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quinta-feira, 4 de junho de 2026

JOSÉ EDUARDO ‘AGUAGERAL’

Convém começar pelo essencial: o português chama-se português porque nasceu historicamente em Portugal. Não se trata de uma opinião identitária, nem de uma reivindicação nacionalista; trata-se de um facto histórico elementar.


Por. Aline Hall de Beuvink, Professora associada da Universidade Autónoma de Lisboa e investigadora (do CIDEHUS).

A proposta de José Eduardo Agualusa de mudar o nome da “língua portuguesa” para “língua geral” proporcionou o meu artigo de hoje no DN, assim como outras considerações no vídeo de Segunda-feira do canal de Camilo Lourenço. 
Convido-vos a ler o artigo.


Há polémicas culturais que revelam muito mais do que aparentam à primeira vista. A recente proposta de substituir a designação “Língua Portuguesa” por “Língua Geral”, defendida por José Eduardo Agualusa, é um desses casos. Porque a questão já não é apenas linguística: é profundamente simbólica, ideológica e civilizacional.

Convém começar pelo essencial: o português chama-se português porque nasceu historicamente em Portugal. Não se trata de uma opinião identitária, nem de uma reivindicação nacionalista; trata-se de um facto histórico elementar. Foi em Portugal que esta língua se formou, se consolidou e se projectou globalmente. O facto de hoje pertencer também ao Brasil, a Angola, Moçambique, Cabo Verde ou Timor-Leste não elimina essa origem, tal como o alcance planetário do inglês não obriga ninguém a renomeá-lo para evitar referências à Inglaterra.

Existe actualmente, em certos sectores intelectuais ocidentais, uma tendência preocupante para reinterpretar toda a história através de categorias morais simplistas, divididas entre opressores e oprimidos. Dominantes e dominados. Tiranos e vítimas. Nesse contexto, tudo o que possua raízes históricas europeias parece exigir permanente revisão, desconstrução ou expiação simbólica. A proposta de abandonar a designação “língua portuguesa” inscreve-se claramente nessa lógica de deslegitimação cultural.

O problema é que esta obsessão revisionista raramente produz aproximação entre povos. Pelo contrário: tende a alimentar ressentimentos históricos, fragmentações identitárias e antagonismos artificiais entre comunidades que partilham precisamente uma herança comum. Uma língua internacional não se fortalece apagando a sua história; fortalece-se reconhecendo a complexidade dessa mesma história, incluindo as suas contradições.

Importa, aliás, recordar que a expressão “Língua Geral” não é neutra nem inocente. Historicamente, designava línguas francas de origem indígena utilizadas no Brasil colonial. Recuperar hoje essa designação para substituir “português” não constitui um simples exercício terminológico: representa uma tentativa deliberada de deslocação simbólica da matriz histórica da língua.

Há aqui também uma evidente incoerência intelectual. Durante décadas, foi-nos dito que o Acordo Ortográfico de 1990 era necessário para preservar a unidade da língua portuguesa. Em nome dessa suposta unidade, sacrificaram-se tradições ortográficas, referências etimológicas e especificidades nacionais. Contudo, alguns daqueles que defenderam essa uniformização parecem agora não ver qualquer problema em questionar o próprio nome histórico da língua. Afinal, a unidade era linguística ou ideológica?

Naturalmente, a literatura vive também da provocação. E talvez esta proposta não passe disso mesmo: um gesto literário destinado a gerar debate. Ainda assim, as palavras têm consequências, sobretudo quando partem de figuras públicas com influência cultural significativa. Os escritores possuem liberdade absoluta para questionar heranças históricas, mas têm igualmente responsabilidade intelectual na forma como contribuem (ou não) para a preservação de espaços comuns de entendimento entre povos.

O português não necessita de ser renomeado para se tornar mais plural, mais inclusivo ou mais universal. Já o é. É uma das grandes línguas globais precisamente porque soube atravessar séculos, geografias e culturas sem perder continuidade histórica. Negar essa continuidade não representa progresso intelectual; representa, isso sim, uma forma subtil de amputação cultural.

Defender o nome da Língua Portuguesa não é defender qualquer nostalgia imperial. É apenas recusar a ideia perigosa de que uma civilização deve pedir desculpa permanentes pela sua própria existência histórica.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico


quarta-feira, 3 de junho de 2026

PORTUGAL VENCE VOTAÇÃO PARA REGRESSAR AO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

Portugal tinha como adversários directos a Alemanha e a Áustria numa disputa pelos dois lugares de membros não-permanentes atribuídos à Europa Ocidental. O Conselho de Segurança é o órgão máximo das Nações Unidas


Por Mara Tribuna/Lusa

Portugal foi eleito membro não-permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) com 134 votos a favor. A votação decorreu esta quarta-feira na sede da ONU, em Nova Iorque, e foi acompanhada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

No mesmo ano em que António Guterres termina o segundo mandato de cinco anos como secretário-geral da ONU, Portugal disputava uma das duas vagas atribuídas à Europa Ocidental com a Alemanha e a Áustria, para o biénio 2027-2028. O outro lugar foi conquistado pela Áustria (131 votos). O Conselho de Segurança é um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas.

Paulo Rangel estava confiante quanto às hipóteses de um regresso de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU. Para o ministro, o maior activo português na corrida é a capacidade de se posicionar como “construtor de pontes”. A candidatura já tinha sido lançada em 2013 com o lema “Prevenção, Parceria, Proteção” pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas.

“É a primeira vez que Portugal é eleito à primeira volta. Isto mostra o trabalho que foi feito ao longo destes 13 anos por vários governos, por vários presidentes, mas em especial aquilo que foi feito nestes últimos dois anos, que foram decisivos para a vitória”, disse Paulo Rangel, reagindo à notícia da eleição.

A delegação portuguesa aplaude na Assembleia-Geral da ONU durante a eleição dos membros não-permanentes do Conselho de Segurança - picture alliance.

“Julgo que diz muito sobre o prestígio de Portugal e sobre a forma como é apreciada a nossa política externa. Temos agora dois anos muito, muito desafiantes mas são dois anos em que creio que a diplomacia portuguesa, que fez tudo e mais alguma coisa para que esta vitória fosse obtida e pudesse ser obtida à primeira volta, está também de parabéns. É mais uma grande vitória para a diplomacia portuguesa”, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros, à margem da votação.

O primeiro-ministro Luís Montenegro reagiu a partir de São Bento. “Trata-se de uma grande conquista de Portugal naquele que é o maior palco da política internacional e perante dois oponentes manifestamente fortes. Esta vitória dignifica Portugal e projeta-nos no mundo. Portugal é um país credível e respeitado. Tem no plano internacional uma força muito superior à nossa dimensão económica ou demográfica”, destacou.

O Presidente da República, António José Seguro, também já saudou a eleição de Portugal: “É uma conquista que enaltece todo o povo português. O que somos, a confiança que transmitimos e também o reconhecimento pelo nosso apego a valores universais”, lê-se numa nota publicada pela presidência.

A caminho do quarto mandato

Portugal, membro das Nações Unidas desde 1955, já ocupou o assento de membro não-permanente em três momentos distintos: 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012. Em todas as ocasiões em que concorreu, conseguiu sempre ser eleito. Tal como desta vez. Nos últimos meses, Paulo Rangel intensificou as visitas ao estrangeiro para assegurar votos para a candidatura portuguesa.

No total, foram eleitos cinco novos membros para o Conselho de Segurança, considerado o órgão máximo das Nações Unidas por ter a capacidade de fazer aprovar resoluções com caráter vinculativo: Áustria, Portugal, Trinidade e Tobago, Zimbabué e Quirguistão.

Trinidade e Tobago e Zimbabué concorreram sem oposição às vagas disponíveis para o Grupo da América Latina e das Caraíbas e para o Grupo Africano, respetivamente, enquanto o Quirguistão e as Filipinas concorreram à vaga reservada para o Grupo da Ásia-Pacífico (venceu o Quirguistão).

A votação dos 193 países-membros foi feita de forma secreta, como sempre, durante a sessão plenária da 80.ª Assembleia-Geral, em Nova Iorque.

O Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, com direito de veto — e por 10 membros não-permanentes com mandatos de dois anos.

