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domingo, 22 de setembro de 2024

EM 10 DE SETEMBRO, OS COLONOS ISRAELITAS TORNARAM-SE MIGRANTES ILEGAIS

Estamos habituados a ver Israel cometer crimes a pretexto da sua segurança e os Anglo-Saxões a defendê-lo no Conselho de Segurança. De tal modo que assistimos a crimes consecutivos sem qualquer consequência penal. Esta situação está agora acabada. O Tribunal Internacional de Justiça varreu a argumentação de Telavive e o Estado da Palestina tornou-se membro de pleno direito das Nações Unidas.


Por Thierry Meyssan

Em 10 de Setembro de 2024, os colonos israelitas, que ao instalarem-se na Cisjordânia (na Judeia- Samaria, segundo os seus termos) reclamam concretizar um plano divino, passaram do estatuto de cidadãos israelitas vivendo em territórios contestados para o de imigrantes ilegais no Estado soberano da Palestina.

Com efeito, a Assembleia Geral das Nações Unidas aplicou, por ocasião da abertura da sua septuagésima nona sessão, a sua Resolução ES-10/23 de 10 de Maio último [1] . O Estado da Palestina tornou-se membro de pleno direito das Nações Unidas (ONU). Ninguém pode, portanto, continuar a opor-se a que ele exerça os seus direitos como Estado soberano.

Se a Palestina é um Estado soberano, a interpretação do Acordo Provisório sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza (dito « Acordo de Oslo II ») é modificada. A Autoridade Palestiniana já não é uma administração provisória durante um período de transição, mas um governo no pleno sentido do termo. Os Territórios palestinianos já não são «zonas disputadas», antes constituem o território internacionalmente reconhecido de um Estado soberano.

Desde a guerra de 1967 (dita « Guerra dos Seis Dias »), o movimento dos colonos não parou de ganhar terreno. Hoje, eles são mais de 700 mil estabelecidos na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e nas Colinas de Golã.

O Tribunal de Justiça Internacional (TJI-IJC) – ou seja, o tribunal interno das Nações Unidas, consultado pela Assembleia Geral das Nações Unidas – definiu, em 19 de Julho último, as regras de Direito relativas às políticas e às práticas israelitas no Território Território palestiniano ocupado [2]. Esta advertência não teve efeito, já que apenas o Conselho de Segurança tem a capacidade de forçar Israel a aplicá-la.

Lembremos que o Direito internacional, ao contrário do Direito penal, não se apoia numa força policial e num sistema penitenciário. Constitui simplesmente a obrigação dos governos honrarem o compromisso escrito do seu Estado. No caso, Israel, ao ter aderido à ONU, assinou a sua carta [3]. Essa, no seu Capítulo XIV, compromete cada membro « a cumprir a decisão do Tribunal de Justiça Internacional em qualquer litígio em que esteja envolvido ».

O Tribunal Internacional de Justiça emitiu sentença. A sua decisão impõe-se a todos os Estados que aderiram à ONU – Israel, Estados Unidos e Reino Unido incluídos.

O Tribunal considerou (§ 229) que estas políticas e práticas violam a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial. Segundo ele, Israel, de facto, pratica uma forma de apartheid (ver art. 3º da dita convenção). Foi exactamente isto que proclamou a Assembleia Geral da ONU, em 10 de Novembro de 1975 : « O sionismo é uma forma de racismo e discriminação racial » (Resolução 3379) [4]. Este texto apenas foi revogado para facilitar a Conferência de paz de Madrid, em 1991 [5]. No entanto, não tendo Israel cumprido os seus compromissos na altura e tendo intensificado as suas políticas e as suas práticas, este texto deveria ser reinstaurado.

O Tribunal considerou igualmente (§ 263) que «os Acordos de Oslo não autorizam Israel a anexar partes do Território palestiniano ocupado para satisfazer as suas necessidades e obrigações em matéria de segurança. Nem o autorizam a manter uma presença permanente no Território palestiniano ocupado para esse mesmo fim». Aquilo que era verdade em Julho ainda o é mais desde que a Palestina é um Estado soberano internacionalmente reconhecido.

Como resultado, na semana passada, quer dizer após esta decisão e antes da Palestina entrar para a Assembleia Geral, as Forças de Defesa de Israel (IDF-FDI) evacuaram subitamente as principais cidades da Cisjordânia que ocupavam. Pelo contrário, o governo israelita declarou ao Supremo Tribunal de Justiça, em 12 de Setembro, que não havia razão para aumentar a ajuda humanitária a Gaza, visto que Israel não controla este território e não tem, portanto, responsabilidades nele.

Dito isto, o Tribunal concluiu que « Israel tem a obrigação de reparar integralmente os danos causados pelos seus actos internacionalmente ilícitos [a ocupação e o apartheid] a todas as pessoas singulares ou colectivas atingidas » (§ 269). O que inclui « a obrigação de Israel restituir as terras e outros bens imóveis, bem como todos os bens confiscados a qualquer pessoa singular ou colectiva desde o início da sua ocupação em 1967, e todos os bens culturais e edifícios tomados aos Palestinianos e às suas instituições, incluindo os arquivos e os documentos. Ele exige igualmente que todos os colonos dos colonatos de povoamento existentes sejam evacuados, que as partes do muro construído por Israel que estão situadas no Território palestiniano ocupado sejam desmanteladas e que todos os Palestinianos deslocados durante a ocupação possam regressar aos seus locais de residência inicial » (§ 270).

É de salientar que o Tribunal não ordena indemnização por danos causados antes de 1967. Essa não foi a questão que lhe havia sido colocada. Além disso, as armas falaram e os Palestinianos perderam várias operações militares pelas quais devem também assumir as consequências. Os erros são partilhados, mesmo que seja evidente que os erros e os prejuízos sofridos pelos Palestinianos não têm qualquer comparação com os dos Israelitas.

O Tribunal pronuncia-se sobre as consequências da ocupação desde 1967. As suas decisões não são retroactivas. Ele constata factos que não pararam de piorar desde 1967.

Dirigindo-se a todos os Estados-membros da ONU, o Tribunal notificou-os que eles « são obrigados a não reconhecer qualquer mudança no carácter físico ou na composição demográfica, na estrutura institucional ou no estatuto do território ocupado por Israel em 5 de Junho de 1967 — incluindo Jerusalém Leste — que não seja aqueles acordados pelas partes através de negociações, e de fazer uma distinção, no seu comércio com Israel, entre o território do Estado de Israel e os territórios ocupados desde 1967. O Tribunal considera que a obrigação de distinguir, no comércio com Israel, entre o território próprio desse Estado e o Território palestiniano ocupado engloba, nomeadamente, a obrigação de não manter relações convencionais com Israel em todos os casos em que este último pretenda agir em nome do Território palestiniano ocupado ou duma parte deste em assuntos relacionados com o dito Território ; não manter, no que diz respeito ao Território palestiniano ocupado ou partes desse, relações económicas ou comerciais com Israel de natureza a reforçar a presença ilícita deste último naquele território; devem abster-se, aquando do estabelecimento e manutenção de missões diplomáticas em Israel, de reconhecer de qualquer forma a sua presença ilícita no Território palestiniano ocupado; e tomar medidas para impedir o comércio ou os investimentos que ajudem à manutenção da situação ilegal criada por Israel no Território palestiniano ocupado” (§ 278).

É por isso que, em 9 de Setembro, Volker Turk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, ao abrir a 57ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos, declarou : « Nenhum Estado deve aceitar o desprezo flagrante pelo Direito internacional, incluindo decisões vinculativas do Conselho de Segurança da ONU e as ordens do Tribunal de Justiça Internacional, nem nesta situação [a ocupação israelita da Palestina], nem em qualquer outra situação ».

Cada um de nós deve estar consciente : as regras mudaram. A ocupação do Estado da Palestina por Israel é ilícita. Ora, este Estado é, desde 10 de Setembro, reconhecido internacionalmente, mesmo que vários Membros Permanentes do Conselho de Segurança não o tenham feito a título individual. Ele dispõe agora de meios jurídicos dos quais estava até aqui desprovido. O guarda-chuva anglo-saxónico atrás do qual Telavive se abrigava já não existe legalmente. Entramos num novo período em que Washington e Londres para manter este sistema de opressão terão de usar a força.

Esta revolução jurídica marca a vitória da estratégia do Presidente Mahmud Abbas (89 anos). Paradoxalmente, foi só no final da sua vida que ela surgiu, e num momento em que o seu governo está desacreditado devido à sua colaboração com Israel e à sua corrupção.


Fonte: Rede Voltaire

sábado, 21 de setembro de 2024

RÚSSIA ARMA ANSAR ALLAH CONTRA ISRAEL EM RESPOSTA AO ARMAMENTO DA UCRÂNIA PELOS EUA

Soubemos que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu visitou secretamente a Rússia na semana passada por algumas horas. A informação foi estritamente censurada pela FDI em Israel. o seu encontro com seu ex-amigo, o presidente Vladimir Putin, não foi bem.


Por Rede Voltaire

Os Estados Unidos retiraram os seus dois grupos navais do Próximo Oriente, o USS Theodore Roosevelt e o USS Abraham Lincoln.

Ansar Allah (os "seguidores de Deus", pejorativamente chamados de "Houthis", ou seja, a "gangue da família Houthi" pela propaganda atlantista) disparou um míssil contra o centro de Israel em 15 de Setembro. Segundo o seu porta-voz, ele percorreu 2040 quilômetros em 11 minutos.

Pelo contrário, de acordo com o FDI, não era um míssil hipersônico. Ele foi atingido pelas defesas aéreas israelitas, mas não foi abatido.

Um incêndio eclodiu perto de Lod, causado pelo míssil ou por destroços dele.

Imitando o comportamento da FDI em Gaza, o Ansar Allah emitiu um aviso aos israelitas declarando que Tel Aviv é uma "zona de guerra" e que eles devem evacuá-la para o deserto de Negev, que eles consideram uma "zona humanitária".

Em 16 de Setembro, o Ansar Allah disse que o governo dos EUA havia se oferecido para reconhecê-lo com a condição de que parasse de atacar Israel. O Departamento de Estado negou isso.

➤ Observemos a mudança nas regras do jogo, não em Israel e na Palestina, mas em escala global. O míssil iemenita não foi interceptado pela defesa israelita. Era, portanto, uma nave hipersônica guiada por satélite, comparável aos sete mísseis hipersônicos iranianos que atingiram o seu alvo em 14 de abril. Como o Ansar Allah não tem tecnologia espacial à sua disposição, quem forneceu os dados de orientação? É improvável que Teerão tenha embarcado nessa aventura num momento em que o presidente Massoud Pezeshkian está tentando se reconectar com o Ocidente.

