
Por Emanuele Bonini
Bruxelas – Aberta ao diálogo, disposta a empenhar-se, mas firme e resoluta. Com serenidade e compostura, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, consegue evitar confrontos e rupturas com os Estados Unidos de Donald Trump, mantendo, de novo com tacto, distância e redefinindo a linha política. No Fórum Económico Mundial em Davos, von der Leyen «rompe» com a liderança americana, mas não com a América. Este é um dos momentos-chave que provavelmente marca um novo rumo euro-atlântico: «Consideramos o povo dos Estados Unidos não apenas nossos aliados, mas nossos amigos», ela diz, falando deliberadamente devagar para enfatizar a diferença entre sociedade civil e classe política.
As palavras usadas em relação à administração são diferentes: «a nossa resposta será firme, unida e proporcional», ela alerta e promete. Von der Leyen não pode evitar abordar a actual questão espinhosa da Gronelândia e a ameaça de tarifas. Entretanto, ela desferiu um golpe na honra do presidente dos EUA, acusando-o de desonestidade: «A UE e os EUA concordaram com um acordo comercial em Julho passado. E na política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, deve significar algo.» Por outras palavras, «as tarifas adicionais propostas são um erro», especialmente para a credibilidade política e pessoal daqueles que as ameaçam.
Depois, uma rejeição clara. «Choques geopolíticos podem, e devem, servir como uma oportunidade para a Europa», raciocina em voz alta o Presidente da Comissão Europeia. «Na minha opinião, a mudança sísmica que estamos a viver hoje é uma oportunidade, na verdade, uma necessidade para construir uma nova forma de independência europeia.» É a União Europeia que ameaça olhar para outro lado — ou pelo menos enxergar Washington sob uma luz muito diferente. Afinal, «a nostalgia faz parte da nossa história humana. Mas a nostalgia não trará de volta a velha ordem», insiste von der Leyen, menos conciliadora do que o habitual.
Ela espera até ao final do discurso para dizer, de forma ponderada e articulada, que a Gronelândia é dinamarquesa e, portanto, europeia, e que permanecerá europeia. «A soberania e integridade do território são inegociáveis», afirma ela. Em segundo lugar, «estamos a trabalhar num enorme aumento de investimentos europeus na Gronelândia», que não será vendida aos Estados Unidos, mas será integrada ao mercado europeu. «Trabalharemos com os Estados Unidos e todos os parceiros para a segurança mais ampla do Árctico», ela diz, não como gesto de cortesia ou rendição, mas porque ressalta a centralidade da NATO, dentro da qual países europeus e Estados Unidos se unem. Quanto ao resto, «precisamos trabalhar com todos os nossos parceiros regionais para fortalecer a nossa segurança comum. Por isso, vamos analisar como fortalecer as nossas parcerias de segurança com parceiros como Reino Unido, Canadá, Noruega e Islândia.» Os EUA não são mencionados nem citados. É a União Europeia que tenta libertar-se de uma dependência atlântica que de repente se tornou insustentável. «É hora de aproveitar esta oportunidade e construir uma nova Europa independente.»
Fonte: https://www.eunews.it
Tradução RD
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