Maio 2019

segunda-feira, 27 de maio de 2019

RESULTADOS FINAIS PARA O PARLAMENTO EUROPEU



RESULTADOS FINAIS PARA O PARLAMENTO EUROPEU


TOTAL NACIONAL

CIRCULO DE LISBOA


CIRCULO DE FARO







sexta-feira, 24 de maio de 2019

AS QUESTÕES NÃO DISCUTIDAS PELOS CANDIDATOS EUROPEUS

A construção da Rota da Seda chinesa, uma estratégia globalista da China, terá um impacto enorme no continente europeu e é justamente o oposto da estratégia divisória da Europa que os EUA sempre se empenharam em implementar no continente europeu, sobretudo com a visão de Zbigniew Brzezinski que consistia em criar fronteiras na Europa e isolar a Rússia. A Rota da Seda trará outra realidade diferente para o continente europeu com modificações no âmbito da geopolítica europeia e mundial, estará a União Europeia preparada para um projecto de dimensão mundial? E que impacto na sua economia? 

Por Paulo Ramires

Os candidatos europeus tiveram muito tempo para apresentar os seus projectos e visões para a Europa, tiveram muito tempo para debater a Europa, mas o que todos vimos foi que isso não aconteceu, vimos uma pobre performance de candidatos de uma partidocracia sem ideias para a Europa e muitas tentativas de discutir a política nacional por parte dos partidos tradicionalistas, tiveram um desempenho bastante medíocre, fracamente não era esperado tanto amadorismo político, fizeram dos potenciais eleitores pessoas menores sem capacidade para discutir a Europa e o projecto europeu e assustaram os portugueses com os populistas que seguramente terão um grande grupo no parlamente europeu, todavia não serão eles que representam uma séria ameaça à União Europeia, este papel está a ser desempenhado curiosamente por quem mais defende a Europa, os partidos tradicionalistas pró-europeus. 

Explica-se assim: sem soberania, representatividade, igualdade, democracidade, participação directa e identidade cultural, não existirá projecto europeu, e na verdade tudo isso está a ser posto em causa com a conivência justamente dos partidos tradicionalistas. 

A política externa da união europeia deixa muito a desejar, talvez porque muitos candidatos e governos identificam a Rússia de Putin como a maior ameaça à União Europeia a julgar pelas suas palavra e posições, não que a Rússia simpatize com a União Europeia, mas não é ela a maior ameaça ao projecto europeu, mas sim os EUA e a OTAN, aquele país não permite uma independência efectiva dos estados europeus que hoje gravitam em torno da OTAN e dos EUA. Como é possível a construção de uma União Europeia com centenas de base militares da OTAN espalhadas por toda a Europa? E aqui se chega á questão falada de um exército europeu, nunca discutida na campanha eleitoral. Fará sentido um exército europeu? Para quem defende uma União Europeia e federal, faz de facto sentido. É por esta razão que este assunto tão sensível como de maior importância não deveria ser tratado com uma incoerência extraordinária de alguns candidatos ditos pró-europeus, como é o caso de serem contra o exército europeu, mas depois são favoráveis e defendem acções militares integradas no quadro da OTAN, o que significa dependência total dos EUA e das industrias militares americanas ai representadas, veja-se o que acontece aqueles países da OTAN que tentam comprar activos militares à Rússia, como é o caso da Turquia. Faz falta à União Europeia independência na sua política externa sem se submeter á visão hegemónica dos EUA. 

Outra questão não discutida é a possibilidade de um salário mínimo e um rendimento básico universal europeu. Serão estas ideias justas, sim são, sobretudo para quem quer defender o combate ás desigualdades que vão sendo gradas na economia global e nas sociedades tecnológicas de hoje em que as grandes empresas absorvem a maior parte de capital no mercado, sendo depois distribuído pelos seus maiores accionistas, ora isto provoca desigualdades muito grandes. 

Em temos organizativos a União Europeia deveria repensar-se de forma a eleger um presidente europeu assim como os deputados europeus são eleitos para o parlamento europeu e fundir o Conselho Europeu e a Comissão num único órgão onde os estados membros possam estar representados ao mesmo nível. A União Europeia deve ter uma forte política externa e afirmar-se como uma união em que também pudesse ter a influência necessária no palco internacional à semelhança dos EUA, China e Rússia, mas para isso é bom recordar que um exercito europeu e uma forte economia são factores necessários. É neste sentido que a posição anti-Rússia da UE ou pelo menos da maioria dos estados membros por ordem dos EUA é insensata, alguns candidatos ao parlamento europeu também deixaram transparecer esta mesma posição hostil. Além de ser uma subserviência e servilismo em relação aos EUA é uma posição perigosa. 

Ainda em política externa, a União Europeia deverá ter atenção ao incluir no seu seio , países nada europeus ou mesmo de uma matriz não europeia como é o caso da Turquia, se isso acontecer a União Europeia arrisca-se a transformar-se numa mera Organização de Cooperação, como é hoje a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). 

A União Europeia deverá ainda lidar com o Brexit que como tudo indica irá mesmo acontecer, e no caso de o Reino Unido sair de facto de uma ou outra maneira deverá ser visto como uma oportunidade para rever os tratados e se democratizar. A União Europeia deveria ainda acabar com privilégios que os políticos recebem desnecessariamente. 

A construção da Rota da Seda chinesa, uma estratégia globalista da China, terá um impacto enorme no continente europeu e é justamente o oposto da estratégia divisória da Europa que os EUA sempre se empenharam em implementar no continente europeu, sobretudo com a visão de Zbigniew Brzezinski que consistia em criar fronteiras na Europa e isolar a Rússia. A Rota da Seda trará outra realidade diferente para o continente europeu com modificações no âmbito da geopolítica europeia e mundial, estará a União Europeia preparada para um projecto de dimensão mundial? E que impacto na sua economia? 

A construção do pilar social europeu até agora não foi discutido pelos candidatos europeus e continua sem um modelo para ser implementado numa estrutura essencialmente financeira e esquecendo as pessoas, pensou-se no euro mas deixou-se para trás este pilar tão importante para elas o qual deveria ter determinados critérios sociais obrigatórios como aliás acontece com o pilar financeiro da União Europeia. 

Não menos importante para os europeus é a imigração e o emprego, não é possível receber um número tão elevado de imigrantes na União Europeia sem haver consequências para as sociedades europeias, goste-se ou não, um excesso de imigrantes nos países europeus põe em causa a coesão da própria União Europeia, por esta razão a imigração deveria ser limitada. 

São estas algumas questões importantes que deveriam ter sido discutidas e não o foram, isto porque os candidatos apresentaram um desinteresse indisfarçável no projecto europeu, assim como actuaram como amadores perante o eleitorado, assim, se a abstenção for elevada no Domingo, os partidos políticos não têm razão para se queixarem.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A UNIÃO EUROPEIA ACTUAL E COMO OPÇÃO FUTURA

Os cidadãos da União Europeia, que deverão eleger o seu parlamento a 23 e 26 de Maio, aprestam-se a fazer a pior escolha. Observando os seus problemas imediatos, eles hesitam entre as diversas prioridades. Mas, se pelo contrário, analisassem um extenso período da sua história, eles compreenderiam a origem dos seus problemas sociais, económicos e políticos e, sem qualquer dúvida, decidiriam de forma diferente.


Por Thierry Meyssan

União da Europa Ocidental (UEO)
Na sequência da Segunda Guerra Mundial, em 1947, o Embaixador George Kennan concebeu a política de contenção (containment) [1] e o Presidente Harry Truman formou as instituições de segurança nacional (CIA, Comité conjunto permanente dos Chefes de Estado-Maior, Conselho Nacional de Segurança) [2].

