REPUBLICA DIGITAL

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

A GUERRA CONTRA A SÍRIA ALASTRA PARA PAÍSES VIZINHOS: LÍBANO ENFRENTA GRAVE PERIGO

A GUERRA CONTRA A SÍRIA ALASTRA PARA PAÍSES VIZINHOS: LÍBANO ENFRENTA GRAVE PERIGO 


Fotos(em baixo): Síria antes, no governo de Assad, e depois, após a intervenção dos EUA e dos seus cúmplices.

Há 18 meses, o presidente Assad da Síria avisou que a guerra contra a Síria inflamaria também países vizinhos: “Estamos cercados por países que ajudam terroristas e permitem que entrem na Síria” – disse ele ao Ulusal Kanal, da televisão síria. “Todos sabem que, se os tumultos na Síria chegarem a ponto de partir o país, ou se forças terroristas vierem a controlar a Síria (...) nesse caso tudo imediatamente respingará sobre países vizinhos e haverá um efeito dominó que atingirá países por todo o Médio Oriente.”


Desde então, o Estado Islâmico (também chamado ISIS e ISIL) já tomou não só o leste da Síria, mas também a província de Anbar no Iraque, onde se prepara para um ataque ao Aeroporto Internacional de Bagdad e ao governo do Iraque na “Zona Verde” de Bagdad.

Em cooperação com a Turquia, o Estado Islâmico sitiou o enclave curdo independente de Kobane no nordeste da Síria. A cidade provavelmente cairá, como o governo turco deseja. O bloqueio turco, que impede que cheguem reforços e suprimentos à resistência, inflama a população de 15 milhões de curdos que vivem na Turquia. A queda de Kobane pode levar ao fim do processo de paz entre turcos e curdos e a uma renovada guerra civil no sudeste da Turquia. Vivem na Turquia muitos refugiados sírios, e o país é um centro logístico do Estado Islâmico. O pessoal da segurança turca já está sob a influência do Estado Islâmico: Há sinais de um revide anti-curdos e pró-islamistas, com a polícia turca a gritar slogans do ISIL quando ataca manifestantes curdos.

As forças de segurança turcas também reviveram o Hizbullah Curdo, que absolutamente nada tem a ver com o Hizbullah xiita no Líbano. A versão turco/curda foi secretamente criada pelos serviços de segurança turcos e é uma coleção de curdos sunitas radicais que querem implementar um Estado Islâmico e que foram usados como esquadrões da morte contra grupos seculares curdos pró independência. Nos últimos dias, esses grupos do Hizbullah revividos, com apoio tácito das forças de segurança, atacaram manifestações pró-curdos organizadas pelo PKK curdo, mais secularista e dominante, e organizações a ele associadas. Ao longo da semana passada, cerca de 30 pessoas foram mortas em várias manifestações contra o apoio da Turquia ao Estado Islâmico. O número de mortos nos primeiros tumultos longamente planeados contra Assad em 2011 é semelhante a esse.

A Jordânia, a sul da Síria, é um centro importante de actividades anti-Assad. A CIA está dando andamento a grandes programas de treino na Jordânia, onde refugiados do sul da Síria são treinados para lutar contra o governo sírio. Tão logo esses grupos de “rebeldes moderados” são mandados através da fronteira para lutar contra o exército sírio, muitos deles inevitavelmente desertam para o Estado Islâmico ou para a Frente al-Nusra, afiliada da al-Qaeda. Levam com eles as armas que recebem da CIA e dos estados do Golfo que os apoiam. O sistema chinês FN-6 portátil de defesa aérea fornecido pelo Qatar aos tais “rebeldes moderados”, foi usado recentemente pelo Estado Islâmico, para derrubar pelo menos três helicópteros do exército iraquiano. Por mais que a Jordânia tenha isolado os refugiados sírios em campos no deserto, partes da população jordana têm também simpatia pelo Estado Islâmico. A Jordânia agora fechou as fronteiras para todos os refugiados, para isolar-se ainda mais contra a infiltração do Estado Islâmico. É possível que demore um pouco mais, para que a grande onda chegue às suas principais cidades.
Da Jordânia, “rebeldes moderados” e islamistas da Frente al-Nusra avançaram na direcção noroeste, ao longo da zona de demarcação dos Montes Golan com Israel, contra forças do governo sírio e rumo ao sul do Líbano. Esses grupos são protegidos contra contra-ataques sírios pela artilharia de Israel e recebem parte do apoio com que contam, inclusive serviços médicos, directamente do lado israelita. A sua tarefa é infiltrar-se por áreas habitadas pelos drusos próximas das Quintas de Sheba rumo ao sul do Líbano e atacar posições do Hizhullah libanês que hoje protegem o Líbano contra ataque dos israelitas. Israel também provoca continuamente aquelas posições, por reconhecimento pela força. O Hizbullah reconheceu recentemente que tem respondido àquelas provocações, demonstrando assim que as suas capacidades não foram reduzidas, apesar de estarem comprometidos também noutras áreas. Outros grupos de “rebeldes moderados” que apoiam a Frente al-Nusra andaram para o norte a partir da Jordânia e tomaram a importante montanha síria de Tar Harrah, entre os Montes Golan e Damasco. Algumas forças do exército sírio estão agora apertadas entre os insurgentes nos Montes Golan e os que estão em torno de Tal Harrah. Esses dois bandos de “rebeldes moderados” avançaram graças ao emprego massivo de mísseis anti-tanques TOW fornecidos pelos EUA.

Essas forças no sudeste da Síria não são o único perigo no Líbano. Na fronteira leste, milhares de combatentes da Frente al Nusra, aqui em cooperação directa com os combatentes do Estado Islâmico, ocupam a faixa de 80km de comprimento por 10 de largura, de norte para o sul nas montanhas Qalamoun libanesas. O exército sírio e forças do Hizbullah libanês atacaram aquelas forças durante o verão. Mas o terreno é muito difícil, com cavernas e vales muito estreitos é uma zona ideal para a defensiva, e o progresso tem sido lento.

Os islamistas nas montanhas obtêm apoio e reforços através dos campos de refugiados sírios no leste do Líbano, como na cidade libanesa de Arsal. As Forças Armadas Libanesas, com o apoio do Hizbullah, tentaram afastar os guerrilheiros para fora dessas cidades, mas, com o inverno que se aproxima espera-se que mais guerrilheiros cheguem lá, e se infiltrem directamente no próprio Líbano. Sunitas libaneses nativos, especialmente na cidade de Tripoli, no norte, também se radicalizaram. Nos últimos dias houve vários ataques contra postos do exército libanês, em Tripoli e noutros pontos. Também têm havido ataques massivos contra pontos de controle, isolados, do Hizbullah, em várias áreas do leste do Líbano. Apesar do inverno que está a chegar, no Líbano o calor aumenta de modo preocupante.

Tripoli e alguns pontos importantes no leste do Líbano têm forte e aberta presença de combatentes islâmicos. Também estão presentes noutras áreas, mas menos abertamente. Só nos subúrbios de Beirute, cerca de 30 mil combatentes sunitas refugiados da Síria em idade para combater ocupam campos de barracas, onde combatentes da Frente al-Nusra e do Estado Islâmico recrutam novos soldados, que usam para infiltrar-se ainda mais no Líbano.

As Forças Armadas Libanesas (FAL) estão sob controle do governo de unidade, mas, como a facção sunita daquele governo não quer atacar outros sunitas, as FAL estão a ser impedidas de ter qualquer acção mais forte contra as actividades dos sunitas radicais. Elementos das FAL também têm simpatias pelos combatentes do Estado Islâmico, e há notícias de soldados individuais das FAL que apoiam directamente as suas actividades.
Um ataque coordenado de forças radicais islamistas vindas pelo sul, com o apoio de Israel, das montanhas no leste e de dentro de cidades libanesas, pode surpreender as FAL e até o Hizbullah. Esse tipo de grande ataque poderia ser coordenado num cenário maior com um ataque contra Bagdad e outros pontos dentro da Síria e possivelmente também na Turquia. Ataques desse tipo superariam não só as forças dos respectivos governos locais, mas também todas as capacidades internacionais de resposta.

O presidente Assad previu que os ataques contra a Síria respingariam sobre países vizinhos. Essa extensão ocorreu no Iraque, e está actualmente a ocorrer na Turquia, e o Líbano aparece como um alvo frágil, que poderia ser tomado da noite para o dia. Só a Jordânia ainda parece de algum modo estável, por hora, mas, com combatentes do Estado Islâmico ali ao norte e leste do país, além de simpatizantes do Estado Islâmico dentro das cidades, é só uma questão de tempo, antes que a Jordânia também seja incendiada.

In Marcha Verde
Moon of Alabama – Tradução: Vila Vudu

sábado, 11 de Outubro de 2014

SERÁ QUE A RÚSSIA E A CHINA ESTÃO A ALTERAR A ORDEM MUNDIAL ?


SERÁ QUE A RÚSSIA E A CHINA ESTÃO A ALTERAR A ORDEM MUNDIAL ?

Os média americanos haviam declarado repetidas vezes que a aproximação de Moscovo e Pequim é pior que uma guerra fria para Washington. Conjugando os seus esforços, os dois países podem ultrapassar militarmente os EUA, não deixando para a América um lugar na Ásia.


Por Leonid Kovachich

A Rússia e a China pretendem rever a ordem mundial, formada nos últimos 70 anos, declarou o vice-ministro da Defesa dos EUA, Robert O´Work, ao intervir no Conselho Americano para as Relações Internacionais.



Nas suas palavras, a tarefa de Washington consiste em convencer-se de que Pequim e Moscovo não irão usar a força para garantir os seus interesses.

O vice-ministro da Defesa dos EUA está preocupado com o facto de os dois países reforçarem as suas posições ao lado das suas fronteiras – a Rússia no oeste e a China – em mares adjacentes. “Devemos dispensar atenção especial a essa circunstância. Temos de determinar ao nível estratégico como iremos trabalhar agora com duas potências regionais muito fortes”, assinalou O´Work.

