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Posted on 23:30 by Paulo Ramires



Na véspera da cimeira da NATO, o The New York Times publicou um artigo da autoria de Gray Anderson e Thomas Meaney intitulado “A NATO não é o que diz ser”. (Ver aqui).
No início do artigo abordam-se acontecimentos recentes, incluindo a admissão da Finlândia na NATO e o convite da Suécia, seguido de uma revelação extremamente importante:
“Desde o início da sua existência, a NATO nunca se preocupou primordialmente com o reforço militar. Com 100 divisões em plena Guerra Fria sob o seu controlo, uma pequena fração dos efetivos do Pacto de Varsóvia, a organização não podia descartar a possibilidade de ter de repelir uma invasão soviética e mesmo as armas nucleares do continente estavam sob o controlo de Washington. Pelo contrário, o seu objetivo era atrair a Europa Ocidental para um projeto muito mais vasto, liderado pelos EUA, de uma ordem mundial em que a proteção americana servisse de alavanca para obter concessões noutras questões, como o comércio e a política monetária. Foi surpreendentemente bem-sucedida no cumprimento dessa missão”.
O artigo conta ainda como, apesar da relutância de alguns países da Europa de Leste em aderir à NATO, estes foram arrastados para tal, tendo sido usados todo o tipo de truques e manipulações. Os ataques a Nova Iorque em 2001 serviram os interesses da Casa Branca, que declarou uma “guerra global contra o terrorismo”, estabelecendo, de facto, esse mesmo terror, tanto literalmente (Iraque, Afeganistão) como figurativamente, encurralando com pontapés os novos membros da NATO. Isto foi feito porque estes países eram mais fáceis de controlar através da NATO.
Os autores também mencionam tarefas mais estratégicas dos EUA, dizendo que “a NATO está a funcionar exatamente como pretendido pelos planificadores norte-americanos do pós-guerra, levando a Europa a depender do poder dos EUA, o que reduz o seu espaço de manobra. Longe de ser um programa de caridade dispendioso, a NATO assegura a influência dos EUA na Europa a um preço barato. As contribuições dos EUA para a NATO e outros programas de ajuda à segurança na Europa constituem uma pequena fração do orçamento anual do Pentágono, menos de 6%, de acordo com uma estimativa recente.
A situação da Ucrânia é clara. Washington vai garantir a segurança militar, fazendo com que as suas empresas beneficiem de um grande número de encomendas europeias de armas, enquanto os europeus vão suportar os custos da reconstrução pós-guerra, algo para o qual a Alemanha está mais bem preparada do que para aumentar as suas forças militares. A guerra é também uma espécie de ensaio geral para uma confrontação dos Estados Unidos com a China, na qual não será fácil contar com o apoio europeu.
Para além da NATO, há um segundo elemento-chave controlado por Washington. É a União Europeia. Há mais de sete anos, o British Telegraph revelou que a UE não passava de um projeto da CIA (Ver aqui).
Nesse artigo afirmava-se que a Declaração Schuman, que deu o mote para a reconciliação franco-alemã e que conduziu gradualmente à criação da União Europeia, foi inventada pelo Secretário de Estado americano Dean Acheson durante uma reunião no Departamento de Estado.
O Comité Americano para a Europa Unida, presidido por William J. Donovan, que durante os anos de guerra dirigiu o Gabinete de Serviços Estratégicos, com base no qual foi criada a Agência Central de Informações, era a principal organização de fachada da CIA. Outro documento mostra que, em 1958, este comité financiou o movimento europeu em 53,5%. O seu conselho incluía Walter Bedell Smith e Allen Dulles, que dirigiram a CIA nos anos cinquenta.
Por último, é igualmente conhecido o papel dos Estados Unidos na criação e imposição do Tratado de Lisboa à UE. Washington precisava dele para facilitar o controlo de Bruxelas através dos seus fantoches.
Mas, atualmente, nem isso parece ser suficiente para os Estados Unidos. No dia anterior, num artigo publicado no The Financial Times, o antigo embaixador dos EUA na União Europeia, Stuart Eizenstat, foi citado como tendo dito que era necessária uma nova estrutura transatlântica entre os EUA e a UE, comparável à NATO, para resolver os problemas modernos. (Ver aqui).
Ele apontou para a necessidade de criar um novo formato de coordenação, ou seja, de facto, a criação dos Estados Unidos da América e da Europa, onde os Estados europeus seriam, por todos os meios, apêndices dos Estados Unidos, cumprindo a vontade política de Washington.
Por conseguinte, todas as declarações e afirmações da Alemanha e da França sobre a sua autonomia estratégica podem ser consideradas palavras ocas de sentido.
Ducunt Volentem Fata, Nolentem Trahunt (“os destinos conduzem os que querem e arrastam os que não querem”), como se dizia na Roma antiga. Pode ser desagradável para muitos europeus aperceberem-se deste facto. No entanto, o facto é que os países da Europa estão a ser arrastados pelos colarinhos para onde não querem ir.
