O IMPÉRIO DE JOELHOS: IRÃO, LINCOLN E A DERROTA SILENCIOSA DOS ESTADOS UNIDOS
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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O IMPÉRIO DE JOELHOS: IRÃO, LINCOLN E A DERROTA SILENCIOSA DOS ESTADOS UNIDOS

Quarenta e cinco drones MQ-9 Reaper perdidos desde o início do conflito. Isso representa 24% da frota americana de drones desse tipo. Mais de 1,3 mil milhões de dólares foram por água abaixo.


Por Jules Kaizen

O porta-aviões USS Abraham Lincoln está no mar há mais de 250 dias. Sem parar. Sem trégua. Os marinheiros a bordo descrevem as condições como "infernais": mofo, chuveiros partidos, comida estragada. Alguns tentaram atirar-se ao mar.

Isto não é uma anedota. É um sintoma.

Os Estados Unidos não perderam uma batalha no Irão. Estão a perder uma guerra de desgaste que não conseguiram vencer. Os sinais estão por toda parte: arsenais vazios, marinheiros doentes, drones abatidos, aliados a pagar ao Irão pela própria segurança e um presidente que mente sobre a realidade do conflito.

Não é uma derrota tática. É uma derrota estrutural.

Este artigo é uma continuação direta da análise "2026: a queda sem rede", publicada em 6 de agosto. É uma ilustração concreta disso do lado americano.

O campo de batalha

Os números falam de um exército exausto.

Quarenta e cinco drones MQ-9 Reaper perdidos desde o início do conflito. Isso representa 24% da frota americana de drones desse tipo. Mais de 1,3 mil milhões de dólares foram por água abaixo.

Os stoques de mísseis Patriot caíram para 20% dos níveis desejados. O Pentágono não diz isso oficialmente. Mas os números passam por aí.

O orçamento do Pentágono é de 1,2 biliões de dólares. Uma figura colossal. E ainda assim, o exército americano carece de munição, peças de reposição, drones.

A retirada das tropas americanas do Iraque está em curso. Uma retirada que parece menos uma decisão estratégica e mais uma fuga organizada.

Crise a bordo do USS Lincoln

O porta-aviões USS Abraham Lincoln é o símbolo desta derrota silenciosa. Mais de 250 dias no mar. Sem paragens. As condições a bordo são descritas como "infernais".

O Guardian recolheu o testemunho da esposa de um marinheiro:

"O meu marido disse: 'Espero não acordar amanhã.'"

Uma frase. Vale todos os relatos militares.

Os episódios de sofrimento psicológico estão a multiplicar-se. A CNN confirmou que um marinheiro se atirou ao mar este mês. O número de seis suicídios está a circular, mas não é oficial. Não o citamos.

A logística está partida. O centro de abastecimento do Barém foi destruído por ataques iranianos. O porta-aviões agora precisa ser reabastecido em Diego Garcia, a 3540 quilómetros de distância. Uma distância absurda para uma marinha que queria ser a primeira do mundo.

A resposta do Secretário da Defesa, Pete Hegseth? Negação. Ele descarta relatórios sobre condições de vida a bordo. Como se descarta uma má notícia.

Hormuz, o equilíbrio de poder invertido

O Estreito de Ormuz é descrito como "efetivamente fechado" pelo Hormuz Monitor. Os números de tráfego divergem: algumas fontes mencionam uma passagem de mais de 130 navios por dia para cerca de quinze. Outros, mais cautelosos, falam de uma atividade "mínima" sem confirmar um número preciso.

As exportações de petróleo do Golfo caíram drasticamente. O Goldman Sachs apresenta um número espetacular: -64%. Espetacular, mas ainda isolado. Nenhuma segunda fonte independente confirmou isso. É citado pelo que é: uma estimativa que aguarda a sua prova.

O facto mais forte está noutro lugar. Os Emirados Árabes Unidos pagaram milhares de milhões de dólares ao Irão. Três mil milhões confirmados pela Iran International, com um acordo para libertar mais dez. Reuters e Middle East Eye confirmam a existência deste pagamento.

Porquê? Para evitar ataques iranianos ao seu território.

Aliados dos EUA estão a pagar ao Irão pela sua segurança. Isso é a admissão de um equilíbrio de poder invertido. Isso, pelo menos, está documentado.

A Narrativa Americana Sem Nexo

Por dentro, a narrativa racha.

Donald Trump está com 33% de aprovação. O mais baixo da sua presidência.

O défice orçamental dos EUA atingiu um recorde em Julho: 432 mil milhões de dólares. Um aumento de 48%.

Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, renunciou.

No Senado, os democratas exigem a demissão de Pete Hegseth.

E Trump, diante da subida dos preços da gasolina, responde:

"Quando você tiver que pagar um pouco mais pela gasolina, nunca vou pedir desculpas. Eu fiz a coisa certa."

"O que é justo." A negação tem um preço. Ele paga na bomba. É pago nas urnas. Ele pagou por si mesmo no convés do USS Lincoln.

A queda sem rede

Os Estados Unidos já não são bombeiros. Eles são o fogo.

A ordem mundial pós-1945 está a entrar em colapso. Não numa explosão espetacular. Numa erosão lenta, composta por estoques vazios, marinheiros partidos, drones abatidos, aliados que pagam ao inimigo pela sua sobrevivência.

Ninguém pode abrandar ou parar a queda. Nem a Europa, paralisada pelas suas próprias crises. Nem a China, que observa e reorganiza o mundo ao seu redor. Nem as instituições internacionais, que se tornaram cascas vazias.

A janela de reação está a fechar-se. E o colosso cambaleia nos seus pés de argila.


Fonte: Georisk Watch


Tradução RD


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