Soubemos que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu visitou secretamente a Rússia na semana passada por algumas horas. A informação foi estritamente censurada pela FDI em Israel. O seu encontro com o seu ex-amigo, o presidente Vladimir Putin, não foi bem.

A retirada dos porta-aviões dos EUA indica que Washington não pretendia se envolver na disputa russo-israelita.

Mas o mais importante está em outro lugar: Moscovo alertou que responderia aos Estados Unidos, que estão dando armas à Ucrânia para atacar a Rússia, também dando armas aos inimigos de Washington para contra-atacar. A Ucrânia acaba de atingir um gasoduto russo com armas dos EUA. Em resposta, o Iêmen atingiu o gasoduto Ashkelon-Eilat com dados de satélite russos.


Fonte: Rede Voltaire


NÃO É SÓ OLIVENÇA: PORTUGAL E ESPANHA MANTÊM DISPUTA HISTÓRICA SOBRE A “ALTO”, “COMPRIDO”, “SINHO”, “REDONDO” (ENTRE OUTRAS…)

Entre os vários conflitos – e mais recentemente ganhou fôlego o de Olivença – há um que permanece vivo há quase mais de cinco séculos e que põe em cima da mesa a disputa de um minúsculo arquipélago perto de Tenerife: especificamente, as Ilhas Selvagens, de 273 hectares.


Por Francisco Laranjeira

Ao longo da história, não foram poucas as disputas territoriais, políticas e diplomáticas – até militares – entre Portugal e Espanha, algumas das quais influenciaram a configuração geopolítica não só da Península Ibérica mas do mundo: basta recordar o Tratado de Tordesilhas, em 1494, que dividiu as terras “descobertas e por descobrir” por ambas as Coroas fora da Europa.

Entre os vários conflitos – e mais recentemente ganhou fôlego o de Olivença – há um que permanece vivo há quase mais de cinco séculos e que põe em cima da mesa a disputa de um minúsculo arquipélago perto de Tenerife: especificamente, as Ilhas Selvagens, de 273 hectares.

O arquipélago consiste em dois grupos: o grupo nordeste compreende a “Ilha Selvagem Grande” e três pequenas ilhotas, “Palheiro da Terra”, “Palheiro do Mar” e “Sinho”. O grupo sudoeste compreende a “Ilha Selvagem Pequena” e o “Ilhéu de Fora” entre numerosos ilhéus mais pequenos que incluem o “Alto”, o “Comprido”, o “Redondo”, “Pequeno”, “Grande”, “Ilhéu do Sul” e o pequeno grupo dos “Ilhéus do Norte”.

E porque estão em disputa? Há diferentes teorias sobre a sua descoberta: por um lado, acredita-se que o navegador português Diogo Gomes, em 1460, ao regressar de uma expedição à Guiné, iria encontrar o arquipélago, que passou a ser o seu domínio; por outro, há uma teoria que indica que as ilhas já teriam sido propriedade de Jean de Bethencourt, que já as teria encontrado algumas décadas antes.

No entanto, não só só estes dois homens: segundo Lázaro Sánchez-Pinto, curador do Museu de Ciências Naturais de Tenerife, os seus descobridores poderiam ter sido outros: “Aparece no mapa dos irmãos Pizzigani, datado de 1367, mas até então ninguém tinha reclamado a propriedade”, referiu, citado pela publicação ‘El Español’. Segundo o especialista, os portugueses, no início do século VXI, construíram uma cisterna na zona alta de ilha Selvagem Grande para recolher a água da chuva, tendo também introduzido animais, nomeadamente cabras e coelhos.

Consequentemente, seria a partir desse momento que o interesse dos portugueses por este território faria com que os espanhóis se defendessem ao considerarem que, pela sua proximidade às Canárias, este território lhes pertenceria. O conflito continuou quando, em 1881, Espanha propôs a Portugal a construção de um farol nas Ilhas Selvagens com o objetivo de melhorar a segurança dos navios.

No entanto, os portugueses recusaram esta construção conjunta por considerarem que aceitar este acordo seria um sinal de soberania partilhada, algo que rejeitaram por completo por quererem estes territórios apenas para si. No início do século XX, os portugueses agiam como donos e senhores do território: realizaram construções, bem como expedições científicas e de pesca.

Foi em 1938 que a Comissão Permanente de Direito Marítimo concedeu estas ilhas a Portugal. De qualquer modo, estava pendente a ação da Espanha, que ainda poderia requerer recurso. No entanto, não o fez devido aos conflitos internos que se viviam em território espanhol.

Anos antes, já os portugueses consideravam as ilhas como suas: mais concretamente, em 1932, já constituíam propriedade privada, do banqueiro madeirense Luís da Rocha Machado, que as teria convertido numa reserva de caça para seu uso privado. Portugal viria, no entanto, a adquirir os territórios: em 1971, o arquipélago foi adquirido pelo Estado português e tornou-se, de facto, território nacional.

No entanto, Espanha manteve o seu interesse pelas ilhas, principalmente devido à sua proximidade com as Ilhas Canárias, levando a uma disputa sobre a delimitação das zonas económicas exclusivas (ZEE) de ambos os países no Atlântico.


Fonte: https://executivedigest.sapo.pt

AS LINHAS VERMELHAS SEM RETORNO

A Rússia e o Ocidente estão rapidamente ficando sem espaço de manobra para evitar um confronto militar frontal. 


Por Lorenzo Maria Pacini

A Rússia e o Ocidente estão rapidamente ficando sem espaço de manobra para evitar um confronto militar frontal.

Há alguns dias, ouvimos falar da 'permissão' dada pelo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, para usar mísseis ATACAMS em território russo, quase como se a questão fosse a permissão para atacar o território russo, o que na verdade não é um problema, já que o território russo é atingido regularmente há mais de um ano, principalmente com drones. A paciência dos russos é bem conhecida e poucas pessoas no Ocidente percebem que ela pode estar chegando ao fim.

Para entender a extensão das notícias, é preciso olhar para o recente comentário de Putin de que, ao contrário dos drones, para usar os mísseis ATACAMS de alta precisão (1320 kg, alcance de até 300 km), são necessários sistemas de direcionamento de satélites da OTAN e pessoal de terra treinado para fazê-lo. Mais uma vez, Putin afirmou que esta é uma linha vermelha, definindo a participação direta da OTAN na guerra.

É oportuno reflectir por um momento sobre a questão das "linhas vermelhas".

Em meio a uma onda de relatos de que os EUA e o Reino Unido estão prontos para aprovar o uso de mísseis ocidentais para atacar o território russo, o presidente russo Putin fez seus comentários mais duros até o momento, afirmando que a medida "mudaria a própria natureza do conflito" e significaria que a OTAN e a Rússia estão "em estado de guerra". alertando que a Rússia tomaria "decisões apropriadas".

Em resposta, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse: "A Rússia começou este conflito. A Rússia invadiu ilegalmente a Ucrânia. A Rússia pode acabar com este conflito imediatamente. A Ucrânia tem direito à legítima defesa".

Sejamos claros: esta é uma editoria primorosamente política, relacionada às relações internacionais, certamente não um 'facto' militar, porque na Rússia, assim como no Ocidente, eles estão bem cientes de que os ataques ao território russo acontecem há muito tempo e que a violação da integridade territorial e soberania é um fato; Mas a diplomacia, que ainda é uma arte de equilíbrio, tenta remediar esses problemas e oferece soluções.

A justificativa militar para testar a determinação da Rússia neste assunto não é clara. Há poucas razões para acreditar que o uso de mísseis de cruzeiro lançados do ar aumentaria significativamente as chances da Ucrânia de vencer uma guerra de atrito na qual os russos têm enormes vantagens sobre a Ucrânia – e o Ocidente em geral – em termos de população e produção militar. Em particular:

– Os russos estão minando a capacidade dos ucranianos de enviar tropas bem treinadas e equipadas para o combate, e os mísseis de cruzeiro lançados do ar não mudarão isso;
– A questão das "linhas vermelhas" que não devem ser ultrapassadas está precisamente na origem da chamada Operação Militar Especial, que depende do desafio repetido da OTAN às "linhas vermelhas" relativas, primeiro, à não expansão da OTAN para Leste e depois à não neutralidade ucraniana;
– De fato, a melhor maneira de entender o confronto atual é vê-lo como um desafio à Rússia, tentando trazê-la de volta ao modelo de subordinação dos anos Yeltsin, impedindo sua expansão em escala global;

– Os russos podem se adaptar às capacidades de ataque de longo alcance dos ucranianos porque já se adaptaram ao uso da artilharia HIMARS e dos mísseis terrestres ATACMS (e os russos ainda estão operando com o arsenal aposentado, não com a nova artilharia). Para ter algum impacto real na capacidade da Ucrânia de prejudicar a Rússia, o Ocidente teria que fornecer um número muito grande de mísseis de longo alcance, muito mais do que o pequeno número de modelos básicos de alcance que seriam considerados, mas a capacidade do Ocidente de fornecer tais quantidades é limitada, e fornecê-los quase inevitavelmente provocaria retaliação russa direta.

Qualquer linha vermelha violada sem retaliação é experimentada e apresentada como fraqueza por parte do governo russo, e esse jogo produz seus efeitos reais dentro da Rússia, cuja questão original é sua capacidade de existir unida como o enorme país multiétnico que é. Qualquer sinal de fraqueza no poder central abre caminho para possíveis movimentos centrífugos dentro do país. A Rússia, como qualquer outro país, tem seus próprios jogos de poder internos. Há poucas razões para ser otimista de que tais ataques levarão Putin a encerrar a guerra ou vir à mesa de negociações, mas há boas razões para temer que eles reforcem suas alegações de que a Rússia está em guerra com a OTAN, não com o povo ucraniano.

Este é um ponto fundamental a sublinhar: a Rússia tem reiterado continuamente em todos os fóruns oficiais e institucionais que o conflito não é contra o povo ucraniano, mas contra o seu governo golpista e o Ocidente atlantista que promoveu e iniciou esta guerra, já em 2014 (e até antes). A Rússia não tem interesse em exterminar a população ucraniana, que é étnica e historicamente parte da grande família multiétnica da Rússia.

Outra consequência potencial não intencional é que a crescente letalidade do apoio militar ocidental endurecerá as demandas da Rússia em quaisquer negociações futuras. Quanto mais o Ocidente mostrar que está disposto a usar a Ucrânia para atacar a Rússia, mais os russos insistirão em uma ampla desmilitarização da Ucrânia como condição para um acordo.

