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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O FALHANÇO DE ISRAEL TENTAR PROVOCAR A III GUERRA MUNDIAL SERÁ O INÍCIO DO FIM DA SÍRIA

O FALHANÇO DE ISRAEL TENTAR PROVOCAR A III GUERRA MUNDIAL SERÁ O INÍCIO DO FIM DA SÍRIA
A operação é bem clara. Israel e a França coordenaram um ataque a múltiplos alvos dentro da Síria sem o envolvimento dos EUA, mas com o conhecimento absoluto dos EUA sobre a operação para provocar a Rússia e a fazê-la atacar a inconsequente fragata francesa que ajudou no ataque aéreo de Israel.


Por Tom Luongo* | 19.09.2018 |


Há uma coisa que Israel teme mais do que qualquer outra coisa na Síria. A perda de sua capacidade de fazer voar os seus F-16 com impunidade e atingir quaisquer alvos que queira, reivindicando medidas defensivas para deter o Irão, o seu inimigo existencial.

Israel finalmente admitiu ter realizado mais de 200 missões desse tipo nos últimos 18 meses, das
quais apenas algumas poucas, fizeram recentemente algum tipo de manchete na media internacional.

E com o ataque furtivo a Latakia, que envolveu o uso de um avião de guerra russo EL-IL-ELINT como cobertura de radar, Israel agora não só elevou as tensões a um nível inaceitável, como também assegurou que este poderia ser o último assalto aéreo a poder ser capaz de executar.

A operação é bem clara. Israel e a França coordenaram um ataque a múltiplos alvos dentro da Síria sem o envolvimento dos EUA, mas com o conhecimento absoluto dos EUA sobre a operação para provocar a Rússia e a fazê-la atacar a inconsequente fragata francesa que ajudou no ataque aéreo de Israel.


Isso constituiria um ataque a um estado membro da OTAN e exigiria uma resposta da OTAN, obtendo assim a escalada exacta necessária para continuar indefinidamente a guerra na Síria e iniciar a Terceira Guerra Mundial.

Isso evitaria qualquer objecção a um conflito mais amplo do presidente Trump, que teria que responder militarmente a um ataque russo a um aliado da OTAN. Também reafirmaria a necessidade da a OTAN fazer um diálogo público, marginalizando ainda mais os ataques de Trump à Síria e qualquer acção tencionada por ele para a paz

Que isso tenha ocorrido dentro de um intervalo de 60 dias antes das eleições intercalares também não deve ser desvalorizado.

Este ataque ocorreu a poucas horas depois de os presidentes Erdogan e Putin negociaram um acordo "pacífico" para a província de Idlib declarando uma zona desmilitarizada (DMZ) de 15 a 20 quilómetros de largura para todos, incluindo os animais da Jabhat al-Nusra de Erdogan, que teriam de a cumprir. 

A paz começava a surgir na Síria mas Israel e os falcões de guerra em D.C. não tinham esse objectivo em mente.

Ao conduzir um ataque como este, Israel e o pessoal da OTAN perceberam que seria uma vitória para eles.

Se a Rússia atacasse a França, então a OTAN invocaria o Artigo 5 e eles teriam uma guerra mais ampla.

Se a Rússia não atacar, Putin perderá a face dentro da Rússia, a sua popularidade cairá 5 pontos e John Bolton começa a salivar perante a perspectiva de mudança de regime na Rússia. Sim, eles são tão insanos.

Foi uma manobra nitidamente de geopolítica, quase ao estilo judoca. A Rússia e a Síria pareciam estar à beira da vitória, estendendo-se eles próprios a um grande conflito que poderia resultar em meses de má imprensa. Estávamos já à espera de um possível ataque de armas químicas perfeitamente encenado, gritos de crise humanitária e tudo o mais da já cansada sinalização de virtude que podemos esperar dos funcionários diplomáticos dos EUA, que têm sido demasiado ordinários mesmo sob a administração de Trump.

O que obtivemos foi o oposto, um ataque cuidadosamente planeado contra as forças militares russas, onde os sistemas de defesa aérea da Rússia seriam culpados pela morte do próprio pessoal e um contra-ataque equivocado que justificaria a narrativa de Putin como um mau guerreiro. Para justificar uma invasão norte-americana da Síria, suspensa desde 2013, e a habilidade de Putin de neutralizar essa situação por meios diplomáticos.
Pela primeira vez, o sucedido quase parecia um plano bem pensado. Não houve as crueldades habituais de punhos presos nos quais fomos assistindo nos últimos anos. Mas aqui está o problema.

Não funcionou.

Ao nomear nomes e imediatamente não responder militarmente durante o "nevoeiro de guerra", a Rússia e Putin voltam a ser mais habilidosos do que os seus adversários.

Porque nada do que acabei de descrever acontecerá. E a França, Israel e os EUA foram os únicos a perder a face nesta situação. E com Israel traindo a paciência de Putin após os ataques aéreos de Abril em Damasco, ele não terá escolha a não ser actualizar os sistemas de defesa aérea da Síria dos S-200 para os S-300 e possivelmente para os S-400.

Este é o pior pesadelo para Israel. Uma situação em que qualquer ataque aéreo a alvos dentro da Síria seria uma missão suicida, perfurando o mito da superioridade das força aérea israelitas e mudando decididamente o delicado equilíbrio de poder na Síria.

É por isso que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu trabalhou tanto com Putin nos últimos dois anos. Mas este incidente pôs tudo em causa. Isto foi uma traição cínica da confiança e paciência de Putin. E Israel pagará agora o preço pelo seu erro de cálculo.

Dar à Síria os S-300 não vingará os quinze soldados russos mortos. Putin terá que responder a isso de uma maneira mais concreta para apaziguar os radicais no seu governo e na sua casa. A sua paciência e aparente passividade está a ser levada ao limite politicamente. Afinal de contas, esse é um benefício colateral para todos os falcões neo-conservadores e globalistas na DC, na Europa e em Tel Aviv.

Mas, a perda real aqui para Israel será a Rússia instituir uma zona de exclusão aérea sobre o oeste da Síria. Qualquer menor resposta de Putin será aproveitada e a situação se intensificará aqui. Assim, Putin terá que fornecer os S-300 à Síria. E quando isso acontecer, a solução real para a Síria começará a sério.

Porque nesse momento será a altura dos EUA invadirem a todo o vapor a Síria sem provocação, agora que uma solução está em vigor na Síria entre a Rússia e um membro da OTAN, a Turquia.

A única boa notícia em tudo isto é que as forças dos EUA não estavam envolvidas. Isso ainda me diz que Trump e Mattis ainda estão no comando da sua cadeia de comando e que outras forças estão conspirando para arrastá-los para um conflito que ninguém em suas mentes certas quer.

*Tom Luongo é analista político e económico independente baseado no Norte da Florida, EUA.
strategic-culture.org

AS REIVINDICAÇÕES OCIDENTAIS SOBRE A SÍRIA

AS REIVINDICAÇÕES OCIDENTAIS SOBRE A SÍRIA
 Omar Haj Kadour/Agence France-Presse/Getty Images
Enquanto no terreno, a guerra vai a caminho do fim e apenas resta Idlib para libertar dos terroristas, os Ocidentais retomam a campanha. Eles acabam de apresentar as suas reivindicações ao enviado especial da ONU, Staffan de Mistura. Sem surpresa, os Estados Unidos recusam o processo conduzido pela Rússia pela simples razão de que não tem participado nele, enquanto o Reino Unido e a França entendem impor instituições que lhes permitissem controlar o país por trás da cortina.

Por Thierry Meyssan

Staffan de Mistura
O enviado especial do Secretário-geral da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, recebeu em Genebra uma delegação do Grupo de Astana (Irão, Rússia, Turquia), depois, a 14 de Setembro, um outro do “Pequeno Grupo” (Arábia Saudita, Egipto, Estados Unidos, França, Jordânia e o Reino Unido).

Do lado ocidental, o Embaixador James Jeffrey e o Coronel Joel Rayburn chefiavam a delegação dos EUA, enquanto o Embaixador e antigo Director da Inteligência Externa (DGSE 2012-16), François Sénémaud, presidia à delegação francesa.