Washington e Londres viraram-se então contra Moscovo, o seu anterior aliado. Cogitaram criar uma nacionalidade anglo-saxónica comum e decidiram incorporar a Europa Ocidental ao seu estandarte criando para isso os «Estados Unidos da Europa», sob o seu controlo.

Tratava-se para eles de estabilizar a parte que ocupavam da Europa Ocidental, face à Europa Oriental ocupada pelos Soviéticos. Beneficiaram do apoio das burguesias, particularmente daquelas que haviam colaborado com o eixo nazi, assustadas pela nova legitimidade dos partidos comunistas, principais forças vitoriosas ao lado da União Soviética.

Eles apoiaram-se no sonho de um alto-funcionário francês, Louis Loucheur: juntar-se à gestão do carvão e do aço necessários às indústrias de armamento da Alemanha e da França, de tal modo que não mais pudessem guerrear-se entre si [3]. Isto deu origem à CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), antecessora da União Europeia.

No contexto da guerra entre as duas Coreias, Washington decidiu rearmar a Alemanha Ocidental face à de Leste. De modo a que os Estados Unidos da Europa em formação pudessem gerir um exército comum, mas não se atrevessem a transformar-se numa força independente e permanecessem sob controle anglo-saxão, foi criada a União da Europa Ocidental (UEO). Ela ficou responsável pela política externa e de defesa comum.

As relações entre Londres e Washington azedaram durante a crise do Suez, em 1956. Os Estados Unidos, que se orgulhavam de estar entre os libertadores do jugo nazista, não podiam com a maneira como Londres geria o seu antigo império colonial. Eles aproximaram-se de Moscovo a fim de sancionar o Reino Unido.

Já não se tratava mais de criar uma nacionalidade anglo-saxónica comum e a influência de Londres no mundo deslizava, inexoravelmente, para os braços de Washington. O Reino Unido decidiu, então, aderir aos Estados Unidos da Europa em formação.

O presidente Charles De Gaulle opôs-se a isso porque previa que toda a futura reconciliação entre Londres e Washington implantar-se-ia privando os Estados Unidos da Europa em formação de todo o poder político e colocando-os numa zona de livre comércio transatlântico. A Europa Ocidental seria, então, castrada e se tornaria um vassalo de Washington dirigido contra «os Russos» [4].

Não sendo De Gaulle eterno, o Reino Unido acabou por aderir a estes Estados Unidos da Europa anti-Russos em 1973. Como previsto, transformou a Comunidade Europeia numa zona de comércio livre, pelo Acto Único Europeu, e abriu a via a negociações transatlânticas.

É a época das «quatro liberdades» (por analogia com o discurso de Roosevelt em 1941): a livre circulação de bens, de serviços, de pessoas e capitais. As alfândegas internas são progressivamente revogadas. Insensivelmente, os Anglo-Saxões impuseram o seu modelo de sociedade multicultural que se achava incompatível com a cultura europeia.

Apenas quando a URSS foi dissolvida, em 1991, é que o projecto de 1947 se concretizou. Washington decidiu transformar a organização bruxelense numa estrutura supranacional e aí introduzir as nações do Pacto de Varsóvia. De colocar esta «União Europeia» anti-Russa sob a protecção da OTAN e de lhe interditar qualquer papel político.

Foi o Secretário de Estado dos EUA, James Baker, e não os europeus, quem anunciou a abertura a Leste e o Tratado de Maastricht. A estrutura bruxelense metamorfoseou-se : as 15 nações do bloco ocidental pós-Guerra mundial abriram-se às 13 nações pós-Pacto de Varsóvia, a UEO foi dissolvida e uma Alta Representante para a Política Externa e de Defesa Comum foi nomeada — sempre sob o controlo anglo-saxão selado pelo Tratado de Maastricht —, por fim uma nacionalidade europeia foi criada.

Desde aí, Washington encarou fazer Londres aderir ao Acordo de livre comércio norte-americano [5] e que fosse criada, como previsto em 1947, uma nacionalidade anglo-saxónica. Foi este projecto que levou o Reino Unido a sair da União Europeia e que Theresa May veio, em vão, defender do outro lado do Atlântico, num perturbado Estados Unidos da América que acabavam de eleger Donald Trump.

O Brexit, se acabasse por acontecer, não mudaria em nada a dependência da União escrita em mármore pelos Tratados. As coisas voltariam simplesmente ao que tinha sido planeado em 1947, na época em que Churchill encorajava os Estados Unidos da Europa, sem o Reino Unido [6].

Balancete

É por isso que, em 2007, Vladimir Putin veio à União Europeia proferir o seu sonante discurso de Munique [7]. A história da União Europeia mostra que esta organização jamais foi concebida no interesse dos povos europeus, mas contra a Rússia.

A União Europeia conseguiu, durante décadas, garantir a prosperidade económica, mas não após a dissolução da URSS. Hoje em dia, ela ficou para trás : desde 2009 (quer dizer posteriormente à crise financeira mundial de 2008) os Estados Unidos tiveram um crescimento de +34%, a Índia de +96%, a China de +139%, enquanto que a União Europeia caiu -2%.

Por outro lado, a União Europeia nunca conseguiu ajudar os pobres a emanciparem-se. No máximo, pode pensar em subsídios para que os necessitados não morram de fome.

Por fim, mas não menos importante, a União Europeia jamais lutou pela paz, apenas pelos seus senhores anglo-saxões. Ela apoiou todas as guerras dos EUA [8], incluindo a guerra contra o Iraque que a França e o Chanceler Schröder, portanto, denunciaram. Covardemente, ela abandona os seus membros à sua sorte: o seu próprio território está ocupado, no Nordeste de Chipre, pelo exército turco, membro da OTAN, sem jamais levantar o menor protesto.

Futuro

Nos dias 25 e 26 de Maio, a União Europeia anti-Russa elegerá o seu Parlamento, sem que se saiba por quanto tempo os Britânicos aí se sentarão.

Os povos demoram a reagir: se, durante a Guerra Fria, era legítimo preferir mais um campo que outro e, para alguns, escolher servir Anglo-Saxões em vez de um Georgiano [9], é absurdo hoje em dia continuar a obedecer-lhes como prevenção de um inexistente «perigo russo».

Depois de três quartos de século de vassalagem, os partidos políticos opostos aos Tratados Europeus hesitam em definir a sua prioridade: devem primeiro recuperar a sua independência face aos Anglo-Saxões ou defender a sua cultura em relação à dos Árabe-Turcos? Ora, o segundo problema é consequência do primeiro e não o inverso.

Não se trata de imaginar uma pseudo-superioridade de uma cultura sobre outra, nem sequer de falar de religião, mas de constatar a impossibilidade de coexistência numa mesma sociedade de duas organizações sociais diferentes. Para simplificar, não se pode celebrar ao mesmo tempo o domingo e a sexta-feira.

Foi por causa da sua dependência que os europeus imaginaram uma sociedade multicultural. Esta não funciona no seu território. E, só sendo independentes é que eles conseguirão salvar a cultura europeia.


voltairenet.org

Tradução 
Paulo Ramires


terça-feira, 7 de maio de 2019

AS FORÇAS DE HAFTAR DIZEM QUE DERRUBARAM UM AVIÃO MILITAR PERTO DE TRIPOLI COM PILOTO PORTUGUÊS

"O piloto do avião, que é de origem portuguesa, foi detido", disse o comunicado sem fornecer maiores detalhes.

