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quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

ORDENARAM AO MH17 QUE VOASSE SOBRE A ZONA DE GUERRA NO LESTE DA UCRÂNIA

ORDENARAM AO MH17 QUE VOASSE SOBRE A ZONA DE GUERRA NO LESTE DA UCRÂNIA


Por Prof Michel Chossudovsky 

 

A Malaysian Airlines confirma que recebeu instruções para que o MH17 voasse a uma altitude mais baixa sobre o Leste da Ucrânia



Sobre a questão do plano de voo (flight path) seguido pelo MH17, a Malaysian Airlines confirma que o piloto recebeu instruções da torre de controle de tráfego de Kiev para voar a uma altitude mais baixa no momento em que entrou no espaço aéreo da Ucrânia.

“O MH17 possuía um plano de voo exigindo que voasse a 35 mil pés através do espaço aéreo ucraniano. Isto está próximo da altitude “óptima”.

“Contudo, a altitude de um avião é determinado pelo controle do tráfego aéreo no terreno. Ao entrar no espaço aéreo ucraniano, o MH17 foi instruído pelo seu controle de tráfego aéreo para que voasse a 33 mil pés”.

(Para mais pormenores ver comunicados de imprensa em: www.malaysiaairlines.com/my/en/site/mh17.html )

A altitude de voo de 33 mil pés [10 km] está 1000 pés [305 m] acima do limite (ver imagem ao lado). A exigência das autoridades ucranianas de controle de tráfego aéreo foi implementada.



Desvio do plano de voo “normal” que fora aprovado

Em relação ao plano de voo do MH17, a Malaysian Airlines confirma que seguiu as regras estabelecidas pelo Eurocontrol e pela International Civil Aviation Authority (ICAO) (negritos acrescentados):

Gostaria de mencionar comentários recentes divulgados por responsáveis do Eurocontrol, o organismo que aprova planos de voo europeus sob as regras do ICAO. Segundo o Wall Street Journal, os responsáveis declararam que cerca de 400 voos comerciais, incluindo 150 voos internacionais atravessavam diariamente o Leste da Ucrânia antes do crash. Responsáveis do Eurocontrol também declararam que nos dois dias anteriores ao incidente, 75 diferentes companhias aéreas voaram a mesma rota do MH17. O plano de voo do MH17 seguia uma rota aérea importante e movimentada, como uma auto-estrada no céu. Ele seguia uma rota que fora especificada pelas autoridades internacionais da aviação, aprovada pelo Eurocontrol e utilizada por centenas de outros aviões.

O aparelho voava à altitude estabelecida, e considerada segura, pelo controle local de tráfego aéreo. E nunca se desviou no interior daquele espaço aéreo restringido. [esta declaração da MAS é refutada por evidências recentes].

O voo e seus operadores seguiram as regras. Mas, sobre o terreno, as regras de guerra foram rompidas. Num acto inaceitável de agressão, parece que o MH17 foi derrubado; seus passageiros e tripulantes mortos por um míssil.

A rota sobre o espaço aéreo da Ucrânia onde se verificou o incidente é habitualmente utilizada para voos da Europa para a Ásia. Um voo de uma outra companhia aérea estava na mesma rota no momento do incidente com o MH17, assim como um certo número de outros voos de outras companhias aéreas nos dias e semanas anteriores. O Eurocontrol mantém registos de todos os voos através do espaço aéreo europeu, incluindo aqueles através da Ucrânia.

O que esta declaração confirma é que o “plano de voo habitual” do MH17 era semelhante aos planos de voo de cerca de 150 voos internacionais diários através da Ucrânia do Leste. Segundo a Malaysian Airlines, “A rota habitual de voo [através do Mar de Azov] fora anteriormente declarada segura pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO). A International Air Transportation Association havia declarado que o espaço aéreo que o avião atravessava não estava sujeito a restrições”.

O plano de voo aprovado está indicado nos mapas abaixo.

O plano de voo regular do MH17 (e de outros voos internacionais) ao longo de um período de dez dias antes de 17 de Julho (a data do desastre), cruzando a Ucrânia do Leste numa direcção para Sudeste é através do Mar de Azov. (ver mapa ao lado).

O plano de voo foi alterado a 17 de Julho.

O voo e os seus operadores seguiram as regras. Mas sobre o terreno, as regras da guerra foram rompidas. Num acto inaceitável de agressão, parece que o MH17 foi derrubado; os seus passageiros e tripulantes mortos por um míssil. (MAS, ibid)

Embora os registos áudio do voo MH17 tenham sido confiscados pelo governo de Kiev, a ordem para alterar o plano de voo não veio do Eurocontrol.

Será que a ordem para alterar o plano de voo veio das autoridades ucranianas? Será que o piloto recebeu instruções para mudar a rota?

Falsificações dos media britânicos: “Vamos fazer aparecer uma tempestade”

Reportagens dos media britânicos reconhecem que houve uma alteração no plano de voo, afirmando sem prova que foi para “evitar temporais com trovões (thunderstorms) no Sul da Ucrânia”.

O director de operações da MAS, Capitão Izham Ismail também refutou afirmações de que a meteorologia tempestuosa (heavy weather) levasse o MH17 a alterar seu plano de voo. “Não houve relatos do piloto a sugerir que isto fosse caso”, disse Izham. ( News Malaysia , 20/Julho/2014)

O que é significativo, contudo, é que os media ocidentais reconheceram que a alteração no plano de voo ocorreu e que a narrativa da “meteorologia tempestuosa” é uma falsificação.

Caças da Ucrânia num corredor reservado para a aviação comercial

Vale a pena notar que um caça SU-25 ucraniano equipado com mísseis R-60 ar-ar foi detectado a 5-10 km do avião da Malásia, dentro de um corredor aéreo reservado à aviação civil.


Imagem: cortesia do Ministério da Defesa russo

Qual foi a finalidade desta deslocação da força aérea? Estava o caça ucraniano a “escoltar” o avião da Malásia numa direcção vinda do Norte rumo à zona de guerra?

A alteração no plano de voo do MH17 da Malaysian Airlines em 17 de Julho está indicada claramente no mapa abaixo. Ela conduz o MH17 sobre a zona de guerra, nomeadamente Donetsk e Lugansk.

Comparação: Plano de voo do MH17 em 16 de Julho e plano de voo do MH17 sobre a zona de guerra em 17 de Julho de 2014 

 
Capturas de écran de planos de voo do MH17 de 14 a 17/Julho/2014 
 

14 de Julho
15 de Julho
16 de Julho

17 de Julho

O primeiro mapa dinâmico compara os dois planos de voo. O segundo plano de voo, que é aquele de 17 de Julho, conduz o avião sobre a zona de guerra do oblast de Donetsk na fronteira com o oblast de Lugansk.

As quatro imagens estáticas mostram capturas de écrans dos Planos de Voo do MH17 no período de 14 a 17 de Julho de 2014.

A informação transmitida por estes mapas sugere que o plano de voo foi alterado em 17 de Julho.

O MH17 foi desviado da rota normal do Sudoeste sobre o Mar de Azov para uma rota sobre o oblast de Donetsk.

Quem ordenou a alteração do plano de voo?

Apelamos à Malysian Airlines a que clarifique sua declaração oficial e pedimos a divulgação das gravações áudio entre o piloto e a torre de controle de tráfego aéreo de Kiev.

A transcrição destas gravações áudio deveria ser tornada pública.

Também deve ser confirmado: Esteve o caça ucraniano SU-25 em comunicação com o avião MH17?

A evidência confirma que o plano de voo em 17 de Julho NÃO era o habitual plano de voo aprovado. Ele foi alterado.

A alteração não foi ordenada pelo Eurocontrol.

Quem esteve por trás deste plano de voo alterado que dirigiu o avião para dentro da zona de guerra, resultando em 298 mortes?

Qual foi a razão para alterar o plano de voo?

O prejuízo causado à Malaysian Airlines em consequências destas duas trágicas ocorrência também deve ser considerado. A Malaysian Airlines tem altos padrões de segurança e um registo excelente.

Estes dois acidentes fazem parte de um empreendimento criminoso. Eles não resultam de negligência da parte da Malaysian Airlines, a qual enfrenta uma bancarrota potencial.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

GUERRA NA UCRÂNIA - PUTIN GANHA PRIMEIRO ROUND

GUERRA NA UCRÂNIA - PUTIN GANHA PRIMEIRO ROUND



Por Carlos Fino, Brasília, 07 de Setembro de 2014


Carlos FinoA generalidade dos observadores internacionais considera, com razão, que o primeiro “round” do conflito na Ucrânia terminou com uma clara vitória do presidente russo Vladimir Pútin.

Através da facilitada (ainda que não oficialmente assumida) participação de voluntários e veteranos com experiência militar - num total entre mil e quatro mil homens - o líder do Kremlin não só impediu o colapso das forças pró-russas, que ainda há um mês atrás parecia estar no horizonte, como conseguiu reverter, nas últimas semanas, a sorte das armas, impondo pesadas derrotas ao exército ucraniano.

Derrotas que conduziram à assinatura, na passada sexta-feira, em Minsk, de um acordo de cessar-fogo entre o governo de Kíev e os separatistas do leste, cujos termos gerais foram previamente acordados entre o chefe de Estado russo e o seu homólogo ucraniano Porochenko, o que só por si é bem revelador do envolvimento de Moscovo no conflito.

O próprio calendário da assinatura do acordo parece aliás ter sido calculado para coincidir com a reunião cimeira da OTAN/NATO no país de Gales e retirar-lhe, consequentemente, parte do ímpeto anti-russo de que estava imbuída.

