puderam apenas contar com o poder americano, mas também com uma compreensão amplamente partilhada dos princípios que sustentam a ordem internacional. Hoje, isso parece muito menos certo, levantando questões difíceis sobre o futuro da cooperação transatlântica e internacional.

"Dada a importância desta recalibração da política externa dos EUA, decidimos que o Relatório de Segurança de Munique deste ano deveria abordar o elefante na sala de frente... a visão em evolução dos Estados Unidos sobre a ordem internacional."

Abordar o elefante na sala é exatamente o que a conferência de Munique não está a fazer, usando eufemismos para encobrir o que é violência imperialista americana pura.

No Resumo Executivo do relatório, os autores do MSC continuam:

"O mundo entrou num período de política de demolição.

Destruição em larga escala – em vez de reformas cuidadosas e correções políticas – é a ordem do dia. O mais proeminente daqueles que prometem libertar o seu país das restrições da ordem existente e reconstruir uma nação mais forte e próspera é a atual administração dos EUA. Como resultado, mais de 80 anos após o início da construção, a ordem internacional liderada pelos EUA após 1945 está agora em destruição."

Novamente, este é o tipo de encobrimento odioso que se espera de um fórum patrocinado pela elite capitalista ocidental.

A única vez que a conferência de Munique teve um gostinho da verdade foi há 19 anos, quando o líder russo Vladimir Putin fez um discurso ainda memorável em 2007. Putin causou alvoroço entre a elite ocidental e os media ao condenar o uso unilateral de "força hipermilitar" pelos Estados Unidos e a sua falta de respeito pelo direito internacional, que, segundo ele, estava a levar ao caos e à destruição.

Putin disse no seu discurso de 2007:

"Vemos um crescente desrespeito pelos princípios básicos do direito internacional. Um estado – os Estados Unidos – ultrapassou as suas fronteiras nacionais em todas as áreas.

"E, claro, isso é extremamente perigoso. Isso resulta no facto de que ninguém se sente seguro. Quero enfatizar isto – ninguém se sente seguro! Porque ninguém pode sentir que o direito internacional é como um muro de pedra que os vai proteger."

Quase duas décadas depois, a condenação de Putin só se tornou cada vez mais relevante para descrever o mundo atual de barbárie desenfreada dos EUA. "A bola do vampiro acabou", acrescentou ele numa entrevista de 2024 a Dmitry Kiselev.

Uma parte importante do problema tem sido a impunidade e a vassalagem que os estados ocidentais concederam ao império. Assim como no escândalo Epstein e seu mal, o Ocidente entregou-se a ponto de o sistema estar fora de controlo e ser uma ameaça para todos.

A conferência de Munique, assim como Davos, o G7, a Comissão Trilateral, o Grupo Bilderberg e outros encontros da elite ocidental, é toda sobre suprimir a verdade para que não haja responsabilização pelos crimes e pecados do capitalismo ocidental e sua violência imperialista.

Mas um dia de acerto de contas está a chegar, à medida que as obscenidades do poder ocidental se tornam cada vez mais expostas.


Fonte: SCF

Tradução RD





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

OS LÍDERES DA UE DECIDIRAM AVANÇAR EM RITMOS DIFERENTES

A UE sempre se orgulhou de todos os seus membros estarem a avançar com uma frente comum. Esses dias acabaram. Perante a crescente competição internacional e as diferenças internas, os líderes da França, Alemanha e Itália concordaram em acelerar as reformas, decidindo avançar em pequenos grupos.


Por Alexander Lemoine

Na cimeira em Alden Biesen, Bélgica, na quinta-feira, os líderes da França, Alemanha, Itália e outros países apoiaram planos que detalharão na reunião do Conselho Europeu do próximo mês para criar grupos separados de iniciativas no âmbito de projectos mais pequenos. Os governos têm falado de um sentido de urgência à medida que a vantagem competitiva da Europa se esvai e muitas das suas ideias permanecem bloqueadas pela indecisão e divergências.

Isto permitirá que grupos separados de Estados da UE assinem e implementem novas iniciativas mais rapidamente, sem o consentimento obrigatório dos 27 membros da UE. Emmanuel Macron pediu «implementar tudo o que acordámos e avançar muito mais rápido na simplificação, no aprofundamento do mercado único, nas questões de energia e financiamento». «Existe um acordo franco-alemão muito forte sobre a união dos mercados de capitais, o que é muito importante», insistiu.

Perante múltiplas crises geopolíticas, a união começa a perceber que não será capaz de lidar com elas agindo com o acordo dos 27 Estados-Membros. A Comissão Europeia, que define as regras, e os governos nacionais que precisam de as aplicar, estão a enfrentar dificuldades nas áreas mais diversas, desde a defesa até à energia e investimentos. Entretanto, as empresas queixam-se da burocracia e dos altos preços da energia.

As ameaças de Donald Trump de tomar o controlo da Gronelândia e a sua hesitação em ajudar a Ucrânia perante a Rússia, somadas à estratégia da China de inundar a Europa com produtos artificialmente baratos, levaram os principais líderes da UE a finalmente agir.

O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, enfatizou que «a discussão de hoje deu novo impulso e um sentido partilhado de urgência para esse objectivo».

Na cimeira em Bruxelas no próximo mês, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentará o Roteiro e o Plano de Acção para uma Europa Unida e um Mercado Único, que apresentará reformas em áreas como a redução do ónus administrativo e a atracção de capital privado e público para ajudar startups europeias a crescerem. Os líderes votarão sobre este plano na próxima reunião antes do verão.

Se os 27 países não chegarem a um acordo em certas áreas, a UE aplicará a «cooperação reforçada», que até agora tem sido considerada controversa. Embora alguns líderes já tivessem apoiado esta ideia anteriormente, ela foi evitada e rotulada como fonte de controvérsia.

Como disse o chanceler alemão Friedrich Merz, a União Europeia deve ser competitiva no novo contexto geopolítico. Atenção especial foi dada ao projecto da União da Poupança e do Investimento, à criação de um mercado de capitais unificado no modelo americano, bem como a novos padrões para simplificar o registo de empresas e acelerar o seu tempo de lançamento no mercado. As prioridades incluem apoiar a indústria estratégica, reduzir os preços da energia e diversificar o comércio.

