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domingo, 8 de março de 2026

A INVASÃO DO IRÃO E A GEOPOLÍTICA DO MÉDIO ORIENTE

O conflito actual contra o Irão insere-se numa estratégia mais ampla dos EUA e de Israel para eliminar qualquer polo de resistência à sua hegemonia no Médio Oriente, visando não só os recursos energéticos e as alianças do país com a Rússia e a China, mas também servindo os interesses pessoais de líderes como Netanyahu e Trump, que usam a guerra para se desviarem de problemas judiciais internos.


Por Paulo Ramires

Vários países têm sido alvo de intervenções militares ou pressões por parte dos Estados Unidos e de Israel nos últimos tempos. No Médio Oriente, a destruição alastra-se da Palestina ao Líbano, Síria, Irão e Iémen, num processo de desestabilização que ameaça engolfar toda a região. Nas Caraíbas, a tensão entre Washington e países como a Venezuela e Cuba mantém-se elevada, com sanções e ameaças constantes à sua soberania. Canadá, México e Gronelândia são, por sua vez, alvos declarados da voracidade expansionista de Donald Trump, que não esconde ambições territoriais e económicas sobre estes vizinhos.

No Médio Oriente, a estratégia israelo-americana assume contornos particularmente perigosos. Benjamin Netanyahu e Donald Trump têm discutido abertamente a possibilidade de instrumentalizar a minoria curda — que representa cerca de 10% da população iraniana — como uma força de oposição armada contra o Estado Persa, cuja maioria étnica (48,2%) sustenta o regime dos aiatolas. Esta táctica de divisão étnica visa fragmentar o Irão por dentro, repetindo um padrão já testado noutros países da região.

A questão central é: porquê este ódio ao Irão? A resposta é simples, mas de implicações profundas. O Irão dos aiatolas é um aliado estratégico da Rússia e da China, formando com estes um eixo que desafia a hegemonia ocidental. Esta aliança trilateral é vista por Israel como uma ameaça existencial, e por Washington como um obstáculo à sua dominação global. O objectivo declarado é promover uma mudança de regime em Teerão, substituindo a actual República Islâmica por um governo fantoche liderado por figuras como o príncipe Reza Pahlavi, herdeiro da destronada dinastia Pahlavi, que vive no exílio e é próximo dos círculos de poder ocidentais e israelitas. O problema para este projecto é que Pahlavi não tem qualquer apoio significativo dentro das Forças Armadas iranianas nem na população em geral — o seu reduzido seguito limita-se a sectores da diáspora.

O eixo Irão-China-Rússia é, de facto, um dos principais alvos da geopolítica ocidental. Estes três países, para além de serem membros dos BRICS — aliança que reúne as economias emergentes numa plataforma de oposição ao domínio do G7 —, também integram a Organização para a Cooperação de Xangai (OCX), uma estrutura que articula objectivos comuns de segurança, cooperação económica e intercâmbio cultural, funcionando como um contrapeso à OTAN e às instituições lideradas pelos EUA.

O Irão, com os seus cerca de 90 milhões de habitantes e uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo, é uma peça fundamental neste tabuleiro. A sua produção energética alimenta, em grande medida, a economia chinesa, mas numa moeda que foge ao controlo americano: grande parte das transacções entre Teerão e Pequim são realizadas em yuan, contornando o sistema do petrodólar e fragilizando a hegemonia financeira dos EUA. Esta independência monetária é inaceitável para Washington, que vê no Irão um precedente perigoso para outros produtores de energia.

Para além destas motivações geopolíticas e geoestratégicas, o conflito com o Irão serve também interesses pessoais e políticos imediatos. Em Israel, Benjamin Netanyahu enfrenta múltiplos processos judiciais por corrupção, fraude e abuso de confiança. A permanência num estado de guerra permanente permite-lhe adiar julgamentos, justificar a suspensão de garantias democráticas e apresentar-se como o "protector da nação" perante a opinião pública, adiando assim a sua queda política e uma possível pena de prisão. Nos Estados Unidos, Donald Trump vê-se enredado nos explosivos Arquivos Epstein, cujas revelações ameaçam expor ligações comprometedoras com redes de tráfico sexual e chantagem de elite. A guerra funciona, neste contexto, como uma poderosa cortina de fumo para desviar a atenção mediática e judicial dos escândalos que envolvem a sua administração e o seu círculo mais próximo.

Importa sublinhar, ao contrário da propaganda belicista, que o Irão não possui armas nucleares nem tem demonstrado intenção clara de as desenvolver nos termos que os seus acusadores alegam. Os relatórios da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) têm consistentemente confirmado a ausência de um programa militar nuclear ativo em Teerão. A verdadeira motivação por detrás da agressão não é, pois, a neutralização de uma ameaça atómica — que não existe — mas sim a vontade de destruir a capacidade de resistência do Irão, replicando o que já foi feito na Palestina e no Líbano: pulverizar a infra-estrutura do Estado, semear o caos e impedir que Teerão continue a afirmar-se como uma potência regional capaz de contrabalançar a hegemonia israelita.

O que está em jogo, no fundo, é a imposição de uma nova ordem no Médio Oriente onde Israel possa exercer uma supremacia incontestada, livre de qualquer contrapeso regional, e onde os EUA possam continuar a ditar os termos do comércio energético global sem desafios à sua moeda ou à sua influência. O Irão, pela sua localização estratégica, pelos seus recursos e pelas suas alianças, é o último dique a romper neste projecto de dominação total.

RD

sábado, 7 de março de 2026

O DECLÍNIO DO REGIME DOS EUA E AS SUAS GUERRAS NO MUNDO

A guerra dos EUA contra o Irão é mais um episódio na crise da ordem imperialista construída por mais de um século pelas potências capitalistas para garantir a expansão da sua capital.


Por Carmen Parejo Rendón, jornalista espanhola

O conflito dos EUA com o resto do mundo – visível hoje em cenários como o Irão, entre outros – não é uma reacção conjuntural, mas a expressão de uma lógica histórica mais profunda. Compreendê-la exige analisar como a sua hegemonia global foi construída e por que motivo esse poder depende cada vez mais de confrontos permanentes.

A ascensão dos EUA como líder do centro imperialista mundial está ligada às duas guerras mundiais do século XX. A primeira foi, em essência, uma guerra entre potências europeias pela divisão colonial do planeta; a segunda ocorreu quando essas potências derrotadas ou insatisfeitas tentaram reconstruir impérios perdidos ou avançar para novos territórios.

Dessa confrontação nasceram projectos como o fascismo italiano e o nazismo alemão, que, como alertou Aimé Césaire, não fizeram mais do que aplicar na Europa os métodos de dominação que as potências coloniais praticavam há séculos na África, na Ásia e na América. Portanto, assim como não podemos separar o capitalismo do fascismo, também não podemos separá-lo do imperialismo que o gerou.

Foi nessa crise da ordem imperial europeia que o mapa do poder mundial mudou radicalmente. Entre a Normandia e o olhar devastador de Hiroxima e Nagasáqui, o declínio das antigas potências imperiais foi selado: o Japão foi derrotado e a Europa devastada, os seus impérios começaram a rachar e, nesse vazio histórico, os Estados Unidos emergiram como o novo centro do sistema capitalista internacional.

Mas essa nova hegemonia não surgiu de uma lógica diferente. A própria história americana foi marcada pelo mesmo impulso de expansão. Nascida como uma colónia europeia baseada na expulsão e extermínio dos povos indígenas, o seu crescimento territorial foi projectado desde a conquista do oeste e a anexação de territórios mexicanos até à dominação das Caraíbas e da América Latina.

Como Marx explicou, não são os povos que precisam de expandir, mas o capital, que busca incessantemente novos mercados, matérias-primas e espaços de investimento; uma dinâmica que impulsionou tanto a expansão dos antigos impérios europeus quanto a subsequente ascensão dos Estados Unidos.

No entanto, essa ascensão foi marcada por contradições profundas. A industrialização deu origem a um poderoso movimento operário que liderou intensas lutas sociais, ao qual o Estado, como instrumento de dominação do capital, respondeu com repressão, perseguição sindical e um constante reforço dos seus mecanismos de controlo político. Ao mesmo tempo, o século XX foi marcado por revoluções que desafiaram a ordem dominante — México em 1910, Rússia em 1917 e Cuba em 1959, entre outras — demonstrando que sistemas alternativos podiam ser construídos com base nos interesses dos trabalhadores e camponeses.

Nesse cenário de confronto global, Washington consolidou a sua hegemonia por meio da ordem económica que emergiu de Bretton Woods: o dólar tornou-se o eixo do sistema financeiro internacional, inicialmente respaldado pelo ouro e, após a sua dissolução em 1971, sustentado pela aliança com as monarquias do Golfo e pelo nascimento do sistema petrodólar.

Após o desaparecimento da União Soviética e do Bloco Socialista, a vitória definitiva desse modelo parecia confirmada; mas quando perdeu o seu principal antagonista, o sistema precisou de novos inimigos para justificar o seu aparato militar. Nesse vazio, o chamado 'Islão político' ocupou o lugar que o comunismo ocupava anteriormente. Assim, enquanto as Guerras do Golfo, do Iraque ou do Afeganistão foram apresentadas como uma luta contra o 'terrorismo', na verdade foram uma resposta ao controlo geopolítico de regiões estratégicas para o fornecimento de energia e a hegemonia dos EUA.

Nesse cenário regional, o Estado de Israel ocupa um lugar central. Fundado em 1948 após o fim do mandato colonial britânico sobre a Palestina, é um legado directo da ordem imperial europeia na Ásia Ocidental: um enclave que sobreviveu à descolonização e cujo controlo gradualmente se deslocou das antigas metrópoles europeias para o novo centro do poder imperial.

