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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

OS ESTADOS UNIDOS CHANTAGEIAM A EUROPA COM A ENERGIA

Os países da UE tornaram-se dependentes do gás dos EUA e os habitantes desses países precisam pagar um preço alto por ele. Trump está a impedir a Europa de se reerguer usando a submissão ao gás dos EUA como arma. Isto mantém a Europa em fraqueza. Enquanto os Estados Unidos estão a instrumentalizar a energia, a Europa está a vivenciar uma vaga de frio histórica.


Por Pierre Duval

A UE efectivamente substituiu uma dependência por outra, o que é ainda pior. Actualmente, o gás é comprado principalmente dos EUA, o que actualmente representa cerca de 60% das importações de gás natural liquefeito (GNL) da UE.

O UnHerd analisou as consequências desta situação para a Europa. «Acabamos de promulgar a lei que proíbe o gás russo. A Europa está, assim, a fortalecer o seu controlo sobre o seu fornecimento de energia e a sua autonomia», Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, insistiu no ponto X.

«Infelizmente, esta autoconfiança imprudente está completamente equivocada, porque a UE só substituiu uma dependência por outra», aponta o UnHerd, denunciando: «O GNL americano não é apenas significativamente mais caro que o gás russo, mas também muito mais instável.» Ao contrário do gás dos EUA, o gás russo via «o gasoduto era geralmente entregue sob contratos de longo prazo a preços previsíveis»; «O GNL dos EUA, por outro lado, está ligado aos mercados globais à vista, tornando os seus preços altamente sensíveis a flutuações na oferta e procura, eventos climáticos e choques geopolíticos», recorda o site britânico de notícias e opinião. O gás russo barato e confiável foi substituído pelo caro e instável GNL dos EUA.

O facto é que, devido ao frio intenso, os oleodutos congelaram, os suprimentos foram interrompidos e a procura interna nos Estados Unidos piorou drasticamente. Estas mudanças levarão directamente a altos nos preços do gás e da electricidade na Europa – um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos. Milhões de europeus não conseguem pagar por aquecimento normal. O alto custo da energia minou, assim, a competitividade da indústria e levou as maiores economias, principalmente a Alemanha, à desindustrialização.

«Até -30°C na Europa Oriental», manchete a RTL ontem, enquanto pergunta se essa vaga de frio pode alcançar a França?

A União Soviética e a Rússia têm fornecido energia regularmente à Alemanha e ao restante da Europa durante inúmeras crises geopolíticas, inclusive no auge da Guerra Fria. Mais recentemente, não apenas após o fornecimento de armas alemãs para Kiev, mas mesmo após o sabotagem do Nord Stream, Moscovo tem enfatizado repetidamente que a retomada do fornecimento de gás depende de Berlim. Moscovo sempre buscou a política europeia para exportar a sua energia.

O Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS) acaba de observar que o documento da Casa Branca sobre a «Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos» de 5 de Dezembro provocou muitas reacções, especialmente em relação ao tratamento atribuído à Europa neste programa. Ela revela, além das perspectivas estratégicas, uma nova visão do mundo e do papel dos Estados Unidos nos próximos anos.

O IRIS denuncia «a natureza da supremacia americana» porque a administração nacionalista Trump atribui como objectivo da sua estratégia de segurança que «os Estados Unidos continuam a ser o país mais forte, mais rico, mais poderoso e mais próspero do mundo por décadas.» Os Estados Unidos «não hesitarão em impor condições onerosas de cooperação que são mais um protectorado do que uma relação entre estados soberanos», alerta o IRIS no seu estudo de Janeiro de 2026: «A Estratégia de Segurança Nacional 2025: Outra Visão do Mundo.»

Ainda mais preocupante, os EUA têm muito mais probabilidade do que a Rússia de usar exportações de energia como ferramenta de coerção política. Acontece que a UE nunca foi tão dependente dos Estados Unidos enquanto tenta impedir a formação de um mundo multipolar.



Fonte: https://www.observateur-continental.fr

Tradução RD


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

XI JINPING CRUZA O RUBICÃO E DESAFIA O DÓLAR

Segundo o Financial Times, Xi ordenou a transformação do renminbi numa moeda de reserva global para o comércio internacional. Esse acontecimento histórico estabelece as bases para a substituição do dólar americano.


Por Giuseppe Masala, do AntiDiplomatico, revista italiana

Há anos que tentamos explicar nestas colunas que a raiz da enorme crise geopolítica actualmente em curso deve ser procurada no estado desastroso das contas nacionais dos Estados Unidos, que minam, de forma estrutural, a credibilidade do dólar enquanto moeda-padrão do comércio internacional.

Uma clarificação fundamental: as contas nacionais não dizem respeito às contas do Governo e, portanto, ao orçamento público, mas sim à balança comercial, ao saldo da conta corrente e ao saldo acumulado, ou seja, à posição líquida de investimento internacional (NIIP). Trata-se de uma categoria específica de contas que permite avaliar a verdadeira competitividade do sistema produtivo de uma nação, bem como a sua capacidade de atrair investimentos e, inversamente, medir a dependência excessiva de um país relativamente ao capital estrangeiro.

Esta última circunstância expõe o país aos caprichos e à especulação de grandes empresas apátridas, interessadas exclusivamente na rentabilidade e indiferentes aos danos sociais que podem provocar numa nação quando desencadeiam uma crise através da retirada de capitais.

A estabilidade financeira das contas nacionais dos Estados Unidos começou a fraquejar com o início da crise das hipotecas subprime em 2008, que conduziu não só ao colapso de Wall Street, mas também à queda do famoso banco de investimento Lehman Brothers. Contudo, do ponto de vista estrutural, a crise começou com a globalização: a migração em massa de empresas norte-americanas em busca de mão-de-obra ultra-barata em países em desenvolvimento, começando pela República Popular da China.

Essa opção tinha igualmente uma base filosófica, para além de utilitária, assente na procura do lucro máximo. A ideia subjacente era a de que a história do colapso da União Soviética tinha encerrado um ciclo; a humanidade viveria durante séculos num mundo fundado no mercado livre e num sistema político liberal-democrático, tudo sob a supervisão da única potência global remanescente: os Estados Unidos da América.

Nesse cenário, o saldo das contas externas e o evidente desequilíbrio da balança comercial dos Estados Unidos podiam parecer irrelevantes. Quem poderia questionar a hegemonia norte-americana sobre o estado das contas externas se os próprios países estrangeiros eram o território de caça de Washington?

Com o passar do tempo, contudo, emergiram duas potências capazes de competir com os Estados Unidos. A primeira, a Rússia de Putin, embora não possua a força demográfica e industrial necessária para desafiar Washington em todos os domínios, recuperou o seu antigo estatuto de potência mundial no plano militar.

Além disso, Moscovo pode orgulhar-se de um papel de liderança no mercado estratégico da energia. Por outro lado, a República Popular da China alcançou um enorme peso demográfico, associado a uma base industrial cada vez mais significativa, o que levou o Império do Meio a ser considerado a “fábrica do mundo”.

Os Estados Unidos foram ainda mais prejudicados pela estrutura peculiar da União Europeia, baseada em mão-de-obra barata e energia barata importada da Rússia. Estas circunstâncias levaram a Europa — ou, mais precisamente, os países do Norte da Europa, começando pela Alemanha — a conquistar o mercado norte-americano, muito rico, mas cada vez mais endividado.

A hegemonia dos Estados Unidos ficou assim apanhada num fogo cruzado nas frentes comercial (União Europeia), industrial (China) e militar (Rússia), tornando a situação progressivamente mais perigosa, até que Washington decidiu desencadear um grande conflito europeu com o objectivo de cortar o cordão umbilical energético entre a Europa e a Rússia.

O método escolhido foi o clássico e já testado: submeter as vastas planícies sármatas da Ucrânia à dominação ocidental. A Rússia pode tolerar muitas coisas, excepto a presença de tropas ocidentais no Dniepre. E era precisamente isso que o Ocidente ameaçava ao falar da adesão de Kiev à NATO.

A crise ucraniana, que eclodiu em 2014, produziu dois grandes efeitos geopolíticos: por um lado, o efeito esperado de alinhar novamente os vassalos europeus, privados da energia barata da Sibéria; por outro, o efeito inesperado de forjar uma aliança aparentemente inquebrável entre Moscovo e Pequim.

Chegamos assim aos dias de hoje, com os Estados Unidos atolados numa crise cada vez mais grave devido às suas contas externas cada vez mais desastrosas — o défice da sua Posição Financeira Líquida ultrapassa já os 27 biliões de dólares — e numa posição geoestratégica que um comentador perspicaz descreveu como Zugzwang, aquela situação particular de um jogador de xadrez “obrigado a jogar”, mas em que cada movimento piora a sua posição.

Esta é, de facto, a situação dos Estados Unidos, que passou desde um conflito comercial com o mundo inteiro, ao rapto do presidente venezuelano, passando pelas reivindicações sobre a Gronelândia, até às ameaças de intervenção contínua em Cuba e no Irão.

