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quinta-feira, 22 de março de 2018

TENSÃO ENTRE E.U.A. E TURQUIA RESULTA NUM BRAÇO DE FERRO SOBRE O GÁS NATURAL DE CHIPRE

TENSÃO ENTRE E.U.A. E TURQUIA RESULTA NUM BRAÇO DE FERRO SOBRE O GÁS NATURAL DE CHIPRE

Uma foto sem data do navio de perfuração Saipem 12000. (Saipem via AP).
A tensão entre os E.U.A. e a Turquia, os dois maiores países da NATO, é grande havendo mesmo colunistas turcos que referem que "a menos que o problema cipriota seja resolvido por volta de Outubro, a menos que a posição turca sobre os hidrocarbonetos de Chipre seja aceitável, há a possibilidade de um braço de ferro com os navios de guerra turcos e os navios de guerra dos E.U.A".

Por Paulo Ramires


Iwo Jima Amphibious Ready Group (E.U.A.)
Os Estados Unidos da América aumentaram a presença naval no mediterrâneo na sequência da gigante petrolífera ExxonMobile ter enviado dois navios de exploração para as águas offshore de Chipre, zona onde a marinha turca tinha impedido um navio italiano de prospecção de realizar operações em depósitos de gás natural apesar de avisos de precaução dos E.U.A. e da U.E.. Este navio de prospecção da energética ENI tinha como missão a prospecção de gás natural nas águas offshore de Chipre. 

Os E.U.A. têm uma força em alerta máximo na sua base naval de Nápoles em Itália composta por três vasos de guerra anfíbios e a 26ª unidade da marinha expedicionária dos E.U.A. [MEU] que integra um total de 2500 marines onde entra também a 6ª frota de operações, informou a marinha dos E.U.A..

A marinha dos E.U.A. têm cinco navios de guerra permanentes no mediterrâneo, incluindo um navio de comando e quatro outros contratorpedeiros da classe Arleigh Burke.

Ancara tem dito que as potenciais reservas de gás natural que circunda a ilha de Chipre devem ser partilhadas com os cipriotas turcos.

No entanto no passado dia 8 de Março, o Pentágono negou que as forças navais dos E.U.A enviadas para aquela zona do Mediterrâneo Oriental tivessem como objectivo a protecção dos navios da petrolífera ExxonMobile: "Não há nenhuma verdade nas alegações de que a 6ª frota dos E.U.A. no Mediterrâneo Oriental foi enviada para proteger as operações de prospecção de uma das maiores companhias de petróleo e gás da América", disse Johnny Michael, porta-voz para o Comando Europeu dos E.U.A. (EUCOM). Esta reacção surgiu após os media gregos terem dado a noticia em que a 6ª frota dos E.U.A. acompanharia as operações da ExxonMobile para evitar a possibilidade da marinha turca intervir junto destes dois navios da ExxonMobile. Michael adiantou ainda que as unidades da USS Iwo Jima da 26ª unidade [MEU] chegaram no dia 6 de Março a Israel para participarem nos exercícios Juniper Cobra que são parte de acordos entre a EUCOM e as Forças de Defesa Israelitas (IDF).


As tensões estão a aumentar no Mediterrâneo Oriental

As posições da Turquia têm vindo a provocar tensões com vários actores no Médio Oriente e Mediterrâneo Oriental nomeadamente por causa da Síria, mas também pelas disputas das reservas de gás natural que existem nas zonas marítimas circundantes a Chipre. A 7 de Março o primeiro-ministro turco Binali Yildirim reiterou que a actividade unilateral em busca de hidrocarbonetos no mar circundante de Chipre não serão toleradas: "Nem a Turquia nem a República Turca de Chipre do Norte (RTCN) aceitarão iniciativas unilaterais em relação aos recursos naturais que circundam a ilha", disse Yildirim numa conferencia de imprensa em Ancara juntamente com o seu homologo cipriota turco Tufan Erhürman. 

No mesmo dia de 7 de Março, o porta-voz da presidência turca Ibrahim Kalim referiu-se à 6ª frota dos Estados Unidos: "Estamos a ler tais noticias [na imprensa], mas não temos informação que o envio da 6ª frota dos E.U.A. tenha já chegado à costa de Chipre.

A tensão entre os E.U.A. e a Turquia, os dois maiores países da NATO, é grande havendo mesmo colunistas turcos que referem que "a menos que o problema cipriota seja resolvido por volta de Outubro, a menos que a posição turca sobre os hidrocarbonetos de Chipre seja aceitável, há a possibilidade de um braço de ferro com os navios de guerra turcos e os navios de guerra dos E.U.A".

A tensão tende a subir ainda mais com a decisão do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan de ter decidido enviar recentemente os seus próprios navios de prospecção para o Mediterrâneo. A agência estatal turca Anadolu referiu que Erdoğan num seu discurso defendeu a exploração dos hidrocarbonetos de Chipre. Face a esta decisão da Turquia, o governo cipriota através do seu porta-voz Prodromos Prodromou disse ao jornal Guardian: "Nós não podemos aceitar a Turquia a interferir e a criar problemas no que é, sublinhado pelos E.U.A., um direito soberano à exploração das nossas riquezas naturais".

Chipre está dividida desde 1974 quando um golpe dos cipriotas gregos originou violência sobre os turcos da ilha o que fez com que Ancara interviesse militarmente na ilha.


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