Julho 2012 -->

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O BOSÃO DE HIGGS E AS SUAS IMPLICAÇÕES

O BOSÃO DE HIGGS E AS SUAS IMPLICAÇÕES

 

No dia em que se comemora a Independência norte-americana, dia em que os Estados Unidos escolheram para dizer para si mesmos e para o mundo como eles são uma grande nação, a velha Europa, mergulhada em crise, mas herdeira de uma gloriosa tradição intelectual, anunciou o que pode ser o maior feito científico desde o descobrimento do ADN, em 1953.

O "Bosão de Higgs", partícula fundamental que fornece massa a todas as outras partículas e que, portanto, é responsável por formar simplesmente toda a matéria do universo, está prestes a ser encontrado. No último dia 4 de Julho, experiências realizados no Centro Europeu de Física Nuclear (CERN) mostraram fortes indícios da existência do bosão. Embora muitos cálculos e novas experiências ainda precisem de ser feitas, é inegável que nos aproximamos cada vez mais da última fronteira que nos permitirá entender a origem da matéria, e com ela, a origem do próprio universo.

O incrível mundo subatômico

Como todos aprendemos na escola, a matéria que nos rodeia é composta por átomos. Mas os próprios átomos, que antes se acreditavam unos e indivisíveis, são apenas uma combinação específica de outras partículas ainda menores: os prótons, neutrons e elétrons. Os prótons e neutros se agrupam no núcleo do átomo num número específico, dando origem a um determinado elemento químico: hidrogênio, oxigênio, carbono etc. Os elétrons, por sua vez, orbitam esse núcleo.

Frequentemente, para representar um átomo, desenhamos um pequena esfera com os elétrons girando ao seu redor. Isso é assim apenas em parte. A ideia central está correcta, mas se fôssemos levar em consideração a escala das coisas, o desenho seria muito diferente. Se o núcleo do átomo fosse do tamanho de um limão, por exemplo, os elétrons estariam girando a cerca de 3 quilômetros de distância desse "limão" (núcleo). Quer dizer, o espaço entre a órbita dos elétrons e o núcleo atômico é imensamente "grande" (em termos sub-atômicos, obviamente). Daí tiramos uma primeira conclusão como mínimo impressionante: a maior parte da matéria que vemos, das coisas e pessoas que tocamos e sentimos é composta de... vazio.
Assim, ao estudar o mundo subatômico, os cientistas começaram a descobrir coisas fantásticas. Mas o mais importante: começaram a perceber que as leis tradicionais da física, a chamada "física newtoniana" (em referência a Isaac Newton, formulador das leis da mecânica clássica) simplesmente não se aplicavam ao mundo subatômico. Por exemplo, na física clássica, qualquer objeto, para dar uma volta completa em torno de si mesmo, tem que girar 360 graus. Assim ocorre, por exemplo, com a Terra ou com um casal que dança. Já no mundo subatómico, existe toda uma classe de partículas que, para dar uma volta completa em torno de seu próprio eixo, tem que girar... 540 graus, ou seja, uma volta e meia. Isso parece muito estranho, mas é assim.

Esses estranhos fenômenos observados pelos cientistas deram origem a uma nova mecânica, a mecânica do mundo subatómico, completamente diferente da mecânica clássica de nosso mundo visível: a chamada mecânica quântica.

O "modelo padrão"

Estudar o mundo subatômico é algo muito complicado. Não se pode abrir um átomo e ver o que existe lá dentro. O que se sabe sobre sua estrutura interna provém fundamentalmente de experiências que "refletem" essa estrutura e, obviamente, de muitos cálculos matemáticos. Assim, ao longo do tempo, foi-se estabelecendo um determinado "modelo" de como seria essa estrutura interna, os seus componentes, o seu comportamento etc. Isso não significa que os cientistas façam "especulações" sobre o mundo subatómico. Muita coisa foi demonstrada com precisão através de experiências absolutamente incontestáveis, verificadas exaustivamente por todo o mundo científico. Já outra parte do "modelo" não foi ainda demonstrada. Mas mesmo o que não foi ainda demonstrado ou descoberto foi previsto matematicamente. Ou seja, os cientistas não detectaram ainda algumas partículas subatómicas, mas eles sabem que elas devem estar lá, só podem estar lá, porque todo o modelo só faz sentido se elas existirem e estiverem lá.

