Abril 2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL - 40 ANOS





COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL





 



























quarta-feira, 23 de abril de 2014

CRISE NA UCRÂNIA: MAIS DE 300 INTELECTUAIS ALEMÃES APOIAM PUTIN, CRITICAM A INFLUENCIA DOS EUA-NATO NA EUROPA E NA PROPAGANDA DOS MEDIA

CRISE NA UCRÂNIA: MAIS DE 300 INTELECTUAIS ALEMÃES APOIAM PUTIN, CRITICAM A INFLUENCIA DOS EUA-NATO NA EUROPA E NA PROPAGANDA DOS MEDIA




Mais de 300 intelectuais alemães dirigiram uma carta aberta a Putin, sendo esta uma clara critica aos representantes do ocidente e em particular à União Europeia, pela importância e conteúdo desta carta passa-se a publicar.



Carta aberta a Putin por Volker Bräutigam


Caro Sr. Presidente!

No seu discurso para a Duma de Estado pediu a compreensão dos alemães.

Somos cidadãos alemães que sofreram a maior parte do pós-guerra na metade ocidental da Alemanha. Quando a Guerra Fria terminou, em 1990, e nosso país foi re-unido, um suspiro de alívio atravessou o mundo, porque o perigo sempre iminente de um conflito militar nuclear que teria engolido o mundo inteiro parecia ter sido evitado. A Alemanha teria sido exterminada.

A União Soviética fez sacrifícios sem paralelo na sua contribuição decisiva para a libertação da Europa do nazismo. No entanto, em 1990 ela estava pronta para apoiar a reunificação alemã, em 1991, para dissolver o Pacto de Varsóvia e aceitar a adesão à NATO da Alemanha reunificada. Isso não foi honrado pelo Ocidente. O então embaixador dos EUA em Moscovo (1987 a 1991), Jack Matlock, confirmou há poucos dias no Washington Post que o presidente Bush havia concordado em não aproveitar a generosidade do presidente Gorbachev. A expansão da NATO nas ex-repúblicas soviéticas, o estabelecimento de bases militares nos ex-Estados do Pacto de Varsóvia e a criação de um escudo de defesa antimísseis na Europa Oriental com uma rescisão unilateral do Tratado ABM pelos Estados Unidos não são as únicas violações flagrantes da boa-fé. Estas medidas são entendidas por nós como uma reivindicação ocidental para poder ser dirigido contra o Estado russo e a consolidação económica do seu país depois que assumiu o cargo em 2000. Além disso, Keir A Lieber e Daryl G Press no seu artigo de 2006 Negócios Estrangéiros "A ascensão dos EUA como primazia nuclear" convincentemente mostrou que o objetivo do escudo antimísseis é facilitar um primeiro ataque nuclear de neutralização da Rússia.

Esta história, de forma concisa, reflecte o contexto em que nós julgamos os acontecimentos na Ucrânia desde Novembro de 2013. Está agora bem documentado que os EUA têm explorado os protestos legítimos do povo ucraniano para seus próprios propósitos. O padrão é a forma evidente em outros países: Sérvia, Geórgia, Ucrânia, em 2004, Egipto, Síria, Líbia, Venezuela ......

No prazo de doze horas após o acordo negociado com a União Europeia e a OSCE, anunciado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do Triângulo de Weimar e envolvendo uma transição pacífica de poder, foi sumariamente revogada com a ajuda das forças fascistas. Aqueles por de trás do actual governo golpista em Kiev são mostrados no site da Open Ukraine Foundation do incumbente primeiro-ministro.

As intra - e internacionais - questões jurídicas em torno da secessão da Crimeia são uma questão separada. Nós não abordamos aqui os eventos legais, mas apenas os puramente políticos. Contra os fundamentos dos desenvolvimentos na Europa desde 1990, a implantação de cerca de 1.000 bases militares dos EUA em todo o mundo, o controle dos Estreitos pelos EUA e a re-focalização dos autores da ameaça Maidan à frota russa do Mar Negro, vemos a secessão da Crimeia como uma medida defensiva com uma mensagem simultânea: até aqui e não mais! A diferença crucial com a declaração de independência do Kosovo é que este último só foi possível graças ao bombardeio ilegal da NATO, infelizmente, com a participação da Alemanha, que criou as condições para a sua independência.