As forças líbias de Khalifa Haftar divulgaram
imagens que dizem ser o piloto 'português'
que recebe tratamento médico.
Forças leais ao comandante militar renegado, Khalifa Haftar, abateram um avião de guerra pertencente ao internacionalmente reconhecido Governo dos Acordos Nacionais (GAN), disseram forças de Haftar.

O auto-intitulado Exército Nacional Líbio (ENL) de Haftar disse num comunicado na terça-feira que ele derrubou a aeronave no sul de al-Hira, em Tripoli, junto com fotos do que disse ser o piloto recebendo tratamento médico.

"O piloto do avião, que é de origem portuguesa, foi detido", disse o comunicado sem fornecer maiores detalhes.

Quando perguntado o que ele estava a fazer na Líbia, ele respondeu: "Eu fui solicitado a destruir estradas e pontes." Um vídeo colocado nos média sociais de uma fonte do ENL e que disse ser autêntico mostra um homem ensanguentado numa cadeira sendo questionado. Ele deu o seu nome e disse que era "de Portugal".

Ele disse que trabalhava  num "contrato civil" para alguém chamado el Hadi ou al-Hadi, mas disse que não sabia o primeiro nome.

Um porta-voz das forças alinhadas com o governo internacionalmente reconhecido que está sediado em Tripoli não fez comentários imediatos sobre o incidente.

Explosão do avião que foi atingido

Em Lisboa, o Ministério da Defesa português disse que não poderia confirmar a nacionalidade do piloto.

"Por enquanto, a única coisa que podemos dizer é que ele não é um soldado português", disse um porta-voz do ministério à Reuters.

Moradores de Gharyan, a cerca de 80 quilómetros do sul de Tripoli, disseram que quando o avião foi ouvido no alto, armas antiaéreas começaram a disparar. Testemunhas disseram que houve uma explosão quando foi atingido.

"O jacto foi abatido na cidade de Al-Hira (a 10 km de Gharyan) e vi tropas do ENL a capturarem o piloto", disse um morador de Gharyan à agência de notícias Reuters.

O ENL, com sede no leste do país, liderado por Haftar, iniciou uma ofensiva contra Tripoli no início de Abril, mas o seu avanço foi bloqueado por forças leais a Tripoli nos subúrbios ao sul da cidade.

No final do domingo, Haftar pediu às suas tropas que "arrancassem" as forças opostas do "nosso querido país" e " infligir ao inimigo, com as sua força e determinação, uma lição ainda mais difícil e maior do que antes".

A mensagem do homem forte veio poucas horas depois que a missão das Nações Unidas na Líbia pediu "uma trégua humanitária de uma semana" para marcar o início do Ramadão.

A batalha de quase cinco semanas na periferia sul de Tripoli matou pelo menos 432 pessoas, feriu 2.069 e desalojou cerca de 55 mil outras, segundo a ONU.

Fonte: Agência de Notícias

EUA ENVIAM FORÇA NAVAL PARA O MÉDIO ORIENTE AUMENTANDO A TENSÃO NA REGIÃO

A decisão do envio desta frota naval dos EUA para o Médio Oriente veio subir ainda mais a tensão na região, já muito instável provocada pela acção de dois grandes actores do Médio Oriente -- Israel e a Arábia Saudita -- mas também depois dos EUA terem colocado a Guarda Revolucionária Iraniana na lista de organizações terroristas, e o Irão em resposta ter declarado os EUA como "país patrocinador do terrorismo".



Por Paulo Ramires

Patrick Shananhan, Secretário Interino da Defesa dos EUA
Vários porta-aviões norte americanos incluídos no Carrier Strike Group de que faz parte o porta-aviões USS Abraham Lincoln e uma força de bombardeiros estão a caminho do Médio Oriente para "enviar uma mensagem clara e inequívoca ao regime iraniano", isto num contexto onde os EUA estão com dificuldades em formar a chamada OTAN árabe e dificuldades em obter resultados com as sanções impostas ao Irão, assim o presidente Donald Trump decidiu recorrer à marinha dos EUA para apoiar a sua diplomacia musculada e garantir o domínio militar na região em simultâneo que dá apoio aos rivais do Irão, Israel e a Arábia Saudita.

Estas sanções resultaram após a decisão do presidente Donald Trump ter rasgado o acordo nuclear de 2015 em que Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China terem também feito parte do acordo. A decisão desta força naval foi tomada horas depois de Teerão ter prometido ignorar as sanções dos EUA e vender o seu petróleo no "Grey Market"[mercado onde as matérias primas são vendidas aos clientes em termos não oficiais e abaixo do preço de mercado oficial]. A reacção do Irão a este comportamento dos EUA foi o de responsabilizar os EUA por qualquer conflito que possa surgir no Médio Oriente com o envio desta força naval americana e classifica a decisão como "guerra  psicológica" através do porta-voz do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão.

A decisão do envio desta frota naval dos EUA para o Médio Oriente veio subir ainda mais a tensão na região, já muito instável provocada pela acção de dois grandes actores do Médio Oriente -- Israel e a Arábia Saudita -- mas também depois dos EUA terem colocado a Guarda Revolucionária Iraniana na lista de organizações terroristas, e o Irão em resposta ter declarado os EUA como "país patrocinador do terrorismo".

Patrick Shananhan, Secretário Interino da Defesa dos EUA, disse na segunda-feira que aprovou o envio da força por causa de indícios de uma "ameaça credível das forças do regime iraniano", não tendo porém especificado de que ameaça se tratava. "Apelamos ao regime iraniano para que cesse toda a provocação.Vamos responsabilizar o regime iraniano por qualquer ataque às forças dos EUA ou aos nossos interesses", disse  Shananhan no Twitter.

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou que os EUA não mais isentariam os países das sanções dos EUA se continuassem a comprar petróleo iraniano, uma decisão que irá colocar em causa os interesses dos cinco maiores importadores de petróleo: China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Turquia.

Mas os inspectores da ONU já afirmaram que o Irão está a cumprir com o acordo nuclear que continua a ser apoiado por potências europeias e por democratas rivais de Donald Trump que o procuram derrubar nos próximos tempos. Por outro lado é esperado o anuncio de "medidas de retaliação" da parte do presidente iraniano, Hassan Rouhani na quarta-feira assegurou a agência de noticias semi-oficial ISNA.

Também na quarta-feira, o presidente Donald Trump deverá falar, porque é o primeiro aniversário da retirada dos EUA do acordo nuclear de 2015, podendo todavia anunciar mais sanções sobre o Irão e referir-se à situação que entretanto se gerou recentemente.

Mike Pompeo também veio a público afirmar que se os ataques vierem de "alguma procuração de terceiros, seja uma milícia Xiita ou Houthis ou o Hezbullah, nós manteremos a ... liderança iraniana directamente responsável por isso".

Entretanto a CNN noticiou que havia informações "específicas e credíveis" de que forças e proxies iranianos estavam a atacar as forças dos EUA na Síria, no Iraque e no mar, com "múltiplas linhas de inteligência sobre vários locais".