Todos os anos, a Assembleia-Geral elege cinco membros não-permanentes. As 10 vagas rotativas são distribuídas por blocos regionais para garantir a representação global: África (três assentos), Ásia e Pacífico (dois), América Latina e Caraíbas (dois), Europa Ocidental e Outros Estados (dois) e Europa de Leste (um).

Com a entrada de cinco novos membros não permanentes em Janeiro de 2027, estão de saída em Dezembro próximo a Dinamarca, Grécia, Paquistão, Panamá e Somália (foram eleitos para o biénio 2025–2026 há dois anos). Os restantes cinco — Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Letónia e Libéria — foram eleitos no ano passado para o biénio 2026–2027.










TRUMP E NETANYAHU: AS FISSURAS DE UMA ALIANÇA ESTRATÉGICA

Segundo várias fontes norte-americanas e europeias, Donald Trump terá protagonizado uma conversa telefónica particularmente tensa com Benjamin Netanyahu, na sequência da escalada militar israelita no Líbano.


O alegado telefonema entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu revelou um nível de tensão raramente visto entre Washington e Telavive. Segundo diversas fontes citadas pela imprensa internacional, Trump terá perdido a paciência perante a continuação das operações militares israelitas no Líbano e o risco de estas fazerem fracassar os contactos diplomáticos com o Irão. De acordo com essas informações, o Presidente norte-americano terá gritado a Netanyahu: «Que raio estás a fazer?» ("What the f*** are you doing?") e, num tom ainda mais duro, afirmou: «Estás completamente louco. Estarias na prisão se não fosse por mim. Estou a salvar-te o couro. Agora toda a gente te odeia. Toda a gente odeia Israel por causa disto.» ("You're f****** crazy. You'd be in prison if it weren't for me. I'm saving your ass. Everybody hates you now. Everybody hates Israel because of this.").

Estas declarações que correspondam efectivamente ao conteúdo da conversa, elas representam uma crítica sem precedentes de um Presidente norte-americano a um primeiro-ministro israelita em tempo de guerra. Mais do que uma simples divergência táctica, as palavras atribuídas a Trump reflectem a crescente preocupação com o isolamento internacional de Israel, o impacto humanitário das operações militares e o desgaste político provocado pela estratégia seguida pelo governo de Netanyahu.

O episódio demonstra igualmente que as críticas à actuação do governo israelita já não se limitam aos seus adversários tradicionais. Mesmo entre aliados históricos de Israel surgem vozes que consideram que a escalada militar e o elevado número de vítimas civis estão a provocar danos profundos à imagem internacional do país e a comprometer esforços diplomáticos mais vastos no Médio Oriente


Fonte: Euronews



domingo, 31 de maio de 2026

O ERRO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DE PORTUGAL

É um erro vários responsáveis políticos, militares e antigos candidatos presidenciais portugueses continuarem a defender o reforço da NATO e da ligação transatlântica como eixo central da política externa portuguesa. Em primeiro lugar nas relações de Portugal está a UE depois a América Latina e depois a África nomeadamente a CPLP.


Por Paulo Ramires

O mundo atravessa actualmente uma fase de profunda evolução e transformação geopolítica. A ordem internacional que emergiu após o fim da Guerra Fria, caracterizada pela predominância dos Estados Unidos e por uma lógica unipolar, enfrenta hoje desafios crescentes por parte de potências que defendem um sistema multipolar. Entre essas potências destacam-se a China e a Rússia, que procuram promover uma redistribuição do poder internacional e um maior equilíbrio entre os diferentes centros de decisão global.

Contudo, a contestação à unipolaridade não se limita a estas duas potências. Grande parte do chamado Sul Global tem igualmente manifestado a sua insatisfação perante uma ordem internacional que considera excessivamente dominada pelos interesses ocidentais. Países como o Brasil defendem uma maior autonomia estratégica e um sistema internacional mais representativo da diversidade política, económica e cultural do mundo contemporâneo. Por sua vez, o Irão surge como um dos actores mais determinados na oposição à influência norte-americana, contando para isso com uma crescente cooperação política, económica e militar com a China e a Rússia.

Neste contexto de transformação, a União Europeia procura igualmente redefinir o seu papel no sistema internacional. No entanto, o bloco europeu continua dividido quanto ao caminho a seguir. Por um lado, existem Estados e sectores políticos que defendem uma maior autonomia geoestratégica da Europa, reduzindo a dependência relativamente aos Estados Unidos e reforçando a capacidade europeia de agir de forma independente nos principais dossiers internacionais. Por outro lado, subsistem países que continuam a privilegiar uma forte ligação atlântica, considerando a NATO e a aliança com Washington como pilares fundamentais da sua segurança e estabilidade. Portugal encontra-se tradicionalmente entre os defensores desta última posição.

A situação tornou-se ainda mais complexa com o regresso de Donald Trump à Casa Branca. A actual administração norte-americana tem demonstrado uma visão frequentemente crítica em relação à União Europeia, incentivando relações bilaterais com determinados Estados-membros e contribuindo para acentuar algumas divisões internas do bloco. Paralelamente, os Estados Unidos têm vindo a deslocar progressivamente o centro da sua atenção estratégica para a região da Ásia-Pacífico, onde consideram que se encontram os principais desafios do século XXI. A questão de Taiwan, a competição tecnológica e industrial com a China e o controlo das principais rotas comerciais da região assumem actualmente uma importância prioritária para Washington.

Apesar de vários responsáveis políticos e antigos candidatos presidenciais continuarem a defender o reforço da NATO e da ligação transatlântica como eixo central da política externa portuguesa, importa reflectir sobre a evolução do contexto internacional. Portugal deve, naturalmente, manter relações de cooperação com os seus aliados históricos, mas sem ignorar as mudanças estruturais que estão a ocorrer no sistema internacional.

O espaço geopolítico natural de Portugal encontra-se, antes de mais, na União Europeia, onde se situam os seus principais parceiros económicos e institucionais. Em simultâneo, o país possui uma ligação histórica, cultural e linguística privilegiada com a América Latina e com África, regiões que poderão desempenhar um papel cada vez mais relevante no futuro da economia mundial.

Neste sentido, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve ser encarada não apenas como um espaço de cooperação cultural e linguística, mas também como uma plataforma de integração económica, comercial e estratégica. O aprofundamento das relações económicas, dos investimentos conjuntos e da cooperação em sectores fundamentais poderia transformar a CPLP num instrumento relevante para a projecção internacional de Portugal e dos restantes Estados-membros.

É precisamente nesta perspectiva que a eventual venda da TAP levanta questões de natureza geoestratégica, trata-se claramente de um erro. Para além da sua dimensão empresarial, a companhia aérea constitui um importante instrumento de ligação entre Portugal, a Europa, África e a América do Sul. A perda do controlo nacional sobre um activo desta importância poderá limitar a capacidade do país de desenvolver uma estratégia autónoma de ligação aos espaços onde possui interesses históricos, culturais e económicos. Por essa razão, a discussão sobre o futuro da TAP não deve ser reduzida a critérios meramente financeiros ou ideológicos, mas integrada numa reflexão mais ampla sobre o posicionamento estratégico de Portugal num mundo em rápida transformação. A sua privatização é um erro como foi referido acima.


República Digital

sexta-feira, 29 de maio de 2026

BRITÂNICOS, FRANCESES E ALEMÃES AGORA ESTÃO À PORTA DA RÚSSIA

Britânicos, franceses e alemães agora estão à porta da Rússia. Na realidade, restam apenas três cenários: ou a OTAN finalmente aceita alguma forma das propostas russas; ou a Rússia lança uma guerra preventiva contra a OTAN europeia, apostando na não intervenção directa dos Estados Unidos; ou a Rússia se submete pacificamente ao Ocidente.


Por Andrew Korybko

A ligação telefónica do último fim-de-semana entre os presidentes Emmanuel Macron e Alexander Lukashenko seguiu um alerta do vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitry Medvedev, sobre a ameaça semelhante a 1941 representada pela remilitarização da Alemanha e pelo estabelecimento de uma marinha multinacional para conter a marinha russa. Esses três eventos, juntos, ressaltam até que ponto britânicos, franceses e alemães, rivais tradicionais europeus da Rússia, estão agora à sua porta. As implicações de segurança são consideráveis.