Cada delegação remeteu às Nações Unidas um documento secreto sobre as suas reivindicações, tendo em vista influenciar as negociações inter-sírias em curso. O Russia Today conseguiu filtrar o documento ocidental [1], tal como o Kommersant tinha revelado há duas semanas as directivas internas da ONU [2].

Primeira observação, o ponto 3 do documento do “Pequeno Grupo”(perceber “ petit groupe” no sentido de Grupo Restrito -ndT) repete a directiva interna da ONU: «Não haverá assistência internacional para a reconstrução nas zonas controladas pelo governo sírio sem um processo político credível conduzindo inelutavelmente à reforma constitucional e a eleições supervisionadas pela ONU, para agrado dos potenciais países doadores» [3].

A Alemanha, que participou em reuniões do “Pequeno Grupo”, não parece ter estado representada nesta reunião. Na véspera, o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Heiko Maas, dessolidarizou-se desse ponto. Pouco antes de se encontrar com o seu colega russo, Serguei Lavrov, ele twittou que o seu país estava pronto a participar na reconstrução «se houver uma solução política que leve a eleições livres» [4] [5]. Para o “Pequeno Grupo” e para a ONU, a reconstrução não começará enquanto os países potenciais doadores não tiverem atingido os seus objectivos de guerra, quanto à Alemanha ela poderá acompanhar o processo de reconciliação política.

Segunda observação: os diferentes interlocutores internacionais fazem referência à resolução 2254 de 18 de Dezembro de 2015 [6]. No entanto, o “Pequeno Grupo” extrapola o sentido do texto. Enquanto a Resolução do Conselho de Segurança destaca que a redacção da Constituição é assunto exclusivo dos Sírios, entre si, o “Pequeno Grupo” afirma que ela deverá ser redigida unicamente por um Comité colocado sob os auspícios e controlado pela ONU.

Trata-se, evidentemente, de quebrar as decisões de Sochi, quer dizer destruir, ao mesmo tempo, o que foi feito nos últimos meses e opor-se ao papel da Rússia na solução da crise [7]. Os Estados Unidos querem manter o seu estatuto de potência indispensável, enquanto o Reino Unido e a França pretendem prosseguir o seu projecto colonial.

Terceira observação: O “Pequeno Grupo” não pretende apenas transferir a responsabilidade pela redacção da Constituição de Sochi em Genebra, ele tem já a ideia sobre o que ela deverá ser. Tratar-se-ia de reproduzir o modelo que Washington impôs ao Iraque e que lá mantém uma crise permanente para enorme benefício dos Ocidentais. Os poderes do Presidente seriam exclusivamente protocolares; os do Primeiro-ministro seriam nulos a nível regional; e os do Exército deveriam ser limitados.

As potências coloniais mantêm no Próximo-Oriente o seu poder por trás da aparência das democracias. Elas conseguem sempre constituir governos não-representativos dos povos. Desde 1926 no Líbano e depois de 2005 no Iraque, as instituições foram concebidas sobretudo para impedir que esses países se tornem novamente em Estados-nações. O Líbano está dividido em comunidades religiosas e o Iraque em regiões distintas com predominância de uma comunidade religiosa. Israel, por seu lado, já não tem governo representativo, não por causa da sua Constituição ---que não tem---, mas por causa do seu sistema eleitoral.

Quarta observação: enquanto a Resolução 2254 afirma que as eleições deverão ser realizadas sob a supervisão da ONU, o “Pequeno Grupo” considera que o órgão sírio encarregue da organização das eleições deverá trabalhar quotidianamente sob as ordens da ONU, nomeadamente no que diz respeito a possíveis queixas de fraude.

Assim, os Ocidentais guardam a possibilidade de anular resultados que não correspondam às suas expectativas: bastará apresentar uma queixa por fraude e declará-la justificada. O Povo sírio teria o direito de votar desde que caísse na armadilha que lhe será estendida e, ainda, na condição de que votasse naqueles que fossem escolhidos para si.

Na Europa, os cidadãos buscam a sua soberania, na Síria eles batem-se pela sua independência.

voltairenet.org
Tradução 
Alva
__________________________________

[1] “Declaração de Princípios para o Pequeno Grupo da Síria”, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 16 de Setembro de 2018.
[2] “Parâmetros e Princípios da Assistência das Nações Unidas na Síria”, Jeffrey D. Feltman, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 5 de Setembro de 2018.
[3] “There will be no international reconstruction assistance in Syrian-governement-held areas absent a credible political process that leads unalterably to constitutional reform and UN-supervised elections, to the satisfaction of potential donor countries”.
[4] “Wenn es eine politische Lösung in #Syrien gibt, die zu freien Wahlen führt, sind wir bereit Verantwortung beim Wiederaufbau zu übernehmen”
[5] “A Alemanha posiciona-se contra a directiva Feltman”, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 15 de Setembro de 2018.
[6] « Résolution 2254 (Plan de paix pour la Syrie) », Réseau Voltaire, 18 décembre 2015.
[7] “Consenso entre Sírios em Sochi”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 6 de Fevereiro de 2018.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A UE NÃO FAZ NADA PARA IMPEDIR QUE OS EUA SE INTROMETAM NAS SUAS ELEIÇÕES

A UE NÃO FAZ NADA PARA IMPEDIR QUE OS EUA SE INTROMETAM NAS SUAS ELEIÇÕES
No ano passado, a “lista Soros” tornou-se pública. Continha os nomes de 226 eurodeputados de todas as partes do espectro político que estão ansiosos por promover as ideias de Soros, como a integração da Ucrânia na UE e, naturalmente, tomando uma posição contra a Rússia. Os legisladores da lista detêm aproximadamente um terço dos assentos no Parlamento Europeu! Eles votam de acordo com as instruções do magnata dos EUA. Mas não, este facto foi varrido para as sombras ocultas.


Por Alex Gorka | 17.09.201

As antigas histórias banais sobre a ameaça da “intromissão” russa nas eleições de outros países tornaram-se obsoletas. Como nenhuma evidência real foi apresentada, elas já não atraem mais a atenção do público. Acredita-se geralmente que a Europa pobre não está pronta para parar a Rússia, mas deveria estar, no momento em que as eleições parlamentares europeias prevista para Maio de 2019, se aproximam. Os avisos foram emitidos, o alarme soou, e recomendações foram apresentadas por grupos de reflexão. O ex-presidente da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, alertou para a "ameaça da Rússia" que já vem desde Março passado. Como não havia nada para substanciar na sua declaração, pode-se apenas supor que o ex-funcionário foi dotado com o dom da clarividência.

Actualmente a Europa está sob a ameaça de “formações populistas e neo-NAZIS” e a única maneira de combater isso é ficar unida. Em outras palavras, não deve haver reformas na UE, nenhuma mudança de política, os inocentes em Bruxelas continuarão a desfrutar das suas vidas tranquilas, tímidas sobre os planos nefastos daqueles que se opõem a eles, e os refugiados estarão livres para entrar até a UE explodir.

A Rússia fez algo especificamente para provocar as acusações de que planeia em se intrometer na corrida eleitoral europeia? Nada, mas há alguém que fez.

Não, a liderança da UE não está desanimada o suficiente para levantar o tom e chorar sobre as observações escandalosas feitas pelo embaixador dos EUA na Alemanha, Richard Grenell. Não vê necessidade de fazer nada sobre isso. Em Junho, o embaixador não se esquivou de prometer abertamente usar seu escritório para ajudar os nacionalistas de extrema direita inspirados por Donald Trump a tomar o poder em toda a Europa! Em entrevista à Breitbart News, Richard Grenell disse que estava "empolgado" com a ascensão de partidos de extrema direita no continente e queria "potenciar outros conservadores em toda a Europa, outros líderes". Essas foram as suas palavras literais!

Se isso não é interferência, então é o quê? Mas não, nenhum aviso foi emitido sobre o perigo da intromissão dos EUA nas eleições de Maio na Europa. Imagine o que aconteceria se um embaixador russo num país da UE dissesse isso publicamente! Grenell não vê nada de errado em elogiar a coligação do governo austríaco, que inclui o Partido da Liberdade que foi formado na década de 1950 por um ex-oficial nazista. Na verdade, ele deu uma palestra aos alemães sobre como o governo deles deveria ser. Parece que os tempos mudaram e intervir na política europeia em nome dos líderes de extrema-direita tornou-se a norma, pelo menos para os embaixadores dos Estados Unidos.

