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quarta-feira, 28 de março de 2018

EX-EMBAIXADOR RUSSO NO REINO UNIDO TEME CONFLITO RÚSSIA-OCIDENTE

EX-EMBAIXADOR RUSSO NO REINO UNIDO TEME CONFLITO RÚSSIA-OCIDENTE


A Rússia e o Ocidente estão cada vez mais perto de um conflito militar. É esta a convicção do ex-embaixador russo no Reino Unido, Anatoly Adamishin, na análise à expulsão de diplomatas em mais de vinte países na sequência do caso Skripal.

Em entrevista à euronews, o antigo oficial acredita mesmo que possa haver o corte de relações entre a Rússia e alguns países.

"Sem precedentes, na minha opinião, é o facto de que a expulsão de diplomatas está incluída na noção de sanções, porque as sanções geralmente foram, são e provavelmente serão limitadas ao comércio ou à economia - não lhe vou conceder empréstimos financeiros ou vender algo e assim por diante. Mas fazer da expulsão dos diplomatas uma sanção - e não por terem sido apanhados em flagrante - é uma nova medida dos britânicos. O segundo aspeto sem precedentes é que esta ação relacionada com um país foi apoiada por vários outros países, e foi apoiada precisamente nesta primeira forma sem precedentes: a expulsão de diplomatas como sanções", declarou.

Para Anatoly Adamishin, uma resposta do Kremlin é inevitável e poderá ter as mesmas proporções que as que mais de 20 países adotaram nas últimas duas semanas.

"A Rússia responderá com uma medida direta, como costumam dizer, por cada espirro. É possível que vários países entrem numa rota de agravamento da situação. Os britânicos já estão a dizer que estão a começar o arresto de imóveis ou capitais russos, os americanos estão a ameaçar que, se os russos responderem - e nós vamos definitivamente responder - então vão pensar noutra medida".

Paralelamente, o antigo diplomata lamentou o extremar de posições diplomáticas e alertou para os riscos dessa situação caso surja mesmo um confronto militar.

"Durante todos estes anos a possibilidade de um conflito militar foi considerada absolutamente impensável. Agora há realmente esse receio por causa desta situação de tensão. Com algum incidente ou uma faísca, podemos vir a enfrentar um desfecho desagradável e, além disso, desta vez não teremos oportunidades de contactos diplomáticos", rematou.

Fonte: euronews

terça-feira, 27 de março de 2018

DIPLOMATAS RUSSOS EXPULSOS POR ALEGAÇÕES DE ENVENENAMENTO DE EX-ESPIÕES NO REINO UNIDO

DIPLOMATAS RUSSOS EXPULSOS POR ALEGAÇÕES DE ENVENENAMENTO DE EX-ESPIÕES NO REINO UNIDO


Por Bill Van Auken 

A expulsão em massa coordenada de diplomatas russos anunciada terça-feira por Washington, 14 países da União Europeia, Ucrânia e Canadá sobre as alegações da responsabilidade de Moscovo pelo envenenamento a 4 de Março do ex-espião russo e agente duplo britânico Sergei Skripal e a sua filha na cidade de Salisbury, no sul de Inglaterra marca uma grande escalada das ameaças políticas e militares contra a Rússia, a segunda maior potência nuclear do mundo. 

Foi relatado na manhã de quinta-feira que o governo australiano do primeiro-ministro Malcolm Turnbull se iria juntar a essa operação, preparando-se para expulsar dois diplomatas russos que afirmavam serem "oficiais de inteligência não declarados". 

O ministro dos negócios estrangeiros britânico, Boris Johnson, se vangloriou-se na quarta-feira de que as acções de vários governos “ficam na história como a maior expulsão colectiva de oficiais de inteligência russos e ajudarão a defender nossa segurança colectiva”. O que ele quis dizer foi que a retaliação ocidental contra Moscovo superou a dos períodos mais tensos da Guerra Fria contra a antiga União Soviética. 

Esta campanha perigosa e provocativa, orquestrada pelos militares e agências de inteligência nos EUA e no Reino Unido, foi montada com base em acusações totalmente infundadas. Nenhuma outra prova foi apresentada para apoiar as mais recentes expulsões diplomáticas do que a declaração sem fundamento feita há duas semanas pela primeira-ministra britânica Theresa May e pelo ministro dos negócios estrangeiros Johnson de que a Rússia era "altamente provável" de estar por de trás do que foi descrito como um ataque com um agente neurotóxico ao antigo agente duplo. 

O governo britânico alegou que o agente neurotóxico usado no ataque a Skripal e à sua filha era "de um tipo" (Novichok) que já havia sido fabricado na União Soviética. No entanto, as autoridades britânicas recusaram-se a fornecer a Moscovo qualquer amostra do suposto agente, conforme exigido pelas regras estabelecidas pela Convenção sobre Armas Químicas (CWC), ou à Organização das Nações Unidas para a Prevenção de Armas Químicas (OPAQ). A descrição “do tipo” significa que a substância usada poderia ter sido fabricada virtualmente em qualquer lugar. 

De facto, mesmo quando expulsou três diplomatas russos “em solidariedade” com Londres e a OTAN, o governo da República Checa ordenou que o seu serviço de inteligência conduzisse uma investigação para determinar se o agente neurotóxico poderia ter sido fabricado naquele país. 

A maioria das expulsões diplomáticas foi concretizada pelo governo Trump, com 60 diplomatas russos e as suas famílias - 48 da embaixada de Moscovo em Washington e 12 da missão russa nas Nações Unidas - ordenados a deixar o país dentro de uma semana. 

Além disso, Washington ordenou o desligamento do consulado russo na cidade de Seattle, Washington. Este passo foi justificado sob o pretexto de que estava muito próximo de uma base submarina dos EUA e das usinas da Boeing, supostamente representando algum tipo de ameaça militar. 

Afirmando o uso pela Rússia de “uma arma química de nível militar em solo do Reino Unido” como um facto, um comunicado divulgado pela Casa Branca na segunda-feira descreveu esse suposto acto como “o mais recente padrão de actividades desestabilizadoras em todo o mundo”. 

Entre essas "actividades desestabilizadoras" está o apoio de Moscovo ao governo do presidente Bashar al-Assad na Síria, onde a Rússia forneceu apoio aéreo às forças do governo para invadir uma das últimas grandes fortalezas dos "rebeldes" islâmicos no subúrbio de Damasco, Ghouta Oriental, sinalizada como um grande reverso para a guerra de sete anos apoiada pelos EUA para a mudança de regime. 

Na semana passada, o principal comandante dos EUA no Afeganistão, o general John Nicholson, acusou a Rússia de fornecer ajuda e armas aos Taliban, alegações que Moscovo descreveu como "absolutamente sem fundamento" e "sem sentido". 

A realidade é que, do Médio Oriente à Europa Oriental e à Ásia Central e do Sul, a existência contínua da Rússia representa um obstáculo ao esforço do imperialismo dos EUA para afirmar a sua hegemonia global por meios militares. É por isso que Washington pulou sobre o assunto da suposta tentativa de assassinato de Skripal e da sua filha e juntou-se a Londres para pressionar as outras potências europeias a alinharem-se. 

Londres começou as expulsões, ordenando que 23 diplomatas russos deixassem o país. Moscovo retaliou expulsando 23 diplomatas britânicos. As expulsões ordenadas pelas outras potências europeias na segunda-feira, no entanto, eram de carácter maioritariamente simbólico, com a Alemanha e a França cada uma ordenando a saída de quatro diplomatas russos, o mesmo número visado pelo Canadá. A excepção foi o governo virulento anti-russo da Ucrânia, que expulsou 13 diplomatas russos. 