Esta actuação política transmite aos interlocutores a impressão de que Washington se encontra num verdadeiro turbilhão mental, o que conduz, por sua vez, à incapacidade de desenvolver uma estratégia racional capaz de conter o declínio norte-americano.

Por justiça, contudo, deve notar-se que esta enorme crise geoestratégica e geoeconómica, hoje de proporções históricas, não deve ser considerada apenas uma crise do sistema norte-americano, mas do “sistema mundial” no seu conjunto: enquanto o império norte-americano entra em declínio, e com ele a sua moeda, o mundo ainda não conseguiu gerar uma moeda capaz de substituir o dólar como unidade de conta do comércio internacional e reserva global de valor.

Não basta afirmar que o império e a sua moeda estão numa crise irreversível se os seus adversários não conseguem oferecer uma alternativa válida e credível. Este era um tema que não passou despercebido a políticos, economistas e estrategas chineses. O facto de a questão ter sido debatida nas salas reservadas da Cidade Proibida, em Pequim, era evidente, sobretudo porque apenas a China dispõe da força económica necessária para oferecer ao mundo uma alternativa ao dólar.

Nesse sentido, ontem, uma reportagem do Financial Times fez um anúncio sensacional: o líder chinês Xi Jinping pediu que o renminbi se torne uma moeda de reserva global.

A notícia foi publicada na Qiushi, a principal revista do Partido Comunista Chinês dedicada à teoria e à crítica marxista. O artigo afirma que Xi endossou a tese de que a China deve possuir uma “moeda forte”, amplamente utilizada no comércio internacional, nos investimentos e nos mercados cambiais, alcançando igualmente o estatuto de moeda de reserva.

Trata-se de uma notícia de enorme alcance, pois torna explícito o desafio da China à hegemonia dos Estados Unidos não apenas nas esferas monetária e financeira, mas também nos domínios político e geoestratégico.

Além disso, a disposição da China para dar este passo histórico indica a sua vontade de abandonar o papel de “fábrica do mundo”, uma vez que transformar o renminbi na moeda-padrão do comércio internacional e reserva de valor exige que essa moeda circule globalmente. O principal meio para atingir esse objectivo consiste em os seus emissores comprarem bens e serviços ao resto do mundo em troca da sua própria moeda.

É igualmente evidente que tal perspectiva implica a criação de grandes centros financeiros capazes de competir com Wall Street e com a City de Londres. Nesse sentido, a China tem-se preparado há anos através dos centros financeiros de Hong Kong e Xangai.

Estamos, assim, a assistir a uma fase que ameaça alterar profundamente o rosto do “Sistema Mundial”, embora seja necessário sublinhar que nenhum império em declínio aceita o seu fim sem tentar bloquear o poder emergente que procura substituí-lo. Em breve veremos as contramedidas de Washington.



Tradução RD

Via https://observatoriocrisis.com

IRÃO, CHINA E RÚSSIA ASSINAM UM ACORDO ESTRATÉGICO TRILATERAL

O novo pacto serve como um baluarte para Teerão e os seus parceiros contra a pressão militar unilateral dos EUA. Ao apresentar uma frente unida, os três governos pretendem forçar Washington a negociar a partir de uma posição restritiva, e não dominante.


Relatos sobre uma presença naval crescente dos EUA no Golfo geraram especulações de que os EUA poderiam estar a preparar-se para outra guerra no Médio Oriente, desta vez com o Irão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre «consequências sérias» caso o Irão não cumpra as suas exigências de interromper permanentemente o enriquecimento de urânio, conter o seu programa de mísseis balísticos e acabar com o apoio a grupos regionais aliados.

No entanto, apesar da linguagem familiar da escalada, grande parte do que está a acontecer parece mais próximo de uma disputa de arriscamento do que de preparação para a guerra.

A própria história política do presidente dos EUA oferece um ponto de partida importante para entender por que isso acontece. O apelo eleitoral de Trump, tanto em 2016 como novamente em 2024, baseou-se fortemente na promessa de acabar com as «guerras eternas» dos Estados Unidos e evitar intervenções custosas no estrangeiro.

E o Irão representa a própria definição de uma guerra assim. Qualquer conflito total com Teerão quase certamente seria longo e arrastado noutros países da região.

Também seria difícil alcançar uma vitória decisiva. Para um presidente cuja marca política é construída sobre contenção no estrangeiro e perturbações internas, uma guerra com o Irão contradiria a lógica central da sua narrativa de política externa.

Entretanto, a postura estratégica do Irão está enraizada em décadas de preparação justamente para este cenário. Desde a revolução de 1979, a doutrina militar e a política externa de Teerão foram moldadas pela sobrevivência perante um possível ataque externo.

Em vez de construir uma força convencional capaz de derrotar os EUA em combate aberto, o Irão investiu em capacidades assimétricas: mísseis balísticos e de cruzeiro, uso de proxies regionais, operações cibernéticas e estratégias anti-acesso (incluindo mísseis, defesas aéreas, minas navais, embarcações rápidas de ataque, drones e capacidades de guerra electrónica). Qualquer um que ataque o Irão enfrentaria custos prolongados e crescentes.

É por isso que as comparações com o Iraque em 2003 são enganosas. O Irão é maior, mais populoso, mais coeso internamente e muito mais preparado militarmente para um confronto sustentado.

Um ataque ao território iraniano não representaria a fase inicial do colapso do regime, mas a camada final de uma estratégia defensiva que antecipa exactamente esse cenário. Teerão estaria preparada para absorver danos e é capaz de infligi-los em múltiplos teatros – incluindo no Iraque, no Golfo, no Iémen e além.

Com um orçamento anual de defesa próximo de 900.000 milhões de dólares (650.000 milhões de libras), não há dúvida de que os EUA têm capacidade para iniciar um conflito com o Irão. Mas o desafio para os EUA não está em iniciar uma guerra, mas em mantê-la.

As guerras no Iraque e no Afeganistão oferecem um precedente de advertência. Juntas, estima-se que tenham custado aos EUA entre 6 e 8 milhões de milhões de dólares, incluindo o cuidado de longo prazo dos veteranos, os pagamentos de juros e a reconstrução.

Estes conflitos estenderam-se por décadas, repetidamente superaram as projecções iniciais de custos e contribuíram para o aumento da dívida pública. Uma guerra com o Irão – maior, mais capaz e mais enraizada regionalmente – quase certamente seguiria uma trajectória semelhante, se não mais cara.

O custo de oportunidade dos conflitos no Iraque e no Afeganistão era potencialmente maior, absorvendo um enorme capital financeiro e político num momento em que o equilíbrio global de poder começava a mudar.

Enquanto os EUA se focavam em operações de contra-insurgência e estabilização, outras potências, notadamente a China e a Índia, investiam fortemente em infra-estrutura, tecnologia e crescimento económico de longo prazo.

Esta dinâmica é ainda mais evidente hoje. O sistema internacional está a entrar numa fase muito mais intensa de rivalidade multipolar, caracterizada não apenas pela competição militar, mas também por disputas em inteligência artificial, manufactura avançada e tecnologias estratégicas.

Um envolvimento militar sustentado no Médio Oriente arriscaria prender os EUA em distracções que drenam recursos, justamente à medida que a competição com a China se acelera e as potências emergentes buscam maior influência.

A posição geográfica do Irão agrava este risco. Situado ao longo das principais rotas globais de energia, Teerão tem a capacidade de interromper o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Mesmo uma interrupção limitada faria os preços do petróleo subir drasticamente, alimentando a inflação globalmente. Para os EUA, isto traduzir-se-ia em preços ao consumidor mais altos e resiliência económica reduzida justamente no momento em que o foco estratégico e a estabilidade económica são mais necessários.

Também existe o risco de que a pressão militar possa virar-se pela culatra politicamente. Apesar da significativa insatisfação interna, o regime iraniano demonstrou repetidamente a sua capacidade de mobilizar o sentimento nacionalista em resposta a ameaças externas. A acção militar poderia fortalecer a coesão interna, reforçar a narrativa de resistência do regime e marginalizar os movimentos de oposição.

Ataques anteriores dos EUA e de Israel à infra-estrutura iraniana não produziram resultados estratégicos decisivos. Apesar das perdas de instalações e pessoal sénior, a postura militar mais ampla do Irão e a influência regional mostraram-se adaptáveis.

Retórica e contenção

Trump tem sinalizado repetidamente o seu desejo de ser reconhecido como um pacificador. Ele enquadrou a sua abordagem no Médio Oriente como dissuasão sem envolvimento, citando os Acordos de Abraão e a ausência de guerras em grande escala durante a sua presidência. Isto encaixa desconfortavelmente com a perspectiva de guerra com o Irão, especialmente na semana após o presidente dos EUA lançar o seu «Conselho de Paz».

Os Acordos de Abraão dependem da estabilidade regional, cooperação económica e investimento. Uma guerra com o Irão colocaria tudo isto em risco. Apesar da sua própria rivalidade com Teerão, estados do Golfo como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar priorizaram a desescalada regional.