George Soros, um bilionário americano que se tornou uma das pessoas mais ricas do mundo administrando fundos de investimento especulativos e apostando em flutuações cambiais, intrometeu-se nas eleições europeias muitas vezes. A última eleição italiana é um exemplo. A sua Fundação Open Society gasta US $ 940 milhões por ano em 100 países em busca de objectivos políticos. Ele foi convidado a deixar a Rússia e a Hungria, o seu país natal, por interferir na política. A “rede Soros” tem grande influência no Parlamento Europeu e em outras instituições da União Europeia. Não é nenhum segredo que o bilionário é um veículo usado pelo Departamento de Estado dos EUA para interferir nos assuntos internos de outros países. A USAID e a rede Soros geralmente unem-se. No ano passado, seis senadores dos EUA assinaram uma carta pedindo ao Departamento de Estado que investigue o financiamento governamental de organizações apoiadas por Soros, mas sem sucesso. O Departamento de Estado sempre protege o financeiro.

No ano passado, a “lista Soros” tornou-se pública. Continha os nomes de 226 eurodeputados de todas as partes do espectro político que estão ansiosos por promover as ideias de Soros, como a integração da Ucrânia na UE e, naturalmente, tomando uma posição contra a Rússia. Os legisladores da lista detêm aproximadamente um terço dos assentos no Parlamento Europeu! Eles votam de acordo com as instruções do magnata dos EUA. Mas não, este facto foi varrido para as sombras ocultas. Não há ameaça à democracia, nenhum impacto negativo em qualquer eleição - nada para se preocuparem. Alguém pode imaginar o que aconteceria se fosse revelado que um oligarca russo com laços estreitos ao governo estivesse a manter uma lista de políticos europeus "aliados"? A Europa é inflexível quanto a combater a influência estrangeira e a “ameaça” vinda da Rússia. O facto de um terço dos eurodeputados serem "aliados" a George Soros não é uma grande coisa. É a suposta “intromissão” de Moscovo que impede os líderes da UE e os magnatas da média de adormecerem.

Steve Bannon, ex-conselheiro do presidente Trump, está bastante ocupado de momento. Ele está num processo de criar uma fundação sem fins lucrativos em Bruxelas chamada The Movement, para apoiar partidos anti-UE de direita durante as eleições ao Parlamento Europeu. O partido britânico UKIP já se comprometeu a trabalhar com ele. O objectivo a curto prazo é formar um Parlamento Europeu em que cada terceiro legislador pertença a um “super-grupo” de direita, de modo a que seja possível desarticular o processo parlamentar. “Nacionalismo populista de direita é o que vai acontecer. Estes são os que irão governar “, disse Steve Bannon ao Daily Beast. "Vocês vão ter estados-nação individuais com as suas próprias identidades, as suas próprias fronteiras." De acordo com a fonte, "A operação também deve servir como um elo entre os movimentos de direita da Europa e o Grupo de Liberdade pró-Trump nos EUA.” Ele quer uma operação centralizada e bem financiada, a fim de unir os direitistas. The Daily Beast cita Raheem Kassam, um ex-editor do Breitbart, que disse: "Esqueça os seus Merkels". Segundo ele, "Soros e Bannon serão os dois maiores actores da política europeia nos próximos anos". O que diriam os europeus se uma autoridade russa, anteriormente colocada no poder, com laços estreitos com o presidente, criasse um movimento político para influenciar abertamente a vida política do Velho Mundo?

O Movimento desafiaria o trabalho do filantropo George Soros e a sua fundação de esquerda, Open Society Foundations (OSF). Se eles tiverem sucesso, os americanos intimamente ligados ao governo dos EUA controlarão a política dominante da Europa. Um terço (Bannon) mais um terço (Soros) é igual a dois terços - uma maioria esmagadora composta de direitistas e esquerdistas.

O envolvimento dos EUA na política europeia é tão evidente e extenso que falar sobre “intromissão” russa soa a ridículo. Os americanos são livres para fazerem o que quiserem. Nunca ocorre aos líderes europeus soar o alarme e colocar a questão na agenda de segurança da UE. Eles estão ocupados demais a olhar para o outro lado enquanto fecham os olhos para o facto de que a intromissão que eles tanto temem já está a ocorrer sem impedimentos já há bastante tempo.

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domingo, 16 de setembro de 2018

PONTO DE TENSÃO NO MAR AZOV: RÚSSIA E UCRÂNIA À BEIRA DA GUERRA

PONTO DE TENSÃO NO MAR AZOV:  RÚSSIA E UCRÂNIA À BEIRA DA GUERRA


Por Peter Korzun, 16.09.2018

A Ucrânia aumentou sua presença militar na região do Mar de Azov. O Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia reuniu-se a 7 de Setembro e concordou em tomar uma série de medidas para aumentar a capacidade de combate do país, incluindo a criação de um grupo de infantaria naval equipado com mísseis para combater possíveis ataques anfíbios e bombardeamentos navais. Os barcos de artilharia blindados Gurza-M, da Ucrânia, foram trazidos para reforçar a componente naval das forças instaladas na região. 

A Rússia e a Ucrânia gozam da livre utilização do Mar de Azov no âmbito do acordo de 2003 entre a Federação da Rússia e a Ucrânia sobre a cooperação na utilização do mar de Azov e o estreito de Kerch. O documento está em vigor mas não especifica qualquer limite preciso. As partes concordam que o Mar de Azov e o Estreito de Kerch são as águas internas da Ucrânia e da Rússia.

As negociações arrastaram-se já há bastante tempo, mas não conseguiram produzir uma solução. A Ucrânia não quer reconhecer os direitos da Rússia, que são baseados no facto de que a Crimeia se juntou à Federação Russa. Além disso, as autoridades ucranianas insistem no seu direito de deter qualquer navio viajando para ou da Crimeia sem a permissão de Kiev. 

A Ucrânia pede a imposição de sanções internacionais contra os portos russos do Mar Negro, devido ao que chama de "bloqueio" do Mar de Azov. Já impôs medidas punitivas unilateralmente. As tensões têm aumentado desde Março, quando os navios foram detidos e revistados. A 24 de Março, guardas de fronteira ucranianos detiveram o navio de pesca Nord, de bandeira russa, com bandeira da Crimeia, no Mar de Azov. O navio foi sequestrado. Os membros da tripulação relataram ter sido interrogados e abusados ​​pelas autoridades ucranianas, que os responsabilizavam pelas leis domésticas, não reconhecendo a tripulação como cidadãos russos. Os marinheiros detidos foram finalmente libertados para regressar à Crimeia sem passaportes. A Ucrânia violou um número de acordos internacionais e isso marcou o início de uma campanha de acções provocadoras que têm sido travadas desde então. No mês passado, o petroleiro russo Mekhanik Pogodin foi detido no porto ucraniano de Kherson. A Rússia comparou o acção às actividades dos piratas somalis.

Os EUA estão a tomar um rumo para aumentar as tensões. O Departamento de Estado adoptou uma postura deliberadamente provocadora, instando a Ucrânia para o confronto. Sem se preocupar em estudar os detalhes, simplesmente coloca a culpa na Rússia como de costume por qualquer coisa que dê errado. Washington está incitando a Ucrânia a buscar uma solução militar, incluindo ideias irreais, porém perigosas, como usar os navios de guerra da OTAN para proteger as suas rotas de navegação, explorar o Mar de Azov ou usar embarcações de ataque velozes para cercar um grande activo naval russo. todas as direcções como uma matilha de lobos (Rudeltaktik). Essa tática foi inventado pelo Almirante Alemão Karl Dönitz durante a Segunda Guerra Mundial, quando "lobos" dos U-boats foram usados ​​para atacar navios de importância capital. O próprio facto de que tais ideias foram geradas e estão activas mostra como é insensato ajudar a Ucrânia, apoiando-a incondicionalmente. 