A relativa modéstia da ajuda inicial que a Aliança Atlântica se diz pronta a prestar à Ucrânia – 15 milhões de dólares – terá também contribuído para convencer Kíev de que a melhor solução, como aqui defendemos desde o início, seria seguir o conselho de Garrincha e falar com os russos.

Aceitando negociar, Poroshenko evitou uma derrota mais pesada, conseguindo preservar o que resta das unidades do exército e da guarda nacional e também (ainda) algumas posições nas regiões rebeldes.

Mas ao fazê-lo demasiado tarde e numa posição enfraquecida, o líder ucraniano acabou por ter de aceitar uma perda importante do controlo do seu governo sobre a generalidade do leste e sul.

Por outro lado, tal como a Rússia pretendia, a latência do conflito congela a pretensão da Ucrânia de se inserir plenamente nas estruturas económicas e militares ocidentais.

Um fraco resultado global, portanto, que os seus rivais políticos não deixarão de explorar nas eleições legislativas do próximo mês.

SITUAÇÃO AMBÍGUA

O cessar-fogo ainda é frágil. No passado fim-de-semana, duelos de artilharia irromperam no aeroporto de Donetsk, onde o exército ucraniano conserva uma bolsa de resistência, e na cidade portuária estratégica de Mariupol, que os separatistas não desistiram de tomar às tropas governamentais.

Há também acusações de parte a parte de que a trégua estaria, tal como já aconteceu no passado, a ser aproveitada para reagrupar forças com vista à renovação dos confrontos mais adiante.

Desta vez, o entendimento parece ser mais consistente, uma vez que o esgotamento é grande dos dois lados. Os ucranianos sofreram derrotas pesadas que já suscitam protestos nas ruas e os russos estão a braços com uma crise humanitária grave nas cidades atingidas – muitas delas sem água, sem comida e sem energia – e têm que administrar um avalanche de refugiados que ultrapassa 800.000 pessoas.

Mas, quer de um lado, quer do outro, há forças paramilitares que podem considerar-se traídas e que poderão por isso continuar os combates. Tanto mais que – como acontece no aeroporto de Donetsk e em Mariupol – a própria dinâmica dos confrontos exige um desfecho num ou noutro sentido.

Mais, porém, do que a existência desses grupos, é a própria ambiguidade do texto do acordo que lança dúvidas sobre a consistência do cessar-fogo.

Nele se fala de “autonomia em certas áreas das regiões de Donetsk e Lugansk”, mas remete-se para uma Lei de Regime Especial, a definir, o que deixa em aberto o estatuto efetivo dessas regiões no contexto legal ucraniano.

Determina-se também a extinção das formações militares ilegais e do respectivo equipamento militar, mas não se define quais são essas formações.

Não estando solucionada a questão de fundo – o estatuto legal do leste e sul da Ucrânia – o conflito pode reacender-se a qualquer momento.

Na realidade, aquilo a que estamos a assistir é apenas a primeira fase de um confronto mais amplo que se trava desde o fim da Guerra Fria e está longe de se encontrar resolvido.

O confronto entre a estratégia norte-americana e europeia de incluir a Ucrânia nas suas estruturas económicas e de defesa (UE e OTAN/NATO), e a estratégia da Rússia de mantê-la na sua área de influência.

Como dizia há dias Toby Gati, um dos estrategos que juntamente com Brzezinski, ajudou a formular a política americana face a Moscovo, ao negociar o cessar-fogo, “Pútin tornou absolutamente claro que nesta parte do mundo a presença dos EUA e da OTAN/NATO não será aceite” e que nesta questão “ele não permitirá à Ucrânia decidir por si própria ou decidir sozinha com o Ocidente”.

Pútin, para já, ganhou. Mas este foi apenas o primeiro “round”.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

ESQUEÇA-SE A NATO A RÚSSIA TEM PROBLEMAS BEM MAIORES

ESQUEÇA-SE A NATO A RÚSSIA TEM PROBLEMAS BEM MAIORES



Por Judy Dempsey

As relações entre a Rússia e a NATO têm sido tensas por um longo tempo - muito antes do início da crise na Ucrânia. Em Abril de 2008, o presidente Vladimir Putin participou da cimeira da NATO em Bucareste. A atmosfera entre os aliados foi tensa. À Saída da administração Bush, os Estados Unidos queriam que os líderes da NATO oferecessem o Plano de Acção para a Adesão (MAP na sigla inglesa) à Geórgia e à Ucrânia. Isso teria-os colocado num caminho directo para a adesão à NATO.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foram veementemente contra tal movimento. Eles não queriam provocar a Rússia.

Berlim e Paris argumentaram, extra-oficialmente, é claro, que se a Geórgia e a Ucrânia eventualmente aderissem à NATO, estariam a maioria dos estados membros realmente preparados para defendê-los, se eles fossem atacados pela Rússia ? A resposta era que não, tal como é hoje.

Cinco meses após a cimeira de Bucareste, a Rússia invadiu a Geórgia, e, durante uma guerra curta arrancou as regiões da Abcásia e da Ossétia do Sul à Geórgia.

Havia a habitual maioria de direita no Ocidente. Mas pouco tempo depois, tudo voltou como antes com a Rússia, como se o Ocidente não tivesse compreendido a agenda de Putin.

A agenda do Kremlin, tal como agora, consiste em evitar tanto que  NATO como a União Europeia invadissem as ex-repúblicas soviéticas.

E se isso significasse o uso das forças militares para impedir que isso aconteça, como o caso da Geórgia revelou, então que assim seja.

Afinal de contas, uma vez que o Ocidente não se importou com a Rússia, que declarou a independência da Abcásia e da Ossétia do Sul, então por que Putin não aceitaria o mesmo risco com a Ucrânia ?

A Ucrânia é diferente. Porque se os líderes europeus aceitam isso ou não, a situação é que a UE está agora em competição directa com a Rússia sobre o futuro das terras abrangentes entre a UE e a Rússia.

Os polacos, os bálticos, os suecos, os finlandeses e os noruegueses sabem muito bem o que isso implica e assim faz a Merkel da Alemanha. Isso significa decidir de uma vez por todas se haverá apoio - de uma forma muito mais sustentável e estratégica - para a Ucrânia, Geórgia e Moldávia nas suas aspirações para se juntar à Europa. Mesmo a Bielorrússia se poderá juntar à lista no futuro.

Para esses países, o futuro está em juntar-se às estruturas da UE e da NATO.

Em suma, trata-se de completar as transformações políticas, económicas e sociais desses países que tantas vezes vacilaram desde o fim da Guerra Fria e o colapso da antiga União Soviética, em 1991.

No entanto, a cimeira da NATO, que terá lugar em Cardiff a 4 e 5 de Setembro está mal preparado para iniciar o processo de ajudar a estes países a completarem essa transformação.

É claro que a NATO pode oferecer treino e assistência técnica a esses países para que eles possam reformar o relacionamento civil-militar e ajudá-los a cooperar com a NATO e até mesmo participar, como a Geórgia fez, na missão militar da NATO no Afeganistão.
Mas isso acaba ai. O que Putin compreende perfeitamente bem é que a NATO não vai prestar assistência militar à Ucrânia, mesmo se ela perde mais território para os pró-russos.

Em vez disso, a NATO vai reforçar as defesas da Polónia e dos países bálticos, através de sessões de treinos mais rigorosos e regulares. A NATO também pretende ter forças mais ágeis e flexíveis na região que serão enviadas dentro de dias, se necessário.

Mas não irá enviar, em carácter permanente, tropas e guarnições, logística e quaisquer centros de comando e controle nesses países. Apesar disso, não há dúvida de que se a Rússia ameaçasse ou atacasse qualquer país da NATO, a NATO iria responder.

Mas a estratégia da NATO ainda deixa a Europa Oriental bastante vulneráveis. A última coisa que a Polónia, Suécia, Finlândia e Países Bálticos querem é que a Europa Oriental seja transformada num novo cordão sanitário. Seria, na verdade, criar uma nova Europa, dividida e altamente instável, razão pela qual esses países estão determinados a que a UE evite que isso aconteça.

NATO, por sua vez, não está equipado para evitar que isso aconteça. Isso é impedido de duas maneiras. A primeira é que os membros da NATO não têm uma percepção comum das ameaças. Mas os europeus do norte, polacos e bálticos partilham uma ameaça comum: a Rússia.

Os europeus do sul, compreensivelmente, vêem o Islão radical como a maior ameaça. A Grã-Bretanha e a França entendem as ameaças que a Europa enfrenta, mas os seus líderes são prejudicados por crises internas em vez de articularem essas ameaças com os seus aliados da NATO.

Quanto aos EUA, o presidente Barack Obama deve desejar que a crise da Ucrânia esteja fora de sua diplomacia em razão pela qual ele deixou a maior parte da corrida diplomática à Merkel.

O que nos leva até à Alemanha. A 1 de Setembro, num passo altamente incomum, Merkel dirigiu-se ao parlamento alemão para explicar por que razão a Alemanha tinha de enviar armas aos curdos, a fim de deter o massacre de civis pelos combatentes do Estado islâmico no norte do Iraque e da Síria.

O Estado Islâmico é uma "ameaça para a Alemanha", disse aos deputados.

Esta é uma grande mudança no pensamento alemão, que, com poucas excepções ao longo dos anos, tem fugido às suas responsabilidades quando se trata de questões de segurança.

Mas quando se trata da Ucrânia, Merkel até agora descartou a possibilidade do envio de ajuda militar para a Ucrânia e insiste em se concentrar na diplomacia e nas sanções numa tentativa de mudar a opinião de Putin. Mas ambos falharam.