O "modelo padrão" é, portanto, um enorme (ou minúsculo) quebra-cabeça que vem sendo montado ao longo de várias décadas através dos esforços conjuntos de diferentes gerações de cientistas de diversos países. A última peça desse quebra-cabeça é o "Bosão de Higgs", cujos indícios foram encontrados no último dia 4 em Genebra, na Suiça.


O "Bosão de Higgs" e o LHC

A peça faltante no quebra-cabeça do modelo padrão diz respeito ao seguinte: como se formam as partículas subatómicas? Como elas adquirem massa, ou seja, como se tornam matéria?

Em 1964 o físico britânico Peter Higgs propôs a hipótese de que existiria uma partícula específica no mundo subatômico, cuja função seria justamentre fornecer massa a todas as outras partículas. Essa partícula, pelo cálculos de Higgs, teria surgido logo após o Big Bang, há cerca de 15 bilhões de anos atrás, dando origem aos primeiros átomos e à matéria tal qual nós a conhecemos. No entanto, a hipótese de Higgs permaneceu apenas um modelo matemático porque não havia condições técnicas de por à prova sua teoria. Somente em 2008, com a inauguração do LHC (Large Hadron Colider, ou "Grande Colisor de Hádrons"), um imenso acelerador de partículas de 27 quilómetros de circunferência enterrado na fronteira entre a Suiça e a França, foi possível dar início às experiências que deveriam demonstrar a existência do Bosão de Higgs.

O que faz um acelerador de partículas? Basicamente, consiste em dois tubos circulares dentro dos quais se injectam duas "nuvens" de prótons electricamente carregados. Essas "nuvens" vão sendo aceleradas em direcções contrárias por meio de um sistema de imãs colocados ao longo dos tubos. Quando as duas nuvens atingem 99,99% da velocidade da luz, os dois tubos são "conectados" um ao outro (como nos desvios dos comboios), fazendo com que as duas "nuvens", que giravam em direcções opostas, se choquem violentamente. A colisão é tão poderosa, que a energia liberada pode ser comparada (proporcionalmente, é claro) ao próprio Big Bang. Os prótons literalmente "quebram-se", dando origem a partículas menores, ou seja, demonstrando de que são feitos. Quanto maior o choque, menor a partícula gerada e mais a fundo a estrutura subatómica é revelada. Foi basicamente essa experiência que detectou fortes indício do Bosão de Higgs no último dia 4 em Genebra. Se não o capturamos ainda, pelos menos estamos nas suas pegadas...

O que muda com o Bosão de Higgs?

Uma coisa muito importante: a percepção do homem sobre o universo e a matéria. Se o Bosão de Higgs for encontrado, ficará definitivamente provado que a matéria pode sim surgir do nada.

Isso abalaria profundamente os alicerces das distintas religiões, pois várias delas, depois que aceitaram muito a contragosto a ideia do Big Bang, seguem batendo na tecla de que a matéria do universo não poderia ter surgido "do nada". O Bosão de Higgs comprovaria justamente que a matéria não só surgiu do nada, como ainda hoje surge constantemente do nada e se transforma constantemente em nada. Aceitar essa ideia é difícil para qualquer pessoa normal exactamente porque se trata de um fenómeno quântico, ou seja, regido por outras leis que não as da física clássica. Parece ilógico, absurdo, irracional, mas de acordo com as leis da física quântica, é um fenômenos tão banal, quanto a queda de uma maçã ou a travagem de um carro.

"Partícula de Deus"?

O Bosão de Higgs é frequentemente chamado na imprensa de "partícula de Deus". A conotação ideológica do apelido é evidente: tentar atribuir a Deus a existência da partícula, mantendo assim uma visão mística do universo.

No entanto, há dois problemas com esse apelido: o primeiro é que ele não passa de um mal entendido. Em 1993, o prêmio Nobel de física Leon Lederman escreveu um livro sobre o Bosão de Higgs, cujo título em inglês era "The goddamn particle" (literalmente, "a partícula maldita"), em referência às dificuldades que se enfrentavam para encontrá-la. Mas a editora de Lederman achou o título muito agressivo e mudou para "The God particle" (A partícula de Deus), para não afastar o público religioso. O infeliz apelido acabou pegando e a pobre partícula é chamada assim até hoje.