“A Rússia e a China gostariam de alterar alguns aspectos da ordem mundial, formada após a guerra. Mas esses países devem reconhecer que os EUA podem responder com métodos militares à ameaça aoa seus aliados”, apontou o vice-ministro.

O que subentendia o funcionário americano referindo-se à alteração da ordem mundial? A América havia utilizado o seu domínio económico após a Segunda Guerra Mundial para reforçar a sua influência no mundo. Ao mesmo tempo, até finais dos anos 80, a situação no mundo esteve em equilíbrio graças a um outro sistema socio-político, a União Soviética, que se encontrava num estado de guerra fria com os Estados Unidos. Mas, em resultado da desintegração da URSS, a América livrou-se do seu único rival.

Sob a cobertura da garantia da segurança colectiva e da contraposição com métodos da força ao terrorismo, os EUA começaram a entrar em territórios de outros países, instaurando por lá regimes pró-americanos. Tais métodos, contudo, não sempre levaram aos fins marcados. Isso, em parte, explica a preocupação dos Estados Unidos, considera o vice-director do Instituto dos EUA e do Canadá, Pavel Zolotarev:

“Ainda em 2008, o então presidente da Ucrânia, Viktor Yuschenko, pretendia concretizar o programa da entrada do país na NATO. Os Estados Unidos tentavam também arrastar a Geórgia para a aliança militar com a ajuda de Mikheil Saakashvili. Destaque-se que os líderes ucranianos e georgianos coordenavam entre si esses esforços. Assim, grupos militares e meios de defesa antiaérea ucranianas foram instalados no território da Geórgia. Esta foi a primeira tentativa de alterar radicalmente a situação na região”.

A segunda tentativa havia sido preparada durante muitos anos, aponta o vice-director do Instituto dos EUA e do Canadá. Forças pró-americanas chegaram ao poder na Ucrânia através de um golpe de Estado. Previa-se que a Rússia teria o acesso limitado ao mar Negro e, afinal das contas, perderia a base naval na Crimeia.

Esta operação também fracassou. Em resultado de um referendo, a Crimeia anunciou a independência e posteriormente aderiu à Rússia. O malogro do cenário do afastamento da Rússia da Crimeia provocou uma onda de descontentamento no Ocidente. Pelos vistos, é nisso que se encerra a ameaça que a Rússia representa para os aliados dos EUA, da qual falou o vice-ministro da Defesa americano, Robert O´Work.

Mas qual é a culpa da China? Com o crescimento da sua potência económica, a China não quer mais ficar na sombra no palco de política externa. O país tenta alargar a sua influência na Ásia. Em parte, essa postura manifesta-se no facto de a China ter começado a declarar mais rigidamente os seus interesses em disputas territoriais, o que irrita muito os Estados Unidos, diz o dirigente do Centro de Segurança Internacional, Alexei Arbatov:

“A China, por exemplo, reclama direitos à ilha de Spratly, pretendendo monopolizar nesse território a extracção de hidrocarbonetos. Esse facto preocupa muito o Vietname, tal como Indonésia, Tailândia e Malásia. Os receios daqueles países não são em vão. Obama tentará conseguir que a China não crie ameaças para os aliados americanos mais próximos, como o Japão, Coreia do Sul, países do Sudeste Asiático”.

Na realidade, a América não quer simplesmente perder as suas esferas de influência, nas quais assenta a nova ordem mundial. Por isso, o crescimento da influência da China classifica-se como "ameaça a aliados" e a integração voluntária da Crimeia na Federação da Rússia considera-se como "anexamento".

O problema não consiste em que outros países alteram artificialmente a distribuição das forças que se formou há 70 anos. O mundo não é imóvel, aparecem novas potências capazes de competir económica e geopoliticamente com o antigo líder. Ao mesmo tempo, a possível aproximação de concorrentes é o aspecto mais desagradável para os Estados Unidos.

Assim, por exemplo, os média americanos haviam declarado repetidas vezes que a aproximação de Moscovo e Pequim é pior que uma guerra fria para Washington. Conjugando os seus esforços, os dois países podem ultrapassar militarmente os EUA, não deixando para a América um lugar na Ásia.

domingo, 28 de Setembro de 2014

ESTRATÉGIA DOS EUA PARA ARMAR OS TERRORISTAS "MODERADOS" DA SÍRIA FALHARÁ

ESTRATÉGIA DOS EUA PARA ARMAR OS TERRORISTAS "MODERADOS" DA SÍRIA FALHARÁ


Apesar de todas essas evidências, o governo dos EUA se recusa a admitir que todos esses grupos "moderados" e ISIS compartilham a mesma ideologia extremista Wahhabi e a Takfiri. Isso explica por que tantos membros da FSA estão a se unir à ISIS todos os dias.


Por Yusuf Fernandez

Alguns dias atrás, o Congresso dos EUA aprovou por maioria esmagadora uma solicitação da administração Obama de autorização para treinar e armar forças "rebeldes" na Síria para lutar contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

De acordo com a administração norte-americana, uma força rebelde de 5.000 combatentes deve ser capaz de lutar contra o governo Assad e o Estado Islâmico (ISIS), grupo terrorista. Esta operação serve para reforçar os "bons terroristas" e que será financiada com 500 milhões de dólares dos contribuintes norte-americanos.

Segundo a imprensa, alguns especialistas da comunidade de inteligência dos EUA duvida da eficácia deste plano. Eles vêem isso como uma repetição da mesma estratégia fracassada lançada por Washington para derrubar o presidente Assad nestes últimos três anos. O próprio presidente dos EUA, Barack Obama, disse em entrevista ao The New York Times em Agosto que a ideia de armar os rebeldes faria a diferença "seria sempre uma fantasia." Portanto, uma vez que a administração norte-americana insiste nessa estratégia, alguém poderia perguntar se os grupos armados da oposição, que não foram capazes de derrotar o exército sírio quando as condições para o Estado sírio foram muito piores, agora a lutar tanto contra o exército sírio como o ISIS iria vencer. Não é uma grande fantasia?

Na verdade, esses rebeldes "moderados" parecem que não estão dispostos a lutar na guerra dos EUA contra o ISIS. Recentemente, Riad Assaad, líder do Exército Sírio Livre (FSA) apoiado pelos EUA, anunciou que o seu grupo não iria se juntar à coligação anti-ISIS que Washington estava a montar nem que iria participar de ataques contra a ISIS. Ele também deixou claro mais uma vez que o objectivo do FSA não é o de lutar contra os grupos terroristas, mas derrubar o governo sírio e tomar o poder na Síria.

Os grupos rebeldes, incluindo a FSA e a Frente Revolucionária da Síria apoiados pelos EUA , assinaram recentemente um pacto de não agressão mútua com o ISIS em num subúrbio de Damasco. O acordo foi intermediado pela Frente al-Nusra afiliada na al-Qaeda e estabelece que todos os grupos vão respeitar um cessar-fogo até que se destrua o "regime Nussayri", um termo pejorativo usado por extremistas contra a comunidade alauíta. O pacto procurou deter os confrontos que eclodiram entre os rebeldes e os ISIS em torno da capital nos últimos 45 dias.

O comandante das FSA, Bassil Idriss foi recentemente citado pelo jornal libanês The Daily Star, dizendo que ele colabora regularmente com o ISIS para atacar as forças do governo de Assad ao longo da fronteira sírio-libanesa. "Os combates na fronteira em Qalamoun são na verdade uma operação conjunta FSA-ISIS", segundo o jornal. Esta colaboração mútua é uma das principais razões, juntamente com a corrupção, para que um grande número de armas americanas terem acabado nas mãos de ISIS.

Outro grupo escolhido pelo governo dos Estados Unidos para dar assistência é o Harakat al-Hazm, que tem cerca de 7.000 combatentes e está ligada à Turquia e Qatar. Na verdade, ele já recebeu armas norte-americanas. No entanto, o Los Angeles Times publicou recentemente um artigo escrito por um repórter que trabalha na Síria, no qual ele relatou uma conversa com os dois combatentes do Harakat al-Hazm que admitiram a cooperação do grupo com a Frente al-Nusra. "Nusra não lutar contra nós e nós realmente lutamos ao lado deles. Nós gostamos da Nusra ", disseram.

Ainda pior para o governo dos EUA, Harakat al-Hazm denunciou os ataques aéreos realizados contra os militantes do Estado Islâmico pela coligação liderada pelos EUA. O grupo atacou publicamente os EUA por lançarem uma ofensiva contra o ISIS no território sírio, informou a AFP.

Apesar de todas essas evidências, o governo dos EUA se recusa a admitir que todos esses grupos "moderados" e ISIS compartilham a mesma ideologia extremista Wahhabi e a Takfiri. Isso explica por que tantos membros da FSA estão a se unir à ISIS todos os dias. Meios de comunicação ocidentais relataram um número crescente de deserções desses combatentes para a ISIS. É claro, os desertores trazem as armas fornecidas pelos Estados Unidos  com eles.

Outro problema para a estratégia dos EUA é que inúmeras facções rebeldes estão lutando entre si (e não contra a ISIS). Nos últimos dias, houve violentos confrontos entre grupos rivais nas províncias de Idlib e Aleppo. Portanto, as armas dos EUA provavelmente estão a ser usadas por esses grupos para lutarem entre si.

Por outro lado, a oposição síria não é um parceiro sério para ninguém, pois está profundamente dividida e seriamente enfraquecida por disputas internas relativas a dinheiro e poder pessoal. Recentemente, a Coligação Nacional da Síria foi abalada por uma onda de demissões de protesto dos membros do chamado Conselho Militar Supremo, que protestaram contra a "ineficácia das reformas" dentro da coligação. Pelo menos dez membros-chave da coligação anunciaram a sua renúncia, incluindo a Frente Revolucionária Síria, Legião Sham e o Conselho Militar de Raqqa. Hoje em dia, nenhum analista sério acredita que o SNC é uma alternativa real para governar o país. O seu apoio entre a população síria é nulo.