Os britânicos estão a fortalecer a sua influência na Estónia, de onde planeiam liderar a estratégia de contenção da Rússia nas frentes árctica e báltica. Ao mesmo tempo, os alemães abriram uma base de tanques na Lituânia e os franceses acabaram de anunciar exercícios nucleares regulares com a Polónia. Para lembrar, a Estónia faz fronteira com a Rússia continental, enquanto Lituânia e Polónia fazem fronteira com o enclave russo de Kaliningrado e com a Bielorrússia, um aliado de defesa.

A "área Schengen militar" entre Países Baixos, Alemanha e Polónia poderia, portanto, ser em breve estendida à França e aos Estados Bálticos.

Isso maximizaria o fluxo de tropas e equipamentos da Europa Ocidental para as fronteiras da Rússia, confirmando os temores dos formuladores de políticas russos de que a UE esteja a preparar-se para uma possível invasão do país no futuro. Dada a presença francesa na Roménia e o pacto militar com a vizinha Moldávia, que constitui um flanco crítico no conflito ucraniano, isso permite que a França apoie Odessa no cenário da sua ameaça de intervenção convencional. Outros países poderiam juntar-se a eles.

Para piorar a situação do ponto de vista dos interesses de segurança nacional da Rússia, a Alemanha concluiu recentemente um acordo de coprodução de defesa com a Ucrânia, cobrindo ataques profundos, estendendo assim a sua presença militar dentro do que a Rússia considera a sua "esfera de influência".

Como resultado, o Reino Unido está a fortalecer a sua influência nas frentes do Árctico e do Báltico. A Alemanha está a fazer o mesmo nos países bálticos (Lituânia) e na Ucrânia, enquanto a França já está firmemente estabelecida na Polónia, Roménia e Moldávia.

A Alemanha aspira a ser o maior exército europeu na OTAN, o que significaria superar a Polónia e, idealmente, subjugá-la como vassalo. No entanto, França e Reino Unido são potências nucleares. A ameaça representada pela convergência militar-estratégica deles à porta da Rússia é, portanto, considerável. No mínimo, poderia incentivar os seus parceiros a comportarem-se agressivamente em relação à Rússia, enquanto calculam que essas grandes potências dissuadiriam qualquer retaliação russa.

Isso seria um erro monumental, já que a Rússia não pode permitir que tal cenário aconteça, muito menos que se torne a norma. Isso equivaleria a instrumentalizá-la para obter concessões intermináveis, levando em última instância à sua subordinação e, em última análise, à sua balcanização. Por outras palavras, um conflito armado entre a OTAN e a Rússia provavelmente seria inevitável, embora ninguém possa afirmar com certeza se os Estados Unidos estariam a ajudar os seus aliados europeus, ou até que ponto, ou os abandonariam ao seu destino.

Portanto, é mais urgente do que nunca reformar a arquitectura de segurança europeia, semelhante ao que a Rússia tentou fazer por canais diplomáticos antes da operação especial. O fracasso deste último levou Putin a favorecer o caminho militar. Na realidade, restam apenas três cenários: ou a OTAN finalmente aceita alguma forma das propostas russas; ou a Rússia lança uma guerra preventiva contra a OTAN europeia, apostando na ausência de intervenção directa dos Estados Unidos; ou a Rússia se submete pacificamente ao Ocidente.

Portanto, é mais urgente do que nunca reformar a arquitectura de segurança europeia, semelhante ao que a Rússia tentou fazer por canais diplomáticos antes da operação especial, cujo fracasso levou Putin a favorecer o caminho militar. Na realidade, restam apenas três cenários: ou a OTAN finalmente aceita alguma forma das propostas russas; ou a Rússia lança uma guerra preventiva contra a OTAN europeia, apostando na ausência de intervenção directa dos Estados Unidos; ou a Rússia se submete pacificamente ao Ocidente.



Fonte: https://korybko.substack.com

Tradução RD


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PRINCIPAL NEGOCIADOR DO IRÃO DIZ QUE TEERÃO OBTÉM CONCESSÕES COM MÍSSEIS, NÃO COM CONVERSAÇÕES

O principal negociador do Irão sublinhou que a República Islâmica obtém concessões não através de negociações, mas através dos seus mísseis.


Por Hamid Babaee

O principal negociador do Irão sublinhou que a República Islâmica obtém concessões não através de negociações, mas através dos seus mísseis.

Mohammad Baqer Qalibaf, Presidente do Parlamento Iraniano e chefe da equipa de negociação do Irão, escreveu na sua conta pessoal no X sobre a posição explícita de três pontos do Irão em relação às negociações com os Estados Unidos: "Obtemos concessões não através de conversações, mas através de mísseis; na mesa de negociações, apenas os fazemos compreender esta realidade."

Qalibaf enfatizou que o Irão não tem confiança em garantias ou promessas verbais, insistindo que "apenas acções interessam". Acrescentou que nenhum passo seria dado pelo Irão antes de uma acção correspondente da outra parte.

Segundo Qalibaf, o verdadeiro vencedor de qualquer acordo é a parte que está melhor preparada para a guerra no dia seguinte ao acordo ser alcançado.


Fonte: Fars News Agency


Tradução RD




quinta-feira, 28 de maio de 2026

ISRAEL CORTA RELAÇÕES COM ANTÓNIO GUTERRES APÓS PAÍS SER INCLUÍDO EM "LISTA NEGRA" DA ONU

A decisão foi comunicada pelo embaixador israelita na ONU, Danny Danon, em protesto contra a inclusão de Israel e do seu Serviço Prisional numa "lista negra" de perpetradores de violência sexual em zonas de conflito. 

Por Agencia Lusa

Israel suspendeu relações com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou o embaixador israelita na ONU, denunciando a decisão, ainda não pública, de incluir Israel numa "lista negra" relacionada com violência sexual em conflitos.

"Chegámos ao fim com este secretário-geral", disse Danny Danon numa mensagem de vídeo publicada na plataforma X.

A missão israelita esclareceu que isso significa o congelamento das suas relações com o gabinete do secretário-geral até o final do mandato de António Guterres, que termina em 31 de dezembro deste ano.

"O secretário-geral da ONU decidiu adicionar Israel à lista negra, juntamente com os terroristas do Hamas", criticou.

As Nações Unidas incluíram Israel numa lista negra de perpetradores de violência sexual em zonas de conflito, num relatório que ainda não foi tornado público, mas que está a ser apresentado aos Estados envolvidos antes da sua publicação.

O Serviço Prisional israelita está entre as várias entidades adicionadas à lista da ONU, de acordo com relatos dos meios de comunicação israelitas, juntamente com outras autoridades de Israel.

"A decisão de incluir Israel na lista negra e acusar-nos de usar a violência sexual como arma de guerra é ultrajante", insistiu o embaixador, acusando o líder das Nações Unidas de equiparar o Hamas a Israel.

Em agosto passado, o relatório anual da ONU já havia alertado que Israel poderia ser adicionado à lista de partes suspeitas ou responsáveis por violência sexual em conflitos armados, lista que já inclui o Hamas.

Na ocasião, a ONU referiu-se a "informações confiáveis" sobre violência sexual cometida pelas forças de segurança israelitas contra prisioneiros palestinianos em prisões e outros centros de detenção, destacando a recusa de acesso aos inspetores da ONU.

"Convidamos representantes da ONU para virem a Israel para examinar essas acusações ridículas, mas eles optaram por não vir e preferiram continuar com a campanha contra Israel", afirmou Danny Danon.

Face ao anúncio feito pelo embaixador israelita, o porta-voz de Guterres indicou que "a porta do secretário-geral permanece aberta".

"Vimos os comentários. Da nossa parte, a porta do secretário-geral permanece aberta", disse Stéphane Dujarric, à agência France-Presse (AFP).

O difícil relacionamento entre Telavive e a ONU deteriorou-se significativamente após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, a 7 de outubro de 2023, e a retaliação do exército israelita na Faixa de Gaza.

As autoridades israelitas cortaram todos os laços com a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), que acusam de estar infiltrada pelo Hamas.

Desde então, António Guterres ficou cada vez mais distante do Governo israelita, com o primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, a não responder aos telefonemas do líder da ONU desde 7 de outubro de 2023.