Em segundo lugar, a NATO também é prejudicada pela falta de consenso sobre a dissuasão. Era tão fácil durante a Guerra Fria, quando o inimigo estava claramente definido e a dissuasão era um dado adquirido. A NATO sabia onde ele estava.

Hoje, como baixou de importância a sua enorme missão militar no Afeganistão e tem tempo para observar o seu próprio bairro, está a se tornar cada vez mais claro que a NATO ainda não está preparada para lidar com as ameaças na sua vizinhança a leste e a sul.

Isto apesar do facto de o Secretário-Geral cessante da NATO, Anders Fogh Rasmussen, ter falado repetidamente sobre um "arco de instabilidade" em toda a Europa.

Ele advertiu repetidamente a Rússia que sofreria as consequências após a decisão de Putin em Março por invadir e anexar a Crimeia, o envolvimento da Rússia no leste da Ucrânia, e o apelo de Putin para negociações imediatas sobre a "soberania" do sul e leste da Ucrânia, ou Novorossia.

Mas é claro que as sanções ocidentais e as ameaças e retóricas da NATO até agora não são dissuasoras quando se trata de frustrar as ambições de Putin.

O que o poderia impedi-lo seria o seu próprio combustível no flanco sul  e o Estado Islâmico, que para a Rússia seria muito imprudente ignorar. São essas as ameaças que são muito, muito mais perigosas para a Rússia do que limitar as intenções da NATO na Polónia e dos países bálticos.

Essas ameaças também são mais perigosos do que a UE, cuja abertura foi imensamente beneficiando empresas russas e os cidadãos russos comuns.

Se Putin pensa que a NATO e a UE são as suas grandes ameaças, competidores e inimigos, ele ainda não viu nada.

Judy Dempsey é associado sénior e editor-chefe do Strategic Europe no Carnegie Europe.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

QUE FUTURO PARA O LESTE DA UCRÂNIA

QUE FUTURO PARA O LESTE DA UCRÂNIA



Por José Loureiro dos Santos
A Rússia não desistirá de prolongar uma situação de dificuldades que desgaste progressivamente a Ucrânia, com a finalidade de modificar a seu favor a situação no país.

Existem três cenários quanto ao futuro do Leste da Ucrânia: regressar à situação de completa dependência político-administrativa de Kiev, a exemplo de todas as restantes regiões ucranianas; passar a constituir uma região autónoma do país com liberdade limitada de relacionamento externo; ou transformar-se num protectorado político e militar da Rússia, completamente à margem da tutela de Kiev, a exemplo da Abkházia, da Ossétia do Sul e da Transnístria.

A Rússia não desistirá de prolongar uma situação de dificuldades que desgaste progressivamente a Ucrânia, com a finalidade de modificar a seu favor a situação no país, tendo por objectivos: 1) desejável – produzir uma viragem nas ligações políticas agora em curso e previstas da Ucrânia (ligação à União Europeia e posterior integração na NATO), fazendo com que volte a aliar-se a Moscovo e a participar na União Euro-asiática; 2) mínimo – conseguir que o Donbass tenha um estatuto que permita à Rússia nele interferir. Não aceita a situação actual, quanto à ligação de Kiev à União Europeia e à hipótese de integrar a NATO.

Estão em jogo interesses que a Rússia considera vitais – controlar o corredor ucraniano de acesso à planície europeia e desta ao coração russo e ao mar Negro –, que, pelo seu lado, a Alemanha olha com idêntica importância. O eixo Ucrânia-Polónia permite a ligação terrestre entre os dois mares, Báltico e Negro.

Putin está decidido a usar a força militar para garantir os seus interesses, e já lembrou que a Rússia é uma grande potência nuclear.

Poroshenko pretende vencer os separatistas, expulsando do território ucraniano (com ou sem a Crimeia?) os “homens verdes” sob cuja máscara se esconde o poder militar russo. Mas a realidade mostra que não consegue fazê-lo, pelo que tenta envolver os países da NATO como aliados no terreno, o que, a materializar-se, provocaria uma catástrofe na Europa com a reacção russa. Muito menos tem condições para combater o potencial militar da Rússia, numa guerra aberta.

Os Estados Unidos, desejando manter a Ucrânia na órbita do Ocidente, não estão disponíveis para entrar numa guerra no continente europeu, por causa de um país não-membro da NATO. Avançarão com apoio político e militar, através do fornecimento de algum armamento e do envio de assessores, o que já fazem e será ampliado. Alguns Estados da NATO sentem-se especialmente ameaçados, particularmente aqueles cuja experiência histórica os leva a temer a Rússia (e também a Alemanha por razões idênticas…). Mas têm a garantia de os aliados cumprirem o artigo 5.º do tratado, defendendo-os, se necessário.

Os países europeus da Aliança Atlântica encontram-se desarmados, não tendo capacidade para enfrentar a Rússia, nem isso lhes convém – a interdependência económica russo-europeia é profunda de mais para que seja possível pôr-lhe termo de uma forma brusca.

Terão de se limitar a gesticular mediaticamente, prosseguindo uma “guerra” de palavras, e continuar um duelo de sanções económicas cujos efeitos negativos aumentam, com a possibilidade de Putin cortar os fornecimentos de gás, como insinuou. E fornecem alguma assistência militar idêntica à norte-americana, procurando reduzir progressivamente a sua dependência económica da Rússia, principalmente energética, só viável a prazo.

Deverão insistir na procura de uma solução política, pressionando um entendimento entre Poroshenko e Putin, em direcção a uma solução porventura próxima do cenário que classifiquei como mínimo. Julgo que a sua aceitação iria ao encontro de alguns dos interesses de Moscovo e seria relativamente satisfatório para a Europa, por ser o menor dos males, pagando o preço de ter ignorado as necessidades da sua defesa. O sinal de impaciência do líder russo, ao falar em negociações e num Estado a leste da Ucrânia, aponta a única alternativa a este cenário: impor a “Nova Rússia”, abrangendo o Leste e Sudeste ucraniano, com o modelo da Abkházia, o que priva a Ucrânia da sua principal zona industrial e das ricas minas de carvão do Donbass e dá um golpe profundo na economia de Kiev.

Espera-se que os países europeus da NATO aprendam a lição destes acontecimentos. Terão de se rearmar, mesmo com as dificuldades económicas que os afligem.

Só assim estarão em condições de responder com êxito às ameaças que cercam o continente. Pelo sul, sudeste e leste. Dissuadindo a leste e combatendo a sul e sudeste, porventura aliados com o Leste. E no seu próprio interior, contra as ameaças resultantes do regresso dos combatentes que fazem a jihad no Sul e no Sudeste.



General

In Público

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

ENTENDER A UCRÂNIA EM 15 MINUTOS

ENTENDER A UCRÂNIA EM 15 MINUTOS

 



Por Mike Whitney (transcrição e comentários), Information Clearing House

A ENTREVISTA COM SERGEI GLAZIEV


Quem quiser compreender o que se passa na Ucrânia, não pode deixar de assistir ao vídeo (com legendas em inglês), 15 minutos, em que Sergei Glaziev, [1] conselheiro e amigo de Putin, explica como as mudanças estruturais na economia global e uma deriva em direcção à Ásia precipitaram uma desesperada tentativa, por políticos norte-americanos, para manter-se no controle do mundo, instigando uma guerra na Europa.

Concorde-se ou não com o analista e a sua análise, os leitores verão/ouvirão um analista brilhante, erudito e apaixonado nas suas crenças. Só por isso já vale a pena assistir à entrevista de Glaziev.

Fiz eu mesmo uma transcrição do vídeo, e peço desculpas por algum erro não intencional no texto. Também introduzi, eu mesmo, os negritos que se veem na transcrição: [ver o vídeo em baixo]



1. Mudanças Estruturais na Economia Global são frequentemente precedidas por Grandes Crises e Guerras





O mundo hoje passa por uma sobreposição de séries inteiras de crises cíclicas. A mais séria delas é uma crise tecnológica que é associada a mudanças nos comprimentos de onda do desenvolvimento económico. Vivemos num período em que a economia está a mudar de estrutura. A estrutura económica que comandou o crescimento económico nos últimos 30 anos esgotou-se em si mesma. Temos de fazer uma transição para um novo sistema de tecnologias. Esse tipo de transição, infelizmente, sempre aconteceu mediante guerras. Foi o que aconteceu nos anos 1930s, quando a Grande Depressão deu lugar a corrida uma corrida às armas e, de seguida, à II Guerra Mundial. Foi assim durante a Guerra Fria, quando uma corrida ás armas cedeu lugar a complexas tecnologias de informação e comunicação que se tornaram a base da estrutura tecnológica que vem comandando a economia mundial nos últimos 30 anos. Hoje, enfrentamos uma crise similar. O mundo está a mudar para um novo sistema tecnológico.


2. Putin insiste numa Zona de Livre Comércio, para facilitar a transição para a Nova Economia Global




O novo sistema tem natureza humanitária e, assim, pode evitar uma guerra, porque os grandes geradores de crescimento nesse comprimento de onda são tecnologias humanitária. Dentre de essas, incluem-se as indústrias de atenção à saúde e de medicamentos, que são baseadas na biotecnologia. Incluem-se aí também tecnologias de comunicação baseadas na nanotecnologia, que está a mudar o mundo como o conhecemos. Todas essas mudanças envolvem tecnologias cognitivas, que definem um novo contexto para o conhecimento humano. Como o presidente Putin tem dito repetidas vezes, conseguimos construir e propor um programa de desenvolvimento conjunto, uma zona de desenvolvimento para todos com um regime comercial preferencial de Lisboa a Vladivostok. Se acordasse-mos com Bruxelas um espaço económico comum, uma área de desenvolvimento comum, poderíamos propor um número suficiente de novos projectos, do campo da saúde à protecção contra ameaças espaciais, para mobilizar nosso potencial científico e técnico e criar uma oferta estável, a partir do estado. Assim se daria forte estímulo ao novo sistema tecnológico.