Stephen Blank, do Conselho de Política Externa Americana, um especialista norte-americano líder na Rússia, acredita que o governo dos EUA “deveria enviar mísseis anti-navios disponíveis a partir ou através do US-AGM-84 Harpoon Block II, AGM-158C LRASM A, e O Mississippi Naval norueguês” , bem como “uma plataforma de lançamento viável e um sistema de mira, particularmente um radar.” O autor acha que isso deve ser feito imediatamente, sem demora. O seu artigo foi publicado a 7 de Setembro pelo Atlantic Council, o prestigioso think tank que assessoria o Departamento de Estado e goza de grande influência entre os que moldam a política externa dos EUA. Num outro artigo, Blanc pede o fornecimento à Ucrânia de plataformas - navios mais antigos que foram desactivados ou estão prestes a serem substituidos. No mês passado, Mykola Bielieskov, vice-directora executiva do Instituto de Política Mundial, pediu o envio rápido para a Ucrânia do míssil anti-navio ER + do bloco II de Harpoon, permitindo que ele atacasse embarcações russas. A ideia de fornecer à Ucrânia navios de guarda costeira de classe Island está a ser considerada pelo governo dos EUA. No 1º de Setembro, Kurt Volker, Representante Especial dos EUA para as Negociações na Ucrânia, declarou que o governo dos EUA “está pronto para expandir o fornecimento de armas para a Ucrânia”. para construir as forças de defesa naval e aérea do país.”

Os poderes que não cumpriram as suas promessas de melhoraram as vidas das pessoas comuns na Ucrânia. As eleições presidenciais serão realizadas em Março de 2019. Um ameaçador bicho-papão russo é necessário para explicar os fracassos. A economia e as finanças do país estão em crise e a corrupção é impressionante. Nenhum dos problemas foi resolvido e o Ocidente está a ficar cansado da Ucrânia. O conto de fadas sobre a "política externa agressiva" de Moscovo vem a calhar quando os governantes ucranianos precisam de um bode expiatório. 

Ninguém precisa de um conflito armado na região do Mar de Azov. Vários países estão interessados ​​em proteger o direito de passagem livre, permitindo que as embarcações cheguem aos seus portos de destino sem risco ou atraso. A região não precisa de ser um ponto de tensão. Rússia e Ucrânia podem sentar-se numa mesa redonda para discutir questões polémicas, já que o acordo de 2003 estipula que as partes devem fazer algo no sentido de resolver as suas disputas, caso haja alguma, mas não é isso que o Departamento de Estado está a pedir. A única opção que o governo dos EUA está a considerar é o de fornecer armas à Ucrânia para combater a Rússia e depois incitar Kiev a intensificar as tensões. E essas já estão num ponto perigosamente alto. Uma faísca pode acender um grande incêndio a qualquer momento se o problema não for resolvido de forma positiva sem o barulho do sabre. É uma pena que os EUA estejam a desempenhar um papel tão destrutivo. É o momento certo para especialistas e funcionários russos e ucranianos deixarem de lado as suas diferenças e começarem a conversar para encontrar uma solução pacífica para esse problema urgente.

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ISRAEL BOMBARDEIA NESTE MOMENTO DAMASCO CAPITAL DA SÍRIA

ISRAEL BOMBARDEIA NESTE MOMENTO DAMASCO CAPITAL DA SÍRIA

As defesas aéreas sírias derrubaram vários projécteis disparados por activos militares israelitas perto do aeroporto de Damasco na noite de sábado, informou a comunicação social síria.

"As nossas defesas aéreas responderam a um ataque com mísseis israelitas no aeroporto internacional de Damasco e derrubaram vários mísseis hostis", disse uma fonte militar à agência de notícias estatal síria, SANA, citando uma fonte militar. Não houve relato imediato de vítimas ou danos.

Vários foram os jornalistas na região a testemunharam que o sistema de defesa aéreo foi imediatamente activado tentando derrubar os misseis disparados por Israel. Várias fortes explosões foram também ouvidas na noite de sábado em Damasco pelas 21:50 (6:50 GMT)

A televisão estatal síria SANA adiantou ainda a seguinte informação: "O sistema aéreo de defesa confrontou o ataque de misseis israelitas sobre o aeroporto Internacional de Damasco abatendo um determinado numero de misseis inimigos."

Israel e a imprensa israelita não desmentiram o ataque.

Há ainda outras informações não confirmadas referindo que forças militares chinesas acabaram de se juntar às forças no terreno formada por russos, iranianos e sírios para combater os rebeldes e terroristas que controlam Idlib. 

    

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O INÍCIO DA BATALHA NA CIDADE DE IDLIB DA SÍRIA: O EXÉRCITO DOS EUA CONSIDERAM A OPÇÃO MILITAR

O INÍCIO DA BATALHA NA CIDADE DE IDLIB DA SÍRIA: O EXÉRCITO DOS EUA CONSIDERAM A OPÇÃO MILITAR

Peter Korzun*  | 11.09.2018 |

O embaixador da ONU na Síria, Bashar Ja'afari, declarou a 7 de Setembro que o seu governo estava determinado a eliminar os rebeldes da província de Idlib. No dia seguinte, a Operação Idlib Dawn começou, cercando uma cidade a 59 km a sudoeste da cidade síria de Aleppo. A 9 de Setembro, aeronaves russas atacaram as posições dos rebeldes no oeste de Idlib, nas montanhas da província de Latakia e na planície de Sahl al-Ghab, com o objectivo de soavisar os alvos periféricos e impedir um avanço ou contra-ataque. As forças da Síria estão prontas para avançarem.

Os militares russos alertaram que um falso entrou em Idlib, a partir da província de Hatay.
ataque químico encenado pelos rebeldes poderia ocorrer a qualquer momento e ser usado como um pretexto para os ataques com mísseis ocidentais. Um enorme comboio militar turco, composto por mais de 300 veículos, incluindo tanques, veículos blindados e lançadores de MLRS,

A Síria quer conquistar a cidade de Idlib - o último reduto dos jihadistas e o caminho mais curto de Latakia para Aleppo. A autoestrada internacional M5 atravessa a cidade de Idlib, ligando a Turquia e a Jordânia por Aleppo e Damasco. O controle da província facilitaria muito as negociações com os curdos e fortaleceria a posição da Síria nas negociações de Genebra, patrocinadas pela ONU. Se o processo de negociações for bem-sucedido, os únicos territórios a serem libertados seriam a zona controlada pelos EUA, como a base militar al-Tanf e a área ao seu redor, as partes setentrionais do país sob o controle turco e pequenos pedaços de terra ainda em mãos do ISIS.

A Turquia opõe-se à ideia de uma ofensiva a Idlib. Quer garantias para os grupos em Idlib sob o seu controle e não quer um influxo de refugiados. Estas questões controversas podem ser abordadas com a Rússia como mediadora. A Turquia, o Irão e a Rússia não concordaram em tudo na recente cimeira em Teerão, mas as esperanças do Ocidente era a de que eles seguissem caminhos separados, ou até mesmo colidir com a situação em Idlib , todavia essas esperanças foram frustradas.

Idlib
O presidente Erdogan acabou de dizer que quer se encontrar com o presidente russo novamente depois da sua visita a 28 e 29 de Setembro à Alemanha. Isto significa que o líder turco tem ideias e propostas para discutir e Moscovo pode desempenhar um papel na obtenção de um compromisso, tal como uma operação de contra-terrorismo mais específica em Idlib. Há uma divisão, mas pode ser superada. As partes têm a vontade de fazê-lo.

Ancara planeia organizar uma cimeira Turquia-Rússia-Alemanha-França. O assessor presidencial russo, Yury Ushakov, confirmou que tal reunião está em andamento. Moscovo acaba de convidar os militares turcos a participarem no seu maior exercício militar, o Vostok 2018, que será realizado no Extremo Oriente. A China e a Mongólia também foram convidadas. Obviamente, a Rússia e a Turquia estão preparadas para resolver as suas diferenças sobre a situação em Idlib pacificamente por meio de negociações.

Em qualquer caso, a província não pode permanecer sob o controle dos terroristas para sempre. Eles devem render-se ou domiciliarem-se. Agora que a operação para a libertação da cidade de Idlib já começou, muitos deles entregarão as suas armas. Eles sabem que a sua resistência é inútil.