A sua aliança com Washington não é uma dependência invertida, mas a continuidade desse mesmo aparato de dominação sob outra direcção. Às vezes discute-se se Israel é o cão ou a cauda; na realidade, ambos fazem parte do mesmo corpo. Israel actua como um posto militar na região enquanto Washington protege esse enclave para garantir a sua dominação sobre o coração energético do sistema mundial.

No entanto, essa ordem imperial herdada do século XX não demorou a mostrar as suas fissuras. A partir dos anos 2000, novas tensões começaram a surgir no sistema internacional. A invasão do Iraque em 2003 revelou os limites do poder militar dos EUA, enquanto um ciclo político emergiu na América Latina que questionava abertamente a hegemonia de Washington. O "fim da história" proclamado nos anos 1990 não foi apenas prematuro, mas profundamente equivocado.

No seu cerne, o problema para os EUA está numa contradição difícil de sustentar: a enorme estrutura económica criada por décadas de acumulação precisa de ser constantemente expandida, mas num mundo onde novas potências e regiões estão a surgir e a exigir maior autonomia, essa margem de expansão está a diminuir. Quando o crescimento deixa de satisfazer as necessidades do capital, a concorrência torna-se mais agressiva e, consequentemente, a política externa assume formas cada vez mais violentas.

Cada administração reflectiu, à sua maneira, esta deriva: George W. Bush articulou a 'guerra das civilizações' após o 11 de Setembro; Barack Obama expandiu o uso de drones e intervenções indirectas; Joe Biden consolidou novas doutrinas estratégicas, incluindo a possibilidade do uso preventivo de armas nucleares. O reaparecimento de Donald Trump condensa muitas destas tendências: um império cada vez mais ansioso por preservar a sua posição dominante, uma sociedade profundamente fragmentada e o surgimento de correntes reaccionárias que sempre fizeram parte da história americana, mas que hoje alcançam uma visibilidade sem precedentes no poder estatal.

Quando o crescimento deixa de satisfazer as necessidades do capital, a concorrência torna-se mais agressiva e, consequentemente, a política externa assume formas cada vez mais violentas.

É neste contexto que a actual agressão contra o Irão deve ser compreendida. Não é apenas mais uma intervenção. O Irão não é um estado isolado nem uma pequena nação cercada por bases americanas, mas sim uma potência regional com uma estrutura militar considerável e localizada na encruzilhada estratégica entre a Ásia Ocidental, a Ásia Central e o Cáucaso, além de manter laços cada vez mais próximos com a Rússia e a China. No entanto, não é uma potência agressora que projecta bases militares por todo o planeta. O que está em jogo é o seu direito de defender a sua soberania contra a agressão militar, económica e política dos Estados Unidos e do seu principal aliado regional, Israel, que actualmente está em paralelo a perpetrar genocídio contra a população de Gaza.

Alimentar este ninho de vespas pode desencadear reacções em cadeia do Oeste Asiático até às fronteiras sul da Rússia ou ao oeste da China. Não seria um conflito local, mas mais um episódio na crise da ordem imperialista construída por mais de um século pelas potências capitalistas – primeiro europeias e depois americanas – para garantir a expansão do seu capital.

Na Ucrânia, a OTAN promoveu uma guerra por procuração contra a Rússia; hoje a pressão também é dirigida contra o Irão, enquanto a rivalidade com a China reorganiza a política mundial. Isto não é um conflito 'civilizacional', mas a reacção de um imperialismo em crise que tenta preservar pela força uma ordem internacional projectada para sustentar a sua dominação económica e estratégica.

E aí reside o maior perigo do nosso tempo. Um regime em profunda crise – aliado a outro, no mesmo processo de decomposição (Israel) – parece cada vez mais disposto a usar confrontos externos para sustentar uma ordem fracturada. Mas a guerra que poderiam desencadear não seria apenas contra o Irão, mas contra qualquer tentativa de superar o sistema imperialista que domina o mundo há décadas. Por isso, hoje é mais urgente do que nunca levantar um slogan claro de todos os cantos do planeta: não à guerra do imperialismo contra o Irão e contra o mundo.



Fonte: https://observatoriocrisis.com


Tradução RD




sexta-feira, 6 de março de 2026

'A AMEAÇA É UMA MENTIRA': ENCONTRE A ÚNICA VOZ ANTI-GUERRA DE ISRAEL NO PARLAMENTO

Netanyahu não se importa com o Islão ou com o Islão radical, Cassif diz à RT que a guerra é movida por agendas pessoais e políticas, não por ameaças reais.


À medida que Israel e os Estados Unidos avançam com a sua ampla campanha militar contra o Irão, o consenso político em Jerusalém parece quase absoluto.

Em Israel, a guerra atraiu apoio de grande parte do espectro político. O líder da oposição, Yair Lapid, há muito tempo um crítico feroz de Netanyahu, iniciou uma série de entrevistas internacionais a defender a campanha. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, outro rival político, descreveu a ofensiva como um esforço para enfraquecer "a máquina de opressão" no Irão para que o seu povo pudesse decidir o seu próprio futuro mais tarde.

Mas dentro do Knesset de 120 assentos, um deputado desafia a narrativa oficial, argumentando que a guerra é movida menos pela segurança do que por cálculo político.

Ofer Cassif, o único membro judeu do partido predominantemente árabe Hadash, emergiu como um dos poucos parlamentares que se opõem abertamente à guerra. Em entrevista à RT, fez uma avaliação crítica e aguda sobre os seus motivos, momento e provável trajetória.

Mentiras, poder e eleições por trás da guerra

RT: Israel e os EUA dizem que a guerra era necessária para impedir que o Irão obtivesse armas nucleares e para deter a ameaça dos seus mísseis balísticos. Quão fundamentadas são estas alegações?

Cassif: É importante lembrar que em junho passado, após a primeira agressão contra o Irão, Netanyahu declarou o seguinte: "Alcançámos uma vitória histórica. Removemos a ameaça dos mísseis nucleares. Eliminámos o projeto nuclear do Irão e a sua indústria de mísseis."

Portanto, ele mentiu naquela época, e está a mentir agora tanto sobre as armas nucleares quanto sobre a ameaça dos mísseis. A verdadeira razão por trás da agressão são os interesses políticos e económicos do governo de Israel e da administração dos Estados Unidos, a administração de Trump. Esse é o verdadeiro motivo. Não tem nada a ver com uma ameaça real.

Obviamente, isto não significa que eu tenha qualquer tipo de simpatia pelo regime do Irão. Eu sou contra. Mas, ao mesmo tempo, sou contra esta agressão porque ela não tem nada a ver com o bem-estar do povo iraniano, a quem apoio na sua luta. E não tem nada a ver com a ameaça, como acabei de mencionar. Tem tudo a ver com interesses económicos e políticos, incluindo os interesses pessoais de Netanyahu, que quer declarar eleições antecipadas e apresentar-se como o salvador de Israel perante os iranianos e de toda a região.

RT: Outra afirmação que os políticos israelitas estão a repetir agora é que Israel está a liderar uma guerra contra o islamismo radical pelo bem do mundo livre. Qual é a sua posição sobre isso?

Cassif: Netanyahu não se importa com o Islão ou com o Islão radical. Não se importa com o regime iraniano, com o bem-estar do povo iraniano, ou mesmo com o povo israelita. Importa-se apenas consigo mesmo. Tem pavor da prisão. Sabe que, uma vez que perder o poder político, pode rapidamente encontrar-se atrás das grades por causa do julgamento que está pendente contra ele.

Essa é a verdadeira razão para a sua retórica. Não está a salvar o mundo do islamismo radical. E, de qualquer forma, não acredito que o Islão radical seja o principal problema que o mundo enfrenta hoje. Claro, o Islão fanático é um problema, como qualquer fanatismo. Mas não acho que seja pior do que os evangélicos fanáticos nos Estados Unidos ou o chamado fanatismo sionista religioso em Israel.

O principal perigo que o mundo enfrenta é o capitalismo, que é responsável por estas agressões, assim como pela crise climática, que provavelmente é a maior ameaça de longo prazo que todos enfrentamos. Infelizmente, líderes como Netanyahu, Trump e outros tornam este problema ainda mais grave.

É isto que precisamos de enfrentar, não o Islão radical.

RT: E quanto ao momento do ataque? Porque agora?

Cassif: O momento da agressão serve os interesses tanto de Netanyahu quanto de Trump, antes de tudo pessoalmente. Como mencionei, há eleições intercalares nos Estados Unidos, e as eleições aqui deveriam ser em outubro, mas aparentemente podem ser adiadas para junho. Infelizmente, tanto estes líderes como as suas administrações à volta acreditam que tal agressão lhes servirá eleitoralmente.

De marginalizado a ouvido?

RT: Você foi uma das poucas vozes que se manifestaram contra a guerra. Como é percebido em Israel e quão isolado se sente?

Cassif: Tem sido bastante sistemático desde a criação do Estado: sempre que há uma guerra, ou qualquer tipo de conflito ou crise, infelizmente há um conformismo entre a grande maioria das pessoas em Israel, especialmente políticos. Portanto, habituámo-nos a ser relativamente isolados e marginalizados porque somos, na verdade, a única força política que sempre foi contra qualquer tipo de agressão e guerra.

Uma vista de um prédio danificado, atingido dias antes, durante a
 campanha militar EUA-Israel em 4 de Março de 2026 em Teerão,
 Irão. © Majid Saeedi / Getty Images


Até agora, vimos isto, embora fôssemos sempre os primeiros e únicos a opor-nos a guerras como, por exemplo, a primeira Guerra do Líbano ou o ataque a Gaza antes de o genocídio começar há quase três anos. No início, fomos sempre marginalizados e isolados. Mas, com o tempo, cada vez mais pessoas, incluindo políticos e grupos políticos, começaram a entender que aquelas guerras ou agressões eram uma farsa.