Existe também informações de que os falcões na casa branca procuram pressionar para uma nova guerra, como é o caso de Bolton que deseja um postura mais dura dos EUA em relação ao Irão, Venezuela e Coreia do Norte. Estas movimentações na casa branca podem ter subido de intensidade na sequência da pressão de Israel e Arábia Saudita sobre a administração Trump para que os EUA comecem um novo conflito armado com o Irão. "Não acreditamos que o presidente Trump queira o confronto. Mas sabemos que há pessoas que pressionam nesse sentido", disse Zarif ao programa da CBS, Face The Nation. "Eu acho que a administração dos EUA está a colocar as coisas em prática para que os acidentes aconteçam. E tem de haver extrema vigilância, para que as pessoas que planeiam esse tipo de acidente não tenham o que querem" -- disse.

No Irão os média têm dito que o Irão não se sente mais limitado por elementos do JCPOA, tendo Rouhani anunciado mais pesquisas e trabalhos de desenvolvimento em centrifugadoras enriquecedoras de urânio. Esta decisão irá colocar os estados europeus numa posição difícil dado que o Reino Unido, a França e a Alemanha são partes do JCPOA e o qual insistem mante-lo.

Especialistas do Irão, os três estados europeus, Rússia e China devem reunir-se hoje em Bruxelas.

RD



segunda-feira, 6 de maio de 2019

«MEIOS IDENTIFICADOS» PARA CRIAR UMA DIRECÇÃO DE DEFESA DA UNIÃO EUROPEIA COM UM COMISSÁRIO

As autoridades de Bruxelas fazem questão de frisar que o dinheiro é para a indústria e a investigação, e não para criar o tipo de “exército da UE” que tem sido uma irritação para os anticépticos em particular em vários países membros, assim como na Irlanda neutra.

Algum trabalho está a ser realizado dentro das instituições da União Europeia para permitir a criação de uma direcção de defesa dedicada a um comissário para liderar um esforço de planeamento e gastos militares mais efectivos, afirmaram fontes à AFP.

Bruxelas planeia gastar cerca de 13 biliões de euros em recursos de defesa e investigação no seu próximo orçamento de longo prazo, uma vez que procura aumentar a resiliência e reduzir a dependência da Europa em relação aos EUA em matéria de protecção.

A pasta da defesa é actualmente administrada por Federica Mogherini, Alta Representante da União Europeia para os Assuntos Externos e Política de Segurança e chefe do Serviço Europeu de Acção Externa, mas deixará o cargo ainda este ano, quando terminar o actual mandato da Comissão Europeia.

As fontes disseram que a equipa de entrada pode incluir um comissário de defesa dedicado.

Ministra da defesa francesa,  Florence Parly
"Reflexões estão em andamento dentro das instituições para a criação de uma direcção geral encarregada das questões de segurança e defesa", disse a ministra da Defesa francesa, Florence Parly, no mês passado.

A França tem estado na vanguarda da defesa da UE. Em Agosto de 2018, o presidente Emmanuel Macron sugeriu que a Europa adotasse uma defesa colectiva ao estilo da OTAN para dar autonomia estratégica à UE, e um ano antes, Macron pediu a formação de um fundo de defesa europeu.

Várias fontes nas instituições da UE disseram à AFP que “os meios foram identificados para criar uma direcção geral de defesa para um comissário, se este for o mandato dado ao próximo presidente” da comissão, o poderoso executivo da união.

A nova comissão não deve ficar em vigor até Novembro e as autoridades dizem que, por enquanto, nada foi decidido.

“A decisão cabe ao próximo presidente da comissão e o acordo dos estados membros é necessário, porque a defesa é uma competência nacional”, explicou um funcionário europeu.

Outro alerta: “Há muitas ideias, mas o assunto é complexo e, no final, é possível que nada aconteça.”

Fundo Europeu de Defesa

Caça francês rafale
O próximo orçamento de sete anos da UE tem 20 biliões de euros destinados à defesa em geral.

Essas despesas incluem 13 mil milhões de euros para o Fundo Europeu de Defesa cobrir o período financeiro da UE em 2021-2027, proposto pela Comissão em Junho último e aprovado pelo Parlamento no início deste mês.

O FDE -Fundo de Desenvolvimento Europeu reserva 4,1 mil milhões de euros para investigação e 8,9 mil milhões de euros para o desenvolvimento de capacidades militares. Somente projectos de cooperação envolvendo pelo menos três estados membros ou países associados podem receber financiamento.

A Comissão disse que o financiamento "colocará a UE entre os quatro maiores investidores em tecnologia e investigação de defesa na Europa, e actuará como um catalisador para uma base industrial e científica inovadora e competitiva".

As autoridades de Bruxelas fazem questão de frisar que o dinheiro é para a indústria e a investigação, e não para criar o tipo de “exército da UE” que tem sido uma irritação para os anticépticos em particular em vários países membros, assim como na Irlanda neutra.

Parly também apontou que, em termos da UE, € 13 biliões em sete anos é uma soma relativamente pequena, e é insignificante em comparação com os EUA, que gasta quase US $ 700 biliões em defesa a cada ano.

"Isso corresponde ao montante anual de investimento dedicado pela França para o seu equipamento militar", disse Parly. "Mas isso é enorme para a UE, porque estamos a começar do zero".

As tensões da UE com os Estados Unidos

O primeiro modelo em escala real da aeronave pilotada remotamente de longa duração (MALE RPAS) - ou Eurodrone - é revelada no Berlin Air Show, em 26 de Abril de 2018. imagem: Airbus

O esforço para aumentar o financiamento da defesa europeia causou algumas tensões com Washington, onde autoridades temem que as empresas de defesa dos EUA possam ser excluídas dos projectos da UE .

França, Alemanha, Itália e Espanha - os principais produtores de equipamentos de defesa da UE, uma vez que o Reino Unido deixe o sindicato - lançaram projectos conjuntos para produzir drones e aviões de combate "para que eles não dependam mais das capacidades dos EUA", explicou Parly.

Alguns países da Europa Oriental, por outro lado, têm pressionado para usar o financiamento para melhorar as suas antigas indústrias militares, na esperança de poderem integrar-se melhor com as forças lideradas pelos EUA.

Parly insistiu que "não há como voltar as costas à OTAN".

"Mas como podemos ser confiáveis ​​como aliados se continuarmos a pedir ajuda?", disse ela.

O debate sobre como usar o novo financiamento pode estar em andamento, mas “o dinheiro logo estará lá, e alguém será necessário para administrá-lo”, apontou um representante europeu, com Parly pedindo “uma liderança completa”.

A criação de um posto de comissário responderia a esse pedido, disse a polaca Elżbieta Bieńkowska, comissário da indústria da UE.

Ela argumenta que a gestão do FDE deve ficar dentro da Comissão, que é responsável pela gestão do orçamento comum da UE.

Relutância da UE

Mas a defesa tem sido há muito tempo um poder soberano zelosamente guardado e os países-membros da UE estão relutantes em entregá-lo à comissão.

Mogherini também é relutante. a sua equipa gere o pacto de cooperação de defesa da UE, conhecido como PESCO .

Lançado em Dezembro de 2017, a Cooperação Estruturada Permanente sobre Segurança e Defesa (PESCO), que 25 estados membros aderiram, permite que os estados participantes desenvolvam capacidades de defesa conjuntas, invistam em projectos partilhados e melhorem a prontidão operacional e a contribuição das suas forças armadas.

Em Junho passado, seis Estados membros da UE declararam a sua intenção de criar equipas de resposta rápida cibernética, um projecto liderado pela Lituânia, um dos 17 projectos da PESCO anunciados até agora. Outros incluem o estabelecimento de um comando médico europeu, o centro de competência da missão de treino da UE, a ajuda militar em situações de desastre e a modernização da vigilância marítima.