O segundo problema é que o Bosão de Higgs justamente afasta ainda mais a ideia de um deus-criador do universo. Da mesma maneira que Darwin demonstrou que o homem não necessitou ser criado, pois havia evoluído de especies anteriores, assim também o Bosão de Higgs demonstrará simplesmente que a matéria do universo (ou seja, tudo!) não precisou de um deus para ser formada. Formou-se e organizou-se por si mesma.

Sobre isso, é bom que se esclareça: nenhuma descoberta científica jamais provará a inexistência de deus, como desafiam os religiosos. Isso é assim por uma questão lógica. Só se pode provar que algo "existe". Não se pode provar que algo "não existe". Justamente por isso, o ónus da prova recai sempre sobre aquele que quer demonstrar a existência de algo. Mas cada descoberta científica prova, isso sim, que deus não é necessário. Com o tempo e com o avanço da ciência, assim esperamos, a hipótese de um ser-criador do céu e da terra ficará cada vez mais insustentável e as pessoas abandonarão essa ideia de maneira mais ou menos natural.

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Carlos Fiolhais explica o que é o bosão de Higgs

   

Quais são as partículas elementares da matéria? O que é um bosão? Porque é o de Higgs foi batizado como “partícula de Deus”? Estas são algumas das perguntas a que o físico Carlos Fiolhais responde, a propósito do bosão de Higgs.

António Piedade (AP) – Quais são hoje as partículas elementares da matéria, 100 anos depois do modelo de Rutherford para um átomo, com protões e neutrões num núcleo orbitado por eletrões?

Carlos Fiolhais (CF) – As partículas elementares de matéria são os quarks (que formam os protões e neutrões do núcleo atómico), os eletrões e os neutrinos.

AP – Então o que são bosões?

CF – Bosões são as partículas de campo ou de energia, que asseguram as forças ou interações. As partículas elementares de matéria (quarks, electrões e neutrinos) são, por seu lado, fermiões. Podemos dizer que os fermiões se relacionam graças à troca de bosões: como dois cães que se mantêm unidos porque vão trocando um osso. De outra forma, bosões são partículas que podem ocupar o mesmo estado de energia, ao contrário dos fermiões, que não podem. O nome homenageia Bose, um físico indiano que escreveu a Einstein e que Einstein apoiou.
Simulação da colisão entre dois protões na CMS no CERN.

Um condensado de bosões é um aglomerado de bosões no mesmo estado. Não há condensados de fermiões, a não ser que estes se associem para formar bosões (é o que acontece, por exemplo, com os eletrões na supercondutividade).

AP – E o que é o bosão de Higgs?

CF – Uma partícula de campo ou de energia, que contrasta com uma partícula de matéria. Foi proposta nos anos 60 por Higgs e outros como unidade (grão ou /quantum) de um campo, o campo de Higgs, necessário para dar massa às partículas de matéria.

AP – Em que consiste o modelo padrão da Física?

CF – Trata-se da descrição de partículas de matéria e de campo conhecidas, isto é, dos constituintes da matéria e das interações fundamentais entre elas. Assenta teoricamente em princípios de invariância relativamente a operações de simetria. Uma bela teoria, portanto. Mas os físicos não estão satisfeitos com o modelo, pensam que há mais qualquer coisa…

                                                 Recriação artística do LHC

AP – Qual a importância do campo e do bosão de Higgs para a compreensão da matéria?

CF – Sem esse campo, e o respetivo bosão, não há uma maneira fácil de explicar a massa das partículas de matéria.

AP – Há alguma relação entre o bosão de Higgs e a matéria escura?

CF – Que se saiba não. Mas poderá haver. A matéria escura – matéria que não se vê – e a energia escura – energia antigravitacional – são dois dos mistérios maiores do Cosmos.

AP – Porque é que ainda não podemos afirmar que o bosão encontrado nas experiências ATLAS e CMS é o Higgs?

CF – Encontrou-se um pico à energia de 125 GeV analisando os processos de decaimento que se seguem a choques a altas energias. Falta, porém, saber quais são as propriedades dessa partícula, cuja existência acaba de ser assegurada. Conhecendo a sua energia podem afinar-se as observações.

AP – Qual foi a participação portuguesa nestas experiências?