Apesar das expressões de solidariedade e unidade contra o alegado crime russo, há profundas divisões dentro da aliança da OTAN sobre as relações com Moscovo. A Alemanha forjou laços comerciais mais estreitos com a Rússia, particularmente em relação ao gás natural e petróleo bruto da Rússia, com o apoio de Berlim ao gasoduto Nord Stream II que duplicaria o fornecimento de gás da Rússia à Alemanha. 

O caso Skripal está a ser utilizado por Washington e Londres para contrabalançar os movimentos de Paris e Berlim para o desenvolvimento de uma aliança militar europeia independente, contraposta à OTAN dominada pelos EUA. Apesar das declarações formais de solidariedade ao Reino Unido, as divisões dentro da Alemanha e da França quanto à posição da linha-dura contra a Rússia permanecem profundas. 

Moscovo, entretanto, ameaçou levar a cabo medidas defensivas contra todos os países que expulsem o seu pessoal diplomático. 

“Expressamos um protesto decisivo sobre a decisão tomada por vários países da UE e da OTAN de expulsar diplomatas russos. Haverá uma resposta equivalente. Vamos trabalhar nos próximos dias e dar a nossa resposta em relação a cada país ... Consideramos este passo como hostil e não servindo as responsabilidades e interesses de estabelecer as causas e encontrar os autores do incidente que ocorreu a 4 de Março em Salisbury ”, disse o Ministério do Negócios Estrangeiros da Rússia num comunicado. 

O embaixador da Rússia nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, disse à imprensa na segunda-feira: “O que os EUA estão a fazer hoje é destruir o pouco que resta das relações russo-americanas. Toda a responsabilidade pelas consequências da destruição das relações russo-americanas cabe aos EUA ”. 

Ele acrescentou que "não há uma única evidência da interferência da Federação Russa na investigação do caso como tal, ou do envolvimento da Rússia na tragédia ocorrida em Salisbury". 

O ministro da defesa da Grã-Bretanha, Gavin Williamson, que recentemente respondeu às negações de Moscovo nas acusações do Reino Unido dizendo aos media que a Rússia deveria "sair e calar a boca", proferiu um discurso provocativo na Estónia, onde as tropas britânicas estão posicionadas como parte da expansão da OTAN até à fronteira da Rússia. "A paciência do mundo está a esgotar-se com o presidente Putin e as suas acções", disse ele. 

Entretanto, em Washington, os principais democratas responderam às mais recentes medidas anti-russas tomadas pelo governo Trump, denunciando o presidente dos EUA por não ir longe o suficiente em termos de provocações contra Moscovo. 

O congressista democrata Eliot Engel, o democrata do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, disse que a expulsão dos diplomatas russos é uma "demonstração bem-vinda da unidade e solidariedade do Ocidente" e afirmou que "no futuro veremos mais esforços conjuntos para contrariar a agressão russa ”. 

Engel acrescentou, no entanto, que a acção dos EUA apenas ressaltou “a fraca resposta do governo ao ataque da Rússia aos Estados Unidos”, referindo-se às alegações de “intromissão” russa na eleição presidencial de 2016 nos EUA. 

Falando por partes decisivas dentro da CIA e de outras agências militares e de inteligência dos EUA, a oposição de democratas como Engel a Trump está enraizada principalmente nas diferenças sobre a estratégia imperialista dos EUA. Eles estão a pressionar por um confronto militar com a Rússia, mais cedo ou mais tarde.

Traduzido por Paulo Ramires

wsws.org

segunda-feira, 26 de março de 2018

O PRESIDENTE TURCO ERDOĞAN DECIDE QUE CAMPANHA MILITAR SE EXPANDIRÁ NA SÍRIA E NO IRAQUE

O PRESIDENTE TURCO ERDOĞAN DECIDE QUE CAMPANHA MILITAR SE EXPANDIRÁ NA SÍRIA E NO IRAQUE



O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan anunciou neste domingo passado que a cidade síria-curda de Tel Rifaat será em breve controlada e livre de forças curdas como parte de uma operação militar turca com o objectivo de erradicar as forças de guerrilha curdas das Unidades de Protecção do Povo (YPG) do norte da Síria. Falando no âmbito de uma cimeira com os seus líderes na estância de Trabzon no Mar Negro, Erdoğan sublinhou que a ofensiva tinha-se estendido até Sinjar, localidade no Curdistão iraquiano (Norte do Iraque), afirmando que a Turquia “combaterá terroristas em casa e no estrangeiro”. 

“Dissemos que entraríamos também em Sinjar e agora a operação militar começa ai”, referiu o presidente turco afirmando depois que: “Nós não somos um estado ocupante, o nosso objectivo é combater terroristas”. 

A Turquia tem vindo a desenvolver esta campanha contra o YPG na Síria desde 20 de Janeiro, considerando o YPG como um grupo afiliado no Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que o declara como uma organização terrorista. 

Segundo Erdoğan, desde o início desta operação que começou em Afrin (Norte da Síria) que foram aniquilados 3 747 elementos do PKK e do Estado Islâmico. Afrin foi totalmente controlada no passado Sábado o que provocou o êxodo de 170 000 pessoas que procuraram refugio na cidade vizinha de Tel Rifaat, de acordo com as Nações Unidas. 

O líder turco pediu ainda aos EUA para passarem o controlo da cidade Síria de Manbij ― que é controlada pelo YPG juntamente com os americanos ― para o povo sírio. A Turquia por intermédio do seu líder Erdoğan ainda avisou Washington que se não cumprisse com o seu pedido, tomaria as devidas acções. 

Quanta às forças militares do PKK retiraram-se para o Norte do Iraque, podendo de certa forma a Turquia passar a controlar a região de acordo com as ambições desmedidas do seu presidente.

domingo, 25 de março de 2018

LÍDERES DA UE CRITICAM AS ACÇÕES DA TURQUIA NO MEDITERRÂNEO

LÍDERES DA UE CRITICAM AS ACÇÕES DA TURQUIA NO MEDITERRÂNEO




Bruxelas - Agence France-Presse

Os líderes europeus a 22 de Março condenaram veementemente as "acções ilegais" da Turquia contra a Grécia e Chipre, numa denúncia violenta que poderá suspender uma cimeira da UE-Turquia na Bulgária a 26 de Março.

A declaração dos 28 países-membros da União Europeia reunidos em Bruxelas vem após a prisão de dois soldados gregos pela Turquia, e a sua promessa de impedir que o governo cipriota grego, internacionalmente reconhecido, explore petróleo e gás.

"O Conselho Europeu condena veementemente as contínuas acções ilegais da Turquia no Mediterrâneo Oriental e no Mar Egeu e destaca a sua total solidariedade com Chipre e Grécia", disse o comunicado.

O bloco “pede à Turquia que cessar essas acções e respeite os direitos soberanos de Chipre para explorar os seus recursos naturais de acordo com as leis da UE e internacionais”.

O comunicado exortou a Turquia a normalizar as relações com Chipre, divididas desde 1974, quando as tropas turcas entraram e permaneceram no terço setentrional da ilha, em resposta a um golpe patrocinado pela junta militar grega.

Um impasse sobre a exploração de recursos energéticos na região corre o risco de complicar ainda mais os esforços paralisados ​​para reunificar Chipre, depois que as negociações apoiadas pela ONU fracassaram no ano passado.

Nas últimas semanas, navios de guerra turcos bloquearam um navio-sonda italiano de explorar gás nas águas da ilha do Mediterrâneo.

Os líderes também expressaram “grande preocupação com a contínua detenção de cidadãos da UE na Turquia, incluindo dois soldados gregos” e pediram que essas questões fossem resolvidas por meio do diálogo com os países membros da UE.