Na verdade, as vitórias sobre os terroristas que pavimentam o caminho para uma solução negociada do conflito devem ser bem-vindas, mas os EUA vêem essas coisas sob uma luz diferente. Washington parece estar a mudar a sua estratégia na Síria novamente, apesar das declarações do Presidente Trump feitas anteriormente sobre os planos para retirar da Síria. Agora, o presidente teria concordado com novos objectivos que manterão indefinidamente as tropas dos EUA na Síria, a fim de garantir que as forças iranianas sejam expulsas. Os militares dos EUA acabaram de enviar reforços para al-Tanf para demonstrar a sua determinação em permanecer no país. Os Marines estão a realizar exercícios de vários dias por lá, usando munição real.

O secretário de estado, Mike Pompeo, disse a 7 de Setembro que o governo via qualquer ataque do governo a Idlib como uma escalada na Síria, advertência que Washington responderia a qualquer ataque químico por Damasco. O embaixador James Jeffrey, que foi vice-assessor de segurança nacional do presidente George W. Bush, foi recentemente nomeado Representante Especial dos EUA para o compromisso na Síria, e Joel Rayburn, ex-director sénior do Irão, Iraque, Síria e Líbano, é agora enviado especial para a Síria. As duas nomeações confirmam o facto de que os EUA mudaram de ideia e decidiram permanecer na Síria, já que ambas as autoridades haviam apoiado essa política antes.

Os principais líderes militares dos EUA estão a estudar as opções de envolvimento militar na Síria. Mas a verdadeira razão pode não ser Idlib ou qualquer outro evento naquele país, mas sim a situação do Iraque, onde os protestos xiitas anti-iranianos e anti-governo no sul se tornaram violentos e o primeiro-ministro pode ser obrigado a renunciar. Os manifestantes estão armados e são violentos. Eles atacaram o consulado iraniano e a sede das milícias apoiadas pelo Irão na cidade.

Combates também foram relatadas entre forças iranianas e curdos na região curda do Iraque. Detalhes foram fornecidos sobre os morteiros disparados em Bagdad, onde os protestos ocorreram em Julho. Algo está a acontecer no Iraque. Há pouca informação disponível para se obter conhecimentos profundos sobre o que está a acontecer, mas a situação é imprevisível e volátil. O Iraque poderão em breve implodir. Os EUA não deixarão a região e precisam de todos os postos avançados. Depende muito de como os acontecimentos se vão desenvolver no Iraque.

A cidade de Idlib será finalmente libertada. O estatuto das forças de coligação lideradas pelos Estados Unidos na Síria tornar-se-ão num tema de grande importância e será visto como o principal obstáculo no caminho para a paz e para a reconstrução.

strategic-culture.org

terça-feira, 4 de setembro de 2018

PREPARANDO O CAMINHO ATÉ AO FIM DA OTAN

PREPARANDO O CAMINHO ATÉ AO FIM DA OTAN
É por isso que seu porta-voz político, o Atlantic Council, está a aconselhar o Facebook sobre o que é e o que não é uma 'notícia falsa' vinda da Rússia. É por isso que os meios de comunicação, burocracias e lobistas em DC todos odeiam Trump. Ele está a diminuir as razões para que todas essas armas existam ao forçar a narrativa real sobre a segurança da Europa para a opinião pública.

Por Tom Luongo*

Não é nenhum segredo que o presidente Trump acredita que a NATO é um anacronismo. Também não é nenhum segredo que o presidente francês Emmanuel Macron quer um Grande Exército da UE e um único ministro das Finanças da UE para transformar a integração da UE nos Estados Unidos da Europa.

Ele e a chanceler alemã Angela Merkel têm defendido essas duas coisas desde o dia em que Macron assumiu o cargo. Ambos estão pressionando fortemente para que a UE conduza uma política externa independente, enquadrando a beligerância de Trump como o catalisador das suas necessidade agora.

Assim, não estou surpreendido com o recente encontro de uma cimeira de Merkel com o presidente russo, Vladimir Putin, de que ambas as iniciativas políticas estão a ser implementadas agora.

Ambos Merkel e Macron estão em sarilhos politicamente. Os seus índices de aprovação estão a cair. Ambos viram deserções do governo. Assim, eles precisam de vitórias políticas e a aproximação à Rússia é algo muito desejado por muitas nações europeias, como a Itália, e necessário para ganhar algum impulso económico após quatro anos de sanções desastrosas.

Macron agora abertamente envolve a ideia de uma estrutura de segurança com a Rússia. A mesma Rússia que há três meses atrás, Macron mandou retirar diplomatas a propósito do envenenamento de Sergei e Yulia Skripal.

Este reconhecimento da sua parte é uma grande bomba. Se isto for sincero, muda toda a narrativa e acelera o afastamento da Europa do uso abusivo do dólar pelos EUA como um chicote para ordenar o cumprimento.

Também corta o centro das críticas de Trump à OTAN, que a ameaça de invasão russa à Europa Oriental promovida pela Polónia e pelos países bálticos é risível.

Na sua recente conferencia de imprensa em Helsinque (ironicamente), Macron ecoou as declarações de Merkel desde o começo do ano de que a Europa não pode mais confiar nos Estados Unidos para a sua segurança. A França deve construir uma parceria estratégica com a Rússia e a Turquia.

Venho discutindo há semanas que as políticas hostis de Trump em relação ao Irão e à Europa tinham o objectivo final de acelerar o fim da OTAN, colocando pressão directa sobre a Alemanha e a França para acabar com a política de usar os EUA como o seu cavalo de defesa.

Trump estava certo em apontar na cimeira da OTAN em Julho a hipocrisia fundamental de gastar biliões na Otan para defender a Alemanha, enquanto a Alemanha constrói um gasoduto com a Rússia, a Nordstream 2, para administrar a sua economia e revender o gás em toda a Europa.

Esta declaração de Macron é uma admissão de que Trump ganhou o impasse entre a UE e os EUA.

Antes de Trump, o objectivo era ligar simultaneamente os EUA através de acordos comerciais e acordos transnacionais como o TTIP e o Acordo de Paris sobre o Controle Climático, enquanto aumentava os interesses da Europa no exterior, deixando o Irão de volta à economia global e expandindo o comércio com a China.

A inversão da relação entre os EUA (mestre) e a Europa (sátrapa) teria sido concluída sob uma presidência de Clinton.

O acordo estabelece que os EUA se continuem a financiar-se mantendo um império militar em todo o mundo e pagando a maior parte dos custos da OTAN enquanto a UE define a politica. Trump correctamente trouxe isso para fora durante a campanha e foi resoluto sobre isso como presidente.

E para ele, o Acordo Nuclear do Irão representou o última chapada na cara dos EUA, permitindo à Europa o acesso ao petróleo e ao gás iranianos baratos, pagos com euros em troca de uma garantia real zero do Irão de não desenvolver um míssil nuclear, desestabilizando assim todo o Médio Oriente.

E, enquanto eu acredito que o Irão estava mantendo a parte final do acordo como está escrito, o espírito do acordo era o problema. Trump acredita, e, aqui eu concordo com ele, que a Coreia do Norte e o Irão estavam a trabar juntos para desenvolver um míssil balístico nuclear. A Coreia do Norte construiu a ogiva enquanto o Irão trabalhava no sistema de entrega.

Trump confirmou que esta foi a sua convicção num tweet no ano passado. Isso significa que Trump entende essa conexão e ficou insatisfeito com isso.

Esse tweet mudou tudo. Isso colocou-nos no caminho que estamos hoje. Aqui está o que eu escrevi no final de Setembro de 2017 .


Trump fez uma grande amostra sobre como o Plano de Acção Conjunto Global (PACG) (em inglês: Joint Comprehensive Plan of Action - JCPOA é um 'mau negócio'. Este tweet diz porquê.

Mas e daí? Até que mostremos alguma disposição de definir os interesses americanos de forma menos ampla e honrar os nossos acordos, porque alguém deveria negociar? Porque o Irão e a Coreia do Norte não perseguem os seus interesses, que é obter um arsenal nuclear para impedir os EUA de uma mudança violenta de regime?

E é nesse lugar que estamos agora com a Europa. Porque eles deveriam negociar com Trump a menos que ele lhes oferecesse algo em troca, algo que ele quer lhes dar; a sua independência na política externa.

Trump está a definir os interesses americanos de forma menos ampla. Ele está a dizer que a defesa da Europa não é mais da nossa responsabilidade. Ele está a dizer que vocês não pode ter vosso petróleo iraniano e esvaziar as nossa economia ao mesmo tempo.