CF – Há vários físicos portugueses no CERN ou em Portugal a participar nas equipas dos detetores CMS e ATLAS (os resultados do primeiro são mais importantes na descoberta do Higgs).


Peter Higgs a entrar na sala de conferência no CERN, em Geneva, no dia 4 de Julho.

AP – Quais são os passos que se seguem?

CF – Há que analisar melhor os processos à energia da partícula encontrada.

AP – Porque é que o bosão de Higgs recebeu a denominação de “partícula de Deus”?

CF – Uma brincadeira do físico Leon Lederman, que esteve há anos em Portugal a fazer uma palestra na Figueira da Foz. Deu o título de “partícula de Deus” a um livro que escreveu com um jornalista, provavelmente com o objectivo de maximizar as vendas do livro. A palavra pegou, apesar de ser despropositada. Os físicos não chegaram mais perto de Deus com esta descoberta até porque o papel da física não é a aproximação a uma divindade.

domingo, 8 de julho de 2012

A IMPORTÂNCIA DO BANCO CENTRAL EUROPEU PARA RESOLVER A CRISE DA DIVIDA

A IMPORTÂNCIA DO BANCO CENTRAL EUROPEU PARA RESOLVER A CRISE DA DIVIDA

 

Sábado, 7 de Julho de 2012

Por Paulo Ramires
A questão da divida pública e os fundos europeus do Euro.

O BCE deveria financiar os estados de forma directa a taxas vantajosas, no entanto, o BCE não o pode fazer, está impedido de finaciar os estados pelos tratados (tratado de Lisboa, art. 123º) assim enquanto esta formula que regula o BCE não for alterada e tudo indica que não será, o que se deveria fazer para contornar este problema seria atribuir uma licença bancária ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) de forma a que este possa receber dinheiro do BCE e emprestar depois aos estados, assim contornar-se-ia esta dificuldade inscrita nos tratados, como a princípio foi estabelecido, pelos estados membros do euro,  mas com grande resistencia da Holanda e Finlandia que continuam a dizer não, provocando o caos na Italia e Espanha que pedem para beneficiar deste fundo. Se as coisas correrem bem o MEE deverá entrar em vigor com uma capacidade inícial de 500 mil milhões de euros, este fundo estava previsto para entrar em vigor logo a 1 de Julho para combater a crise da zona euro, mas quanto a mim isto não é suficiente, pois só a divida italiana é de cerca de 2 bilhões de euros e o actual fundo de resgate é de 400 mil milhões de euros.
Mas o que irá fazer este fundo de resgate agora com 500 mil milhões de euros ? Irá recapitalizar a divida dos estados ou dos bancos ? Falou-se e fala-se cada vez mais na mutualização das dividas e da mutualização dos custos dos bancos, o próprio PS defende esta ideia, mas agora eu pergunto, se será muito justo estar a pagar os custos dos bancos espanhois, italianos, possivelmente de outros estados, mesmo que isso possa ter efeitos positivos nos mercados ? Uma possível solução seria a partilha desses custos em função de uma precentagem do PIB, a partir dai já seria partilhado pelos parceiros europeu. Mas mesmo assi exitem paises que não querem.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

MIGUEL SOUSA TAVARES: ESTAMOS A CAMINHO DO TERCEIRO MUNDO

MIGUEL SOUSA TAVARES: ESTAMOS A CAMINHO DO TERCEIRO MUNDO

10,9% DA POPULAÇÃO ACTIVA RECEBE O SALÁRIO MINÍMO OU SEJA 485€ MAS MAS COMO FICA SUJEITO A DESCONTOS PARA A SEGURANÇA SOCIAL O TRABALHADOR FICA APENAS COM 431,65€

Segundo números publicados os trabalhadores em Portugal que recebem o salário mínimo nacional, que duplicou em quatro anos, e que existe actualmente em Portugal mais de meio milhão - 605 mil pessoas - que ganha a retribuição mínima legal, número que que vem crescendo de forma imparável, a par da crise que se abate sobre o país muito por culpa da autoridade permitida pelo governo de maioria de direita. Segundo as estatísticas mais recentes da Segurança Social, no final de abril do ano passado, um em cada onze trabalhadores recebia 485 euros por mês: 10,9% da população activa. Como este valor é isento de IRS mas sujeito a um desconto de 11% para a Segurança Social, logo o recebimento do ordenado líquido é de 431,65 euros.