Caro Sr. Presidente, o senhor tem chamado a atenção para uma comunidade económica de Lisboa a Vladivostok já há quase quatro anos. Seria a base económica para a "casa comum europeia". A Ucrânia poderia fazer uma ponte perfeita para a futura cooperação entre a pretendida União da Euroásia e a União Europeia, nomeadamente em termos culturais. Estamos persuadidos que o propósito da influência maciça dos EUA é impedir que a Ucrânia se torne nessa tal ponte. As forças que têm prevalecido na Comissão Europeia estão a apoiar a política dos Estados Unidos contra a Rússia. O discurso do Secretário-Geral Executivo do Serviço Europeu para a Acção Externa, Pierre Vimont, a 14 de Março deste ano, é até agora único (EurActiv, "UE excluída da reunião EUA-Rússia para a Ucrânia").

Caro Sr. Presidente, nós confiamos que o seu discurso histórico em 2001 vai continuar a ser a base para as suas acções contra a União Europeia e a Alemanha no Bundestag alemão. As últimas sondagens mostram que a maioria dos alemães não querem qualquer confronto com a Federação Russa e entendem a reacção da Rússia aos acontecimentos na Ucrânia. Não subestimamos as dificuldades enfrentadas pela República Federal da Alemanha como membro da UE e da NATO em relação à Rússia, estas também são conhecidas por si. No entanto, pelo menos, esperamos que o Governo Federal opere de acordo com os antigos princípios jurídicos romanos audiatur et altera pars ("ouvir o outro lado também"). Esta foi, porém, omitida em conexão com a política de vizinhança da UE no caso da Ucrânia.

Mesmo durante a Guerra Fria, a Rússia não fez uso do argumento de que 27 milhões dos seus cidadãos morreram durante a Segunda Guerra Mundial para ganho político contra a Alemanha. Esse número por si só dá uma qualidade especial nas relações entre nossos países. O povo da Alemanha tem um grande sentido sobre isto: quando "O Grupo das forças soviéticas na Alemanha", em 1994, deixou a Alemanha com uma actuação da sua banda de música na praça diante da Bundeskunsthalle, em Bonn, fez-se surgir respeito entre os numerosos espectadores e os músicos.

Neste contexto, quando vemos as actuais notícias e comentários nos média alemães, só podemos dizer que achamos isso nojento.

Caro Sr. Presidente, com os nossos meios modestos como simples cidadãos, vamos ajudar a garantir que a intencionada divisão da Europa não tenha êxito, mas que as ideias de Gottfried Wilhelm Leibniz sejam trazidas de volta à vida. Estamos convencidos de que, se os Estados e os povos do continente eurasiático  regularem os seus assuntos pacificamente uns com os outros, com respeito, de forma cooperativa, com base na lei e sem interferência externa, isso também se irá estender para o resto do mundo. Nós o vemos nesse sentido como um aliado.

Para o seu presente, e esperamos que no próximo mandato, desejamos-lhe força, resistência, inteligência e habilidade.

Com o máximo respeito,


Assinado por +300 pessoas (para a lista completa veja aqui)


Versão original em alemão aqui.
Versão em inglês aqui

Traduzido por Paulo Ramires

sábado, 12 de abril de 2014

A UCRÂNIA E O MÉDIO ORIENTE NA DISPUTA ENTRE OCIDENTE E RÚSSIA

A UCRÂNIA E O MÉDIO ORIENTE NA DISPUTA ENTRE OCIDENTE E RÚSSIA


Campos de hidrocarbonetos em baixo e em cima os pipelines com centros de produção activos e em desenvolvimento