Soldados gregos detidos na Turquia

Os soldados gregos foram presos no dia 2 de Março por entrarem numa zona militar na província de Edirne, no norte da Turquia, e estão aguardando que o seu caso seja ouvido.

"Temos que ser muito directos com a Turquia no que se refere à sua obrigação de respeitar o direito internacional, enquanto mantemos as portas do diálogo abertas", disse o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, ao chegar à cimeira.

Os laços entre Atenas e Ancara são tensos pelo fracasso grego em extraditar os oito soldados turcos que escaparam da Turquia de helicóptero na noite de Julho de 2016 na tentativa de derrubar o presidente Recep Tayyip Erdoğan.

As tensões turcas com a Grécia e o Chipre são parte de um leque mais amplo nas suas relações desde que Bruxelas denunciou Ancara por sua repressão pós-golpe.

A Turquia tem expressado crescente irritação em relação à sua longa tentativa de aderir à UE, principalmente em relação aos direitos humanos.

A denúncia da cimeira vai pairar sobre uma cimeira entre a UE e a Turquia no resort búlgaro de Varna, com o objectivo de melhorar os laços tensos.

Um diplomata da União Europeia sugeriu a 21 de Março que a cimeira seguiria em frente, embora seja "difícil e sensível" por causa das muitas disputas.

O diplomata disse sob condição de anonimato que o objectivo seria manter a "cooperação estratégica pragmática".

A UE vê a Turquia como um parceiro estratégico na luta contra o extremismo islâmico e os seus esforços para impedir que os refugiados sírios e outros requerentes de asilo cheguem à Europa e desestabilizem o bloco no âmbito de um acordo de ajuda à cooperação de 2016.

hurriyetdailynews.com

sexta-feira, 23 de março de 2018

LÍBIA-FANTASMA DE KADDAFI ASSOMBRA O MORTO-VIVO REI SARKO

LÍBIA-FANTASMA DE KADDAFI ASSOMBRA O MORTO-VIVO REI SARKO



Por Pepe Escobar, 
Asia Times

A guerra da OTAN contra a Líbia, em 2011 foi vendida unanimemente em todo o Ocidente como uma operação humanitária inadiável contra o proverbial ditador do mal de sempre (Hillary Clinton: “Viemos, vimos, ele morreu“.). Rússia e China manifestaram-se firmemente contra a invasão.

Agora, num reverso histórico surpreendente, o fantasma do Coronel Muammar Kaddafi parece ter voltado para assombrar o ex-presidente Nicolas Sarkozy da França, auto-nomeado superstar espetacular de uma R2P (“responsabilidade de proteger”). A “bomba Coronel Sarkô” explodiu na quarta-feira à noite: o ex-presidente havia sido indiciado e estava sob investigação formal por corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha e apropriação fraudulenta de fundos do estado Líbio.

Sarkozy passou toda a terça-feira, das 8 da manhã até meia-noite, respondendo a perguntas sob custódia policial, de investigadores especialistas em corrupção, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Permitiram que dormisse em casa, mas sob o compromisso de voltar na manhã seguinte, e novamente passou o dia a ser interrogado, até ser solto, depois de pagar uma fiança no início da noite.

“Investigação formal”, pela lei francesa, significa que há “indício sério e/ou não desmentido” que sugere que alguém esteja envolvido em algum tipo de crime. O passo seguinte pode ser o julgamento, mas a investigação também pode não encontrar coisa alguma ou chegar a um beco sem saída.

Sarkozy já foi alvo de nada menos que 10 diferentes investigações até agora – sete das quais estão em andamento.

O establishment francês, como se podia adivinhar que aconteceria, está furioso. Uma leva de políticos, a maioria dos quais de centro-direita, apareceram rapidamente em programas de ‘análise’ política, para demonstrar apoio ao ex-presidente e enfatizar o direito à “presunção de inocência”. Exactamente o oposto do que fizeram no enredo de espionagem que se desenrola em Salisbury, onde o Kremlin e o presidente Putin já foram condenados e executados, sem qualquer prova de crime algum.

Sarkozy, ridicularizado pelos progressistas, que o apelidaram de “Rei Sarko” durante o seu mandato, é suspeito de ter usado dinheiro de Kaddafi para financiar a sua campanha presidencial de 2007.

E nesse caso, as provas existem. Entre outras peças explosivas, há um documento oficial do governo líbio, obtido no curso de uma investigação feita pelo blog francês Mediapart, que prova que Gaddafi entregou nada menos que 50 milhões de euros à campanha de Sarkozy.

É quase o dobro dos 21 milhões de euros que a lei francesa permitia naquela época para gastos de campanhas eleitorais.

Os supostos fundos também infringiriam leis contra a participação de estrangeiros, também, como doadores de fundos, em campanhas eleitorais. O intermediário-chave em toda a operação foi o vendedor franco-argelino de armas, Ziad Takiedinne, o qual, em 2005 e 2007 organizou visitas de Sarkô e da sua corte à Líbia. Também participaram no esquema um banco líbio e um banco alemão.

O ex-primeiro-ministro líbio Baghdadi al-Mahmoudi confirmou que o documento é autêntico e tudo que a polícia já encontrou é verdade.

Muito antes disso, já havia confirmação, por Abdullah Senoussi, ex-diretor de inteligência militar de Kaddafi, e em notebooks pertencentes ao ex-ministro do petróleo da Líbia Choukri Ghanem, misteriosamente afogado em Viena, em Abril de 2012.

Em Novembro de 2016, o próprio Takiedinne – o homem que apresentou Sarko a Kaddafi – admitiu ter entregue pessoalmente no Ministério do Interior francês várias malas cheias de dinheiro preparadas em Trípoli, totalizando 5 milhões de euros. Disse que recebera o dinheiro, de Sanoussi.

Investigadores, que já estavam de posse de novas provas há várias semanas, também estão convencidos que conseguiram esclarecer também o papel de outro intermediário, Alexandre Djouhri, que vivia na Suíça e tinha contado com o ex-secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Gueant. Gueant também está sob investigação formal, acusado de fraude fiscal.

Todos na França ainda recordam o Rei Sarko fazendo pose de libertador da Líbia – disputando furiosamente o centro da foto com o desenvergonhadamente auto-proclamado falso ‘filósofo’ Bernard-Henri Levy, codenome “BHL”.

Em Setembro de 2011, comentei, para o Asia Times – ver, por exemplo, aqui e aqui – as incontáveis razões pelas quais Kaddafi teria de ser derrubado, a maior parte das quais relacionadas a interesses geo-económicos da França e aos sonhos de glória trans-mediterrânea do Rei Sarko (“Estamos alinhados com o povo árabe, na sua ânsia de liberdade”).

Como agora se vê, é possível que o coronel, sim, é que tenha operado como se faz um (falso) Rei.



quinta-feira, 22 de março de 2018

TENSÃO ENTRE E.U.A. E TURQUIA RESULTA NUM BRAÇO DE FERRO SOBRE O GÁS NATURAL DE CHIPRE

TENSÃO ENTRE E.U.A. E TURQUIA RESULTA NUM BRAÇO DE FERRO SOBRE O GÁS NATURAL DE CHIPRE

Uma foto sem data do navio de perfuração Saipem 12000. (Saipem via AP).
A tensão entre os E.U.A. e a Turquia, os dois maiores países da NATO, é grande havendo mesmo colunistas turcos que referem que "a menos que o problema cipriota seja resolvido por volta de Outubro, a menos que a posição turca sobre os hidrocarbonetos de Chipre seja aceitável, há a possibilidade de um braço de ferro com os navios de guerra turcos e os navios de guerra dos E.U.A".