Em um estágio inicial, esse processo não levou o Ocidente (ou seja, os EUA) aos resultados desejados. A ideia era clara: assim que Putin morder a isca e invadir a Ucrânia, nós, tendo treinado o exército ucraniano de acordo com os padrões da OTAN por 8 anos, provaremos que é um tigre de papel; As sanções econômicas ocidentais estrangularão a economia russa; A lacuna entre o desastre militar e econômico colocará o regime nas cordas, produzindo revoltas internas e um colapso sistêmico.

No entanto, esse cenário não se concretizou.

Militarmente, a operação tornou-se uma guerra de posição, uma guerra de desgaste. No plano econômico, graças principalmente ao apoio da China, a Rússia foi capaz de absorver o choque inicial, recuperando uma nova configuração dos fluxos de mercado, e imediatamente entrou em uma nova fase de prosperidade econômica em nível internacional. Em termos de relações internacionais, a Rússia foi capaz de mostrar ao mundo o que significa lidar com o Ocidente e iniciou um processo de emancipação global do controle do Hegemon.

Militarmente, a situação militar na Ucrânia é agora crítica para as forças ocidentais. A aventura de Kursk foi mais uma linha vermelha violada, com o único significado de produzir um dano de imagem à liderança política de Putin, mas nada mais. Na área central da frente, o exército russo alcançou agora a terceira e última linha defensiva, além da qual não há mais linhas fortificadas. O colapso ucraniano parece ser uma questão de alguns meses, provavelmente destinado a ocorrer na próxima Primavera.

Diante desse cenário, toda a classe dominante ocidental, ou seja, o complexo militar-industrial americano e seus capangas europeus, não conhece um plano B. Isso é um grande erro, pois a política internacional dita que sempre se tenha planos de backup para vários cenários possíveis. Esse erro ocidental tem um peso enorme e poucos ainda o perceberam.

Aqueles que comandam, os EUA, podem se dar ao luxo de violar qualquer linha vermelha com impunidade virtual: eles sabem que Putin não é de forma alguma um louco que quer a destruição planetária e, portanto, não lançará um ataque direto em solo americano. Aqueles que obedecem, Europa, já devastaram seu próprio sistema de produção e estão na linha de frente para ataques direcionados, incluindo nucleares (lembre-se que na doutrina de guerra atual, o uso de bombas atômicas táticas conta como guerra comum, não como o início de uma guerra nuclear).

Os EUA estão pressionando pela violação de todas as linhas vermelhas porque têm duas poderosas zonas tampão dispensáveis: primeiro a Ucrânia, depois a Europa.

Não é do interesse do Ocidente nem da Ucrânia tornar mais difícil chegar a um acordo que preserve a independência da Ucrânia e ofereça a oportunidade para um futuro próspero. O que a Ucrânia precisa desesperadamente agora não são armas de longo alcance, mas um plano viável para um fim negociado da guerra que dê à Ucrânia uma chance real de se reconstruir.

Cuidado: a Rússia de Putin ainda pode decidir responder militarmente e demonstrar sua superioridade. Caso isso aconteça, o conflito ocorreria na "zona dispensável" eleita pelos EUA, que é chamada de Europa, aproveitando o Artigo 5 do Tratado do Atlântico, envolvendo todos os países europeus. E isso é uma realidade, por mais dura e violenta que seja a carnificina.

Aqui estamos nós às vésperas de mais uma violação da linha vermelha. Vamos ver o quanto o mundo está disposto a arriscar.


Fonte: Strategic Culture Foundation


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

RÚSSIA CONFIRMA A MORTE DE CENTENAS DE SOLDADOS DA OTAN NA UCRÂNIA

Os militares russos realizaram vários ataques de precisão de longo alcance contra militares da OTAN na Ucrânia. 


No início deste mês, instalações militares em Poltava e Lviv foram atingidas por mísseis hipersônicos russos, resultando em centenas de vítimas. Fontes militares russas indicam que a França está entre os países que fornecem mais mercenários para a Ucrânia. Num dos seus primeiros relatórios, o Ministério da Defesa da Rússia disse que dos 400 soldados franceses na Ucrânia, cerca de 150 foram mortos e 200 deles retornaram rapidamente à França.

No entanto, em vez de deixar a Ucrânia permanentemente, militares estrangeiros continuam chegando, o que apenas prolonga o conflito ucraniano.

As Forças Armadas russas estão usando cada vez mais sistemas avançados para destruir as armas ocidentais mais modernas. Claro, isso também diz respeito aos franceses.

Como uma fonte militar russa de alto escalão relatou em 6 de Setembro, "cerca de 50 caças franceses foram neutralizados após um ataque com mísseis Iskander-M na vila de Konstantinovka".

Em 4 de Setembro, um ataque de precisão com um míssil Iskander teve como alvo o pessoal da OTAN na cidade de Kryvyi Rih (localizada a 131 km a oeste de Zaporizhzhia). O ataque atingiu um hotel onde estavam hospedados mercenários estrangeiros que lutavam ao lado da Ucrânia.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, o adversário perdeu mais de 250 caças, incluindo 70 especialistas em defesa aérea franceses e romenos, num ataque à cidade de Kryvyi Rih.

Em 3 de Setembro, cerca de 500 especialistas, incluindo mercenários polacos, franceses, alemães e suecos, foram mortos ou feridos num ataque ao centro de treino do exército ucraniano em Poltava.

As autoridades ucranianas utilizam regularmente infraestruturas civis para fins militares. Os média ucranianos estão tentando apresentar a destruição desses alvos pelo lado russo como ataques a civis. No entanto, o uso de locais civis, como campos desportivos, hotéis e até escolas e jardins de infância, para abrigar pessoal estrangeiro na Ucrânia é uma prática comum. 

Informações obtidas de fontes abertas 


Isenção de responsabilidade: em vista das hostilidades, o República Digital não está em posição de confirmar ou negar esta informação.

Fonte: https://www.observateurcontinental.fr


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CHEFE DA DEFESA DA UE DIZ QUE A EUROPA DEVE ESTAR PRONTA PARA LUTAR CONTRA A RÚSSIA EM 6-8 ANOS

Andrius Kubilius, ex-primeiro-ministro da Lituânia, foi nomeado o primeiro comissário de defesa da UE e já quer uma guerra com a Rússia.


Por Dave DeCamp

Andrius Kubilius, ex-primeiro-ministro lituano e primeiro comissário de defesa da UE, disse que a Europa deve estar pronta para lutar contra a Rússia dentro de 6 a 8 anos.

"Ministros da Defesa e generais da OTAN concordam que Vladimir Putin pode estar pronto para o confronto com a OTAN e a UE em 6 a 8 anos", disse Kubilius à Reuters.

"Se levarmos essas avaliações a sério, então esse é o momento para nos prepararmos adequadamente, e é curto. Isso significa que temos que tomar decisões rápidas e ambiciosas", acrescentou.

A OTAN está se preparando para uma futura guerra com a Rússia, apesar do risco de o conflito se tornar rapidamente nuclear. A UE tem pouco impacto na política militar, uma vez que os membros individuais da UE são responsáveis pela sua própria defesa, mas a nomeação de Kubilius mostra que o bloco está procurando aumentar o seu envolvimento no planeamento de guerra.

"A União Europeia não terá planos de defesa ou liderança militar, como a OTAN tem - mas a União Europeia tem instrumentos para obter um financiamento maior, o que a OTAN não tem", disse Kubilius.

O ex-líder lituano é um defensor ferrenho da guerra por procuração na Ucrânia e um grande falcão da Rússia. Ele disse que o seu primeiro trabalho é ver quais recursos a UE tem disponível para se preparar para uma luta futura. Kubilius disse à Reuters que gostaria de ver um investimento de mais de 500 mil milhões de euros nos próximos anos para construir forças armadas europeias.

Na quinta-feira, o parlamento da UE aprovou uma resolução pedindo aos países europeus que permitam que a Ucrânia use armas ocidentais para ataques de longo alcance dentro da Rússia. O presidente russo, Vladimir Putin, alertou que a medida significaria que a OTAN está em guerra com a Rússia.

Em resposta à resolução da UE, Vyacheslav Volodin, chefe da Duma Estatal da Rússia, disse: "O que o Parlamento Europeu está pedindo leva a uma guerra mundial usando armas nucleares".



*Dave DeCamp é o editor de notícias da Antiwar.com, siga-o no Twitter @decampdave.

Fonte: Antiwar.com

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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

ATAQUE DE PAGER NO LÍBANO: UM ACTO DE TERRORISMO DA MOSSAD

O incidente, que ocorreu na terça-feira, viu milhares de pagers, walkie-talkies e outros dispositivos de comunicação portáteis explodirem simultaneamente. O ataque teve como alvo o grupo militante Hezbollah, mas resultou em vítimas civis generalizadas. Segundo relatos, várias pessoas foram mortas, incluindo quatro crianças, e milhares ficaram feridas nas explosões que continuaram na quarta-feira.


Numa reviravolta chocante, o Líbano foi abalado pelo que muitos chamam de "monstruoso acto de terrorismo". Numa terça-feira fatídica, milhares de pagers detonaram simultaneamente em todo o país, deixando um rastro de destruição, morte e ferimentos em seu rastro.

Este ataque sem precedentes não apenas devastou inúmeras vidas, mas também abriu um novo e aterrorizante capítulo nos anais da guerra moderna.

O ataque: um pesadelo tecnológico

O incidente, que ocorreu na terça-feira, viu milhares de pagers, walkie-talkies e outros dispositivos de comunicação portáteis explodirem simultaneamente. O ataque teve como alvo o grupo militante Hezbollah, mas resultou em vítimas civis generalizadas. Segundo relatos, várias pessoas foram mortas, incluindo quatro crianças, e milhares ficaram feridas nas explosões que continuaram na quarta-feira.

A escala e a sofisticação do ataque deixaram especialistas em segurança e funcionários do governo cambaleando. Nunca antes um ataque tecnológico coordenado em tão grande escala foi realizado com um efeito tão devastador. O incidente levantou sérias questões sobre a vulnerabilidade da tecnologia cotidiana e o potencial de sua exploração em actos de terror.

O suposto perpetrador: Israel no centro das atenções

Embora Israel não tenha confirmado nem negado o envolvimento, tanto Beirute quanto o Hezbollah apontaram o dedo para o Estado judeu. Reportagens dos média, citando fontes anônimas, afirmam que o serviço secreto israelita, Mossad, estava por trás do ataque. Esses relatórios sugerem que a Mossad equipou milhares de dispositivos de pager com pequenas cargas explosivas, que foram acionadas remotamente.

