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terça-feira, 10 de abril de 2018

ATAQUE QUÍMICO EM DOUMA: OUTRO ELO ÀS PROVOCAÇÕES ENCENADAS

ATAQUE QUÍMICO EM DOUMA: OUTRO ELO ÀS PROVOCAÇÕES ENCENADAS 


Por Peter Korzun*

O que aconteceu na Síria a 7 de Abril era esperado. Ao levantar o tom e chorarem sobre o alegado ataque químico em Douma, um subúrbio da capital controlado pelos rebeldes, as autoridades ocidentais e a media não perderam tempo para colocar a culpa no governo de Assad. 

O Departamento de Estado dos EUA emitiu uma declaração dizendo que, ao proteger Damasco, Moscovo violou os seus compromissos internacionais. O governo imediatamente pediu à Rússia que cessasse o seu apoio ao governo da Síria. O presidente Trump quer uma acção internacional. Como de costume, poucas pessoas no Ocidente levantaram as suas vozes para enfatizar a necessidade de investigar primeiro e tirar conclusões depois. 

Chama-se a atenção que as advertências de Moscovo sobre uma provocação com AQ estava a ser preparada para conter as crescentes esperanças de um acordo pacífico na Síria pareçam esquecidas! O Ministério da Defesa distribuiu a informação de que os líderes da Jabhat al-Nusra e do Exército Livre da Síria (FSA) estavam a preparar falsos ataques químicos em áreas sob o seu controle. Moscovo avisou, mas o Ocidente não deu ouvidos. 

É a mesma velha música e dança. No ano passado, o governo sírio foi culpado por um ataque com gás sarin contra Khan Sheikhun, que provocou um ataque com mísseis de cruzeiro dos EUA contra uma base aérea síria. As classificações de aprovação do presidente americano aumentaram com o resultado. Desta vez, o suposto ataque ocorreu logo após a cimeira Rússia-Turquia-Irão, realizada em Ancara a 4 de Abril, para promover o acordo de paz na Síria. 

Como antes, todas as "evidências" se resumem ao relatório dos Capacetes Brancos e a um vídeo viral que não parece muito convincente. Não houve verificação independente. Os Capacetes Brancos têm uma reputação duvidosa, para dizer o mínimo. A organização é conhecida por perseguir interesses políticos de actores externos. 

Nenhuma explicação foi dada a uma pergunta simples: para quê que o governo da Síria precisaria desse ataque? É vitorioso em todos os lugares e a operação em Ghouta Oriental foi um sucesso. Douma é a última fortaleza remanescente ainda controlada por rebeldes na área e será libertada em breve. É uma questão de alguns dias. As acções de combate do exército são apoiadas pela aviação russa. O que o governo da Síria tem a ganhar usando AQ? Nada. 

Unidades do exército da Síria estão operando em Douma. Ao lançar um ataque, o governo sírio atingiria as suas próprias tropas. Esse argumento parece estar em grande parte ausente nos relatos da media ocidental. O presidente Trump prometeu recentemente retirar as forças americanas da Síria. Porque o Presidente Assad lhe daria um pretexto para renegar a sua palavra? 

Mas a “indignação” mundial contra o presidente Assad, apoiado pela Rússia, beneficia muito os extremistas. Eles estão encurralados e precisam de tempo para respirar e receber apoio. Na verdade, a manipulação levantado no Ocidente é a sua única chance de pelo menos retardar a ofensiva. A vitória de uma força do governo em Douma seria um duro golpe para os grupos terroristas, soando a sentença de morte da rebelião. Parece simples, mas é o que é. Existe toda e qualquer razão para acreditar que o incidente foi encenado por terroristas. 


Logo após o suposto ataque, eles pediram conversas. Os líderes acreditam que esta é a sua oportunidade de uma trégua negociada. Os guerrilheiros mantêm os dedos cruzados, esperando que os membros da OTAN que os apoiam clandestinamente se envolvam de uma forma ou de outra. Em Fevereiro passado, o secretário de Defesa, James Mattis, alertou a Síria de "terríveis consequências" caso realizasse ataques químicos. O presidente francês Macron disse que iria ordenar ataques se as AQ fossem usadas. Vale a pena notar que hoje a equipa de segurança nacional do presidente dos EUA é liderada por uma pessoa conhecida como um falcão feliz defendendo o uso da força como uma ferramenta de política externa. 

Os EUA e a França têm planos de lançar uma operação conjunta na Síria já há algum tempo. Apenas alguns dias atrás, um contingente de forças francesas chegou a Manbij para se aliar aos aliados americanos de lá. Na verdade, uma operação da OTAN foi lançada, deixando a Turquia, membro do bloco de fora. É um segredo aberto que a coligação liderada pelos EUA persegue a meta de dividir a Síria para "conter" a Rússia, pressionar o Irão, conquistar o apoio de países árabes do Golfo Pérsico para impulsionar o lucrativo comércio de armas e reforçar a influência dos EUA e da França no Médio Oriente. 

Seria ingénuo pensar-se que o ataque químico na Síria e o escândalo Skripal são dois eventos separados. Eles são elos na mesma cadeia. Com o caso de envenenamento de espiões sem resultados, a campanha anti-Rússia precisa de um novo ímpeto. O suposto ataque da AQ é um bom pretexto para estimular os esforços. Mas qualquer ataque na Síria representaria um risco para a vida dos militares russos. Isso poderia fazer Moscovo reagir. A coligação liderada pelos EUA está a brincar com o fogo. E como no caso Skripal, a reacção é a mesma - culpar primeiro, esperar pelos resultados da segunda investigação. Apenas mostra que o Ocidente não está interessado na verdade. Está à procura de novos pretextos para prejudicar a reputação da Rússia e, assim, reduzir sua influência global.

Especialista em guerras e conflitos
strategic-culture.org

Tradução Paulo Ramires

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