Por Paulo Ramires

Estão-se a reunir condições muito perigosas no sul da Ucrânia, mais concretamente em regiões como Donetsk, Lugansk, Kharkov, Slaviansk e outras, este tipo de caos pode conduzir a uma guerra civil - cenário pouco provável - como simplesmente pode significar a aproximação de eleições e das futuras negociações entre a Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e União Europeia que se irão reunir a 17 de Abril, em Genebra, tão só quanto isso, mas tudo dependerá da atitude dos EUA em aumentar ainda mais o caos na região e das ambições porventura inquietantes da Rússia, note-se, que esta situação não é necessariamente desagradável a Washington, mas os custos para os europeus podem ser astronômicos, quer pela parte da ajuda à Ucrânia que irão suportar, quer em ficarem na posição da dependência de pelo menos duas super potências, os EUA e a Rússia. Chama-se a atenção para a situação caótica que existe na UE, com pontos de vista muitos distintos quer da política económica, quer da política externa, ou ainda na politica interna da União, que vai fomentando graus de elevados índices de descontentamento na população europeia, fazendo resurgir movimentos e partidos nacionalistas no espaço da UE, muitos deles com posições pouco simpáticas para a integração europeia, mas também não é do interesse dos EUA uma Europa coesa e forte - nunca foi - e mesmo a Rússia se interessa pouco por uma Europa demasiadamente unida e forte, pois isso dificultaria os seus interesses no continente, assim os europeus têm de apostar numa Europa unida, forte e solidária sem austeridade, e manterem-se equidistante das restantes potências, mantendo porém as diversas formas de cooperação no domínio económico e político, em particular para resolver a situação da Ucrânia que só será resolvida com os diverso intervenientes nela. Assim a cimeira que se avizinha poderá ser um importante passo para o princípio da sua resolução que passa pela estabilização política e do seu respectivo estatuto que a meu ver deveria ser neutral e democrática com a participação nos dois blocos económicos, no entanto as expectativas não são muito boas. Seria bom não esquecer que não obstante a dependência da Rússia dos mercados da Europa para o abastecimento do gás, o Kremlin deseja no entanto diversificar estes fornecimentos, ou seja, voltar-se bem mais para a Ásia central e oriental. Mas estas posições das superpotencias envolvem um vasto jogo geopolítico onde estão em  disputas enormes equações ainda por resolver.

Embora o estatuto da Crimeia seja já uma questão consumada, na verdade o resto não o é, existe muito ainda para ser discutido.


Mapa Geológico - Zona de hidratos de gás e carbonatos e as zonas de falhas - http://www.geomar.de

Não se trata apenas concretamente da Ucrânia, mas sim do Médio Oriente, Euroásia, Europa e Ásia. O Irão detém as terceiras reservas de petróleo do mundo, com uma estimativa de mais de 560 biliões de barris e com a capacidade em 140 biliões de barris de renovação dessas mesmas reservas, só em Março de 2012 foram descobertas 20 biliões de barris de petróleo. Em relação às reservas de gás, o Irão é o segundo país do mundo com as maiores reservas logo depois da Rússia, mas no entanto foram achadas recentemente colossais jazidas de gás na plataforma marinha síria, estas reservas de gás estendem-se a Israel, este país tem várias reservas de gás também na sua zona marítima, mas também na plataforma do Líbano, a juntar a estes países, estão partes do território palestino, para além do Iraque com reservas de petróleo, mas situado entre a Síria e o Irão. A incluir a estas descobertas junta-se Chipre. Trata-se de um complexo mapa de um jogo de interesses muito vasto. Para a exploração destas reservas de gás serão necessárias a instalação de diversas infraestruturas de exploração bem como os respectivos "pipelines" que terão de passar por diversos locais. Mas também a Crimeia tem reservas de gás natural e no que se refere ao Skifska offshore existem questões muito divergentes entre os diversos países envolvidos. Ora adicionalmente a este facto é justamente na Crimeia que atravessa o gasoduto que se dirige à Europa Ocidental e que é responsável por 25 por cento da saída de gás para a Europa Ocidental. É vital economicamente. É vital militarmente. Assim, a Rússia não desistiu dela. Mas o ocidente não quer desistir também, pois tem os seus próprios interesses também. Nestas disputas não podemos esquecer a China muito interessada no Europa e em particular no leste europeu onde deseja desenvolver a sua politica de "parceria estratégica global" e de "boa-vizinhança".

Com uma possível instabilidade no fornecimento do gás vindo da Rússia [preços do gás], é a própria região da península ibérica que ganha uma nova importância, embora que ainda apenas no longo prazo, através do fornecimento de gás proveniente do norte de África.