3. Washington vê uma Guerra na Europa como o melhor meio para Preservar a sua Hegemonia



Os EUA, contudo, já estão fazendo o que fazem sempre. Para manter o seu domínio sobre o mundo, estão a provocar uma nova guerra na Europa. A Guerra é sempre um bom negócio para os EUA. Dizem até que a II Guerra Mundial, que matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Rússia, teria sido uma boa guerra. Foi boa para os EUA, porque os EUA emergiram daquela guerra como a principal potência mundial. A Guerra Fria, que terminou com o fim da União Soviética, também foi uma boa guerra, para os EUA. Agora, os EUA mais uma vez querem manter a sua liderança à custa da Europa. A liderança dos EUA está a ser ameaçada pela China, que cresce sem parar. O mundo hoje está a mudar e a entrar num novo ciclo que, desta vez, é um ciclo político. Esse ciclo dura à séculos e está associado com as instituições globais da economia reguladora.

Estamos a transferir dum ciclo de acumulação de capital norte-americano para um ciclo asiático. É outra crise que desafia a hegemonia dos EUA. Para manter a sua posição de comando frente à concorrência que lhe impõe uma China que não pára de crescer e outros países asiáticos, os EUA estão a inventar uma nova guerra na Europa. Querem enfraquecer a Europa, fracturar a Rússia, e subjugar todo o continente eurasiático. É o mesmo que dizer que, em vez de uma zona de desenvolvimento para todos de Lisboa a Vladivostok – que é a proposta do presidente Putin – os EUA querem iniciar uma guerra caótica neste mesmo território, envolver toda a Europa numa só guerra, desvalorizar os capitais europeus, cancelar por milagre a dívida pública nos EUA, dívida sob cujo peso os EUA, sim, já estão praticamente sucumbindo, riscar do mundo o que os EUA devem a Europa e à Rússia, subjugar o nosso espaço económico e estabelecer controle sobre os recursos do gigantesco continente euroasiático. Para os EUA, esse seria o único modo para conseguirem manter sua hegemonia e derrotar a China.

Infelizmente a geopolítica dos EUA que vemos hoje é exactamente idêntica à do século XIX. Eles ainda pensam nos termos das lutas geopolíticas do Império Britânico: dividir para conquistar. Lançar nações contra nações, empurrá-las umas contra as outras, iniciar uma guerra mundial. Desgraçadamente, os EUA ainda insistem naquela velha política britânica, para tentar resolver os seus problemas. A Rússia é o alvo seleccionado dessa política, e o povo ucraniano é usado como bucha de canhão numa nova guerra mundial.

Primeiro, os EUA decidiram tomar como alvo a Ucrânia e separá-la da Rússia. É a tácita inventada por Bismarck. É a velha tradição anti-Rússia, com o objectivo de envolver a Rússia num conflito, para conseguir tomar conta de todo o espaço da Euroásia. Foi a estratégia que Bismark usou, depois adoptada pelos britânicos, depois por Zbigniew Brzezinski, pensador e cientista político norte-americano que disse incontáveis vezes que a Rússia não poderia ser uma super-potência sem a Ucrânia, e que criar uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia seria benéfico [sic] para os EUA e o Ocidente.

Há 20 anos que os norte-americanos alimentam o nazismo ucraniano orientado contra a Rússia. Todos sabem que os EUA hospedaram os seguidores remanescentes de Bandera (Stepan), depois da II Guerra Mundial. Dezenas de milhares de nazistas ucranianos foram levados para os EUA e cuidadosamente cevados e treinados durante o pós-guerra. Essa leva de imigrantes desceu sobre a Ucrânia depois do colapso da União Soviética. A ideia de uma parceria ocidental foi usada como isca. Quem primeiro falou disso foram os polacos e na sequência, os EUA abraçaram a ideia. Essa é a essência da parceria ocidental, da qual a Geórgia foi a primeira vítima. Agora, a nova vítima está a ser a Ucrânia, e depois será a vez da Moldávia, para ir cortando os laços com a Rússia.

Todos sabem que a Rússia está a construir a União Aduaneira e um espaço económico comum com Bielorrússia e o Cazaquistão, ao qual se juntarão posteriormente, o Quirguizistão e a Arménia. A Ucrânia sempre foi a nação parceira dos russos, há muito tempo. A Ucrânia continua a ter um acordo comercial com a Rússia, que está em fase de ratificação – e que até hoje não foi cancelado por ninguém na Ucrânia. A Ucrânia é importante para nós como parte do nosso espaço económico e por séculos de laços e cooperação entre os nossos países. O nosso complexo científico e industrial foi criado como um todo, todavia a participação da Ucrânia na integração da Europa seja um processo vital e natural. Mas o projeto da “parceria ocidental” foi inventado para impedir que a Ucrânia participasse no projeto de integração da Eurásia. O significado da parceria ocidental é criar uma associação com a União Europeia. Qual a associação que Poroshenko assinou com os líderes europeus? Uma “associação” que converte a Ucrânia numa colónia. Por aquele acordo de associação com a União Europeia, a Ucrânia perde até a própria soberania: transfere para Bruxelas o controle do próprio comércio, políticas aduaneiras, regulação técnica e financeira e até a adjudicação de serviços e bens públicos.


4. A junta nazista ucraniana é um instrumento da política dos EUA



A Ucrânia deixa de ser estado soberano na economia e na política: está claramente escrito e assinado no acordo que a Ucrânia converte-se num parceiro “menor” na União Europeia. A Ucrânia compromete-se a seguir a defesa comum e a política externa da União Europeia. A Ucrânia fica obrigada a participar na resolução de conflitos regionais, sempre sob a liderança da União Europeia. E assim Poroshenko está a converter a Ucrânia numa colónia da União Europeia e empurrando a Ucrânia para uma guerra contra a Rússia como bucha de canhão, com a intenção de, assim, iniciar uma guerra na Europa. O objectivo do acordo de associação é permitir que os países europeus governem a Ucrânia sempre que se tratar de decidir conflitos regionais. É o que está a acontecer em Donbass, que é um conflito regional armado. O objectivo da política dos EUA é criar o maior número possível de mortos. A junta nazista que governa a Ucrânia é o instrumento dessa política dos EUA. Estão-se a cometer atrocidades inimagináveis e crimes sem conta, bombardeando cidade, matando civis, mulheres e crianças, e forçando-os a abandonar as próprias casas, exclusivamente para provocar a Rússia e, na sequência, lançar toda a Europa numa mesma grande guerra. Essa é a missão de que Poroshenko foi encarregado. Por isso, precisamente, é que Poroshenko rejeita todas e quaisquer negociações de paz e bloqueia todos e quaisquer acordos de paz. Cada “declaração” de Washington sobre qualquer “de escalada” no conflito é descodificada, por Poroshenko, como ordem para escalar o conflito. Cada ronda de conversações chamadas “de paz” desencadearam nova ronda de violência.

É preciso compreender que estamos a lidar com um estado nazista, que está determinado a conseguir entrar em guerra contra a Rússia e que já decretou recrutamento universal obrigatório. Toda a população do sexo masculino entre 18 e 55 anos de idade foi automaticamente alistada. Quem se recusar ao alistamento, receberá pena de 15 anos de cadeia. Esse poder nazista criminoso já converteu em criminosos toda a população ucraniana.


5. Washington trabalha a favor de seus Interesses, quando empurra a Europa para a Guerra




Calculamos que a economia europeia perderá cerca de 1 trilião de Euros por causa das sanções que os norte-americanos impuseram aos europeus. É muito dinheiro. Os europeus já começam a sentir as perdas. Já houve acentuada redução nas vendas para a Rússia. A Alemanha está a perder cerca de 200 biliões de Euros. Os estados do Báltico sofrerão as maiores perdas. A perda de vendas na Estónia será superior ao PIB do país. Na Letónia, será o equivalente a metade do PIB do país. Mas nem isso os detêm. Os políticos europeus seguem os norte-americanos sem sequer questionarem o que estão a fazer. Eles prejudicam-se a eles próprios, ao provocarem o nazismo e a guerra. Já disse que a Rússia e a Ucrânia são vítimas dessa guerra que está a ser fomentada pelos EUA. Mas a Europa também é vítima, porque a guerra visa destruir o estado social europeu [o que reste dele] e desestabilizar a Europa. Os norte-americanos esperam que, assim, prosseguirá o êxodo de capitais e cérebros europeus para os EUA. Por isso estão a incendiar a Europa inteira. É muito estranho que governos europeus estejam a alinhar com esse tipo de “projecto” dos EUA.


6. A Alemanha ainda é Território Ocupado




Não podemos continuar simplesmente a esperar que os líderes europeus desenvolvam uma política independente: temos de trabalhar com os políticos europeus de outra geração, capaz de manter-se independentes do diktat dos EUA. O facto é que nos anos da Guerra Fria formou-se na Europa uma elite política obcecadamente anti-soviética. E esses rapidamente se converteram em anti-Rússia. Apesar da expansão dramática de laços económicos e dos vastíssimos interesses económicos mútuos entre a Europa e a Rússia, a russofobia ainda é baseada em anti-sovietismo e sobrevive nas mentes de muitos políticos europeus. Será preciso esperar que uma nova geração de políticos europeus pragmáticos compreenda quais são os seus reais interesses nacionais. O que vemos hoje na Europa são políticos que agem contra os seus próprios interesses nacionais. Isso se explica em grande parte pelo facto de que a Alemanha, que é o motor do crescimento da Europa ainda ser um país ocupado. Ainda há tropas norte-americanas na Alemanha, e cada chanceler alemão ainda é obrigado a jurar fidelidade aos EUA e àquela política externa. A geração de políticos que ainda está no poder na Europa ainda não conseguiu livrar-se do cabresto da ocupação dos EUA.


