PUTIN CANCELA A CONSTRUÇÃO DE UM GASODUTO CHAVE PARA A EUROPA

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PUTIN CANCELA A CONSTRUÇÃO DE UM GASODUTO CHAVE PARA A EUROPA

PUTIN CANCELA A CONSTRUÇÃO DE UM GASODUTO CHAVE PARA A EUROPA


O governante russo acusa a Comissão Europeia de criar obstáculos ao projecto South Stream e oferece como alternativa um traçado que passa pela Turquia

A Rússia desistiu do grande projecto da Corrente do Sul (South Stream), um gasoduto que chegaria directamente à Europa meridional, passando pelo Mar Negro. Nos planos russos, a Corrente do Sul complementaria a Corrente do Norte (North Stream), que levaria gás à Alemanha, passando pelo Báltico. Os dois gasodutos teriam o objectivo de evitar os riscos de passar pela Ucrânia.

Em Ancara, onde estava em visita oficial, o presidente Vladimir Putin anunciou na segunda-feira que Moscovo desistiu de construir a Corrente do Sul, devido à “posição não construtiva” da Comissão Europeia, e que o combustível será redireccionado para outras regiões e para projectos de liquefação. “Consideramos que a posição da Comissão Europeia não era construtiva”, disse o líder russo, acusando Bruxelas de “colocar obstáculos” ao projecto. “Se a Europa não quer realizar, quer dizer que não será realizado”, disse Putin, desse modo pondo um ponto final numa das bases da estratégia russa para garantir o abastecimento energético da Europa.

Numa entrevista à imprensa dada com seu colega turco Recep Tayyip Erdogan, Putin disse que a Rússia não poderia começar a construir o trecho marítimo do gasoduto porque a Bulgária não a autorizou. “Seria absurdo começar a construir para chegar até a costa búlgara e parar ali”, ele afirmou. A Corrente do Sul chegaria até o porto búlgaro de Varna e de lá continuaria até os Bálcãs e se bifurcaria em duas partes, uma avançando em direcção à Itália e a outra à Áustria. A capacidade de transporte prevista era de 63 biliões de metros cúbicos anuais, e seu custo era calculado em 16 biliões de euros.

Em Abril, contra o pano de fundo da intervenção russa na Ucrânia e da política de diversificação energética de Bruxelas, o Parlamento Europeu pediu que o projecto fosse cancelado. A Rússia respondeu com seus próprios planos de diversificação energética em direcção à China e Turquia.

A julgar pelas declarações de Putin e de Alexei Miller, director executivo da Gazprom (a estatal russa que detém o monopólio da exportação de gás), Moscovo encontrou um substituto para a Corrente do Sul, fechando um acordo com a Turquia para a construção de um gasoduto submarino com a mesma capacidade de transporte que a Corrente do Sul. A Turquia ficará com cerca de 14 biliões de metros cúbicos de gás, e o restante irá para a fronteira turca com a Grécia. Miller disse que o projecto da Corrente do Sul foi cancelado e que foi assinado um memorando de entendimento com a empresa turca Botas para a construção de um gasoduto. Ele assinalou também que a Rússia reduzirá o preço do gás vendido à Turquia à medida que a cooperação se aprofunde e que, no longo prazo, Ancara pode pagar o mesmo nível de preços de que a Alemanha desfruta hoje.

Putin aconselhou a Bulgária a exigir uma compensação da União Europeia. “Se a Bulgária foi privada da possibilidade de agir como Estado soberano, que pelo menos peça dinheiro à União Europeia pelo lucro cessante, porque os benefícios directos que o gasoduto teria proporcionado a seu orçamento teriam sido de no mínimo 400 milhões de euros por ano”, ele assinalou.

O líder do Kremlin disse também que a Rússia vai elevar seu fornecimento de gás à Turquia em três biliões de metros cúbicos e lhe dará um desconto de 6% no preço. O ministro do Desenvolvimento Económico russo, Alexei Uliakaev, opinou que a construção do gasoduto vai ajudar a reduzir os riscos envolvidos na passagem do gás para a Europa pela Ucrânia.

In El País

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