A experiência recente no Iraque e na Síria mostra o porquê. O colapso da autoridade central criou vácuos de poder rapidamente preenchidos por grupos terroristas, exportando instabilidade em vez de paz.

Alguns argumentam que a agitação interna do Irão representa uma oportunidade estratégica para pressão externa. Embora a República Islâmica enfrente desafios domésticos reais, incluindo dificuldades económicas e descontentamento social, isto não deve ser confundido com um colapso iminente. O regime mantém poderosas instituições de segurança e grupos leais, especialmente quando apresentado como defensor da soberania nacional.

Juntos, estes factores sugerem que os movimentos militares e a retórica actuais dos EUA são melhor entendidos como sinais coercitivos do que como preparação para a invasão.

Não estamos em 2003, e o Irão não é nem Iraque nem Venezuela. Uma guerra não seria rápida, barata ou decisiva. O maior perigo não está numa decisão deliberada de invadir, mas sim num erro de cálculo. Retórica intensificada e proximidade militar podem aumentar o risco de acidentes e escalada não intencional.

Evitar este resultado exigirá contenção, diplomacia e um reconhecimento claro de que algumas guerras – por mais barulhentas que sejam ameaçadas – são simplesmente muito custosas para serem travadas.


Fonte: Revista Midle-East Monitor

Tradução RD



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

PORQUE SERIA UM GRANDE ERRO PARA OS EUA ENTRAREM EM GUERRA COM O IRÃO

Um ataque ao território iraniano não representaria a fase inicial do colapso do regime, mas a camada final de uma estratégia defensiva que antecipa exactamente esse cenário. Teerão estaria preparada para absorver danos e é capaz de infligi-los em múltiplos teatros – incluindo no Iraque, no Golfo, no Iémen e além.


Por Lucía Caballero

Relatos sobre uma presença naval crescente dos EUA no Golfo geraram especulações de que os EUA poderiam estar a preparar-se para outra guerra no Médio Oriente, desta vez com o Irão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre «consequências sérias» caso o Irão não cumpra as suas exigências de interromper permanentemente o enriquecimento de urânio, conter o seu programa de mísseis balísticos e acabar com o apoio a grupos regionais aliados.

No entanto, apesar da linguagem familiar da escalada, grande parte do que está a acontecer parece mais próximo de uma disputa de arriscamento do que de preparação para a guerra.

A própria história política do presidente dos EUA oferece um ponto de partida importante para entender por que isso acontece. O apelo eleitoral de Trump, tanto em 2016 como novamente em 2024, baseou-se fortemente na promessa de acabar com as «guerras eternas» dos Estados Unidos e evitar intervenções custosas no estrangeiro.

E o Irão representa a própria definição de uma guerra assim. Qualquer conflito total com Teerão quase certamente seria longo e arrastado noutros países da região.

Também seria difícil alcançar uma vitória decisiva. Para um presidente cuja marca política é construída sobre contenção no estrangeiro e perturbações internas, uma guerra com o Irão contradiria a lógica central da sua narrativa de política externa.

Entretanto, a postura estratégica do Irão está enraizada em décadas de preparação justamente para este cenário. Desde a revolução de 1979, a doutrina militar e a política externa de Teerão foram moldadas pela sobrevivência perante um possível ataque externo.

Em vez de construir uma força convencional capaz de derrotar os EUA em combate aberto, o Irão investiu em capacidades assimétricas: mísseis balísticos e de cruzeiro, uso de proxies regionais, operações cibernéticas e estratégias anti-acesso (incluindo mísseis, defesas aéreas, minas navais, embarcações rápidas de ataque, drones e capacidades de guerra electrónica). Qualquer um que ataque o Irão enfrentaria custos prolongados e crescentes.

É por isso que as comparações com o Iraque em 2003 são enganosas. O Irão é maior, mais populoso, mais coeso internamente e muito mais preparado militarmente para um confronto sustentado.

Um ataque ao território iraniano não representaria a fase inicial do colapso do regime, mas a camada final de uma estratégia defensiva que antecipa exactamente esse cenário. Teerão estaria preparada para absorver danos e é capaz de infligi-los em múltiplos teatros – incluindo no Iraque, no Golfo, no Iémen e além.

Com um orçamento anual de defesa próximo de 900.000 milhões de dólares (650.000 milhões de libras), não há dúvida de que os EUA têm capacidade para iniciar um conflito com o Irão. Mas o desafio para os EUA não está em iniciar uma guerra, mas em mantê-la.

As guerras no Iraque e no Afeganistão oferecem um precedente de advertência. Juntas, estima-se que tenham custado aos EUA entre 6 e 8 milhões de milhões de dólares, incluindo o cuidado de longo prazo dos veteranos, os pagamentos de juros e a reconstrução.

Estes conflitos estenderam-se por décadas, repetidamente superaram as projecções iniciais de custos e contribuíram para o aumento da dívida pública. Uma guerra com o Irão – maior, mais capaz e mais enraizada regionalmente – quase certamente seguiria uma trajectória semelhante, se não mais cara.

O custo de oportunidade dos conflitos no Iraque e no Afeganistão era potencialmente maior, absorvendo um enorme capital financeiro e político num momento em que o equilíbrio global de poder começava a mudar.

Enquanto os EUA se focavam em operações de contra-insurgência e estabilização, outras potências, notadamente a China e a Índia, investiam fortemente em infra-estrutura, tecnologia e crescimento económico de longo prazo.

Esta dinâmica é ainda mais evidente hoje. O sistema internacional está a entrar numa fase muito mais intensa de rivalidade multipolar, caracterizada não apenas pela competição militar, mas também por disputas em inteligência artificial, manufactura avançada e tecnologias estratégicas.

Um envolvimento militar sustentado no Médio Oriente arriscaria prender os EUA em distracções que drenam recursos, justamente à medida que a competição com a China se acelera e as potências emergentes buscam maior influência.

A posição geográfica do Irão agrava este risco. Situado ao longo das principais rotas globais de energia, Teerão tem a capacidade de interromper o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Mesmo uma interrupção limitada faria os preços do petróleo subir drasticamente, alimentando a inflação globalmente. Para os EUA, isto traduzir-se-ia em preços ao consumidor mais altos e resiliência económica reduzida justamente no momento em que o foco estratégico e a estabilidade económica são mais necessários.

Também existe o risco de que a pressão militar possa virar-se pela culatra politicamente. Apesar da significativa insatisfação interna, o regime iraniano demonstrou repetidamente a sua capacidade de mobilizar o sentimento nacionalista em resposta a ameaças externas. A acção militar poderia fortalecer a coesão interna, reforçar a narrativa de resistência do regime e marginalizar os movimentos de oposição.

Ataques anteriores dos EUA e de Israel à infra-estrutura iraniana não produziram resultados estratégicos decisivos. Apesar das perdas de instalações e pessoal sénior, a postura militar mais ampla do Irão e a influência regional mostraram-se adaptáveis.

Retórica e contenção

Trump tem sinalizado repetidamente o seu desejo de ser reconhecido como um pacificador. Ele enquadrou a sua abordagem no Médio Oriente como dissuasão sem envolvimento, citando os Acordos de Abraão e a ausência de guerras em grande escala durante a sua presidência. Isto encaixa desconfortavelmente com a perspectiva de guerra com o Irão, especialmente na semana após o presidente dos EUA lançar o seu «Conselho de Paz».

Os Acordos de Abraão dependem da estabilidade regional, cooperação económica e investimento. Uma guerra com o Irão colocaria tudo isto em risco. Apesar da sua própria rivalidade com Teerão, estados do Golfo como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar priorizaram a desescalada regional.

A experiência recente no Iraque e na Síria mostra o porquê. O colapso da autoridade central criou vácuos de poder rapidamente preenchidos por grupos terroristas, exportando instabilidade em vez de paz.

Alguns argumentam que a agitação interna do Irão representa uma oportunidade estratégica para pressão externa. Embora a República Islâmica enfrente desafios domésticos reais, incluindo dificuldades económicas e descontentamento social, isto não deve ser confundido com um colapso iminente. O regime mantém poderosas instituições de segurança e grupos leais, especialmente quando apresentado como defensor da soberania nacional.

Juntos, estes factores sugerem que os movimentos militares e a retórica actuais dos EUA são melhor entendidos como sinais coercitivos do que como preparação para a invasão.

Não estamos em 2003, e o Irão não é nem Iraque nem Venezuela. Uma guerra não seria rápida, barata ou decisiva. O maior perigo não está numa decisão deliberada de invadir, mas sim num erro de cálculo. Retórica intensificada e proximidade militar podem aumentar o risco de acidentes e escalada não intencional.

Evitar este resultado exigirá contenção, diplomacia e um reconhecimento claro de que algumas guerras – por mais barulhentas que sejam ameaçadas – são simplesmente muito custosas para serem travadas.