O New York Times, numa exposição detalhada, lançou luz sobre a suposta operação israelita. De acordo com o relatório, que citou 12 actuais e ex-funcionários da defesa falando sob condição de anonimato, a inteligência israelita usou uma empresa de fachada para entregar os dispositivos de comunicação manipulados ao Hezbollah.

A empresa Shell: B.A.C. Consulting

A empresa de fachada, supostamente chamada B.A.C. Consulting e com sede na Hungria, foi uma das três entidades criadas para se infiltrar na cadeia de suprimentos do Hezbollah. Os pagers, fabricados separadamente dos produtos regulares por oficiais de inteligência israelita, foram enviados ao Líbano por meio de um intermediário taiwanês chamado Gold Apollo.

O que tornava esses dispositivos particularmente insidiosos era a sua carga explosiva. As baterias desses pagers foram supostamente misturadas com PETN, um explosivo conhecido pela sua dificuldade de detecção durante as triagens de segurança. Este mesmo explosivo foi usado em vários planos terroristas no passado.

A linha do tempo: uma operação de longo prazo

A operação, de acordo com o relatório do New York Times, começou no Verão de 2022. Inicialmente, um pequeno número de dispositivos foi enviado, mas a operação aumentou rapidamente depois de Fevereiro. Essa escalada foi supostamente em resposta à pressão do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, para que a organização se afastasse dos telemóveis, que ele acreditava serem vulneráveis às operações cibernéticas israelitas.

Ironicamente, o que Nasrallah viu como uma medida defensiva tornou-se a própria ferramenta de destruição. Oficiais de inteligência israelitas supostamente referiram-se aos pagers como "botões" que poderiam ser pressionados quando chegasse a hora certa.

O custo humano: vidas inocentes perdidas

Embora o ataque tenha sido supostamente direcionado ao Hezbollah, muitos espectadores inocentes foram apanhados no fogo cruzado. Uma história comovente é a de Fátima Abdullah, de 9 anos, da aldeia de Saraain, no sul do Líbano. A jovem trazia um pager para o pai quando explodiu, tirando a sua vida.

Essa trágica perda de vidas inocentes ressalta a natureza indiscriminada de tais ataques e levanta sérias questões éticas sobre o uso de tais táticas em zonas de conflito.

Reações internacionais: condenação e pedidos de investigação

A comunidade internacional foi rápida em responder a esse ataque sem precedentes. A Rússia, por meio de sua porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, condenou o incidente como um "acto monstruoso de terrorismo, monstruoso no seu cinismo e na sua escala, considerando o grande número de vítimas".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia pediu uma investigação completa, enfatizando que todas as partes responsáveis devem ser responsabilizadas. Eles traçaram paralelos com as explosões do gasoduto Nord Stream, expressando preocupação de que esse novo acto de terrorismo possa ser "varrido para debaixo do tapete" de maneira semelhante.

O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, expressou profunda preocupação com as possíveis consequências do ataque. Peskov alertou que a região já está num "estado explosivo" e que incidentes como esse podem desencadear eventos que deixariam a situação fora de controle.

O contexto mais amplo: tensões no Médio Oriente 

Este ataque ocorre num momento de tensões elevadas no Médio Oriente. O conflito em curso entre Israel e o Hamas em Gaza, que começou com um ataque do Hamas em 7 de Outubro de 2023, já custou milhares de vidas e deslocou inúmeras outras.

O ataque de pager no Líbano ameaça desestabilizar ainda mais a região, potencialmente atraindo outros atores para o conflito. Há temores de que isso possa ser a faísca que acende uma conflagração maior em uma parte já volátil do mundo.

O futuro da guerra: um novo paradigma

O ataque de pager no Líbano representa uma mudança de paradigma na guerra moderna. Ele demonstra o potencial da tecnologia cotidiana para ser armada em grande escala, borrando as linhas entre infraestrutura civil e alvos militares.

Este incidente levanta sérias questões sobre o futuro da segurança cibernética e a necessidade de novas leis e convenções internacionais para reger o uso da tecnologia na guerra. À medida que a nossa dependência de dispositivos conectados cresce, também aumenta a nossa vulnerabilidade a ataques dessa natureza.

Consequências diplomáticas: a posição da Arábia Saudita

Na esteira desse ataque, a Arábia Saudita fez um anúncio significativo sobre as suas relações com Israel. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman afirmou que não pode haver normalização das relações entre Riad e Jerusalém Ocidental sem o estabelecimento de um Estado palestiniano independente.

Esta declaração vem num momento crucial, já que a Assembleia Geral das Nações Unidas estava pronta para votar uma resolução exigindo o fim da ocupação israelita do território palestiniano. A resolução, que pedia que Israel "pusesse fim sem demora à sua presença ilegal no Território Palestiniano Ocupado" dentro de 12 meses, foi adoptada com 124 votos a favor, 12 contra e 43 abstenções.

Conclusão: um alerta

O ataque ao pager no Líbano serve como um alerta para a comunidade internacional. Ele destaca a necessidade urgente de medidas robustas de segurança cibernética, regulamentações mais rígidas sobre o uso de tecnologia na guerra e esforços renovados para a paz e a estabilidade no Médio Oriente.

À medida que lidamos com as implicações desse ataque, uma coisa é clara: a natureza da guerra está mudando e o mundo deve se adaptar rapidamente para evitar futuras tragédias dessa escala. As vidas perdidas e as famílias destruídas por esse ataque servem como um lembrete sombrio do custo humano do conflito na era digital.


Fonte:
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OS MINÚSCULOS PAÍSES DA UE SELAM O FUTURO DAS GRANDES NAÇÕES DA EUROPA

O conflito na Ucrânia continua a aumentar. A nova formação da Comissão Europeia mostra a aquisição das principais nações europeias, como França e Alemanha, por pequenos países - Letônia, Estônia, Lituânia. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, que não foi eleita pelos habitantes dos países europeus, escolheu candidatos anti-russos, pró-guerra e pró-Ucrânia, não eleitos pelos habitantes da UE e de países muito pequenos.



Por Philippe Rosenthal

"Depois de meses de negociação com os líderes europeus sobre os principais papéis da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen apresentou uma nova estrutura e plano para a sua equipe na terça-feira", escreve o Politico a título de introdução. Ursula von der Leyen escolheu 6 vice-presidentes:

Teresa Ribera Rodríguez (Espanha), Vice-Presidente Executiva para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva; Henna Virkkunen (Finlândia), Vice-Presidente Executiva para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia; Stéphane Séjourné (França), Vice-Presidente Executivo para a Prosperidade e Estratégia Industrial; Kaja Kallas (Estónia), Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e Vice-Presidente da Comissão Europeia; Roxana Mînzatu (Romênia), Vice-Presidente Executiva responsável por Pessoas, Habilidades e Prontidão; Raffaele Fitto (Itália), Vice-Presidente Executivo responsável pela Coesão e Reformas;

e 20 Comissários Europeus:

Maroš Šefčovič (Eslováquia), Comissário responsável pelo Comércio e Segurança Económica, Relações Interinstitucionais e Transparência; Valdis Dombrovskis (Letónia), Comissário responsável pela Economia e Produtividade, Implementação e Simplificação; Dubravka Šuica (Croácia), Comissária para o Mediterrâneo; Olivér Várhelyi (Hungria), Comissário responsável pela Saúde e Bem-Estar Animal; Wopke Hoekstr (Países Baixos), Comissário para o Clima, Neutralidade de Carbono e Crescimento Limpo; Andrius Kubilius (Lituânia), Comissário responsável pela Defesa e Espaço; Marta Kos (Eslovénia), a aguardar nomeação formal, procedimento nacional em curso; Jozef Síkela (Chéquia), Comissário responsável pelas Parcerias Internacionais; Costas Kadis (Chipre), Comissário responsável pelas Pescas e Oceanos; Maria Luís Albuquerque (Portugal), Comissária para os Serviços Financeiros e a União dos Bancos de Poupança e Investimento; Hadja Lahbib (Bélgica), Comissária responsável pela Preparação e Gestão de Crises, Igualdade; Magnus Brunner (Áustria), Comissário para Assuntos Internos e Migração; Jessika Roswall (Suécia), Comissária responsável pelo Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva; Piotr Serafin (Polónia), Comissário responsável pelo Orçamento, Luta contra a Fraude e Administração Pública; Dan Jørgensen (Dinamarca), Comissário responsável pela Energia e Habitação; Ekaterina Zaharieva (Bulgária), Comissária responsável pelas Startups, Investigação e Inovação; Michael McGrath (Irlanda), Comissário para a Democracia, Justiça e Estado de Direito; Apostolos Tzitzikostas (Grécia), Comissário responsável pelos Transportes Sustentáveis e Turismo; Christophe Hansen (Luxemburgo), Comissário responsável pela Agricultura e Alimentação; Glenn Micallef (Malta), Comissário responsável pela Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto.

O poder da UE está se deslocando para a Europa Central. O poder político da UE, com os novos vice-presidentes e comissários da Comissão Europeia, está inclinado para o lado das pequenas nações que são contra a Rússia. "Apesar do tamanho e da população dos países bálticos, Tallinn e Riga conseguiram garantir portfólios importantes na segunda comissão von der Leyen. Isso reflete o aumento da importância política da região após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022", aponta também o Politico.  

A média aponta que "a maioria dos comissários da UE pertence ao PPE, incluindo von der Leyen, que governa todos eles", lembrando que "Renovar a Europa, que sofreu uma amarga derrota nas eleições de junho, caindo do terceiro para o quinto lugar no Parlamento Europeu, e isso, apesar desses resultados desastrosos. Os liberais europeus conseguiram cinco comissários. Não só conseguiram duas vice-presidências executivas graças aos franceses Stéphane Séjourné e Kallas, como também receberam pastas cruciais como o alargamento, a justiça e o Estado de direito.

O Observateur Continental anunciou a saída de Thierry Breton da Comissão Europeia. Ele explicou que "seu nome teria sido removido da composição final pela própria Ursula von der Leyen". Para o Politico, o destino dos países da UE está sob o comando de Ursula von der Leyen. "Nos últimos dias, von der Leyen ligou para o presidente francês Emmanuel Macron e prometeu a ele uma pasta melhor se Breton for substituído por outra pessoa", conclui a média de língua inglesa.

Não apenas os destinos dos países europeus dependem das escolhas de Ursula von der Leyen, mas eles terão que seguir as diretrizes dos países anti-russos que querem travar uma guerra contra a Rússia sem levar em conta os desastres económicos e sociais para os países europeus.


Fonte: https://www.observateurcontinental.fr


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terça-feira, 17 de setembro de 2024

A RÚSSIA E OS PAÍSES DOS BRICS ESTÃO CRIANDO UMA ALTERNATIVA À ACTUAL ORDEM GLOBAL DOS MÉDIA

Nestes dias de Setembro, a liberdade de expressão está a ser discutida em Moscovo num contexto internacional, mais precisamente como superar a dominação ocidental na formação do cenário global da informação.


