
Primeira-ministra italiana fala em "tratamento inaceitável" de ativistas detidos e diz que comportamento de ministro israelita Ben Gvir é "inadmissível".
Daniela Espírito Santo com Reuters
O Governo italiano exige um pedido de desculpas de Israel perante o comportamento do ministro israelita Ben Gvir que, num vídeo que ele mesmo publicou nas redes sociais, aparece rodeado de ativistas detidos, de mãos atadas atrás das costas, ajoelhados e de cabeça no chão.
Para a primeira-ministra Giorgia Meloni e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, o tratamento israelita dos ativistas da Flotilha que tentavam levar ajuda humanitária a Gaza é "inaceitável" e o comportamento de Ben Gvir é "inadmissível".
Nas imagens, dezenas de pessoas aparecem prostradas num aparente centro de detenção, com Gvir a fazer esvoaçar uma bandeira de Israel. "Chegaram como grandes heróis", diz o ministro no vídeo enquanto caminha ao lado dos ativistas. "Olhem para eles agora. Vejam como estão agora, não são heróis, nem nada disso."
Nas mesmas imagens é possível, ainda, ver uma ativista a ser forçada a ajoelhar-se depois de ter gritado "Palestina Livre".
"Bem-vindos a Israel"
Na legenda, e em hebraico, diz: "é assim que recebemos os apoiantes de terrorismo". Já em inglês diz: "Welcome to Israel", ou "Bem-vindos a Israel".
Como consequência, várias foram as vozes que se levantaram contra o comportamento, incluindo a do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, que já condenou o tratamento dado pelas autoridades israelitas aos ativistas da flotilha interceptada por Israel, classificando a atuação do ministro israelita Itamar Ben Gvir como “intolerável”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu o direito de Israel interceptar a flotilha, mas disse que o tratamento dado por Ben Gvir aos activistas "não estava de acordo com os valores e normas de Israel".
O próprio ministro dos Negócios Estrangeiros israelita também se pronunciou contra a atitude de Gvir, garantindo, também nas redes sociais, que o seu comportamento "não representa Israel".
"O senhor causou deliberadamente danos ao Estado com esta atuação vergonhosa e não é a primeira vez", acusou Gideon Sa'ar, que recebeu de imediato resposta de Gvir.
"Qual é a base legal?", questiona Presidente da Coreia do Sul
"Há pessoas no governo que ainda não descobriram como se comportar com os apoiantes do terrorismo. Espera-se que o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel compreenda que Israel deixou de ser um país fácil de intimidar. Qualquer pessoa que venha ao nosso território para apoiar o terrorismo e se identificar com o Hamas será repreendida, e não vamos ignorar isso", respondeu, utilizando a expressão "quem vier será esbofeteado e não daremos a outra face".
No entretanto, o Governo italiano declarou na quarta-feira que iria convocar o embaixador israelita para prestar esclarecimentos.
Num comunicado contundente, a primeira-ministra Giorgia Meloni e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, afirmaram que a Itália "exige um pedido de desculpas pelo tratamento" dado aos ativistas e pelo "total desrespeito" pelos pedidos do governo italiano.
Também o governo francês efetuou, no entretanto, o mesmo pedido, seguindo os passos de Itália e Coreia do Sul.
Os cidadãos sul-coreanos também estavam entre os detidos pelas forças navais israelitas, disse o presidente Lee Jae Myung na quarta-feira, classificando as ações de Israel como "completamente descabidas".
"Qual é a base legal (para as prisões)? São águas territoriais israelitas?", questionou Lee, acrescentando: "É território israelita? Se houver conflito, podem apreender e deter embarcações de terceiros países?"
Fonte: https://rr.pt
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