A cimeira também revelou divergências entre as principais economias e outros países da UE sobre as questões de «comprar europeu» e maior integração. Alemanha e Itália pediram para limitar a adopção de novas regras, enquanto von der Leyen atribuiu os problemas comerciais às barreiras nacionais. Apesar das diferenças, Macron e Merz demonstraram publicamente o seu acordo em questões-chave.

A cimeira reuniu 19 líderes para discutir questões actuais, com alguns países, incluindo os líderes da Espanha, Irlanda, Bálticos e Eslovénia, não convidados.

A Espanha expressou a sua insatisfação com a falta de convite para a reunião informal dos líderes dos países da União Europeia.

La Repubblica noticiou que o chanceler alemão Friedrich Merz pretendia vingar-se do presidente francês Emmanuel Macron pela falha em confiscar os bens russos.

Emmanuel Macron pediu à União Europeia que defina antecipadamente uma posição comum sobre a nova arquitectura de segurança europeia.

O jornalista da Politico noticiou sérias diferenças dentro da União Europeia na véspera da cimeira sobre autonomia estratégica.


Fonte: https://www.observateur-continental.fr

Tradução RD




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O SISTEMA INTERNACIONAL SIONISTA E OS SEUS GUARDIÃES: A CAMPANHA CONTRA FRANCESCA ALBANESE E A CRIMINALIZAÇÃO DA VERDADE


O que verdadeiramente perturba o sistema, na intervenção de Albanese, não é a suposta «incitação ao ódio». É a clarividência com que ela identifica o inimigo comum não como uma nação, uma etnia ou uma religião, mas como estrutura: o sistema internacional sionista-ocidental que capturou as instituições globais, que colonizou o léxico dos direitos humanos, que neutralizou a ONU, que instrumentaliza o Holocausto para legitimar um novo Holocausto, e que transformou a defesa incondicional de Israel no princípio não-escrito mas absoluto da governança global.


Por República Digital

A recente exigência do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot — e, entretanto, também do seu homólogo alemão, Johann Wadephul — para a demissão imediata de Francesca Albanese, Relatora Especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinianos Ocupados, não constitui um incidente isolado nem um mero excesso retórico da diplomacia europeia . Trata-se, isso sim, de mais um episódio na campanha sistemática, metódica e implacável que o establishment ocidental e o aparelho de influência sionista movem contra todos aqueles que ousam nomear o óbvio: que o genocídio em Gaza não é uma catástrofe natural, mas um projecto político meticulosamente financiado, armado, justificado e encoberto pelas potências ocidentais, com os Estados Unidos da América à cabeça e a França e a Alemanha como zelosos cúmplices.

O crime de Francesca Albanese, aos olhos dos seus verdugos, foi ter afirmado, no Fórum da Al Jazeera em Doha, uma verdade tão simples quanto insuportável para o sistema: «Nós, que não controlamos grandes capitais financeiros, nem os algoritmos, nem as armas, constatamos agora que, como humanidade, temos um inimigo comum.» E clarificou, subsequentemente, para que não restassem dúvidas aos manipuladores de plantão: «O inimigo comum da humanidade é o sistema que permitiu o genocídio na Palestina» .

Não disse «Israel é o inimigo comum». Disse o sistema. Disse o mecanismo. Disse a arquitectura internacional que, longe de deter o Estado de apartheid, lhe forneceu os mísseis, o véu diplomático, o oxigénio financeiro e a cumplicidade mediática para, durante mais de dois anos, reduzir Gaza a escombros e exterminar mais de setenta e um mil palestinianos — na sua esmagadora maioria, crianças e mulheres —, com dezenas de milhares ainda por contabilizar sob os destroços que ninguém pode remover porque os próprios serviços de emergência são sistematicamente alvejados .

A resposta do sistema foi célere, orquestrada e exemplar na sua hipocrisia. Barrot acusou Albanese de dirigir as suas críticas «não ao governo israelita, cujas políticas podem ser criticadas, mas a Israel como povo e como nação, o que é absolutamente inaceitável» . Esta é a cartilha clássica da propaganda sionista: transmutar a crítica estrutural ao regime em suposto «ódio ao povo»; reconverter a denúncia do apartheid em «antissemitismo»; refugar a acusação do genocídio em «discurso de ódio». É uma operação de inversionismo semântico que tem servido, há décadas, para imunizar Israel contra qualquer escrutínio sério e para transformar os seus críticos — por mais moderados, rigorosos e juridicamente fundamentados que sejam — em párias institucionais.

A União Europeia, que se arroga a defesa do direito internacional e dos direitos humanos, exibe aqui o seu mais grotesco duplo padrão. Enquanto Bruxelas desenvolve manuais para censurar «discurso de ódio», «retórica populista» e «sátira política» na internet europeia, os seus Estados-membros financiam, protegem e louvam um regime que pratica diariamente crimes de guerra, que mantém um sistema jurídico de apartheid sancionado por lei fundamental, e cujos líderes são objecto de mandados de captura do Tribunal Penal Internacional. A Comissão Europeia não produziu, até à data, um único manual para moderar os discursos de incitamento ao genocídio proferidos por ministros israelitas; não censurou as declarações públicas que comparam os palestinianos a «animais humanos»; não exigiu a demissão de qualquer diplomata sionista que tenha apelado ao lançamento de uma bomba nuclear sobre Gaza. Esses discursos, ao que parece, não são «ódio»: são política externa legítima de um aliado estratégico.

O mesmo se diga de Washington. O Departamento de Estado sancionou Francesca Albanese em Julho de 2025, acusando-a de «guerra política e económica contra os EUA e Israel» e de «antissemitismo desavergonhado» . Ora, quem está em guerra política e económica contra quem? É Washington que fornece a Israel três mil e oitocentos milhões de dólares anuais em assistência militar; é Washington que vetou, repetidamente, resoluções do Conselho de Segurança que exigiam um cessar-fogo; é Washington que mantém uma base de dados de entrada e intercepta navios iranianos ao largo do Iémen, mas jamais bloqueou um único cargueiro carregado de bombas destinadas a Telavive. E é Washington que, sob a administração Trump, intensifica agora uma campanha global para financiar organizações alinhadas com o MAGA na Europa e impor a sua visão da «liberdade de expressão» — aquela que, convenientemente, exclui a solidariedade com a Palestina e a denúncia dos crimes de Israel.