Original aqui.


Quem responderá pelas incontáveis vidas perdidas, pelos milhões de deslocados e pelas economias e meios de vida americanos e europeus lançados na desorganização? Todos os pretensos líderes ocidentais, bem como os media sem vergonha que propagandeiam a guerra, são uma galeria de patifes que, a seu tempo, terão de enfrentar um escrutínio abrasador por parte do seu público, quando as galinhas voltarem inexoravelmente para casa.
Cada vez mais, a guerra por procuração na Ucrânia contra a Rússia pode ser vista como uma derrota desastrosa para os Estados Unidos e a NATO. Este resultado espantoso deveria estar nas manchetes mundiais. Ao invés disso, a máquina de interpretação dos media ocidentais está em sobressalto acerca de um motim fracassado na Rússia, o qual, numa escala objetiva de acontecimentos importantes, é relativamente menor em comparação com o escândalo colossal dos EUA/NATO.A contraofensiva ucraniana, que dura há um mês, não conseguiu fazer qualquer mossa nas defesas russas, apesar dos milhares de milhões de dólares e de euros em armamento fornecidos ao regime de Kiev pelo bloco da NATO. Trata-se de uma calamidade e de um escândalo verdadeiramente espantosos. A morte e a destruição completamente desnecessárias são obscenas – semelhantes aos massacres da Primeira Guerra Mundial efetuados por generais de poltrona e políticos.
Mesmo responsáveis ocidentais e o regime corrupto e cúpido de Kiev estão a admitir timidamente que a tão apregoada contraofensiva – que foi saudada durante meses como um esperado golpe de misericórdia contra as forças russas – é um fracasso. Milhares de soldados ucranianos, bem como forças especiais da NATO que se encontram secretamente no terreno, foram mortos. Centenas de tanques e veículos de infantaria foram pulverizados pelo superior poder de fogo russo.
É um massacre e uma orgia de negociatas de guerra que as elites políticas americanas e europeias, juntamente com os seus serviçais mediáticos, têm promovido incessantemente.
Será o inferno pagar pelos governantes americanos e europeus que apostaram tudo na sua nefanda ambição da “derrota estratégica da Rússia” (sob o disfarce mistificatório da “defesa da democracia” num regime nazi!)
As consequências políticas para o Presidente dos EUA, Joe Biden, farão com que o desastre da sua retirada do Afeganistão em 2021 pareça um piquenique, uma vez que as eleições presidenciais se aproximam no próximo ano.
Quanto à União Europeia, cujos líderes têm seguido servilmente a loucura de Washington na Ucrânia, as repercussões do caos económico e político irão fatalmente minar esta entidade já cambaleante.
Em última análise, não há como escapar à iminente crise geopolítica sísmica, não importa quanto os desgovernantes elitistas ocidentais se contorçam para evitar a responsabilização.
O tumulto provocado pelo caso Prigozhin na Rússia, na semana passada, em que se assistiu a uma tentativa de motim por parte do chefe da empresa militar privada Wagner, surgiu numa altura conveniente para os EUA e a UE. Distraiu momentaneamente a atenção do desastre absoluto que Washington e os seus aliados da NATO criaram na Ucrânia. Mas, à medida que a charada Prigozhin se dissipa, o foco das atenções certamente virar-se-á para o escândalo muito maior da derrota liderada pelo Ocidente na Ucrânia.
Quem responderá pelas incontáveis vidas perdidas, pelos milhões de deslocados e pelas economias e meios de vida americanos e europeus lançados na desorganização? Todos os pretensos líderes ocidentais, bem como os media sem vergonha que propagandeiam a guerra, são uma galeria de patifes que, a seu tempo, terão de enfrentar um escrutínio abrasador por parte do seu público, quando as galinhas voltarem inexoravelmente para casa.
No entanto, é preocupante que a curto prazo os governantes enlouquecidos de Washington e da Europa não mostrem qualquer ligação com a realidade e não voltem atrás na sua obsessão pela guerra.
Esta semana, o suposto principal diplomata da União Europeia, Josep Borrell, está a propor transformar o chamado Mecanismo Europeu de Apoio à Paz num “fundo de defesa da Ucrânia”. A UE já comprometeu mais de €50 mil milhões do dinheiro dos contribuintes para escorar o regime neonazi de Kiev. Agora, burocratas não eleitos como Borrell querem tornar todo o propósito da UE num banqueiro para a guerra na Ucrânia.
A Dinamarca assumiu esta semana a liderança dos demais Estados europeus para iniciar um programa de treino de pilotos destinado a ucranianos e outros mercenários da NATO a fim de pilotarem os caças F-16 fabricados nos EUA.
A Casa Branca de Biden também está prestes a aprovar o fornecimento à Ucrânia de mísseis ATACMS de longo alcance, capazes de lançar ataques a território russo. Biden já gastou US$150 mil milhões de dinheiro público para proteger o regime corrupto de Kiev, cujo exército e armas da NATO foram destruídos. (É claro que este é um negócio super-lucrativo e auto-reforçado para o complexo militar-industrial dos EUA e os seus proxenetas políticos em Washington, incluindo Biden).