"Permitir que uma direcção geral de defesa seja montada nas costas do Serviço Europeu de Acção Externa é como concordar em ter o seu bolso escolhido", explicou um diplomata europeu.

“Criar um Comissário para gerir um orçamento de 13 mil milhões de euros não se justifica. Por outro lado, se as suas competências forem estendidas à segurança cibernética e aos aspectos militares dos programas de satélite, faz mais sentido ”, disse uma autoridade europeia.

Existem várias outras iniciativas de defesa europeias propostas ou implementadas.

Em Junho de 2018, nove estados da UE assinaram um plano francês para um grupo europeu de intervenção de defesa, incluindo o Reino Unido, que apoia a medida como forma de manter fortes laços de segurança com o bloco depois do Brexit.

No mesmo mês, Mogherini propôs um novo "mecanismo de paz" de 10,5 biliões de euros (US $ 12,4 biliões) que poderia pagar por equipamentos militares, incluindo armas letais, para países parceiros em zonas de crise como a região do Sahel em África.


thedefensepost.com



domingo, 5 de maio de 2019

O POPULISMO VEIO PARA FICAR

O populismo hoje é difícil de definir em termos do contínuo político da esquerda versus da direita. Pelo contrário, é um movimento anti-globalização e anti-elite que reúne actores políticos anti-sistema tanto da extrema-direita como da extrema-esquerda. Como argumentado em Mueller (2016) e em Mudde e Rovira Kalwasser (2017), o populismo moderno é essencialmente uma visão do mundo onde o “povo puro” uniforme se opõe às “elites corruptas”

O populismo moderno: por que é ele importante e por que é provável que fique

Movimentos anti-globalização em Itália
Nos últimos anos, o populismo ressurgiu como um importante fenómeno político-económico. Ao contrário da sua reencarnação anterior - o “populismo latino-americano” de esquerda, oferecendo soluções macroeconómicas insustentáveis ​​para problemas sociais (ver Dornbusch e Edwards, 1991) - o populismo hoje é difícil de definir em termos do contínuo político da esquerda versus da direita. Pelo contrário, é um movimento anti-globalização e anti-elite que reúne actores políticos anti-sistema tanto da extrema-direita como da extrema-esquerda. Como argumentado em Mueller (2016) e em Mudde e Rovira Kalwasser (2017), o populismo moderno é essencialmente uma visão do mundo onde o “povo puro” uniforme se opõe às “elites corruptas”; também é importante que não haja diferenças e divisões dentro das “pessoas”, portanto, não há necessidade de verificações e balanços.

Apesar de muitos estudos realizados por cientistas sociais de ambos os lados do Atlântico (incluindo muitos investigadores do CEPR -  Centre for Economic Policy Research), ainda não há consenso sobre as origens e as causas do recente aumento do populismo. É claro que as consequências económicas da crise financeira global desempenharam um papel importante - resultando em aumentos substanciais no desemprego em certos países e especialmente em algumas regiões sub-nacionais. Tanto antes como depois da crise, o progresso tecnológico e a globalização trouxeram polarização do emprego e aumento da desigualdade. O surgimento de políticas de identidade - relacionadas à globalização e ao aumento da imigração - pode ter sido também um importante contribuinte para a popularidade dos populistas nativistas. A crise dos refugiados também pode ter levantado preocupações relacionadas à segurança ou ao terrorismo. Em países diferentes, as razões para o surgimento do populismo podem ter sido diferentes; eles também podem ter interagido uns com os outros - e com contextos culturais e sociais - de uma maneira diferente. É por isso que o recente aumento do populismo já gerou - e continua a gerar - tanto interesse entre os investigadores. 

Por que devemos nos preocupar com o populismo? Por um lado, não deve haver nada de errado se os populistas forem democraticamente eleitos e perseguirem o mandato de corrigir as deficiências das políticas anteriores (como a corrupção, o poder do mercado descontrolado, a evasão fiscal das grandes corporações, a corrupção dentro das elites). Há duas razões para se preocupar com a popularidade dos populistas. Uma é que as suas promessas não são macro-economicamente sustentáveis ​​(como na América Latina no passado ou em Itália hoje). A maioria dos populistas, no entanto, aprendeu essa lição e, uma vez no poder, eles reconhecem as restrições macroeconómicas (por exemplo, Syriza na Grécia e PiS na Polónia). A segunda razão é muito mais importante. Os populistas modernos - sendo anti-elitistas e anti-globalização - prometem e, uma vez no poder, implementar políticas que (i) destruam os travãos e contrapesos e (ii) criem barreiras à concorrência. Verificações e balanços económicos são cruciais para o investimento. Os investidores devem ter confiança de que as regras do jogo não são totalmente discricionárias. Os populistas também destroem os controlos e contrapesos políticos - assumindo o controlo sobre os tribunais, a média e o financiamento de campanhas. Isso fortalece o seu poder e permite que os seus oponentes os removam do cargo, mesmo quando o desempenho económico dos populistas falha. De acordo com a sua retórica "anti-neoliberal", os populistas modernos também limitam a competição económica. Em vez de “proteger o mais fraco”, isso leva à criação do capitalismo de compadrio e gera, de forma útil, rendas para financiar as máquinas políticas dos incumbentes. 

É importante enfatizar que o fenómeno do populismo moderno está aqui para ficar. Depois das eleições presidenciais francesas em 2017, muitos comentadores ficaram felizes em anunciar que a maré populista havia acabado. Isso foi, claro, prematuro. Primeiro, na eleição francesa, Emmanuel Macron chegou à segunda volta com apenas uma pequena margem; uma segunda volta com dois políticos populistas não foi impossível. Em segundo lugar, desde que venceu a eleição, a própria popularidade de Macron decaiu drasticamente. Terceiro, nos últimos dois anos, observamos que a extrema-esquerda e a extrema-direita ganharam terreno substancial mesmo na Alemanha e na Suécia, vencendo as eleições e formando um governo em Itália e no Brasil. O partido de Victor Orban obteve maioria constitucional na Hungria. Finalmente, e mais importante, os desafios subjacentes permanecem. 

A necessidade de soluções políticas

Embora exista um debate aceso sobre as origens e as causas do recente aumento do populismo, os conselhos políticos baseados em evidências sobre como combatê-lo ainda são bastante escassos. O objectivo principal deste RPN é fazer a ponte entre a investigação e soluções práticas específicas. 

A exigência por tais soluções é muito alta. Os governos nacionais, desenvolvidos e em desenvolvimento, lutam para dar uma resposta às pressões sociais devidas à globalização, à mudança tecnológica e à imigração. A União Europeia está prestes a elaborar um novo orçamento para sete anos (Quadro Financeiro Plurianual). Os governos da zona do euro estão a discutir a reforma da zona do euro que terá grandes consequências distributivas. A OCDE está a liderar o esforço multilateral contra a evasão fiscal por empresas multinacionais. O G20 está a discutir a resposta aos desafios impulsionados pela automação e está a rever a estrutura da arquitectura financeira global.

Além de redesenhar as instituições e escolher as políticas certas para combater os populistas, os principais actores políticos também devem repensar as suas estratégias de comunicação. Os últimos anos mostraram que os populistas estão à frente no uso dos média modernos (em alguns casos, aproveitando mensagens falsas ou enganosas).


The Centre for Economic Policy Research (CEPR)


O Populism RPN, criado em Março de 2018 para um mandato inicial de três anos, é liderado por Sergei Guriev, economista-chefe do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento e professor de Economia na Sciences Po em Paris.