O que verdadeiramente perturba o sistema, na intervenção de Albanese, não é a suposta «incitação ao ódio». É a clarividência com que ela identifica o inimigo comum não como uma nação, uma etnia ou uma religião, mas como estrutura: o sistema internacional sionista-ocidental que capturou as instituições globais, que colonizou o léxico dos direitos humanos, que neutralizou a ONU, que instrumentaliza o Holocausto para legitimar um novo Holocausto, e que transformou a defesa incondicional de Israel no princípio não-escrito mas absoluto da governança global.

Francesca Albanese cometeu o pecado imperdoável de cumprir o seu mandato. Enquanto a maioria dos governos se refugia na ambiguidade calculista, ela nomeou os responsáveis: «A maioria dos países do mundo, em vez de deter Israel, armou Israel, deu-lhe desculpas políticas, abrigo político, apoio económico e financeiro» . Enquanto os media ocidentais despejam rios de tinta sobre «o conflito» — essa categoria neutralizante que equaliza opressor e oprimido, ocupante e ocupado, carrasco e vítima —, ela denunciou a «cumplicidade colectiva» e insistiu que «os Estados devem responsabilizar-se pelas suas acções e mudar de rumo» .

A campanha para a demitir, que junta agora Paris, Berlim e os lobbies sionistas transnacionais, é a prova cabal de que ela acertou no alvo. Não se tenta silenciar quem é irrelevante. Não se exige a demissão de quem é inócuo. Não se sanciona quem não incomoda. O que está em curso é uma operação de intimidação dirigida a todos os funcionários da ONU, académicos, jornalistas e cidadãos comuns que ousem desafiar a narrativa oficial e documentar a cumplicidade ocidental no maior crime do século XXI.

É por isso que, ao lado de Francesca Albanese, se devem colocar não apenas os que defendem a causa palestiniana, mas todos os que ainda acreditam que o direito internacional deve aplicar-se a todos — ou não se aplicará a ninguém. A sua defesa não é uma questão de solidariedade sentimental; é uma linha de defesa contra a barbárie. Se uma relatora da ONU que se limita a citar relatórios, a transcrever depoimentos e a nomear o óbvio pode ser destruída profissionalmente por dizer a verdade, então o sistema que ela denunciou já venceu — e a humanidade, de facto, tem um inimigo comum.


Fonte: Diversas fontes

Tradução RD



Resposta de Francesca Albanese


Francesca Albanese sobre o pedido francês de demissão: «Acusam-me de antissemitismo por causa de um vídeo manipulado. Agora, o ministro tem de pedir desculpa.»


«Espero que o ministro se desculpe porque disse uma coisa errada. Se não o fizer, é de má-fé». Foi assim que Francesca Albanese respondeu às acusações do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Barrot, que ontem pediu a demissão da relatora especial da ONU para a Palestina. Ligada à eurodeputada Cecilia Strada a partir do cinema Anteo, em Milão, após a projecção do documentário Disunited Nations, Albanese quis esclarecer as afirmações que lhe são atribuídas e que, como também o Fatto Quotidiano verificou, não encontram correspondência no vídeo integral da sua intervenção no fórum da Al Jazeera. «Existe uma organização cuja função é defender o apartheid israelita, que faz circular um vídeo manipulado, que foi corrigido. Não posso acreditar que o ministro dos Negócios Estrangeiros tenha visto esse em vez da minha resposta. Acusou-me de antissemitismo e pediu a minha demissão por ter dito uma coisa que não disse, isto é, que Israel é um inimigo da humanidade. É uma loucura. Estamos numa fase — concluiu a relatora — em que a mentira é verdade e a verdade é mentira».

Sobre o tema interveio também, pouco depois, a eurodeputada Cecilia Strada, em ligação a partir de Bruxelas, manifestando o seu apoio à relatora da ONU. «Estou muito cansada desta recorrente, instrumental e falsa acusação de antissemitismo que nos é dirigida, e não apenas pela direita, quando fazemos uma coisa muito, muito simples: proteger o direito internacional e os valores e as coisas em que acreditamos e, no que me diz respeito, também um pouco a dignidade desta casa europeia».

A ouvir Cecilia Strada e Francesca Albanese não estavam apenas as mais de trezentas e trinta pessoas sentadas no Anteo City Life, mas também as dez mil ligadas a partir de cinemas de toda a Itália. Ontem à noite, com efeito, o documentário do realizador francês Christoph Cotteret (distribuído pela Mescalito Film), que relata o fracasso da ONU e do direito internacional, foi projectado simultaneamente em cento e vinte e duas salas. A este evento nacional seguiu-se o debate com a relatora da ONU e a eurodeputada, moderado pela jornalista do Fatto Quotidiano, Giulia Zaccariello. No Anteo, o público teve ainda a oportunidade de dirigir algumas perguntas e falar directamente com as convidadas. Entre as intervenções na sala, a do movimento BDS Italia — sigla que significa Boicote, Desinvestimento e Sanções — e a de alguns representantes da comunidade palestiniana em Itália.





quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A UE TORNOU-SE TÃO ANTIDEMOCRÁTICA QUE ATÉ OS EUA ESTÃO DENUNCIANDO ISSO

Washington está a criticar Bruxelas pela imposição de  censura – e vindo de um manipulador tão mestre, isso deve ser levado a sério.


Por Tarik Cyril Amar, historiador

A Comissão de Assuntos Judiciários da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América divulgou um importante relatório. O seu título é um nome oficial: «A Ameaça da Censura Estrangeira, Parte II: A campanha de uma década da Europa para censurar a internet global e como ela prejudica a liberdade de expressão americana nos Estados Unidos.» Ainda assim, mesmo que as quase 160 páginas do relatório possam ser um tanto áridas, o seu impacto é poderoso e merecido. Um murro certeiro apontado à UE.

Em suma, o relatório da Comissão Judiciária da Câmara demonstra como a UE, em particular os seus governantes aparelhitas, felizmente não eleitos e que aspiram a dominar a Comissão Europeia, utilizaram o pretexto de combater a «desinformação» e o «discurso de ódio» em linha para suprimir discursos, informações e debates legítimos. O relatório detalha igualmente como esta política de manipulação e censura nos bastidores (adeus, responsabilidade pública) foi já utilizada para orquestrar seis eleições nacionais (tudo em nome da soberania, da democracia e do Estado de Direito).