Em outubro de 2024, as autoridades israelitas declararam Guterres como "persona non grata", proibindo a entrada do líder da ONU em Israel.

Telavive argumentou na ocasião que Guterres não tinha condenado inequivocamente os ataques conduzidos contra Israel.



CAOS CONTROLADO: COMO WASHINGTON ESTÁ SABOTANDO O MUNDO MULTIPOLAR E SACRIFICANDO A EUROPA

Apesar do seu declínio e das suas evidentes fraturas internas, o bloco imperial ocidental permanece extraordinariamente unido; Entretanto, a maioria global continua sem coerência estratégica comparável.


por Thomas Fazi

Apesar do seu declínio e das suas evidentes fraturas internas, o bloco imperial ocidental permanece extraordinariamente unido; Entretanto, a maioria global continua sem coerência estratégica comparável.

1. A ilusão de multipolaridade e "caos orquestrado"

Uma ordem multipolar é geralmente considerada emergente, mas você descreveu a política externa dos EUA – especialmente sob Trump – não como sem objectivo, mas como "caos orquestrado". Como Washington consegue usar essa estratégia para dificultar o advento de uma nova ordem internacional estável, e quem são as principais vítimas: adversários declarados como a China ou os "parceiros" europeus?

Sim, acredito que a estratégia de Washington não é sem sentido, mas sim visa criar deliberadamente caos e desordem permanentes. Incapazes de derrotar os seus rivais de frente, os Estados Unidos procuram impedir a consolidação de qualquer ordem internacional alternativa estável. A lógica é simples: um mundo multipolar exige, por definição, um certo grau de ordem internacional e previsibilidade. Ao desmontar sistematicamente essa ordem – rejeitando tratados, transformando sanções em armas, lançando guerras ilegais, desestabilizando estados periféricos – Washington está a garantir que nenhum sistema internacional alternativo, estável e coerente possa se firmar.

Tanto a China como a Europa são alvo dessa estratégia de guerra por procuração globalizada, que ataca os elos fracos do sistema rival, mesmo que eles o enfrentem de maneiras muito diferentes. A China é o principal adversário de longo prazo dos Estados Unidos, cuja ascensão deve ser contida a todo custo. Mas a China também é um país vasto, equipado com armas nucleares e muito integrado economicamente ao sistema mundial para ser atacado de frente. A Europa é muito mais vulnerável e, de muitas maneiras, um alvo mais imediatamente explorável. Manter a Europa desestabilizada, dependente e ligada a Washington pela OTAN e energia impede o surgimento do único bloco geopolítico que, se alcançar verdadeira autonomia, poderia desestabilizar o equilíbrio global: uma zona económica eurasiática totalmente integrada a um novo quadro global multipolar ou policêntrico.

A Europa é, portanto, uma vítima privilegiada dessa estratégia, provavelmente até mais do que a China. A guerra na Ucrânia, a sabotagem da Nord Stream, a mudança forçada para o caro gasoduto de GNL dos EUA às custas do gás russo, a guerra contra o Irão e suas devastadoras consequências energéticas para o continente: todos esses são exemplos isolados. Essas são as consequências previsíveis de uma estratégia para manter a Europa fraca, dividida e subjugada.

2. Energia como alavanca geopolítica e o factor ucraniano

Você afirma que Washington substituiu deliberadamente a dependência europeia do gás russo pela dependência do gás natural liquefeito americano (GNL). Diante das altas tensões em Março de 2026 relacionadas ao bloqueio dos gasodutos na Ucrânia (por exemplo, Druzhba), a infra-estrutura energética tornou-se um instrumento de pressão para os Estados Unidos, via Kiev, sobre Estados-membros da UE considerados "desobedientes", como Hungria ou Eslováquia?

O facto de a infra-estrutura energética ter-se tornado um instrumento de pressão geopolítica deixa de ser uma hipótese, mas um facto comprovado. A estratégia de segurança nacional dos EUA define explicitamente "domínio energético dos EUA" como prioridade estratégica, e a administração Trump nunca escondeu o uso de exportações de GNL como alavanca para extrair concessões políticas e económicas dos governos europeus.

A situação em Druzhba, no entanto, requer uma análise mais aprofundada. Os ataques à infra-estrutura energética húngara e eslovaca são provavelmente obra do aparelho UE-OTAN, que inclui facções liberal-atlantistas dentro do aparelho estatal dos EUA, mas não podem ser equiparados à Casa Branca. O momento é particularmente revelador: essas acções claramente visavam desestabilizar o governo Orbán na preparação para as eleições húngaras. Considerando que Orbán é um dos aliados europeus mais próximos de Trump, seria estranho culpar a Casa Branca por isso. Estamos, portanto, testemunhando a implementação desse Estado transatlântico permanente – o aparelho Bruxelas-OTAN – que persegue o seu interesse institucional em eliminar qualquer elemento disruptivo, mesmo que isso signifique agir contra um aliado do presidente americano no cargo.

A observação geral permanece válida: a energia tornou-se a principal alavanca pela qual Washington e o aparelho de Bruxelas controlam os Estados-membros que seguem políticas independentes. Hungria e Eslováquia estão a ser sancionadas não por violarem as regras da UE, mas por se recusarem a subordinar os seus interesses nacionais ao consenso atlantista.

3. O "golpe silencioso" de Bruxelas e a autodestruição estratégica

Num dos seus relatórios para a MCC Bruxelas, você fala sobre um "golpe silencioso" da Comissão Europeia. Por que a burocracia de Bruxelas está a jogar um jogo economicamente autodestrutivo que serve aos interesses de Washington? E até que ponto a crise actual está a ser instrumentalizada para poderes apropriados que pertencem legitimamente a Estados-nação soberanos?

Washington há muito apoia a integração europeia, com base na premissa de que um governo supranacional é mais fácil de gerir do que dezenas de governos nacionais. Portanto, a UE sempre funcionou, em parte, como um instrumento de influência para os Estados Unidos. Mas reduzi-la apenas a essa função seria obscurecer um aspecto importante. A função mais profunda da UE é a transferência de poder dos Estados-nação democráticos para os interesses oligárquicos da elite – financeiros, económicos e burocráticos – cujo poder cresce justamente quando a governança é transferida para instituições afastadas da responsabilidade popular. O aparelho de Bruxelas está ao serviço de uma superclasse transnacional, e o vínculo com os Estados Unidos é apenas uma dimensão, e não a única explicação.

O que mudou sob Ursula von der Leyen foi o ritmo e a audácia da centralização. A guerra contra o Irão ofereceu uma nova oportunidade. A Comissão aproveitou a crise para estabelecer o seu controlo sobre áreas de política externa que são formalmente responsabilidade do Alto Representante, que deveria reflectir a posição dos Estados-Membros, criando estruturas paralelas, incluindo uma célula de inteligência sob supervisão directa da Comissão e uma nova Direcção-Geral para o Médio Oriente. O modelo é imutável: cada nova crise torna-se um pretexto para uma maior transferência de soberania para cima, em detrimento dos Estados-Membros e instituições com mínimo de ancoragem democrática, em benefício das instituições supranacionais da UE, que são estruturalmente antidemocráticas.

4. A 'autonomia estratégica' da Hungria e as pontes tecnológicas

Enquanto a UE exige um desacoplamento quase total do Leste, Budapeste [sob o governo anterior] manteve projectos como a central nuclear Paks II. Será que essa cooperação tecnológica e energética pode ser um pilar essencial da integração multipolar da Europa? E por que a Hungria parece ser o único país da UE a levar a sério o conceito de "autonomia estratégica"?

A insistência da Hungria em concluir o Paks II, manter os seus laços energéticos com a Rússia e preservar as suas relações comerciais com a China mostra uma compreensão concreta do que a autonomia estratégica realmente implica, ao contrário da versão retórica defendida por Bruxelas. Projectos como o Paks II são importantes não apenas para a sua produção de energia, mas também como referências de longo prazo: criam laços técnicos e económicos muito mais difíceis de romper do que alianças políticas, e demonstraram aos parceiros que Budapeste pretende permanecer um interlocutor sério, independentemente das pressões institucionais.