Paulo Ramires


Projectos internacionais de gasodutos

Projectos internacionais de gasodutos e oleodutos







segunda-feira, 7 de abril de 2014

COMO A EUROPA SE ENCAIXA NA DIPLOMACIA CHINESA POR MU CHUNSHAN

COMO A EUROPA SE ENCAIXA NA DIPLOMACIA CHINESA POR MU CHUNSHAN


Por Mu Chunshan

A China está a reforçar os laços com a Europa com vista a novos objectivos diplomáticos e prioridades para Pequim.

Por algum tempo, a diplomacia chinesa tem usado o seguinte ditado: "Grandes potências são a chave, os países vizinhos são os mais importantes, os países em desenvolvimento são a fundação, e o multilateralismo é uma arena importante". A maioria das relações diplomáticas da China podem ser categorizadas usando este fórmula. O relacionamento China-U.S. é, naturalmente, uma grande relação de poder. Os laços China-Japão podem ser considerada uma relação de países vizinhos. A relações entre a China e a Índia são as relações entre os países em desenvolvimento. As relações entre a China e as organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas são uma parte importante da diplomacia multilateral chinesa. Mas a que classe pertence a relação China-Europa ?

Na verdade, a relação China-Europa pode ser dividida em dois níveis: o nível continental e o nível nacional. Do âmbito nacional, a Europa pode ser dividida em mais diversos níveis secundários: a nova Europa vs a velha Europa, ou Europa pobre vs Europa rica.

Com o contínuo avanço da integração europeia, a relação entre China e a Europa mostra pelo menos três tipos de relações - As relações China-União Europeia (UE), as relações China-Zona Euro, e as relações entre a China e cada um dos países europeus. Assim, as relações China-Europa realmente se encaixam em várias categorias: a diplomacia entre grandes potências (por exemplo, as relações China-Alemanha e China-Reino Unido), a diplomacia entre países em desenvolvimento (por exemplo, as relações entre a China e alguns países economicamente subdesenvolvidos da Europa de Leste), e as relações diplomáticas multilaterais (por exemplo, a cooperação China-UE). Portanto, de acordo com o ditado acima, as relações China-Europa são "fundamentais", uma "fundação", e uma "arena importante." E nós não podemos descartar que ele venha a ser vista como a "mais importante" no futuro.

No entanto, as relações China-Europa não são de todo poderosas. Aos olhos do chinês comum, as relações mais dignas de atenção são os laços diplomáticos da China com os EUA e o Japão, assim como a Coreia do Sul e países do sudeste asiático. Porque essas relações estão intimamente relacionados com os interesses vitais da China, elas desencadeiam mais preocupações e consciencialização da parte das pessoas. Por outro lado, embora as relações China-Europa começam em bom tom, o tema parece tanto remoto como intelectual.

Na verdade, desde que a nova liderança sob Xi Jinping assumiu o poder no ano passado, as relações China-Europa têm vindo a sofrer uma mudança subtil. Elas estão-se a tornar "mais locais", adicionando elementos que agradam à população em geral. Abaixo, vou dar uma visão geral do desenvolvimento do ano passado nas relações China-Europa.

Primeiro de tudo, economia e comércio ainda mantêm o lugar mais importante nas relações China-Europa.


No ano passado, em quatro viagens intensivas de Xi Jinping no exterior, ele não visitou a Europa (excepto a Rússia, que não é considerada membro do grupo europeu por círculos diplomáticos da China). Durante o primeiro ano de Xi, ele esteve disposto a voar por mais de 20 horas para visitar distantes distinos como África e a América Latina, mas ele não pôs os pés no continente europeu. Isto não foi um erro diplomático, mas sim parte de um outro plano.

Como principal líder militar e político da China, Xi Jinping a sua primeira ronda de viagens ao exterior foi uma espécie de declaração política. Por exemplo, a sua primeira visita ao exterior foi à Rússia, que tinha uma clara implicação política. Além disso, Xi pagou visitas à África e à América Latina, onde colocou a sua ênfase em projectos de ajudas que reflectem que a China valoriza mais a política do que o comércio económico. Mesmo as componentes económicas e comerciais indispensáveis ​​dessas visitas ao estrangeiro eram relativamente fracas. Num exemplo ainda mais evidente, a reunião entre Xi e Obama em Junho passado ao estado Annenberg, serviu como um exemplo clássico de interacção política, em vez de cooperação económica.