Por Andrey Belobor

Nestes dias de Setembro, a liberdade de expressão está sendo discutida em Moscovo num contexto internacional, mais precisamente como superar a dominação ocidental na formação do cenário global da informação. Essa é a agenda da vasta cimeira dos média dos BRICS que está ocorrendo na capital russa. Embora o fórum seja anunciado no formato BRICS (que hoje inclui, como se sabe, dez estados: Rússia, Brasil, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irão), o alcance geográfico do evento estende-se muito além dessa associação intercontinental. Executivos dos principais meios de comunicação online, jornais, canais de TV e estações de rádio de mais de 45 países ao redor do mundo vieram a Moscovo. Eles são líderes de média do Médio Oriente,  da região da Ásia-Pacífico, da América Latina e da África.

Devem ser destacados dois temas principais da cimeira dos meios de comunicação social:
  • Documentar e analisar o fluxo de desinformação do Ocidente para os países do BRICS;
  • Negociações sobre a criação de uma alternativa à atual ordem midiática global.

O facto de que os países ocidentais, que afirmam ser os pioneiros da liberdade de expressão, agora ameaçam a independência da média, não é particularmente oculto no Ocidente. Isso foi afirmado por Melissa Fleming, subsecretária-geral da ONU para as Comunicações Globais, que já foi uma renomada jornalista americana. No seu discurso de boas-vindas aos participantes da cimeira dos média dos BRICS, a representante da ONU disse[1] "A ONU apoia totalmente a média livre e independente. No entanto, está se tornando cada vez mais difícil para a média permanecer assim. Vemos que a profissão de jornalismo está se tornando cada vez mais perigosa. Somente no ano passado, um número recorde de jornalistas e trabalhadores da média perderam a vida cobrindo eventos em todo o mundo. Ainda mais foram presos, inclusive em países que afirmam ser os fundadores da liberdade de expressão e do jornalismo moderno. Acontece que a liberdade de imprensa é ameaçada precisamente por aqueles que deveriam garanti-la."

Os participantes da cimeira dos média dos BRICS traçaram paralelos entre as observações de Fleming e a recente observação de James Rubin, coordenador do Centro de Envolvimento Global do Departamento de Estado dos EUA. Lembre-se de que esta funcionária americana disse que "uma das razões pelas quais tantos países no mundo não apoiam a Ucrânia na medida em que se esperaria é por causa da escala das atividades da RT" – um canal de televisão russo que transmite 24 horas por dia com uma rede multilíngue. Esse flagrante desrespeito pela liberdade de expressão por parte de Washington chocou até mesmo colegas europeus. A jornalista freelance holandesa Sonja van den Ende chamou o comportamento do Departamento de Estado de "idiotice". "Cobri muitos conflitos, mas nunca antes um canal [RT] foi bloqueado e jornalistas submetidos a sanções. Penso que isto pode estar relacionado com a declaração de ontem do Presidente Putin; agora os EUA provavelmente temem que haja uma guerra envolvendo a América e a OTAN e estão tomando medidas de sanções contra a RT. Mas, é claro, fazer isso é idiotice. Dizer que a RT tem capacidades cibernéticas é obviamente um absurdo", disse ela.[2]

Por sua vez, a porta-voz oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, falando na abertura da cimeira dos média, pediu aos jornalistas dos países do BRICS que expressem o seu apoio aos seus colegas russos na RT, porque "um crime está sendo cometido contra eles – um ataque à liberdade de expressão, um ataque à profissão jornalística, um ataque à dignidade humana". Especialistas na cimeira dos média reconheceram que os média nos países dos BRICS estão lutando contra a desinformação diária vinda dos seus rivais geopolíticos ocidentais. Aqui estão alguns comentários dos participantes do fórum:

«Devemos observar que estamos sob forte influência da média hostil", disse Jamal Al Kaabi, diretor-geral da Agência de Notícias dos Emirados (WAM).

«Juntos, podemos fazer mudanças na formação de narrativas globais para combater a desinformação", disse Johannes Wondirad, diretor de relações públicas e parceria estratégica da Agência de Notícias da Etiópia (ENA).

«A cimeira dos média é uma óptima plataforma para combater a desinformação e a disseminação de notícias que enganam o público", disse Tarek Abdel Ghaffar al-Tawil, editor-chefe da Agência de Notícias do Médio Oriente do Egipto (MENA).

Mas você não pode curar uma doença simplesmente fazendo um diagnóstico. Jornalistas dos países dos BRICS propõem a criação de uma união global dos média para promover a sinergia de vários valores civilizacionais e espirituais na arena internacional, unidos por uma única ideia: diálogo em pé de igualdade, consenso, respeito ao caminho do desenvolvimento escolhido por cada Estado e consideração de interesses mútuos.

«O advento de uma ordem mundial multipolar é inevitável, e os meios de comunicação dos países dos BRICS devem cooperar entre si para expressar os valores comuns dos países membros", concluiu Mohamed Lies Azzouz, editor-chefe da Agência Nacional de Imprensa da Argélia APS, durante a sessão plenária. Ele foi apoiado por Ahmad Munir, diretor-geral da agência nacional de notícias da Indonésia em Ancara: "Para nós hoje, é muito importante desenvolver um diálogo abrangente entre Estados que compartilham interesses comuns. É hora de falar sobre o cenário global, sobre o que inspira as pessoas a seguir em frente e, nesse sentido, os média dos países dos BRICS são um farol de esperança e unidade."

É claro que os Estados dos BRICS partilham a visão de que a aspiração à multipolaridade é a base do desenvolvimento sustentável, com o papel central de coordenação das Nações Unidas como garantidor dos princípios e normas do direito internacional.

Dentro de um mês, a Rússia sediará uma cimeira ainda mais abrangente dos BRICS, na qual os líderes de cerca de 20 estados concordaram em participar, incluindo China, Índia, Brasil, África do Sul, Irão e Turquia. O Ocidente não tem nada a se opor a tal associação, excepto informações falsas sobre os BRICS; Faz todo o sentido que pessoas com ideias semelhantes fortaleçam a segurança informacional e ideológica dentro da aliança intercontinental.

Porque no princípio era o Verbo.

Fonte: Stratpol


[1] https://tass.ru/mezhdunarodnaya-panorama/21864565

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BIDEN E OTAN EFECTIVAMENTE DECLARAM GUERRA À RÚSSIA

A verdade é que Washington quer retomar as propostas de Zelensky de ataques profundos em território russo, porque a Ucrânia está perdendo a guerra e pode ser derrotada antes mesmo das eleições presidenciais de Novembro.


Por Stephen Bryen*

Não há outra maneira de interpretá-lo: Washington e os seus clientes da OTAN estão declarando guerra à Rússia.

Este é o significado directo da próxima visita do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a Washington, onde as partes concordarão com alvos dentro da Rússia.

Dizer que este é um movimento tolo e imprudente é um eufemismo. Este é o passo mais perigoso possível para os EUA e a OTAN - e provavelmente levará à Terceira Guerra Mundial.

Não acredite na retórica que "justifica" o uso de mísseis de longo alcance contra a Rússia. Putin enfatizou que, se a Ucrânia hospedar os mísseis, eles serão disparados pelo pessoal da OTAN, que também inserirá dados de alvos de satélites aéreos que cobrem o território russo. Esses satélites são americanos.

A próxima reunião Zelensky-Joe Biden também deve incluir a vice-presidente Kamala Harris, para que ela assuma total responsabilidade pelo início de uma guerra.

Ninguém pode presumir qual será o resultado. A Rússia usará armas nucleares e porá fim definitivo à guerra na Ucrânia? Vai derrubar satélites americanos? A Rússia enviará foguetes para atingir depósitos de suprimentos na Europa, especialmente na Polónia, que é o ponto de partida para suprimentos militares para a Ucrânia?

Existem muitas outras possibilidades disponíveis para a Rússia. A Rússia poderia transferir armas nucleares para o Irão, por exemplo, ou para a Síria.

A verdade é que Washington quer retomar as propostas de Zelensky de ataques profundos em território russo, porque a Ucrânia está perdendo a guerra e pode ser derrotada antes mesmo das eleições presidenciais de Novembro.

A equipe Biden-Harris terá que explicar por que continuou a apoiar um perdedor, causando dezenas de milhares de vítimas, em vez de buscar um acordo diplomático que estava facilmente ao seu alcance.

Por outro lado, Washington interrompeu um acordo em andamento entre a Ucrânia e a Rússia, e Biden e Harris são diretamente responsáveis por isso.

A estratégia de Zelensky é fácil de entender. Ele sabe que tudo está desmoronando e que a Ucrânia não poderá mais lutar até ao Inverno, porque a sua infraestrutura, especialmente eletricidade, mas também combustível, está secando.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, disse que a energia elétrica da Ucrânia foi degradada em 70%, possivelmente mais. A estratégia de Zelensky é, portanto, trazer a OTAN directamente para a guerra. E, estupidamente e arrogantemente, Washington está jogando o mesmo jogo.

Ninguém, excepto o Reino Unido, quer ver uma guerra na Europa. O Reino Unido não é mais um país europeu importante e não possui um exército digno desse nome.

Em vez disso, o seu governo construiu alguns porta-aviões extremamente caros que têm um desempenho mau ou não funcionam, em vez de fortalecer as suas forças armadas e reconstruir as suas defesas.

Em todo o caso, o Reino Unido está a dançar ao som da música americana. Os britânicos estão ansiosos para atacar a Rússia, mas não se preocuparam em saber o que acontecerá quando a Rússia explodir o Reino Unido.

A grande questão é porque Washington quer disparar mísseis contra a Rússia. Isso significa que Biden, o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan e o secretário de Estado Antony Blinken sabem que a sua política em relação à Ucrânia é um desastre.

Em vez de tentar abrir as comunicações com os russos, eles estão aumentando a aposta e assumindo grandes riscos, sem ideia de como as coisas vão acabar, a menos que estejam realmente se preparando para enviar tropas da OTAN e usar o poder aéreo da OTAN na guerra na Ucrânia.

A Rússia pode não estar no mesmo nível dos Estados Unidos em muitas categorias militares, mas ocupa uma grande massa de terra e possui armas nucleares estratégicas e táticas.

Durante anos, sabemos que os militares russos não diferenciam realmente entre sistemas nucleares táticos e estratégicos; em vez disso, eles os veem ao longo de um continuum para serem usados conforme necessário.