7. O nazismo está em ascensão


Embora já não haja a União Soviética, aqueles políticos europeus continuam a obedecer Washington maniacamente, na expansão da NATO e na tentativa de capturar novos territórios – por mais “alérgicos” que já sejam aos novos membros orientais da União Europeia. A União Europeia já está a rebentar pelas costuras, mas nem por isso suspende a agressiva expansão na direção de território pós-soviético. Espero que uma próxima geração de políticos seja mais pragmática. As recentes eleições para o Parlamento Europeu mostraram que nem todos estão a ser completamente enganados pela propaganda pró-EUA e anti-Rússia, e pelo fluxo ininterrupto de mentiras que não para de ser lançado contra o povo europeu. Os partidos europeus tradicionais perderam nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Quanto mais se diga a verdade, maior será a reacção, porque o que está a acontecer na Ucrânia é o renascimento do nazismo. A Europa conhece bem e não esqueceu os sinais do renascimento do nazismo, por causa das lições da II Guerra Mundial. Temos de despertar essa memória histórica, de modo a que consigam ver os nazistas ucranianos que estão no governo em Kiev, os seguidores de Bandera, Shukhevych e outros colaboradores nazistas. A ideologia das actuais autoridades ucranianas tem raízes na ideologia dos cúmplices de Hitler que atiraram contra judeus em Babi Yar, queimando vivos ucranianos e bielorrussos e aniquilaram populações inteiras sem distinção de etnias. Esse é o nazismo que está em crescimento hoje. Os europeus têm de reconhecer nos mortos na Ucrânia os mortos europeus. É disso, afinal, que se trata.

Espero que, se continuarmos a explicar a verdade, conseguiremos salvar a Europa de mais essa ameaça de guerra.




Agradecimentos especiais ao blog The Vineyard of the Saker, por ter publicado esta sensacional entrevista 
Nota dos tradutores

[1] Sobre Sergey Glaziev ver também: 2/8/2014, “http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/08/para-por-fim-as-guerras-dos-eua-em-todo_2.html”>Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe Aliança Anti-dólar”.


[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige a sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelancer nos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o prémio Project Censored por uma reportagem de investigação sobre a "Operation FALCON", um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente em Counterpunch, Information Clearing House e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.

Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

A HIPÓTESE DE UMA ORTOGRAFIA DO PORTUGUÊS DE ANGOLA

A HIPÓTESE DE UMA ORTOGRAFIA DO PORTUGUÊS DE ANGOLA


Por Wa Zani

27 de Agosto, 2014

Em cada computador aparecem várias opções para a ortografia do inglês (África do Sul, Austrália, Belize, Canadá, Caraíbas, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Irlanda, Jamaica, Malásia, Nova Zelandia, R.A, de Hong Kong, Reino Unido, Singapura, Trinidade e Tobago, Zimbabwe) e também para a ortografia do francês (Bélgica, Camarões, Canadá, Costa do Marfim, Haiti, Índias ocidentais, Luxemburgo, Mali, Maurícias…). Em relação à Língua Portuguesa, há ainda as opções do português de Portugal e do Brasil, apesar de nos aparecer, após o AO90, palavras sublinhadas a vermelho no nosso computador, como se estivessem erradas, apesar das duas normas ortográficas (a velha e a nova) estarem ainda em vigor. Nos cinco PALOP, a norma do português era a do português de Portugal, que decidiu afastar-se para uma outra ortografia mais próxima do português do Brasil. A 10 de Agosto de 1945, o Brasil assinou com Portugal a “Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945” e há 70 anos que não a cumpre. No actual contexto do AO90, o Brasil salvaguardou antecipadamente as questões culturais de ordem ortográfica do “tupi-guarani” e nós angolanos, preocupamo-nos em salvaguardar o nosso património linguístico bantu, principal vertente cultural da nossa identidade, cuja estrutura difere bastante da linguística neolatina.

O reconhecimento da fragilidade do texto do AO90 é praticamente consensual e há cidadãos dos países da CPLP, que, por falta de um prontuário ortográfico que lhes sirva de referência, misturam as duas ortografias, incluindo os próprios professores. O que se pressupunha que iria unir a grafia em português, nunca se irá concretizar, tal como a maior difusão internacional da Língua Portuguesa e uma maior facilidade da aprendizagem para o próprio idioma. Para que serviu afinal o Acordo Ortográfico?

O Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), a ser realizado a partir dos Vocabulários Ortográficos Nacionais (VON), só faria sentido, se fossem elaborados de forma ampla e multissectorial. Mas como isto leva algum tempo, não está a ser feito na grande maioria dos países.

Em 30 de Março de 2012, em Luanda, a VII reunião dos Ministros da Educação da CPLP reconheceu que “a aplicação do AO de 1990 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos” e decidiu proceder a “um diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do AO de 1990” e sugeriu “acções conducentes à apresentação de uma proposta de ajustamento do AO de 1990, na sequência da apresentação do referido diagnóstico.” A VIII Reunião dos Ministros da Cultura da CPLP, realizada, também em Luanda, nos dia 2 e 3 de Abril de 2012, decidiu “apoiar a Declaração Final da VII Reunião dos Ministros da Educação da CPLP sobre o Acordo Ortográfico”.

A 17 de Abril de 2014, a VIII Reunião dos Ministros da Educação, realizada em Maputo, decidiu “instar o Conselho Científico do IILP, através do Secretariado Executivo da CPLP, a incluir na agenda da sua próxima reunião os seguintes pontos, para análise e pronunciamento: “Parecer oficial sobre o Acordo Ortográfico de 1990, apresentado por Angola; Diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1990; Acções conducentes a apresentação de propostas de ajustamento do Acordo Ortográfico de 1990, na sequência da apresentação do referido diagnóstico”.

Os sócios do PEN Clube Português, reunidos em Assembleia Geral no dia 18 de Março de 2013, “defendem a necessidade de suspensão imediata da aplicação do AO, a fim de que possa ser retomada uma discussão pública séria sobre um assunto que não pertence ao foro político nem económico mas linguístico e cultural; consideram que, tal como os autores dos pareceres qualificados sobre o Acordo, que em 2008 foram completamente ignorados e cuja opinião deve ser tomada em consideração, também os escritores, que trabalham com a matéria-prima da língua e que na sua grande maioria sofrem com os resultados da amputação das raízes em muitas palavras, tornando estas irreconhecíveis, têm que ser ouvidos, quer individualmente, quer através das organizações que integram, como a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o PEN Clube Português e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)”.

No portal do Senado Brasileiro, foi, no dia 1 de Outubro de 2013, dada a conhecer a constituição de um Grupo de Trabalho com a seguinte informação: “O grupo terá a participação dos professores Ernâni Pimentel e Pasquale Cipro Neto”. O AO90 colhe reservas no Senado, existindo o desejo expresso de pôr em questão o AO90, e a missão deste Grupo “é contribuir para que o país tenha uma proposta para simplificar e aperfeiçoar o acordo. A ideia é fazer com que o grupo trabalhe com especialistas de outros países de língua portuguesa.”

Pelos vistos, mesmo a nível oficial, há posições muito divergentes, quer em Portugal como no Brasil. Os Ministérios da Educação e da Cultura pronunciam-se de um forma e os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores influenciam os seus subordinados mais directos de outra forma. Mas, não há nada pior do que ter um Acordo aprovado por decreto e não por consenso. Ou melhor, nada pior que um Acordo político para as questões de uma língua que é património comum da humanidade. Fugir para a frente parece ser o melhor caminho para salvar as editoras brasileiras e portuguesas, que se anteciparam antes do tempo e agora dizem que os constrangimentos são de pouca monta. Quem terá feito esse diagnóstico?

Os PALOP, cujo parque editorial depende das importações dos países que já admitem que o texto do Acordo é fraco e que há erros e aporias, só teriam a ganhar com a revisão do AO90, pois quando se adere ao que, à partida, está mal, corremos o risco de termos de mudar tudo outra vez daqui a uns anos e são sempre os mesmos a vender e os mesmos a importar, de acordo com o ambiente económico de conveniência.

Será que a nós nos interessa, do ponto de vista patrimonial, a glotofagia da Língua Portuguesa, no momento em que já conhecemos a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos?

[Transcrição integral de artigo publicado no "Jornal de Angola" em 27.08.14.

A VERDADE CHOCANTE DO MH17 ABATIDO NA UCRÂNIA ANALISADA COMPLETAMENTE PELO CORBERTT REPORT

A VERDADE CHOCANTE DO MH17 ABATIDO NA UCRÂNIA ANALISADA COMPLETAMENTE PELO CORBERTT REPORT




O caso do avião MH17 das linhas aéreas da Malásia está ainda envolvido em mistérios e informações que foram entretanto classificadas como confidenciais, mas sobretudo existe uma enorme desinformação feita pela média ocidental e pelo governo dos EUA e NATO que acusou os russos de terem sido os responsáveis pelo abate do avião. Conheça muita da verdade neste vídeo exposta aqui pelo Cobertt Report.