Macron está activamente a aceitar a oferta porque ele sabe, como Merkel, que os EUA não vão levantar um dedo sob Trump para conter a agitação na Europa devido à instabilidade política causada pela repressão financeira do banco central e pela imigração em massa.

Por causa disso, a OTAN está preocupada. Vender o mundo em permanente conflito com os russos e 'terroristas' malévolos é a principal maneira de continuar vendendo armas em todo o mundo. É o que a OTAN é neste momento; um vasto cemitério de capital produtivo a ser desperdiçado em armas que não precisamos para combater inimigos que não existem.

É por isso que seu porta-voz político, o Atlantic Council, está a aconselhar o Facebook sobre o que é e o que não é uma 'notícia falsa' vinda da Rússia. É por isso que os meios de comunicação, burocracias e lobistas em DC todos odeiam Trump. Ele está a diminuir as razões para que todas essas armas existam ao forçar a narrativa real sobre a segurança da Europa para o campo público.

Qual é o maior perigo para a segurança da Europa?  É a liderança da própria Europa.

Como eu disse no início, esses planos para um Grande Exército da UE estão em andamento há anos. A UE deveria ter o seu bolo - dinheiro e apoio dos EUA - e comê-lo também - os seus próprios militares privados - com o objectivo final de fundir as suas estruturas de comando com as dos EUA no papel de subserviente.

E isso joga numa outra possibilidade do que esta oferta por Macron significa. Eu dei-vos o caso de um touro, por assim dizer. Ora aqui está o caso do um urso.

Essa declaração de Macron também poderia ser uma atracção para a Rússia abandonar a sua parceria com o Irão e a China em troca de uma relação mais próxima com a Europa. Nós todos sabemos que Henry Kissinger tem aconselhado Trump nessa frente; criar condições para romper a aliança Rússia / China.

Porque, embora os EUA não sejam capazes de fazer acordos, a França e a Alemanha são a face gentil do expansionismo ocidental. Assim, Macron oferece um acordo de segurança para a Rússia e Turquia que exclui os EUA, dando a Trump o que ele quer, o fim dos EUA financiarem a defesa da Europa, enquanto mantém a OTAN viva para ligar a Rússia numa data posterior, depois que Trump for afastado (impeached).

Assim, qual o caminho que esta oferta da Macron representa? Aquela que leva à independência europeia em política externa e energética fora da tutela da OTAN e dos EUA e num acordo com a Rússia e a Turquia, como disse Macron.

Ou será simplesmente um pretexto para uma maior integração da UE depois que Trump for destituído do cargo e o caminho original pavimentado por Obama restabelecido, mas desta vez com a Rússia neutralizada por ter traído seus aliados, a China e o Irão?

Eu aposto que Putin não é tão estúpido.

*Tom Luongo é analista político e económico independente baseado no Norte da Florida, EUA.

Tradução: Paulo Ramires

domingo, 2 de setembro de 2018

REVIVENDO O CONCEITO DE UMA "OTAN ÁRABE": WASHINGTON CONVOCA UMA CIMEIRA DOS ESTADOS ÁRABES DO GOLFO

REVIVENDO O CONCEITO DE UMA "OTAN ÁRABE": WASHINGTON CONVOCA UMA CIMEIRA DOS ESTADOS ÁRABES DO GOLFO

A questão foi levantada durante a visita do presidente norte-americano Trump à Arábia Saudita no ano passado. Nessa altura, as autoridades sauditas mencionaram a ideia de um pacto de segurança e o presidente dos EUA o apoiou energicamente. Riade e Abu Dhabi aspiram a assumir os papéis principais. A aliança árabe ao estilo da OTAN estará focada no estabelecimento da defesa regional contra mísseis,

Por Alex Gorka

De acordo com a Defense News, o governo dos EUA está a pressionar para se avançar com os planos para uma nova aliança de segurança, apelidada provisoriamente de “Aliança Estratégica para o Médio Oriente”, ou MESA, que inclui Egipto, Jordânia, Arábia Saudita, Emirado Árabes Unidos (EAU) , Kuwait, Qatar, Omã e Bahrein. Um anúncio oficial é esperado durante a cimeira entre os EUA e os países do Golfo, entre 12 e 13 de Outubro, em Washington, obviamente uma tentativa séria de criar uma nova arquitectura de segurança na região.

A questão foi levantada durante a visita do presidente norte-americano Trump à Arábia Saudita no ano passado. Nessa altura, as autoridades sauditas mencionaram a ideia de um pacto de segurança e o presidente dos EUA o apoiou energicamente. Riade e Abu Dhabi aspiram a assumir os papéis principais. A aliança árabe ao estilo da OTAN estará focada no estabelecimento da defesa regional contra mísseis, treino de pessoal e aquisição de armas que modernizem as forças armadas dos países árabes. As nações árabes que estão prontas para aderir à aliança não têm indústrias de defesa nativas, o que significará um aumento dos lucros para os fabricantes de armas dos EUA.

É provável que uma cláusula de defesa colectiva seja incluída na lista de compromissos comuns dos membros da OTAN árabe. A necessidade de proteger as rotas marítimas do Golfo Pérsico (Árabe) é outro ponto de convergência para essas nações. A formação deste novo bloco está a ocorrer  em simultâneo com as sanções dos EUA que estão a ser abruptamente restabelecidas no Irão, com o embargo de Agosto a ser seguido por um pacote de sanções ainda mais prejudicial em Novembro. O apoio à ideia de criar um pacto é reforçado pelo facto de que a Liga Árabe, evidentemente, não consegue se envolver em operações de manutenção da paz, estabilização ou humanitárias no Médio Oriente e Norte da África (região MENA).

Os Estados Unidos têm uma forte presença militar no Golfo Pérsico. O Irão e o Iémene são os únicos países da região que não abrigam instalações militares dos EUA. As forças armadas dos EUA utilizam grandes instalações aéreas no Qatar e expandiram suas operações nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e em Omã. Bahrein é o abrigo da Quinta Frota da Marinha dos EUA. Os EUA encorajaram os países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) a adquirirem os sistemas de defesa anti-mísseis Patriot Advanced Capability-3 (PAC-3) e os Terminal High Altitude Area Defense (THAAD). Os Patriot Advanced Capability-3 já estão a ser usados pelo Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Os Emirados Árabes Unidos e o Qatar também estão protegidos pelos sistemas THAAD. A liderança dos EUA é indispensável para tornar esses sistemas interoperáveis.

Vale a pena notar que os THAAD no Qatar são apoiados pelos AN / FPS-132. O seu alcance é de 5.000 km. (3.100 milhas) excedendo em muito o requisito para combater uma ameaça de mísseis vinda do Irão. Normalmente o radar AN / TPY-2 com um alcance de 1.500 km.(932 mi.) a 3.000 km. (1.864 mi.) é usado para apoiar os THAAD. O alcance máximo efectivo (instrumentado) é de 2.000 km (1242 mi). Este radar é implantado para suportar as operações dos THAAD na Coreia do Sul. Os 5.000 km. de alcance é excessivo para combater um míssil que se aproxima vindo do Irão. Mas o alcance do AN / FPS-132 permite monitorizar grandes partes da Rússia. Isso faz do radar AN / FPS-132, baseado no Qatar, um elemento do emergente sistema global de defesa anti-mísseis dos EUA, criado para combater as forças nucleares estratégicas da Rússia.

Evidentemente, o Irão, além do Hezbollah, está a ser usado como bicho-papão para justificar a necessidade de uma nova aliança. Como disse o presidente Trump: "Qualquer pessoa que faça negócios com o Irão NÃO fará negócios com os Estados Unidos". Agora, parece que qualquer pessoa preparada para se opor ao Irão é bem-vinda para se tornar numa aliada dos EUA.

Mas a alegada ameaça vinda do Irão é suficiente para unir as nações mencionadas acima? Somente a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein vêem o Irão como um inimigo contra o qual poderiam ir à guerra. Omã, Qatar e Kuwait mantêm relações normais com esse país. A Jordânia e o Egipto nunca disseram que viam Teerão como uma ameaça existencial. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita (o maior comprador de armas dos EUA) e Bahrein estão unidos contra o Qatar, país que abriga uma grande base militar dos EUA. A Arábia Saudita até planeou invadir o Qatar em 2017. A diplomacia até agora não conseguiu superar essas diferenças. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também estão divididos pelas suas visões divergentes sobre a situação e os seus respectivos papéis no Iémene. É, portanto, uma tarefa difícil reunir todas essas nações.