Isso significa que a Rússia pode lançar ICBMs e IRBMs submarinos contra alvos no continente dos EUA. As pessoas em Washington devem entender que os EUA quase não têm defesas aéreas continentais capazes de impedir um ataque nuclear russo.

Durante anos, os estrategas preocuparam-se com a chamada capacidade do "primeiro ataque". Não posso dizer que a Rússia realmente tenha isso, mas ninguém deveria querer saber.

A única esperança é persuadir os nossos actuais líderes, que em breve serão substituídos, de que serão responsabilizados por iniciar uma guerra sem motivo para fazê-lo.

Uma das características do governo é que as pessoas tomam decisões sem assumir responsabilidades. No caso da Terceira Guerra Mundial, não importa quanta propaganda os jornais americanos tenham, os nossos líderes terão muito sangue nas mãos se continuarem a bombardear a Rússia.



Stephen Bryen é correspondente sénior do Asia Times. Ele atuou como chefe de gabinete do Subcomitê do Próximo Oriente do Comité de Negócios Estrangeiros do Senado dos EUA e como vice-secretário adjunto de Defesa para Políticas.

Este artigo foi publicado originalmente em seu Substack de Armas e Estratégia.


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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

NÃO HÁ ARGUMENTO, LÓGICO OU MORAL, PARA APOIAR ISRAEL

Todos os argumentos a favor do apoio a Israel falham lógica ou moralmente, ou ambos. É por isso que tanta propaganda está a ser usada para nos manipular para apoiar esse regime assassino, e porque as vozes que se opõem a ele estão sendo cada vez mais suprimidas pelas estruturas de poder do establishment.


Por Caitlin Johnstone

É uma loucura que ninguém possa realmente articular uma razão pela qual Israel deve ser apoiado que seja logicamente coerente e moralmente defensável.

Os ocidentais crescem doutrinados com o preconceito de que este pequeno país no Médio Oriente é super importante e deve ser apoiado e defendido a todo custo, mas se você olhar para as razões dadas para que isso aconteça, descobrirá que nenhuma delas realmente se sustenta.

«Israel é o único lugar onde os judeus podem estar seguros!»

Isso é claramente falso. Um judeu em Nova York é obviamente muito, muito mais seguro do que um judeu em Tel Aviv. A criação forçada de um novo estado de apartheid étnico, imposto a uma civilização pré-existente, significa naturalmente que Israel só pode existir em violência perpétua, o que põe em perigo todos aqueles que vivem lá.

« Os judeus merecem uma pátria!»

Para quê? Por que uma religião mereceria ter o seu próprio país onde seus membros seriam responsáveis por todos os outros e receberiam tratamento preferencial? Há mais mórmons no mundo do que judeus, e eles não têm o seu próprio país. Há mais sikhs no mundo do que judeus, e eles não têm o seu próprio país. Não há nenhuma razão logicamente consistente para que cada religião deva ter o seu próprio estado-nação, e não há nenhuma razão logicamente consistente para que tal princípio deva se aplicar aos judeus, mas não aos cientologistas.

«Israel é a única democracia liberal no Oriente Médio.»

É simplesmente ridículo. Um regime de apartheid genocida que ativamente priva e maltrata a população palestiniana é exatamente o oposto de "liberal" e "democrático". Mas mesmo que esse não fosse o caso, não há razão logicamente coerente e moralmente defensável para que qualquer religião tenha um representante de uma ideologia política particular dentro dela, não importa quantas pessoas tenham que ser assassinadas e oprimidas para que seja assim.

«Apoio a existência de Israel, mas oponho-me aos maus-tratos infligidos aos palestinianos.»

Esta frase é muito popular entre os liberais, mas é absurda e contraditória. Israel maltratou os palestinianos ao longo da sua existência, desde o início; é apenas nos contos de fadas imaginários dos sionistas liberais que ele existiu sem tirania, roubo e assassinato, e é apenas nos seus contos de fadas imaginários que um estado étnico judeu pode ser imposto a uma civilização de não-judeus de uma forma que poderia ser feita sem tirania incessante, roubo e assassinato.

As únicas opções são uma solução de dois Estados, na qual Israel faz abertamente tudo o que pode para evitar que isso aconteça, e uma solução de um Estado onde todos têm direitos iguais, o que não seria, por definição, um Estado judeu. Os sionistas liberais afirmam viver num mundo alternativo onde essa não é a realidade. É assim que os liberais tentam resolver o problema do apoio a Israel quando é moralmente indefensável; eles simplesmente inventam um mundo imaginário no qual é moral e fingem que é uma possibilidade real.

— Derek Davison (@dwdavison) 2 de Setembro de 2024

Netanyahu agora se contenta em mostrar com indiferença todos os sinais de anexação da Cisjordânia, enquanto o governo Biden continua insistindo que ele é um parceiro de boa-fé e que a solução de dois estados ainda está sobre a mesa. https://t.co/P8mLz2zcaT

«Israel é essencial para proteger nossos interesses na região.»

Isso é logicamente coerente de um certo ponto de vista, mas certamente não é moralmente defensável.

Não há nem mesmo uma razão logicamente coerente para um ocidental normal dizer que Israel protege "nossos" interesses no Médio Oriente. É logicamente consistente que os líderes do império ocidental digam que ajudar Israel a realizar a violência implacável necessária para a sua existência ajuda a semear o caos, a tirania, a desestabilização e a divisão necessários para garantir o seu domínio geoestratégico de uma região rica em recursos e impedir que as nações do Médio Oriente se unam num bloco de superpotências que usariam os seus recursos para promover os seus próprios interesses no mundo.

Ao contrário do que alguns acreditam, Israel não é responsável pela existência do belicismo ocidental. Por outro lado, o belicismo ocidental é responsável pela existência de Israel. Se não houvesse Israel, eles simplesmente inventariam outra desculpa para manter uma presença militar no Médio Oriente e continuar a semear violência e caos. O próprio Biden reconheceu isso, dizendo: "Se não houvesse Israel, os Estados Unidos teriam que inventar um Israel para proteger os seus interesses na região".

Nessa perspectiva, é lógico dizer que o império ocidental teria mais dificuldade em avançar os seus objectivos unipolares no cenário mundial sem um agente desestabilizador cuja existência dependa inteiramente do apoio constante do Ocidente. E se realmente quer ficar do lado dos imperialistas no apoio a Israel, então pode argumentar que Israel fornece a cobertura narrativa perfeita para manter uma presença militar no Médio Oriente.

Por muitos anos, o último argumento que encerrou o debate contra a retirada militar ocidental do Médio Oriente foi que isso causaria a destruição de Israel, já que os vizinhos de Israel simplesmente o eliminariam sem a dissuasão da máquina de guerra americana para protegê-lo.

E se você tomar como certo que Israel deve continuar a existir em sua forma actual, esse é realmente um argumento que encerra o debate. Se você tomar como certo que Israel deve ter permissão para existir como um estado de apartheid étnico, criado artificialmente pela força em meados do século XX, então, é claro, não há oportunidade de que ele exista sem violência implacável e, claro, não há oportunidade de que ele saia vitorioso de toda essa violência sem o apoio do império centralizado pelos Estados Unidos.

O que isso significa é que, se aceita que Israel deve continuar a existir como existe actualmente, você necessariamente aceita que os Estados Unidos e os seus aliados ocidentais devem manter um domínio militar no Médio Oriente. Não há como manter esse estado artificial criado artificialmente sem violência implacável, então você deve permanecer em posição de ajudar a infligir essa violência o tempo todo.

O que é muito conveniente para a estrutura de poder centralizada dos Estados Unidos, para dizer o mínimo. Mas é claro que isso não é moralmente defensável. Não é moralmente defensável continuar matando pessoas do Médio Oriente ano após ano, década após década, para governar o mundo. Isso pode ser logicamente coerente, mas também é profundamente mau.

Todos os argumentos a favor do apoio a Israel falham lógica ou moralmente, ou ambos. É por isso que tanta propaganda está a ser usada para nos manipular para apoiar esse regime assassino, e porque as vozes que se opõem a ele estão sendo cada vez mais suprimidas pelas estruturas de poder do establishment.

É por isso que a média de massa tem sido descaradamente tendenciosa a favor da promoção dos interesses israelitas nas suas reportagens, e por que os críticos das atrocidades israelitas como Richard Medhurst, Sarah Wilkinson e Mary Kostakidis são escandalosamente perseguidos no Reino Unido e na Austrália.

Eles não têm argumentos, então estão a recorrer cada vez mais ao instrumento autoritário.

Removendo as camadas, os argumentos para manter o projecto israelita estão todos focados na dominação e no controle, e é por isso que cada vez mais dominação e controle estão a ser usados para proteger esse projecto do escrutínio.

Israel, no final, nada mais é do que uma guerra implacável. E, como todas as guerras, a sua existência depende da ocultação da verdade do público.

Fonte: Caitlin Johnstone

domingo, 15 de setembro de 2024

O OCIDENTE ESTÁ GARANTINDO A MORTE DE KIEV DE PROPÓSITO

Ao permitir que a Ucrânia atinja a Rússia com os seus mísseis, os membros da OTAN estariam decretando um sacrifício cruel para encerrar a guerra



Por Tarik Cyril Amar, historiador alemão que trabalha na Universidade de Koç, Istambul, sobre Rússia, Ucrânia e Europa Oriental, a história da Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria cultural e a política da memória



O previsível e o previsto estão acontecendo novamente. Apesar da dança timidamente provocadora dos sete véus realizada, principalmente, pelo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, para aqueles que ignoraram o barulho e se concentraram no sinal, sempre ficou claro que Washington e Londres decidiriam – oficial e abertamente – permitir e ajudar a Ucrânia a usar os seus mísseis para ataques ainda mais profundos na Rússia do que antes. E, claro, também é óbvio para Moscovo, como Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, deixou claro já em 11 de Setembro.

Que o Ocidente esteja escalando não é surpresa. Ele tem um padrão bem estabelecido de aumentar continuamente as apostas em sua guerra por procuração - incluindo (mas não restrito a) o fornecimento de inteligência, mercenários, 'conselheiros', vários tanques, veículos blindados, sistemas de mísseis e, recentemente, aviões de combate F-16. Agora é hora de libertar totalmente os Storm Shadows e, em seguida, talvez um pouco mais tarde, os mísseis ATACMS de longo alcance. O que podemos desconsiderar com segurança é o pretexto de que o Irão supostamente envia mísseis balísticos de curto alcance para a Rússia. É simplesmente falso ou irrelevante.

