É IMPOSSÍVEL A EUROPA DEFENDER A DINAMARCA PORQUE AS ARMAS EUROPEIAS SÃO CONTROLADAS PELOS EUA
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

É IMPOSSÍVEL A EUROPA DEFENDER A DINAMARCA PORQUE AS ARMAS EUROPEIAS SÃO CONTROLADAS PELOS EUA

Mas existe aqui um factor que poucos conhecem: os F-35 (tal como os F-16 e todos os outros aviões vendidos pelos EUA) não são totalmente utilizáveis pelos seus proprietários. O seu funcionamento depende de uma "chave electrónica" fornecida pelos EUA e renovada de 48 em 48 horas. Sem essa "chave electrónica" devidamente actualizada a cada dois dias o avião não descola.


Por  José-António Pimenta de França

A Europa não pode dizer não aos EUA em nada. Uma guerra entre os EUA e a Europa não é só improvável, é impossível. E não é só porque as forças militares europeias são muito inferiores em tamanho e qualidade de armamento às dos EUA. A verdadeira razão é técnica. 

Vamos aos factos: actualmente, todos os países da União Europeia e da NATO consomem, utilizam ou dependem de armamento americano em todos os domínios, seja nos aviões de combate, sistemas de defesa aérea e outros, electrónica militar, software de todos os tipos, sistemas de comando, comunicações por satélite essenciais ao comando e controlo de mísseis.  

Para usar um exemplo recente relativo ao caso da Dinamarca e o diferendo com os EUA sobre a Gronelândia. Nos últimos anos a Dinamarca multiplicou as encomendas de F-35, um dos caças de quinta geração mais avançados do mundo, apresentado como o cúmulo da tecnologia ocidental. 

Mas existe aqui um factor que poucos conhecem: os F-35 (tal como os F-16 e todos os outros aviões vendidos pelos EUA) não são totalmente utilizáveis pelos seus proprietários. O seu funcionamento depende de uma "chave electrónica" fornecida pelos EUA e renovada de 48 em 48 horas. Sem essa "chave electrónica" devidamente actualizada a cada dois dias o avião não descola, não se mexe para nada, mesmo em caso de crise, em caso de guerra. Não se trata de uma opção, é uma condição inscrita no contrato de compra e obrigatoriamente aceite por todos aqueles que quiserem dotar as suas forças aéreas com F-35. Estas condições não se aplicam só aos F-35, aplicam-se a todos os sistemas de armas vendidos pelos americanos. 

Esta dependência tem um nome: ITAR - International Traffic in Arms Regulations, que é uma norma americana que estabelece um princípio simples e brutal: em qualquer sistema de armas (toda a tecnologia militar, radares, tudo) que disponha de um componente americano, os EUA têm obrigatoriamente um direito de veto/aprovação quanto à sua utilização. Trata-se de um direito jurídico, contratual. Para poderem comprar estas armas aos EUA, os estados devem conceder aos EUA um direito de veto político à sua utilização. 

Ou seja, por exemplo, Arábia Saudita e esses estados todos do Golfo que têm poderosas forças aéreas cheias de aviões americanos, se lhes passar pela cabeça defender-se ou atacar Israel, verão que os seus aviões não voam, os seus mísseis não saem dos lançadores, a sua defesa aérea fica paralisada ante ataques israelitas. É assim com todas as armas americanas. Só podem ser utilizadas se são incomodarem os interesses americanos.

Na UE, só um país tenta contornar este sistema, a França, que pode dar-se a esse luxo porque é o único que dispõe ainda (a muito custo) de um complexo militar-industrial próprio. As forças militares de todos os outros países da UE e NATO optaram por comprar americano, por isso estão totalmente à mercê de Washington. Em consequência, as suas forças armadas são compatíveis entre si e com as dos EUA, mas não são soberanas.

Resumindo, já não interessa quem é que tem mais soldados ou mais armas, o que interessa é quem controla as chaves electrónicas, as autorizações para utilizar os armas. 

A realidade nua e crua é esta: os EUA controlam as armas de todos os estados europeus (e Austrália, Nova Zelândia, Canadá) porque controlam as actualizações tecnológicas dessas armas, os satélites, as informações, as redes de comando. Quem controla tudo isto controla a guerra. 

Sendo assim, uma guerra entre os EUA e a Europa é impossível. Mesmo que os europeus quisessem opor-se a decisões catastróficas dos EUA (como estamos agora a ver com a Gronelândia, amanhã quiçá com a Islândia, depois eventualmente com os Açores, ambos na mira de Washington) não podem porque as suas armas não funcionarão, os as redes de satélites estarão indisponíveis, não terão informações nem telecomunicações que possam apoiar qualquer acção militar. Não terão qualquer hipótese técnica para se opor.
Por isso, bem podem protestar e fazer voz grossa, a Gronelândia já era. 

As negociações serão um teatro, uma postura, uma pose para a fotografia por detrás da qual está apenas e tão só oabsoluto vazio estratégico da UE.

A Dinamarca e todos os países da UE e NATO estão todos à mercê dos americanos, com a excepção da França que, desde o tempo de general de Gaulle, sempre optou por manter uma autonomia em relação aos EUA. Mas a França sozinha também não pode nada…

Os governos europeus comprometeram totalmente a respectiva soberania durante as últimas décadas ao colocar os seus países totalmente à mercê de Washington. Os americanos têm a última palavra em tudo. Há quem diga que os responsáveis todos dos governos europeus deviam ser processados por alta traição…

Os americanos construíram os EUA a enganar e a roubar os nativos americanos (os índios, como dizíamos antigamente). Agora os índios somos nós...

NOTA: Só para lembrar que o governo português está a equacionar substituir os F-16 da nossa Força Aérea por aviões de quinta geração. Os F-35 estão entre os favoritos. Dado o acima exposto, seria uma decisão criminosa, lesiva da nossa soberania, escusado será dizer… 

IMAGENS: Os três aviões são o Lockheed Martin F-35A (que custa cada um entre os 180 e os 260 milhões de dólares, conforme o equipamento), e os seus concorrentes o francês Rafale F4 (130 a 220 milhões por unidade) e o sueco Gripen E (85 a 150 milhões cada). 

A primeira imagem é a capital da Gronelândia na Primavera/Verão, com pouca neve, estamos fartos de neve!...



Fonte: Facebook




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