Portanto, a decisão de dar armas a esses "bons" terroristas mostra que a administração norte-americana ainda está envolvido num jogo de mudança de regime na Síria. Isso tem sido admitido abertamente pelo embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Samantha Power, que disse que "o treino também irá atender a essas tropas (rebeldes) na mesma luta em que têm estado desde o início deste conflito contra o regime de Assad".

Claro, muitos especialistas nos EUA e outros países ocidentais estão plenamente conscientes destas realidades. Um relatório da Rand Corporation publicado em Setembro passado afirmou que quase metade dos "rebeldes moderados" sírios de Obama eram extremistas "hard-core", cuja ideologia era indistinguível do ISIS ou da Frente al-Nusra. O governo alemão também rejeitou a idéia de entregar armas aos "rebeldes moderados".

O governo dos EUA teria uma escolha mais séria e eficaz se eles estivessem realmente interessados ​​na luta contra o terrorismo na Síria, no Iraque e em outros lugares: a cooperar com o exército sírio, que é a única força real efectiva capaz de parar e destruir o ISIS, a Frente al- Nusra e outras organizações terroristas. No entanto, os EUA recusaram-se a fazê-lo. Washington não quer colaborar com a Síria porque este país não aceita se submeter ao controle dos Estados Unidos. Certamente, este não é o pensamento da maioria dos sírios que se preocupam tanto com a sua independência, como em se oporem aos grupos terroristas apoiados pelos EUA.

Apesar de tudo, Washington terá pouca escolha, no caso de uma campanha aérea prolongada, terá de ter alguma coordenação com aqueles que combatem o ISIS no terreno: o exército sírio, o Hezbollah e os curdos sírios. Caso contrário, os EUA teriam de evitar atacar um grupo terrorista quando ele for combater contra qualquer dessas forças. Talvez Obama não gosta desta ideia, mas ele irá entender que ele não tem outra opção.

Yusuf Fernandez é jornalista e secretário da Federação Muçulmana da Espanha. Ele começou a trabalhar para a Rádio Praga. Foi editor de vários sites islâmicos em Espanhol e Inglês e actualmente é editor do site espanhol Al Manar. Também tem artigos publicados em jornais de referência espanhóis.

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

GEOPOLÍTICA MUNDIAL - EUROPA

GEOPOLÍTICA MUNDIAL - EUROPA

O surgimento de várias organizações anti-ocidentais na sua maioria compostas por países ainda chamados de subdesenvolvidos é uma clara rejeição ao mundo ocidental e unilateral criado pelos EUA, mas também um desafio à hegemonia dos EUA que têm ditado as regras unilaterais através do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e do uso dólar como moeda de transacções internacionais e que é imposto a todo o mundo funcionando como imposto imperial, é também uma resposta ao bloco Ocidental pelos sucessivos desrespeitos ao Direito Internacional e ao monopólio do sistema financeiro. 


 
Por Paulo Ramires



A tensão entre os EUA - e países da NATO - e a Rússia tem aumentado bastante desde a cimeira da NATO em Cardiff no País de Gales. Nesta cimeira em que participou Petro Poroshenko, a NATO decidiu criar uma força de intervenção rápida para a região do leste europeu que poderá ser accionada em alguns dias e o envio de armas para a Ucrânia e assistência técnico-militar a este país, decidiu também a criação de novas sanções -com a UE - contra a Rússia no sector financeiro, energético, e de defesa. Estas medidas foram criadas na altura em que por iniciativa da Rússia, se conseguiu um cessar fogo entre os independentistas pró-russos de Donestsk e Lugansk e as autoridades de Kiev, logo violada nos dias seguintes pela aviação ucraniana que bombardeou alvos civis. A decisão da cimeira da NATO pareceu um contra-censo, mas não, é apenas a implementação da doutrina de Washington de confrontação e de cerco à Rússia. Nesta crise deve-se reconhecer que a Europa perdeu a soberania por completo para os EUA, não tem uma Política Externa e de Segurança Comum (PESC) que foi um dos pilares da União Europeia instituída no tratado de Maastricht e permite que vastos prejuízos ocorram para a economia europeia, os mais penosos a longo prazo que se traduzirão por uma reposição estratégica da Rússia para a Ásia. Parece que lideres os europeus não compreendem os efeitos desta situação no longo prazo, e o risco da perda de importância da Europa no futuro, assim como o reforço da aliança entre a Rússia e a China..

Mas a Europa e a Euroásia são apenas um ponto de tensão entre dois blocos globais que poderemos designar pelo bloco pró-Ocidental [NATO, Austrália, Israel e monarquias árabes] liderado pelos EUA, e pelo bloco não-Ocidental, liderado pelos BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] - uma aliança a nível comercial e financeiro - com particular destaque para a Rússia na sua dinamização e pensamento estratégico, a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) uma aliança que tem como objectivo principal a cooperação para a segurança - nomeadamente, quanto a terrorismo, separatismo e extremismo - e temas de cooperação no âmbito económica, cultural e mais recentemente, finanças, energia, educação, saúde, turismo, desporto e cooperação militar. A OCX deverá ser alargada à Índia, Paquistão e Mongólia, o Irão terá de esperar porque a organização impede a adesão de membros com sanções da ONU. A outra organização será a Organização do Tratado de Segurança Colectivo (OTSS) que foi formado por iniciativa da Rússia e que engloba vários países da Euroásia à Excepção da China, mas que poderá ser fundida com a OCX. A outra organização alternativa ao bloco não-Ocidental será a futura União da Euroásia formada com alguns países da União Aduaneira. O surgimento destas organizações na sua maioria compostas por países ainda chamados de subdesenvolvidos é uma clara rejeição ao mundo ocidental e unilateral criado pelos EUA, mas também um desafio à hegemonia dos EUA que têm ditado as regras unilaterais através do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e do uso dólar como moeda de transacções internacionais e que é imposto a todo o mundo funcionando como imposto imperial, é também uma resposta ao bloco Ocidental pelos sucessivos desrespeitos ao Direito Internacional e ao monopólio do sistema financeiro. Assim a guerra entre estes dois blocos será entre duas visões distintas do mundo, uma unilateral imposta pelos EUA e pela NATO através da força militar e de sanções económicas e a outra multilateral e mais diplomática e cooperativa que rejeita de forma clara e categórica o dólar e a ordem financeira criada pelos EUA em 1973. Esta guerra global há muito que começou e está a ser disputada em todo o mundo, tendo como palcos principais, a Ásia, a Europa e a Euroásia, o Médio Oriente, África, e Árctico.

A EUROPA


A estratégia para a Europa do actual e antigo conselheiro de segurança dos EUA, respectivamente Ben Rhodes e Zbigniw Brzezinski consiste na integração de todos os países do leste da Europa e mesmo alguns que integraram a União Soviética como a Ucrânia, Geórgia ou Moldávia, na NATO e UE. O objectivo é conter e isolar a Rússia na sua expansão para ocidente e minar os esforços da Rússia na criação de uma comunidade económica concorrente da União Europeia, a União da Euroásia e que foi pensada para integrar também a Ucrânia. A Rússia tem como objectivo a criação de um espaço comum político e económico de Lisboa a Vladivostok, que aliás estava previsto desde o fim da União Soviética. Isto é uma ameaça séria aos EUA, pois perderiam a Europa. Para anular as intenções da Rússia, os EUA forçaram os europeus a aceitarem uma zona de comercio livre entre os EUA e a UE, que tem vindo a ser negociado de forma secreta e nas costas dos europeus, isto porque este acordo é bastante prejudicial para os europeus, anulando inclusivo a recorrência aos tribunais quando os interesses das grandes corporações estão em causa. Este acordo comercial serve os interesses estratégicos dos EUA de isolar a Rússia e de a empurrar para a Euroásia, mas vai contra os interesses da Europa. Com os acordos do gás entre a China e a Rússia em que esta fornecerá à China 38 biliões de metros cúbicos anualmente a partir de 2018 e por 30 anos seguintes, a Rússia acelerará o afastamento da Europa e estrategicamente aproxima-se da China e da Ásia - A Rússia já colabora com a Ásia e Cooperação Económica do Pacífico (APEC) - com cada vez maiores efeitos nefastos para os europeus que dependem largamente do gás russo e sofrem a pesada concorrência da China.

As sanções impostas à Rússia por iniciativa e imposição dos EUA só irão a agravar as relações entre Rússia e Ocidente e acelerar o processo de diversificação dos fornecimentos de gás da parte da Rússia, para além de agravar ainda mais o confronto com a Rússia. A China procura mais gás mais barato, e em grandes quantidades para substituir a quota do carvão que é altamente poluente, e está disposta a investir bastante nessa rede de gasodutos, assim um novo contrato será assinado em Novembro entre a China e a Rússia, que fornecerá gás à China do mesmo poço que é fornecido aos europeus. Esta situação irá trazer uma nova realidade à Europa em que a energia será mais cara. Adicionalmente e por razões de mercado os europeus verão o preço do gás aumentar ainda mais. Nada disto interessa à Europa, mas a política dos burocratas europeus é a de provocação, sanções e de reduzir os investimentos da Gazpron no ocidente como é o caso do Southstream.  Esta política é obviamente imposta pelos EUA através desses burocratas de Bruxelas.

Mas uma das grandes divergências entre os EUA - a UE é aqui utilizada como uma ferramenta para punir a Rússia - e a Rússia são os acordos energéticos entre a Rússia e a China, em que a moeda a ser utilizada não será o dólar mas sim o Yuan e o Rublo, o que põe em causa a economia dos EUA que se baseia no dólar como moeda de reserva internacional, e o sistema financeiro ocidental, actualmente envolvido em crises sucessivas. Para agravar esta situação a Rússia e a China pretendem criar um sistema financeiro alternativo, um sistema de acordos que poderá substituir o sistema global de pagamentos ocidental SWIFT, este sistema foi criado em 1973 em Bruxelas para regular a cotação do dólar após a suspensão do tratado que vinculava o dólar à base do ouro. Desde esse momento todas as vendas de petróleo passaram a ser efectuadas em dólares, dando significativa força aos EUA e transformando-os num império. A Rússia e a China não são os únicos a desejarem abandonar o dólar como moeda de transacção internacional, logo este acordo é um passo largo para o desmantelamento ou enfraquecimento do sistema financeiro ocidental, até porque outros países tomarão medidas idênticas, nomeadamente países como os BRICS, e em outros regiões da América Latina, como a Argentina, e da Ásia. Assim o tempo joga contra os EUA porque estes tendem a perder influência, enquanto outros como a China, Índia, Rússia vão ganhando-a.