Por Paulo Ramires


Iwo Jima Amphibious Ready Group (E.U.A.)
Os Estados Unidos da América aumentaram a presença naval no mediterrâneo na sequência da gigante petrolífera ExxonMobile ter enviado dois navios de exploração para as águas offshore de Chipre, zona onde a marinha turca tinha impedido um navio italiano de prospecção de realizar operações em depósitos de gás natural apesar de avisos de precaução dos E.U.A. e da U.E.. Este navio de prospecção da energética ENI tinha como missão a prospecção de gás natural nas águas offshore de Chipre. 

Os E.U.A. têm uma força em alerta máximo na sua base naval de Nápoles em Itália composta por três vasos de guerra anfíbios e a 26ª unidade da marinha expedicionária dos E.U.A. [MEU] que integra um total de 2500 marines onde entra também a 6ª frota de operações, informou a marinha dos E.U.A..

A marinha dos E.U.A. têm cinco navios de guerra permanentes no mediterrâneo, incluindo um navio de comando e quatro outros contratorpedeiros da classe Arleigh Burke.

Ancara tem dito que as potenciais reservas de gás natural que circunda a ilha de Chipre devem ser partilhadas com os cipriotas turcos.

No entanto no passado dia 8 de Março, o Pentágono negou que as forças navais dos E.U.A enviadas para aquela zona do Mediterrâneo Oriental tivessem como objectivo a protecção dos navios da petrolífera ExxonMobile: "Não há nenhuma verdade nas alegações de que a 6ª frota dos E.U.A. no Mediterrâneo Oriental foi enviada para proteger as operações de prospecção de uma das maiores companhias de petróleo e gás da América", disse Johnny Michael, porta-voz para o Comando Europeu dos E.U.A. (EUCOM). Esta reacção surgiu após os media gregos terem dado a noticia em que a 6ª frota dos E.U.A. acompanharia as operações da ExxonMobile para evitar a possibilidade da marinha turca intervir junto destes dois navios da ExxonMobile. Michael adiantou ainda que as unidades da USS Iwo Jima da 26ª unidade [MEU] chegaram no dia 6 de Março a Israel para participarem nos exercícios Juniper Cobra que são parte de acordos entre a EUCOM e as Forças de Defesa Israelitas (IDF).


As tensões estão a aumentar no Mediterrâneo Oriental

As posições da Turquia têm vindo a provocar tensões com vários actores no Médio Oriente e Mediterrâneo Oriental nomeadamente por causa da Síria, mas também pelas disputas das reservas de gás natural que existem nas zonas marítimas circundantes a Chipre. A 7 de Março o primeiro-ministro turco Binali Yildirim reiterou que a actividade unilateral em busca de hidrocarbonetos no mar circundante de Chipre não serão toleradas: "Nem a Turquia nem a República Turca de Chipre do Norte (RTCN) aceitarão iniciativas unilaterais em relação aos recursos naturais que circundam a ilha", disse Yildirim numa conferencia de imprensa em Ancara juntamente com o seu homologo cipriota turco Tufan Erhürman. 

No mesmo dia de 7 de Março, o porta-voz da presidência turca Ibrahim Kalim referiu-se à 6ª frota dos Estados Unidos: "Estamos a ler tais noticias [na imprensa], mas não temos informação que o envio da 6ª frota dos E.U.A. tenha já chegado à costa de Chipre.

A tensão entre os E.U.A. e a Turquia, os dois maiores países da NATO, é grande havendo mesmo colunistas turcos que referem que "a menos que o problema cipriota seja resolvido por volta de Outubro, a menos que a posição turca sobre os hidrocarbonetos de Chipre seja aceitável, há a possibilidade de um braço de ferro com os navios de guerra turcos e os navios de guerra dos E.U.A".

A tensão tende a subir ainda mais com a decisão do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan de ter decidido enviar recentemente os seus próprios navios de prospecção para o Mediterrâneo. A agência estatal turca Anadolu referiu que Erdoğan num seu discurso defendeu a exploração dos hidrocarbonetos de Chipre. Face a esta decisão da Turquia, o governo cipriota através do seu porta-voz Prodromos Prodromou disse ao jornal Guardian: "Nós não podemos aceitar a Turquia a interferir e a criar problemas no que é, sublinhado pelos E.U.A., um direito soberano à exploração das nossas riquezas naturais".

Chipre está dividida desde 1974 quando um golpe dos cipriotas gregos originou violência sobre os turcos da ilha o que fez com que Ancara interviesse militarmente na ilha.


quarta-feira, 21 de março de 2018

LÍBIA, SETE ANOS DE DESGRAÇA NATO

LÍBIA, SETE ANOS DE DESGRAÇA NATO

Sete anos após a intervenção militar da NATO contra a Líbia, todos os observadores concordam que se baseou em mentiras enormes e infringia o mandato do Conselho de Segurança. Se os ocidentais reconhecem agora que a população desse país era a mais rica de África e que o seu nível de vida desabou causando o seu exílio maciço, eles ainda não estão conscientes de que Muammar Kaddafi tinha vencido a escravidão e o racismo. Ao destruir o Estado, a NATO abriu deliberadamente os portões do inferno. Não só os trabalhadores imigrantes negros foram perseguidos, mas também os cidadãos líbios negros de Tawergha. Além do mais, o trabalho da Jamahiriya, de cooperação africana entre árabes e negros ficou reduzida a nada em todo o continente.


Por Manlio Dinucci

A bandeira da dinastia Wahhabi do Sénoussi tornou-se, novamente, na da Líbia. Hoje, a escravidão também se tornou uma prática comum, como antes do golpe de Moamar Kaddafi, em 1969. A Líbia, a Arábia Saudita e, em menor medida, o Qatar e o Emirado Sharjat, são quatro Estados Wahhabi que toleram esse crime.
Há sete anos, em 19 de Março de 2011, começou a guerra contra a Líbia, dirigida, primeiro, pelos Estados Unidos através do Comando África, depois pela NATO, sob comando USA. Em sete meses, foram efectuadas cerca de 10.000 ataques aéreos com dezenas de milhares de bombas e mísseis.

A Itália participava nesta guerra com caça bombardeiros e bases aéreas, arruinando o Tratado de amizade e cooperação entre os dois países. Já antes do ataque aéreo e naval, haviam sido financiados e armados na Líbia, os sectores tribais e os grupos islâmicos hostis ao governo e forças especiais infiltradas, em particular do Qatar. Assim, foi demolido este Estado, que, na margem sul do Mediterrâneo, registava “altos níveis de crescimento económico e altos indicadores de desenvolvimento humano” (como documentou em 2010, o próprio Banco Mundial). 

Encontravam trabalho nesse país, cerca de dois milhões de imigrantes, principalmente africanos. Ao mesmo tempo, a Líbia tornou possível, com os seus fundos soberanos, o aparecimento de organismos económicos independentes da União Africana: o Fundo Monetário Africano, o Banco Central Africano, o Banco Africano de Investimento.

Os Estados Unidos e a França – provam-no os emails da Secretária de Estado, Hillary Clinton - concordaram em bloquear o plano de Kaddafi para criar uma moeda africana, como alternativa ao dólar e ao franco CFA, imposto pela França a 14 das suas antigas colónias africanas.

Demolido o Estado e assassinado Kaddafi, os despojos a serem divididos na Líbia são enormes: as reservas de petróleo, a maior da África, e o gás natural; o imenso aquífero nubiano, o ouro branco numa perspectiva mais preciosa do que o ouro negro; o próprio território líbio, da maior importância geoestratégica; os fundos soberanos, cerca de 150 biliões de dólares investidos no exterior pelo Estado da Líbia, “congelados” em 2011, por ordem do Conselho de Segurança da ONU.

Dos 16 biliões de euros de fundos líbios, bloqueados no Euroclear Bank, na Bélgica, já desapareceram 10 biliões, sem nenhuma autorização de levantamento. A mesma rapina desenfreada acontece noutros bancos europeus e norte americanos.