Hoje em dia, por causa dos últimos dois anos e meio desde o massacre de outubro [2023], há mais pessoas, não necessariamente politicamente alinhadas connosco, que não confiam em Netanyahu, no governo e na sua coligação em geral. Ainda somos minoria, ainda marginalizados, mas não como antes.

RT: Embora agora seja minoria, com 81% do público israelita a apoiar a guerra, segundo uma sondagem recente, quão realista é influenciar o discurso e parar a guerra?

Cassif: Acredito que no futuro, se a guerra não parar, à medida que a destruição e a morte crescem dentro de Israel também, e a ideia perece, talvez até nos encontremos na maioria. Como disse antes, o campo anti-guerra em Israel é grande, mas não o suficiente. Definitivamente não é a maioria.

É realista influenciar, porque também existem circunstâncias objetivas. À medida que esta agressão evolui, temo que veremos um preço tão grande que cada vez mais pessoas em Israel se alinharão connosco contra a guerra. Não creio que vamos conseguir parar a agressividade internamente no momento.

Acho que a única maneira de parar a agressão agora é se o público americano, que, segundo sondagens, já tem maioria contra a guerra, for para as ruas. Especialmente se dentro da base republicana houver uma indicação pública muito clara contra a agressão. Trump, especialmente com a aproximação das eleições intercalares, pode impedir a guerra por seu próprio bem. Tal como Netanyahu, ele também se importa apenas consigo mesmo.

Portanto, a chave está nas mãos do público americano. Se eles saírem às ruas ou aplicarem pressão suficiente sobre Trump e a sua administração, acredito que a agressão pode parar.

Uma voz solitária em tempos de guerra

À medida que os aviões israelitas continuam as suas operações e Washington sinaliza o seu apoio inabalável, o establishment político em Jerusalém permanece amplamente unido em torno da campanha. No entanto, a dissidência de Cassif sublinha que o consenso não é absoluto.

Se os seus alertas terão impacto mais amplo depende, como ele sugere, de como o conflito se desenrolar, no campo de batalha, nas ruas das cidades israelitas e, talvez mais decisivamente, no clima político dos Estados Unidos.

Por enquanto, num parlamento de 120 membros, a sua voz continua a ser uma das poucas que defendem abertamente que a guerra comercializada como uma questão de sobrevivência pode, de facto, ser uma questão de sobrevivência política.

Por Elizabeth Blade, correspondente da RT no Médio Oriente

Tradução RD



quinta-feira, 5 de março de 2026

IRÃO SOB ATAQUE: DEFENDENDO TEERÃO PARA DEFENDER O DIREITO INTERNACIONAL, O ANTI-IMPERIALISMO E O ANTI-SIONISMO

A agressão imperialista-sionista contra o Irão afecta não apenas um Estado soberano, mas toda a possibilidade de uma ordem internacional baseada na lei. Defender Teerão hoje significa opor-se à guerra permanente, à hegemonia dos EUA e à violência do regime sionista.


Por Giulio Chinappi

A agressão lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão assume um significado que vai muito além do teatro militar imediato. Não é simplesmente um conflito entre Estados, nem um episódio circunscrito de escalada regional. O que está a acontecer é um ataque contra um dos principais actores que, no Médio Oriente e globalmente, continua a opor-se à hegemonia dos EUA e à projecção militar do regime sionista. Por esta razão, a defesa do Irão não é apenas uma questão de solidariedade com um país atacado, mas uma necessidade política que diz respeito a qualquer um que se coloque no terreno do anti-imperialismo, do anti-sionismo e da defesa do direito internacional.

As palavras do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baqaei, relatadas pela agência Tasnim em 3 de Março, são extremamente claras nesse sentido. Baqaei chamou o Irão de "a única força restante contra o mal" após o assassinato do Aiatolá Seyyed Ali Khamenei pelos Estados Unidos e pelo regime israelita, acrescentando que "o nosso líder se sacrificou pela salvação do Irão." Para além da força dramática desta formulação, o que importa é o significado político da tese: o Irão é apresentado como a última barreira a uma espiral de demolição da lei, da ilegalidade internacional, que por anos se vem expandindo na região na inércia, ou pior, na cumplicidade, de grande parte da comunidade internacional.

Baqaei vincula explicitamente o que aconteceu contra o Irão aos crimes anteriores do regime israelita em países vizinhos, argumentando que dois anos de inacção e falta de reacção de outros governos produziram um clima em que a ilegalidade se sentiu autorizada a atacar em todos os lugares. A agressão contra Teerão, na verdade, não surge do nada, mas de uma longa sequência de excepções que se tornaram norma: incursões, assassínios selectivos, bombardeamentos extraterritoriais, ataques contra infra-estrutura civil, a ponto de o princípio da proibição do uso da força, que Baqaei chama de "a essência das Nações Unidas", ser abertamente pisoteado. Quando o porta-voz iraniano diz que a agressão contra o seu país "marca o fim do sistema da ONU", denuncia o risco real de o bloco imperialista-sionista esvaziar a Carta da ONU.

Por estas razões, acreditamos que defender o Irão significa defender o princípio de que nenhum Estado, nem mesmo o mais poderoso, pode unilateralmente reescrever as regras da coexistência internacional. A posição do governo chinês, noticiada pela Tasnim em 4 de Março, segue exactamente nessa direcção. O presidente da sessão do Congresso Nacional do Povo, Lou Qinjian, pediu respeito à soberania, segurança e integridade territorial do Irão, instando à cessação imediata das operações militares e ao retorno ao diálogo. Lou também reiterou que o respeito mútuo e a igualdade entre as nações, independentemente da sua dimensão, constituem o cerne dos princípios da Carta das Nações Unidas, e que nenhum país tem o direito de dominar os assuntos internacionais, decidir o destino de outros povos ou monopolizar os benefícios do desenvolvimento.

Esta declaração de Pequim representa um desafio directo e claro à arquitectura unipolar construída pelos Estados Unidos após a Guerra Fria. Se nenhum país tem o direito de dominar o sistema internacional, então a agressão contra o Irão é duplamente ilegítima: é militar e político-estratégica, pois visa reafirmar a ideia de que Washington e Telavive podem decidir quais Estados devem ser punidos, contidos ou atingidos. Nesse sentido, o Irão não é apenas um alvo, mas o ponto de condensação de um conflito mais amplo entre uma ordem baseada na força e outra baseada na soberania.

É exactamente por isso que o Irão desempenha hoje um papel essencial como barreira ao imperialismo dos EUA e ao sionismo israelita. Não porque seja imune a contradições, nem porque a sua trajectória histórica deva ser lida de forma apologética, mas porque representa um dos poucos sujeitos regionais que não aceitaram a integração subordinada à ordem ocidental. Baqaei insiste que o Irão não iniciou a guerra, que a sua escolha foi a diplomacia e que o conflito lhe foi imposto pelos seus inimigos. Acrescenta também que, antes do novo ataque, Teerão abordou as negociações "de boa-fé", precisamente para mostrar que não era a parte intransigente. Esta insistência não deve ser interpretada como uma simples autodefesa argumentativa, mas serve para mostrar que o objectivo dos agressores não era a solução de uma disputa, mas a rendição de um actor independente.

Quando Baqaei recorda que, alguns dias antes das negociações, o enviado dos EUA, Witkoff, se perguntou por que o Irão não se rendeu, o quadro fica ainda mais claro. O bloco imperialista-sionista não procura compromisso, mas capitulação. É por isso que a resistência iraniana ganha um valor geral. Defender o Irão, neste contexto, significa opor-se à alegação de que a diplomacia só é permitida quando leva à aceitação das quatro condições unilaterais indicadas por Washington: o fim do programa nuclear, o fim do programa de mísseis, o fim do apoio regional e a neutralização da capacidade naval. Baqaei chama a estas justificativas "mentiras fabricadas para justificar a agressão", mostrando que a guerra não é resultado do fracasso da diplomacia, mas da sua sabotagem deliberada.

O anti-sionismo, nesta perspectiva, não é um elemento acessório, mas uma parte constitutiva da leitura do conflito. Baqaei fala explicitamente dos "EUA e dos regimes terroristas sionistas", acusa o regime israelita de não parar por nada e até relembra a possibilidade de operações de bandeira falsa, citando relatos de que agentes da Mossad com a intenção de plantar bombas foram presos no Catar e na Arábia Saudita. Convoca os países árabes a pensarem com cuidado, argumentando que o regime sionista não hesita em expandir a guerra e manchar a imagem do Irão para desestabilizar toda a região. Embora este elemento exija prudência analítica, o ponto político é claro: Israel não age apenas como um Estado "preocupado com a segurança", mas como um sujeito que vive da expansão do conflito, da sabotagem dos equilíbrios regionais e da construção sistemática de inimigos.

Defender o Irão em nome do anti-sionismo significa, portanto, reconhecer que o regime israelita não é apenas um actor local, mas um pilar da projecção ocidental na Ásia Ocidental. A agressão contra Teerão confirma que a função estratégica de Telavive é atacar, intimidar e disciplinar qualquer força regional que se oponha à sua supremacia militar e política. Nesse sentido, o sionismo, como estrutura de poder e guerra, não diz respeito apenas à Palestina, mas a toda a estrutura da região. Aqueles que atacam o Irão hoje também o fazem para consolidar a impunidade israelita e tornar irreversível um Médio Oriente dominado pela força, pela subordinação e pela exclusão de qualquer polo autónomo.