Quanto ao motivo pelo qual a Hungria se encontrou em grande parte isolada, parte da resposta está justamente em Viktor Orbán, um estadista verdadeiramente excepcional pelos padrões medíocres da política europeia contemporânea, que demonstrou estar disposto a suportar sanções financeiras e institucionais contínuas para defender o que vê como interesses nacionais da Hungria. Mas também há uma explicação estrutural. Até a década de 1990, os países da Europa Central e Oriental estavam em grande parte preservados da colonização cultural e ideológica que décadas de poder brando americano, dominação mediática e construção de instituições atlantistas impuseram à Europa Ocidental. O resultado é um sentido mais forte e espontâneo de identidade nacional. Essas sociedades nunca foram completamente "reprogramadas", e a Hungria, sob Orbán, foi o país mais disposto a agir sobre essa diferença histórica.

5. A instrumentalização da 'solidariedade europeia'

Quando a Hungria suspendeu temporariamente as suas entregas de diesel à Ucrânia devido ao bloqueio dos oleodutos, foi condenada em Bruxelas como uma flagrante falta de solidariedade. O termo "solidariedade europeia" hoje é apenas uma arma ideológica usada para sufocar interesses nacionais e desacreditar qualquer caminho diplomático, como o preferido pelos países do Sul (BRICS)?

A aplicação selectiva de 'solidariedade europeia' diz muito sobre o que esse conceito realmente significa na prática. Hungria e Eslováquia, Estados-membros da UE cujas populações estão a sofrer consideráveis perdas económicas devido a interrupções nos oleodutos causadas pela Ucrânia, estão a ser criticadas pela sua participação no bloqueio. Entretanto, a Ucrânia, que nem sequer é um Estado-membro, está a ser tratada como se exigisse lealdade incondicional de todos os governos europeus. Quando a Hungria suspendeu as suas entregas de diesel em resposta directa a ataques à sua infra-estrutura, foi condenada. Quando a Ucrânia ataca a infra-estrutura dos Estados-membros da UE, Bruxelas permanece em silêncio.

Esse conceito, de facto, tornou-se um instrumento de imposição ideológica, um meio de deslegitimar qualquer governo que se desvie do consenso atlantista, em vez de um verdadeiro princípio de apoio mútuo. Países que se envolvem diplomaticamente com a Rússia, China ou países do Sul são apresentados como ameaças à unidade europeia. Solidariedade, nesse contexto, significa alinhar-se com prioridades estratégicas UE-OTAN e liberal-atlantistas, e aqueles que questionam esse alinhamento são rotulados como inimigos da Europa, e não como defensores dos seus interesses.

6. Alemanha: o vassalo leal e a sua desindustrialização

A Alemanha segue a linha de Washington com a máxima lealdade, e ainda assim é a que mais sofre com a desindustrialização. Por que a elite política alemã – ao contrário da antiga liderança em Budapeste – não oferece resistência significativa ao enfraquecimento sistemático das suas bases económicas?

A incapacidade da Alemanha de conter o seu próprio declínio económico pode ser explicada pela profundidade da sua reorientação após 1945. A remodelação atlantista do pós-guerra foi muito mais profunda na Alemanha do que em qualquer outro lugar da Europa Ocidental, transformando não apenas instituições políticas, mas também universidades, comunicação social, think tanks e a formação de várias gerações sucessivas de profissionais cuja visão do mundo foi construída inteiramente dentro de um quadro transatlântico. O bloqueio ao governo atlantista na Alemanha é hegemónico de uma forma que não tem equivalente noutros países, e qualquer político que se desvie do consenso de Washington é imediatamente patologizado, geralmente percebido como um eco perigoso das páginas mais sombrias da história do país.

A Alemanha, no entanto, conseguiu adoptar uma política de semi-autonomia até certo ponto. Sob Schröder (e parcialmente sob Merkel), conseguiu criar uma certa semi-autonomia estratégica em relação à Rússia, da qual o gasoduto Nord Stream foi a expressão mais concreta. Esse experimento mostrou-se suficientemente ameaçador para provocar um esforço sustentado para restabelecer o controlo total: a marginalização gradual dos políticos que queriam defender os interesses económicos alemães e o recrutamento escrupuloso daqueles que se opunham a eles. Friedrich Merz é o resultado desse processo de selecção, um líder que combina discurso autoritário com total subordinação estratégica e que preside ao declínio controlado da indústria alemã sem desafiá-lo seriamente.

7. Vulnerabilidade e risco de colapso dos BRICS

Ela alertou contra a confiança excessiva no sucesso da multipolaridade. Qual é a principal vulnerabilidade estrutural ou política dentro da aliança BRICS que os Estados Unidos poderiam explorar para impedir o surgimento dessa nova ordem mundial?

Sim, acredito que existe um certo tipo de complacência nos círculos multipolares, uma tendência de ver a transição para uma nova ordem internacional como quase inevitável e os Estados Unidos como tendo apenas uma capacidade marginal de abrandá-la. A minha visão é menos determinística. Como já disse antes, uma nova ordem internacional exige, por definição, um certo grau de ordem e estabilidade. Ao provocar desestabilização permanente, os EUA podem criar sérios problemas estruturais para o projecto BRICS sem a necessidade de vencer um confronto directo.

A vulnerabilidade que os Estados Unidos estão melhor posicionados para explorar está na incoerência estratégica da resposta colectiva da maioria global. A Rússia está envolvida num confronto militar de facto com a OTAN. Ao mesmo tempo, a China continua a evitar conflitos directos a todo custo, e o Irão é amplamente forçado a depender das suas próprias forças militares para responder à agressão EUA-Israel (embora com apoio indirecto da China e da Rússia). Os BRICS não possuem uma doutrina de segurança unificada nem um quadro comum de dissuasão, e seus membros continuam a se referir a mecanismos da ONU e a uma ordem internacional baseada em regras, cuja natureza fictícia da situação em Gaza se tornou indiscutível. Esse uso constante de quadros cuja ineficácia é manifestamente ineficaz corre o risco de dar ao bloco ocidental a impressão de que uma escalada não implica custos sérios.

Apesar do seu declínio, o bloco imperial ocidental permanece notavelmente unido. Desenvolver coerência estratégica comparável entre os países da maioria mundial é provavelmente a tarefa mais importante para aqueles que desejam o sucesso da transição multipolar.

8. O Conflito no Médio Oriente e a Crise Iraniana

Como a guerra actual envolvendo os EUA, Israel e os governantes iranianos "decapitados" se encaixa nessa luta mais ampla pela dominação mundial? Isso é uma tentativa de reafirmar o controlo unipolar sobre uma região-chave do mundo multipolar?

A guerra contra o Irão segue a mesma lógica que descrevi anteriormente: em vez de um confronto directo com as grandes potências, os Estados Unidos estão a mirar nos elos fracos do sistema rival. O Irão cumpre esse papel perfeitamente. Ela fornece cerca de 13-15% das importações de petróleo da China, é uma parte fundamental do eixo estratégico emergente Rússia-China-Irão e há muito tempo é o principal obstáculo à supremacia militar ocidental incontestável na região mais rica em energia do mundo. A sua eliminação simultaneamente avança os objectivos da dominação energética dos EUA e serve aos interesses regionais de Israel, e essas duas agendas agora convergem totalmente em torno de uma única operação.

O que distingue qualitativamente a guerra actual de episódios anteriores de confronto entre Estados Unidos e Irão é a imprudência com que ela foi desencadeada. Administrações anteriores entendiam, ao menos em parte, por que um ataque directo ao Irão seria catastrófico, e é por isso que se abstiveram apesar de décadas de pressão israelita. Essa prudência institucional agora desapareceu. A Europa já está a sofrer as consequências: um choque energético severo, o risco de fluxos massivos de refugiados e demandas crescentes por intervenção militar directa. Duas guerras devastadoras estão a ser travadas simultaneamente à porta do continente: uma no leste, alimentada por Washington, e outra no sul, activamente travada por Washington. A primeira empurrou a Europa ainda mais para a vassalagem. A segunda representa o risco real de precipitá-la num colapso económico e social.

9. O futuro da soberania europeia

Para o restante de 2026, você vê um caminho para uma viragem "soberana" na Europa, ou a dependência estrutural de Washington e da burocracia de Bruxelas já atingiu um ponto sem retorno para a maioria dos Estados-membros da UE?