Voo MH-17 enquanto voava sobre a Polónia, de Amesterdão a Kuala Lumpur, a12 de Abril de 2012


Havia um avião das forças aéreas ucranianas, um SU-25 à mesma altitude e na mesma zona e ao mesmo tempo que o MH17


Buracos de balas duma rajada de metralhadora no cockpit do MH17
O MH17 mudou a sua rota para uma zona de guerra, porquê ?

Caixas negras do MH17

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

A DESTRUIÇÃO DA LÍBIA É UM AVISO PARA O EGIPTO, SÍRIA E UCRÂNIA

A DESTRUIÇÃO DA LÍBIA É UM AVISO PARA O EGIPTO, SÍRIA E UCRÂNIA


EAU & Egipto supostamente por de atrás de ataques aéreos à Líbia: "Há um motivo político"


Na Líbia, a NATO efectivamente desorganizou e destruiu uma nação inteira. A acção da NATO na Líbia reduziu o país a pilhas de ruínas fumegantes, para que empresas ocidentais possam, não só pilhar os recursos nacionais, mas, também, usar o ‘modelo líbio’ com o padrão para futura acção extraterritorial na Síria, Egipto, Ucrânia e agora novamente no Iraque.


Por Tony Cartalucci, New Eastern Outlook (NEO)


“A Líbia está a considerar um deslocamento de forças internacionais para restabelecer a segurança, agora que a violência recomeçou em Tripoli, e dezenas de foguetes destruíram a quase toda a frota de aviação civil naquele aeroporto internacional.

‘O governo analisa a possibilidade de solicitar que forças internacionais sejam enviadas para actuar em solo, restabelecer a segurança, e ajudar o governo a impor a sua autoridade’ – disse um porta-voz do governo na Líbia, Ahmed Lamine, em declaração.”

 OS "PROXIES" DA NATO CANIBALIZAM-SE ENTRE SI

Milícia de Misrata toma e incendeia o aeroporto internacional de Trípoli, na Líbia

Em maio de 2014, a luta na cidade de Benghazi no leste da Líbia já deixara incontáveis mortos, muitos e muitos feridos e legiões de moradores obrigados a abandonar as próprias casas para não morrer, quando um “general renegado” fazia guerra contra “militantes islamistas” dentro da cidade. Num artigo intitulado “Famílias evacuam Benghazi, e general renegado ameaça com novos ataques“, a agência Reuters escreveu:

O auto-declarado Exército Nacional Líbio, liderado por um general renegado, disse a civis no sábado que abandonassem bairros de Benghazi antes de ele iniciar ali mais um ataque contra militantes islamistas, um dia depois de ali ter havido dezenas de mortos, nos mais violentos confrontos na cidade em meses.

O general renegado é Khalifa Haftar (às vezes também referido como “Hifter”), que morou durante anos nos EUA, nos arredores de Langley Virginia, ao que se crê sendo treinado pela CIA, até que retornou à Líbia em 2011 para comandar as forças de invasão da NATO. Num artigo de 2011, o Business Insider informava:  “O general Khalifa Hifter é o homem da CIA na Líbia?“:

"Desde que chegou aos EUA, no início dos anos 1990s, Hifter morou no subúrbio de Virginia, próximo de Washington, DC. Badr disse que nunca entendeu exactamente o que Hifter fazia para viver, e que a principal preocupação de Hifter sempre fora ajudar a sua grande família.

Quer dizer: trata-se de um ex-general de Kaddafi, que muda de lado e passa a trabalhar assumidamente para os EUA, instala-se na Virginia nos arredores de Washington, D.C. e consegue apoiar a própria grande família na Líbia, de modo que alguém que o conheceu ao longo de toda a vida diz que ‘nunca o entendeu exactamente ? Hmm.

É altíssima a probabilidade de que Hifter tenha sido comprado para trabalhar a favor dos EUA. Assim como figuras como Ahmed Chalabi foram ‘cultivadas’ para um Iraque pós-Saddam, Hifter pode perfeitamente ter desempenhado um papel semelhante como activo da inteligência dos EUA, à espera de um momento para agir na Líbia."

A ironia desse ‘arranjo’ é que muitos dos guerrelheiros sectários contra os quais Hafter está em luta em Benghazi são os mesmos guerrilheiros contra os quais Muammar Kaddafi se opôs ao longo de décadas como líder da Líbia; e são os mesmos guerrilheiros que a NATO armou e organizou, com Hafter, para induzir a queda de Kaddafi em 2011.

Sobre sua própria guerra em Benghazi,  Hafter disse que ela continuará “até que não reste nenhum terrorista em Benghazi”; e que “começamos essa batalha, que prosseguirá até alcançarmos os nossos objectivos. A rua e o povo líbio estão do nosso lado.” Os sentimentos de Hafter fazem perfeito eco ao que dizia Muammar Kaddafi em 2011. De diferente, só, que a imprensa ocidental negou, ao longo de décadas, que houvesse qualquer terrorista em Benghazi; e sempre apresentou as operações de Kaddafi em Trípoli como “massacre” de “pacíficos manifestantes pró-democracia.”

 A NATO DESTRUIU A LÍBIA

 


As mesmas atrocidades que a NATO listou, de início, como ‘causa’ para a sua “intervenção humanitária” na Líbia, imediatamente passaram a aparecer como práticas da própria NATO e das forças que a NATO ou mantém. Cidades inteiras foram cercadas levadas à fome, e bombardeadas por ar até capitularem. Em outras cidades, populações inteiras foram, ou exterminadas ou evacuadas ou em alguns casos, ‘empurradas’ para fora das fronteiras líbias. A cidade de Tawarga, onde viviam cerca de 10 mil líbios, foi totalmente destruída, a ponto de o London Telegraph referir-se a ela hoje como “cidade fantasma”.

Desde a queda de Tripoli, Sirte, e de outras cidades líbias que resistiram à invasão dos proxies da NATO, pouco sobrou em termos de estabilidade básica, muito menos da prometida "revolução democrática" da NATO e dos seus colaboradores que voltaram para a Líbia. O governo em Tripoli continua num caos, as forças de segurança divididos entre si, e agora um "rogue" agente da CIA está a realizar uma operação militar em larga escala contra Benghazi, incluindo o uso de aeronaves militares, aparentemente sem a aprovação de Trípoli.

Anos depois da conclusão da dita ‘revolução’, a Líbia continua sua trajectória forçada na direcção do mais completo atraso. As grandes realizações do governo de Muammar Kaddafi já foram desmontadas há muito tempo e é pouco provável que venham a ser restauradas, e muito menos resolvidas num em futuro previsível. A NATO efectivamente desorganizou e destruiu uma nação inteira, deixando-a não só a arder enquanto as corporações ocidentais saqueiam os seus recursos, mas também para ser usada como um modelo para futuras aventuras extra-territoriais na Síria, Egipto, Ucrânia, e agora o Iraque.

O MODELO LÍBIO: EGIPTO, SÍRIA, UCRÂNIA CUIDADO



Tal como foi feito na Líbia, também se tentou fazer ‘revoluções’ semelhantes no Egipto, na Síria e na Ucrânia. As mesmas narrativas, palavra a palavra, inventadas nos think-tanks políticos; nas redações da imprensa; e nas ‘análises’ dos especialistas acadêmicos ocidentais, para a Líbia, estão sendo agora reutilizadas para o Egipto, Síria e Ucrânia. As mesmas organizações não-governamentais (ONGs) estão a ser usadas como meio para fazer chegar dinheiro, equipamento e outras modalidades de apoio aos grupos de oposição, em cada um desses países. Termos como “democracia”, “progresso”, “liberdade” e luta contra a "ditadura” são frequentes. Não houve protestos que não tenha sido acompanhados por guerrilheiros armados e sempre, apoiados pelo Ocidente.

Na Síria, os protestos foram instrumentalizados e vendidos como acção de “combatentes da liberdade”. Os media ocidentais consomem agora muito do seu tempo, spinning and justifying why NATO and its regional partners are funding and arming sectarian militants inclusive a Al Qaeda, para que tentem derrubar o governo sírio.

No Egito, ainda há alguma ambiguidade, tal como houve também em 2011 no caso da Síria, sobre quem realmente são os manifestantes, o que realmente querem e de que lado do conflito cada vez mais violento estão ‘as simpatias’ do ocidente. Mas numa análise atenta mostra que, assim como a Irmandade Muçulmana foi usada na Síria para montar o cenário para a guerra devastadora que se seguiu, a Irmandade Muçulmana no Egipto também está a ser usada, praticamente do mesmo modo, contra o Cairo.

Finalmente, na Ucrânia, os manifestantes apresentados no ocidente como “pró-democracia”, “pró-União Europeia”, “Euromaidan” já foram revelados como neo-nazistas ultras da direita e nacionalistas, conhecidos por recorrer regularmente à violência e à intimidação política. Exactamente como se viu na Síria em 2011 e no Egipto agora, confrontos armados de baixa intensidade em direcção ao que pode acabar como uma guerra por procuração entre a NATO e a Rússia na Europa Oriental.