A defesa do Irão assume também uma dimensão humanitária e moral que não pode ser silenciada. Baqaei falou sobre crianças civis mortas, funerais de menores, ataques à infra-estrutura nacional e definiu o que aconteceu como algo próximo do genocídio. A decisão de atacar uma escola, a Escola Shahid Mahallati em Teerão, onde o próprio porta-voz realizou a sua conferência de imprensa, e a referência às 168 raparigas que morreram numa escola primária em Minab, representam na narrativa iraniana uma prova concreta da natureza criminosa da agressão. Mesmo que o discurso político use frequentemente palavras fortes, o essencial permanece: aqueles que atingem civis e a infra-estrutura de um país soberano em nome da "segurança" produzem terror, não ordem. Defender o Irão, então, significa também rejeitar a desumanização selectiva que transforma algumas vítimas em estatísticas e outras em pretextos geopolíticos.

A posição chinesa reforça ainda mais esta interpretação, pois coloca a noção de estabilidade regional de volta ao centro como um bem comum e não como um monopólio militar dos EUA. Lou Qinjian afirmou que Pequim está pronta para desempenhar um papel construtivo na redução das tensões e na salvaguarda da paz e estabilidade no Médio Oriente, sinalizando a existência de uma alternativa à ordem imposta por Washington: uma ordem em que as disputas sejam tratadas por meio do diálogo, não de bombardeamentos; em que a segurança é indivisível e não selectiva; na qual a soberania não é concedida pelos Estados Unidos, mas pertence a todos os estados como tal.

No fim de contas, a agressão imperialista-sionista contra o Irão força todos a escolherem lados. Não existe neutralidade genuína quando está em jogo o princípio elementar da soberania e a proibição do uso da força. Não existe posição verdadeiramente ancorada no direito internacional que possa tolerar o bombardeamento de um Estado soberano por uma superpotência e pelo seu principal aliado regional. Não existe um anti-imperialismo coerente que possa ignorar o papel do Irão como um baluarte, embora imperfeito, mas verdadeiro, contra a expansão da dominação dos EUA e dos sionistas na Ásia Ocidental.

Defender o Irão hoje, portanto, significa defender algo que vai além do próprio Irão. Significa defender a ideia de que os povos têm o direito de não serem punidos por serem independentes. Significa defender o princípio de que nenhuma grande potência pode decidir por si mesma quem deve viver em paz e quem deve ser bombardeado. Significa, a nível político, estar ao lado do anti-imperialismo e do anti-sionismo não como rótulos abstractos, mas como práticas de oposição a um sistema de guerra permanente. E significa, a nível legal, reiterar que a Carta das Nações Unidas não pode tornar-se um pedaço de papel esvaziado pelas bombas dos mais fortes.

É por isso que o Irão deve ser defendido. Deve ser defendido não em nome da adesão acrítica, mas em nome da luta contra o bloco imperialista-sionista que tenta impor a sua própria lei à região e ao mundo. Deve ser defendida porque, se o princípio da sua soberania cair, os próprios resíduos do direito internacional cairão com ela. Deve ser defendida porque a agressão contra Teerão é um teste decisivo para compreender se o futuro será o da barbárie geopolítica ou o de uma ordem mais justa e multipolar, baseada na igualdade entre as nações.






Tradução RD







quarta-feira, 4 de março de 2026

PEDRO SÁNCHEZ PÉREZ-CASTEJÓN DEIXA UMA IMAGEM DE DIGNIDADE E RESISTÊNCIA À BARBÁRIE DOS EUA E ISRAEL



Por Lorenzo Tosa

Neste momento aterrador da história, resta apenas um homem na Europa que, praticamente sozinho, carrega a dignidade humana e política de todo um continente.

Seu nome é Pedro Sánchez Pérez-Castejón, o Primeiro-Ministro da Espanha.

O único homem que, nos últimos 14 meses da presidência de Trump, conseguiu opor-se com extraordinária dignidade ao homem mais poderoso, perigoso e vingativo do mundo.

O homem que, em junho de 2025,  se recusou a aumentar os gastos militares em 5% do PIB, conforme ordenado pelo patrão (dos outros) americano. 

O único homem que, durante dois anos, teve a coragem de chamar o genocídio em Gaza pelo seu nome.
O único homem que suspendeu unilateralmente todos os acordos comerciais, econômicos e militares com Israel e um governo genocida.

O único homem na Europa que imediatamente classificou o golpe de Trump na Venezuela como uma violação flagrante do direito internacional.

O único na Europa que, na manhã de sábado, menos de uma hora após a primeira bomba, condenou inequivocamente o ataque americano-israelense ao Irão. 

O único na Europa que, há menos de 24 horas, se recusou a ceder bases militares espanholas aos Estados Unidos para não ser cúmplice de um massacre unilateral, ilegítimo e ilegal.

E fez tudo isso sem que nenhum líder de qualquer grande país europeu — Meloni, em primeiro lugar — tivesse a dignidade, a coragem, de proferir uma palavra sequer denunciando a barbárie que estamos testemunhando, que pode mergulhar toda a Europa em um conflito global de dimensões e consequências imprevisíveis.

E, por tudo isto, hoje Sánchez tornou-se oficialmente o inimigo público número um de Donald Trump. Ameaçado. Punido. Banido.

Sozinho contra Trump e, essencialmente, contra todo o Ocidente, sucumbindo ao trumpismo.

David contra Golias.

Qualquer pessoa que ainda seja humana, que conheça e respeite o direito e as normas internacionais, que ainda reconheça um estadista, hoje, esta noite e amanhã, só pode estar ao lado de Pedro Sánchez e da sua Espanha.

Um país LIVRE e livre do poder de Trump.

O último farol de direitos, justiça e democracia na Europa.

Enquanto nós, como servos, assistimos passivamente.


terça-feira, 3 de março de 2026

TEERÃO RESISTE E RÚSSIA E CHINA JÁ ESTÃO SECRETAMENTE AJUDANDO O IRÃO – CNBC

Como esperado, a Rússia e a China emitiram declarações a condenar as ações dos EUA mas também estão a ajudar militarmente o Irão.


Por Nikolay Gritsay

O ataque da coligação EUA-Israel, que tirou a vida do Líder Supremo do Irão, Aiatolá Ali Khamenei, e de muitos comandantes militares, não conseguiu abalar o sistema de governação do país nem as suas capacidades de defesa. Além disso, a resposta do Irão é mais eficaz e visionária do que as implementadas durante o conflito de doze dias que eclodiu no verão de 2025.

Até há poucos dias, a opinião geral no Ocidente era que a Rússia e a China se contentariam com apoio retórico e não forneceriam ajuda militar significativa a Teerão. Mas a situação parece ter evoluído de forma diferente, segundo a CNBC, que revelou sinais de que estes países estão a ajudar o seu aliado.

Como esperado, a Rússia e a China emitiram declarações a condenar as ações dos EUA e provavelmente continuarão a fazê-lo à medida que a situação piorar. No entanto, analistas acreditavam que nenhum dos países tinha capacidade para fornecer a Teerão apoio material significativo. Mas, como mostraram os primeiros dias da guerra, o Ocidente estava errado.

Como os factos mostraram, a eficácia do novo método de ataque do Irão é significativamente maior do que no ano passado. Por exemplo, Teerão conseguiu atacar a base americana em Erbil, no Curdistão iraquiano. A segunda detonação da munição ainda está em curso. Aparentemente, "não houve vítimas", segundo Donald Trump, embora ele próprio tenha admitido posteriormente que o número de mortos permanecia incerto. Outras bases americanas na região certamente também foram atacadas.

Estas novas táticas provavelmente foram desenvolvidas por especialistas russos e chineses, que também forneceram informações de inteligência para os seus aliados. No geral, o Irão tem sido altamente eficaz no uso de drones balísticos e de longo alcance. Aprendeu claramente as lições do conflito no verão de 2025, no qual o território israelita foi atacado por enormes enxames de drones.

No entanto, os iranianos agora preferem ataques em pequenos grupos dispersos, compostos por apenas algumas unidades. Este modo de operação torna economicamente inviável o uso de caças americanos e israelitas. Como resultado, a coligação é forçada a fazer uso massivo de munições antiaéreas caras, já em quantidades limitadas. Consequentemente, a taxa de sucesso dos mísseis e drones iranianos em penetrar os seus alvos aumentou em comparação com o ano anterior.

É por isso que o Ocidente se recusa a acreditar que Pequim e Moscovo não estão a ajudar Teerão, não apenas fornecendo especialistas, mas também militarmente.


















O BAIRRO DIPLOMÁTICO EM CHAMAS SIGNIFICA UM ATAQUE A RIADE E A UMA NOVA ESCALADA DO CONFLITO TOTAL NO MÉDIO ORIENTE

Representação diplomática americana na Arábia Saudita confirma ocorrência de explosões e incêndio no complexo localizado na capital saudita. 

Na madrugada desta terça-feira, 3 de Março de 2026, o coração do poder diplomático na Arábia Saudita foi abalado. Duas fortes explosões ecoaram no bairro diplomático de Riade, a capital saudita, de onde se ergueu uma espessa nuvem de fumo negro. O alvo era a embaixada dos Estados Unidos. Fontes oficiais sauditas confirmaram que o complexo foi atingido por dois drones, num atque que, segundo o Ministério da Defesa da Arábia Saudita, causou um "incêndio limitado e pequenos danos materiais" . A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) reivindicou imediatamente a ação, publicando no Telegram que a explosão na representação diplomática de Washington era um passo no seu esforço para destruir "centros políticos americanos" na região, em retaliação pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra território iraniano no fim de semana .