Teerão nega a alegação americana. Aqueles que estão prontos para zombar disso devem lembrar que o Ocidente tem um histórico sólido de inventar coisas, desde armas de destruição em massa iraquianas até o "direito" legalmente estritamente inexistente de Israel de se defender contra aqueles que ocupa e genocídios. E mesmo que o Irão tenha entregado mísseis - como, a propósito, teria o direito real de fazer como um estado soberano - não é por isso que essa escalada ocidental específica está ocorrendo agora.

A verdadeira razão pela qual as restrições ao uso de mísseis ocidentais estão saindo neste momento da guerra é que Kiev está ainda mais desesperada do que o normal. Com a Rússia primeiro contendo a incursão Kursk Kamikaze de Kiev e agora lançando contra-ataques devastadores, a operação ucraniana se transformou no desperdício sangrento que estava destinada a ser, enquanto as forças de Moscovo estão acelerando os seus avanços em outros lugares, como até mesmo o fortemente pró-Kiev New York Times está admitindo.

Não que a adição de ataques com mísseis mais profundos salve o regime de Zelensky da derrota e provavelmente do colapso. Por um lado, a Ucrânia não tem um grande suprimento dessas armas e, dada a política ocidental e a falta de capacidade de produção, nunca terá. Kiev pode ter sorte e causar alguns danos limitados, mas - como aconteceu com as balas de prata anteriores - os mísseis não podem mudar o curso da guerra. As contramedidas russas atenuarão muito do seu impacto em qualquer caso. Mas o regime de Zelensky tem o hábito de se agarrar a um canudo após o outro. E, além disso, a equipe de Zelensky está seguindo a sua estratégia dupla usual de buscar ataques espetaculares que possam alimentar a propaganda em casa e no exterior, bem como talvez finalmente escalar a guerra para um conflito regional aberto, ou seja, europeu, ou mesmo global. Pois essa escalada apocalíptica é a última - embora insana e suicida - oportunidade de Kiev de evitar a derrota.

O risco de as coisas saírem do controle além da Ucrânia é óbvio. Para aqueles que demoram demais para entendê-los, Putin acaba de explicar a essência da questão. Como a Ucrânia só pode direcionar e lançar esses mísseis com a indispensável assistência ocidental, ou seja, da OTAN, o seu uso significará que a OTAN estará em guerra com a Rússia. Algumas coisas precisam ser explicadas no Ocidente hoje em dia: se você atira num país ou participa de tiroteios nele, você entra em conflito armado directo com ele. Ponto.

Mas a OTAN agindo de forma a estabelecer um estado de guerra entre ela e a Rússia não predetermina exatamente como Moscovo reagirá. Como antes, com o Ocidente provocando a Rússia de maneiras que deveriam ter permanecido inimagináveis, caberá à Rússia ser o adulto na sala internacional, exercer enorme contenção e sufocar a conflagração geral que o Ocidente parece tão desesperado para começar. A boa notícia aqui é que é muito provável que a liderança russa faça exatamente isso. É verdade que os mísseis ocidentais dispararam profundamente contra a Rússia com a ajuda da logística ocidental e assistência prática na Ucrânia – lembram-se daqueles generais alemães da Luftwaffe que falaram sobre isso? – seria uma razão legítima para Moscovo atacar não apenas a Ucrânia, mas o Ocidente, por exemplo, as bases da OTAN na Polónia e na Roménia.

Mas é praticamente certo que a Rússia não o fará, porque está vencendo a guerra contra Kiev e os seus patrocinadores ocidentais dentro da Ucrânia. Moscovo não tem motivos para fazer um grande favor ao regime de Zelensky, mordendo a isca e escalando para uma guerra aberta além deste teatro. Como podemos ter tanta certeza? Porque faz sentido e a liderança russa tem o hábito de ser sensata, e ainda porque acabaram de nos dizer isso. Peskov tinha duas coisas a dizer sobre a forma como a Rússia lidou com futuros ataques ucranianos de longo alcance com mísseis ocidentais: que haverá uma resposta "apropriada" e que "não há necessidade de esperar algum tipo de resposta em todos os lugares", já que a guerra na Ucrânia – ou, como disse Peskov, usando a designação oficial russa, a "Operação Militar Especial" – já é essa resposta.

Observe que ninguém em Moscovo descartou que poderia ir além da Ucrânia. Mas um ataque directo aos ativos britânicos ou americanos, mesmo que perfeitamente legítimo, ainda faria pouco sentido. A Rússia sempre tem a opção de pagar os seus oponentes ocidentais na sua própria moeda, equipando os seus oponentes com armas melhores. Isso seria um quid pro quo tão perfeitamente simétrico quanto pode ser no mundo real. E Putin, é claro, já se referiu precisamente a essa possibilidade.

A declaração de Peskov também levanta outra questão com a qual Kiev deveria estar muito preocupada, se o regime de Zelensky fosse racional, o que não é. Vamos lembrar um facto simples: os apoiantes ocidentais da Ucrânia são amigos do inferno. Por trás da sua retórica de "valores" e "o tempo que for necessário", a sua política em relação à Ucrânia tem sido explorá-la como um peão de guerra por procuração para os seus próprios propósitos geopolíticos mal concebidos. Agora, esses mesmos "amigos" letais estão graciosamente permitindo que Kiev use os seus mísseis para atacar mais profundamente a Rússia. No entanto, se uma coisa sobre a resposta russa é previsível, é que o seu primeiro alvo será a Ucrânia. O que quer que Moscovo decida ou não fazer sobre os seus inimigos ocidentais de facto, ela atingirá o seu oponente directo ucraniano primeiro.

Devemos acreditar que ninguém em Washington e Londres considerou essa inevitável contra-escalada russa como retaliação contra a Ucrânia? Claro que sim. E, no entanto, eles estão convidando. Como podemos explicar isso? Considere o seguinte: exatamente ao mesmo tempo em que as restrições aos mísseis são afrouxadas com grande alarde, Kiev também está recebendo sinais ocidentais de que é hora de diminuir as suas expectativas. Por exemplo, num artigo recente do Wall Street Journal pedindo "pragmatismo" e "realismo". 

O Ocidente agora está pressionando a Ucrânia a estar pronta para compromissos e concessões que há muito descarta. Finalmente, mas tão tarde mesmo. Uma maneira de ler essa coincidência, que definitivamente não é coincidência, seria explicá-la como uma simples troca: Washington e Londres permitem e ajudam a Ucrânia a disparar mais alguns mísseis ainda mais longe do que antes, supostamente para "melhorar a posição de negociação" e, em troca, Kiev tem que se tornar mais flexível sobre o fim da guerra.

No entanto, essa seria uma interpretação simplista porque, em primeiro lugar, a geopolítica ocidental é mais maquiavélica do que isso e, em segundo lugar, é óbvio que Kiev não vai melhorar, mas apenas piorar ainda mais a sua posição de negociação e, de facto, a sua posição como tal. Aqui está uma hipótese mais realista: os amigos do inferno da Ucrânia receberão silenciosamente a Ucrânia sendo ainda mais atingida por uma Rússia retaliadora, porque isso, por sua vez, tornará Kiev mais flexível quando se trata de negociações. E tanto os EUA quanto o seu parceiro do Reino Unido, assim como o Ocidente em geral, achariam mais fácil encerrar a guerra se pudessem apontar para Kiev jogando a toalha primeiro: "Olha", eles nos dirão, "sempre dissemos que ajudaríamos a Ucrânia até o fim, mas agora eles próprios querem um fim". A Ucrânia se vendeu mais uma vez, mas com, para os ingênuos, "agência" em abundância.

Considere também que, no processo de acabar com esta guerra, como o ex-secretário dos Negócios Estrangeiros indiano Kanwal Sibal apontou, é quase certo que o Ocidente enfrentará um retrocesso profundamente humilhante. Esta não será uma mera derrota esmagadora para ele, mas também uma autodestruição moral fundamental. Porque a Rússia imporá uma solução baseada no acordo de paz quase alcançado em Istambul na primavera de 2022, além de perdas territoriais adicionais para a Ucrânia. Mas então a sabotagem do Ocidente desse acordo – que acaba de ser admitida mais uma vez, desta vez por Victoria Nuland – e tudo o que ele e Kiev fizeram desde então serão revelados como um enorme e inútil fiasco. Um fiasco dentro, por assim dizer, do fiasco da política de transformar a Ucrânia num proxy da expansão da OTAN e depois da guerra contra a Rússia.

Isso seria semelhante ao que aconteceu no final da outra enorme confusão de proxy dos EUA, a Guerra do Vietname. Os Acordos de Paz de Paris de 1973 não acabaram com esse conflito. Isso aconteceu mais tarde, quando o Vietname do Sul por procuração de Washington foi invadido e abolido em 1975. Mas o acordo de Paris serviu como uma saída para os EUA derrotados.

A ironia sangrenta era, é claro, que um acordo muito semelhante já estava disponível em 1969. Como o historiador Paul Thomas Chamberlin sublinhou corretamente, todos os que morreram entre então e 1973 - isto é, 20.000 americanos, centenas de milhares de vietnamitas e alguns cambojanos - morreram não apenas pela insanidade geral do exagero dos EUA, mas por estritamente nada, um zero empiricamente mensurável entre o que poderia ter sido resolvido em 1969 e só foi assinado em 1973. Um dia, a distância entre a opção de paz de Istambul na primavera de 2022 e qualquer acordo que finalmente acabe com a Guerra da Ucrânia será muito semelhante.

A permissão para a Ucrânia usar mísseis ocidentais para ataques de longo alcance contra a Rússia é, de uma maneira terrível, muito típica. É mais uma pílula venenosa apresentada a Kiev como uma forma de "apoio" e até mesmo de "amizade". O seu propósito real provavelmente será o mais sinistro e egoísta possível, ou seja, preparar o caminho do Ocidente para sair de uma guerra por procuração perdida que nunca deveria ter provocado e deveria ter deixado a Ucrânia terminar há mais de dois anos. Um dia, os ucranianos estarão livres para perguntar para que serve tudo isso. Naquele dia, é melhor Zelensky e a sua equipa não estarem mais ao seu alcance.



Fonte: RT



sábado, 14 de setembro de 2024

A QUESTÃO DE OLIVENÇA - USURPAÇÃO

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou esta sexta-feira que a localidade de Olivença "é portuguesa", o que está estabelecido por tratado, e defendeu que "não se abdica" dos "direitos quando são justos". Veja aqui a história de Olivença.


Segundo o ministro, que cumpriu parte do seu serviço militar precisamente no RC3, unidade do Exército também conhecida como Dragões de Olivença, "muitos avaliam a circunstância numa razão caricatural".

"E diz-se, desde o Tratado de Alcanizes, como Portugal tem as fronteiras mais antigas definidas, exceto esse bocadinho", porque, "no que toca a Olivença, o Estado português não reconhece como sendo território espanhol", sublinhou.