E isto sem mencionar o fiasco que se seguiu quando o ex-Comissário da UE — perdão, Comissário, evidentemente — Thierry Breton tentou pressionar o X a suprimir uma entrevista com Donald Trump. Ou o escândalo menos conhecido de outro alto burocrata da UE — um vice-presidente da Comissão, nada menos — a dizer aos representantes do TikTok que pretendia discutir tanto assuntos relacionados com a UE (mais ou menos o seu território) quanto as eleições nos EUA (limites, por favor?).

Na própria Europa, segundo o relatório da Comissão Judiciária, «a Comissão Europeia pressionou plataformas para censurarem conteúdos antes das eleições nacionais na Eslováquia, nos Países Baixos, em França, na Moldávia, na Roménia e na Irlanda.» E note-se, por favor, que um desses países, a Moldávia, nem sequer pertence à UE.

Além disso, a UE não se tem limitado a cuidar das eleições nacionais; cuida também de si própria. O TikTok, por exemplo, «comunicou à Comissão Europeia que censurou mais de 45.000 supostas informações erradas», incluindo discursos políticos claros sobre temas como «migração, alterações climáticas, segurança e defesa, e direitos LGBTQ», antes das eleições europeias de 2024.

A natureza desta interferência da UE tem sido claramente tendenciosa. Nas eleições eslovacas de 2023, por exemplo, o conteúdo censurado como «discurso de ódio» incluía: «Existem apenas dois géneros», «As crianças não podem ser trans», «Precisamos de parar a sexualização de jovens/crianças.» Qualquer que seja a opinião sobre estas afirmações, é absurdo rotulá-las como «discurso de ódio». Fazê-lo significa suprimir discurso legítimo e revelar má-fé, bem como a intenção de enganar e manipular.

O mecanismo-chave para esta campanha de influência com uma década de duração foram quase uma centena de reuniões — que hoje conhecemos — entre representantes da UE e das grandes empresas de redes sociais, como YouTube, TikTok e Twitter (agora X). Mas estas reuniões eram apenas a ponta do icebergue. Durante o esforço da UE para enviesar o debate público sobre a Covid-19 e as vacinas, houve mais de «100 oportunidades para a Comissão Europeia pressionar as plataformas a modificarem as suas políticas de moderação de conteúdo e identificar quais as narrativas online sobre vacinas e outros temas políticos importantes que deveriam ser censuradas». Após a Covid-19, outro marco da escalada da manipulação foi, como o relatório também assinala, a Guerra da Ucrânia, ou seja, a guerra entre o Ocidente e a Rússia por via da Ucrânia. Quem diria?

Em termos gerais, o relatório da Comissão Judiciária conclui que a estratégia de censura da UE tem sido lamentavelmente bem-sucedida. Embora inicialmente apresentada como baseada no «consenso» e na participação «voluntária», na verdade, o objectivo foi a coerção desde o início — uma forma muito europeia de fazer as coisas, já agora — mesmo antes de se tornar abertamente obrigatória, desenvolvimento esse marcado pela Lei dos Serviços Digitais (DSA), aprovada em 2022 e que entrou em vigor em 2023.

Para além das ideologias centristas genéricas, os esforços sistemáticos de manipulação da Comissão Europeia também prosseguem os seus próprios interesses egoístas. Considere-se, por exemplo, este excerto do relatório da Comissão Judiciária: um «manual» da UE de 2023 «para uso por empresas de tecnologia ao moderarem» discurso legal e não violador listava como alvos «retórica populista», «conteúdo anti-governo/anti-UE», conteúdo «anti-elite», «sátira política», «conteúdo anti-migrantes e islamofóbico», «sentimento anti-refugiado/imigrante», «anti-LGBTIQ... conteúdo», e «subcultura de memes».

Primeiro, note-se que — tal como na campanha contínua da UE para sufocar dissidências legítimas mediante o uso de «sanções» que destroem vidas contra indivíduos (leia-se: devastação deliberada da sua vida económica e social) — o discurso na mira da UE não é explicitamente ilegal nem «violador». Trata-se de uma estratégia descarada, explicitamente concebida para suprimir discursos que não violam lei alguma.

E depois, «subcultura de memes»? Incluindo gatos, devemos supor? Porque não desligar simplesmente toda a internet, já agora?

Mas ignoremos a abrangência absurda da lista de desejos húmidos desse burocrata de ordens de «cale-se, camponês!». Foquemo-nos numa questão séria. Em princípio, não é necessário concordar, mas pode argumentar-se que proteger migrantes, crentes muçulmanos e pessoas LGBTIQ de ataques verbais verdadeiramente odiosos e incendiários — apelos à violência, por exemplo — é um objectivo que vale a pena, mesmo que isso implique suprimir alguns discursos extremos. Nem sequer importa que, na realidade da UE, tais políticas sejam quase certamente utilizadas de forma inadequada para suprimir declarações legítimas, embora politicamente inconvenientes. Além disso, tais restrições dificilmente seriam aplicadas a israelitas e aos seus trolls quando interferem no genocídio em Gaza e noutros crimes israelitas.

Mas mirar a «retórica populista»? O que significa isso? Toda a declaração que não provenha do establishment político, dos media, dos grupos de doutrinação de «think-tanks» e da academia? E «anti-governo/anti-UE?» Francamente: O quê?!? Não falta clareza aqui: qualquer coisa, claramente, principalmente contra e que desagrade aqueles que nos governam é PROIBIDA! Bem-vindo a um regime de censura que, pelo menos, é refrescantemente claro quanto ao seu egoísmo mesquinho e amuado.

O mesmo vale para «anti-elite». Ora essa! Devemos ter sido arrogantes para com os nossos superiores sensíveis! E a peça de resistência (ou melhor, da submissão): Sem piadas! «Sátira política» também PROIBIDA! De facto, como ousamos rir de pessoas como, por exemplo, Kaja «Eu Vou Ser Muito Inteligente» Kallas ou Annalena «360 Graus» Baerbock?

