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terça-feira, 3 de junho de 2014

ALIANÇAS COMERCIAIS SÃO NEGOCIADAS PARA FORTALECIMENTO DA CPLP

ALIANÇAS COMERCIAIS SÃO NEGOCIADAS PARA FORTALECIMENTO DA CPLP

Produção de petróleo em Angola. Delegação da Sonangol esteve em Timor-Leste para analisar potencial do país para criação de consórcio


Exploração de petróleo, construção do “cluster do mar” e reinício dos voos entre Portugal e Guiné-Bissau são alguns dos acordos que estão sendo tratados. Objectivo é o fortalecimento económico para criar base competitiva.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP, está analisando a possibilidade de inúmeras parcerias entre as nações que fazem parte do bloco.
Formado por Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal e Timor-Leste, tem como um dos objectivos o fortalecimento económico dos países.

Em Díli, capital do Timor-Leste, acontece uma cúpula da Sonangol Hidrocarbonetos Internacional, a subsidiária da empresa petrolífera estatal de Angola. O país africano deve analisar a possibilidade de criação de um consórcio para exploração de petróleo em Timor Leste.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente executivo da Sonangol, Manuel Teixeira, disse que a visita ao país servirá para conhecer o potencial petrolífero da região. Ele afirma que "o objectivo dessa visita é sobretudo com a intenção do governo de Timor criar um consórcio que vai envolver todos os países da CPLP. E nós viemos aqui apenas para ver se de fato as áreas têm potencial em termos petrolíferos".

Teixeira ainda diz que, somente depois da visita estratégica, a Sonangol poderá chegar a uma conclusão se irá participar ou não do consórcio.

Para Sandro Mendonça, professor do Departamento de Economia do ISCTE Business School - Instituto Universitário de Lisboa, a cooperação entre os países da CPLP só traz vantagens.

“[É importante] a força que se dá ao português como língua de negócios. Esta nova densidade comercial é algo que, para todos os países envolvidos, acabam por reduzir a sua dependência. Por exemplo, Portugal certamente precisa se alavancar em relação a uma Europa que não cresce, mas os países africanos de língua portuguesa também precisam de se lançar para um mundo mais vasto”, afirma o professor.

Economia e interesses



Em Março deste ano, o presidente da Timor Gap, empresa petrolífera timorense, anunciou a intenção das autoridades do país para a criação de um consórcio com os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal já teriam manifestado interesse na iniciativa, com excepção do Brasil, que teria necessidades internas relacionadas aos próprios recursos.

O economista Sandro Mendonça afirma que há diferenças entre os países, já que alguns teriam mais interesses no bloco que outros. Porém, as trocas comerciais, mesmo com economias distintas, podem trazer resultados e definir a força do grupo.

Para ele, um país como o Brasil, com grandes recursos petrolíferos, pode estar menos interessado no mercado lusófono ao nível de recursos em hidrocarbonetos. Mas, no todo, pode-se redesenhar um padrão de trocas e, muitas vezes, essas novas trocas, ao somarem-se, podem vir a dar uma base competitiva para o resto do mundo.

Parcerias

No que diz respeito à Portugal, as autoridades do país sinalizam querer apoiar Cabo Verde na criação do “Cluster do Mar”, onde o país africano pretende desenvolver toda a actividade económica marítima. Além disso, irá contactar as novas autoridades de Guiné-Bissau para verificar as condições de segurança e, então, retomar as conexões aéreas entre Lisboa e o país africano. Os voos da TAP foram interrompidos após o episódio do embarque forçado de passageiros ilegais em Bissau, no dia 10 de Dezembro do ano passado.

O economista Sandro Mendonça afirma que as parcerias econômicas dos oito países lusófonos irão trazer progresso no futuro e acredita em um bloco forte para competir mundialmente.

Além disso, ao menos três nações têm boas perspectivas de crescimento nos próximos anos aos olhos do Mundo: Angola, Moçambique e Brasil.


Fonte: DW.DE



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