Dois problemas estruturais tornam muito difícil prever uma verdadeira viragem soberanista na Europa no curto prazo. A primeira é a ausência de um grande partido disposto a atacar a UE como instituição em vez de simplesmente criticá-la, o que, na verdade, é um retrocesso em relação ao estado do debate há dez anos. O segundo, e em alguns aspectos mais fundamental, problema é que praticamente nenhum partido populista ou soberanista de direita abordou seriamente a questão da subordinação estrutural da Europa aos Estados Unidos, dos quais a UE é em parte um instrumento. Atacar Bruxelas enquanto se apoia em Washington não é um soberanismo coerente. Pelo contrário, ela evita precisamente a questão central: quem controla, em última instância, a política externa, o fornecimento de energia e a posição militar da Europa?

Portanto, nos deparamos com um paradoxo. As condições objectivas para uma ruptura com a ordem atlantista são mais favoráveis do que têm sido nas últimas décadas. O poder dos Estados Unidos está em forte declínio, a administração Trump está a criar fissuras na opinião pública europeia que nenhuma administração anterior conseguiu criar, e a legitimidade institucional da UE está em profunda crise. No entanto, as forças políticas mais bem posicionadas para explorar essa oportunidade são indiferentes, instrumentalizadas ou carecem das habilidades geopolíticas necessárias para entender a situação. A única notícia realmente boa é que a conscientização sobre a necessidade de uma ruptura radical está a espalhar-se entre os cidadãos europeus. Nesse ponto, são os chamados partidos anti-sistema que mais se distanciaram dos seus eleitores.


Fonte: Sinistrainrete via https://reseauinternational.net


Tradução RD


terça-feira, 26 de maio de 2026

CONSELHEIRO DO LÍDER: O IRÃO ROMPERÁ O BLOQUEIO NAVAL DOS EUA E SE RETIRARÁ DO TNP EM CASO DE NOVOS ATAQUES

O Irão romperá o bloqueio naval imposto pelos EUA aos seus navios e portos e, mais importante, se retirará do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) caso os EUA retomem os seus ataques ao país, disse um conselheiro sénior do Líder da Revolução Islâmica.


Por PressTV

Falando no domingo numa cerimónia em homenagem aos mártires da recente guerra de agressão imposta pelos Estados Unidos e Israel ao Irão, Mohsen Rezai afirmou que o programa nuclear iraniano é pacífico e está sob constante monitorização da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Ele acrescentou: "Sob a liderança do Líder, a equipa de negociação iraniana declarou firmemente que nunca abrirá mão dos direitos inalienáveis do Irão no campo nuclear civil."

"Se você entrar no Golfo Pérsico, daremos uma resposta firme, dolorosa e sem precedentes, e romperemos o bloqueio naval", alertou.

O conselheiro do líder da Revolução para assuntos militares acrescentou: "Mas, mais importante, poderíamos nos retirar do TNP. Você sabe o que vai acontecer consigo se recuarmos? Então... não cometa suicídio."

Rezai, ex-comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), destacou a situação actual na região e disse: "Estamos prontos para atirar" em caso de agressão contra o país.

Ele enfatizou que as forças navais do IRGC gerem o Estreito de Ormuz para prevenir agressões militares e insegurança no Golfo Pérsico, registando e identificando navios que procuram usar esta rota marítima estratégica.

Ele alertou o presidente dos EUA, Donald Trump, e a sua administração de que a guerra não se limitaria ao Estreito de Ormuz, mas se estenderia ao Mar Vermelho, ao Estreito de Bab el-Mandeb e ao Oceano Índico caso entrassem no Golfo Pérsico.

O Irão fechou o estreito para os seus inimigos e aliados após a agressão israelo-americana não provocada. As autoridades iranianas começaram a impor controlos muito mais rígidos no mês passado, após o anúncio de Trump de um bloqueio que visava navios e portos iranianos.

Teerão afirma que as medidas violam os termos do cessar-fogo mediado pelo Paquistão, que entrou em vigor em 8 de Abril e foi posteriormente unilateralmente prorrogado por Washington.

Apesar do bloqueio, o tráfego marítimo relacionado com o petróleo bruto iraniano parece continuar.



Fonte: PressTV

Tradução RD





DOCUMENTOS DIVULGADOS MOSTRAM QUE O IRGC DESVIOU EQUIPAMENTOS MILITARES CHINESES PELOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

O Financial Times obteve contratos comerciais divulgados e documentos de transporte que mostram que a divisão aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irão utilizou redes de aquisição baseadas nos Emirados Árabes Unidos para adquirir equipamentos avançados de comunicações via satélite da China.


O Financial Times obteve contratos comerciais divulgados e documentos de transporte que mostram que a divisão aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irão utilizou redes de aquisição baseadas nos Emirados Árabes Unidos para adquirir equipamentos avançados de comunicações via satélite da China.

O jornal informou que os documentos mostravam o IRGC a obter tecnologia chinesa de comunicações por satélite militar por meio de empresas sediadas nos Emirados Árabes Unidos no final de 2025.

Segundo o FT, os registos revelaram que, apesar das sanções ocidentais que visavam as actividades de aquisição militar do Irão, a Guarda Revolucionária continuou a depender de redes comerciais nos Emirados Árabes Unidos para obter tecnologias estratégicas de comunicação.

Em 2006, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou uma resolução apoiada por países ocidentais proibindo o envio de tecnologia nuclear, tecnologia de mísseis e bens de dupla utilização ao Irão.

A União Europeia começou a aplicar um embargo total em Abril de 2007, cobrindo a venda ao Irão de todas as armas convencionais, equipamentos militares e peças de reposição.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU em Junho de 2010 ampliou ainda mais a proibição internacional de venda a Teerão de armas pesadas, incluindo tanques, aeronaves de combate e sistemas de mísseis.

As restrições da ONU ao envio de grandes sistemas de armas para o Irão e a todas as exportações de armas do Irão expiraram em Outubro de 2020. No entanto, essas restrições foram restabelecidas em Setembro de 2025.

O jornal afirmou que, apesar dessas medidas, os Emirados Árabes Unidos se tornaram um dos principais centros comerciais da região nas últimas duas décadas, enquanto as zonas de comércio livre a operar sob supervisão mais frouxa nos emirados há muito tempo levantaram preocupações sobre evasão de sanções envolvendo o Irão.

De acordo com registos revistos pelo jornal, o carregamento de equipamentos foi feito por meio da empresa Telesun, sediada em Ras Al Khaimah. O equipamento de antena de satélite fabricado na China, pesando cerca de 1,8 toneladas, foi enviado de Xangai para o Irão através do porto de Jebel Ali, em Dubai.

Registos dos Emirados Árabes Unidos mostraram que a Telesun organizou o envio de Xangai para o porto de Bandar Abbas, no Irão, de uma antena de satélite motorizada de 4,5 metros fabricada pela empresa chinesa StarWin.

Um navio porta-contentores com bandeira chinesa chegou ao porto de Jebel Ali, em Dubai, em 28 de Agosto do ano passado e descarregou o contentor ai. De acordo com registos incluídos nos documentos, o contentor foi posteriormente recolhido em 23 de Novembro por uma embarcação iraniana chamada Rama III.

O jornal disse que o Rama III transmitiu sinais de GPS falsos durante a operação mostrando o navio na costa de Omã. Acrescentou que imagens de satélite datadas de 25 de Novembro mostraram a embarcação num local diferente, enquanto em 29 de Novembro um navio com as mesmas características de tamanho e cor foi visto no porto de Shahid Rajaee, no Irão. Os documentos de embarque também indicavam o mesmo porto do destino da carga.

A remessa, pesando aproximadamente duas toneladas, foi descrita nos documentos como "antena e acessórios." Segundo o FT, a carga foi enviada para a empresa iraniana de telecomunicações Ertebatat Faragostar Kish (EFK).

O jornal noticiou que registos contratuais mostraram que a EFK comprou os equipamentos por meio da Telesun em nome do Saman Industrial Group, que o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou em Dezembro de 2023.

Na época, Washington disse que o Grupo Industrial Saman funcionava como uma fachada comercial para uma unidade de investigação da IRGC envolvida no desenvolvimento e produção de mísseis balísticos, sistemas de guerra electrónica e drones.

O jornal observou que a própria EFK não está sujeita a sanções ocidentais.