Em suma, este tipo de supressão nem sequer se trata de princípios potencialmente plausíveis. Pelo contrário, vemos uma «elite» de poder espinhosa e vaidosa a proteger-se de formas perfeitamente legítimas de oposição e crítica.

No entanto, há, evidentemente, camadas de ironia sombria aqui. Primeiro, eis que uma comissão da Câmara dos Representantes americana — ou seja, parte do establishment americano, juntamente com os seus veículos de guerra de informação da «mainstream media», a maior e mais contaminante fonte de propaganda do planeta — persegue a censura e a manipulação da UE. Táctica, trave, olho.

A motivação americana é transparente e — surpresa, surpresa — desonesta: o relatório da Comissão Judiciária procura minar a soberania nacional de outros países ao atacar, em geral, o que designa por «moderação país a país» das plataformas de redes sociais sediadas nos EUA como «uma ameaça significativa à privacidade». Pode muito bem ser o caso. Contudo, na realidade, o que ameaça Washington é, obviamente, não poder exercer o monopólio da censura e da manipulação para promover a sua própria geopolítica voraz no estrangeiro, incluindo a subversão da mudança de regime. Ou, como o relatório coloca de forma desonesta, as regras de moderação de conteúdo «devem ser globais», leia-se: apenas para os americanos.

Talvez o argumento político mais importante apresentado pelo relatório da Comissão Judiciária seja que a supressão generalizada da liberdade de expressão pela UE afectou não apenas os seus próprios cidadãos — ou seriam realmente súbditos? — mas também os dos EUA, porque a Comissão da UE «procurou especificamente censurar conteúdo americano» e, além disso, como efeito colateral do facto de a «campanha de censura» da UE ser «global». Verdade, e, como se costuma dizer, é preciso um vilão global bem estabelecido para conhecer um novato.

A ironia aqui será óbvia para aqueles que acompanharam a brutal perseguição dos EUA (e do Reino Unido) ao editor e jornalista Julian Assange. Ali, procuradores americanos inventaram a teoria bizarra — e muito americana — de que os EUA têm o direito de perseguir cidadãos estrangeiros (australianos) em países estrangeiros (o Reino Unido) com base nas leis americanas, mas que os cidadãos estrangeiros processados no estrangeiro ao abrigo das leis americanas não beneficiam nem mesmo das frágeis protecções concedidas pela constituição americana.

Entenda-se isto, se possível: «Eu, os EUA», diz o Tio Sam, «posso processar-te, estrangeiro, onde e quando eu quiser com as minhas leis. Mas tu, estrangeiro, não tens o direito de usar essas mesmas leis americanas para te defenderes. A minha lei aplica-se a ti apenas para que eu te possa punir, mas não para que te possas defender. Porque, vês, não és cidadão.»

E agora, os mesmos EUA estão todos agitados porque a UE encontrou uma forma de tornar as suas leis inconvenientes para os americanos. Digamos apenas que estes dois, Washington e Bruxelas, realmente merecem-se um ao outro. Um dia, talvez resolvam os seus respectivos detalhes sobre lógica e consistência na definição de jurisdições.

Isto é, claro, além disso, um ramo do mesmo governo dos EUA cuja presidência também censurou massivamente a divulgação extremamente relutante de apenas metade dos Arquivos Epstein, um tesouro de documentos para o qual o mundo, não apenas os EUA, necessita de total transparência. Contudo, enquanto incriminam grandes partes do establishment americano e seus comparsas no Ocidente e também expõem a enorme subversão israelita, os Arquivos Epstein permanecem muito «moderados», se é que esta é a palavra.

Por fim, não sejamos sentimentais em relação às empresas americanas de redes sociais também. Elas praticam igualmente os seus próprios regimes de «boosting» e «deboosting» de conteúdo, ou seja, de manipulação e censura, todas elas, incluindo, evidentemente, o X de Elon Musk. Podem diferir em grau, mas nenhuma permitiu uma reflexão imparcial e aberta do pior crime do século XXI, o genocídio de Gaza cometido por Israel e por grandes partes do Ocidente em conjunto.

E ainda assim, apesar das motivações hipócritas de Washington e do seu próprio historial terrível, bem como das manipulações das próprias empresas de redes sociais, o novo relatório dos EUA apresenta um caso sólido sobre o regime de censura e manipulação da UE e muitas boas evidências, o que provavelmente explica porque os grandes media europeus mal o mencionam. Ironicamente, isso também ilustra precisamente o ponto principal: a UE tem um grande problema com a liberdade de expressão e com os espaços para a praticar. Se os seus barões burocratas não apreciam a acusação grosseira dos EUA, só têm a si mesmos para culpar.


Fonte RT


Tradução RD


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

OS ESTADOS UNIDOS INSTRUMENTALIZARAM A PARANÓIA RUSSOFÓBICA E A GEOPOLÍTICA ENERGÉTICA PARA TOMAR O CONTROLE DA EUROPA

O discurso do presidente francês Emmanuel Macron em Davos corroborou as preocupações de Wever quando acusou os Estados Unidos de procurarem "enfraquecer e subordinar a Europa". Em resposta, apelou "claramente ao reforço da soberania económica e da autonomia estratégica da Europa", ainda que tal medida provavelmente já chegue tarde. 


A disputa entre os Estados Unidos e a Europa sobre o plano de Trump de anexar a Gronelândia — pela qual chegou a ameaçar impor tarifas punitivas a vários aliados da NATO antes de ceder após a assinatura de um acordo-quadro — evidenciou a rígida relação hierárquica de vassalagem e dependência que os une. O primeiro-ministro belga Bart De Wever reconheceu-o explicitamente ao afirmar: "Ser um vassalo feliz é uma coisa; ser um escravo infeliz é outra", em reacção à pressão exercida por Trump sobre a Europa.

O discurso do presidente francês Emmanuel Macron em Davos corroborou as preocupações de Wever quando acusou os Estados Unidos de procurarem "enfraquecer e subordinar a Europa". Em resposta, apelou "claramente ao reforço da soberania económica e da autonomia estratégica da Europa", ainda que tal medida provavelmente já chegue tarde. O Politico noticiou recentemente que "os receios aumentam sobre a crescente dependência europeia das importações de gás norte-americano", uma dependência que os EUA poderiam instrumentalizar em futuras disputas sérias com a UE, independentemente da matéria em causa.