Nuno Melo lembrou que, quando foi eurodeputado no Parlamento Europeu, defendeu esta questão, da qual continua a não abdicar.

"Fi-lo, desde logo, no Parlamento Europeu, em questões colocadas, enfim, mas sabe, a 'real politik' é a 'real politik'", o que "não invalida a expressão dos direitos" e, quando estes "são justos, deles não se abdica", argumentou.


A história de Olivença pode ler-se a seguir:


Em 20 de Janeiro de 1801, Espanha, cínica e manhosamente concertada com a França Napoleónica, sem qualquer pretexto ou motivo válido, declara guerra a Portugal e, em 20 de Maio, invade o nosso território, ocupando grande parte do Alto-Alentejo, na torpe e aleivosa «Guerra das Laranjas». Comandadas pelo «Generalíssimo» Manuel Godoy, favorito da rainha, as tropas espanholas cercam e tomam Olivença.

Na circunstância, vencido às exigências de Napoleão e de Carlos IV, subjugado pela desproporção de forças, Portugal foi compelido a assinar o dito Tratado de Badajoz em 6 de Junho, cedendo às exigências de Napoleão Bonaparte e de Carlos IV, nomeadamente, no que toca à "amiga e vizinha" Espanha, reconhecendo-lhe «em qualidade de conquista», a «Praça de Olivença, seu território e povos desde o Guadiana».

Com os exércitos franceses e espanhóis a ameaçarem aumentar as acções de força contra o território português que tinham parcialmente ocupado, foi violado o princípio segundo o qual os negócios jurídicos só são válidos quando se verifica a livre manifestação da vontade das partes. Portugal assinou o Tratado de Badajoz, não no exercício da sua plena liberdade, mas coagido a fazê-lo sob ameaça de força.

Em 6 de Junho de 1801, ocorreu a confirmação formal de um puro acto de banditismo e latrocínio, simples e exemplar manifestação da lei do mais forte, era em tal terra, em Olivença, que se pretendia apagar uma História, uma língua, uma tradição, uma cultura, uma comunidade.

Olivença, terra então das mais entranhadamente portuguesas, reconhecida como pertencente ao reino de Portugal pelo Tratado de Alcanizes, em 1297, juntamente com Almeida, Sabugal, Pinhel, Campo Maior, Ouguela, Juromenha e outras mais povoações, Olivença que participara com toda a Nação Portuguesa na formação e consolidação do Reino, nas glórias e misérias dos Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração, Olivença que do mesmo modo vivera o florescimento de uma cultura nacional, uma língua, um Fernão Lopes, um Gil Vicente, um Camões!

Mas o Tratado de Badajoz estipulava também que a violação de qualquer um dos seus artigos, por qualquer uma das partes contratantes, conduziria à sua anulação, o que veio a suceder aquando da assinatura do Tratado de Fontainebleau em 27 de Outubro de 1807 e subsequente invasão franco-espanhola de Portugal. O Príncipe-regente, ao chegar ao Brasil, declarou nulo o diploma de Badajoz a 1 de Maio de 1808.

Derrotadas as ambições franco-napoleónicas, reuniu-se a Europa no Congresso de Viena, aberto em Setembro de 1814. Ali se encontravam representadas as principais potências: a Inglaterra, a Áustria, a Prússia e a Rússia, mas também Portugal, a Espanha, a Suécia, bem como a vencida França. Constituíam o «Comité dos Oito» que seria o órgão principal do congresso. Os trabalhos prolongar-se-iam até ao ano seguinte, sendo a Acta Final assinada em 9 de Junho (“Le Congrès de Vienne”, Robert Ouvrard).

Junto das assinaturas dos representantes da Áustria (Metternich), da França (Talleyrand), da Inglaterra, da Prússia, da Rússia e da Suécia, vinha a de D. Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, chefe da delegação portuguesa. A Espanha, que não o fez de imediato, viria também a subscrever a Acta em 7 de Maio de 1817.

Do Congresso de Viena, haveria de nascer uma nova «nova ordem europeia» que, sustentada no estabelecido na Acta Final, por quase meio século regularia o continente e preservá-lo-ia da guerra. A Acta do Congresso de Viena, no seu artº 105º, prescrevia:

«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d’Olivenza et les autres territoires cédés à la Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l’Europe a été le but constant de leurs arrangements, s’engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée ; et les puissances reconnaissent, autant qu’il dépend de chacune d’elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».

Era, deste modo, formal e definitivamente afastada qualquer força jurídica que se presumisse resultar de anteriores tratados que entrassem em confronto com a nova «Nova Magna Carta Europeia». Designadamente, um tal «Tratado de Badajoz» que a Portugal fora extorquido, pela força conjunta das então aliadas França napoleónica e Espanha burbónica, as quais, num dos actos mais manhosos e torpes de todo o período das Campanhas Napoleónicas, e sem qualquer pretexto ou motivo válido, mesmo face ao Direito Internacional de então, tinham decidido submeter o nosso país. Para tal, determinou-se o reino vizinho a invadir-nos, em 20 de Maio de 1801, tomando-nos Olivença, Juromenha e muitas outras povoações do Alto-Alentejo. Era a «Guerra das Laranjas», arquitectada por Manuel Godoy, "Príncipe da Paz", acto de guerra aleivoso e traiçoeiro, desde logo por partir de potência "amiga e vizinha".

Mas certo é que, melhor ou pior, a diplomacia portuguesa conseguia que a «Assembleia Geral» das potências europeias consagrasse, no instrumento mais solene que produziu, que Espanha não tinha legitimidade para reter Olivença, antes se reconhecia "a justiça das reclamações formuladas por S. A. R., o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil sobre a vila de Olivença e outros territórios" e que as potências se obrigavam aos "seus mais eficazes esforços a fim de que se efectue a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal".

Repita-se: em 7 de Maio de 1817 também Espanha assinaria tal tratado.

Decorridos dois séculos desde o seu reconhecimento, perante a comunidade internacional, da ilegitimidade da sua posse sobre as terras oliventinas e da justeza das reclamações portuguesas, certo é que o Estado vizinho não soube honrar a sua palavra e, pior, jamais soube ser digna do carácter altivo e nobre que, sempre, pretende apresentar como lhe sendo intrínseco.

Mais recentemente (Janeiro de 2001), visitando o Presidente do Governo de Espanha, o nosso país, entrevistado na imprensa portuguesa e sendo-lhe lembrado, muito clara e incisivamente, que "há questões que geram susceptibilidades (...) que se colocam há dezenas de anos, como seja a dos limites fronteiriços, sobretudo no caso de Olivença", faltou-lhe a ele a coragem que lhe permitisse responder. Perorando sobre tudo o que, em sua ilustre opinião, importava a Portugal e a Espanha, nunca e nada respondeu acerca de Olivença. Com o desaforo típico de castelhano da Meseta, entendeu antes dizer-nos, como se a questão fosse assim tão simples, que "tudo isso não tem nada a ver com os velhos discursos de reivindicações antiquadas, porque já não espelham a realidade democrática". Observação esta - pasme-se! - depois de, na mesma entrevista e com abundância, ter tomado posições diametralmente opostas relativamente à reivindicação que o Estado que representa vem efectuando relativamente a Gibraltar!

Tenha-se presente: Gibraltar, que foi por Castela «reconquistada aos mouros» em 1462 e veio a ser cedida a Inglaterra, em 1713, pelo Tratado de Utreque (cuja validade, face ao Direito Internacional, nunca por ninguém foi posta em causa, nem por Espanha), esteve na dependência de Espanha durante cerca de 250 anos, muito menos tempo do que aquele em que é britânico.

Entretanto, em Olivença, ininterruptamente portuguesa, extorquida «manu militari», extorsão essa não reconhecida internacionalmente, tudo, sejam a História, a cultura, as tradições, a língua, apesar da brutal, persistente e insidiosa repressão castelhanizante (se tudo se tivesse passado no século XX não haveria pejo em falar de genocídio), permanece, tanto no fundo como à superfície, pleno de portugalidade.

Quer pois dizer, pretende o Estado espanhol convencer-nos que as reivindicações de Portugal quanto a uma parcela do seu território, militarmente ocupado por potência estrangeira, ocupação a que o Direito das Nações não deu cobertura, se configuram como «discursos antiquados», ao mesmo tempo que, despudoradamente, defende que Gibraltar é «a única colónia na Europa» quando, face ao Direito Internacional, é inquestionavelmente britânica!

Porquê a diferença? 

Está bem exposta perante a opinião pública portuguesa, habitualmente tão inocente e crédula, designadamente no que toca às relações entre estados, sejam eles vizinhos ou amigos, afastados ou inimigos, que Espanha não tem qualquer rebuço em sustentar os argumentos mais falaciosos, se forem para defesa dos seus interesses, enquanto que nem sequer escuta os mais pertinentes e válidos argumentos se jogarem contra si.

Entretanto, se do exposto se demonstra, quanto à «Questão de Olivença», a incomodidade do tema para Espanha, bem como a sua falta de razão e inexistência de argumentos a seu favor, simultaneamente, para infelicidade nossa, se demonstra uma parecida incomodidade entre as esferas governamentais portuguesas. Infelicidade porque, não fazendo o Governo português saber a Espanha, com determinação, que pretende e não desistirá de readquirir a soberania de facto sobre Olivença, para isso praticando os gestos mais apropriados, daí só advém desprestígio para Portugal, tal como transmite ao Estado vizinho o mais claro sinal de fraqueza. O Governo português, ao não assinalar e repudiar a situação iníqua em que se encontra Olivença, ao não agir com desembaraço em tal matéria, apresenta-se como se tudo fosse resultado de uma qualquer dependência ou subserviência da parte dos governantes portugueses relativamente ao Estado vizinho.

Ainda assim, restará, para explicar a imobilidade e inoperância das nossas elites, no que toca à defesa dos direitos de Portugal sobre Olivença – sobre uma parte do território pátrio! –, uma culpa mais prosaica e colectiva, a alvitrada por Oliveira Martins, em 1879 (História de Portugal). Cite-se:

"Daí vem o caso, talvez único na Europa, de um povo que não só desconhece o patriotismo, que não só ignora o sentimento espontâneo de respeito e amor pelas suas tradições, pelas suas instituições, pelos seus homens superiores; que não só vive de copiar (...) de um modo servil e indiscreto; que não só não possui uma alma social , mas se compraz em escarnecer de si próprio, com os nomes mais ridículos e o desdém mais burlesco. Quando uma nação se condena pela boca dos seus próprios filhos, é difícil, se não impossível, descortinar o futuro de quem perdeu por tal forma a consciência da dignidade colectiva".




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