Apenas a partir do itinerário da primeira rodada de visitas ao estrangeiro de Xi, podemos ver que a ênfase diplomática da China à Europa não está em fazer declarações políticas. Ampliando essa impressão, no ano passado, o "Premier" Li Keqiang, que está encarregado dos assuntos económicos, fez três viagens ao exterior, dos quais dois foram para a Europa. Ele, naturalmente, discutiu a cooperação económica e comercial com os líderes europeus. Isso prova como os líderes chineses de topo vêem o estatuto da diplomacia europeia, sobrevalorizam a cooperação económica diplomática da Europa. Afinal, a UE é o maior parceiro comercial da China e a China é o segundo maior parceiro comercial da UE. Este relacionamento mutuamente benéfico é a melhor força para manter a amizade entre China e Europa.

Em segundo lugar, a Europa é cada vez mais um palco para a China para falar politicamente.

No segundo semestre do ano passado, especialmente depois da conferência sobre diplomacia e trabalhos com países vizinhos do Comité Central, na noite de Outubro, as relações China-Europa aqueceram bastante. Havia muitos sinais externos. Em primeiro lugar, a cimeira UE- China foi realizada em Pequim em Novembro, marcando pela primeira vez os novos líderes da China que se iriam reunir com os líderes europeus. Esta cimeira foi realmente um "reposicionamento" da relação diplomática. Em seguida, no final de 2013 o primeiro-ministro holandês Mark Rutte iniciou uma tendência de líderes europeus que passaram a visitar a China com uma missão de "fact-finding" após o "Terceiro Plenum". Depois de Rutte, o primeiro-ministro britânico David Cameron e o primeiro-ministro francês Jean- Marc Ayrault foram à China em busca de oportunidades de cooperação. Por fim, a visita de Li Keqiang para a Europa Central e Oriental, alargado e aprofundado mais a diplomacia da China para a Europa. O aumento das boas relações da China-Europa continuou com recente turnê européia de Xi Jinping. As relações diplomáticas entre os dois lados no entanto pareceram ficar tensas rapidamente, e as razões eram fortemente provocatórias.



Vejo três razões para isso. Em primeiro lugar, a conferência sobre diplomacia e trabalhos com países vizinhos do Comité Central do PCC, na noite de Outubro colocou mais ênfase na diplomacia da China, com os seus países vizinhos. A ideia de uma grande vizinhança surgiu nesta ocasião. Para muitos estudiosos, além dos 14 países que fazem fronteira com a China, na verdade, a amplitude da diplomacia de grande vizinhança inclui outros países geograficamente próximos da China (por exemplo, países em todo o oceano de China, ou países adjacentes [vizinhos] à China) . Alguns países da Europa Central e de Leste são ainda incluídos na dimensão diplomática desta importante "Grande Vizinhança", que exige mais esforços para gerir essas relações. Em segundo lugar, o “New Silk Road Economic Zone” proposto por Xi Jinping realmente traz uma nova oportunidade para a cooperação China-Europa. Este conceito amplia o limite ocidental da Rota da Seda, Europa, com destaque para as ideias e importância da Europa para o desenvolvimento político e económico da China. Em terceiro lugar, na medida em que as relações sino-japonesas vão ficando tensas, a China vai necessitando urgentemente de apoio de terceiros.

Portanto, uma guerra de palavras entre a China e o Japão chegou pela primeira vez às embaixadas europeias dos dois países. Quando Xi Jinping visitou a Europa, ele criticou publicamente o Japão, na Alemanha. A China pode se unir-se com outros e aprender com a vontade dos países europeus para refutar o nazismo e reflectir sobre a história. A Europa involuntariamente tornou-se num palco político para a China, fornecendo um novo campo para a cooperação China- Europa, que é de grande importância para a China.


