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domingo, 15 de junho de 2014

SITUAÇÃO GEOPOLÍTICA ALTERA-SE NO MÉDIO ORIENTE COM ACÇÃO DOS GUERRILHEIROS DO ESTADO ISLÂMICO DO IRAQUE E DO LEVANTE - ISIL/ISIS

SITUAÇÃO GEOPOLÍTICA ALTERA-SE NO MÉDIO ORIENTE COM ACÇÃO DOS GUERRILHEIROS DO ESTADO ISLÂMICO DO IRAQUE E DO LEVANTE - ISIL/ISIS





Por Paulo Ramires

Na passada quarta-feira, guerrilheiros afiliados na al-Qaeda, os designados combatentes do grupo armado de Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL ou ISIS) conquistaram a antiga cidade natal de Saddan Hussein, Tikrit situada na província de Salahuddin, em Mosul, cidade da capital da província de Nineveh, Samara a 121 Km de Bagdad e Kirkuk no norte do Iraque, fazendo mais de meio milhão de refugiados segundo uma agência humanitária no país, executando pessoas e raptando diversos adidos turcos.

Esta organização terrorista ocupa ainda partes do território da Síria. Trata-se de um grupo sectário sunita takfirista que embora filiado na al-Qaeda é bem mais radical do que esta em termos ideológicos e políticos, tendo se distanciado da al-Qaeda e não hesitando entrar em confronto militar directo com a própria al-Qaeda.

Aparentemente esta acção destes guerrilheiros jihadistas bastante extremistas com actividades crescente de guerrilha e terrorismo no Iraque poderá ser consequência da acção política do primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki de origem xiita e muito criticado por ter uma política muito discriminatória em relação às minorias, mas em particular à população sunita iraquiana (32-37% contra cerca do 60% de xiitas), al-Maliki foi o líder colocado no poder no Iraque pelos americanos.

 

Mas será essa a razão do aparecimento das forças do ISIL agora no Iraque ? A resposta é negativa. Quando os EUA ocuparam o Iraque em Março de 2003 com o pretexto da destruição das armas de destruição maciças (WMD) que nunca existiram, tinham apenas o objectivo controlar o espaço geopolítico do Iraque e Kwait assim como as suas fronteiras, de maneira que as reservas de petróleo controladas por Saddan não fossem transaccionadas por euros mas sim em dólares, dai a substituição imediata do dinar iraquiano na altura e o não bombardeamento do ministério do petróleo.

Mas na verdade as ambições dos americanos eram maiores, a administração Bush Jr. desenvolveu planos para o Médio Oriente e que consistiam em modificar as suas fronteiras em funções dos seus interesses imperiais, nomeadamente com pessoas como Leslie Gelt, na altura presidente do concelho das Relações Exteriores. O redesenho das fronteiras era extenso afectando vários países, alguns desses países eram precisamente o Iraque e a Síria, esses objectivos nunca foram afastados dos estrategas e interesses de Washington.

Para os EUA ter Bashar al-Assad, na Síria significa uma perda considerável de influência no Médio Oriente. Assad tem vários apoios e aliados na dita comunidade internacional como a Rússia, o Irão, a China e outros actores importantes como o Hezebolla - Partido de Deus libanês e em total actividade no terreno. Com os aliados dos EUA mais próximos a rejeitarem um intervenção na Síria, incluindo o Reino Unido que usou fazer um jogo de teatro no parlamento britânico em Westminster, com os parlamentares a votarem contra uma intervenção na Síria.

Mas intervir na Síria não implicava apenas enfrentar as forças de Bashar al-Assad e o Hezebolla, significava enfrentar potencias como a Rússia ou o Irão e controlar os grupos terroristas filiados na al-Qaeda como a al-Nusra Front ou o ISIL entre outros. Assim os EUA tiveram de aceitar não intervir na Síria em negociações patrocinadas pela Rússia.

Mas o problema dos guerrilheiros extremistas na Síria permanecia em operações no terreno como a al-Qaeda ou a al-Nusra Front apoiadas pelos EUA, Reino Unido, França, Israel, Turquia e as monarquias árabes como a Arábia Saudita. O acordo com a Rússia em que a cedência era apenas a saída das armas químicas de Assad da Síria sabia a pouco, afinal a Síria é um grande país que encontrou várias reservas de gás natural no seu território e as poderá exportar para a Europa e Ásia.



Com o evoluir da situação os EUA abdicaram de hostilizar o Irão mantendo no entanto as sanções de vários tipos como por exemplo tentando manter o Irão fora do sistema financeiro internacional. Deus-se desta forma uma alteração substancial dos equilíbrios geopolíticos na região como a Arábia Saudita sunita e whabbita, apoiadas por outras monarquias do mesmo género a fazerem frente ao Irão xiita e mais moderado, assim a Arábia Saudita fez contratos de aquisição de armamentos com os EUA e outros países e apoiou massivamente os terroristas a desenvolverem a jihad na Síria.

Estes grupos filiados na al-Qaeda estavam relativamente unidos constituindo o FSA (Free Syra Army)[Exercito livre da Síria] combatendo as forças da Assad. Com a liberdade para o Irão se juntar à Rússia, China, Índia e outros países, a campainha tocou imediatamente em Riade, e a resposta foi este país apoiar as forças do ISIL de forma a enfraquecerem a aliança do Irão com a Síria e a influência do Irão no antigo inimigo, o Iraque.

O ISIL desviou-se assim a sua prioridade reunida nos objectivos da al-Qaeda e voltou-se para o Iraque, apanhando os EUA - que têm toda a responsabilidade na existência destas guerrilhas terrorista - e outros actores desprevenidos, estava feita uma cisão das estratégias que usam os próxies. 


No entanto a acção das forças das guerrilha do ISIL ou ISIS não desagradavam muito aos EUA uma vez que estas serviam de certa forma os seus interesses na região, a quebra (ou o enfraquecimento) das alianças a partir do Irão e Rússia. No entanto o governo do Iraque incapaz de lidar com as forças do ISIL pediu ajuda externa. E ela de facto surgiu da parte do Irão e da Síria, e o Irão enviou as primeiros forças armadas para proteger os lugares santos do xiismo do Iraque, e neste momento já se falem numa força armada do Irão de 2000 homens no Iraque, deixando os EUA praticamente fora dos acontecimentos e envolvidos em imensas contradições como o apoio à Arábia Saudita e ás forças terroristas que combatem Assad e que lhe chama de oposição.

Assim os EUA têm mesmo de agir e ao que parece em coordenação com o Irão, algo de muito estranho no quadro geopolítico actual. A acrescentar a este quadro geopolítico do Iraque estão as guerrilhas xiitas de Moqtada al-Sadr, usadas agora por al-Maliki para conter as guerrilhas sunitas.

Com uma população hostil a mais intervenções militares, resta-lhe assim o controlo do espaço aéreo do Iraque para conter as forças do ISIL mas quiça não muito, apenas o suficiente para manter al-Maliki no poder.

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