Estes números revelam muita preocupação pois mesmo os países subdesenvolvidos têm salários mais elevados que estes, assim a economia não poderá crescer, e só poderá entrar em recessão continua, isto tudo com a bênção deste governo PSD/CDS e da Troika. Pergunto eu onde quererá chegar o governo com esta governação ruinosa ? É que ao contrário da população, os boys do governo, esses estão a receber salários ao nível dos melhores de Europa.

Paulo Ramires.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A NECESSIDADE DE UMA UNIÃO BANCÁRIA PARA COMBATER A CRISE DO EURO E OS MERCADOS

A NECESSIDADE DE UMA UNIÃO BANCÁRIA PARA COMBATER A CRISE DO EURO E OS MERCADOS
 
Terça-feira, 3 de Julho de 2012
Por Paulo Ramires

          O um dos principais problemas da zona euro é a desconfiança que existe nos bancos do sul. Ao contrário do que existe nos EUA, na Europa não existe um sistema de garantias de depósitos que possam dar uma certa segurança aos titulares dos depósitos, desta forma, o mercado prefere jogar pelo seguro optando pelos bancos mais seguros e o mercado considera que os bancos alemães são mais seguros que os do sul, desta forma os bancos do sul ficam com pouco dinheiro porque os mercados transferem esse dinheiro para os bancos alemães e logo os bancos do sul não podem emprestar dinheiro porque não o têm, mais, também não emprestam entre si porque não existe confiança entre eles, ou seja, o mercado interbancário não funciona, o próprio presidente do Bundesbank, Jens Weideman admite este cenário ao dizer que não adiantaria nada mais uma injecção de liquidez por parte do BCE, justamente porque o dinheiro cedido aos bancos do sul acabariam por ir parar aos bancos alemães. É por isso que que era urgente e necessária a criação de uma União Bancária assente em 3 vectores:

1. Um fundo europeu de garantias de depósitos que acalmem e tranquilizem os mercados.

2. Um sistema europeu integrado de supervisão do sector bancário a cargo do BCE.

3. Um mecanismo de gestão de crises de forma a proteger os contribuintes de eventuais problemas.

O BCE deveria ser dotado de poderes não só para fiscalizar os bancos mas também para fechar inclusivamente os bancos sem risco sistémico.

Esta União Bancária foi acordada no último Conselho Europeu, mas se estas medidas não passarem à prática urgentemente, o dinheiro continuará a fugir dos bancos do sul, e não havendo crédito para a economia, não haverá investimentos, e sem haver investimentos não haverá crescimento, e como não há crescimento, as empresas tenderão a fechar provocando altos índices de desemprego e perturbações sociais nos países do sul.

A RECAPITALIZAÇÃO DIRECTA DOS BANCOS PELOS FUNDOS EUROPEUS

A RECAPITALIZAÇÃO DIRECTA DOS BANCOS PELOS FUNDOS EUROPEUS

Terça-feira, 3 de Julho de 2012

Por Paulo Ramires
 
Esta foi uma decisão tomada no Concelho Europeu da passada Sexta-feira, por força da Espanha pressionada com o agravar dos problemas no sector financeiro. Mariano Rajoy defendeu que os empréstimos da zona euro aos seus bancos não tenham efeitos na dívida pública dos estados. Mas esta questão é polémica, uma vez que se trata de financiar a banca. A questão que se coloca é quem irá ser responsável pelos reembolsos dos empréstimos recebidos, o estado ou os bancos ? Quanto a mim seria lógico que fossem os bancos, uma vez que são estes os beneficiários. Também a Irlanda irá beneficiar deste instrumento, e Portugal poderá fazê-lo também, mas mesmo depois da cimeira nada ainda está garantido pois é bem sabido que a Finlândia e a Holanda continuam a resistir a esta ideia dos países do sul: "A Finlândia vai, naturalmente, avaliar futuras aquisições caso a caso, mas é provável que bloqueie quaisquer planos do MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade) para adquirir obrigações no mercado secundário", disse Pasi Rajala, porta-voz do Governo de Helsínquia, Rajala argumentou que "participar em operações nos mercados secundários não faz sentido nenhum".