Todavia não é do interesse da Rússia provocar instabilidade com os países ocidentais, porque a Rússia tem interesses em comum com os europeus, mas esse não é o caso dos EUA, que são obrigados a reforçar a ocupação e o controlo da Europa, via NATO e UE e a promover a expansão da NATO para Leste, de forma a provocar a maior confrontação possível com a Rússia. A zona de maior tensão deu-se juntamente na Ucrânia, país vital para a segurança da Rússia porque faz parte da sua zona de vizinhança, mas também alvo do interesse de corporações do ocidente - americanas e europeias. A Ucrânia é o país onde passa a maior parte do gás russo para a Europa, o surgimento de um conflito mais abrangente do que aquele que ocorre no Donbass - Donestsk e Lugansk- será preocupante para os europeus e russos, mas os jogos geopolíticos entre os EUA e a Rússia afim do controlo do país têm sido uma constante desde muito cedo. Poroshenko tem vindo a ser contactado pelos americanos desde 2006, segundo o Wikileaks, e os partidos de extrema direita, fascistas, nazis e liberais pró-europeus apoiados com enormes fundos vindos do exterior, nomeadamente dos EUA.

O objectivo é claro, para além de prevenir que a Ucrânia faça parte da União da Euroásia, criou-se também um movimento político polarizado com base nesses partidos, que levassem a Ucrânia a ser integrada tanto na UE como na NATO, já antes tentado pela administração W. Bush e com a Revolução Laranja fomentada através do Departamento de Estado norte-americano, e entidades como institutos, fundações e bilionários como George Soros. Ao contrário do que se tem dito pelos média ocidentais não é verdade que a Rússia invadiu a Ucrânia, mas os EUA invadiram claramente a Ucrânia ao ponto de planearem um golpe de estado e meterem no poder facções extremistas e radicais de extrema direita formados e preparados pelos EUA e treinados na Polónia por serviços secretos do ocidente. Estes factos fazem parte de uma sucessão de intervenções lideradas pelos EUA que acabaram com a ordem internacional da Guerra Fria, não foi portante a Rússia como os media têm dito, inclusivamente em Portugal, mas sim a NATO. A primeira intervenção sem qualquer justificação, pelo menos da forma como foi feita, foi a invasão da Sérvia, aliada da Rússia e que violou todos os pontos da acta Final de Helsínquia de 1975. A NATO invadiu e agrediu a Servia, depôs o seu presidente Slobodan Milošević e retirou por fim parte do seu território, o Kosovo, que foi integrado logo a seguir na NATO como estado independente. A resposta da Rússia foi a ocupação da Ossétia do Sul e da Abkhazia, províncias independentistas da Geórgia, quando este país estava a ser seduzido e pressionado para fazer parte do bloco ocidental. Em causa estava também o controlo de um gasoduto que passa por este país.

Os acontecimentos de expansão da NATO e da UE voltaram-se a repetir e a insistir na Ucrânia ao ponto de se ter gerado um confronto militar entre as forças de Kiev e os independentistas pró-russos de Donestsk e Lugansk. Durante a cimeira da NATO um cessar fogo foi conseguido em Minsk, capital do Bielorrússia, por iniciativa russa mas violado de imediato através de bombardeamentos às populações civis por parte da aviação ucraniana. Um segundo acordo foi conseguido com a saída das forças de Kiev para a preferia, todavia este conflito está longe de terminar pois as regiões de Donestsk e Lugansk -Donbass - não aceitam mais integrar a Ucrânia nem reconhecem mais a autoridade de Kiev sobre o seu território, posição inaceitável para Kiev. Esta situação pode também não agradará muito a certos países da NATO como os EUA e a Polónia, pois segundo as normas da NATO, um país não pode integrar esta organização, sem que este controle todo o seu território, e Kiev cada vez controla menos a parte sul e leste do seu território e perdera a Crimeia para a Rússia. Esta integração na Rússia não é reconhecida pelo ocidente, logo a Ucrânia está impossibilitada de integrar a NATO. Mas não é só, os estatutos da NATO implicam também o cumprimento de critérios, económicos, políticos e militares, na qual a Ucrânia não cumpre nem está em condições de cumprir nenhuns deles. Não menos importante é o facto da Ucrânia estar vinculada à Rússia, não só por se tratar de uma questão de segurança para a Rússia, mas principalmente por haver milhões de russos e ucranianos casados entre si.

Na prática a adesão da Ucrânia na NATO é quase impossível se as normas da NATO se manterem desta forma para serem cumpridas. E se mesmo assim a Ucrânia aderir à NATO será de se esperar medidas mais drásticas da parte da Rússia, mas não que possa aumentar o conflito pois a Rússia quer estabilizar a região e os EUA criarem uma zona de guerra que possa envolver a Rússia.

Este jogo dos EUA é também jogado na Síria, onde os vários grupos terroristas [Al-Qaeda, Frente al-Nusra ou Jabhat al-Nusra e ISIL/ISIS - são os principais e que formava ou formam o Exercito Sírio Livre[ESL/FSA] com o braço politico sediado em Londres e protegido pelas autoridades do Reino Unido] - criados pelos próprios EUA são empurrados estrategicamente para a Síria para lutarem contra Bashar al-Assad e servirem de pretexto para que a Síria seja bombardeada para servirem os interesses geopolíticas dos EUA. Existe ainda a possibilidade destes terroristas [os moderados assim designados pelos EUA] terem o apoio da aviação da dita coligação formada pelos EUA - supostamente para combater o Estado Islâmico - de forma a ganharem melhor posição estratégica no combate a Bashar al-Assad e diminuir a posição do EI no Iraque e na Síria. Na verdade são os mesmos elementos terroristas que mudam de grupo com facilidade ou simplesmente têm parentescos nas mesmas actividades terroristas em grupos diferentes, mas com opções estratégicas e ideológicas diferentes. A outra pressão para o desenvolvimento do conflito na Ucrânia por iniciativa Rússia, é a entrega de armas a estes terroristas para lutarem contra um governo legítimo e secular da Síria que nunca violou nada mas que tem um pecado mortal que é o de ser aliada da Rússia e um obstáculo aos interesses dos EUA e Israel. Assim o bombardeamento na Síria é um ataque directo aos interesses da Rússia e uma provocação e uma ilegalidade à luz do Direito Internacional. A tensão é assim exercida contra a Rússia em primeiro plano na Europa e Médio Oriente, e na Ásia contra a China.

Outra questão que estará também a incendiar a Europa é a implementação na Europa do Sistema de Mísseis de Defesa Anti-balísticos (MD), que os americanos desejam colocar na Europa e próximo das fronteiras da Rússia. Esta questão desestabilizará com toda a certeza a Europa e a Euroásia e iniciará um novo período de muita tensão, bem mais grave que o período da guerra fria e com corrida ás armas estratégicas - que já começou. Uma das reacções já prometida da Rússia é a saída do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START). Para se ter uma ideia melhor desta perigosa iniciativa dos americanos, basta lembrar a crise que se gerou com a instalação dos misseis nucleares em cuba em Outubro de 1962.

Neste braço de ferro entre os EUA e a Rússia, os grandes derrotados serão sem qualquer duvida os europeus que já perderam a independência, a autonomia na política externa e a política comercial e vão acabar por perder por completo o mercado comum, com a zona de comercio livro entre os EUA e a UE, com as consequências que isso implica por exemplo a nível do desemprego ou a falência de empresas, desregulamentação, etc. Mas não só, os principais custos desta disputa serão pagos pelos contribuintes europeus e o próprio mercado interno, já com problemas de funcionamento em que está já a sofrer problemas a nível de concorrência e escoamento de produtos. Nos próximos tempos a situação só poderá se agravar com o agravamento da crise mundial.

Todavia para os EUA o objectivo estratégico é mesmo destruir a Rússia, para Lbigniew Brzezinki, intelectual poláco-americano e antigo conselheiro de segurança de Jim Carter, tem vindo mesmo a defender essa destruição da Rússia através de uma gradual desintegração e transferência de poder para as regiões. Não se trata apenas de uma discussão de académicos e Think Tanks, esta visão tem tido seguidores dentro das várias administrações dos EUA, talvez consciente disso Putin tenha definido como as maiores ameaças para a Rússia, aquelas a nível interno e só depois as de nível externo. Assim tomam particular importância no Conceito de Segurança Nacional da Federação Russa, as ameaças a nível interno, dando ênfase às políticas de integração entre a população russa, ao combate ao terrorismo, e ás aspirações separatistas de várias partes constituintes da Federação Russa, ao aumento da instabilidade política e do enfraquecimento do domínio da Rússia unificada, a desintegração económica, a tensão entre as regiões e o centro que podem representam uma ameaça para a estrutura federal e do tecido sócio-económico da Federação Russa, o combate à migração descontrolada e à promoção ao nacionalismo, ao extremismo e o etno-separatismo político e religioso, propensos à criação de um terreno fértil para conflitos.




quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

ORDENARAM AO MH17 QUE VOASSE SOBRE A ZONA DE GUERRA NO LESTE DA UCRÂNIA

ORDENARAM AO MH17 QUE VOASSE SOBRE A ZONA DE GUERRA NO LESTE DA UCRÂNIA


Por Prof Michel Chossudovsky 

 

A Malaysian Airlines confirma que recebeu instruções para que o MH17 voasse a uma altitude mais baixa sobre o Leste da Ucrânia



Sobre a questão do plano de voo (flight path) seguido pelo MH17, a Malaysian Airlines confirma que o piloto recebeu instruções da torre de controle de tráfego de Kiev para voar a uma altitude mais baixa no momento em que entrou no espaço aéreo da Ucrânia.

“O MH17 possuía um plano de voo exigindo que voasse a 35 mil pés através do espaço aéreo ucraniano. Isto está próximo da altitude “óptima”.