Na Líbia, as receitas de exportação de energia, caem de 47 biliões de dólares, em 2010, para 14, em 2017, são repartidas, actualmente, entre grupos de poder e multinacionais; o dinar, que anteriormente valia 3 dólares, é hoje cambiado a uma taxa de 9 dinares por dólar, enquanto os bens de consumo devem ser importados pagando-os em dólares, originando uma inflação anual de 30%. O nível de vida da maioria da população caiu, por falta de dinheiro e serviços essenciais. Não há mais segurança, nem um verdadeiro sistema judicial.

A pior condição é a dos imigrantes africanos: sob a falsa acusação (alimentada pelos meios de comunicação mediáticos ocidentais) de serem “mercenários de Kaddafi”, foram presos pelas milícias islâmicas, mesmo em gaiolas de zoológicos, torturados e assassinados.

A Líbia tornou-se a principal via de trânsito, nas mãos dos traficantes humanos, de um fluxo migratório caótico em direcção à Europa.

Os líbios acusados ​​de apoiar Kaddafi também são perseguidos. Na cidade de Tawergha, as milícias islâmicas de Misurata apoiadas pela NATO (as que assassinaram Kaddafi) realizaram uma verdadeira limpeza étnica, exterminando, torturando e violando. Os sobreviventes, aterrorizados, tiveram de sair da cidade. Hoje, cerca de 40.000 vivem em condições desumanas e não podem voltar para Tawergha.

Por que razão é que se calam os notáveis da esquerda que, há sete anos, clamavam aos gritos pela intervenção italiana na Líbia, em nome de direitos humanos violados?


Tradução 
Maria Luísa de Vasconcellos

Fonte 
Il Manifesto (Itália)

domingo, 18 de março de 2018

DIPLOMACIA BRASILEIRA REALÇA A FORÇA DA LÍNGUA

DIPLOMACIA BRASILEIRA REALÇA A FORÇA DA LÍNGUA
O Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA) promove de Maio a Junho, em Luanda, uma exposição internacional itinerante denominada “Nossa Língua Portuguesa”.

Por Mário Cohen

O acervo vem do Museu de Língua Portuguesa, criado em São Paulo, Brasil, com o objectivo de difundir a língua portuguesa, bem como recolher mais dados de falantes para enriquecer o museu situado na maior cidade de lusófona do Mundo.

O embaixador do Brasil acreditado em Angola, Paulino Franco de Carvalho Neto, ao presidir a conferência de imprensa, ontem, para apresentação da exposição, considerou a língua portuguesa como um dos mais importantes eixos de actuação da diplomacia brasileira.
Historicamente, disse, o Brasil tem contribuído para a difusão do idioma português, na sua variante brasileira, por meio da manutenção de uma extensa rede de centros culturais no exteriores, dos quais o Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA).

Na óptica do diplomata, a exposição “Nossa Língua Portuguesa” constitui um convite à celebração do idioma que une para além das fronteiras “e que nos irmana numa comunidade de mais de 260 milhões de pessoas que, por meio dele, expressam a sua cultura, os seus sentimentos, a sua ciência e as suas crenças.”

Por sua vez, a directora do CCBA, Nídia Klein, referiu que o público vai encontrar do acervo conteúdos interactivos em formatos digitais, desde textos, fotografias e documentos que espelham a origem da língua portuguesa. A mostra inclui, também, painéis que vão ser com imagens várias, conteúdos audiovisuais que vão ser projectados numa tela.

Nídia Klein informou que a parte física da exposição tem como destaque material literário (livros) de autoria de escritores dos países falantes da língua portuguesa com maior referência internacional, entre angolanos, brasileiros, portgueses, cabo-verdianos e moçambicanos.

Uma das metas da exposição é mostrar o acervo aos países participantes, bem como receber contribuições que sirvam para enriquecer o conteúdo existente. “Assim, o Museu poderá representar de forma cada vez mais completa a diversidade e a riqueza da língua portuguesa dos falantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)”.

A directora informou que um dos aspectos mais relevantes da exposição do Museu da Língua Portuguesa é a necessidade de sua adaptação a cada um dos quatro países africanos, em que a mostra vai ficar patente durante dois meses.

“É nossa intenção que se encontre o carácter pluricêntrico do idioma retratado e permitir o enriquecimento do acervo do Museu, que passará a representar de forma mais completa as diversas variantes da língua portuguesa”, disse Nídia Klein.

Para que as contribuições de Angola sejam efectivas o projecto tem a contribuição do escritor José Luís Mendonça, como curador local. Também jornalista, José Luís Mendonça vai assumir o tema “Como falar da cultura angolana”, principalmente para o enriquecimento do acervo do museu.
A produção da exposição e a realização de uma ampla gama de eventos culturais locais, complementares à exposição, também constam do programa, incluindo a formação vigilantes angolanos para as actividades referentes à produção artística. José Luís Mendonça disse trata-se de um desafio para o país, assim como tem em agenda várias contribuições que julga importante para enriquecer o evento de cariz internacional.

Para a actividade, o escritor preparou diversos trabalhos sobre a evolução da língua portuguesa desde a sua origem, a inscrição na pedra de Ielala, feita pelos navegadores portugueses, em 1486, a Carta do Rei do Congo, Mbemba a Nzinga (Dom Afonso), ao Papa, escrita em 1500, o Dicionário de Línguas Nacionais-Português, assim como a Bíblias em Línguas Nacionais e provérbios de cada uma das línguas nacionais.

Para o Espaço Leitura, José Luís Mendonça prepara a obra “Trilogia de contos”, a obra “Luuanda”, de Luandino Vieira, “O Pano Preto da Velha Mabunda”, de Jacinto de Lemos, “Sagrada Esperança”, de Agostinho Neto, “Poemas”, de Viriato da Cruz, entre outras obras. Outros atractivos são “Varanda de Leitura”, um espaço aberto ao público, com a participação espontânea dos visitantes e pessoas interessadas em fazer leitura de vários trechos narrativos.

Diplomacia brasileira realça a força da língua | Cultura | Jornal de Angola – Online
14 de Março, 2018

Imagem: Por Victorcouto

sábado, 17 de março de 2018

UM JOGO DO MÉDIO ORIENTE MUITO MAIOR DO QUE A TURQUIA

UM JOGO DO MÉDIO ORIENTE MUITO MAIOR DO QUE A TURQUIA


Por Marc Pierini*

O curso que os líderes turcos escolhem seguir na guerra Síria terá consequências a longo prazo para o seu país e para o mundo.

A política externa da Turquia é dominada por uma narrativa nacionalista acalorada, que por sua vez desencadeou operações militares na Síria. Nas raízes desses desenvolvimentos estão várias ameaças à Turquia - alguns muito reais, alguns percebidos, outros imaginados - e as formas como que a liderança política os usa.

Mas, além do horizonte imediato, cheio de notícias difíceis de digerir e de alguns riscos impensáveis, há um conjunto diferente de questões sobre os quais a Turquia tem pouca influência. O mundo real em torno da Turquia é tão complexo - o Irão, Israel, a Rússia e os Estados Unidos estão a travar batalhas por aí - que pode justificar um olhar sério de Ancara.

Por enquanto, a Turquia enfrenta muitos obstáculos a curto prazo.

A adesão da Turquia à UE foi, na prática, bloqueada pela Áustria, Bélgica, França, Alemanha e Holanda. O Parlamento Europeu acaba de adoptar uma nova resolução criticando o registro de direitos humanos da Turquia. Uma próxima revisão do apoio financeiro da UE à Turquia provavelmente acabará com uma redução substancial da sua assistência. A 26 de Março, o primeiro-ministro búlgaro receberá o presidente da Turquia e os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia em Varna, onde as palavras dos líderes da UE devem ser firmes. Em Abril, o último relatório de progresso da Comissão sobre a Turquia também deverá ser muito crítico com a situação do estado de direito do país.