Este ataque a Riade não é um incidente isolado, mas sim a face mais visível de uma escalada militar de proporções impressionantes que agora engole toda a região do Golfo. O ataque à embaixada surge no quadro da operação iraniana "True Promise 4" (Promessa Verdadeira 4), uma resposta directa e massiva aos bombardeamentos americanos e israelitas que, no sábado, vitimaram o Líder Supremo do Irão, Aiatolá Ali Khamenei, e dezenas de outros altos funcionários . O que se segue é uma análise dos acontecimentos que se desenrolam a uma velocidade vertiginosa, cruzando os factos confirmados com o contexto geopolítico imediato.

A Resposta em Cadeia: Instalações Americanas na Mira

O ataque à embaixada em Riade é apenas uma peça de um puzzle militar muito mais vasto. Testemunhas e fontes oficiais de vários países do Golfo relatam uma vaga de ataques coordenados contra infraestruturas militares e logísticas dos EUA, numa clara demonstração de força e capacidade de alcance por parte de Teerão.

  • Barém: O centro de apoio da Quinta Frota dos EUA, no Barém, foi atingido por mísseis, confirmando-se explosões na base naval .
  • Kuwait: A Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, foi alvo de mísseis balísticos. A Força Aérea italiana, que tem pessoal estacionado na base, confirmou que a pista sofreu "danos significativos", embora não haja vítimas entre os militares italianos . O Ministério da Defesa do Kuwait confirmou que as suas defesas aéreas intercetaram "mísseis que se aproximavam" .
  • Qatar: A Base Aérea Al Udeid, que alberga o Comando Central das forças americanas e britânicas na região, foi igualmente visada. As defesas aéreas do Qatar afirmaram ter intercetado e destruído mísseis . A embaixada dos EUA em Doha emitiu um alerta urgente para que os cidadãos procurassem abrigo .
  • Emirados Árabes Unidos: Explosões foram ouvidas em Abu Dhabi e Dubai. A Base Aérea de Al Dhafra, uma importante instalação militar que alberga forças dos EUA, foi um dos alvos . As autoridades dos Emirados confirmaram que fragmentos de mísseis intercetados caíram sobre uma área residencial em Abu Dhabi, matando pelo menos um civil .
  • Jordânia e Iraque: As defesas aéreas jordanas intercetaram projéteis que violaram o seu espaço aéreo, e o norte do Iraque, incluindo a região de Erbil, também registou explosões .

O Contexto: A Guerra Aberta e a Crise Humanitária e de Viagens

Este ataque coordenado surge num contexto de guerra declarada. Após o início das operações militares dos EUA e de Israel no sábado, que Trump descreveu como "operações de combate massivas e contínuas" com o objetivo declarado de eliminar o programa nuclear iraniano e provocar uma mudança de regime, o Irão prometeu uma resposta "sem linhas vermelhas" . A morte do Aiatolá Khamenei e de outros líderes, num golpe sem precedentes contra a cúpula do regime, eliminou qualquer hipótese de contenção .

As consequências são já globais. O Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta sem precedentes, instando todos os cidadãos americanos a abandonarem imediatamente mais de uma dúzia de países do Médio Oriente, incluindo os aliados do Golfo . O espaço aéreo sobre alguns dos aeroportos mais movimentados do mundo, como o Dubai e Abu Dhabi, foi encerrado, deixando centenas de milhares de viajantes retidos .

Simultaneamente, o Irão ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, prometendo "incendiar" qualquer navio que tente atravessá-lo . A medida representa uma ameaça directa à economia global e faz disparar os preços do crude, ao mesmo tempo que transforma o Golfo Pérsico num campo de batalha naval.

O Dilema dos Aliados Árabes e a Posição Ocidental

A onda de ataques iranianos coloca os países do Golfo, formalmente aliados dos EUA, numa posição extremamente delicada. Enquanto as suas defesas aéreas trabalham para intercetar mísseis e proteger as bases americanas no seu território, as suas declarações públicas revelam a tensão e o medo de serem arrastados para o centro do conflito. A Arábia Saudita, o Qatar, os Emirados e o Kuwait condenaram os ataques iranianos, considerando-os uma violação da sua soberania, mas abstiveram-se de qualquer anúncio de participação militar direta ao lado de Washington . O governo libanês deu um passo inédito ao proibir formalmente as actividades militares do Hezbollah, temendo que o grupo arraste o país para uma guerra com Israel .

Na frente ocidental, o apoio não é monolítico. Enquanto o Reino Unido e outros aliados dos EUA manifestaram apoio genérico, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou no parlamento que o seu governo não acredita em "mudanças de regime vindas dos céus", sugerindo que uma participação britânica em ações ofensivas contra o Irão seria considerada ilegal . Esta hesitação expõe as fraturas na aliança ocidental e o receio de uma conflagração incontrolável.

O ataque à embaixada dos EUA em Riade, mais do que um acto simbólico de vingança, é a prova de que a "guerra ao longe" que o Irão sempre ameaçou travar é agora uma realidade. Ao atingir o coração diplomático da capital saudita e ao espalhar o fogo por todas as bases militares americanas na região, Teerão demonstra que o conflito deixou de ter fronteiras ou "linhas vermelhas". O que começou como um ataque preventivo ou uma operação cirúrgica contra instalações nucleares transformou-se, em menos de 72 horas, numa guerra regional total, com os seus projécteis a riscar os céus de seis países e a ditar o encerramento de rotas aéreas e marítimas vitais. As consequências para a estabilidade global, para os mercados de energia e para a vida de milhões de civis são, neste momento, uma incógnita aterradora.



Fontes diversas + República Digital


Tradução RD





LARIJANI REJEITA AS NEGOCIAÇÕES DOS EUA À MEDIDA QUE O CONFLITO REGIONAL SE INTENSIFICA

Numa publicação separada, Larijani respondeu a comentários feitos pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Irão. Acusando Trump de levar a região ao caos por meio de "ilusões vazias", Larijani afirmou: "Trump está actualmente preocupado com novas baixas entre as tropas americanas. Por meio das suas próprias falácias, ele transformou o slogan 'América Primeiro' em 'Israel Primeiro', sacrificando soldados americanos em nome da sede de poder de Israel."


Ali Larijani, presidente do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, refutou na segunda-feira as alegações de que Teerão procura retomar as negociações com Washington.

Larijani enfatizou que o Irão não se envolveria em qualquer diálogo com os EUA.

Num comunicado publicado na plataforma de redes sociais X, Larijani respondeu a amplas reportagens sugerindo que Teerão está a explorar caminhos para iniciar negociações com Washington. Referindo-se a reportagens da Al Jazeera, que citaram o The Wall Street Journal, alegando que Larijani tentava reiniciar as negociações com Washington por meio da mediação omanita, Larijani afirmou categoricamente: "Não vamos negociar com os EUA."

Numa publicação separada, Larijani respondeu a comentários feitos pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Irão. Acusando Trump de levar a região ao caos por meio de "ilusões vazias", Larijani afirmou: "Trump está actualmente preocupado com novas baixas entre as tropas americanas. Por meio das suas próprias falácias, ele transformou o slogan 'América Primeiro' em 'Israel Primeiro', sacrificando soldados americanos em nome da sede de poder de Israel."

Larijani acusou ainda Trump de "forçar soldados americanos e as suas famílias a pagar o preço por meio de novas mentiras."

Após os ataques conjuntos entre EUA e Israel iniciados no sábado, vários altos funcionários iranianos, incluindo o Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, foram mortos.

A administração de Teerão respondeu com ataques de drones e mísseis direcionados a países do Golfo. Os confrontos resultaram na morte de 3 militares americanos, com outros 5 a ficarem gravemente feridos.

O portal de notícias Clash Report informou que um caça F-15 dos EUA caiu no Kuwait. De acordo com o relato, o piloto conseguiu ejetar-se da aeronave.

O Departamento de Estado dos EUA emitiu um comunicado a pedir aos cidadãos americanos que revejam os seus planos de viagem para o Kuwait, citando ameaças à segurança na região decorrentes das operações militares contra o Irão e das ações retaliatórias de Teerão.

Segundo o jornal Yedioth Ahronoth, antes da operação, as autoridades americanas já previam uma campanha de 4 a 5 dias que forçaria o Irão à mesa de negociações em estado enfraquecido.

Uma fonte indicou que um funcionário dos EUA propôs um cessar-fogo por meio da mediação italiana; no entanto, o Irão rejeitou definitivamente essa oferta.


Fonte:  Harici.com.tr


Tradução RD


domingo, 1 de março de 2026

JEFFREY SACHS: "O ATAQUE AO IRÃO NÃO É SOBRE ARMAS NUCLEARES, É SOBRE HEGEMONIA GLOBAL E MUDANÇA DE REGIME ORQUESTRADA POR ISRAEL E PELOS EUA

A tentativa de derrubar o governo iraniano faz parte da luta pela hegemonia global dos EUA, parte de uma guerra mundial que os EUA estão travando. Entrevista com o Professor Jeffrey Sachs pelo académico e cientista político norueguês Glenn Diesen.


Glenn Diesen

Hoje estamos com a companhia do Professor Jeffrey Sachs para falar sobre a guerra que rebentou no Irão. Enquanto a CNN noticiou que um acordo estava ao alcance, algumas horas depois Israel e os Estados Unidos atacaram o Irão. Relata-se que os ataques foram realizados em todo o país e agora o Irão está a responder com muita força, atingindo bases militares e alvos americanos em toda a região. Estamos a ver ataques no Barém, no Catar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, na Jordânia, no Iraque, talvez na Arábia Saudita e, claro, em várias cidades de Israel. Fiquei a perguntar-me, como interpreta a situação? Quais são os objetivos dos Estados Unidos? E como explica, digamos, a resposta contundente dos iranianos?