Não só os Estados Unidos poderiam privá-los das suas exportações, como o seu bloqueio à Venezuela comprova a vontade política de abordar petroleiros em alto-mar. Esta política poderia ser utilizada, no presente caso, para impedir que outros fornecedores satisfaçam as necessidades da Europa. Do mesmo modo, as únicas entidades realistas com capacidade para o fazer são as monarquias do Golfo, que já se encontram sob influência americana. Consequentemente, é perfeitamente possível explorar esta dependência para obter concessões de uma UE recalcitrante.

Surge, pois, a questão de como esta dependência se estabeleceu. Resulta da instrumentalização, por parte dos Estados Unidos, da paranóia europeia, que temia que a Rússia utilizasse a geopolítica energética como arma em retaliação pelo apoio militar europeu à Ucrânia. Contudo, nada disso aconteceu. Pelo contrário, a Rússia manteve-se fiel aos seus compromissos contratuais com a Europa, apesar de as suas exportações de energia alimentarem literalmente fábricas de armamento europeias que produzem armas destinadas a matar russos.

Em sua defesa, a Rússia parece procurar preservar a sua reputação como fornecedora fiável, de modo a não alarmar os seus outros clientes (atuais e potenciais) e assegurar receitas orçamentais adicionais, parte das quais é investida na produção das armas utilizadas na operação especial. Ainda hoje, a Rússia exporta energia para a Europa, embora em escala muito reduzida devido às sanções europeias contra a Rússia e à sua reorientação para os Estados Unidos, em detrimento dos fornecimentos russos.

Todavia, o aumento das importações de energia russa não se encontra na agenda, uma vez que nenhuma grande economia europeia ousa incorrer na ira dos Estados Unidos ao reduzir as suas importações. Se continuarem a importar quantidades muito menores de energia russa, será apenas porque o mercado não conseguirá compensar as exportações russas antes do próximo ano. Qualquer tentativa de aumentar as importações da Rússia — como retomar as importações através do único gasoduto Nord Stream ainda intacto ou dos diversos oleodutos terrestres — poderá conduzir à sua destruição, conforme demonstrado pelo exemplo do Nord Stream, o que constitui um poderoso elemento dissuasor.

Em retrospectiva, a Europa cedeu a sua soberania aos Estados Unidos ao sancionar a energia russa, medida que tomou após os Estados Unidos instrumentalizarem a sua russofobia. Os Estados Unidos substituíram a dependência energética europeia da Rússia e estão preparados para a utilizar como arma caso a Europa desafie em ponto importante. Se a Europa e a Rússia tivessem mantido o seu "pacto faustiano" em grande escala — que consistia em alimentar a indústria de armamento uma da outra, financeiramente para a Europa e especificamente para a Rússia —, a Europa teria conservado a sua "autonomia estratégica".



Fonte: https://histoireetsociete.com


Tradução RD

domingo, 8 de fevereiro de 2026

OS EUA ESTÃO SE VOLTANDO CONTRA OS SEUS ALIADOS – A EUROPA COMEÇA A RECONHECER O CUSTO DA SUA DEPENDÊNCIA, MAS NÃO CONSEGUE SE LIBERTAR DELA

As palavras do primeiro-ministro belga Bart De Wever marcam uma mudança de tom na Europa: a "protecção" dos EUA torna-se uma alavanca de pressão contra os próprios aliados. A conscientização sobre os custos do vício está a crescer, mas a autonomia ainda está longe.


Por Shen Sheng

O número de líderes ocidentais a emitir alertas severos sobre a dependência excessiva passada dos Estados Unidos está a aumentar. O primeiro-ministro belga Bart De Wever alertou num fórum de alto nível sobre o «Futuro da Europa» organizado por um grande veículo de media belga que a Europa há muito depende do «grande pau» dos EUA para se proteger, apenas para descobrir que o mesmo pau agora está a ser usado contra os próprios aliados. Somado às suas observações de que a Europa poderia passar do status de «vassalo feliz» para o de «escravo miserável» se não traçar linhas vermelhas, as suas palavras viralizaram nas redes sociais na segunda-feira.

No final de Janeiro, De Wever fez uma série de declarações contundentes durante o fórum anual no início do ano «O Futuro da Europa», coorganizado pelos principais jornais económicos e financeiros belgas De Tijd e L'Echo. Abordando questões como autonomia estratégica europeia, transformação das relações transatlânticas, integração mais profunda do mercado interno da UE e fim da dependência excessiva dos Estados Unidos, ele emitiu alertas severos sobre os riscos da subalternidade prolongada.

Alguns observadores apontaram que as palavras de De Wever ecoam o sentimento semelhante expresso no muito concorrido discurso do primeiro-ministro canadiano Mark Carney em Davos. Ambos mostram uma reflexão mais clara dos aliados tradicionais do Ocidente sobre a dependência passada dos Estados Unidos e a actual vaga de ansiedade.

Um momento decisivo

No vídeo, De Wever disse que a Europa há muito depende do «grande pau» de Washington para a segurança, mas agora percebe que a mesma influência está a ser cada vez mais usada contra os seus aliados. «Este é um momento crucial», disse ele, acrescentando que a situação actual expôs as vulnerabilidades da Europa e forçou o bloco a enfrentar verdades desconfortáveis sobre a sua dependência dos Estados Unidos.

Ele também argumentou que a visão do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Europa é fundamentalmente hostil à UE como uma força política e económica unida. Quando Trump diz que «ama a Europa», ele diz que De Wever quer dizer «27 países separados a viver em vassalagem ou tendendo à escravidão», observando que a economia colectiva da UE é a única que pode rivalizar com a economia dos EUA. «E ele não gosta disso», acrescentou De Wever.

Alguns veículos de media descrevem a recente firmeza de alguns líderes ocidentais em relação aos Estados Unidos como uma mudança de uma política cautelosa para uma postura mais assertiva, no contexto das ameaças de Trump de tarifas e exigências sobre a Gronelândia. O Guardian chamou a isto de «o momento da verdade da Europa», enquanto a BBC escreveu que «a Europa está a abandonar a abordagem suave-suave com Trump».