Depois, há desenvolvimentos em Nova Iorque.

Um tribunal dos EUA emitirá o seu veredicto no caso dos crimes financeiros de Zarrab-Halkbank em meados de Abril. As multas do Tesouro dos EUA, pensadas em biliões de dólares, contra a estatal turca Halkbank por violar as sanções contra o Irão poderiam se seguir. Além disso, o Escritório de Controle de Activos Estrangeiros do Departamento do Tesouro poderia excluir o banco de operar em dólares americanos se fosse designado como uma evasão de sanções estrangeiras.

Mais perto de casa, uma feroz narrativa está em trâmite: a possibilidade de um conflito directo entre as forças turcas e americanas no norte da Síria. Think-tanks e meios de comunicação norte-americanos estão aborrecidos com os cenários de um choque potencial. Um confronto militar entre os dois maiores exércitos da OTAN atravessaria o reino do anteriormente impensável e, se um entendimento não for negociado, poderá ser irrecuperável. Os esforços diplomáticos estão em andamento.

Também é impensável a possibilidade de a marinha turca interromper novamente a exploração do gás offshore do governo cipriota.

O que quer que aconteça em Afrin, Manbij, Kobane, ou ao largo da costa de Chipre, há um jogo muito maior a ser jogado em torno da Turquia.

As forças na Síria, especialmente o seu eventual assentamento pós-guerra, são imensamente superiores ao destino do ISIS, a criação (ou não) de uma região autónoma curda síria numa Síria pós-guerra ou as ligações entre o PKK e o YPG. Elas giram em torno de duas questões fundamentais: o equilíbrio de poder entre a Rússia e os Estados Unidos em toda a região do Médio Oriente; e o potencial de guerra entre o Irão e Israel.

Nos setenta e três anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a paisagem de segurança do Médio Oriente permaneceu relativamente inalterada: os Estados Unidos eram o actor regional dominante e a Rússia era relativamente menor. Israel foi criado em 1948 e rotulado consistentemente como um "inimigo do Islão" pelo Irão desde 1979 - mas os dois nunca combateram uma guerra um contra o outro.

Desde 2015, no entanto, modificações importantes foram desenvolvidas pela Rússia e pelo Irão na região, com a ajuda da Turquia.

Ao resgatar o regime de Assad com o apoio iraniano, a Rússia modificou drasticamente alguns dos parâmetros fundamentais da equação pós-Segunda Guerra Mundial no Médio Oriente: pela primeira vez, Moscovo criou uma importante força aérea na região ( em Khmeimin, uma extensão do aeroporto civil de Lattakia na costa síria); abre e fecha os céus do oeste da Síria como ele entender; está a ampliar a sua base de reabastecimento naval no porto comercial de Tartus; e impulsionou um esforço diplomático - apoiado pelo Irão e pela Turquia no chamado "processo de paz de Astana" e conversações de Sochi – para impor a sua marca de assentamento político para a Síria.

Entretanto, no processo de reforçar o regime de Assad, o Irão e o Hezbollah também têm o pé no oeste da Síria. Eles estabeleceram bases e aprimoraram substancialmente os seus arsenais no país para assediar Israel, em particular construindo fábricas de pequena escala para produzir e produzir mão-de-obra local, evitando assim o incómodo do transporte aéreo e marítimo do Irão. Incidentes recentes entre Israel, Irão e Síria são um testemunho desta evolução.

Face a estes desenvolvimentos, os Estados Unidos estão actualmente controlando cerca de um terço do território sírio norte e leste do rio Eufrates através de uma combinação de combatentes por procuração ― as Forças Democráticas da Síria, lideradas pelo YPG curdo sírio e as suas próprias forças especiais. Isso, em essência, fecha a sua posição no futuro ― e "real", em oposição às reuniões nas negociações de Astana e Sochi sobre o futuro da Síria. A destruição do ISIS, a natureza do regime sírio, a composição do governo local, o direito de poderes estrangeiros para manter as forças no país e, em última instância ― embora indirectamente ― a segurança de Israel.

Pelas suas próprias razões, a Turquia optou por prestar atenção a essa reorganização geopolítica: diplomática, participando das conversas de Astana e Sochi; financeiramente, enviando dinheiro para o Irão ― com a musica de vários biliões de dólares ― através do "esquema Zarrab-Halkbank" totalmente documentado, e militarmente, ao emitir ameaças às tropas dos EUA na Síria, na esperança de empurrá-los de volta.

Este jogo muito maior que gira em torno da Turquia não é feito de conspirações sombrias, já que Ancara gostaria de convencer a sua população. Pelo contrário, é o teatro de uma transformação maciça do Médio Oriente - para o benefício da Rússia e do Irão. É tão importante quanto 1979 foi para Teerão. O curso que os líderes turcos escolherão seguir na guerra da Síria terá consequências ameaçadoras a longo prazo não só para o seu país, mas também para o resto do mundo.


Visiting Scholar
Carnegie Europe

Tradução Paulo Ramires

RELATÓRIO DE GUERRA SÍRIO - 16 DE MARÇO DE 2018: EXERCITO EVACUOU MAIS DE 12.500 CIVIS DE GHOUTA ORIENTAL

RELATÓRIO DE GUERRA SÍRIO - 16 DE MARÇO DE 2018: EXERCITO EVACUOU MAIS DE 12.500 CIVIS DE GHOUTA ORIENTAL



A 15 de Março, o Exército Árabe Sírio (SAA) e seus aliados libertaram a aldeia de Hamuriyah, no subúrbio de Damasco, de Ghouta Oriental, de membros do Hayat Tahrir al-Sham (anteriormente Jabhat al-Nusra, ramo sírio da Al-Qaeda) e Faylaq al-Rahman. 

A libertação de Hamuriyah permitiu que o SAA abririsse um novo corredor humanitário ai. Mais de 12.500 civis foram evacuados de Hamuriyah e áreas próximas. 

Além disso, o SAA voltou a restabelecer o controlo sobre a aldeia de Al-Rayhanah, a leste da cidade de Douma, controlada pelo Jaish al-Islam. 

A 16 de Março, o SAA avançou na aldeia de Saqba e lançou outra tentativa de estabelecer o controlo sobre a aldeia de Jisreen. 

A 15 de Março e 16 de Março, as Forças Armadas turcas e o Exército Sírio Livre capturaram mais de 20 aldeias das Unidades de Protecção do Povo Curdo na área de Afrin. O TAF e as FSA estão a trabalhar para capturar a área remanescente do YPG norte e nordeste da cidade. No entanto, a estrada sul de Afrin permanece aberta. 

O helicóptero dos EUA HH-60 Pave Hawk teria caído na província iraquiana de Anbar a 15 de Março. De acordo com relatos dos órgão de comunicação, o helicóptero carregava sete pessoas a bordo. Todos morreram. O Comando Central dos EUA confirmou oficialmente o incidente, mas não forneceu detalhes sobre o tipo de helicóptero e as vítimas alegadas. A investigação está em curso.


SOUTHFRONT

domingo, 11 de março de 2018

SÍRIA: A OPAQ ABANDONOU O SEU MANDATO?

SÍRIA: A OPAQ ABANDONOU O SEU MANDATO?


Por Stephen Lendman

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) tem o mandato de "implementar as disposições da Convenção sobre Armas Químicas ... para alcançar ... um mundo ... livre de" AQs ".

A sua missão inclui inspecções no local "credíveis e transparentes" para verificar o uso e a destruição dessas armas.