A partir desta perspectiva, o futuro da Europa vai desfrutar de uma posição mais privilegiada na diplomacia chinesa. Em menos de um ano, Xi Jinping e Li Keqiang pagaram visitas à Alemanha, e durante a visita de Xi, ele promoveu as relações sino-alemãs de uma "parceria estratégica global." Comparando a "parceria estratégica global" entre a China e a UE, as relações sino-alemão parecem ser ainda mais importantes. Uma maior ênfase sobre as relações China-Alemanha, na verdade, reflecte uma preocupação crescente da China para a Europa como um todo. Afinal, a Alemanha é um país líder na UE e da zona do euro, e até certo ponto representa a voz da Europa. No futuro, podemos ver a China melhorar ainda mais as suas relações com outros países europeus, ou mesmo com a UE.

Em terceiro lugar, a Europa é uma necessidade para a China para equilibrar as suas relações para com os Estados Unidos e a Rússia.

Como dito acima, o desenvolvimento das relações sino-japonesas precisa de uma terceira parte para actuar como um ponto de apoio. Da mesma forma, as relações China-Europa não podem escapar a terceiros, cujos comportamentos irão influenciar a relação China-Europa. Por muitos anos, os Estados Unidos têm actuado como esta terceira parte, que teve uma influência em muitos eventos importantes na relações China-Europa. Por exemplo, a Europa tem mantido um embargo de arma à China desde 1989 - por sugestão e insistência dos Estados Unidos. Embora alguns países da Europa os países tenham diferentes pontos de vista, isso deve-se em grande parte à grande influência dos Estados Unidos sobre a União Europeia, que "manipula" o caminho das relações China-Europa.

No entanto, como a diplomacia chinesa se tornou na mais pró-activa, o desenvolvimento da China tornou-se uma grande oportunidade para a Europa. Mais políticos europeus têm, inevitavelmente, já vindo a reconhecer essa tendência histórica. Portanto, será fácil e eficaz para a China de usar o "cartão de Europa" contra os EUA no futuro. Após a cimeira Mundial de Segurança Nuclear, em Haia, Holanda, Xi e Obama fizeram uma visita à Europa. As suas viagens foram comparados naturalmente pelos meios de comunicação. Os meios de comunicação paquistaneses muito sensíveis observaram que, embora os EUA e a Europa ambos pertençam à mesma aliança de civilizações ocidentais, Obama não pode dar à Europa os "nutrientes" de que necessita com urgência, como mercados económicos e empregos. Devido a isso, a Europa prefere a China para ser o seu "novo melhor amigo."

Além disso, a crise da Crimeia deu uma nova cor à viagem de Xi à Europa. A Rússia tornou-se progressivamente uma terceira parte nas relações China-Europa. As relações entre a China e a Rússia chegaram a um alto nível político, com os dois desfrutando de uma "parceria estratégica abrangente", um nível além de uma "parceria estratégica global". "Cooperativa" Isso significa que os dois lados vão trabalhar em conjunto para um objectivo comum, o que implica que eles são quase-aliados.


Mas o desenvolvimento das relações China-Rússia não significa que a China irá abandonar relações China-Europa. Pelo contrário, as relações China-Europa são necessárias para equilibrar as relações China-Rússia. Todavia, nas futuras relações China-Europa haverá mais oportunidades para o desenvolvimento.

Tomemos a questão da Crimeia como um exemplo. China tem mantido uma postura relativamente objectiva e neutra, ganhando a compreensão e apoio de alguns países europeus. A crise da Crimeia oferece à China uma oportunidade de manter um equilíbrio adequado entre a Rússia e a Europa sem afectar os seus interesses nacionais. A China está a usar a Europa como um mecanismo de equilíbrio entre os Estados Unidos e a Rússia a fim de se tornar numa importante consideração para o desenvolvimento de relações China-Europa no futuro.


Mu Chunshan é um jornalista com sede em Pequim. Anteriormente, Mu fez parte de um projecto de pesquisa no Ministério Educação investigando a influência dos médias estrangeiros na formação da imagem da China. Ele foi reporter a partir do Médio Oriente, África, Rússia e de toda a Ásia.

Cortesia The Diplomat

Tradução do original por Paulo Ramires



O responsável pelo RD volta a salientar que os artigos de opinião e análise reflectem apenas a visão dos autores como referido, não consistindo necessariamente na convergência de pontos de vista.  

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