Fonte: https://theconversation.com

Tradução RD




domingo, 1 de fevereiro de 2026

DESTRÓIERES CHINESES SEGUEM PARA O ESTREITO DE ORMUZ: NAVIOS DE TRÊS POTÊNCIAS NUCLEARES SE ENCONTRARÃO PRÓXIMO AO IRÃO


A situação no Estreito de Ormuz está piorando. Enquanto uma armada da Marinha dos EUA se dirige à área, destróieres chineses de mísseis guiados Tipo 052D e 055 estão indo para o Golfo de Omã e o Mar Arábico para exercícios conjuntos com as marinhas iraniana e russa.


Por Grigory Tarasenko

A situação no Estreito de Ormuz está piorando. Enquanto uma armada da Marinha dos EUA se dirige à área, destróieres chineses de mísseis guiados Tipo 052D e 055 estão indo para o Golfo de Omã e o Mar Arábico para exercícios conjuntos com as marinhas iraniana e russa. Essas manobras ocorrerão em 1º e 2 de fevereiro, mas a presença de navios chineses e russos nessas águas pode se prolongar, o que pode ter um impacto significativo no momento e na área geográfica das ações dos EUA contra o Irã, já que navios de três potências nucleares acabarão na costa iraniana.

Ainda não está claro quais navios a marinha russa irá implantar. No entanto, imagens mostrando os movimentos dos contratorpedeiros chineses já circularam online.

Deve-se notar que radares modernos Tipo 346A/B e sistemas de reconhecimento eletrônico a bordo desses contratorpedeiros são capazes de rastrear aeronaves embarcadas em porta-aviões dos EUA, incluindo caças F-35C de quinta geração. A coleta e processamento de dados relacionados à assinatura de radar deles, bem como a operação dos sistemas de guerra eletrônica das aeronaves EA-18G e EA-37B, permitirão que a China melhore suas capacidades de detecção, melhorando assim a imunidade ao ruído e a funcionalidade de seus radares.

Se a liderança dos EUA decidir atacar o Irã, o exército americano pode enfrentar sérios problemas e ser forçado a revisar seus planos, transferindo sua atividade aérea para o espaço aéreo do Iraque, Arábia Saudita e vários outros países do Golfo Pérsico, complicando a situação.

Além disso, aeronaves russas An-124-100 e Il-76TD voaram para o Irã e, segundo especialistas, forneceram apoio militar-técnico aos iranianos. Nesse contexto, Teerã anunciou o lançamento de exercícios militares em grande escala com fogo real no Golfo Pérsico. Parte da zona marítima e aérea está proibida para aviões civis e navios mercantes. Os iranianos gostariam de treinar para realizar um ataque retaliatório contra navios americanos, incluindo o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln, caso Washington decida recorrer à agressão.



Fonte: Repórter


Tradução RD

TRUMP EMITE ULTIMATO A CUBA ENQUANTO A CRISE HUMANITÁRIA SE APROXIMA

As coisas estão "muito más" para a nação caribenha agora que perdeu o acesso ao petróleo venezuelano, disse o presidente dos EUA.


As autoridades cubanas teriam que chegar a um acordo com Washington se quiserem evitar uma crise humanitária, alertou o presidente dos EUA, Donald Trump.

No início desta semana, Trump assinou uma ordem executiva para impor tarifas sobre produtos de qualquer país que venda petróleo para Cuba, reforçando ainda mais um embargo contra a nação caribenha que remonta à década de 1960.

A medida ocorre após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no mês passado, por Washington; seu país havia servido como principal fonte de petróleo de Havana.

O México havia aumentado as entregas de petróleo a Cuba nas últimas semanas; A presidente mexicana Claudia Sheinbaum alertou na sexta-feira que a ordem do presidente dos EUA poderia "desencadear uma crise humanitária em grande escala, afetando diretamente hospitais, suprimentos de alimentos e outros serviços básicos para o povo cubano."

Quando questionado sobre o comentário de Sheinbaum por jornalistas a bordo do Air Force One no sábado, Trump disse: "Bem, não precisa ser uma crise humanitária. Acho que provavelmente eles viriam até nós e quereriam fazer um acordo. Para que Cuba fosse livre novamente."

"Estamos numa situação muito ruim para Cuba. Eles não têm dinheiro. Eles não têm petróleo... Eles viviam do dinheiro e do petróleo venezuelanos, e nada disso está vindo agora", disse ele.

O presidente dos EUA expressou confiança de que as partes chegarão a um acordo e que Washington será "gentil" com Havana.

Trump não explicou quais concessões específicas quer do governo cubano, apenas dizendo que "temos muitas pessoas nos EUA agora que adorariam voltar para Cuba e gostaríamos de resolver isso."

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou Washington da "sufocação econômica" de Cuba no sábado. Ela reiterou a oposição de Moscou às sanções unilaterais não endossadas pela ONU, expressando confiança de que Havana conseguiria superar suas dificuldades econômicas.

As autoridades cubanas declararam um "estado de emergência internacional" devido à campanha de pressão de Trump, que estão descrevendo como uma "ameaça extraordinária" originada na "ala direita neofascista anti-cubana dos EUA."

O Financial Times afirmou anteriormente que Cuba só tem petróleo suficiente para durar de 15 a 20 dias no nível atual de demanda e produção doméstica.



Fonte: RT

Tradução RD





sábado, 31 de janeiro de 2026

A 'ARMADA' DE TRUMP EMITE UM ALERTA A TEERÃO

O Comando Central dos EUA está preocupado com os exercícios navais iranianos, apesar de realizar os seus próprios "exercícios de prontidão" para a guerra.


O exército dos EUA emitiu um alerta formal ao Irão sobre os seus planeados exercícios navais de fogo real no Estreito de Ormuz, enquanto simultaneamente realiza grandes «exercícios de prontidão» em todo o Médio Oriente.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) instou a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irão a realizar o seu treinamento de dois dias a partir de domingo «de maneira segura, profissional e que evite riscos desnecessários».

«Não toleraremos acções inseguras do IRGC, incluindo sobrevoo de embarcações militares dos EUA envolvidas em operações aéreas, sobrevoo armado ou em baixa altitude de activos militares dos EUA quando as intenções não estiverem claras, aproximações de barcos de alta velocidade em rota de colisão com embarcações militares dos EUA ou armas apontadas contra forças americanas», afirmou o comando.

O alerta ocorre enquanto os próprios EUA estão a executar exercícios militares em larga escala, de vários dias, em toda a região. A Força Aérea Central dos EUA (AFCENT) anunciou os exercícios esta semana, projectados para praticar o rápido desdobramento e manutenção de aeronaves de combate para vários «locais de contingência».

Os exercícios aéreos complementam o reforço naval que o presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu publicamente. «Há outra linda armada a flutuar lindamente em direcção ao Irão agora», disse Trump no início desta semana, referindo-se a um grupo de ataque de porta-aviões liderado pelo USS Abraham Lincoln.

«Temos muitos navios muito grandes e muito poderosos a navegar para o Irão agora, e seria ótimo se não tivéssemos que usá-los», disse Trump a repórteres na quinta-feira, acrescentando que prefere resolver as tensões diplomaticamente. Ele reiterou duas exigências centrais: «Número um, nada de nuclear. E segundo, parem de matar manifestantes.»

Os media estatais iranianos anunciaram os exercícios após a publicação de Trump nas redes sociais a alertar que o «próximo ataque será muito pior» do que os anteriores, instando o Irão a «FAZER UM ACORDO».

O Irão respondeu às ameaças com desafio. A sua missão na ONU publicou um alerta nas redes sociais afirmando que está «pronta para o diálogo», mas que, se pressionada, «se defenderá e responderá como nunca antes».

Um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o país está «200% preparado» e dará uma «resposta adequada, não proporcional», potencialmente mirando bases americanas.

O Estreito de Ormuz, onde o Irão planeia realizar exercícios, é um ponto crítico de estrangulamento para os envios globais de petróleo, com cerca de 100 navios mercantes a transitar diariamente. A declaração do CENTCOM reconheceu o direito do Irão de «operar profissionalmente» no espaço aéreo e nas águas internacionais.


Fonte: RT

Tradução RD








sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

UMA SÍNTESE DO SUICÍDIO EUROPEU

A União Europeia neoliberal e as suas instituições causaram o colapso mais grave que a Europa já sofreu.


Por Andrea Zhok, filósofo italiano

Houve um tempo em que uma Europa unida se apresentava como:

1) baluarte competitivo contra os EUA;

2) criação de um órgão supranacional com massa crítica capaz de se afirmar a nível internacional.

Tudo isso acabou virando uma farsa.

Por quê?

A) O modelo ideológico

Quando o Tratado de Maastricht foi redigido, o Ocidente era dominado pela lenda do triunfo neoliberal sobre o urso soviético, e assim o arcaboiço neoliberal definiu todos os principais mecanismos jurídicos, o papel da indústria pública e as relações com as finanças, segundo esse modelo ideológico.

Este modelo assume que a livre troca é um substituto idealmente completo para a democracia (na verdade, uma melhoria do mecanismo rudimentar das eleições democráticas) e privilegia o papel dinâmico do grande capital, em relação ao qual a política deve desempenhar um papel auxiliar e facilitador.