Na verdade, é difícil entender porque os EUA precisam tanto do Médio Oriente. Nenhum país dessa região representa uma ameaça ao território dos EUA. A América tornou-se recentemente o maior produtor mundial de energia. Se o Golfo estiver bloqueado pelo Irão, isso não será tão prejudicial para os Estados Unidos. Mas a formação desta aliança promoverá os interesses da indústria de defesa dos EUA. Quando estiver em vigor, terá um mandato para intervir e conduzir operações que violem a soberania de outros estados da região - como a Síria por exemplo. Os EUA já instalaram sistemas de radar  ar-defesa e electrónicos em Kobani, a província de Aleppo no norte da Síria, e no território da base al-Shaddadi na província de Hasakah como mais um passo no caminho para estabelecer uma zona de exclusão aérea no norte da Síria que se estende de Manbij a Deir ez-Zor. Se isso acontecer, os EUA permanecerão na Síria por um longo tempo e precisarão de uma aliança para apoiar as suas acções militares e diplomáticas.

Strategic-culture.org

EXPLOSÃO NO AEROPORTO MILITAR DE MEZZEH, PERTO DE DAMASCO.

EXPLOSÃO NO AEROPORTO MILITAR DE MEZZEH, PERTO DE DAMASCO. 




Grande explosão no aeroporto militar de Mezzeh, no distrito de Damasco tem originado relatos contraditórios. A televisão estatal síria negou tratar-se de um ataque, mas outras informações apontam para um bombardeamento israelita aquela base. A explosão fez-se sentir em Damasco.


[Actualização]

Uma multiplicidade de relatos indicam que uma explosão maciça ocorreu no início da manhã de domingo na base aérea de Mezzeh perto de Damasco, na Síria.

Relatórios da Reuters :

"Os média estatais sírios afirmaram que as explosões vindas de uma base aérea no domingo foram de uma explosão num depósito de munição causado por um problema eléctrico, mas um funcionário da aliança regional que apoia Damasco disse que a explosão resultou de ataques israelitas.

“Um observador de guerra do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, também atribuiu as explosões a ataques israelitas, que, segundo a agência, causaram mortes e feridos.

“Israel já reconheceu ter realizado ataques aéreos na Síria com o objectivo de degradar a capacidade do Irão e dos seus aliados, incluindo o grupo xiita Hezbollah do Líbano, que apoia Assad na guerra civil que já dura sete anos no país.

“Não houve comentários imediatos de Israel sobre os relatos de explosões de domingo ou de que eles estavam atrás deles.

"Em Maio, a agência disse que Israel atacou quase toda a infra-estrutura militar do Irão na Síria depois que as forças iranianas dispararam foguetes contra territórios controlados por Israel pela primeira vez na mais ampla troca militar entre os dois adversários".

Hadi Albahra, membro da Comissão de Negociações da Síria e ex-presidente da Coligação Nacional das Forças de Revolução e Oposição Sírias, twittou a esse respeito fornecendo detalhes e números interessantes.
Fontes locais dizem que uma explosão maciça foi ouvida na base aérea de Al Mezzeh, perto de Damasco.

A rede de TV Sky News citou uma testemunha dizendo que várias outras explosões também foram vistas no local. Após essas explosões, com a causa ainda desconhecida, um grande incêndio foi visto nesta base aérea.

Fontes locais também dizem que as unidades de defesa aérea de Assad começaram a responder a este incidente com ataques indeterminados.

A rede de notícias Al-Mayadeen relatou uma série de explosões ocorrendo a cerca de 15 quilómetros da cidade de Damasco.

A rede da Sky News em árabe acrescentou: "Um funcionário da aliança regional que apóia o regime de Assad disse que um ataque com mísseis atingiu a base aérea de Mezzeh e que as unidades de defesa aérea de Assad responderam a esse ataque".

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos também relatou várias mortes e ferimentos resultantes dessas explosões. As unidades da 4ª Divisão de Assad lançaram supostamente mísseis superfície-superfície em resposta.

Fonte: mojahedin.org


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

O ERRO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 E O SILÊNCIO IMPOSTO

O ERRO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 E O SILÊNCIO IMPOSTO



Paulo Ramires

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 foi assinado em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990 com a pretensão de unificar a língua portuguesa nos vários países lusófonos. Quase 28 anos depois ninguém está satisfeito com o dito acordo de 1990, que afinal não unifica nada, mas promove em vez disso uma desunificação onde antes não havia problemas significativos a nível ortográfico, como por exemplo entre o português de África e o português europeu, ou aumentando o fosso das diferenças ortográficas com as grafias múltiplas que passaram a existir entre Portugal e o Brasil, mas mais, criou um caos tal e constante na língua portuguesa evidente por todo o lado onde erros ortográficos aparecem misturados com as duas ortografias, a de 1945 e a de 1990. Este é um acordo que não funciona e não é desejado por ninguém porque se baseia na fonia da língua para atingir esse almejado objectivo de unir as várias grafias no espaço lusófono, todavia tal objectivo é pouco exequível dado que existem muitas pronúncias e formas de falar no espaço da lusofonia, só em Portugal existem muitas pronúncias, como é possível a unificação nesses termos? Simplesmente não é possível nem desejável. Perante esta impossibilidade os defensores do acordo acharam por bem resolver esta impossibilidade aplicando a ortografia brasileira a toda a lusofonia, isso é, a todos os países lusófonos incluindo Portugal, como se isso fosse aceitável para os outros cidadãos dos outros países, não é pois não? Sobretudo quando se pensou voltar atrás com uma reforma ortográfica anterior à de 1945, isto porque a forma de grafar que os brasileiros usam é baseada na reforma de 1943, aprovado a 12 de Agosto desse mesmo ano e que apresenta um formulário ortográfico bastante simplista e adequado ao falar de Brasil mas não ao de Portugal ou ao dos outros países africanos ou ainda menos ao de Timor Leste. Por exemplo a superação das consoantes mudas não serve às restantes variações do português sobretudo no português de Portugal em que uma consoante antes de uma vogal átona tem a função de acento grave mas no português do Brasil isto não faz diferença alguma, seria mais aceitável incluir uma consoante que não faz falta no espaço lusófono do que eliminar uma consoante que faz falta no espaço lusófono, assim não se compreende como os restantes governantes cederam às exigências do Brasil. O resultado deste acordo é ter não só um impacto significativo na ortografia como na forma de falar dos restantes falantes do português. Estamos assim perante o maior erro histórico que já se cometeu contra a língua portuguesa e perante este facto o governo português opta pelo silêncio e impõe o silencio aos órgão de comunicação social como forma de encobrir este erro tremendo na língua portuguesa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

JOHN MACCAIN NÃO FOI NENHUM HERÓI, ELE DESTRUIU PARTE DO MUNDO

JOHN MACCAIN NÃO FOI NENHUM HERÓI, ELE DESTRUIU PARTE DO MUNDO


O senador John McCain morreu a 25 de Agosto de 2018, aos 81 anos de idade. A imprensa internacional o recebe como um "herói do Vietname", um "homem de integridade" e "sem cedências" ao presidente Trump.

A acção desse "defensor da liberdade" no Vietname limitou-se a bombardear civis. Em 1967, o avião que ele tripulava voou descendo pela DCA soviética e destruiu uma central eléctrica. Filho de um almirante que se tornaria o comandante-chefe do PaCom, foi prisioneiro de guerra por cinco anos e foi torturado por muito tempo.

Ele foi eleito em 1982 para a Câmara dos Representantes e, em 1986, para o Senado. Este homem supostamente honesto é um dos cinco senadores corrompidos por Charles Keating (o "Keating Five") para cobrir os seus golpes para com os pequenos aforradores.

Nas primárias republicanas de 2000, ele enfrentou George Bush Jr., que não acreditou no seu heroísmo no Vietname e o acusou de trair o seu país (tinha assinado uma confissões sob tortura).

Foi um candidato do Partido Republicano contra Barack Obama em 2008, que enfrentou as revelações do New York Times de que as empresas financiaram a sua campanha de 2000 como pagamento pelas suas posições como presidente da Comissão de Comércio.