Noutro relatório publicado em meados de Abril, o Financial Times afirmou que o Irão coordenou ataques a bases militares dos EUA no Médio Oriente usando dados obtidos de um satélite de reconhecimento chinês.

A CNN também informou em 11 de Abril que a inteligência dos EUA possuía informações indicando que a China planeava fornecer ao Irão novos sistemas de defesa aérea fabricados na China, incluindo armas de defesa aérea de ombro.

Apesar dessas remessas sombrias envolvendo o Irão, o FT observou que os Emirados Árabes Unidos também estavam entre os países mais fortemente afectados pelos ataques iranianos.

Segundo o jornal, o Irão lançou mais de 2.800 drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos durante a guerra. Os ataques incluíram ataques a alvos civis.

Noutro relatório publicado em Março, o Financial Times descreveu os Emirados Árabes Unidos como o país vizinho submetido ao maior número de ataques iranianos.

O Wall Street Journal também relatou em Maio, citando fontes, que os Emirados Árabes Unidos realizaram ataques militares secretos contra o Irão durante o conflito no Médio Oriente.

Entre os ataques relatados estava um ataque no início de Abril que teve como alvo a refinaria de petróleo iraniana na Ilha Lavan. As autoridades dos Emirados Árabes Unidos não reivindicaram publicamente a responsabilidade pelo ataque.



Fonte: https://harici.com.tr

Tradução RD


segunda-feira, 25 de maio de 2026

A RÚSSIA USA MÍSSIL HIPERSÔNICO ORESHNIK EM ATAQUE EM MASSA A KIEV

O Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais, atingiu a cidade de Bila Tserkva, na região de Kiev, disse Zelenskyy no Telegram.


Por Samya Kullab e Vasilisa Stepanenko

Kiev, Ucrânia (AP) — A Rússia usou o poderoso míssil balístico hipersónico Oreshnik durante um ataque em massa com drones e mísseis em Kiev no domingo, que matou pelo menos duas pessoas, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy no domingo, marcando a terceira vez que a arma é usada na guerra de quatro anos.

O intenso ataque aéreo danificou edifícios por toda a capital ucraniana, incluindo próximos a escritórios do governo, edifícios residenciais, escolas e um mercado, disseram autoridades ucranianas. Pelo menos 83 pessoas ficaram feridas no ataque.

Sirenes de ataque aéreo soaram durante a noite enquanto a fumaça se espalhava pela cidade devido aos ataques. Repórteres da Associated Press ouviram explosões poderosas perto do centro da cidade e próximas a edifícios governamentais.

O ataque incluiu 600 drones de ataque e 90 mísseis lançados de ar, mar e terra, segundo a Força Aérea da Ucrânia. As defesas aéreas ucranianas destruíram e bloquearam 549 drones e 55 mísseis. Cerca de 19 mísseis não alcançaram alvos, informou a Força Aérea.

Ferit Hoxha, ministro dos Negócios Estrangeiros da Albânia, relatou que a residência do embaixador albanês na Ucrânia foi atingida durante o ataque, denunciando-a como "inaceitável" e uma "grave escalada".

O Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais, atingiu a cidade de Bila Tserkva, na região de Kiev, disse Zelenskyy no Telegram.

A Rússia havia prometido revidar com um ataque na sexta-feira

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou no domingo o uso da arma, assim como de outros tipos de mísseis, para atingir "instalações militares de comando e controle" ucranianas, bases aéreas e empresas militares-industriais. O ministério acrescentou que o ataque foi uma retaliação aos ataques ucranianos a "instalações civis em território russo", sem fornecer detalhes.

O presidente russo Vladimir Putin denunciou na sexta-feira um ataque de drone a um dormitório universitário no leste da Ucrânia ocupado pela Rússia, que Moscovo atribuiu a Kyiv. Ele disse que não havia instalações militares ou de aplicação da lei próximas à faculdade. Putin disse que ordenou que o exército russo retaliasse.

O número de mortos desse ataque subiu para 21, disseram as autoridades russas no final do sábado. Eles disseram que outras 42 pessoas haviam sido feridas no ataque na noite anterior. As autoridades instaladas pelo Kremlin na região de Luhansk anunciaram dois dias de luto pelas vítimas.

Numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre o ataque, realizada a pedido da Rússia, o embaixador ucraniano Andrii Melnyk negou as acusações de crimes de guerra feitas pelo seu homólogo russo, chamando-as de "puro espectáculo de propaganda" e afirmando que as operações de 22 de Maio "tinham como alvo exclusivo a máquina de guerra russa."

Aliados europeus de Kiev, incluindo Emmanuel Macron, da França, e Friedrich Merz, da Alemanha, condenaram os ataques russos e o uso do Oreshnik em declarações publicadas no domingo. Kaja Kallas, chefe da política externa da União Europeia, disse que os principais diplomatas dos estados da UE se reunirão em poucos dias para "discutir como aumentar a pressão internacional sobre a Rússia."

A Ucrânia luta para derrubar todos os mísseis balísticos

Zelenskyy disse que nem todos os mísseis balísticos foram intercetados e que a maioria dos ataques atingiu Kiev, o alvo principal do ataque.

As aparentes falhas na interceção realçaram a crónica escassez da Ucrânia de mísseis de defesa aérea capazes de abater mísseis balísticos. Kiev depende fortemente dos sistemas de defesa aérea Patriot dos EUA para intercetar tais armas, mas os intercetadores continuam em escassez e estão entre os pedidos mais urgentes da Ucrânia aos seus parceiros ocidentais.

Desenvolver uma alternativa produzida internamente tornou-se uma prioridade máxima para o Ministério da Defesa da Ucrânia, embora isso exija tempo e financiamento.

Incêndios continuam até à manhã em Kiev após ataque

Danos foram registados em 50 locais em vários distritos da capital, incluindo edifícios residenciais, centros comerciais e escolas, informou o serviço de emergência ucraniano numa publicação no Telegram. Os edifícios do departamento de polícia também foram danificados, informou.

Os incêndios continuaram a arder até à manhã, dificultando os esforços de resgate enquanto edifícios desabavam devido às explosões.

"Foi uma noite terrível, e nunca houve nada igual em toda a guerra", disse Svitlana Onofryichuk, moradora de Kiev, 55 anos, que trabalhou no mercado danificado por 22 anos.

"Sinto muito por ter que me despedir de Kiev agora, não vou mais ficar lá, não há possibilidade", acrescentou. "O meu emprego acabou, tudo se foi, tudo queimou."

Yevhen Zosin, 74 anos, morador de Kiev que testemunhou o ataque, disse que, no momento em que ouviu a explosão, correu para pegar o seu cão.

"Então houve outra explosão e ela e eu fomos atirados para trás como um alfinete pela onda de choque. Nós dois sobrevivemos, ela e eu. O meu apartamento foi destruído", disse ele.

No distrito de Shevchenko, em Kiev, um edifício residencial de cinco andares foi atingido, causando um incêndio, e uma pessoa morreu, informou o serviço estatal de emergência da Ucrânia.

Um edifício escolar foi danificado por um ataque enquanto pessoas se abrigavam dentro dele, disse o presidente da câmara Vitali Klitschko. Autoridades locais relataram que supermercados e armazéns em toda a cidade também foram danificados.

Várias comunidades registaram danos em toda a região de Kiev, segundo Mykola Kalashnyk, que lidera a administração regional.

Noutro local, um drone ucraniano matou um civil na cidade russa de Grayvoron, na região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, informaram autoridades locais na manhã de domingo.

O Ministério da Defesa da Rússia informou que as suas forças abateram ou bloquearam 33 drones ucranianos durante a noite de domingo, incluindo sobre a região de Moscovo, oeste e sudoeste da Rússia e Crimeia ocupada pela Rússia.
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O jornalista da Associated Press John Leicester, em Paris, contribuiu para este relatório.

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Este artigo corrige o título de Mykola Kalashnyk.


Fonte: AP

Tradução RD

Nota Editorial: Estas informações contidas neste artigo relatam uma mera vingança do ataque ucraniano a um colégio russo no dia anterior.





domingo, 24 de maio de 2026

A MÉDIA OCIDENTAL 'COM MEDO DE VER A VERDADE' – CHEFE DE DIREITOS HUMANOS DA RÚSSIA

Os média tradicionais nem sequer conseguiram dar uma desculpa plausível para não visitar o dormitório universitário destruído por Kiev, disse Yana Lantratova


A grande média ocidental está "com medo de ver a verdade" sobre o ataque ucraniano ao dormitório da faculdade Starobelsk, disse a recém-nomeada comissária de direitos humanos da Rússia, Yana Lantratova, classificando o incidente como um "assassinato deliberado de crianças."