Jeffrey Sachs

Bem, o objetivo é claro. É uma mudança de regime no Irão. Esse é um sonho israelita há 30 anos. Israel provocou guerras em todo o Médio Oriente, usando os Estados Unidos e o seu controlo efetivo sobre Washington, que mantém por várias razões, em conflitos que vão da Líbia, Somália, Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria, Iraque e Iémen. E o Irão sempre foi o Grande Prémio. Então, isto faz parte de um plano de longo prazo de Israel.

O plano é para a hegemonia militar israelita apoiada pelos EUA na região. O objetivo básico é a dominação israelita por meio das suas armas nucleares e apoio americano, a repressão do mundo árabe e, na prática, a expulsão da Rússia e da China da região. Então, isto é um movimento geopolítico.

Isto é, claro, uma tentativa de derrubar o Irão, mas faz parte de um esforço pela hegemonia global. Não há dúvida disso. Isto faz parte de uma guerra mundial que os Estados Unidos estão a travar. A guerra foi na Venezuela. A guerra vai chegar a Cuba ou já está em Cuba. Ontem, o presidente disse que os Estados Unidos fariam uma tomada amigável de Cuba. A guerra está no Médio Oriente.

A Europa já é uma região vassala dos Estados Unidos. Portanto, os Estados Unidos estão a tentar manter um mundo multipolar, preservar a sua hegemonia global. Claro, quando se age com violência extraordinária, imprudência, mentiras e ilusões, os resultados podem ser completamente catastróficos.

Estamos nas primeiras horas de algo que vai desencadear reações em cadeia em todo o mundo. Não creio que isto vá dar certo. Acho que esta é uma ação extraordinariamente perigosa. A propósito, nos Estados Unidos existe um regime inconstitucional governado por uma pequena panelinha criada por Trump e o seu círculo. Não há autorização do Congresso, nem qualquer base legal para nada disto. Israel, por sua vez, está à beira da guerra civil. Por outro lado, os estados árabes vassalos são impopulares, digamos assim.

Os governos europeus também são impopulares, com líderes que mal alcançam entre 10 a 20% de aprovação. Portanto, é uma guerra marcada por enorme instabilidade política entre as nações beligerantes. As coisas podem explodir em qualquer lugar.

O meu ponto é que isto não se deve a nenhum dos motivos alegados, como a existência de uma ameaça iminente do Irão. Exatamente o oposto. Como o mediador omanita repetidamente dizia, mesmo após o início da guerra, as negociações continuaram, avançaram e prosseguiram de maneira ordenada.

Falo frequentemente com iranianos. Eles não só estavam dispostos a negociar, como já haviam negociado todos estes acordos há 10 anos. Portanto, isto não tem nada a ver com ameaças iminentes, provocações ou armas nucleares, na verdade. Trata-se simplesmente de hegemonia e mudança de regime, hegemonia regional de Israel e hegemonia global dos Estados Unidos.

Todas as acusações de que o Irão está a desenvolver armas nucleares são falsas. O discurso de guerra de Trump esta manhã é bastante extraordinário porque diz exatamente o que Marco Rubio mencionou recentemente: a necessidade de restaurar a dominação do Ocidente. E acho que está absolutamente certo, há muita incerteza e insegurança agora com esta sensação de declínio relativo.

Há um filme antigo que tenho a certeza que muita gente já viu, O Mágico de Oz. Nele, no final, o grande mágico é exposto quando um cachorrinho puxa a cortina e mostra que ele é apenas um velho a falar por um megafone.

O curioso sobre a propaganda americana é que a cortina foi aberta há muito tempo. Na verdade, no mês passado o nosso secretário do Tesouro, que é um tanto bandido, explicou que o objetivo da política dos EUA do ano passado era esmagar a economia iraniana e levar as pessoas às ruas. Ele explicou passo a passo. Disse que, em março passado, Trump deu a ordem para aplicar "pressão máxima".

A ideia era afundar a moeda. Ele disse que em dezembro isso funcionou. Bancos faliram, houve escassez de dólares, a moeda despencou e as pessoas sofreram. Saíram para as ruas e ele disse que as coisas estavam a ir numa direção muito boa, então puxou a cortina. Isto não foi um protesto contra um regime, foi uma operação de mudança de regime dos EUA.

A propaganda é tão escancarada que eles realmente não se importam se são acreditados ou não. Só se importam em ter uma narrativa. E é esta a situação em que estamos agora. Houve uma tentativa de pôr o regime de joelhos economicamente. As negociações foram falsas porque tanto no ano passado como neste ano, quando as negociações avançavam, os Estados Unidos atacaram.

Esta é uma agressão premeditada, sem qualquer justificativa do tipo apresentada pelo governo dos EUA. Nem sequer tem a aparência moral de ser uma operação encoberta de mudança de regime. Na maioria das vezes, os Estados Unidos agem de forma violenta e repulsiva, mas fingem que não são eles quem está a fazer isso.

Portanto, a maioria das operações de mudança de regime produzidas pelos EUA são encobertas. Agora eles já não se importam. A ousadia pode dever-se à megalomania e instabilidade psicológica de Trump. Pode ser a necessidade de os Estados Unidos sentirem que precisam reafirmar a sua dominância. E toda a explicação dada é uma mentira evidente.

A explicação é clara. Israel deveria comandar o Médio Oriente, dominá-lo, ser o maior Israel. O nosso próprio embaixador em Israel, Mike Huckabee, que representa sionistas cristãos nos Estados Unidos (cerca de 20% dos americanos, que são protestantes evangélicos fundamentalistas), disse que Israel deveria ser dono de todo o Médio Oriente porque é isso que a Bíblia diz.

Deus deu-lhes. Então esta é outra parte da história. Foi repreendido por dizer isso? De maneira nenhuma. Tenho a certeza de que houve aplausos na Casa Branca por isso, sem qualquer repreensão.

Por outro lado, o mundo árabe está essencialmente sob domínio imperial desde 1517, desde as conquistas otomanas das terras árabes. Os árabes estiveram sob domínio otomano por séculos, e depois sob domínio britânico. Atualmente, estão sob domínio americano e israelita. São praticamente submissos, não ousam falar, têm bases militares dos EUA espalhadas por todo o território, são basicamente terras ocupadas. Tudo é muito perigoso e muito triste.

Glenn Diesen

Mas porque é que o embaixador americano em Israel afirma abertamente que Israel pode manter metade do Médio Oriente?

Jeffrey Sachs

Israel é um país que atua essencialmente como provedor de segurança para todos aqueles estados que agora estão ameaçados. E agora vemos aliados dos EUA em toda a região a serem atacados. Isto não é bom para a credibilidade americana, para a ideia de que ela é todo-poderosa. Se os Estados Unidos falharem em destruir o Irão ou promover uma mudança de regime, perderão toda a credibilidade.

Quais serão as consequências? Parece que os Estados Unidos apostaram tudo em recuperar a sua dominância, a sua hegemonia. O que acontece se falharem? Há muitas coisas que podem correr mal aqui. Vai falhar de um jeito ou de outro porque 4% do mundo não pode governar o mundo. A premissa aqui é a mesma do Império Britânico no final do século XIX.

Recentemente li um discurso de Joseph Chamberlain, que foi chefe do Ministério das Colónias em 1897, no qual ele disse que a Grã-Bretanha dominaria o mundo até onde a vista alcançava. E, claro, 50 anos depois, o império britânico já não existia.

O mesmo acontecerá com os Estados Unidos. Este é um objetivo final. Não é uma afirmação verdadeira de hegemonia global, embora a mesma arrogância exista. E, em geral, estas guerras têm boas hipóteses de se tornarem uma guerra mundial. Que Deus nos ajude se isto se tornar nuclear, porque isso seria o fim do mundo.

Mas, segundo alguns, uma guerra mundial já está a acontecer, porque atualmente há guerras interconectadas em todas as regiões do mundo em que os Estados Unidos estão a intervir. Mas, mais uma vez, os Estados Unidos não podem governar o mundo. Não têm domínio económico, tecnológico ou militar para isso, nem o resto do mundo quer ser liderado pelos Estados Unidos.

Não há como os EUA imporem um regime estável e pró-americano ao Irão. Não é possível. Não é 1953, quando o MI6 e a CIA impuseram um estado policial ao Irão. Isso não vai acontecer. A sociedade civil interna do Irão, apoiando ou não o governo atual, não aceitará isso.

O Irão é um país de 100 milhões de pessoas com uma história de 5.000 anos e não será governado pelos Estados Unidos ou Israel sem tropas no terreno, que teriam de ser implantadas a milhares de quilómetros de distância. Os Estados Unidos meteram-se numa grande confusão, e não sabemos o que vai acontecer. Talvez matem muita gente nos próximos dias e declarem que foi um grande sucesso. Já teriam matado 40 crianças num atentado nos arredores de Teerão.

Mas não há como os EUA realmente alcançarem os seus objetivos estratégicos de longo prazo. Os próprios Estados Unidos não são estáveis o suficiente para isso. Trump é, claro, uma figura muito impopular e profundamente divisiva. A sua aprovação certamente vai cair nos próximos meses. Às vezes sobe um pouco, mas mesmo com a guerra não vai subir nas sondagens. O público americano era fortemente contra esta guerra. Vamos para as eleições em novembro e Trump pode tentar subvertê-las, porque está a falar abertamente sobre federalizar a eleição, o que significaria uma fraude massiva.

