DEMOCRACIA: TRANSFORMAÇÃO DEMOCRÁTICA NECESSÁRIA -->

domingo, 23 de setembro de 2018

DEMOCRACIA: TRANSFORMAÇÃO DEMOCRÁTICA NECESSÁRIA

DEMOCRACIA: TRANSFORMAÇÃO DEMOCRÁTICA NECESSÁRIA

Paulo Ramires | Opinião

Os regimes também ficam desactualizados e inadequados com o passar do tempo, o devir das sociedades é cada vez mais dimensional acabando por ter o respectivo impacto nas pessoas, é por esta razão que os regimes devem ser sempre transformados ou alterados – sem qualquer encenação ou cosmética ‒ ao longo do tempo, evoluindo como evolui a sociedade. O actual regime que foi instalado no pós 25 da Abril, não só não permanece igual como perdeu consistência e se tornou obsoleto, ultrapassado, e acabou também por apodrecer por acção dos que estão nos lugares cimeiros, é necessário altera-lo ‒ e não falo em ciclos eleitorais, isso são alterações de pormenor que são cosmética para quem não quer mudar nada quando é necessário uma transformação profunda, repare-se que já ocorreram diversas transformações na sociedade, tecnológicas, de informação entre outras, e que deram uma outra dinâmica à sociedade, a forma de comunicação alterou-se, o comercio simplificou-se e tornou-se global, apareceram espaços económicos e financeiros como a UE, que tendem naturalmente a surgir como projectos políticos que integram vários países, todavia com imensas imperfeições e não para todos, apareceram as criptomoedas como as bitcoins totalmente não reguladas, a imprensa tornou-se digital, a vigilância ao cidadão sofisticou-se e todos passaram a ser controlados, apareceu a internet das coisas, muitas coisas surgiram e outras transformaram-se e modernizaram-se, todavia a forma de fazer politica entrou em decadência, ficou restrita às elites partidárias e retrocedeu no tempo, as pessoas desinteressaram-se por medo ou por outras razões, os abusos de poder sucederam-se, o medo instalou-se e a imprensa agora digitalizada tornou-se num instrumento do poder(talvez a culpa não seja da imprensa mas do regime), é o poder que agora a controla e a mantém dependente, sim é o poder que manda, e isso é uma enorme contradição com a democracia, curiosamente outros instrumentos tornados mediáticos foram usados para desacreditar, enxovalhar, isolar e punir pessoas incomodas para o poder politico, aqueles que pensam diferente por exemplo. 

O poder instituído, seja ele de esquerda ou de direita, tornou-se numa coisa perigosa, afastou-se dos cidadãos, deixou de os escutar e criou uma classe superior em que só os que integram essa classe podem controlar o poder politico, económico e financeiro, a corrupção alastrou-se como seria de esperar, a exclusão social aumentou, a desigualdade é um cancro de que ninguém fala e como resultado a suposta democracia representativa, ideal do 25 de Abril de 1974, praticamente acabou, o regime é hoje mais parecido com uma ditadura do que com uma democracia representativa, quando a sua transformação deveria ir num sentido inverso, no sentido de uma democracia directa e participativa. 

A justiça parece que também não está muito bem, não há justiça para todos se não houver consequências para todos, na verdade ela parece ter sido cuidadosamente configurada e calibrada para lidar com a classe política dominante de uma forma muito particular e de uma outra forma também muito particular com o resto dos cidadãos. Parece-me a mim no mínimo estranho uma pessoa representando uma entidade superior relacionada com a justiça ser nomeada pelo poder político, questiona-se com legitimamente que independência pode ter essa pessoa para averiguar casos de abuso de poder, manipulação, corrupção, etc. 

O regime tem vícios e já são muitos. Deveria haver outras alternativas. A democracia é algo muito diferente do actual regime, onde o estado de direito não tem excepções. Não há estado de direito quando o estado não protege os seus cidadãos de abusos de poder e não verifica a observação pelos Direitos Humanos. Numa partidocracia classista não há espaço para quem pensa diferente, está restrito à mecânica ideológica da hierarquia dos partidos políticos, não há espaço para os outsiders, aqueles que defendem um modelo de democracia diferente, uma democracia mais abrangente, a democracia directa e participativa. Mas será ela possível? É claro que sim, que não haja dúvidas sobre isso. Uma Democracia Plena implica a participação de todos os cidadãos na democracia e nos assuntos do país sem exclusões, sem nuances e constrangimentos partidários. 

São ideais progressistas, mas eles são necessários para que a transformação seja possível, são princípios democráticos normais para um democrata, mas não para os antidemocratas que se afirmam ser democratas sem o ser, vestem a pele de democratas apenas para se manter no poder e tratarem dos seus próprios interesses, um verdadeiro democrata em caso algum diz não à democracia directa e participativa

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