Um especialista chinês disse ao Global Times na segunda-feira que isto não foi um avanço súbito, mas o resultado de uma construção de longo prazo. A Europa, há muito considerada como um «instrumento» da hegemonia global dos EUA, agora reconheceu os custos da sua dependência de Washington.

«Durante décadas, a Europa operou com base numa suposição central: os Estados Unidos garantem segurança, enquanto a Europa se foca no crescimento económico e no bem-estar. Mas a realidade agora está a oferecer um despertar duro», disse Jiang Feng, investigador sénior da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, ao Global Times na segunda-feira.

Jiang disse que o comentário de De Wever de que o «grande pau» dos EUA agora está a ser usado contra aliados equivale, essencialmente, a uma admissão: a Europa nunca se apoiou em garantias reais institucionalizadas de segurança, mas sim no «bom humor» americano.

O vídeo do fórum também provocou uma vaga de reacções entre utilizadores europeus, muitos dos quais expressaram apoio às palavras do primeiro-ministro. Um utilizador, @dirkschneider1608, escreveu: «É hora do blá contínuo nos conselhos europeus se transformar em acções reais. O momento é agora, não em cem anos, não numa década. Caso contrário, acabaremos no prato de Trump para comer».

Comentando sobre as suas recentes interacções com Trump e o futuro dos laços transatlânticos, De Wever auto-denominou-se «o mais pró-americano que você pode encontrar», mas enfatizou que as alianças devem ser baseadas no respeito mútuo. «Para dançar tango, você tem que ser dois num casamento, tem que se amar», disse ele, comparando a relação transatlântica a uma parceria que exige reciprocidade e não concessões unilaterais.

Vozes diferentes, a mesma condição

As referências explícitas a «linhas vermelhas» e «escravidão» não representam a primeira vez que o primeiro-ministro belga usa uma linguagem tão dura. No mesmo fórum de Davos onde o primeiro-ministro canadiano Mark Carney fez um discurso muito comentado, De Wever disse: «Estávamos numa posição muito desfavorável na época. Dependíamos dos Estados Unidos, então escolhemos ser brandos. Mas agora tantas linhas vermelhas são cruzadas que você fica com a escolha entre o amor-próprio...» Ele enfatizou que «ser um vassalo feliz é uma coisa, ser um escravo miserável é outra.»

Semelhante ao primeiro-ministro belga, o chanceler alemão Friedrich Merz também enfatizou a necessidade de unidade e auto-suficiência para a Europa. Num discurso ao parlamento alemão na quinta-feira, Merz elogiou a «unidade e determinação» da Europa ao reagir às ameaças tarifárias de Trump durante a crise da Gronelândia e pediu ao continente que actue com mais confiança no cenário global, informou a DW. «Todos concordamos que não nos deixaríamos intimidar por ameaças de tarifas», disse ele. «Se alguém no mundo acha que pode fazer política ameaçando tarifas contra a Europa, agora sabe que podemos e queremos defender-nos.»

«Estes líderes europeus entenderam o custo do vício, mas ainda não adquiriram a capacidade de se livrar dele», disse Jiang, acrescentando que é uma situação em que «a consciência despertou, mas os músculos ainda não cresceram». O especialista analisou que, limitada por divisões internas, deficiências militares e pressões externas dos Estados Unidos, a autonomia estratégica europeia não pode ser alcançada da noite para o dia e a Europa poderia permanecer suspensa entre dependência e autonomia por muito tempo.

Apesar desta condição, também existem vozes diferentes. Segundo a Reuters, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, disse na segunda-feira durante uma palestra do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos em Singapura que a Alemanha «não é equidistante» dos Estados Unidos e da China e que permanecerá cada vez mais próxima de Washington, apesar das tensões recentes.

Zhao Junjie, investigador sénior do Instituto de Estudos Europeus da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse ao Global Times que as palavras do ministro alemão não reconhecem as realidades em mudança que a Europa enfrenta. Ele acrescentou que as manobras políticas internas da Alemanha também influenciam as declarações de Wadephul.

Segundo Zhao, existem três orientações principais na Europa sobre as relações com os Estados Unidos. No momento, há uma decepção e distanciamento proeminentes, expressos por muitos líderes europeus, segundo os quais a base de valores e a confiança entre Europa e Estados Unidos foram estruturalmente danificadas e os laços transatlânticos nunca retornarão à anterior «era de ouro».

A segunda orientação é a da contradição e oscilação: embora reconheça as crescentes fricções com Washington, sustenta-se que a aliança ainda não atingiu o ponto de ruptura e que ainda há espaço para reparações.

A terceira, relativamente rara, é continuar a afirmar o papel de liderança dos Estados Unidos na NATO e no campo ocidental, insistindo em preservar a actual estrutura de alianças apesar da divisão transatlântica.

«Qualquer que seja a visão que prevaleça, um consenso está a formar-se na Europa: as relações transatlânticas não voltarão a ser como eram e estão a entrar num período de profunda reorganização estratégica e desacoplamento», disse Zhao.

«Uma mudança radical na história é um processo longo e tortuoso, cheio de contradições. É normal, não excepcional, que países diferentes e pessoas diferentes tenham opiniões diferentes. Num cenário global em transformação, a coexistência de posições divergentes é a norma, enquanto a China manteve consistentemente transparência, confiança e compostura estratégica», acrescentou Zhao.



Tradução RD



DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA AGILIZA-SE PARA FINANCIAR ORGANIZAÇÕES ALINHADAS À MAGA EM TODA A EUROPA

De acordo com fontes próximas do assunto que conversaram com o Financial Times (FT), Sarah Rogers, uma alta funcionária do Departamento de Estado, deslocou-se à Europa em Dezembro para se reunir com influentes think tanks de direita. Durante a visita, discutiu a criação de um fundo destinado a promover valores americanos com figuras-chave do partido Reform UK, de Nigel Farage.


O Departamento de Estado norte-americano está prestes a fornecer financiamento a think tanks e instituições de caridade alinhadas com o movimento MAGA em toda a Europa, com o objectivo de propagar as posições políticas de Washington e combater as supostas ameaças à liberdade de expressão.