Glenn Diesen

É verdade que esta é uma situação muito instável, um gatilho ou melhor, um rastilho que foi aceso e terá consequências de guerra em muitas regiões do mundo. Também no Paquistão, uma potência nuclear em guerra aberta com o Afeganistão no momento. O que significa isto? De onde veio isto? Qual é o papel dos Estados Unidos nisto? Suspeito que o papel dos Estados Unidos seja bem real. E a ideia de que esta é uma guerra de 12 dias e que um novo regime iraniano surgirá que venere Israel e os Estados Unidos é uma fantasia. Como vê a resposta dos aliados dos Estados Unidos? Porque recentemente vimos o Primeiro-Ministro do Canadá dizer que a ordem baseada em regras sempre foi um pouco uma fraude. Agora diz que é totalmente a favor desta guerra.

E a União Europeia não publicou nada que possa sequer ser interpretado como uma crítica aos Estados Unidos. Nem um único comentário crítico. E isto depois de os Estados Unidos também terem mirado no território da UE. Como pode isto ser entendido? Porque é que este ódio ao Irão? Onde estão os princípios? Onde estão as regras? Onde está o direito internacional?

Jeffrey Sachs

Após a Guerra Fria, disseram-nos que a hegemonia do Ocidente traria as regras, princípios e valores internacionais acima da política de poder brutal. E ainda assim, aqui estamos. Não há um único comentário crítico sobre esta violação do direito internacional. Não, ainda não vi nenhum comentário crítico. Bruxelas é mais uma vez exposta como quase fascista, a propósito.

O ataque é contra o Irão, não contra os Estados Unidos. Trump lançou uma agressão premeditada. Nem uma palavra sobre isso. É dececionante. Não conheço todo o contexto, mas pelo que li, pelo menos Carney apoiava os Estados Unidos, a Austrália apoiava os Estados Unidos. Agora, acho que a verdade é que, se somar as populações dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, União Europeia e Austrália, são talvez mil milhões de pessoas. O relato mundial sobre os brancos, se me permite dizer, o mundo ocidental que hoje está entusiasmado com o seu ataque ao Irão.

Isto representa cerca de 12 ou 13 por cento da população mundial. Portanto, ouvimos esta propaganda porque este é o nosso mundo ocidental. O mundo ocidental domina a comunicação social, especialmente a de língua inglesa, mas não creio que represente de forma alguma a opinião mundial. É chocante que a ideia básica dos Estados Unidos seja que a Europa é uma região vassala e que não há motivo para se preocupar com isso, já que os seus líderes são vassalos, porta-vozes inúteis dos interesses americanos.

O Canadá demonstrou um vislumbre de independência, mas parece tê-la perdido completamente. A Austrália não me surpreende, faz parte do mundo britânico. Há muito ódio aos muçulmanos, muito ódio ao Irão, talvez remonte a Heródoto e às guerras persas, mas estes são estereótipos absolutamente grotescos.

Há muita ignorância no mundo branco sobre o resto do mundo. E é isso que estamos a ver agora. Há também um controlo sionista muito forte sobre estes governos. Estes governos são subordinados a Israel. São chantageados por Israel, subornados por Israel. Têm sistemas de armas e operações de inteligência com Israel. Usam o Pegasus e outras ferramentas de espionagem. Portanto, aqui está uma aliança militar-industrial funcional que também é muito poderosa, na qual Israel é o protagonista, não apenas mais um membro do clube hegemónico americano. Parte disto tem a ver com política interna.

Quando Trump fez o seu discurso do Estado da União, houve uma ovação de pé no Congresso ao falar sobre o quão maligno o Irão era. O Congresso dos EUA é controlado e dirigido pelo lobby sionista. Não é exagero, é um facto literal. Qualquer congressista pode explicar para si. Se se desviarem do lobby, enfrentam retaliação, enfrentam rivais nas primárias, enfrentam difamação. Se seguirem a linha do lobby israelita, recebem recompensas, viagens, benefícios, contribuições para as suas campanhas.

E isto está ligado à CIA, ao Mossad e ao complexo militar-industrial que tem um poder omnipresente, é quem governa os Estados Unidos. Na realidade, não temos um sistema democrático. Temos um complexo militar-industrial que dirige a política externa americana em todo o mundo, e Israel está profundamente inserido nesse sistema. Portanto, esta é outra razão para o que estamos a ver agora.

Mas o que é chocante é que há este ataque descarado, premeditado, extraordinariamente violento e vulgar ao Irão. E a Europa não diz nada, da mesma forma que o Canadá e a Austrália. Isto mostra o tipo de mundo em que vivemos. Aparentemente, já não há princípios.

Glenn Diesen

Trump também quer provar que é um mundo de gângsteres e quer ser o gângster número um. Então, quão sério é? Quer dizer, diz que, internacionalmente, isto pode incendiar o mundo inteiro, já que parece afetar todos os cantos do planeta. Mas o que vai acontecer nos Estados Unidos? Já existe uma divisão dentro do grupo MAGA que não aceita que Israel seja colocado acima da América. Israel em primeiro lugar, não América em primeiro lugar. Suponho que uma guerra fracassada e humilhante no Irão sem dúvida influenciaria isso. Mesmo uma guerra bem-sucedida faria isso. Mas parece que seria muito difícil aceitar um fracasso. A nível internacional, isto poderia sair do controlo e transformar-se numa terceira guerra mundial? Ainda é cedo para dizer. A guerra começou há poucas horas, mas que cenários possíveis vê aqui?

Jeffrey Sachs

A teoria é que o Irão será decapitado. Ataques massivos subjugarão o Irão em pouco tempo e logo tudo ficará silencioso. Trump declarará uma vitória, será um herói, e as coisas seguirão em frente. Esta é a visão dos Estados Unidos. É possível. Pode ser estimado em 5 ou 10%. Nenhuma operação deste tipo realizada pelos Estados Unidos se desenrolou assim em décadas.

Esta é a teoria de que os EUA derrubariam Sadam em 2003 e, na realidade, a guerra durou muitos anos. Esta é a teoria de que os Estados Unidos derrubariam Gaddafi em 2011. Essa guerra civil continua até hoje. Esta é a teoria da derrubada do governo sudanês que agora enfrenta duas guerras civis, uma no Sudão e outra no Sudão do Sul. Esta é a teoria da guerra do Iraque, de que a guerra levaria à calma. E assim foi, "missão cumprida", lembra-se? E então a guerra levou a anos e anos de instabilidade. Essa foi a guerra no Afeganistão, que durou 20 anos e terminou em fracasso.

Desta vez, nem sequer há planos para enviar tropas em terra. Como vão os EUA liderar o Irão à distância? Não há resposta para isso. Então, vamos analisar o padrão usual. Anúncios triunfantes no curto prazo nas próximas 48 horas. Depois muita propaganda nas próximas semanas e, depois disso, veremos as repercussões por muitos, muitos anos. Acredito que estas repercussões serão, sem dúvida, desestabilizadoras. Não vejo como isto poderia estabilizar de alguma forma. Não vejo como os objetivos poderiam realmente ser alcançados.

Dou quase nenhuma hipótese de vitória estratégica; do ponto de vista americano ou israelita, isto significaria instalar um novo Xá no Irão, um novo estado policial como o que existiu entre 1953 e 1979. Mas acho que a possibilidade de isso acontecer é nula. Considerando que acabámos de instalar Golani e os seus capangas do antigo ISIS na Síria, isso não é nada bom, mas acho que precisamos de ser muito claros.

Os Estados Unidos preocupam-se com uma aparência de democracia. Isto não tem nada a ver com democracia. Não temos isso nos Estados Unidos, não temos em Israel, e realmente não temos mais no mundo ocidental. Temos alguns elementos da democracia, mas já nos tornámos estados militarizados.

E nos Estados Unidos isso certamente é verdade. O nosso sistema de governo é constitucional, afirma que o Congresso tem o poder de declarar guerra. No entanto, acabámos de ter uma guerra declarada por uma única pessoa no meio da noite contra a opinião pública. Portanto, não somos uma democracia.

Temos a aparência de uma, mas o Império Romano também tinha. Tinham senadores de túnicas, mas era um império, não uma república. E é essa a realidade em que vivemos agora. A propósito, este não é um império estável nos Estados Unidos. É muito instável e as divisões internas são muito grandes.

Então, novamente, o horizonte temporal é fundamental aqui. O que acontece em dias ou semanas pode ser muito diferente do que acontece ao longo de alguns anos, mas Trump acendeu um rastilho completamente explosivo que vai explodir em muitos lugares em todo o mundo, e não vai voltar à estabilidade num dia ou mês, não importa o que aconteça no curto prazo.

Trump acendeu um rastilho que acabará com o fim dos Estados Unidos, como os conhecemos hoje, acabará com a sua hegemonia. E acho que provavelmente com o tempo também será o fim de Israel, como é agora. Possivelmente dentro de uma ou duas décadas. É uma explosão que foi desencadeada e é muito grande. Não será reprimida com um ataque rápido de decapitação ou uma operação de mudança de regime.

Glenn Diesen

Ontem à noite estava com o juiz napolitano e ele perguntou-me se eu achava que a guerra aconteceria. Eu disse que havia um forte argumento para pensar que os Estados Unidos haviam enviado recursos demais para simplesmente se retirarem. Houve bazófia a mais para recuar. E, claro, Israel não permitiria uma paz que deixasse o Irão sem pressão. Mas, por outro lado, ele sustentava que o argumento pela paz não tinha caminho possível. É tudo loucura. Não há estratégia ou narrativa que explique como isto poderia ter sucesso. Em essência, era previsível que isto incendiasse o mundo e esse foi o meu argumento. Sim, acho que eu estava errado sobre isso. Aconteceu, mas ainda assim não faz sentido. Por isso achei difícil acreditar que eles realmente iriam realizar isto.

Jeffrey Sachs

Você, eu e as pessoas que pensam em termos de razão e consequências diríamos que esta agressão não deveria existir. Quando acordei esta manhã em Nova Iorque e liguei as notícias, fiquei atónito, pois o mediador iraniano disse ontem à noite que um bom progresso estava a ser feito e que se encontrariam na próxima semana.