Mas para estas três nações, e os participantes de todos os lados, o estado actual da Líbia deve ser examinados. Essas "revoluções" têm apenas uma conclusão lógica e previsível - o saque, divisão e destruição de cada respectivo país, antes de serem embrulhados na crescente ordem supranacional de Wall Street e Londres a ser explorado indefinidamente tanto pelos EUA, Reino Unido e UE como já o são hoje. Para os que quiserem saber o que será do Egipto, Síria e Ucrânia bastará olhar para o caso de sucesso da NATO na Líbia. E para aqueles que apoiaram a "revolução" na Líbia, devem-se perguntar se estão satisfeitos com o seu resultado final. Será que eles desejam este resultado para o Egito, Síria e Ucrânia também? Será que eles imaginam que os planos da NATO para cada um destes países vai acabar de forma diferente? Por quê?


sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

SITUAÇÃO E ESTATÍSTICAS DO CONFLITO UCRANIANO

SITUAÇÃO E ESTATÍSTICAS DO CONFLITO UCRANIANO



Fonte: ria.ru

A ESTRATÉGIA RUSSA FACE AO IMPERIALISMO ANGLO-SAXÓNICO

A ESTRATÉGIA RUSSA FACE AO IMPERIALISMO ANGLO-SAXÓNICO

A Organização de cooperação de Xangai representará, a partir do seu provável alargamento em Setembro de 2014, 40% da população mundial


O ataque dos Anglo-Saxões contra a Rússia toma a forma de uma guerra financeira e económica. Entretanto, Moscovo prepara-se para as hostilidades armadas desenvolvendo a auto-suficiência da sua agricultura e multiplicando as suas alianças para o efeito. Para Thierry Meyssan, após a criação do califado do Levante, Washington deverá jogar uma nova cartada, em Setembro, em São Petersburgo. A capacidade da Rússia em preservar a sua estabilidade interna determinará, então, a sequência dos acontecimentos.


Por Thierry Meyssan - Rede Voltaire


A ofensiva conduzida pelos Anglos-Saxões (Estados-Unidos, Reino Unido e Israel) para dominar o mundo prossegue sobre dois eixos simultâneos: quer, por um lado, a criação do «Médio-Oriente alargado» (Greater Middle East), atacando simultaneamente o Iraque, a Síria, o Líbano e a Palestina, como, por outro, o afastamento da Rússia da União Europeia, através da crise que eles montaram na Ucrânia.

Nesta corrida de velocidade, parece que Washington quer impôr o dólar como moeda única no mercado do gaz, a fonte de energia do XXIo século, do mesmo modo que a impuseram sobre o mercado do petróleo [1].

Os média (mídia-Br) ocidentais quase que não cobrem a guerra do Donbass, e a sua população ignora a amplitude dos combates, a presença dos militares US, o número das vítimas civis, a vaga dos refugiados. Os média ocidentais focam pelo contrário, com detalhe, os acontecimentos no Magrebe e no Levante, mas apresentando-os seja como resultantes de uma pretensa «primavera árabe» (quer dizer, na prática, de uma tomada de poder pelos Irmãos muçulmanos), seja como o efeito destrutivo de uma civilização violenta em si mesma. Mais do que nunca, seria necessário vir em socorro de árabes incapazes de viver, pacificamente, na ausência de colonos ocidentais.

A Rússia é actualmente a principal potência capaz de conduzir a Resistência ao imperialismo anglo-saxónico. Ela dispõe de três ferramentas: os BRICS, uma aliança de rivais económicos que sabem não poder crescer senão uns com outros, a Organização de cooperação de Xangai, uma aliança estratégica com a China para estabilizar a Ásia central, e por fim a Organização do Tratado de segurança colectiva (OTSC-ndT), uma aliança militar dos antigos Estados soviéticos.


BRICS : Dilma Rousseff (Brasil), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia), Xi Jinping (China) e Jacob Zuma (África do Sul)


Na cimeira de Fortaleza (Brasil), que se desenrolou de 14 a 16 de julho, os BRICS deram o passo em frente anunciando a criação de um Fundo de reserva monetária (principalmente chinês) e de um Banco BRICS, como alternativas ao Fundo monetário internacional e ao Banco mundial, portanto ao sistema-dólar [2].

Antes mesmo deste anúncio, já os Anglo-Saxões haviam posto em acção a sua resposta: a transformação da rede terrorista Al-Qaida num califado, afim de preparar os conflitos entre todas as populações muçulmanas da Rússia e da China [3]. Eles prosseguiram a sua ofensiva na Síria e transbordaram-na quer para o Iraque, quer depois para o Líbano. Falharam, por outro lado, no expulsar de uma parte dos Palestinianos para o Egipto e a desestabilizar mais profundamente ainda a região. Por fim, eles mantiveram-se afastados do Irão(Irã-Br), para dar ao presidente Hassan Rohani a chance de enfraquecer a corrente anti-imperialista dos khomeinistas.

Dois dias após o anúncio dos BRICS, os Estados Unidos acusaram a Rússia de ter destruído o vôo MH17 da Malaysia Airlines por cima do Donbass, matando 298 pessoas. Sobre esta base, puramente arbitrária, impuseram aos Europeus a entrada em guerra económica contra a Rússia. Assumindo-se como um tribunal o Conselho da União europeia julgou e condenou a Rússia, sem a menor prova e sem lhe dar a oportunidade de se defender. Ele promulgou «sanções» contra o seu sistema financeiro.

Consciente que os dirigentes europeus não trabalham pelos interesses dos seus povos, mas sim pelos dos Anglo-Saxões, a Rússia mordeu o seu freio e interditou-se, até à data, de entrar em guerra na Ucrânia. Ela apoia com armas e com informação os insurgentes, e acolhe mais de 500. 000 refugiados, mas, abstêm-se de enviar tropas e de entrar na engrenagem. É provável que ela não intervenha antes que a grande maioria dos Ucranianos se revolte contra o presidente Petro Porochenko, mesmo que isso signifique não entrar no país senão após a queda da República popular de Donetsk.

Face à guerra económica, Moscovo escolheu responder por medidas similares, mas envolvendo a agricultura e não as finanças. Dois considerandos guiaram esta escolha: primeiro, a curto prazo, os outros BRICS podem mitigar as consequências das pretensas «sanções»; por outro lado, a médio e longo prazo, a Rússia prepara-se para a guerra e entende reconstituir completamente a sua agricultura, para poder viver em auto-suficiência.

Por outro lado, os Anglo-Saxões previram paralisar a Rússia pelo interior. Primeiro activando para tal, via Emirado islâmico (EI), grupos terroristas no seio da sua população muçulmana, depois organizando também uma contestação mediática aquando das eleições municipais de 14 de setembro. Consideráveis somas de dinheiro foram fornecidas a todos os candidatos da oposição, numa trintena de grandes cidades envolvidas, enquanto pelo menos 50. 000 agitadores ucranianos, misturados com os refugiados, estão em vias de se reagrupar em São Petersburgo. A maior parte de entre eles têm a dupla nacionalidade russa. Trata-se, com toda a evidência, de reproduzir na província as manifestações que em Moscovo (Moscou-Br) se seguiram ás eleições de dezembro de 2011 —a violência sobretudo—; e de mergulhar o país num processo de revolução colorida ao qual uma parte dos funcionários e da classe dirigente é favorável.

Para o realizar Washington nomeou um novo embaixador na Rússia, John Tefft, que já preparara a «revolução das rosas» na Geórgia e o golpe de Estado na Ucrânia.

Será importante para o presidente Vladimir Putin poder confiar no seu Primeiro- ministro, Dmitri Medvedev, que Washington esperava recrutar para o derrubar.

Considerando a iminência do perigo, Moscovo teria conseguido convencer Pequim a aceitar a adesão da Índia contra a do Irão (mais, também, as do Paquistão e da Mongólia) à Organização de cooperação de Xangai (OCS em inglês-ndT). A decisão deveria ser tornada pública aquando da cimeira prevista para Duchambe (Tajiquistão) entre 12 e 13 de setembro. Ela deveria pôr um fim ao conflito que opõe, desde há séculos, a Índia e a China, e envolvê-los numa cooperação militar. Esta reviravolta, se se confirmar, terminaria igualmente com a lua de mel entre Nova Deli e Washington, que esperava afastar a Índia da Rússia dando-lhe acesso, por tal, nomeadamente a tecnologias nucleares. A adesão de Nova Deli é também uma aposta acerca da sinceridade do seu novo Primeiro-ministro, Narendra Modi, quando pesa sobre ele a suspeita de ter encorajado violências anti-muçulmanas, em 2002, em Gujarate, do qual era ministro-chefe.

Por outro lado a adesão do Irão, que constitui um desafio para Washington, deverá trazer ao OCS um conhecimento preciso dos movimentos jihadistas e das maneiras de combatê-los. Mais uma vez, se confirmada, tal reduziria a disposição iraniana para negociar uma trégua com o «Grande Satã», que a levou a eleger o Xeque Hassan Rohani para a presidência. Isto seria uma aposta quanto à autoridade do líder supremo da Revolução Islâmica, o aiatola Ali Khamenei.

De facto, estas adesões marcariam o início da viragem do mundo do Ocidente para o Oriente [4]. Ainda assim, esta evolução deverá ser protegida militarmente. É o papel da Organização do Tratado de Segurança Coletiva(OTSC), formado em volta da Rússia, mas do qual a China não faz parte. Ao contrário da Otan, esta organização é uma aliança clássica, compatível com a Carta das Nações Unidas, uma vez que cada membro conserva a opção de sair dela, se o desejar. É, pois, apoiando-se nessa liberdade que Washington tem tentado, no decurso dos últimos meses, comprar alguns membros, nomeadamente a Arménia. No entanto, a situação caótica na Ucrânia parece ter arrefecido aqueles que nela sonhavam com uma «proteção» norte- americana.

A tensão deverá pois subir nas próximas semanas.


[1] « Qu’ont en commun les guerres en Ukraine, à Gaza, en Syrie et en Libye ? »(Fr-«Que teêm em comum as guerras na Ucrânia, Gaza, Síria e na Líbia?»- ndT) , por Alfredo Jalife-Rahme, Traduction Arnaud Bréart, La Jornada (México), Réseau Voltaire, 7 août 2014.