O uso de AQs é proibido. As nações que mantêm arsenais desse tipo de armas são obrigadas a eliminá-las. América e Israel são países bem conhecidos que não cooperam nesta questão.

No entanto, os funcionários da OPAQ ignoram as suas armas AQ proibidas, usadas contra adversários em guerras de agressão.

A resolução do Conselho de Segurança 2118 (Setembro de 2013) exigiu a destruição programada de AQs da Síria, consistente com os acordos do género entre os EUA e a Rússia no país.

A OPAQ afirmou reconhecer a eliminação total dessas armas. No entanto, ela abstém-se de realizar inspecções no local dos ataques de AQs falsamente culpando Damasco, usando informações fornecidas pelos Capacetes Brancos ligadas à al-Qaeda e outras fontes anti-Síria desconsideráveis.

No sábado, o vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mikdad, disse que "recebeu informações de que os guerrilheiros do leste de Ghouta vão realizar um ataque químico em Hawsh al-Ash'ari, entre os colonatos de Mesraba e Beit Sawa".

"Os terroristas do grupo Tahrir al-Sham querem sacrificar várias mulheres para esses propósitos e espalhar histórias falsas. Este" espectáculo "deverá ocorrer no dia 11 de Março."

A OPAQ continua ignorando as informações fornecidas pelo governo da Síria sobre o uso de AQs por terroristas apoiados pelos EUA, explicou Mikdad.

Porquê, perguntou ele, acrescentando que "causa suspeita e espanto". Falsamente culpando a Síria pelo uso dessas armas proibidas, encoraja o uso posterior dessas armas, ressaltou - Damasco é culpada indevidamente cada vez que ocorre um incidente.

A Síria tem evidências do uso de sarin, cloro e mostarda utilizados pelos terroristas. Eles adquiriram grandes reservas dessas armas, disse Mikdad.

No entanto, os especialistas da OPAQ ignoram a evidência síria, incluindo a tecnologia necessária para produzir AQs através ou em países vizinhos, acrescentou.

Grandes reservas dessas armas foram descobertos em áreas libertadas de terroristas apoiados pelos EUA.

As forças sírias encontraram contentores com 20 toneladas de AQs em al-Dhahiriya e al-Khafsah na província de Hama, de acordo com Mikdad.

Outras 24 toneladas de AQs foram descobertas em Tal Adleh. Uma instalação no campo de Hama foi usada para fabricar agentes tóxicos, incluindo munições químicas e dezenas de barris contendo essas armas, explicou Mikdad.

Em vez de realizar investigações no local dessas descobertas, a OPCW prefere apenas investigar incidentes de AQs falsamente culpado Damasco - sem visitar áreas afectadas, disse Mikdad.

Os seus relatórios "não têm objectividade e credibilidade", ressaltou. Investigações remotas são inaceitáveis, não estão em conformidade com os padrões internacionais.

"O que pode esperar de uma investigação que ocorre na Turquia (com) testemunhas falsas, informação falsa e os materiais que foram apresentados falsos", explicou Mikdad com desgosto sobre como a organização está operando em questões relacionadas ao AQ usado na Síria, acrescentando:

"Temos armas convencionais suficientes para defender a Síria, e não há justificativa para que nenhum país do mundo ameace a Síria, excepto o desejo de eles querem apoiar os terroristas".

"Nós aconselhamos a todos contra qualquer aventureirismo militar, porque a situação internacional não pode mais suportar práticas tão agressivas".

A 7 de Março, a Síria tinha informações que indicavam que os terroristas do oriente de Ghouta, apoiados pelos EUA, estavam a planear outro ataque de AQ antes de uma reunião agendada no Conselho Executivo da OPAQ - para que se pudesse culpar falsamente Damasco na sessão.

Na Síria, a organização actua como agente imperial dos EUA? O abandono de sua objectividade assim o sugere.

sexta-feira, 9 de março de 2018

RELATO DA GUERRA DA SÍRIA 7 DE MARÇO DE 2018: BATALHA DO LESTE DE GHOUTA E O ATAQUE QUÍMICO

RELATO DA GUERRA DA SÍRIA 7 DE MARÇO DE 2018: BATALHA DO LESTE DE GHOUTA E O ATAQUE QUÍMICO 



A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está novamente a considerar novas "acções militares" contra o governo sírio, informou o Washington Post a 5 de Março citando funcionários não identificados. 

De acordo com o jornal, o presidente Trump, o chefe de gabinete John Kelly, o assessor de segurança nacional Herbert McMaster e o secretário de Defesa, Jim Mattis, encontraram-se na semana passada para discutir novos ataques em resposta ao que eles chamam de ataques de armas químicas por forças governamentais em Ghouta oriental. 

No dia 25 de Fevereiro, activistas e meios de comunicação ligados a grupos de guerrilheiros que operam no leste de Ghouta alegaram que Damasco usou gás de cloro na área dos guerrilheiros. Esses relatórios alegadamente levaram a Casa Branca a considerar novas acções militares na Síria. No entanto, deve-se notar que o Pentágono negou que tal reunião tivesse ocorrido. 

A 6 de Março, os Capacetes Brancos, uma organização notória que opera em áreas controladas por guerrilheiros ligados à al-Qaeda, informou que as forças governamentais haviam conduzido um novo ataque de gás de cloro no leste de Ghouta, que teria ferido 30 pessoas. 

É interessante notar que os relatórios sobre supostos ataques químicos começaram a aparecer durante um rápido avanço pelo Exército Árabe Sírio (SAA) e seus aliados contra Hayat Tahrir al-Sham (anteriormente o Jabhat al-Nusra, ramo sírio da al-Qaeda), Ahrar al-Sham, Jaish al-Islam e Faylaq al-Rahman. 

Até 7 de Março, as tropas da SAA haviam liberado uma grande área, incluindo quintas perto das cidades de Misraba e Beit Sawa. A cidade de Hammouriyah teria se rendido ao SAA e as tropas do governo começaram a entrar. A cidade de Rayhan, que tinha sido uma importante fortaleza militante na parte nordeste da bolsa, também havia sido libertada pelo SAA. 

A defesa dos guerrilheiros está rapidamente a entrar em colapso. Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e os seus homólogos só podem ser resgatados por algum golpe de sorte. Por exemplo, ataques de mísseis nos EUA contra Damasco provocados por supostos ataques químicos pelo SAA. Os meios de comunicação ligados à HTS estão a fazer tudo o que podem para alcançar esse objectivo. 

A 6 de Março, o Ministério da Defesa Russo ofereceu aos guerrilheiros uma passagem segura fora da área assediada através de um corredor aberto. 

"O Centro de Reconciliação da Rússia garante a imunidade de todos os combatentes rebeldes que tomam a decisão de deixar o Ghouta Oriental com armas pessoais e junto com as suas famílias", disse o Ministério, acrescentando que os veículos "seriam fornecidos e toda a rota será guardada". 

No entanto, um porta-voz de Faylaq al-Rahman rejeitou publicamente a proposta dizendo que Aleppo não será repetida. Os guerrilheiros ainda impedem que os locais usem o corredor seguro para deixar a área sitiada. 

De acordo com o major-general Yuri Yevtushenko, chefe do Centro Russo para a Reconciliação das Partes em Combate, até 6 de Março, apenas 17 pessoas conseguiram deixar o leste de Ghouta através do corredor humanitário Al-Wafideen. 

No mesmo dia, um avião de transporte militar An-26 caiu perto da base aérea russa Hmeimim. De acordo com o Ministério da Defesa, 39 pessoas morreram no acidente. Seis membros da tripulação e 33 pessoas estavam a bordo, todos eles militares. O incidente poderia ter sido causado por um mau funcionamento técnico. 