Acredito que a máquina de guerra dos Estados Unidos e de Israel é extremamente poderosa. É um tipo de fascismo com uma face diferente, mas muito poderoso. E o único presidente que tentou impedir isso foi o presidente Kennedy em 1963. E a CIA matou-o depois disso. Essa foi uma mensagem para os presidentes que o sucederam. O estado profundo é uma máquina de guerra. O presidente dos Estados Unidos é apenas um ocupante temporário do cargo e é melhor ter cuidado.

Glenn Diesen

Bem, Jeffrey, obrigado como sempre por dedicar o seu tempo. Espero muito que Trump entenda esta agressão como um grande fracasso e afirme que estão prontos para iniciar novas negociações sérias, alguma bobagem sobre o que normalmente é bom, e que ele encerrará isto o mais rápido possível.

Jeffrey Sachs

Na verdade, Glenn, não tenho esperança para Donald Trump. Se o resto do mundo levantar a voz com base no princípio básico de que a guerra pode acabar com tudo.

Não podemos esquecer que estamos certos, que na constituição das Nações Unidas, no Artigo 2, parágrafo 4, diz que é ilegal ameaçar o uso da força ou o uso da força contra qualquer Estado-membro da ONU. Se o mundo cumprir este princípio, que foi estabelecido em 1945 para impedir o que acabou de acontecer e impedi-lo depois de acontecer, essa seria a nossa única esperança.

A esperança não é Trump. A esperança não é Netanyahu. A esperança não vem de dentro dos Estados Unidos. A esperança é que a maior parte do mundo, talvez não os estados vassalos dos Estados Unidos, mas a maior parte do mundo, diga que isto é completamente ultrajante, perigoso e ilegal. Sei que parece uma esperança vã. Porque, não espere um murmúrio dos europeus. Estes países estão a atingir novos níveis de cobardia e falta de princípios.

Glenn Diesen

De facto, muito obrigado por dedicar o seu tempo e vamos torcer para que isto não saia do controlo. Obrigado.


ATAQUE ISRAELITA A ESCOLA IRANIANA MATA MAIS DE 100 CRIANÇAS

Teerão prometeu retaliação pelo ataque "selvagem" cometido por "agressores" israelitas e americanos.


Mais de 100 estudantes foram mortos e dezenas ficaram feridos num ataque aéreo israelita a uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irão, segundo a agência de notícias do país Tasnim. O ataque ocorre em meio a ataques aéreos contínuos à República Islâmica por Israel e pelos EUA.

Israel lançou o que descreveu como uma operação preventiva contra alvos militares e nucleares iranianos no sábado, afirmando que os ataques tinham como objetivo neutralizar ameaças representadas pelo Irão. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse posteriormente que Washington se estava a juntar à operação, citando o fracasso da diplomacia nuclear como um gatilho direto para o novo bombardeamento.

Um dos ataques teria como alvo uma escola primária na cidade de Minab, matando pelo menos 148 alunas e deixando outras 95 feridas, segundo autoridades locais.

Vários vídeos gráficos do local mostram as consequências do ataque, com os primeiros socorristas a vasculharem os escombros em busca de possíveis sobreviventes.

"O edifício destruído é uma escola primária para raparigas no sul do Irão. Foi bombardeado em plena luz do dia, quando estava lotado de jovens alunas", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, no X, prometendo que este crime não ficará impune.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano denunciou os ataques como "agressão militar criminosa" e afirmou que eles estão a ocorrer "em meio a um processo diplomático." O ministério pediu aos Estados-membros da ONU que condenassem esta clara violação da Carta da ONU.

O Irão lançou ataques com mísseis e drones em retaliação aos ataques israelo-americanos, com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica a afirmar que a primeira vaga teve como alvo território israelita. Autoridades em Teerão prometeram uma resposta "decisiva" e potencialmente prolongada, aumentando ainda mais os receios de uma escalada mais ampla no Médio Oriente.

Surgiram relatos da comunicação social de que o Irão havia atacado várias instalações militares dos EUA em todo o Médio Oriente, incluindo o centro de apoio da 5ª Frota no Barém, uma base no Curdistão iraquiano, a Base Aérea Al Udeid no Catar, a Base Aérea Ali Al Salem no Kuwait, a Base Aérea Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos, a Base Aérea Muwaffaq Al Salti na Jordânia e a Base Aérea Prince Sultan na Arábia Saudita. A comunicação social israelita também noticiou que cerca de 35 mísseis foram lançados em direção a Israel, com uma pessoa supostamente ferida.

Os ataques mais recentes representam a segunda grande campanha militar de Israel contra o Irão em menos de um ano. Em Junho de 2025, durante um conflito de 12 dias, as Forças de Defesa de Israel, em cooperação com o exército dos EUA, realizaram um bombardeamento surpresa contra as instalações militares e nucleares do Irão, matando comandantes militares seniores, autoridades governamentais e cientistas nucleares.


Fonte RT

Tradução RD



sábado, 28 de fevereiro de 2026

O LÍDER SUPREMO DO IRÃO, ALI KHAMENEI, MORTO EM ATAQUES EUA-ISRAEL: RELATOS

As agências de notícias Tasnim e Mehr, do Irão, relatam que Khamenei permanece 'firme e firme no comando do campo'. Mas Trump e o líder israelita confirmaram a sua morte.


O Líder Supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataques israelitas-americanos, segundo reportagens da média israelita e um alto funcionário israelita.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu afirmou que havia "sinais crescentes" de que Khamenei foi morto nos ataques conjuntos EUA-Israel, que foram lançados no início do sábado.

A agência de notícias Reuters, citando um alto funcionário israelita não identificado, informou que o corpo de Khamenei foi localizado.

Mas as agências de notícias Tasnim e Mehr, do Irão, relataram que Khamenei permaneceu "firme e firme no comando do campo".

Numa aparente resposta às alegações, o chefe de relações públicas do escritório de Khamenei acusou os inimigos do país de "guerra mental".

"O inimigo está recorrendo à guerra mental, todos devem estar cientes", foi citado o funcionário de relações públicas pela média estatal iraniana.

Reportando de Teerão, Tohid Asadi, da Al Jazeera, disse que até agora não houve confirmação oficial da morte de Khamenei em Teerão.

Ele observou que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse à NBC News anteriormente que, "até onde sei", o líder supremo do Irão, assim como outros altos funcionários iranianos, permaneciam de boa saúde.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à NBC News em entrevista que acreditava que as notícias sobre a morte de Khamenei eram uma "história correcta".

Os ataques de sábado ao Irão atingiram 24 províncias, matando pelo menos 201 pessoas, segundo reportagens da média iraniana citando o Crescente Vermelho.

O Irão respondeu com uma onda de contra-ataques, mirando em Israel e ativos militares dos EUA em todo o  Médio Oriente.

Netanyahu disse no seu discurso que muitas "figuras seniores" foram "eliminadas" na onda de ataques direcionados a líderes seniores, enquanto Trump pedia a queda do governo.

Israel, disse ele, havia matado "comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários do programa nuclear. E vamos continuar", disse ele.


https://www.aljazeera.com


Tradução RD



O EXÉRCITO DOS EUA SOFREU 200 BAIXAS EM ATAQUES RETALIATÓRIOS – TEERÃO

As forças iranianas retaliaram contra ataques americano-israelitas atacando bases militares de Washington pela região.


Os EUA sofreram 200 baixas em ataques retaliatórios iranianos contra bases por todo o Médio Oriente, afirmou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Com o apoio dos EUA, Israel lançou o que foi descrito como uma operação preventiva contra alvos militares e nucleares iranianos nas primeiras horas de sábado, alegando que os ataques tinham como objetivo neutralizar ameaças representadas pela República Islâmica na região.

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou posteriormente que a Casa Branca apoiou Jerusalém Ocidental na condução dos ataques, citando o fracasso da diplomacia nuclear como um gatilho direto para a medida.

"Como resultado de ataques de mísseis contra bases americanas, pelo menos 200 militares americanos foram mortos e feridos", informou a agência de notícias Tasnim no sábado, citando uma declaração do IRGC.

Comentando sobre a retaliação, o general do IRGC Ebrahim Jabbari alertou Trump que a República Islâmica possui "capacidades avançadas" e está pronta para um conflito prolongado.

"No início da guerra, vamos atacar tudo o que temos em nossos stocks," Jabbari disse, prometendo lançar "os mísseis mais poderosos depois."

"O que não mostramos até agora, e o que, como dizemos nós, iranianos, 'deixamos para descansar na salmoura', revelaremos nos próximos dias", acrescentou.

A retaliação do Irão teve como alvo várias instalações militares dos EUA em todo o Médio Oriente, incluindo o centro de apoio da Quinta Frota no Bahrein, uma base no Curdistão iraquiano, a Base Aérea de Al Udeid no Qatar, a Base Aérea Ali Al Salem no Kuwait, a Base Aérea de Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos, a Base Aérea Muwaffaq Al Salti na Jordânia e a Base Aérea Prince Sultan na Arábia Saudita. Segundo relatos. Veículos de notícias israelitas também disseram que cerca de 35 mísseis foram lançados em direção a Israel, com uma pessoa supostamente ferida.

Os ataques mais recentes representam a segunda grande campanha militar de Israel contra o Irão em menos de um ano. Em Junho de 2025, durante um conflito de 12 dias, as FDI, em cooperação com forças militares dos EUA, realizaram um bombardeamento surpresa às instalações militares e nucleares da República Islâmica, matando altos comandantes militares, autoridades governamentais e cientistas nucleares.




Fonte: RT

Tradução RD



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