B) A soberania da economia financeira.

Teorias absurdamente abstractas, como o modelo de Nozick sobre o surgimento do Estado a partir do livre comércio egoísta, formaram a base de um modelo inovador que imaginava uma entidade política (um sindicato político, um estado federal, etc.) que surgia de intensa interacção de mercado. O modelo europeu tornou-se, assim, o primeiro experimento histórico (e, dado o resultado, também o último) em que se acreditava que um mercado comum (ou seja, um sistema de competição mútua entre Estados dentro de um quadro que forçasse máxima competitividade) seria o precursor de uma união política.

Obviamente, o que realmente aconteceu foi o que sempre acontece em condições de mercado altamente competitivas e sem filtros políticos (sem barreiras alfandegárias, sem ajustes monetários, etc.): houve vencedores e perdedores, houve países que ganharam vantagens e países cujos recursos foram vampirizados (a Itália é um desses últimos).

A ideia ultrapassada de governos democráticos responsáveis perante os eleitores foi substituída pela ideia de «governança» como sistema de regras para a gestão económica, o que levou à ideia da política a funcionar no «piloto automático».

C) A política de vencedor leva tudo.

Sistemas financeiros são impessoais, sem cabeça e supranacionais, mas isso não significa que lhes faltem centros de gravidade. O principal centro de gravidade do sistema financeiro ocidental é o eixo Nova Iorque-Londres, enquanto o seu principal braço político sempre foi o governo dos EUA (qualquer governo dos EUA).

A Europa de Maastricht, que começou a operar internacionalmente segundo regras neoliberais, inevitavelmente caiu na órbita gravitacional dos grandes gestores de fundos financeiros, incorporados na política dos EUA. Nos Estados Unidos, a política da supremacia nacional e do lucro financeiro é indistinguível: são a mesma com variações estilísticas mínimas.

Assim, a Europa de Maastricht retornou totalmente sob a asa hegemónica dos Estados Unidos precisamente no momento histórico em que o desenvolvimento económico do pós-guerra teria permitido autonomia.

Desde a década de 1990, a hegemonia americana tem sido financeira, militar e, acima de tudo, cultural, demolindo gradualmente toda a resistência interna europeia. No campo cultural, os últimos 30 anos testemunharam uma completa americanização ideológica da Europa, importando não apenas estilos cinematográficos e musicais, mas também modelos institucionais, modelos de gestão para escolas, universidades, serviços públicos, etc.

D) Suicídio geopolítico

A hegemonia cultural facilitou o crescimento da hegemonia político-militar dos Estados Unidos, que, em vez de recuar diante dos resultados da Segunda Guerra Mundial, se impôs numa nova dimensão geopolítica.

A Europa (UE) passou a apoiar sistematicamente todas as iniciativas dos EUA de reorganização geopolítica, do Afeganistão ao Iraque, Jugoslávia e Líbia.

A estrutura ideológica — a lenda progressista de um sistema internacional baseado em regras e respeito aos direitos humanos — permitiu que as políticas dos EUA fossem aprovadas sem oposição da opinião pública europeia. Por duas décadas, os cidadãos europeus engoliram como gansos os contos de fadas americanos de «emancipação dos povos oprimidos», «intervenção humanitária» e «policiamento internacional».

Entretanto, enquanto os nossos jornais se elogiavam mutuamente pela civilização e iluminação, os Estados Unidos cortaram todas as cadeias vitais de suprimentos para a Europa. Isso desestabilizou todos os produtores de petróleo do Médio Oriente que ainda não eram vassalos dos EUA (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, etc.). Assim, Iraque e Líbia passaram de fornecedores independentes a um monte de ruínas onde só a força militar conta.

Sob a fábula crédula dos direitos humanos, o Irão foi sancionado e impedido de negociar os seus recursos com a Europa. Por fim, provocações repetidas na fronteira com a Ucrânia desencadearam a guerra em curso, que cortou a principal fonte de fornecimento de energia para a indústria europeia: a Rússia.

Com o Médio Oriente e a Rússia fora do caminho, os génios da política europeia têm-se apoiado fortemente no GNL americano, reduzindo drasticamente a competitividade da indústria europeia. E, neste momento, obviamente, o poder de negociação da Europa com os EUA é nulo. Se Trump quiser a Gronelândia, nós damo-la a ele; se quiser a primeira noite certa, nós damos-lha (basta desconectar o GNL e o continente estará de joelhos).

E) O que fazer?

É realmente difícil recuperar de uma situação tão comprometida. Na verdade, a União Europeia neoliberal e as suas instituições causaram o colapso mais grave que a Europa já sofreu, pior até mesmo que a Segunda Guerra Mundial, em termos de poder comparativo.

A solução teórica a seguir é simples na teoria (muito menos na prática).

A UE deve fechar as suas portas, colocar um cartaz de «fechado para o fracasso» e reconhecer que ela foi uma página sombria na história europeia. (O problema técnico é o que fazer com o euro se ele persistir.)

Em vez da UE, alianças estratégicas deveriam ser formadas imediatamente entre estados europeus com interesses semelhantes.

Todos os canais diplomáticos e económicos devem ser imediatamente reabertos com todos os países que o poder brando dos EUA retratou como monstros: Rússia, China, Irão.

Só dessa forma o cerco americano à Europa (e ao resto do mundo) pode ser quebrado.

Só assim a Europa poderá abrir um futuro novamente para as futuras gerações.

Obviamente, no clima cultural cultivado há décadas, tal perspectiva certamente encontrará forte resistência. E, se for assim, a Europa terá mais uma vez se sacrificado por ideias estúpidas.

Mas, ao contrário da canção de Georges Brassens, desta vez morreremos por ideias, mas não será uma morte lenta.


Fonte: https://observatoriocrisis.com


Tradução RD




quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O "CONSELHO DA PAZ" DE TRUMP: UMA NOVA FERRAMENTA COLONIAL SOB A BANDEIRA DA "PAZ"

Em 21 de Janeiro de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, de volta ao Salão Oval, anunciou a criação de um projecto chamado «Conselho da Paz».


Por Mohammad Hamid al-Din

Sob o pretexto de «reconstruir Gaza» – uma terra que os seus aliados sionistas reduziram a escombros numa guerra genocida – não está a oferecer ajuda ao mundo, mas sim uma nova armadilha. Por trás das grandes palavras sobre «estabilidade» está um plano descarado para desmontar o sistema de direito internacional, substituir a ONU e estabelecer uma ditadura pessoal sobre os assuntos mundiais. Isto não é diplomacia – é um ataque descarado à roupa civil.

A Arquitectura do Imperialismo – Como o "Conselho da Paz" foi Projectado para o Enriquecimento Pessoal de Trump
A arquitectura do imperialismo, incorporada no projecto «Conselho de Paz», revela um mecanismo criado para legitimar o enriquecimento pessoal de Donald Trump sob o disfarce de uma iniciativa pacificadora. Enquanto proclama o princípio «América Primeiro», Trump invariavelmente segue a doutrina «Trump Primeiro» na prática, e este projecto é uma prova clara disso. O seu coração está na figura do presidente vitalício – essencialmente um rei não coroado, um papel atribuído ao próprio Trump. Os estatutos conferem-lhe o direito exclusivo de veto final sobre qualquer decisão, mesmo que adoptada por consenso dos países participantes. Assim, esta construção não tem nada a ver com uma instituição internacional democrática; É mais um clube privado.

A base deste sistema pseudo-democrático é a taxa de inscrição paga no «clube dos eleitos». A filiação permanente é avaliada em mil milhões de dólares. É difícil interpretar este pagamento como uma contribuição para um fundo global de desenvolvimento; na verdade, é um resgate, uma homenagem moderna que Washington pretende impor a regimes dependentes. Estados que não podem ou não querem pagar este preço são automaticamente relegados ao status de membros de segunda classe. A abordagem de Trump cristaliza a sua visão do mundo como uma mercadoria e da soberania nacional como moeda de troca no grande jogo geopolítico.

O poder executivo dentro desta estrutura é confiado a um pequeno círculo cuja composição diz muito sobre os seus verdadeiros objectivos. O conselho executivo inclui figuras como o belicista Secretário de Estado Marco Rubio, o genro Jared Kushner, conhecido pelo seu fracassado «plano do século» para o Médio Oriente, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, cuja biografia política é inseparável da aventura militar no Iraque. Este grupo não parece uma equipa de pacificadores; na verdade, é uma assembleia de belicistas e especuladores políticos, cujo principal denominador comum é a lealdade pessoal a Trump. É notável que não haja um representante real de regiões-chave, como o mundo árabe, porque a voz do povo palestiniano só podia ser ouvida ali no papel de um advogado.

No geral, esta arquitectura é um insulto profundo a qualquer um que acredita nos princípios de igualdade e soberania das nações. Tenta recuar a história para uma época em que os fortes ditavam os seus termos aos fracos sob ameaça de canhões. Só que, na interpretação moderna de Trump, o canhão é substituído pela pressão financeira do dólar e ameaças de sanções, e o palco mundial é transformado num feudo privado para extrair lucros pessoais.