Na área de Afrin, o exército turco e o Free Syrian Army capturaram 7 aldeias, incluindo Tall Hamu, Shirkan, Metinli e Qatma, das Unidades Curdas de Protecção do Povo (YPG). Considerando os recentes avanços, as forças turcas estão agora a tentar isolar a cidade de Afrin, realizada no YPG, nas direcções do nordeste e oeste.

South Front

terça-feira, 6 de março de 2018

EXÉRCITO SÍRIO PRESTES A DIVIDIR A PARTE ESTE DE GHOUTA EM DUAS BOLSAS

EXÉRCITO SÍRIO PRESTES A DIVIDIR A PARTE ESTE DE GHOUTA EM DUAS BOLSAS 



Por Jim W. Dean

O que os sírios estão a fazer com os russos é o que já fizeram várias vezes, dividir uma grande bolsa de resistência em duas pequenas de forma a separar as linhas de controlo internas dos jihadistas, além das munições dispersas e fontes de abastecimento. 

Também pretendem reduzir a linha de combate perimetral pela metade, facilitando o lançamento e o reforço de ataques nas duas bolsas restantes. Com os jihadistas mais concentrados, eles tornar-se-ão melhores alvos aéreos. E falar ao telefone será uma circunstância que arriscará a vida. 

Mas ao SAA (Exercito Árabe Sírio) será deixada a tarefa de fazer o mais árduo combate na selva de cimento entulhado das cidades da Síria, onde os defensores têm a vantagem, como serem capazes de se orientarem através dos túneis que eles têm vindo a construir há anos. 

Para evitarem perder muitos soldados de combate, valiosos e experientes no combate de rua, será de esperar que as SAA matem tantos jihadistas quanto possível nas áreas de quintas e pequenas aldeias que já haviam sido abandonadas. 

Damasco tem que eliminar a ameaça desta grande bolsa de resistência perto da cidade porque a pode atingir diariamente, e o pessoal das forças especiais de nações estrangeiras que podem voar para dentro e para fora, como fizeram durante anos no Iraque, a Al Tanf e Deir Ezzor. 

Assim, muito mais tropas das SAA podem ser deslocadas para o norte, onde a próxima grande ameaça está a desenvolver-se. Quanto mais tempo ai demorarem para chegar, mais terra síria os turcos poderão controlar, ganhando paridade em termos de controlo de terra com os EUA e os curdos. 

Esta é a resposta da coligação dos EUA ao sucesso das reuniões políticas de Sochi - para tentar intensificar a guerra até a um ponto em que não há mais condições para realizar eleições. A coligação quer matar qualquer solução que não saia do barril de uma arma da coligação dos EUA. Bem-vindo ao domínio do espectro completo ... 


Jim W. Dean é Chefe Editor do Veterans Today participando em operações, desenvolvimento, e escrita, um activo participante em entrevistas na TV e radio. Ele apoiou o trabalho de televisão fazendo programas de Atlanta Public TV para uma variedade de património americano, histórico, militar, veteranos e tópicos de Intel e organizações desde 2000.

segunda-feira, 5 de março de 2018

A INFANTARIA RUSSA EM DAMASCO


A INFANTARIA RUSSA EM DAMASCO
Vladimir Putin (Presidente da Federação da Rússia) e o General Alexander Bortnikov (Director da contra-espionagem russa — FSB)

Todos os comentadores sublinharam, no decurso dos quatro últimos anos, a impossibilidade para a Rússia de colocar tropas terrestres contra os jiadistas na Síria face ao risco de reviver a sua derrota do Afeganistão. Mas o que é verdadeiro se Moscovo se enfrenta com mercenários interpostos por Washington, torna-se falso se os dois Grandes se entendem quanto ao futuro não apenas da Síria mas da região. Thierry Meyssan foi o primeiro no mundo a anunciar a chegada do exército russo à Síria, em 2015. Ele é hoje o primeiro a anunciar a entrada da sua infantaria.

Por Thierry Meyssan*

Washington decidiu relegar o projecto de destruição de Estados e de sociedades do Médio Oriente Alargado para segundo plano das suas preocupações, e concentrar as suas forças para se opor ao projecto chinês da Rota da Seda. É isso que teria ficado acordado entre o Presidente Donald Trump e o Primeiro-ministro Australiano (representando os Britânicos) Malcolm Turnbull, a 24 de Fevereiro na Casa Branca. 

Não se trata simplesmente do conflito tradicional entre o Império marítimo anglo-saxão, por um lado, e o projecto comercial terrestre chinês por outro lado. Mas também do perigo que a indústria chinesa faz correr à do conjunto do mundo desenvolvido. Rapidamente e em resumo, enquanto na Antiguidade os Europeus estavam ávidos por sedas chinesas, hoje em dia todos os Ocidentais temem a concorrência dos automóveis chineses. 

Tendo Beijing renunciado a fazer passar a Rota da Seda pelo seu traçado histórico de Mossul e de Palmira, os Estados Unidos não têm mais interesse em patrocinar jiadistas para criar um Califado a cavalo sobre o Iraque e a Síria. 

Foi igualmente no dia 24 de Fevereiro que a Rússia e os Estados Unidos apresentaram a Resolução 2401 no Conselho de Segurança; texto que estava já pronto desde a véspera e de qual nem uma palavra foi alterada enquanto se fingia prosseguir as discussões. 

Supostamente adoptada em resposta à campanha mediática (da mídia-br) francesa para salvar a população da Ghuta, esta resolução trata na realidade da solução para quase toda a Síria. 

Ela deixa em suspenso a questão da retirada das tropas turcas e norte-americanas. Em relação a estas últimas, não é impossível que elas recalcitrem a deixar o extremo Nordeste do país. Com efeito, se a China decidisse fazer passar a Rota da Seda pela Turquia, Washington sopraria sobre as brasas para criar um Curdistão em território curdo (se admitirmos que a Anatólia do Sudeste não mais é território arménio depois do genocídio) e cortar a “rota” de Beijing. 

Moscovo deslocou novos aviões para a sua base Hmeimim, entre os quais dois aviões furtivos Su-57 ; joias de tecnologia que o Pentágono não imaginava operacionais antes de 2025. 

Sobretudo, Moscovo (Moscou-br), que até agora limitava seu envolvimento na Síria à sua Força Aérea e a algumas Forças Especiais, encaminhou secretamente tropas de infantaria. 

Na manhã de 25 de Fevereiro, As Forças terrestres russas entrou ao lado do Exército Árabe Sírio na Ghuta Oriental. 

É agora impossível, seja para quem for, atacar Damasco ou tentar derrubar a República Árabe Síria sem provocar automaticamente resposta militar russa. 

A Arábia Saudita, a França, a Jordânia e o Reino Unido, que haviam secretamente constituído o «Grupo Restrito», a 11 de Janeiro, a fim de sabotar a paz de Sochi, não mais poderão empreender nada de decisivo. 

As piruetas dos ministros britânico e francês dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson e Jean-Yves Le Drian, não podem mascarar o novo acordo entre a Casa Branca e o Kremlin assim como a legalidade internacional da presença militar russa e a sua acção em favor dos civis prisioneiros dos jiadistas. 

Eles não podem pensar por em causa este acordo como os respectivos países o fizeram em Julho de 2012, tal foi a mudança de situação no terreno e no mundo. 

Se necessário, fingiremos todos não saber que as duas facções armadas presentes na Ghuta Oriental (a pró-saudita e a pró-catari) são subordinadas à Alcaida. Elas serão discretamente exfiltradas. Os oficiais do MI6 britânico e os da DGSE francesa (que agiam sob cobertura da ONG “Médicos sem Fronteiras”) serão repatriados. 

No conjunto do território a guerra não está terminada, mas já o está em Damasco.

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008). 

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