“Contudo, a altitude de um avião é determinado pelo controle do tráfego aéreo no terreno. Ao entrar no espaço aéreo ucraniano, o MH17 foi instruído pelo seu controle de tráfego aéreo para que voasse a 33 mil pés”.

(Para mais pormenores ver comunicados de imprensa em: www.malaysiaairlines.com/my/en/site/mh17.html )

A altitude de voo de 33 mil pés [10 km] está 1000 pés [305 m] acima do limite (ver imagem ao lado). A exigência das autoridades ucranianas de controle de tráfego aéreo foi implementada.



Desvio do plano de voo “normal” que fora aprovado

Em relação ao plano de voo do MH17, a Malaysian Airlines confirma que seguiu as regras estabelecidas pelo Eurocontrol e pela International Civil Aviation Authority (ICAO) (negritos acrescentados):

Gostaria de mencionar comentários recentes divulgados por responsáveis do Eurocontrol, o organismo que aprova planos de voo europeus sob as regras do ICAO. Segundo o Wall Street Journal, os responsáveis declararam que cerca de 400 voos comerciais, incluindo 150 voos internacionais atravessavam diariamente o Leste da Ucrânia antes do crash. Responsáveis do Eurocontrol também declararam que nos dois dias anteriores ao incidente, 75 diferentes companhias aéreas voaram a mesma rota do MH17. O plano de voo do MH17 seguia uma rota aérea importante e movimentada, como uma auto-estrada no céu. Ele seguia uma rota que fora especificada pelas autoridades internacionais da aviação, aprovada pelo Eurocontrol e utilizada por centenas de outros aviões.

O aparelho voava à altitude estabelecida, e considerada segura, pelo controle local de tráfego aéreo. E nunca se desviou no interior daquele espaço aéreo restringido. [esta declaração da MAS é refutada por evidências recentes].

O voo e seus operadores seguiram as regras. Mas, sobre o terreno, as regras de guerra foram rompidas. Num acto inaceitável de agressão, parece que o MH17 foi derrubado; seus passageiros e tripulantes mortos por um míssil.

A rota sobre o espaço aéreo da Ucrânia onde se verificou o incidente é habitualmente utilizada para voos da Europa para a Ásia. Um voo de uma outra companhia aérea estava na mesma rota no momento do incidente com o MH17, assim como um certo número de outros voos de outras companhias aéreas nos dias e semanas anteriores. O Eurocontrol mantém registos de todos os voos através do espaço aéreo europeu, incluindo aqueles através da Ucrânia.

O que esta declaração confirma é que o “plano de voo habitual” do MH17 era semelhante aos planos de voo de cerca de 150 voos internacionais diários através da Ucrânia do Leste. Segundo a Malaysian Airlines, “A rota habitual de voo [através do Mar de Azov] fora anteriormente declarada segura pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO). A International Air Transportation Association havia declarado que o espaço aéreo que o avião atravessava não estava sujeito a restrições”.

O plano de voo aprovado está indicado nos mapas abaixo.

O plano de voo regular do MH17 (e de outros voos internacionais) ao longo de um período de dez dias antes de 17 de Julho (a data do desastre), cruzando a Ucrânia do Leste numa direcção para Sudeste é através do Mar de Azov. (ver mapa ao lado).

O plano de voo foi alterado a 17 de Julho.

O voo e os seus operadores seguiram as regras. Mas sobre o terreno, as regras da guerra foram rompidas. Num acto inaceitável de agressão, parece que o MH17 foi derrubado; os seus passageiros e tripulantes mortos por um míssil. (MAS, ibid)

Embora os registos áudio do voo MH17 tenham sido confiscados pelo governo de Kiev, a ordem para alterar o plano de voo não veio do Eurocontrol.

Será que a ordem para alterar o plano de voo veio das autoridades ucranianas? Será que o piloto recebeu instruções para mudar a rota?

Falsificações dos media britânicos: “Vamos fazer aparecer uma tempestade”

Reportagens dos media britânicos reconhecem que houve uma alteração no plano de voo, afirmando sem prova que foi para “evitar temporais com trovões (thunderstorms) no Sul da Ucrânia”.

O director de operações da MAS, Capitão Izham Ismail também refutou afirmações de que a meteorologia tempestuosa (heavy weather) levasse o MH17 a alterar seu plano de voo. “Não houve relatos do piloto a sugerir que isto fosse caso”, disse Izham. ( News Malaysia , 20/Julho/2014)

O que é significativo, contudo, é que os media ocidentais reconheceram que a alteração no plano de voo ocorreu e que a narrativa da “meteorologia tempestuosa” é uma falsificação.

Caças da Ucrânia num corredor reservado para a aviação comercial

Vale a pena notar que um caça SU-25 ucraniano equipado com mísseis R-60 ar-ar foi detectado a 5-10 km do avião da Malásia, dentro de um corredor aéreo reservado à aviação civil.


Imagem: cortesia do Ministério da Defesa russo

Qual foi a finalidade desta deslocação da força aérea? Estava o caça ucraniano a “escoltar” o avião da Malásia numa direcção vinda do Norte rumo à zona de guerra?

A alteração no plano de voo do MH17 da Malaysian Airlines em 17 de Julho está indicada claramente no mapa abaixo. Ela conduz o MH17 sobre a zona de guerra, nomeadamente Donetsk e Lugansk.

Comparação: Plano de voo do MH17 em 16 de Julho e plano de voo do MH17 sobre a zona de guerra em 17 de Julho de 2014 

 
Capturas de écran de planos de voo do MH17 de 14 a 17/Julho/2014 
 

14 de Julho
15 de Julho
16 de Julho

17 de Julho

O primeiro mapa dinâmico compara os dois planos de voo. O segundo plano de voo, que é aquele de 17 de Julho, conduz o avião sobre a zona de guerra do oblast de Donetsk na fronteira com o oblast de Lugansk.

As quatro imagens estáticas mostram capturas de écrans dos Planos de Voo do MH17 no período de 14 a 17 de Julho de 2014.

A informação transmitida por estes mapas sugere que o plano de voo foi alterado em 17 de Julho.

O MH17 foi desviado da rota normal do Sudoeste sobre o Mar de Azov para uma rota sobre o oblast de Donetsk.

Quem ordenou a alteração do plano de voo?

Apelamos à Malysian Airlines a que clarifique sua declaração oficial e pedimos a divulgação das gravações áudio entre o piloto e a torre de controle de tráfego aéreo de Kiev.

A transcrição destas gravações áudio deveria ser tornada pública.

Também deve ser confirmado: Esteve o caça ucraniano SU-25 em comunicação com o avião MH17?

A evidência confirma que o plano de voo em 17 de Julho NÃO era o habitual plano de voo aprovado. Ele foi alterado.

A alteração não foi ordenada pelo Eurocontrol.

Quem esteve por trás deste plano de voo alterado que dirigiu o avião para dentro da zona de guerra, resultando em 298 mortes?

Qual foi a razão para alterar o plano de voo?

O prejuízo causado à Malaysian Airlines em consequências destas duas trágicas ocorrência também deve ser considerado. A Malaysian Airlines tem altos padrões de segurança e um registo excelente.

Estes dois acidentes fazem parte de um empreendimento criminoso. Eles não resultam de negligência da parte da Malaysian Airlines, a qual enfrenta uma bancarrota potencial.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

GUERRA NA UCRÂNIA - PUTIN GANHA PRIMEIRO ROUND

GUERRA NA UCRÂNIA - PUTIN GANHA PRIMEIRO ROUND



Por Carlos Fino, Brasília, 07 de Setembro de 2014


Carlos FinoA generalidade dos observadores internacionais considera, com razão, que o primeiro “round” do conflito na Ucrânia terminou com uma clara vitória do presidente russo Vladimir Pútin.

Através da facilitada (ainda que não oficialmente assumida) participação de voluntários e veteranos com experiência militar - num total entre mil e quatro mil homens - o líder do Kremlin não só impediu o colapso das forças pró-russas, que ainda há um mês atrás parecia estar no horizonte, como conseguiu reverter, nas últimas semanas, a sorte das armas, impondo pesadas derrotas ao exército ucraniano.

Derrotas que conduziram à assinatura, na passada sexta-feira, em Minsk, de um acordo de cessar-fogo entre o governo de Kíev e os separatistas do leste, cujos termos gerais foram previamente acordados entre o chefe de Estado russo e o seu homólogo ucraniano Porochenko, o que só por si é bem revelador do envolvimento de Moscovo no conflito.

O próprio calendário da assinatura do acordo parece aliás ter sido calculado para coincidir com a reunião cimeira da OTAN/NATO no país de Gales e retirar-lhe, consequentemente, parte do ímpeto anti-russo de que estava imbuída.

A relativa modéstia da ajuda inicial que a Aliança Atlântica se diz pronta a prestar à Ucrânia – 15 milhões de dólares – terá também contribuído para convencer Kíev de que a melhor solução, como aqui defendemos desde o início, seria seguir o conselho de Garrincha e falar com os russos.

Aceitando negociar, Poroshenko evitou uma derrota mais pesada, conseguindo preservar o que resta das unidades do exército e da guarda nacional e também (ainda) algumas posições nas regiões rebeldes.

Mas ao fazê-lo demasiado tarde e numa posição enfraquecida, o líder ucraniano acabou por ter de aceitar uma perda importante do controlo do seu governo sobre a generalidade do leste e sul.

Por outro lado, tal como a Rússia pretendia, a latência do conflito congela a pretensão da Ucrânia de se inserir plenamente nas estruturas económicas e militares ocidentais.

Um fraco resultado global, portanto, que os seus rivais políticos não deixarão de explorar nas eleições legislativas do próximo mês.

SITUAÇÃO AMBÍGUA

O cessar-fogo ainda é frágil. No passado fim-de-semana, duelos de artilharia irromperam no aeroporto de Donetsk, onde o exército ucraniano conserva uma bolsa de resistência, e na cidade portuária estratégica de Mariupol, que os separatistas não desistiram de tomar às tropas governamentais.