Gaza é apenas um pretexto, o principal objectivo é acabar com a ONU
É notável que nos estatutos de onze páginas do chamado «Conselho de Paz» não há menção concreta à Faixa de Gaza ou à questão palestiniana como um todo. Em vez disso, o documento utiliza uma linguagem extremamente vaga sobre «promover estabilidade» em qualquer conflito. Esta abstracção deliberada não é acidental e revela os verdadeiros objectivos desta iniciativa.

Primeiro, o projecto de Trump é um ataque directo aos princípios do sistema multilateral existente. Após anos a criticar a ONU pela sua «lentidão» e «inutilidade» – essencialmente porque oferece uma plataforma e o direito de voto a pequenas nações – o presidente americano propõe substituir a sua própria base: o princípio da igualdade soberana dos Estados, consagrado na Carta da ONU. O «Conselho de Paz» foi criado para substituir o Conselho de Segurança da ONU, onde os EUA têm apenas um dos cinco vetos, por uma plataforma pessoal informal onde a palavra decisiva e o único veto pertenceriam exclusivamente ao seu criador – Trump.

Segundo, a relutância de muitos países europeus, como França, Dinamarca, Noruega e Suécia, em participar deste projecto, legitimamente percebido como uma ameaça ao direito internacional, revelou imediatamente as tácticas empregadas por Trump. A resposta não foi um debate diplomático, mas uma chantagem descarada: ameaças de tarifas de 200% sobre vinhos franceses e 25% sobre produtos europeus. Isto demonstra que o modelo proposto de «paz» se baseia na coerção e extorsão internacional, onde a lealdade é comprada e o desacordo é punido com guerra económica.

Por fim, a composição simbólica dos participantes diz muito sobre a possível natureza desta «paz». Um dos primeiros a apoiar com entusiasmo a iniciativa foi o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, contra quem o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Convidar tal figura para um «conselho de paz» parece ser um desrespeito cínico pela própria noção de justiça. Isto dá uma resposta triste para a questão de que «paz» pode ser construída sob a presidência de Donald Trump e com a participação de Benjamin Netanyahu. Tudo indica que só pode ser uma «paz» dos fortes sobre os fracos, uma «paz» de silêncio cemiterial imposta àqueles privados do direito à sua própria voz e soberania.

Regimes fantoches árabes: o abandono da causa palestiniana?
O golpe mais amargo é o comportamento de uma série de regimes árabes que se apressaram a aderir a esta aventura fundamentalmente anti-árabe e anti-islâmica. Os governos de países como Egipto, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Bahrein, em vez de se unirem para defender Jerusalém Santa e a Palestina dilacerada, estão a tentar integrar-se nas estruturas de um conselho que será controlado por criminosos de guerra sionistas e chauvinistas americanos. Eles trocam os restos da sua legitimidade por promessas efémeras de «acesso a gabinetes da Casa Branca» e «contratos de reconstrução».

Neste contexto, o silêncio das verdadeiras forças patrióticas do mundo árabe é particularmente eloquente. Onde está a voz da Argélia? Qual é a posição do Iraque? Onde está a Síria, que já provou a sua resiliência na luta contra o terrorismo? Onde está o Iémen, que demonstrou vividamente que a hegemonia americana não é eterna? A contenção deles fala por si mesma – eles entendem que o chamado «Conselho de Paz» é uma armadilha criada para enterrar a causa palestiniana de uma vez por todas sob uma mistura de comitês burocráticos e «governos tecnocráticos» desprovidos de soberania real.

Entretanto, a substância do problema permanece inalterada: os palestinianos não são objecto de governação externa. Como aponta apropriadamente o analista jordaniano Hani Al-Hazaymeh, «Gaza não precisa apenas de estradas e hospitais – precisa de soberania, responsabilidade e liberdade.» Nenhum conselho presidido por Donald Trump e incluindo Benjamin Netanyahu é capaz de dar aos palestinianos nem um, nem o outro, nem o terceiro. A sua verdadeira função é legalizar uma nova forma sofisticada de tutela, que não passa de colonialismo sob o disfarce de administração internacional.

O Império enfraqueceu e, portanto, tornou-se mais perigoso
A criação do chamado «Conselho da Paz» é um sintoma de uma profunda crise da hegemonia americana, não uma demonstração da sua força. Conscientes do enfraquecimento da sua influência em instituições internacionais tradicionais como a ONU, onde China, Rússia e os países do Sul Global são cada vez mais vocais, os círculos dominantes americanos estão a tentar criar estruturas paralelas sob o seu controlo directo. Esta iniciativa, associada à figura de Donald Trump, parece uma tentativa desesperada de um predador encurralado de preservar a sua dominância.

Diante desta nova enganação, os povos do mundo árabe e todas as forças amantes da liberdade no planeta devem adoptar uma postura de princípios. Não precisamos de «conselhos de paz» hipócritas vindos daqueles que incitam conflitos, mas de acções concretas e imediatas: o levantamento completo do bloqueio de Gaza, a retirada das tropas de ocupação israelitas de todos os territórios palestinianos, e não ajuda beneficente, mas a realização dos direitos inalienáveis do povo palestiniano, incluindo autodeterminação, retorno de refugiados e o estabelecimento de um estado independente com Jerusalém Oriental como capital.

O «Conselho da Paz» de Trump, como muitas das suas aventuras anteriores, está historicamente condenado. Ela será destruída na rocha da resistência palestiniana, na crescente consciência internacional que reconhece a hipocrisia ocidental e na vontade inabalável dos povos que provaram, como Síria e Iémen, que o ditado imperialista pode e deve ser resistido. O verdadeiro caminho para a justiça não é pelos salões onde a soberania é negociada, mas pela luta implacável travada dia após dia, até que o muro do colonialismo e da opressão seja finalmente derrubado.

Fonte: New Eastern Outlook

Tradução RD


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

RHEINMETALL E OHB EM NEGOCIAÇÕES PARA CONSTRUIR O RIVAL ALEMÃO DA STARLINK PARA A BUNDESWEHR

Como a maior economia da União Europeia, a Alemanha está a mover-se para expandir rapidamente a sua capacidade militar e reduzir a sua dependência estratégica dos EUA. A Starlink da SpaceX, maior provedora de banda larga espacial do mundo, opera actualmente mais de 9.000 satélites em LEO — aproximadamente 2.000 km acima da Terra — atendendo milhões de clientes.


A gigante da defesa Rheinmetall e o fabricante de satélites OHB estão em discussões avançadas para apresentar uma proposta conjunta para um serviço de internet via satélite para as forças armadas alemãs, projectado para rivalizar com o Starlink de Elon Musk.

Segundo três fontes que falaram ao Financial Times (FT), as negociações sobre parceria ainda estão nos seus estágios iniciais. O acordo posicionaria os grupos para garantir uma parte do orçamento de 35.000 milhões de euros de Berlim destinado à tecnologia espacial militar.

A joint venture proposta visa assegurar um contrato de vários milhares de milhões de euros para desenvolver uma rede de comunicação por satélite de nível militar em órbita terrestre baixa (LEO) para a Bundeswehr. Autoridades caracterizaram o projecto como um «Starlink para a Bundeswehr».

As negociações entre a fabricante de tanques Rheinmetall, sediada em Düsseldorf, e a OHB, sediada em Bremen, seguiram a promessa de Berlim no ano passado de investir 35.000 milhões de euros em capacidades espaciais militares. Isto gerou intensa competição entre empresas europeias de defesa e aeroespacial por contratos lucrativos.

Como a maior economia da União Europeia, a Alemanha está a mover-se para expandir rapidamente a sua capacidade militar e reduzir a sua dependência estratégica dos EUA. A Starlink da SpaceX, maior provedora de banda larga espacial do mundo, opera actualmente mais de 9.000 satélites em LEO — aproximadamente 2.000 km acima da Terra — atendendo milhões de clientes.

Originalmente um serviço comercial, os terminais de alta velocidade e portáteis da Starlink tornaram-se indispensáveis para as forças de defesa ucranianas após a invasão em larga escala da Rússia.

Quando outras redes eram destruídas ou bloqueadas, a Starlink fornecia comunicações altamente resilientes no campo de batalha. Desde então, a SpaceX lançou a Starshield, um serviço dedicado de satélites LEO para clientes de defesa e inteligência.

No entanto, preocupações crescentes sobre a dependência de Musk ou dos EUA levaram várias nações a desenvolverem as suas próprias redes seguras e soberanas. De acordo com a consultoria espacial Novaspace, os planos de investimento da Alemanha farão da Alemanha o terceiro maior gastador mundial em tecnologia espacial, ficando atrás apenas dos EUA e da China.

Armin Fleischmann, coordenador espacial das forças armadas alemãs, disse ao Handelsblatt na semana passada que a rede da Bundeswehr será estabelecida «nos próximos anos, principalmente com empresas alemãs».