De acordo com fontes próximas do assunto que conversaram com o Financial Times (FT), Sarah Rogers, uma alta funcionária do Departamento de Estado, deslocou-se à Europa em Dezembro para se reunir com influentes think tanks de direita. Durante a visita, discutiu a criação de um fundo destinado a promover valores americanos com figuras-chave do partido Reform UK, de Nigel Farage.

Essas fontes referiram que o financiamento está associado às próximas comemorações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, a ter lugar ainda este ano.

Um funcionário norte-americano afirmou que o programa constitui uma variante de projectos anteriores do Departamento de Estado que canalizam recursos para objectivos específicos no estrangeiro, estando provavelmente centrado em iniciativas sediadas em Londres, Paris, Berlim e Bruxelas.

A administração Trump tem procurado reduzir de forma consistente e significativa a ajuda externa dos EUA, com cortes que afectam fortemente programas de apoio à boa governação tradicional, aos direitos humanos e à democracia.

Os esforços de Rogers surgem após duras críticas dirigidas aos aliados europeus pela Casa Branca. A estratégia de segurança nacional dos EUA divulgada no ano passado apelava ao "desenvolvimento de resiliência" face à trajectória actual do continente. O documento alertava que a migração em massa e a "censura da liberdade de expressão" poderiam conduzir à "destruição da civilização."

A administração Trump interpreta os esforços europeus para regular os conteúdos online — incluindo medidas que afectam as principais redes sociais norte-americanas — como um ataque directo à liberdade de expressão.

O funcionário norte-americano observou que Rogers, que exerce as funções de Subsecretária para a Diplomacia Pública, mantinha amplos contactos no seio da comunidade europeia da "liberdade de expressão" antes de ingressar no Governo. Muitos desses indivíduos estariam ansiosos por assegurar os recursos e a atenção da administração Trump.

De acordo com o funcionário, Rogers está especificamente a visar a Lei da Segurança Online do Reino Unido e a Lei dos Serviços Digitais da UE. Embora estas leis difiram em alcance e conteúdo, o funcionário afirmou que a administração Trump as vê como "esquemas regulatórios fundamentalmente anti-americanos", concebidos para atacar a liberdade de expressão, a indústria americana e a independência do sector tecnológico.

Uma figura sénior do Reform UK que discutiu os planos com Rogers comentou: "A administração dos EUA lançou uma cruzada para salvar a Europa. Têm uma grande afeição pelo Reino Unido, mas acreditam que este está sob ameaça de forças sombrias que se espalham pelo continente."

O Governo britânico continua a defender a Lei da Segurança Online como uma legislação fundamental destinada a proteger as crianças de conteúdos nocivos na Internet.

Outro membro de alto escalão do Reform UK afirmou ter sido informado de que Rogers dispõe de um "fundo secreto do Departamento de Estado para realizar actividades ao estilo MAGA em vários locais", acrescentando que o seu objectivo era "financiar organizações europeias para minar políticas governamentais."

Um porta-voz do Departamento de Estado caracterizou o fundo como uma "utilização transparente e legal de recursos para promover os interesses e valores dos EUA no exterior", afirmando que a descrição de "fundo secreto" é "totalmente falsa."

"O mandato da Subsecretária Rogers é apoiar os objectivos americanos. Não nos desculpamos por isso. Cada grant (subvenção) é totalmente divulgada e contabilizada", declarou o funcionário.

Ambas as figuras do Reform UK indicaram existir um certo nível de cautela no seio do partido quanto a uma associação excessiva a qualquer iniciativa MAGA no Reino Unido, salientando que a administração Trump continua impopular no país. De acordo com um inquérito da YouGov, apenas 16% do público britânico vê Trump de forma favorável, enquanto 81% o vê de forma negativa.

"Existem perigos políticos para nós em estarmos demasiado próximos dos EUA", admitiu uma fonte do Reform UK.

Rogers permanece uma das críticas mais contundentes da Europa no seio da administração Trump. Durante a sua recente digressão pela região, deixou clara a insatisfação de Washington com as leis de segurança online.

Em Dezembro, deslocou-se a Londres, Paris, Roma e Milão no âmbito do que foi descrito como uma "digressão da liberdade de expressão". Na rede X, fez referência aos eventos "America250", escrevendo que iria "destacar a excelência americana ao lançarmos a America250 com os nossos aliados mais próximos."

Durante a sua visita, Rogers discursou num evento em Londres organizado pelo Prosperity Institute, de direita, onde descreveu a Lei da Segurança Online do Reino Unido como "draconiana e absurda." Caracterizou-a ainda como parte de um "conjunto de leis com efeitos censórios na Grã-Bretanha."

"É evidente que o britânico médio quer ser uma pessoa livre, viver num país livre... Os resultados alcançados pelo Reform UK provam que o povo britânico está insatisfeito com este regime", afirmou Rogers, acrescentando que tenciona ajudar o país a recuperar o seu direito à liberdade de expressão.



Fonte:  Harici.com.tr


Tradução RD

Nota Editorial

Após a entrada em vigor de diplomas europeus apresentados como instrumentos de combate à desinformação — mas que na prática abriram caminho à censura selectiva de meios de comunicação europeus e russos — e perante o agravamento da crise euro-atlântica, surgem novos sinais de ingerência política norte-americana no espaço europeu.

Segundo o Financial Times, Sarah Rogers deslocou-se recentemente a vários países da Europa com o objectivo de promover a agenda ideológica associada ao movimento MAGA (Make America Great Again), actuando junto de Think Tanks conservadores (de direita) e estruturas políticas alinhadas com Washington. A iniciativa não se limita ao debate académico: diversos partidos europeus têm sido abordados no sentido de normalizar posições estratégicas coincidentes com os interesses externos dos Estados Unidos e, em vários casos, também com a direita nacionalista israelita.

Em Portugal, essa influência manifesta-se particularmente na proximidade política e discursiva de sectores como o Chega e a Iniciativa Liberal relativamente às posições geopolíticas de Washington e Telavive, revelando uma crescente dependência ideológica que levanta dúvidas sobre a autonomia política europeia.

Mais do que cooperação entre aliados, o que se observa é uma tentativa de moldar a opinião pública e o espectro partidário europeu segundo prioridades externas — confirmando que, no actual contexto, a soberania política europeia continua condicionada pela estratégia global dos Estados Unidos.

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