ATAQUES DE FOGUETES A PARTIR DE GAZA PROVOCA RETALIAÇÃO DE ISRAEL

Os combatentes em Gaza disparam mais de 200 foguetes contra Israel, provocando ataques aéreos retaliatórios em enclaves sitiados.

Uma palestiniana grávida e o seu bebê de um ano foram mortos numa onda de ataques aéreos israelitas na Faixa de Gaza, destruindo a calmaria de um mês de violência no enclave sitiado . 

O bombardeamentos aconteceram no sábado aconteceu depois que o Hamas, que governa Gaza, e o movimento Jihad Islâmico dispararam mais de 200 foguetes contra cidades e aldeias no sul de Israel .

Pelo menos três palestinianos, incluindo a mãe, o bebê e um homem de 22 anos, Emad Naseer, foram mortos nos ataques aéreos, disse o Ministério da Saúde em Gaza, enquanto outros 13 ficaram feridos.

A escalada começou na sexta-feira, quando um atirador da Jihad Islâmica atirou contra as tropas israelitas do outro lado da fronteira, ferindo dois deles, segundo disseram militares israelitas. Um ataque aéreo retaliatório de Israel matou dois combatentes do Hamas.

Dois outros palestinianos protestando perto da fronteira também foram mortos pelas forças israelitas.

Fonte: aljazeera.com

sábado, 4 de maio de 2019

GUAIDÓ TEM POUCO PARA MOSTRAR NOS SEUS PRIMEIROS 100 DIAS EM FUNÇÕES

Maduro ridicularizou Guaidó por ser um "presidente virtual" sem oficiais, e Guaidó respondeu designando altos executivos para a companhia estatal de petróleo e gás natural da Venezuela PDVSA e a sua subsidiária norte-americana Citgo que trabalharia no exterior, bem como os seus representantes, aos quais ele chamou "embaixadores" na Organização dos Estados Americanos e nos países que o reconheceram. No entanto, ele não nomeou um gabinete ministerial.


Por Santiago Pena Aranza*

Bogotá, Colômbia

Cem dias é tempo suficiente para avaliar um novo governo e ver se cumpriu suas promessas.

Na quarta-feira, o auto-proclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, completa 100 dias “no comando” dum mandato que parece mais uma tentativa de derrubar o presidente Nicolas Maduro do que governar efectivamente o país.

Guaidó destacou-se mais pelas suas promessas de mudança dentro da Venezuela do que pelas suas habilidades de governação como chefe de estado.

Os primeiros 100 dias

Guaidó, um desconhecido virtual na política venezuelana, declarou-se presidente interino a 23 de Janeiro e ganhou apoio de grandes potências, incluindo os EUA e o grupo de países de Lima, deixando claro que era parte de uma estratégia apoiada para destituir Maduro.

Embora o Plano A devesse convocar a comunidade internacional para deslegitimar o governo de Maduro e pressionar os militares a rebelarem-se contra ele, o Plano B foi uma intervenção militar liderada pelos EUA. Mas o último foi apenas uma farsa.

A Venezuela tem sido abalada por protestos desde Janeiro, quando Maduro foi empossado para um segundo mandato após uma votação boicotada pela oposição.

Guaidó proclamou-se “presidente interino” com base no artigo 231 da Constituição. No entanto, ele não pediu eleições 30 dias após a mudança, conforme a lei exige, porque nenhuma instituição o reconheceu como líder do país, excepto a Assembleia Nacional, controlada pela oposição.

Como resultado, ele foi forçado a criar uma campanha internacional para enviar camiões para a Venezuela com “ajuda humanitária” a 22 de Fevereiro, na esperança de criar um movimento de “poder do povo” de apoiantes da oposição que levaria os militares a mudar de lado e a derrubar Maduro, algo que nunca aconteceu.

Maduro ridicularizou Guaidó por ser um "presidente virtual" sem oficiais, e Guaidó respondeu designando altos executivos para a companhia estatal de petróleo e gás natural da Venezuela PDVSA e a sua subsidiária norte-americana Citgo que trabalharia no exterior, bem como os seus representantes, aos quais ele chamou "embaixadores" na Organização dos Estados Americanos e nos países que o reconheceram. No entanto, ele não nomeou um gabinete ministerial.

Até agora, o trabalho de Guaidó tem sido mais eficaz dentro da Assembleia Nacional, o único lugar onde ele foi democraticamente eleito.

Lopez liberado

A 30 de Abril, apenas alguns dias antes dos primeiros 100 dias de seu auto-proclamado mandato, Guaidó fez a sua segunda acção política: ele apareceu na Base Militar de La Carlota, em Caracas, juntamente com o líder da oposição, Leopoldo Lopez.

A 2015, Lopez foi condenado a 14 anos de prisão pelo seu envolvimento na violência que eclodiu no ano anterior durante as manifestações contra Maduro. Ele estava em prisão domiciliar desde o verão de 2017, mas escapou com a ajuda de Guaidó.

A libertação de Lopez só foi possível através da traição de um grupo de soldados e mostrou que o ex-líder do Partido da Vontade Popular é também um dos principais actores apoiados pelo governo dos EUA.

Essa mudança política de alto nível não poderia ocorrer sem a aprovação de Washington e sem consultar os países do Grupo Lima.

Guaidó reiterou - novamente sem sucesso - o seu apelo ao exército para parar de apoiar o governo de Maduro. Ele conseguiu reunir o entusiasmo dos opositores do governo, que tomaram as ruas, mas não em números esperados.

Guerra de perseguição

Enquanto o governo de Maduro sofreu sanções internacionais e sabotagem pelos EUA e outros países que o querem fora do poder, Guaidó e os seus colaboradores próximos também foram sancionados pelo governo venezuelano.

O procurador-geral da Venezuela congelou as contas bancárias de Guaidó e proibiu-o de deixar o país, uma restrição que ele não cumpriu. O controlador do estado também o desqualificou politicamente por 15 anos com o argumento de que as suas viagens ao exterior não eram autorizadas pela Assembleia Nacional e havia inconsistências entre os seus rendimentos e "gastos exagerados".

A Assembleia Nacional Constituinte retirou a sua imunidade parlamentar na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que o deixa sem protecção antes de uma possível detenção.

O seu círculo próximo também foi alvo. Por exemplo, Roberto Marrero, um de seus colaboradores, foi preso e acusado de terrorismo.

Guaidó também foi acusado de traição, apropriação indébita de funções e apropriação indevida de activos da nação. O procurador-chefe da Venezuela, Tarek William Saab, disse que a prisão pode ocorrer "no devido tempo".

Durante o seu discurso no Dia do Trabalhor na frente de milhares de seguidores, Maduro disse que aqueles que estiveram por trás da tentativa de golpe irão para a prisão "mais cedo ou mais tarde" e isso inclui, é claro, Juan Guaidó.

No entanto, a prisão de Guaidó poderia ser uma faca de dois gumes para o Chavismo porque, embora o presidente auto-proclamado tenha feito coisas que justifiquem uma pena de prisão, poderia radicalizar ainda mais a oposição, produzindo resultados imprevisíveis.

Por enquanto, enquanto os primeiros 100 dias da auto-proclamação estão a ser cumpridos, Guaidó propôs uma greve escalonada que se transformaria numa greve geral, enquanto Maduro convocou organizações sociais, governadores de estado e o congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela para propor ideias concretas que levarão a uma "melhoria na vida das pessoas".

Enquanto isso, as tentativas de golpe continuarão ...