Fleischmann observou que a prioridade inicial seria o flanco leste da NATO, onde a Alemanha está a estabelecer uma brigada permanente de 5.000 homens na Lituânia, com «tudo o mais a seguir». Ele acrescentou que as Forças Armadas finalizaram as suas especificações e as autoridades de aquisição estão a preparar-se para emitir a licitação.

Enquanto a Rheinmetall tradicionalmente se focava na produção de tanques, artilharia e munição, a empresa está a diversificar-se rapidamente à medida que a Alemanha aumenta os seus gastos com defesa.

No final do ano passado, a empresa garantiu o seu primeiro contrato espacial, avaliado em 2.000 milhões de euros. Sob esse acordo, a Rheinmetall fez parceria com a empresa finlandesa de tecnologia espacial Iceye para fabricar satélites numa antiga fábrica automóvel na Alemanha.

As empresas produzirão uma constelação para reconhecimento por radar — uma tecnologia especialmente adequada para vigilância sob cobertura de nuvens, condições climáticas adversas ou escuridão.

O empreendimento proposto com a Rheinmetall ocorre enquanto a OHB, que fornece satélites para a constelação de navegação Galileo da UE, enfrenta pressão competitiva devido a uma possível fusão das divisões espaciais Airbus, Thales e Leonardo.

O CEO da OHB, Marco Fuchs, alertou que tal fusão, que consolidaria os dois maiores fabricantes de satélites da Europa numa única entidade, poderia sufocar a concorrência.

Como o terceiro maior fabricante de satélites da Europa, a OHB pode ter dificuldades para competir sozinha. No entanto, o impulso da Alemanha por uma nova rede oferece uma oportunidade para expandir o seu portfólio de satélites de pequeno e médio porte.

Já fornecedora de satélites de reconhecimento por radar para as forças armadas alemãs, a OHB está ansiosa para expandir as suas operações de defesa. Na semana passada, a empresa aumentou as suas previsões de lucros e receita para este ano e o próximo, impulsionada em parte pelo aumento esperado nos gastos espaciais militares.



Fonte: https://harici.com.tr


Tradução RD



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

EUA TERÃO AMEAÇADO DELCY RODRÍGUEZ DE MORTE, SEGUNDO ÁUDIO DIVULGADO

Num áudio divulgado, cuja veracidade não pôde ser comprovada, militares dos EUA terão ameaçado matar a presidente interina da Venezuela se não aceitasse as suas condições.


Por Jesús Maturana

A Venezuela atravessa um novo episódio de turbulência política após a divulgação de uma gravação atribuída a Delcy Rodríguez, presidente interina do país. No material publicado, cuja veracidade não foi confirmada por fontes independentes, ouve-se uma voz que supostamente corresponde a Rodríguez relatando um episódio de pressão directa por parte das tropas americanas.

«Deram-nos 15 minutos para responder, caso contrário matavam-nos. E diante da informação que nos tinham dado de que eles (Maduro e a esposa) tinham sido assassinados, e não sequestrados, dissemos que estávamos prontos para correr o mesmo destino», ouve-se na gravação. O contexto do suposto ultimato não fica claro no áudio, embora pareça referir-se a momentos críticos do actual conflito político venezuelano.

O aparecimento deste material gerou reacções divididas. Dentro do país, sectores da oposição interpretam-no como evidência da fragilidade do governo. Fora da Venezuela, analistas debatem o nível real de participação dos Estados Unidos na crise interna. Até ao momento, nem Delcy Rodríguez nem as autoridades norte-americanas emitiram declarações oficiais sobre o conteúdo do áudio.

Acusações de traição e defesa da lealdade chavista

Paralelamente à divulgação do áudio, circulam versões que apontam para contactos entre Delcy Rodríguez e funcionários norte-americanos antes e depois da captura de Nicolás Maduro. O governo classifica essas informações como "parte de uma estratégia mediática destinada a dividir o chavismo".

Diosdado Cabello, uma das figuras mais influentes do movimento, respondeu às acusações durante um comício em Caracas. «Aqui não haverá mais traição. Estamos nas ruas hoje para celebrar a lealdade absoluta ao irmão presidente, Nicolás Maduro, e a Cilia Flores», declarou perante uma multidão de apoiantes. O seu discurso procurou cerrar fileiras em torno da liderança de Maduro e rejeitar qualquer insinuação de negociações com Washington.

O ministro do Interior reforçou essa mensagem ao exigir «unidade absoluta» e ligar a luta política à libertação de Maduro e da sua esposa, detidos, segundo a versão oficial, pelos Estados Unidos. No entanto, estas declarações chocam com os rumores sobre conversas discretas entre sectores do poder venezuelano e o governo norte-americano.

Panorama regional incerto e possíveis sanções

Três semanas se passaram desde a suposta operação contra Maduro, mas a situação regional ainda não se esclareceu. Nos Estados Unidos, Donald Trump avalia, segundo o seu círculo, a possibilidade de impor um bloqueio total ao petróleo venezuelano que abastece Cuba. Uma medida dessa magnitude teria repercussões económicas significativas nas Caraíbas e aprofundaria o isolamento da Venezuela.

Entretanto, o país permanece num limbo de versões contraditórias. A falta de confirmações oficiais e a proliferação de informações não verificadas complicam qualquer análise. O cenário imediato dependerá de como os actores envolvidos responderão e se surgirão novas provas que esclareçam os factos.


Fonte: Euronews

Tradução RD


domingo, 25 de janeiro de 2026

OS EUA VÃO DERRUBAR O GOVERNO CUBANO ATÉ AO FINAL DO ANO?


Trump quer mudar o governo em Havana e está a procurar representantes no governo cubano que possam fazer um acordo com ele. Eles deveriam ajudar os Estados Unidos a derrubar os actuais líderes cubanos do poder. Para isso, autoridades da Casa Branca realizaram uma série de reuniões com emigrantes cubanos e grupos civis em Miami e Washington, D.C.


Por Alexandre Lemoine

A administração de Donald Trump está a considerar a possibilidade de uma mudança de poder em Cuba até ao final do ano, escreve o Wall Street Journal, citando as suas fontes. Interlocutores da Casa Branca acreditam que uma rara janela de oportunidade se abriu e a confiança foi fortalecida após os acontecimentos na Venezuela.

A 3 de Janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação militar limitada em Caracas, após a qual o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado e deposto do poder. Washington vê a operação como um modelo bem-sucedido de pressão sobre os governos de toda a região, observa o WSJ. O governo Trump acredita que a queda de Maduro enfraqueceu significativamente Cuba, cuja economia dependeu por décadas de entregas baratas de petróleo venezuelano.

Segundo a inteligência dos EUA, Cuba já enfrenta cortes regulares de energia e uma grave escassez de alimentos e remédios. Quase 90% da população vive abaixo da linha da pobreza. Sem garantias de entrega de petróleo, a ilha pode enfrentar um colapso energético nas próximas semanas, informa o WSJ.

No entanto, Washington reconhece que os Estados Unidos não têm um plano directo para derrubar o governo cubano. Actualmente, o foco está em encontrar representantes da elite cubana dispostos a negociar e fazer concessões com os Estados Unidos. Segundo o WSJ, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, está a procurar pessoas no governo cubano que ajudem os EUA a mudar o poder no país até ao final de 2026. Foi exactamente assim que os serviços especiais dos EUA na Venezuela agiram, onde alguém próximo a Maduro teve um papel fundamental.

Ao mesmo tempo, a administração está a aumentar a pressão económica sobre Havana. O exército dos EUA continua a apreender petroleiros ligados à Venezuela, bloqueando os últimos canais de fornecimento de petróleo para Cuba. Após a captura de Maduro, Trump alertou Havana que não haveria mais petróleo ou dinheiro a sair de Caracas, e instou as autoridades cubanas a «fazer um acordo antes que seja tarde demais».

No entanto, não há unidade dentro da administração Trump, observa o diário. Alguns dos funcionários, incluindo membros da diáspora cubana na Flórida, insistem num cenário severo. Entre eles, por exemplo, está o Secretário de Estado Marco Rubio. Outros oficiais apontam fracassos passados, incluindo os desembarques mal-sucedidos de tropas americanas em Cuba e o embargo de longa data. Nenhuma dessas medidas levou a uma mudança de poder.

Cuba continua a ser um estado de partido único sob controlo firme, diz o WSJ. O presidente Miguel Díaz-Canel já disse que não aceitará nenhum acordo sob pressão dos Estados Unidos.

Anteriormente, diplomatas europeus disseram à Bloomberg que Cuba poderia enfrentar uma crise humanitária e o colapso do governo em meio a uma pressão mais forte do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou privar a ilha de combustível e financiamento. A Reuters escreveu que a inteligência dos EUA avalia a situação económica de Cuba como extremamente grave. No entanto, a CIA não tira uma conclusão definitiva sobre se a crise levará à queda do governo.

Donald Trump disse em 5 de Janeiro que Cuba «parece estar à beira da cama» («pronta para cair»). Ele disse que o país «não tinha renda» porque o dinheiro só vinha da Venezuela para Havana.