Não inclassificável na política interna, ele apoiou a condenação criminal de mulheres que abortam, bem como a rejeição da tortura.

Desde 1993, John McCain serviu tanto como senador como presidente do IRI, uma organização destinada a corromper partidos políticos de direita em todo o mundo. O IRI é um dos principais pseudopodes Nacional Endowment for Democracy (Serviço Secreto Comum "cinco olhos" que inclui a Austrália, Canadá, os EUA, Nova Zelândia e Reino Unido). Apesar do complexo arranjo legal deste sistema, esta é uma função executiva. McCain exerceu por 25 anos, violando o princípio da separação de poderes, até o início do mês, quando foi substituído pelo seu amigo senador Dan Sullivan.

Como presidente do IRI, participou na organização de numerosos golpes de estados e apoiou todos as guerras dos Estados Unidos e RU sem excepção. Por exemplo, ele preparou o golpe fracassado contra o constitucional presidente Hugo Chávez na Venezuela, o derrube do presidente constitucional Jean-Bertrand Aristide no Haiti, a tentativa de derrubar constitucionalmente o Presidente Mwai Kibaki do Quénia e mais recentemente, a do Presidente constitucional ucraniano, Viktor Yanukovych.

Real maestro da "Primavera Árabe", lançou as guerras da Líbia e da Síria numa reunião dos Serviços Secretos Aliados no Cairo, em Fevereiro de 2011. Foi para o Líbano para confiar o fornecimento militar de jihadistas na Síria para o harirista deputado Okab Sakr. Nessa ocasião, McCain visitou Ersal e decide instalar ali uma base de retaguarda que os jihadistas usariam mais tarde contra a Síria.

Em Maio de 2013, McCain foi ilegalmente para o norte da Síria sob protecção israelita. Ai ele encontrou-se com vários líderes jihadistas, incluindo Mohammad Nour, que tinha acabado de sequestrar 11 civis libaneses. E, em nossa opinião, McCain também conheceu Abu Bakr al-Baghdadi, o futuro califa do Daesh, mas que o seu secretariado nega.

No entanto, um ano depois, convidado do programa de Sean Hannity (Fox News), a 16 de Setembro, 2014, McCain criticou um artigo sobre a precariedade de um cessar-fogo entre jihadistas "moderados" e "extremistas". Em seguida, afirmou conhecer a situação na terra da Síria, referindo-se à sua experiência no Vietname, defendeu a ideia de confiar a todos os "rebeldes" para destruírem a República Árabe da Síria. Para isso, ele revelou ter se encontrado com os líderes de Daesh e manter contacto com eles.

Com determinação e sem escrúpulos, ele terá participado da destruição de uma parte do mundo.

voltairenet.org

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

RÚSSIA COLOCA A POLÍCIA MILITAR NA FRONTEIRA ISRAEL-SÍRIA, REFORÇANDO O PAPEL DE MODERADORA

RÚSSIA COLOCA A POLÍCIA MILITAR NA FRONTEIRA ISRAEL-SÍRIA, REFORÇANDO O PAPEL DE MODERADORA



O exército russo informou nesta quinta-feira que vai mobilizar a polícia militar ao longo da fronteira volátil entre a Síria e Israel, ressaltando o papel mediador que Moscovo está a desempenhar para reduzir as tensões entre os dois lados.

Forças sírias apoiadas pelo poder aéreo russo nesta semana assumiram o controle total de três províncias do sul ao longo da fronteira com a Jordânia e os Montes de Golã ocupadas por Israel após uma ofensiva de semanas contra grupos rebeldes e jihadistas.

O combate tem preocupado Israel, que acredita que as forças iranianas e aliadas da milícia xiita que apoiam o exército sírio vão se entrincheirar à sua porta. Os confronto ameaçaram atravessar a fronteira, quando Israel derrubou um jacto sírio que havia entrado em seu espaço aéreo. 

O general russo Sergei Rudskoy disse numa conferencia de imprensa em Moscovo na quinta-feira que, como resultado da restauração do controle do governo sírio, "foram criadas condições para retomar as actividades das forças de paz da ONU nos Montes Golã" pela primeira vez desde então. Retirou-se de uma zona de segurança em 2012 devido a ameaças à sua segurança.

Sergei Rudskoy disse que a polícia militar russa conduziu patrulhas com forças de paz da ONU na zona de separação e que as forças russas comandariam oito postos de observação ao longo do lado sírio. Ele acrescentou que a situação será temporária até que os postos de observação sejam entregues às forças do governo sírio quando a situação se estabilizar.

Rússia procura tranquilizar Israel 

Israel capturou parte dos Montes Golã da Síria na Guerra dos Seis Dias de 1967 e posteriormente anexou-a. Uma força de paz da ONU desde 1974 tem monitorizado uma zona de segurança que separa as forças sírias e israelitas, que tecnicamente permanecem em guerra.

Israel tem estado em intensas conversas diplomáticas com a Rússia nas últimas semanas, esperando que Moscovo possa usar sua influência na Síria para impedir o entrincheiramento das forças iranianas e o seu proxy libanês, o Hezbollah, que apoia o presidente sírio Bashar al-Assad na guerra civil há sete anos no país.

A presença da polícia militar russa é vista pelos analistas como uma forma de tranquilizar Israel sobre as suas preocupações de segurança em relação ao Irão e ao Hezbollah. Também pode servir para enviar uma mensagem a Israel para se abster de acções militares unilaterais ao longo da fronteira.

Israel reitera as exigências

Israel apareceu na quinta-feira para saudar o regime de Assad exercendo controle sobre o sudoeste da Síria.

"Do nosso ponto de vista, a situação está voltando a ser como era antes da guerra civil, significando que há um real interesse, alguém responsável e governo central", disse o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, durante uma visita a baterias de mísseis.

"Eu acho que isso também é do interesse de Assad" para evitar um surto de violência, disse ele.

Israel realizou dezenas de ataques aéreos na Síria contra as forças iranianas e o Hezbollah. Pelo menos duas acções principais de retaliação neste ano foram em resposta a um suspeito drone iraniano sobrevoando a fronteira dos Montes Golã e outro depois de Israel acusar forças do Irão de disparar contra as suas tropas da linha de frente.

Lieberman disse que, para manter a calma, a Síria deve respeitar o armistício monitorado pela ONU em 1974. Ele também repetiu a exigência de Israel de que o Irão não estabeleça bases militares na Síria e que o país não seja usado para remessas avançadas de mísseis para o Hezbollah.

Rússia joga nos dois lados

A Rússia ofereceu a Israel uma garantia de que as forças iranianas permaneceriam pelo menos a 100 quilómetros dos Montes Golã, mas Israel teria recusado a oferta e exigiu uma retirada completa do país.

O enviado especial do presidente Vladimir Putin à Síria, Alexander Lavrentiev, disse na quarta-feira que as forças apoiadas pelo Irão tinham destacado armas pesadas para uma distância de 85 quilómetros da fronteira dos Montes Golã.

"Não há unidades de equipamento pesado e armas que possam representar uma ameaça a Israel a uma distância de 85 quilómetros da linha de demarcação", afirmou Lavrentiev à agência de notícias Tass.

No entanto, ele disse que os "conselheiros" iranianos podem estar entre as forças sírias mais próximas da fronteira israelita. 

Sete anos depois da guerra civil, o exército sírio foi destruído e as forças iranianas e milícias aliadas criaram vastas esferas de influência.

Como Aymenn Jawad Al-Tamimi, um especialista em Síria escreveu numa análise recente , a natureza da presença do Irão na "Síria não é de dominar e assumir o controle do sistema, mas sim integrando de modo a tornar-se uma parte indivisível do sistema "

Na segunda-feira, o embaixador da Rússia em Israel disse que Moscovo vê "qualquer exigências para expulsar" o Irão ou outras tropas estrangeiras convidadas legitimamente pelo governo sírio como "não realistas".

Ao mesmo tempo, o embaixador Anatoly Viktorov disse que a Rússia desaprovava os ataques israelitas à presença do Irão na Síria, mas observou: "Não podemos ditar a Israel como proceder ... Não cabe à Rússia dar liberdade a Israel para fazer qualquer coisa, ou proibir Israel de fazer qualquer coisa ".


Fonte: dw.com








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