*Santiago Pena Aranza é um cientista político da Universidade Nacional da Colômbia com mestrado em teoria e crítica da cultura pela Universidade Carlos III de Madrid


aa.com.tr

sexta-feira, 3 de maio de 2019

SEM DESINFORMAÇÃO, A OTAN DESMORONAR-SE-IA

Michel Chossudovsky fala sobre as conclusões do simpósio internacional na ocasião do aniversário da NATO, salientando como a opinião publica ignora a natureza desta aliança fictícia, os seus verdadeiros objectivos, o seu funcionamento e os seus crimes.

P: Qual foi o resultado do Simpósio de Florença?

Michel Chossudovsky : O evento foi muito bem sucedido, com a presença de participantes dos Estados Unidos, Europa e Rússia. A história da OTAN foi apresentada. Foram identificados e cuidadosamente documentados crimes contra a humanidade. No final do Simpósio, foi apresentada a "Declaração de Florença" para sair do sistema de guerra.

P: Na sua declaração de abertura, disse que a Aliança Atlântica não é uma aliança ...

Michel Chossudovsky : Sob o disfarce de uma aliança militar multinacional, é o Pentágono que domina o mecanismo de tomada de decisão da OTAN. Os EUA controlam estruturas de comando, que são incorporadas na  dos Estados Unidos. O Comandante Supremo Aliado da Europa ( Sacrier ) ainda é um general americano nomeado por Washington. O secretário-geral, atualmente Jens Stoltenberg, é essencialmente um burocrata que lida com as relações públicas. Ele não tem papel decisório.

P: Outro tema que você levantou é o das bases militares dos EUA em Itália e em outros países europeus, incluindo o Oriente, embora o Pacto de Varsóvia não exista mais desde 1991 e apesar da promessa feita a Gorbachev que não haveria ampliação para o leste. Para que são elas?

Michel Chossudovsky : O objectivo tácito da OTAN - um tema importante do nosso debate em Florença - foi operar, sob outro nome, a "ocupação militar" da Europa Ocidental. Os Estados Unidos não só continuam a "ocupar" os antigos "países do Eixo" da Segunda Guerra Mundial (Itália, Alemanha), mas também a usaram o emblema da OTAN para instalar bases militares dos EUA em todo o mundo. A Europa Ocidental e, mais tarde, a Europa Oriental, na esteira da Guerra Fria e nos Balcãs, após a guerra da OTAN contra a Jugoslávia (Sérvia e Montenegro).

P: O que mudou no possível uso de armas nucleares?

Michel Chossudovsky : Imediatamente após a Guerra Fria, uma nova doutrina nuclear foi formulada, focada no uso preventivo de armas nucleares, isto é, no primeiro ataque nuclear como meio de autodefesa. No contexto das intervenções dos EUA e da OTAN, apresentadas como acções de manutenção da paz, uma nova geração de armas nucleares de "baixa potência" e "mais utilizáveis", descritas como "inofensivas aos civis ". Os políticos dos EUA consideram-nas "bombas para a pacificação". Os acordos da Guerra Fria, que estabeleceram certas salvaguardas, foram apagados. O conceito de "Assured Mutual Destruction", relacionado ao uso de armas nucleares, foi substituído pela doutrina da guerra nuclear preventiva.

P : A OTAN estava "obsoleta" no início da presidência de Trump, mas agora está a ser reavivada pela Casa Branca. Qual é a relação entre a corrida armada e a crise económica?

Michel Chossudovsky : Guerra e globalização andam de mãos dadas. A militarização apoia a imposição de reestruturações macroeconómicas nos países-alvo. Ela impõe gastos militares para apoiar a economia de guerra em detrimento da economia civil. Isso leva à desestabilização económica e à perda de poder das instituições nacionais. Um exemplo: Recentemente, o presidente Trump propôs grandes cortes orçamentais na saúde, educação e infra-estrutura sociais, enquanto pedia um grande aumento para o orçamento do Pentágono. No início do seu governo, o presidente Trump confirmou o aumento dos gastos com o programa nuclear militar de Obama de US $ 1 mil para US $ 1,2 biliões, argumentando que isso serve para manter o mundo mais seguro e a segurança social). Agora, a OTAN está comprometida sob pressão dos EUA para aumentar os gastos militares e o secretário-geral Jens Stoltenberg diz que este é o caminho certo a fazer para "manter o nosso povo seguro". Intervenções militares são combinadas com actos coexistentes de sabotagem económica e manipulação financeira. O objectivo final é a conquista de recursos humanos e materiais e instituições políticas. Os actos de guerra apoiam um processo de conquista económica total. O projecto hegemónico dos Estados Unidos é transformar países e instituições internacionais soberanas em territórios abertos à sua penetração. Um dos instrumentos é a imposição de fortes restrições aos países endividados.

P : O que é e qual deve ser o papel dos média?

Michel Chossudovsky : Sem a desinformação, geralmente feita por quase todos os meios de comunicação, o programa militar dos EUA e da OTAN entraria em colapso como um castelo de cartas. Os perigos iminentes de uma nova guerra com os armamentos mais modernos e o perigo atómico, não são informações que compõem as primeiras páginas dos jornais. A guerra é representada como uma acção de pacificação. Os criminosos de guerra são retratados como pacificadores. A guerra torna-se paz. A realidade é invertida. Quando a mentira se torna verdade, não podemos voltar atrás.

Manlio Dinucci


Fonte 
Il Manifesto (Itália)



quinta-feira, 2 de maio de 2019

SALVINI E A RÚSSIA NA UNIÃO EUROPEIA


O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, disse que gostaria de ver a Rússia juntar-se à União Europeia ao invés da Turquia.

Salvini adoptou assim um velha fraseologia de soberania, defendida na época pelo presidente francês Charles de Gaulle.

De acordo com essa tendência de pensamento, as Comunidades Europeias deveriam ter adoptado uma coordenação cada vez mais estreita entre Estados vizinhos com culturas semelhantes, em vez de se tornar numa estrutura supranacional que reúne os vassalos dos Estados Unidos da América.

Por outras palavras, a Turquia - devido à sua religião - não deve ser membro das Comunidades Europeias. E o Reino Unido também não deveria ser um membro das Comunidades Europeias, já que o seu sistema legal é totalmente diferente. Mas deveria ser a Rússia, uma nação de cultura europeia, em virtude do princípio que considera que a Europa se estende do porto francês de Brest - no extremo oeste da França - até ao porto de Vladivostok - no extremo oriente russo. [ 1 ]

Uma terceira corrente, surgida nos média radicais e nos políticos franceses Aristide Briand e Leon Bourgeois, ambos laureados com o Prémio Nobel da Paz, propõem a criação de uma comunidade de países que não seria baseada na proximidade geográfica ou a cultura dos países membros, mas no sistema político republicano. Nesse caso, estados como o Reino de Espanha e o Reino Unido não poderiam ser membros, nem países como a Argentina no início do século XX, governados por regimes militares. Esta terceira corrente desapareceu durante a Guerra Fria, mas pôde ressurgir durante este século.

voltairenet.org
__________________________________
[ 1 ] Charles de Gaulle repetidamente usou a frase " Europa, do Atlântico aos Urais ".

quarta-feira, 1 de maio de 2019

COLETES AMARELOS EM FRANÇA NESTE 1º DE MAIO QUEREM DEMOCRACIA DIRECTA


Foram 151.000 pessoas que se manifestaram até agora nesta quarta-feira em toda a França no, 1 de Maio às 14h, incluindo 16.000 pessoas em Paris, segundo o Ministério do Interior. A atmosfera está tensa em Paris neste dia do 1º de Maio, onde ocorreram confrontos entre os "Blacks blocs" e as policiais, uma situação que contrasta com a atmosfera de bom comportamento das pessoas da região. A mobilização sindical parisiense para o Dia do Trabalho começou às 2:30. Os Coletes Amarelos pretende melhorar as suas condições sociais e defender a Democracia Directa, apelando a uma revolução contra o sistema.  