O ataque ao dormitório, realizado durante a noite de quinta a sexta-feira, deixou pelo menos 21 pessoas mortas, principalmente adolescentes. O massacre foi amplamente ignorado pela média ocidental e políticos, e Moscovo incentivou repórteres estrangeiros a visitarem o local.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia organizou a viagem de imprensa a Starobelsk no domingo, com mais de 50 repórteres de 19 países aceitando o convite. Falando com os jornalistas no local do ataque, Lantratova criticou duramente os veículos ocidentais que ignoraram a oportunidade de reportar diretamente do local.

"Foi um assassinato deliberado de crianças. É assim que se chama. E o que estamos vendo agora? O que está acontecendo em plataformas estrangeiras? Representantes de vários países dizem que é encenado, que é uma mentira da média russa, e que a média 'independente' não pôde confirmar porque não pôde vir para cá", disse ela, acrescentando que alguns veículos nem sequer ofereceram uma "explicação plausível" para ter perdido a oportunidade.

No sábado, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, disse que tanto a BBC quanto a CNN rejeitaram o convite para visitar Starobelsk, enquanto o governo japonês proibiu explicitamente repórteres de fazerem a viagem.

O ataque a Starobelsk provocou um ataque retaliatório em grande escala contra a capital ucraniana, Kiev, que foi realizado durante a noite. O ataque contou com o sistema hipersônico de alcance intermediário Oreshnik, além de outros mísseis balísticos e de cruzeiro. Os centros de comando das forças terrestres ucranianas e da inteligência militar foram alvos, assim como bases aéreas e locais da indústria de defesa, segundo o exército russo.


Fonte: RT

Tradução RD 

ENTREVISTA A DEPUTADO DO HEZBOLLAH: HEZBOLLAH ACUSA ISRAEL DE DESTRUIÇÃO E ESCALADA REGIONAL

Quando questionado sobre negociações diretas, o deputado fez uma comparação histórica: "Imagine Churchill a ir apertar a mão de Hitler durante a guerra. O que o povo britânico pensaria disso?" 


O correspondente especial da Sky, Alex Crawford, teve acesso extremamente raro a um dos mais importantes políticos do Hezbollah, o Dr. Hussein Hajj Hassan.

Numa entrevista concedida à Sky News, o deputado do Hezbollah, Dr. Hussein al Hajj Hassan, estabeleceu três condições para um cessar-fogo duradouro com Israel: a cessação dos ataques de Israel ao Líbano, a retirada completa das forças israelitas do território libanês e a libertação de prisioneiros libaneses, permitindo que as pessoas regressem em segurança às suas aldeias.

Hassan insistiu que o Hezbollah não luta pela guerra em si, mas pelo que ele chamou de "uma paz com dignidade e independência".

"Nós não negociamos sob fogo", disse ele. "Isso não é negociação. Isso é humilhação".

Quando questionado sobre negociações diretas, o deputado fez uma comparação histórica: "Imagine Churchill a ir apertar a mão de Hitler durante a guerra. O que o povo britânico pensaria disso?"

Hassan argumentou que a paz não é possível dentro do Líbano sem incluir o Hezbollah nas conversações.

PORTA-VOZ: IRÃO E EUA APROXIMAM-SE DA FINALIZAÇÃO DE MEMORANDO DE ENTENDIMENTO

Baqaei enfatizou que o foco do Irão nesta fase permanece exclusivamente em pôr fim à guerra imposta pelos EUA e Israel, com base na proposta de 14 pontos da República Islâmica, que tem sido enviada de um lado para o outro várias vezes.


Por Qasry Ehsam

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baqaei, declarou no sábado que Teerão e Washington se aproximaram da finalização de um memorando de entendimento para pôr fim à guerra imposta que os Estados Unidos e Israel travaram contra o Irão no final de Fevereiro.

Numa entrevista televisionada, Baqaei detalhou uma visita de um dia de uma delegação paquistanesa, liderada pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, Marechal de Campo Asim Munir, a Teerão.

"Estamos agora na fase de finalização deste memorando de entendimento. Os tópicos a serem discutidos nesta fase concentram-se amplamente em pôr fim à guerra, interromper a agressão naval dos EUA – o que eles próprios rotularam de 'bloqueio naval' – e questões relacionadas com a libertação dos activos bloqueados do Irão", disse ele.

Acrescentou que o objectivo da visita da delegação paquistanesa era continuar a troca de mensagens entre Teerão e Washington.

Baqaei enfatizou que o foco do Irão nesta fase permanece exclusivamente em pôr fim à guerra imposta pelos EUA e Israel, com base na proposta de 14 pontos da República Islâmica, que tem sido enviada de um lado para o outro várias vezes.

Questionado se Teerão e Washington se aproximaram de um acordo ou se afastaram mais após as recentes reuniões entre as autoridades paquistanesas e iranianas, Baqaei afirmou que o Irão não pode estar totalmente confiante de que as atitudes dos EUA não mudarão novamente como antes.

No entanto, reconheceu que, após várias semanas de diálogo entre as duas partes, o "processo parece estar a mover-se no sentido de uma convergência de pontos de vista".

Baqaei enfatizou que "aproximar-se" não significa que o Irão e os EUA estejam prestes a alcançar um entendimento. Pelo contrário, explicou, significa que "com base num conjunto de parâmetros, as duas partes podem ser capazes de alcançar uma solução vantajosa para ambos".

Ele delineou o quadro das negociações, observando: "A nossa abordagem tem sido primeiro redigir um memorando de entendimento composto por 14 artigos. Esse memorando incluiria as questões mais importantes necessárias para pôr fim à guerra imposta e questões de importância fundamental para nós."

"Posteriormente, num prazo razoável de 30 a 60 dias, as duas partes discutiriam os detalhes destas questões e, em última análise, alcançariam um acordo final", continuou o diplomata.

Noutros pontos dos seus comentários, Baqaei referiu-se à questão do Estreito de Ormuz, dizendo que a via navegável estratégica "não tem nada a ver com a América".

Acrescentou que o Irão e Omã, como estados costeiros do Estreito de Ormuz, deveriam definir um mecanismo para ele.

Questionado se o Estreito de Ormuz está incluído no memorando de 14 pontos, o porta-voz disse que a questão logicamente seria discutida.

No entanto, acrescentou, pôr fim à "pirataria e banditismo marítimo dos EUA" contra a navegação internacional é ainda mais importante do que o Estreito de Ormuz.

Questionado se a questão nuclear poderia fazer parte de qualquer acordo potencial, Baqaei respondeu: "Nesta fase, não estamos a discutir os detalhes da questão nuclear."

Afirmou que o Irão sabe que o seu programa nuclear tem sido um "pretexto" para duas guerras agressivas contra o povo iraniano, acrescentando que o país sofreu ataques ilegais mesmo durante negociações nucleares.

"Numa fase posterior – dentro de 30 dias, 60 dias, ou qualquer prazo que seja finalmente acordado – podemos discutir a questão nuclear ou outras questões mutuamente acordadas separadamente. Mas nesta fase, como foi dito, todo o nosso foco está em pôr fim à guerra", enfatizou o porta-voz.

Sobre o assunto das sanções, Baqaei acrescentou que o Irão deixou claro às partes americanas que as sanções são tanto "ilegais como desumanas".

Dado que Teerão não está a discutir detalhes sobre a questão nuclear nesta fase, também não está a discutir os pormenores da remoção de sanções nesta curta janela de tempo, continuou.

No entanto, sublinhou que a exigência do Irão pela remoção de todas as sanções foi explicitamente incluída no texto.

"Esta é a nossa exigência constante em qualquer interacção com intermediários", observou.

Baqaei sublinhou que "tanto a questão nuclear como a questão da libertação dos fundos bloqueados do Irão estão incluídas no memorando de entendimento de 14 pontos".



Fonte: https://farsnews.ir

Tradução do inglês: RD



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