Há também acusações de parte a parte de que a trégua estaria, tal como já aconteceu no passado, a ser aproveitada para reagrupar forças com vista à renovação dos confrontos mais adiante.

Desta vez, o entendimento parece ser mais consistente, uma vez que o esgotamento é grande dos dois lados. Os ucranianos sofreram derrotas pesadas que já suscitam protestos nas ruas e os russos estão a braços com uma crise humanitária grave nas cidades atingidas – muitas delas sem água, sem comida e sem energia – e têm que administrar um avalanche de refugiados que ultrapassa 800.000 pessoas.

Mas, quer de um lado, quer do outro, há forças paramilitares que podem considerar-se traídas e que poderão por isso continuar os combates. Tanto mais que – como acontece no aeroporto de Donetsk e em Mariupol – a própria dinâmica dos confrontos exige um desfecho num ou noutro sentido.

Mais, porém, do que a existência desses grupos, é a própria ambiguidade do texto do acordo que lança dúvidas sobre a consistência do cessar-fogo.

Nele se fala de “autonomia em certas áreas das regiões de Donetsk e Lugansk”, mas remete-se para uma Lei de Regime Especial, a definir, o que deixa em aberto o estatuto efetivo dessas regiões no contexto legal ucraniano.

Determina-se também a extinção das formações militares ilegais e do respectivo equipamento militar, mas não se define quais são essas formações.

Não estando solucionada a questão de fundo – o estatuto legal do leste e sul da Ucrânia – o conflito pode reacender-se a qualquer momento.

Na realidade, aquilo a que estamos a assistir é apenas a primeira fase de um confronto mais amplo que se trava desde o fim da Guerra Fria e está longe de se encontrar resolvido.

O confronto entre a estratégia norte-americana e europeia de incluir a Ucrânia nas suas estruturas económicas e de defesa (UE e OTAN/NATO), e a estratégia da Rússia de mantê-la na sua área de influência.

Como dizia há dias Toby Gati, um dos estrategos que juntamente com Brzezinski, ajudou a formular a política americana face a Moscovo, ao negociar o cessar-fogo, “Pútin tornou absolutamente claro que nesta parte do mundo a presença dos EUA e da OTAN/NATO não será aceite” e que nesta questão “ele não permitirá à Ucrânia decidir por si própria ou decidir sozinha com o Ocidente”.

Pútin, para já, ganhou. Mas este foi apenas o primeiro “round”.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

ESQUEÇA-SE A NATO A RÚSSIA TEM PROBLEMAS BEM MAIORES

ESQUEÇA-SE A NATO A RÚSSIA TEM PROBLEMAS BEM MAIORES



Por Judy Dempsey

As relações entre a Rússia e a NATO têm sido tensas por um longo tempo - muito antes do início da crise na Ucrânia. Em Abril de 2008, o presidente Vladimir Putin participou da cimeira da NATO em Bucareste. A atmosfera entre os aliados foi tensa. À Saída da administração Bush, os Estados Unidos queriam que os líderes da NATO oferecessem o Plano de Acção para a Adesão (MAP na sigla inglesa) à Geórgia e à Ucrânia. Isso teria-os colocado num caminho directo para a adesão à NATO.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foram veementemente contra tal movimento. Eles não queriam provocar a Rússia.

Berlim e Paris argumentaram, extra-oficialmente, é claro, que se a Geórgia e a Ucrânia eventualmente aderissem à NATO, estariam a maioria dos estados membros realmente preparados para defendê-los, se eles fossem atacados pela Rússia ? A resposta era que não, tal como é hoje.

Cinco meses após a cimeira de Bucareste, a Rússia invadiu a Geórgia, e, durante uma guerra curta arrancou as regiões da Abcásia e da Ossétia do Sul à Geórgia.

Havia a habitual maioria de direita no Ocidente. Mas pouco tempo depois, tudo voltou como antes com a Rússia, como se o Ocidente não tivesse compreendido a agenda de Putin.

A agenda do Kremlin, tal como agora, consiste em evitar tanto que  NATO como a União Europeia invadissem as ex-repúblicas soviéticas.

E se isso significasse o uso das forças militares para impedir que isso aconteça, como o caso da Geórgia revelou, então que assim seja.

Afinal de contas, uma vez que o Ocidente não se importou com a Rússia, que declarou a independência da Abcásia e da Ossétia do Sul, então por que Putin não aceitaria o mesmo risco com a Ucrânia ?

A Ucrânia é diferente. Porque se os líderes europeus aceitam isso ou não, a situação é que a UE está agora em competição directa com a Rússia sobre o futuro das terras abrangentes entre a UE e a Rússia.

Os polacos, os bálticos, os suecos, os finlandeses e os noruegueses sabem muito bem o que isso implica e assim faz a Merkel da Alemanha. Isso significa decidir de uma vez por todas se haverá apoio - de uma forma muito mais sustentável e estratégica - para a Ucrânia, Geórgia e Moldávia nas suas aspirações para se juntar à Europa. Mesmo a Bielorrússia se poderá juntar à lista no futuro.

Para esses países, o futuro está em juntar-se às estruturas da UE e da NATO.

Em suma, trata-se de completar as transformações políticas, económicas e sociais desses países que tantas vezes vacilaram desde o fim da Guerra Fria e o colapso da antiga União Soviética, em 1991.

No entanto, a cimeira da NATO, que terá lugar em Cardiff a 4 e 5 de Setembro está mal preparado para iniciar o processo de ajudar a estes países a completarem essa transformação.

É claro que a NATO pode oferecer treino e assistência técnica a esses países para que eles possam reformar o relacionamento civil-militar e ajudá-los a cooperar com a NATO e até mesmo participar, como a Geórgia fez, na missão militar da NATO no Afeganistão.
Mas isso acaba ai. O que Putin compreende perfeitamente bem é que a NATO não vai prestar assistência militar à Ucrânia, mesmo se ela perde mais território para os pró-russos.

Em vez disso, a NATO vai reforçar as defesas da Polónia e dos países bálticos, através de sessões de treinos mais rigorosos e regulares. A NATO também pretende ter forças mais ágeis e flexíveis na região que serão enviadas dentro de dias, se necessário.

Mas não irá enviar, em carácter permanente, tropas e guarnições, logística e quaisquer centros de comando e controle nesses países. Apesar disso, não há dúvida de que se a Rússia ameaçasse ou atacasse qualquer país da NATO, a NATO iria responder.

Mas a estratégia da NATO ainda deixa a Europa Oriental bastante vulneráveis. A última coisa que a Polónia, Suécia, Finlândia e Países Bálticos querem é que a Europa Oriental seja transformada num novo cordão sanitário. Seria, na verdade, criar uma nova Europa, dividida e altamente instável, razão pela qual esses países estão determinados a que a UE evite que isso aconteça.

NATO, por sua vez, não está equipado para evitar que isso aconteça. Isso é impedido de duas maneiras. A primeira é que os membros da NATO não têm uma percepção comum das ameaças. Mas os europeus do norte, polacos e bálticos partilham uma ameaça comum: a Rússia.

Os europeus do sul, compreensivelmente, vêem o Islão radical como a maior ameaça. A Grã-Bretanha e a França entendem as ameaças que a Europa enfrenta, mas os seus líderes são prejudicados por crises internas em vez de articularem essas ameaças com os seus aliados da NATO.

Quanto aos EUA, o presidente Barack Obama deve desejar que a crise da Ucrânia esteja fora de sua diplomacia em razão pela qual ele deixou a maior parte da corrida diplomática à Merkel.

O que nos leva até à Alemanha. A 1 de Setembro, num passo altamente incomum, Merkel dirigiu-se ao parlamento alemão para explicar por que razão a Alemanha tinha de enviar armas aos curdos, a fim de deter o massacre de civis pelos combatentes do Estado islâmico no norte do Iraque e da Síria.

O Estado Islâmico é uma "ameaça para a Alemanha", disse aos deputados.

Esta é uma grande mudança no pensamento alemão, que, com poucas excepções ao longo dos anos, tem fugido às suas responsabilidades quando se trata de questões de segurança.

Mas quando se trata da Ucrânia, Merkel até agora descartou a possibilidade do envio de ajuda militar para a Ucrânia e insiste em se concentrar na diplomacia e nas sanções numa tentativa de mudar a opinião de Putin. Mas ambos falharam.

Em segundo lugar, a NATO também é prejudicada pela falta de consenso sobre a dissuasão. Era tão fácil durante a Guerra Fria, quando o inimigo estava claramente definido e a dissuasão era um dado adquirido. A NATO sabia onde ele estava.

Hoje, como baixou de importância a sua enorme missão militar no Afeganistão e tem tempo para observar o seu próprio bairro, está a se tornar cada vez mais claro que a NATO ainda não está preparada para lidar com as ameaças na sua vizinhança a leste e a sul.

Isto apesar do facto de o Secretário-Geral cessante da NATO, Anders Fogh Rasmussen, ter falado repetidamente sobre um "arco de instabilidade" em toda a Europa.

Ele advertiu repetidamente a Rússia que sofreria as consequências após a decisão de Putin em Março por invadir e anexar a Crimeia, o envolvimento da Rússia no leste da Ucrânia, e o apelo de Putin para negociações imediatas sobre a "soberania" do sul e leste da Ucrânia, ou Novorossia.

Mas é claro que as sanções ocidentais e as ameaças e retóricas da NATO até agora não são dissuasoras quando se trata de frustrar as ambições de Putin.

O que o poderia impedi-lo seria o seu próprio combustível no flanco sul  e o Estado Islâmico, que para a Rússia seria muito imprudente ignorar. São essas as ameaças que são muito, muito mais perigosas para a Rússia do que limitar as intenções da NATO na Polónia e dos países bálticos.

Essas ameaças também são mais perigosos do que a UE, cuja abertura foi imensamente beneficiando empresas russas e os cidadãos russos comuns.

Se Putin pensa que a NATO e a UE são as suas grandes ameaças, competidores e inimigos, ele ainda não viu nada.