NICOLAS MADURO E JUAN GUAIDÓ REAGEM AO FALHANÇO DO GOLPE DE ESTADO DE TERÇA-FEIRA



Nicolas Maduro afirmou na noite de terça-feira que as suas tropas frustraram uma tentativa fracassada de derrubá-lo planeada pela "extrema direita" da Venezuela e pela "gangue" imperialista de Donald Trump.

Num discurso de uma hora à nação, Maduro acusou o líder da oposição Juan Guaidó e seu mentor político Leopoldo López de tentar provocar um confronto armado que poderia ser usado como pretexto para uma intervenção militar estrangeira.
Nicolas Maduro, agradeceu ainda aos militares pela "derrotar" imposta aos conspiradores de um golpe depois de um dia de protestos convocados pelo líder da oposição, Juan GuaidóMaduro classificou os partidários da oposição de "um pequeno grupo que tentou encher o país de violência" e confirmou que o seu governo enfrentou várias "modalidades" de um golpe de Estado.

Nicolas Maduro prometeu ainda justiça.



Horas depois do fracasso do golpe de estado de terça-feira 30 de Abril o líder da oposição Juan Guaidó disse que esta acção está situada no contexto da "Operação Liberdade", que visa derrubar o governo do presidente Nicolas Maduro.

 Num vídeo que foi transmitido nas redes sociais, Juan Guaidó do Partido Popular Voluntário (VP) pediu que na quarta-feira, 1º de maio, os seus partidários na oposição retornem às ruas.

Guaidó referiu que "Nós, venezuelanos, que revelamo-nos pacificamente temos uma oportunidade de ganhar o nosso destino e ir para a fase final da Operação Liberdade, para a cessação de usurpação", agradecendo ainda aos governos e organizações que o apoiaram na sua intenção golpista.

Ele afirma ainda que: "Não há golpe, a menos que eles queiram me prender". Isso em clara referência ao papel que assumiu desde o último dia 23 de Janeiro, dia em que se auto-proclamou como "presidente interino" da Venezuela.








COMPREENDER O SIGNIFICADO DA CRISE DA VENEZUELA

Mas acima de tudo o que está em jogo é o controlo e a garantia de obterem oportunidades económicas e lucrativas no sector do petróleo e gás natural da Venezuela em que este país é rico, mais rico que a própria Arábia Saudita. Ora as outras potências têm apostado em políticas de redução da dependência do dólar e elaborado sistemas alternativos ao petrodólar, o que neste contexto é importante estarem presentes na Venezuela. Por outro lado as sanções dos EUA visam sobretudo paralisar a empresa estatal de petróleo da Venezuela Petróleo da Venezuela SA (PDVSA) e que é responsável por 90% das receitas de exportações do país e que a impedem de fazer negócios com os EUA e a UE e outros países que estão interessados em fazer negócios com a PDVSA. 

Por Paulo Ramires

A crise na Venezuela está a assumir preocupações preocupantes para o povo Venezuelano que já passa fome e está sem acesso a medicamentos, e é neste quadro que ontem o auto-proclamado presidente interino da Venezuela Juan Gaidó apelou ao povo Venezuelano que saísse à rua contra o governo de Nicolas Maduro perante reacções dispares da comunidade internacional. 

O que está por de trás desta crise é um confronto geopolítico pelo controlo da América Latina. Os EUA têm acusado Maduro pelo colapso económico e pela destruição da democracia na Venezuela, mas na realidade o que está a destruir a Venezuela e o povo venezuelano são as sanções económicas que já duram desde o ano de 2014 e endureceram em 2017 e em particular em 2018 com a reeleição de Nicolas Maduro. 

O controlo da América do Sul é a principal razão dos EUA para imporem sanções sobre a Venezuela e assim implantarem a Doutrina Monroe que significa que só os EUA podem controlar a América do Sul. Apesar de os EUA terem conseguido uma grande vitória neste sentido  com a eleição de  Jair Messias Bolsonaro, um presidente que se tem revelado fraco ao se mostrar permeável a vários interesses externos, nomeadamente americanos e israelitas, o facto é que os EUA estão a ser desafiados junto da sua própria vizinhança por várias potências, nomeadamente a Rússia, China, Turquia, Índia ou Irão, trata-se de uma poderosa frente que tem mantido Maduro no poder com os militares venezuelanos conscientes disso o que significa que dificilmente abandonarão Maduro e que goste-se ou não tem defendido bem os interesses da Venezuela, um facto que tem irritado bastante os EUA, sobretudo tendo Maduro conseguido uma aliança com esses países e outros na região como o México e a Bolívia. 

E significativamente a Rússia tem cada vez mais se mostrado interessada na Venezuela ao fazer pressão com o objectivo da ganhar cada vez mais influência na região e em particular na Venezuela a par da China e índia que são países que têm investido bastante no país e não querem perder esta posição que actualmente têm na região, tendo a Rússia enviado militares de aconselhamento ao governo de Maduro e para proteger os seus próprios interesses no país. Será também uma resposta que a Rússia e a China em coordenação pretendem dar aos EUA pela expansão da OTAN até às fronteiras da Rússia na Euroásia e pela situação geopolítica na Ucrânia dominada pelos EUA ou ainda pelas provocações dos EUA no mar do Sul da China. 

Mas acima de tudo o que está em jogo é o controlo e a garantia de obterem oportunidades económicas e lucrativas no sector do petróleo e gás natural da Venezuela em que este país é rico, mais rico que a própria Arábia Saudita. Ora as outras potências têm apostado em políticas de redução da dependência do dólar e elaborado sistemas alternativos ao petrodólar, o que neste contexto é importante estarem presentes na Venezuela. Por outro lado as sanções dos EUA visam sobretudo paralisar a empresa estatal de petróleo da Venezuela Petróleo da Venezuela SA (PDVSA) e que é responsável por 90% das receitas de exportações do país e que a impedem de fazer negócios com os EUA e a UE e outros países que estão interessados em fazer negócios com a PDVSA. 

O problema é que as sanções impedem a PDVSA de usarem o sistema financeiro dos EUA, o que significa que a PDVSA não pode ser paga em dólares ou usar os bancos norte-americanos. E como é sabido as transacções internacionais, nomeadamente petróleo e gás natural, por imposição dos EUA só podem ser feitas em dólares o que representa um problema acrescido para a empresa venezuelana. Todavia, o resultado é que a PDVSA está agora pronta em afirmar-se em outros países como a Europa, procurando sair da órbita do dólar. 

A Índia é também particularmente visada por importar petróleo da Venezuela e ao que as empresas deste país informaram, vão ceder às exigências dos EUA e pararem de importar petróleo da Venezuela. Esta cedência deixou vários navios petroleiros sem terem para onde ir tendo outros redefinido as suas rotas. Outro objectivo estratégico dos EUA é desestabilizarem ao máximo a Venezuela e a PDVSA de modo a proteger a sua própria indústria de gás de xisto no que diz respeito às exportações desta matéria prima e neste papel Gaidó e a oposição a Maduro tem uma posição fundamental neste jogo onde os interesses petrolíferos e de gás natural contam mais do que as pessoas.

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