[2] “Cúpula do Brics: Sementes de uma nova arquitetura financiera”, Ariel Noyola Rodríguez, Rede Voltaire, 3 de Julho de 2014. “Sixth BRICS Summit : Fortaleza Declaration and Action Plan” (Ing-«Sexta Cimeira do BRICS: Declaraçãode Fortaleza e Plano de Acção»-ndT), Voltaire Network, 16 July 2014.

[3] «Un djihad mondial contre les BRICS ?» (Fr-«Uma jihade mundial contra os BRICS?»-ndT), por Alfredo Jalife-Rahme, Traduction Arnaud Bréart, La Jornada (México), Réseau Voltaire, 18 juillet 2014.

[4] “Russia and China in the Balance of the Middle East : Syria and other countries” (Ing-« Rússia e China no Balanço do Oriente Médio: Síria e outros países»-ndT), por Imad Fawzi Shueibi, Voltaire Network, 27 Janeiro de 2012.




Thierry Meyssan Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).


quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

ENCOBRIMENTO ? PORQUE OS MÉDIA E A ADMINISTRAÇÃO OBAMA FICARAM SILENCIOSOS ACERCA DO MH17 ?

ENCOBRIMENTO ? PORQUE OS MÉDIA E A ADMINISTRAÇÃO OBAMA FICARAM SILENCIOSOS ACERCA DO MH17 ?




Por Niles Williamson

Ucrânia - O silêncio ensurdecedor dos media e do governo dos EUA acerca da investigação do derrube do MH17 da Malaysian Airlines, há um mês, tresanda a encobrimento.

Nas horas e dias que se seguiram ao crash, sem uma única sombra de evidência, responsáveis dos EUA alegaram que o jacto de passageiros fora derrubado por um míssil terra-ar SA-22 disparado do território mantido por separatistas pró russo no Leste da Ucrânia. Eles lançaram uma campanha política a fim de obter duras sanções económicas contra a Rússia e fortalecer a posição militar da NATO na Europa do Leste.

Capa da 'Der Spiegel', 28/Julho/14. Apanhando a pista, os cães de ataque da CIA nos media estado-unidenses e europeus acusaram sem rodeios o presidente russo Vladimir Putin pelo crash. A capa da edição de 28 de Julho da revista alemã Der Spiegel mostrava as imagens das vítimas do MH17 circundando grossas letras vermelhas com o texto "Stoppt Putin Jetzt!" (Travem Putin agora!). Um editorial de 26 de Julho de The Economist declarava Putin como autor da destruição do MH17, enquanto a capa da revista morbidamente sobrepunha a cara de Putin a uma teia de aranha, denunciando a "teia de mentiras" de Putin.

Alguém que comparasse a demonização de Putin pelos media com o tratamento que deram a Saddam Hussein ou Muammar Gadafi tem de concluir que Washington estava a lançar uma campanha pela mudança de regime na Rússia tal como aquelas que executaram na Líbia e no Iraque – desta vez, loucamente, empurrando os Estados Unidos rumo à guerra com uma potência nuclear armada, a Rússia.

Contudo, depois de terem transformado o crash num casus belli contra a Rússia, os media dos EUA subitamente deixaram completamente de falar no assunto. O New York Times não considerou apropriado imprimir nem uma palavra sobre o crash do MH17 desde 7 de Agosto.

Não há qualquer explicação inocente para o súbito desaparecimento do MH17 dos media e da atenção política. A caixa negra do avião esteve durante semanas na Grã-Bretanha para exames e os satélites e radares militares estado-unidenses e russos estiveram a esquadrinhar intensamente o Leste da Ucrânia no momento do crash. A afirmação de que Washington não tem conhecimento pormenorizado das circunstâncias do crash e das várias forças envolvidas não é crível.

Se a evidência que está nas mãos de Washington incriminasse a Rússia e as forças apoiadas pela Rússia, ela teria sido divulgada para alimentar o furor dos media contra Putin. Se não foi divulgada, isto é porque a evidência aponta para o envolvimento do regime ucraniano de Kiev e dos seus apoiantes em Washington e nas capitais europeias.

Desde o princípio, a administração Obama nunca apresentou evidência para apoiar as acusações incendiárias de que Putin fora responsável pelo crash do MH17. No seu comunicado à imprensa de 18 de Julho, no dia seguinte ao crash, o presidente Obama declarou que ainda era "demasiado cedo para sermos capazes de imaginar que intenções tiveram aqueles que podem ter lançado este míssil superfície-ar".

Apesar de cinicamente explorar o crash para pressionar e ameaçar a Rússia, Obama advertia que "provavelmente haverá desinformação" na cobertura do crash. Num reconhecimento indirecto de que não tinha provas para apoiar suas afirmações, ele disse: "Em termos de identificação específica de que indivíduos ou grupo de indivíduos ou pessoal ordenaram o ataque, como aquilo aconteceu, são coisas que penso estarem ainda sujeitas a informação adicional que estamos a reunir".

Neste evento, a desinformação sobre o crash do MH18 veio da própria administração Obama. O secretário de Estado John Kerry prosseguiu em 20 de Julho num ataque nos media, argumentando que os separatistas pró russos e o governo russo eram responsáveis pelo derrube.

A única evidência que ele apresentou foram uns poucos dúbios "registos nos media sociais" postados na Internet. Ele apresentou registos áudio não autenticados de separatistas a falaram de um crash de avião, áudio editado e divulgado pela agência de inteligência SBU da Ucrânia, a qual trabalha estreitamente com a CIA; vídeo clips do YouTub a mostrar um camião a transportar equipamento militar não identificado ao longo de uma estrada; e uma desmentida declaração em media social a afirmar que a responsabilidade do derrube do avião atribuía-se ao líder separatista Igor Strelkov.

Muito rapidamente, a narrativa do governo dos EUA sobre o MH17 começou a entrar em colapso. Num comunicado de imprensa de 21 de Julho, a porta-voz do Departamento de Estado e antiga analista da CIA para o Médio Oriente, Marie Harf, declarou que as conclusões da administração Obama quanto ao derrube do avião foram "baseadas em informação aberta a qual é basicamente de senso comum". Desafiada por repórteres a proporcionar evidência, ela admitiu que não podia: "Sei que é frustrante. Acreditem-me, tentámos obter tanto quanto era possível. E por alguma razão, por vezes não podemos".

Depois de um mês, durante o qual Washington fracassou em apresentar evidência para apoiar suas acusações contra Putin, está claro que a ofensiva política dos governos NATO e a histeria dos media contra Putin eram baseadas em mentiras.

Se separatistas pró russos dispararam um míssil solo-ar, como afirma o governo dos EUA, a Força Aérea teria imagens na sua posse confirmando isso sem sombra de dúvida. O Defense Support Program da US Air Force utiliza satélites com sensores infra-vermelhos para detectar lançamentos de mísseis em qualquer lugar sobre o planeta e os postos de radar estado-unidenses na Europa teriam rastreado o míssil quando ele atravessava o céu. Estes dados de satélite e radar não foram divulgados, porque seja o que for que mostrem não se ajusta à narrativa cozinhada pelo governo dos EUA e os media.

O que aflorou, ao invés, foi uma série de evidências a apontarem para o papel do regime de Kiev apoiado pelos EUA no derrube do MH17. No dia seguinte ao de Kerry ter feito suas observações, os militares russos apresentaram dados de radar e de satélite indicando que um caça a jacto SU-25 ucraniano estava na vizinhança imediata e ascendia em direcção ao MH17 quando ele foi derrubado. A afirmação não foi corrigido e muito menos refutada pelo governo americano.

O denunciante da NSA William Binney e outros agentes aposentados da inteligência americana emitiram uma declaração no fim de Julho pondo em causa os dados dos media sociais apresentados por Kerry e pedindo a publicação de imagens de satélite do lançamento do míssil. Eles acrescentaram: "Estamos a ouvir indirectamente de alguns dos nossos antigos colegas que o que o secretário Kerry está a apregoar não se enquadra com a inteligência real".

Em 9 de Agosto, o New Straits Times, da Malásia, publicou um artigo acusando o regime de Kiev pelo derrube do MH17. Declarava que a evidência do sítio do crash indicava que o avião fora derrubado por um caça ucraniano com um míssil seguido por fogo pesado de metralhadora.

Se bem que seja demasiado cedo para dizer conclusivamente como o MH17 foi derrubado, a preponderâncias das evidências aponta directamente para o regime ucraniano e, para além dele, o governo americano e as potências europeias. Eles criaram as condições para a destruição do MH17, apoiando o golpe dirigido por fascistas em Kiev no mês de Fevereiro que levou ao poder o actual regime pró ocidental. Os media ocidentais portanto apoiaram a guerra do regime de Kiev no Leste da Ucrânia para eliminar a oposição ao putsh, transformando a região na zona de guerra em que foi abatido o MH17.

Após o assassínio das 298 pessoas a bordo do MH17, no qual desempenharam um papel importante ainda que por explicar, os governos e as agências de inteligência ocidentais aproveitaram a tragédia numa manobra precipitada e sinistra para escalar ameaças de guerra contra o regime Putin. O silêncio indica consentimento e o silêncio ensurdecedor dos media ocidentais sobre a questão do envolvimento de Kiev no crash do MH17 atesta a criminalização não só da política externa do establishment como também dos seus lacaios dos media e de toda a classe dominante.

O original encontra-se em www.globalresearch.ca
Este artigo encontra-se também em http://resistir.info

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