Judy Dempsey é associado sénior e editor-chefe do Strategic Europe no Carnegie Europe.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

QUE FUTURO PARA O LESTE DA UCRÂNIA

QUE FUTURO PARA O LESTE DA UCRÂNIA



Por José Loureiro dos Santos
A Rússia não desistirá de prolongar uma situação de dificuldades que desgaste progressivamente a Ucrânia, com a finalidade de modificar a seu favor a situação no país.

Existem três cenários quanto ao futuro do Leste da Ucrânia: regressar à situação de completa dependência político-administrativa de Kiev, a exemplo de todas as restantes regiões ucranianas; passar a constituir uma região autónoma do país com liberdade limitada de relacionamento externo; ou transformar-se num protectorado político e militar da Rússia, completamente à margem da tutela de Kiev, a exemplo da Abkházia, da Ossétia do Sul e da Transnístria.

A Rússia não desistirá de prolongar uma situação de dificuldades que desgaste progressivamente a Ucrânia, com a finalidade de modificar a seu favor a situação no país, tendo por objectivos: 1) desejável – produzir uma viragem nas ligações políticas agora em curso e previstas da Ucrânia (ligação à União Europeia e posterior integração na NATO), fazendo com que volte a aliar-se a Moscovo e a participar na União Euro-asiática; 2) mínimo – conseguir que o Donbass tenha um estatuto que permita à Rússia nele interferir. Não aceita a situação actual, quanto à ligação de Kiev à União Europeia e à hipótese de integrar a NATO.

Estão em jogo interesses que a Rússia considera vitais – controlar o corredor ucraniano de acesso à planície europeia e desta ao coração russo e ao mar Negro –, que, pelo seu lado, a Alemanha olha com idêntica importância. O eixo Ucrânia-Polónia permite a ligação terrestre entre os dois mares, Báltico e Negro.

Putin está decidido a usar a força militar para garantir os seus interesses, e já lembrou que a Rússia é uma grande potência nuclear.

Poroshenko pretende vencer os separatistas, expulsando do território ucraniano (com ou sem a Crimeia?) os “homens verdes” sob cuja máscara se esconde o poder militar russo. Mas a realidade mostra que não consegue fazê-lo, pelo que tenta envolver os países da NATO como aliados no terreno, o que, a materializar-se, provocaria uma catástrofe na Europa com a reacção russa. Muito menos tem condições para combater o potencial militar da Rússia, numa guerra aberta.

Os Estados Unidos, desejando manter a Ucrânia na órbita do Ocidente, não estão disponíveis para entrar numa guerra no continente europeu, por causa de um país não-membro da NATO. Avançarão com apoio político e militar, através do fornecimento de algum armamento e do envio de assessores, o que já fazem e será ampliado. Alguns Estados da NATO sentem-se especialmente ameaçados, particularmente aqueles cuja experiência histórica os leva a temer a Rússia (e também a Alemanha por razões idênticas…). Mas têm a garantia de os aliados cumprirem o artigo 5.º do tratado, defendendo-os, se necessário.

Os países europeus da Aliança Atlântica encontram-se desarmados, não tendo capacidade para enfrentar a Rússia, nem isso lhes convém – a interdependência económica russo-europeia é profunda de mais para que seja possível pôr-lhe termo de uma forma brusca.

Terão de se limitar a gesticular mediaticamente, prosseguindo uma “guerra” de palavras, e continuar um duelo de sanções económicas cujos efeitos negativos aumentam, com a possibilidade de Putin cortar os fornecimentos de gás, como insinuou. E fornecem alguma assistência militar idêntica à norte-americana, procurando reduzir progressivamente a sua dependência económica da Rússia, principalmente energética, só viável a prazo.

Deverão insistir na procura de uma solução política, pressionando um entendimento entre Poroshenko e Putin, em direcção a uma solução porventura próxima do cenário que classifiquei como mínimo. Julgo que a sua aceitação iria ao encontro de alguns dos interesses de Moscovo e seria relativamente satisfatório para a Europa, por ser o menor dos males, pagando o preço de ter ignorado as necessidades da sua defesa. O sinal de impaciência do líder russo, ao falar em negociações e num Estado a leste da Ucrânia, aponta a única alternativa a este cenário: impor a “Nova Rússia”, abrangendo o Leste e Sudeste ucraniano, com o modelo da Abkházia, o que priva a Ucrânia da sua principal zona industrial e das ricas minas de carvão do Donbass e dá um golpe profundo na economia de Kiev.

Espera-se que os países europeus da NATO aprendam a lição destes acontecimentos. Terão de se rearmar, mesmo com as dificuldades económicas que os afligem.

Só assim estarão em condições de responder com êxito às ameaças que cercam o continente. Pelo sul, sudeste e leste. Dissuadindo a leste e combatendo a sul e sudeste, porventura aliados com o Leste. E no seu próprio interior, contra as ameaças resultantes do regresso dos combatentes que fazem a jihad no Sul e no Sudeste.



General

In Público

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

ENTENDER A UCRÂNIA EM 15 MINUTOS

ENTENDER A UCRÂNIA EM 15 MINUTOS

 



Por Mike Whitney (transcrição e comentários), Information Clearing House

A ENTREVISTA COM SERGEI GLAZIEV


Quem quiser compreender o que se passa na Ucrânia, não pode deixar de assistir ao vídeo (com legendas em inglês), 15 minutos, em que Sergei Glaziev, [1] conselheiro e amigo de Putin, explica como as mudanças estruturais na economia global e uma deriva em direcção à Ásia precipitaram uma desesperada tentativa, por políticos norte-americanos, para manter-se no controle do mundo, instigando uma guerra na Europa.

Concorde-se ou não com o analista e a sua análise, os leitores verão/ouvirão um analista brilhante, erudito e apaixonado nas suas crenças. Só por isso já vale a pena assistir à entrevista de Glaziev.

Fiz eu mesmo uma transcrição do vídeo, e peço desculpas por algum erro não intencional no texto. Também introduzi, eu mesmo, os negritos que se veem na transcrição: [ver o vídeo em baixo]



1. Mudanças Estruturais na Economia Global são frequentemente precedidas por Grandes Crises e Guerras





O mundo hoje passa por uma sobreposição de séries inteiras de crises cíclicas. A mais séria delas é uma crise tecnológica que é associada a mudanças nos comprimentos de onda do desenvolvimento económico. Vivemos num período em que a economia está a mudar de estrutura. A estrutura económica que comandou o crescimento económico nos últimos 30 anos esgotou-se em si mesma. Temos de fazer uma transição para um novo sistema de tecnologias. Esse tipo de transição, infelizmente, sempre aconteceu mediante guerras. Foi o que aconteceu nos anos 1930s, quando a Grande Depressão deu lugar a corrida uma corrida às armas e, de seguida, à II Guerra Mundial. Foi assim durante a Guerra Fria, quando uma corrida ás armas cedeu lugar a complexas tecnologias de informação e comunicação que se tornaram a base da estrutura tecnológica que vem comandando a economia mundial nos últimos 30 anos. Hoje, enfrentamos uma crise similar. O mundo está a mudar para um novo sistema tecnológico.


2. Putin insiste numa Zona de Livre Comércio, para facilitar a transição para a Nova Economia Global




O novo sistema tem natureza humanitária e, assim, pode evitar uma guerra, porque os grandes geradores de crescimento nesse comprimento de onda são tecnologias humanitária. Dentre de essas, incluem-se as indústrias de atenção à saúde e de medicamentos, que são baseadas na biotecnologia. Incluem-se aí também tecnologias de comunicação baseadas na nanotecnologia, que está a mudar o mundo como o conhecemos. Todas essas mudanças envolvem tecnologias cognitivas, que definem um novo contexto para o conhecimento humano. Como o presidente Putin tem dito repetidas vezes, conseguimos construir e propor um programa de desenvolvimento conjunto, uma zona de desenvolvimento para todos com um regime comercial preferencial de Lisboa a Vladivostok. Se acordasse-mos com Bruxelas um espaço económico comum, uma área de desenvolvimento comum, poderíamos propor um número suficiente de novos projectos, do campo da saúde à protecção contra ameaças espaciais, para mobilizar nosso potencial científico e técnico e criar uma oferta estável, a partir do estado. Assim se daria forte estímulo ao novo sistema tecnológico.


3. Washington vê uma Guerra na Europa como o melhor meio para Preservar a sua Hegemonia



Os EUA, contudo, já estão fazendo o que fazem sempre. Para manter o seu domínio sobre o mundo, estão a provocar uma nova guerra na Europa. A Guerra é sempre um bom negócio para os EUA. Dizem até que a II Guerra Mundial, que matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Rússia, teria sido uma boa guerra. Foi boa para os EUA, porque os EUA emergiram daquela guerra como a principal potência mundial. A Guerra Fria, que terminou com o fim da União Soviética, também foi uma boa guerra, para os EUA. Agora, os EUA mais uma vez querem manter a sua liderança à custa da Europa. A liderança dos EUA está a ser ameaçada pela China, que cresce sem parar. O mundo hoje está a mudar e a entrar num novo ciclo que, desta vez, é um ciclo político. Esse ciclo dura à séculos e está associado com as instituições globais da economia reguladora.

Estamos a transferir dum ciclo de acumulação de capital norte-americano para um ciclo asiático. É outra crise que desafia a hegemonia dos EUA. Para manter a sua posição de comando frente à concorrência que lhe impõe uma China que não pára de crescer e outros países asiáticos, os EUA estão a inventar uma nova guerra na Europa. Querem enfraquecer a Europa, fracturar a Rússia, e subjugar todo o continente eurasiático. É o mesmo que dizer que, em vez de uma zona de desenvolvimento para todos de Lisboa a Vladivostok – que é a proposta do presidente Putin – os EUA querem iniciar uma guerra caótica neste mesmo território, envolver toda a Europa numa só guerra, desvalorizar os capitais europeus, cancelar por milagre a dívida pública nos EUA, dívida sob cujo peso os EUA, sim, já estão praticamente sucumbindo, riscar do mundo o que os EUA devem a Europa e à Rússia, subjugar o nosso espaço económico e estabelecer controle sobre os recursos do gigantesco continente euroasiático. Para os EUA, esse seria o único modo para conseguirem manter sua hegemonia e derrotar a China.