A 11 de Janeiro, o líder dos EUA disse que os Estados Unidos estavam em contacto com as autoridades cubanas sobre um possível acordo. «Você logo saberá. Estamos a conversar com Cuba», disse Trump aos repórteres. No entanto, ele não especificou qual era o acordo ou com quem as negociações estavam em andamento.


Fonte: https://www.observateur-continental.fr

Tradução RD





SOMOS DO ESPAÇO NÃO-SOCIALISTA E ANDRÉ VENTURA NÃO NOS REPRESENTA: PERSONALIDADES DA DIREITA MODERADA APOIAM SEGURO

"Entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado, e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses", lê-se.


Por Rita Dinis

Um grupo de personalidades da área não-socialista, do espaço político da direita moderada, assinaram uma carta de apoio a António José Seguro rejeitando a ideia de que a escolha, no dia 8 de fevereiro, será entre esquerda e direita. "Em 1986, os portugueses escolheram entre um moderado de esquerda e um moderado de direita, em 2026 enfrentam-se um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais", lê-se na carta, que conta com centenas de subscritores.

Entre os subscritores estão nomes como Pedro Mexia, Pacheco Pereira, José Eduardo Martins, João Maria Jonet, Francisco Mendes da Silva, Diogo Feio, Arlindo Cunha, Henrique Raposo ou Carlos Carreiras. Pelas 14h55 deste sábado, a página da internet contava com mais de 700 assinaturas. Adolfo Mesquita Nunes, António Capucho, António Lobo Xavier, António Nogueira Leite, Daniel Proença de Carvalho, Duarte Marques, Filipa Roseta, Miguel Frasquilho, Teresa Violante e Tiago Pitta e Cunha são outros nomes que também subscrevem esta posição de apoio à candidatura de António José Seguro.

Intitulados "Não-socialistas por Seguro", os subscritores recusam a ideia que tem sido defendida por André Ventura de que o confronto eleitoral será entre o bloco das esquerdas e o das direitas, que Ventura classifica de o bloco "não-socialista". "Entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado, e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses", lê-se.

"O candidato André Ventura é, além do mais, o mesmo que, no partido que fundou e dirige, apresentou propostas inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana, como confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, a hipótese do regresso à pena de morte, a cidadania portuguesa concedida a título revogável, a proibição de críticas à magistratura, a estigmatização de comunidades imigrantes, um securitarismo de razia, a continuação às avessas das guerras culturais, a velha tentação censória, o alinhamento com autocratas e governos autoritários. Por estas e outras razões, André Ventura não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado", continua a ler-se na missiva.

Para os subscritores, maioritariamente personalidades do PSD ou CDS, ou sem filiação partidária, António José Seguro mostrou na campanha eleitoral que "evita o faccionismo e a ofensa" e "tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade". É nesse sentido que apelam ao voto em Seguro, mesmo sabendo que têm "discordâncias ideológicas" em relação ao ex-secretário-geral socialista. "Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos", rematam.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

É IMPOSSÍVEL A EUROPA DEFENDER A DINAMARCA PORQUE AS ARMAS EUROPEIAS SÃO CONTROLADAS PELOS EUA

Mas existe aqui um factor que poucos conhecem: os F-35 (tal como os F-16 e todos os outros aviões vendidos pelos EUA) não são totalmente utilizáveis pelos seus proprietários. O seu funcionamento depende de uma "chave electrónica" fornecida pelos EUA e renovada de 48 em 48 horas. Sem essa "chave electrónica" devidamente actualizada a cada dois dias o avião não descola.


Por  José-António Pimenta de França

A Europa não pode dizer não aos EUA em nada. Uma guerra entre os EUA e a Europa não é só improvável, é impossível. E não é só porque as forças militares europeias são muito inferiores em tamanho e qualidade de armamento às dos EUA. A verdadeira razão é técnica. 

Vamos aos factos: actualmente, todos os países da União Europeia e da NATO consomem, utilizam ou dependem de armamento americano em todos os domínios, seja nos aviões de combate, sistemas de defesa aérea e outros, electrónica militar, software de todos os tipos, sistemas de comando, comunicações por satélite essenciais ao comando e controlo de mísseis.  

Para usar um exemplo recente relativo ao caso da Dinamarca e o diferendo com os EUA sobre a Gronelândia. Nos últimos anos a Dinamarca multiplicou as encomendas de F-35, um dos caças de quinta geração mais avançados do mundo, apresentado como o cúmulo da tecnologia ocidental. 

Mas existe aqui um factor que poucos conhecem: os F-35 (tal como os F-16 e todos os outros aviões vendidos pelos EUA) não são totalmente utilizáveis pelos seus proprietários. O seu funcionamento depende de uma "chave electrónica" fornecida pelos EUA e renovada de 48 em 48 horas. Sem essa "chave electrónica" devidamente actualizada a cada dois dias o avião não descola, não se mexe para nada, mesmo em caso de crise, em caso de guerra. Não se trata de uma opção, é uma condição inscrita no contrato de compra e obrigatoriamente aceite por todos aqueles que quiserem dotar as suas forças aéreas com F-35. Estas condições não se aplicam só aos F-35, aplicam-se a todos os sistemas de armas vendidos pelos americanos. 

Esta dependência tem um nome: ITAR - International Traffic in Arms Regulations, que é uma norma americana que estabelece um princípio simples e brutal: em qualquer sistema de armas (toda a tecnologia militar, radares, tudo) que disponha de um componente americano, os EUA têm obrigatoriamente um direito de veto/aprovação quanto à sua utilização. Trata-se de um direito jurídico, contratual. Para poderem comprar estas armas aos EUA, os estados devem conceder aos EUA um direito de veto político à sua utilização. 

Ou seja, por exemplo, Arábia Saudita e esses estados todos do Golfo que têm poderosas forças aéreas cheias de aviões americanos, se lhes passar pela cabeça defender-se ou atacar Israel, verão que os seus aviões não voam, os seus mísseis não saem dos lançadores, a sua defesa aérea fica paralisada ante ataques israelitas. É assim com todas as armas americanas. Só podem ser utilizadas se são incomodarem os interesses americanos.

Na UE, só um país tenta contornar este sistema, a França, que pode dar-se a esse luxo porque é o único que dispõe ainda (a muito custo) de um complexo militar-industrial próprio. As forças militares de todos os outros países da UE e NATO optaram por comprar americano, por isso estão totalmente à mercê de Washington. Em consequência, as suas forças armadas são compatíveis entre si e com as dos EUA, mas não são soberanas.

Resumindo, já não interessa quem é que tem mais soldados ou mais armas, o que interessa é quem controla as chaves electrónicas, as autorizações para utilizar os armas. 

A realidade nua e crua é esta: os EUA controlam as armas de todos os estados europeus (e Austrália, Nova Zelândia, Canadá) porque controlam as actualizações tecnológicas dessas armas, os satélites, as informações, as redes de comando. Quem controla tudo isto controla a guerra. 

Sendo assim, uma guerra entre os EUA e a Europa é impossível. Mesmo que os europeus quisessem opor-se a decisões catastróficas dos EUA (como estamos agora a ver com a Gronelândia, amanhã quiçá com a Islândia, depois eventualmente com os Açores, ambos na mira de Washington) não podem porque as suas armas não funcionarão, os as redes de satélites estarão indisponíveis, não terão informações nem telecomunicações que possam apoiar qualquer acção militar. Não terão qualquer hipótese técnica para se opor.
Por isso, bem podem protestar e fazer voz grossa, a Gronelândia já era. 

As negociações serão um teatro, uma postura, uma pose para a fotografia por detrás da qual está apenas e tão só oabsoluto vazio estratégico da UE.

A Dinamarca e todos os países da UE e NATO estão todos à mercê dos americanos, com a excepção da França que, desde o tempo de general de Gaulle, sempre optou por manter uma autonomia em relação aos EUA. Mas a França sozinha também não pode nada…

Os governos europeus comprometeram totalmente a respectiva soberania durante as últimas décadas ao colocar os seus países totalmente à mercê de Washington. Os americanos têm a última palavra em tudo. Há quem diga que os responsáveis todos dos governos europeus deviam ser processados por alta traição…

Os americanos construíram os EUA a enganar e a roubar os nativos americanos (os índios, como dizíamos antigamente). Agora os índios somos nós...

NOTA: Só para lembrar que o governo português está a equacionar substituir os F-16 da nossa Força Aérea por aviões de quinta geração. Os F-35 estão entre os favoritos. Dado o acima exposto, seria uma decisão criminosa, lesiva da nossa soberania, escusado será dizer… 

IMAGENS: Os três aviões são o Lockheed Martin F-35A (que custa cada um entre os 180 e os 260 milhões de dólares, conforme o equipamento), e os seus concorrentes o francês Rafale F4 (130 a 220 milhões por unidade) e o sueco Gripen E (85 a 150 milhões cada). 

A primeira imagem é a capital da Gronelândia na Primavera/Verão, com pouca neve, estamos fartos de neve!...



Fonte: Facebook




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