Por outras palavras, ao invés de ficarem preocupados perante a realidade de que a guerra proxy liderada pelos EUA na Ucrânia contra a Rússia está condenada, a administração Biden e os seus lacaios europeus estão a dobrar a aposta. Estão presos pelos seus próprios coletes-de-força ideológicos, por interesses pessoais corruptos, pelos lucros de guerra a curto prazo da elite e pela russofobia.
Os líderes ocidentais estão mesmo a fazer a dedução distorcida de que o motim falhado na Rússia é mais uma razão para os EUA e a NATO aumentarem o armamento ao regime de Kiev. Antony Blinken, o secretário de Estado americano, regozijou-se esta semana com a suposta oportunidade de infligir uma derrota estratégica à Rússia. Tal pensamento é completamente ilusório e insanamente perigoso.
O conflito na Ucrânia poderia terminar num curto espaço de tempo. Nunca deveria ter começado. A solução para acabar com a violência é a mesma que foi defendida por Moscovo desde há muito tempo: formular acordos de segurança geopolítica e, em particular, a neutralidade da Ucrânia em relação à adesão à NATO.
Os governantes ocidentais nada aprenderam. Antes da cimeira da NATO, a realizar-se dentro de duas semanas em Vilnius, em 11 e 12 de julho, a Grã-Bretanha e outros países apelam a que a adesão da Ucrânia seja acelerada. Tal medida consolidará o caminho para uma guerra total com a Rússia.
Continuar a armar a Ucrânia e insistir na adesão à NATO não é simplesmente cavar um buraco mais fundo para si próprio. É empurrar a situação para o abismo.
Vassily Nebenzia, embaixador da Rússia nas Nações Unidas, disse esta semana ao Conselho de Segurança: “Para esta guerra terminar, os mestres americanos devem dar ordens aos seus vassalos. A ausência de tais sinais e ordens só indica uma coisa: os Estados Unidos não têm necessidade ou desejo de acabar com o conflito, mas têm um apetite pela sua continuação e antecipam o momento em que a Rússia será derrotada, de preferência [na interpretação dos EUA] estrategicamente. Quero dizer-vos que isso não irá acontecer”.
O representante russo acrescentou esta advertência sombria: “Tendo-se desligado completamente da realidade, o Ocidente está deliberadamente a provocar uma confrontação direta entre potências nucleares”.
Há um pressentimento de que, ao invés de assumir a responsabilidade pelas suas culpas quanto à Ucrânia, a elite ocidental prefere iniciar a Terceira Guerra Mundial.
Esta é a mais deplorável constatação acerca da classe política ocidental e a sua chamada democracia liberal. Trata-se de uma cabala fascista disposta a suicidar o mundo.
Até um ponto indefinido, a formidável dissuasão militar da Rússia pode impedir a cabala ocidental de realizar os seus delírios belicistas e, desse modo, expor cada vez mais o sistema psicopático ocidental pelo que ele é. Mas, para uma transição histórica para um mundo mais pacífico, cabe aos povos do Ocidente deitar abaixo o seu sistema belicista e pedir contas aos seus criminosos maus líderes. Se nesse ínterim puder ser evitada a Terceira Guerra Mundial.
Fonte:
Strategic Culture Foundation, Resistir, 02/07/2023

"A nossa organização está firmemente comprometida em construir uma ordem mundial verdadeiramente justa e multipolar. Uma ordem mundial baseada no direito internacional, nos princípios universalmente reconhecidos de cooperação mutuamente respeitosa de Estados soberanos com o papel de coordenação central das Nações Unidas", disse Putin. O presidente acrescentou que a Rússia apoia o projeto de declaração conjunta da OCX, que "reflete abordagens consolidadas para questões internacionais". Putin também disse que a Rússia apoia a concessão de adesão à OCX da Bielorrússia.
Mais diferenças geopolíticas aparecem globalmente - Putin também destacou no seu discurso que mais e mais diferenças geopolíticas aparecem no mundo, e a segurança global está se deteriorando. Putin disse à OCX que a organização está desempenhando um papel mais importante na manutenção da estabilidade no cenário global.
“Isso é especialmente significativo nas condições atuais, quando as contradições geopolíticas estão se tornando mais agudas. A degradação do sistema de segurança internacional continua”, disse Putin na cimeira. O presidente também disse que uma guerra híbrida está em andamento contra a Rússia no momento.
"E agora, de facto, uma guerra híbrida está a ser travada contra nós, sanções ilegítimas contra a Rússia estão sendo usadas numa escala sem precedentes", disse Putin, acrescentando que a "anti-Rússia" estava sendo criada perto da fronteira do país com a Ucrânia há muito tempo.
Fonte: brasil247.com




