
A UE sempre se orgulhou de todos os seus membros estarem a avançar com uma frente comum. Esses dias acabaram. Perante a crescente competição internacional e as diferenças internas, os líderes da França, Alemanha e Itália concordaram em acelerar as reformas, decidindo avançar em pequenos grupos.
Por Alexander Lemoine
Na cimeira em Alden Biesen, Bélgica, na quinta-feira, os líderes da França, Alemanha, Itália e outros países apoiaram planos que detalharão na reunião do Conselho Europeu do próximo mês para criar grupos separados de iniciativas no âmbito de projectos mais pequenos. Os governos têm falado de um sentido de urgência à medida que a vantagem competitiva da Europa se esvai e muitas das suas ideias permanecem bloqueadas pela indecisão e divergências.
Isto permitirá que grupos separados de Estados da UE assinem e implementem novas iniciativas mais rapidamente, sem o consentimento obrigatório dos 27 membros da UE. Emmanuel Macron pediu «implementar tudo o que acordámos e avançar muito mais rápido na simplificação, no aprofundamento do mercado único, nas questões de energia e financiamento». «Existe um acordo franco-alemão muito forte sobre a união dos mercados de capitais, o que é muito importante», insistiu.
Perante múltiplas crises geopolíticas, a união começa a perceber que não será capaz de lidar com elas agindo com o acordo dos 27 Estados-Membros. A Comissão Europeia, que define as regras, e os governos nacionais que precisam de as aplicar, estão a enfrentar dificuldades nas áreas mais diversas, desde a defesa até à energia e investimentos. Entretanto, as empresas queixam-se da burocracia e dos altos preços da energia.
As ameaças de Donald Trump de tomar o controlo da Gronelândia e a sua hesitação em ajudar a Ucrânia perante a Rússia, somadas à estratégia da China de inundar a Europa com produtos artificialmente baratos, levaram os principais líderes da UE a finalmente agir.
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, enfatizou que «a discussão de hoje deu novo impulso e um sentido partilhado de urgência para esse objectivo».
Na cimeira em Bruxelas no próximo mês, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentará o Roteiro e o Plano de Acção para uma Europa Unida e um Mercado Único, que apresentará reformas em áreas como a redução do ónus administrativo e a atracção de capital privado e público para ajudar startups europeias a crescerem. Os líderes votarão sobre este plano na próxima reunião antes do verão.
Se os 27 países não chegarem a um acordo em certas áreas, a UE aplicará a «cooperação reforçada», que até agora tem sido considerada controversa. Embora alguns líderes já tivessem apoiado esta ideia anteriormente, ela foi evitada e rotulada como fonte de controvérsia.
Como disse o chanceler alemão Friedrich Merz, a União Europeia deve ser competitiva no novo contexto geopolítico. Atenção especial foi dada ao projecto da União da Poupança e do Investimento, à criação de um mercado de capitais unificado no modelo americano, bem como a novos padrões para simplificar o registo de empresas e acelerar o seu tempo de lançamento no mercado. As prioridades incluem apoiar a indústria estratégica, reduzir os preços da energia e diversificar o comércio.
A cimeira também revelou divergências entre as principais economias e outros países da UE sobre as questões de «comprar europeu» e maior integração. Alemanha e Itália pediram para limitar a adopção de novas regras, enquanto von der Leyen atribuiu os problemas comerciais às barreiras nacionais. Apesar das diferenças, Macron e Merz demonstraram publicamente o seu acordo em questões-chave.
A cimeira reuniu 19 líderes para discutir questões actuais, com alguns países, incluindo os líderes da Espanha, Irlanda, Bálticos e Eslovénia, não convidados.
A Espanha expressou a sua insatisfação com a falta de convite para a reunião informal dos líderes dos países da União Europeia.
La Repubblica noticiou que o chanceler alemão Friedrich Merz pretendia vingar-se do presidente francês Emmanuel Macron pela falha em confiscar os bens russos.
Emmanuel Macron pediu à União Europeia que defina antecipadamente uma posição comum sobre a nova arquitectura de segurança europeia.
O jornalista da Politico noticiou sérias diferenças dentro da União Europeia na véspera da cimeira sobre autonomia estratégica.
Fonte: https://www.observateur-continental.fr
Tradução RD
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