A PROBLEMÁTICA DA GEOPOLÍTICA DA UCRÂNIA MERGULHADA NAS DIFERENTES ESTRATÉGIAS DO OCIDENTE E DA RÚSSIA

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A PROBLEMÁTICA DA GEOPOLÍTICA DA UCRÂNIA MERGULHADA NAS DIFERENTES ESTRATÉGIAS DO OCIDENTE E DA RÚSSIA

PROBLEMÁTICA DA GEOPOLÍTICA DA UCRÂNIA MERGULHADA NAS DIFERENTES ESTRATÉGIAS DO OCIDENTE E DA RÚSSIA


A Ucrânia é um país com 46 milhões de habitantes, sendo o sétimo maior produtor de aço do mundo e possuindo uma diversidade industrial bastante apreciável, um país geograficamente grande 603,6 mil metros quadrados, ou seja o segundo maior país do continente depois da Rússia em termos de área e é neste país que passam importantes gasodutos que abastecem a Europa. São razões como estas entre outras que torna a Ucrânia num espaço geopolítico bastante apetecível. 

Por Paulo Ramires

A Ucrânia tornou-se independente com o fim da União Soviética mais concretamente com o Pacto de Belaveja, ou também designado Acordo Secreto de Minsk assinado a 8 de Dezembro de 1991, este pacto além de estabelecer o fim da União Soviética, criava também a Comunidade dos Estados Independentes (CIS), este processo de adesão das antigas republicas soviéticas terminou em 1994 com a adesão da Moldávia, porém a Geórgia viria a sair em 2008. Dois membros da comunidade embora tenham assinado o acordo nunca o ratificaram, um deles foi precisamente a Ucrânia, não tendo se considerado parte oficial da comunidade embora esteja associada a ela. A CEI evoluiu depois para uma união aduaneira criada em 2008 e que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2010, este é um projecto da iniciativa da Rússia e de outras republicas e que visa a integração económica da região, a Rússia tem feito de tudo para trazer a Ucrânia para este espaço económico - descontos nos preços do gás natural, compra da divida, apoio à economia mas também ameaçou deslocalizar do país a industria da aviação e a indústria aeroespacial russa -, que tem continuidade com a futura União Económica Eurasiática cuja criação formal terá inicio no ano de 2015, quem não gostou desta ideia foi Bruxelas que tem justamente como objectivo estender o seu projecto de integração para leste, ora a Ucrânia faz parte desses planos não só por se tratar de um país com 46 milhões de habitantes, mas também por ser o sétimo maior produtor de aço do mundo e possuindo uma diversidade industrial bastante apreciável, mas também por ser um país geograficamente grande 603,6 mil quilómetros quadrados, ou seja o segundo maior país no continente depois da Rússia em termos de área e sobretudo por ser neste país que passam importantes gasodutos que abastecem a Europa. São razões como estas entre outras que torna a Ucrânia num espaço geopolítico bastante apetecível. 

No quadro politico os partidos políticos são variadíssimos tendo muitos deles se fundido ou formando em blocos, actualmente os principais são o Partido das Regiões de ideologia centrista e pró-russo, e era o partido do agora presidente destituído Viktor Yushchenko, o Pátria da antiga primeira ministra Yulia Tymoshenko, um partido liberal conservador, populista e pró-europeu, o UDAR partido de centro direita e pró europeu, o Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, o quarto maior partido da Ucrânia ocupando 36 lugares dos 450 no Parlamento, este partido faz parte da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, é um partido da extrema direita populista com características nazis, e o Partido Comunista da Ucrânia.

Embora se entenda a vontade do ocidente de reduzir a acção da Rússia na Ucrânia, a maior parte destes agrupamentos partidários têm características populistas ou são de extrema direita, no entanto mesmo sabendo disso a UE e os EUA têm vindo a apoia-los, se bem que não por igual, no caso da subida ao poder destes elementos com esta natureza, a própria Ucrânia, além de se tornar ainda mais instável, tornar-se-ia numa ameaça séria para a própria União Europeia já confrontada com o populismo em muitos países europeus, mesmo estando a Ucrânia fora da União sempre será um incentivo aos restantes partidos da União com características semelhantes. De notar que neste momento em que escrevo este artigo já se fala em abolir vários partidos da Ucrânia nomeadamente o Partido das Regiões e o Partido Comunista, ambos com expressões eleitorais importantes no país.

A Ucrânia é um pais bastante dividido, mais densamente povoado no seu extremo a ocidente e a leste, mas com as industrias mais importantes situadas a leste, os ucranianos a ocidente desejam a integração na União Europeias e os Ucranianos do Leste rejeitam perder contacto com a Rússia, na verdade estão ligados a ela por laços culturais, étnicos e comerciais. Por estas razões será muito aventureiro o ocidente incluir a Ucrânia no espaço económico europeu, Putin ou mesmo outro líder responsável nunca poderá ser indiferente à Ucrânia, simplesmente porque este país faz fronteira com a Rússia, tem uma população russófona, e é importante para a estabilidade da Rússia. No entanto é bom que se compreenda que a instabilidade na Ucrânia não é boa para ninguém, incluindo a UE, a única potência que pode beneficiar com isto são os EUA. Uma das possibilidades para se sair daqui de forma razoável, é em minha opinião a Ucrânia integrar os dois espaços económicos, é certo que isto é complicadíssimo, são espaços económicos diferentes com filosofias de integração diferentes, os espaços económicos obedecem a determinados regulamentações comuns estabelecidas em tratados internacionais, mas se não for assim o problema continuará a subsistir, e a Ucrânia poderá mesmo correr o risco de se desintegrar se não for este o caminho.


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