CRÓNICA DE MIGUEL SOUSA TAVARES SOBRE O PROJECTO-LEI DO BLOCO DE ESQUERDA

CRÓNICA DE MIGUEL SOUSA TAVARES SOBRE O PROJECTO-LEI DO BLOCO DE ESQUERDA

Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Miguel Sousa Tavares diz que será esmagado pelos blogs e afins, neste não o será, bem pelo contrário, respeitamos muito a sua opinião e concordamos inteiramente com o que diz e neste blog terá inclusivamente o apoio suficiente ao seu artigo. Paulo Ramires.

Por Miguel Sousa Tavares

          Prossigamos na destruição do património público do país. Já vendemos o idioma e o cimento aos brasileiros, a electricidade aos chineses, os combustíveis, parte da banca, do Douro e da comunicação social aos angolanos, vamos vender a TAP aos colombianos ou espanhóis, o espaço aéreo a quem se verá, as minas aos canadianos, a construção naval a quem quiser, e até a água (a agua, meus senhores!) está na agenda. Mas até o pouco que resta, como património histórico, cultural, social e económico, está ameaçado — agora, não por excesso de liberalismo, mas por excesso de estupidez. Na semana que agora entra, o Bloco de Esquerda propõe-se fazer votar na Assembleia da República uma lei que, redigida de forma sibilina e cobarde, visa abrir caminho para a posterior proibição de touradas, circos com animais, caça e pesca desportiva. Para já, o projecto de lei diz pretender apenas "condicionar" o "apoio institucional ou a cedência de recursos públicos" à "não existência de actos que inflijam sofrimento físico ou psíquico, lesionem ou provoquem a morte do animal". Parece pouco, mas é imenso: "condiciona" (ou seja, proíbe) desde logo a cobertura televisiva da RTP às corridas de touros, as reportagens sobre caça ou pesca desportiva; proíbe a cedência de terrenos camarários para a instalação de circos com animais ou criação de zonas de caça ou de pesca municipais (a Câmara Municipal de Mora, por exemplo, já não poderá voltar a organizar o Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva, onde os peixes da Ribeira do Raia, coitadinhos, às vezes moncos; a de Benavente não poderá ceder terrenos para as corridas de lebres com galgos, onde, embora não morrendo, o "sofrimento psíquico" das lebres é, infelizmente, bem presumível; a de Mértola, cuja principal fonte de receita turística é a caça, vai ter de cessar todos os seus apoios à actividade que ainda mantém o concelho vivo uns quatro meses por ano); e etc., não há limites para a imaginação persecutória dos "amigos dos animais". Mas isto, como é evidente, é apenas um primeiro passo, ciclicamente ensaiado, e cujo fim é chegar à proibição, pura e simples, de tudo o que não entendem nem querem entender e que acham que lhes fica bem defender. Vou, portanto, repetir também a minha cíclica resposta: este lado padreco, Bairro Alto e urbano-esquerdista do Bloco de Esquerda é intragável. A fatal companhia dessa anémona política chamada "Os Verdes" (sempre a oeste das ordens do PCP e a leste de tudo o que interessa na política de Ambiente), é enjoativa. E a inevitável participação do grupelho 'fracturante' do PS, estremecendo de emoção de cada vez que se fala de mulheres, gays ou animais, sendo estágio obrigatório de ascensão política lá na agremiação, é desprezível. Todos irão fatalmente votar a favor de um projecto de lei que é verdadeiramente fascista na sua essência, culturalmente ignorante e ditatorial, centralizador e arrogante. Já sei: vou ser uma vez mais esmagado nos vossos blogues e Facebooks (Twitters, perdão), onde, à falta de melhores causas ou de coragem para outras, a vossa grande liberdade é perseguir a liberdade alheia. Mas, sabem que mais? Estou-me nas tintas para a vossa opinião. Tenho pena, apenas. Tenho pena de quem não entende a beleza de uma tourada ou o "silêncio poético e misterioso, um silêncio que estremece" do toureio de José Tomas ("El País"), de quem nunca cheirou a esteva e o orvalho de uma manhã de caça, de quem nunca perdeu horas sentado na margens de rio à espera que o peixe morda o anzol, de quem vai ao circo e não quer ver os leões do Paquito Cardinslli. Tenho pena, mas não posso fazer nada, que não isto: lutar para que não passem.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

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