Infelizmente a geopolítica dos EUA que vemos hoje é exactamente idêntica à do século XIX. Eles ainda pensam nos termos das lutas geopolíticas do Império Britânico: dividir para conquistar. Lançar nações contra nações, empurrá-las umas contra as outras, iniciar uma guerra mundial. Desgraçadamente, os EUA ainda insistem naquela velha política britânica, para tentar resolver os seus problemas. A Rússia é o alvo seleccionado dessa política, e o povo ucraniano é usado como bucha de canhão numa nova guerra mundial.

Primeiro, os EUA decidiram tomar como alvo a Ucrânia e separá-la da Rússia. É a tácita inventada por Bismarck. É a velha tradição anti-Rússia, com o objectivo de envolver a Rússia num conflito, para conseguir tomar conta de todo o espaço da Euroásia. Foi a estratégia que Bismark usou, depois adoptada pelos britânicos, depois por Zbigniew Brzezinski, pensador e cientista político norte-americano que disse incontáveis vezes que a Rússia não poderia ser uma super-potência sem a Ucrânia, e que criar uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia seria benéfico [sic] para os EUA e o Ocidente.

Há 20 anos que os norte-americanos alimentam o nazismo ucraniano orientado contra a Rússia. Todos sabem que os EUA hospedaram os seguidores remanescentes de Bandera (Stepan), depois da II Guerra Mundial. Dezenas de milhares de nazistas ucranianos foram levados para os EUA e cuidadosamente cevados e treinados durante o pós-guerra. Essa leva de imigrantes desceu sobre a Ucrânia depois do colapso da União Soviética. A ideia de uma parceria ocidental foi usada como isca. Quem primeiro falou disso foram os polacos e na sequência, os EUA abraçaram a ideia. Essa é a essência da parceria ocidental, da qual a Geórgia foi a primeira vítima. Agora, a nova vítima está a ser a Ucrânia, e depois será a vez da Moldávia, para ir cortando os laços com a Rússia.

Todos sabem que a Rússia está a construir a União Aduaneira e um espaço económico comum com Bielorrússia e o Cazaquistão, ao qual se juntarão posteriormente, o Quirguizistão e a Arménia. A Ucrânia sempre foi a nação parceira dos russos, há muito tempo. A Ucrânia continua a ter um acordo comercial com a Rússia, que está em fase de ratificação – e que até hoje não foi cancelado por ninguém na Ucrânia. A Ucrânia é importante para nós como parte do nosso espaço económico e por séculos de laços e cooperação entre os nossos países. O nosso complexo científico e industrial foi criado como um todo, todavia a participação da Ucrânia na integração da Europa seja um processo vital e natural. Mas o projeto da “parceria ocidental” foi inventado para impedir que a Ucrânia participasse no projeto de integração da Eurásia. O significado da parceria ocidental é criar uma associação com a União Europeia. Qual a associação que Poroshenko assinou com os líderes europeus? Uma “associação” que converte a Ucrânia numa colónia. Por aquele acordo de associação com a União Europeia, a Ucrânia perde até a própria soberania: transfere para Bruxelas o controle do próprio comércio, políticas aduaneiras, regulação técnica e financeira e até a adjudicação de serviços e bens públicos.


4. A junta nazista ucraniana é um instrumento da política dos EUA



A Ucrânia deixa de ser estado soberano na economia e na política: está claramente escrito e assinado no acordo que a Ucrânia converte-se num parceiro “menor” na União Europeia. A Ucrânia compromete-se a seguir a defesa comum e a política externa da União Europeia. A Ucrânia fica obrigada a participar na resolução de conflitos regionais, sempre sob a liderança da União Europeia. E assim Poroshenko está a converter a Ucrânia numa colónia da União Europeia e empurrando a Ucrânia para uma guerra contra a Rússia como bucha de canhão, com a intenção de, assim, iniciar uma guerra na Europa. O objectivo do acordo de associação é permitir que os países europeus governem a Ucrânia sempre que se tratar de decidir conflitos regionais. É o que está a acontecer em Donbass, que é um conflito regional armado. O objectivo da política dos EUA é criar o maior número possível de mortos. A junta nazista que governa a Ucrânia é o instrumento dessa política dos EUA. Estão-se a cometer atrocidades inimagináveis e crimes sem conta, bombardeando cidade, matando civis, mulheres e crianças, e forçando-os a abandonar as próprias casas, exclusivamente para provocar a Rússia e, na sequência, lançar toda a Europa numa mesma grande guerra. Essa é a missão de que Poroshenko foi encarregado. Por isso, precisamente, é que Poroshenko rejeita todas e quaisquer negociações de paz e bloqueia todos e quaisquer acordos de paz. Cada “declaração” de Washington sobre qualquer “de escalada” no conflito é descodificada, por Poroshenko, como ordem para escalar o conflito. Cada ronda de conversações chamadas “de paz” desencadearam nova ronda de violência.

É preciso compreender que estamos a lidar com um estado nazista, que está determinado a conseguir entrar em guerra contra a Rússia e que já decretou recrutamento universal obrigatório. Toda a população do sexo masculino entre 18 e 55 anos de idade foi automaticamente alistada. Quem se recusar ao alistamento, receberá pena de 15 anos de cadeia. Esse poder nazista criminoso já converteu em criminosos toda a população ucraniana.


5. Washington trabalha a favor de seus Interesses, quando empurra a Europa para a Guerra




Calculamos que a economia europeia perderá cerca de 1 trilião de Euros por causa das sanções que os norte-americanos impuseram aos europeus. É muito dinheiro. Os europeus já começam a sentir as perdas. Já houve acentuada redução nas vendas para a Rússia. A Alemanha está a perder cerca de 200 biliões de Euros. Os estados do Báltico sofrerão as maiores perdas. A perda de vendas na Estónia será superior ao PIB do país. Na Letónia, será o equivalente a metade do PIB do país. Mas nem isso os detêm. Os políticos europeus seguem os norte-americanos sem sequer questionarem o que estão a fazer. Eles prejudicam-se a eles próprios, ao provocarem o nazismo e a guerra. Já disse que a Rússia e a Ucrânia são vítimas dessa guerra que está a ser fomentada pelos EUA. Mas a Europa também é vítima, porque a guerra visa destruir o estado social europeu [o que reste dele] e desestabilizar a Europa. Os norte-americanos esperam que, assim, prosseguirá o êxodo de capitais e cérebros europeus para os EUA. Por isso estão a incendiar a Europa inteira. É muito estranho que governos europeus estejam a alinhar com esse tipo de “projecto” dos EUA.


6. A Alemanha ainda é Território Ocupado




Não podemos continuar simplesmente a esperar que os líderes europeus desenvolvam uma política independente: temos de trabalhar com os políticos europeus de outra geração, capaz de manter-se independentes do diktat dos EUA. O facto é que nos anos da Guerra Fria formou-se na Europa uma elite política obcecadamente anti-soviética. E esses rapidamente se converteram em anti-Rússia. Apesar da expansão dramática de laços económicos e dos vastíssimos interesses económicos mútuos entre a Europa e a Rússia, a russofobia ainda é baseada em anti-sovietismo e sobrevive nas mentes de muitos políticos europeus. Será preciso esperar que uma nova geração de políticos europeus pragmáticos compreenda quais são os seus reais interesses nacionais. O que vemos hoje na Europa são políticos que agem contra os seus próprios interesses nacionais. Isso se explica em grande parte pelo facto de que a Alemanha, que é o motor do crescimento da Europa ainda ser um país ocupado. Ainda há tropas norte-americanas na Alemanha, e cada chanceler alemão ainda é obrigado a jurar fidelidade aos EUA e àquela política externa. A geração de políticos que ainda está no poder na Europa ainda não conseguiu livrar-se do cabresto da ocupação dos EUA.


7. O nazismo está em ascensão


Embora já não haja a União Soviética, aqueles políticos europeus continuam a obedecer Washington maniacamente, na expansão da NATO e na tentativa de capturar novos territórios – por mais “alérgicos” que já sejam aos novos membros orientais da União Europeia. A União Europeia já está a rebentar pelas costuras, mas nem por isso suspende a agressiva expansão na direção de território pós-soviético. Espero que uma próxima geração de políticos seja mais pragmática. As recentes eleições para o Parlamento Europeu mostraram que nem todos estão a ser completamente enganados pela propaganda pró-EUA e anti-Rússia, e pelo fluxo ininterrupto de mentiras que não para de ser lançado contra o povo europeu. Os partidos europeus tradicionais perderam nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Quanto mais se diga a verdade, maior será a reacção, porque o que está a acontecer na Ucrânia é o renascimento do nazismo. A Europa conhece bem e não esqueceu os sinais do renascimento do nazismo, por causa das lições da II Guerra Mundial. Temos de despertar essa memória histórica, de modo a que consigam ver os nazistas ucranianos que estão no governo em Kiev, os seguidores de Bandera, Shukhevych e outros colaboradores nazistas. A ideologia das actuais autoridades ucranianas tem raízes na ideologia dos cúmplices de Hitler que atiraram contra judeus em Babi Yar, queimando vivos ucranianos e bielorrussos e aniquilaram populações inteiras sem distinção de etnias. Esse é o nazismo que está em crescimento hoje. Os europeus têm de reconhecer nos mortos na Ucrânia os mortos europeus. É disso, afinal, que se trata.

Espero que, se continuarmos a explicar a verdade, conseguiremos salvar a Europa de mais essa ameaça de guerra.




Agradecimentos especiais ao blog The Vineyard of the Saker, por ter publicado esta sensacional entrevista 
Nota dos tradutores

[1] Sobre Sergey Glaziev ver também: 2/8/2014, “http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/08/para-por-fim-as-guerras-dos-eua-em-todo_2.html”>Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe Aliança Anti-dólar”.


[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige a sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelancer nos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o prémio Project Censored por uma reportagem de investigação sobre a "Operation FALCON", um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente em Counterpunch, Information Clearing House e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.

Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com.

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