CORPOS PALESTINIANOS DEVOLVIDOS ÀS SUAS FAMÍLIAS COM ÓRGÃOS AUSENTES
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sábado, 21 de fevereiro de 2026

CORPOS PALESTINIANOS DEVOLVIDOS ÀS SUAS FAMÍLIAS COM ÓRGÃOS AUSENTES

Al-Barsh afirmou que o ocupante, que tem mantido os corpos de mártires palestinianos há anos e impedido a sua entrega às famílias, é o mesmo que agora se apresenta ao mundo sob uma fachada humanitária falsa, falando sobre solidariedade e doação de órgãos, enquanto secretamente executa políticas que violam os direitos humanos mais básicos. 


Por Faouzi Oki

O director-geral do Ministério da Saúde em Gaza, Dr. Mounir Al-Barsh, culpou directamente a ocupação, questionando a origem dos números recorde de rins que Israel possui globalmente. Numa declaração à imprensa local,

Al-Barsh afirmou que o ocupante, que tem mantido os corpos de mártires palestinianos há anos e impedido a sua entrega às famílias, é o mesmo que agora se apresenta ao mundo sob uma fachada humanitária falsa, falando sobre solidariedade e doação de órgãos, enquanto secretamente executa políticas que violam os direitos humanos mais básicos. Disse que os corpos foram entregues às suas famílias em casos comprovados de órgãos desaparecidos, sem nenhum laudo de autópsia ou direito de fazer perguntas ou exigir responsabilidade, realçando que os palestinianos não se opunham ao princípio da doação de órgãos, mas recusaram permitir que o corpo palestiniano fosse transformado em matéria-prima para exploração e propaganda política. Acrescentando que a falta de transparência e a proibição de qualquer monitorização internacional independente desses casos legitimam a dúvida e tornam a exigência de responsabilidade uma necessidade moral e legal, pedindo uma investigação internacional independente que revele toda a verdade e determine a responsabilidade.

Entre os depoimentos que reforçam estas suspeitas, vale mencionar o caso da vítima Leith Abu Maileq, detido em 7 de Outubro de 2023, depois morto e entregue à sua família como parte de um acordo Tufan al-Aqsa. Apesar da entrega do corpo, a sua mãe diz que o verdadeiro choque não foi o momento da recepção, mas a condição em que o corpo do filho foi devolvido, pois ela notou vestígios de suturas medicamente injustificadas em áreas sensíveis do corpo, sem que a família recebesse nenhum laudo de autópsia ou explicações oficiais esclarecendo os motivos dessas intervenções.

As suspeitas levantadas sobre o roubo de órgãos dos corpos dos palestinianos mortos não se baseiam em relatos individuais isolados, mas são corroboradas por uma série de factos acumulados e evidências documentadas que, tomadas em conjunto, constituem uma base razoável para suspeitar da prática de violações graves e sistemáticas.

O primeiro desses indicadores é a política do ocupante de reter corpos por anos, seja em cemitérios numerados ou necrotérios, uma política que priva as famílias do direito ao sepultamento rápido e impede qualquer supervisão independente ou controlo médico imparcial sobre o que acontece com os corpos durante os períodos de detenção, que pode estender-se por meses ou até anos.

O segundo indicador diz respeito à transferência dos corpos dos mártires para institutos sionistas de medicina legal, incluindo o Instituto "Abu Kabir", sem informar as famílias, sem fornecer laudos oficiais de autópsia ou especificar as razões desses procedimentos, o que sugere intervenções médicas que ultrapassam os limites usuais do exame forense.

O terceiro indicador é a entrega de corpos com vestígios de suturas ou sinais de cirurgia injustificados por motivos médicos, conforme relatado pelas famílias das vítimas, incluindo o corpo de Laith Abu Mailque, que alegou que o corpo havia sido suturado em locais sensíveis, sem qualquer explicação ou documentação médica.

Além disso, não há relatórios médicos nem autópsias quando os corpos são entregues, e o facto de as famílias serem privadas do direito de consultar ou objectar é uma flagrante violação das normas médicas internacionais. Estas indicações coincidem com relatos de organizações de direitos humanos que reportam o roubo de órgãos específicos, incluindo córneas, em casos que foram recolhidos, documentados e encaminhados às autoridades palestinianas competentes, com o objectivo de os apresentar aos tribunais internacionais como violações que podem constituir crimes de guerra.

No mesmo contexto, o contraste gritante entre o número recorde de doações de órgãos ostentadas pelo ocupante a nível internacional e a falta de transparência quanto à origem desses órgãos levanta questões legais e éticas legítimas, especialmente porque existe toda uma categoria de vítimas palestinianas privadas de controlo e protecção, mesmo após a sua morte.

A campanha nacional para a recuperação dos corpos das vítimas confirmou que a ocupação possui 776 corpos em cemitérios e necrotérios numerados, entre eles dezenas de crianças e prisioneiros. Considerando isto uma flagrante violação do respeito aos mortos e um crime de guerra segundo o direito internacional. Exigiu a libertação imediata e incondicional dos corpos dos mártires, o fim da política de detenção e a concessão de acesso a locais de detenção e autópsia por instituições internacionais, afirmando que a dignidade dos palestinianos, vivos ou mortos, é inegociável.

Estes factos seguem o anúncio do Ministro dos Negócios Estrangeiros da ocupação, Gideon Sa'ar, de que a entidade sionista estabeleceu um recorde mundial de doações de rins, e a celebração deste feito pelo Livro dos Recordes do Guinness, num contexto que reflecte um duplo padrão internacional flagrante, onde a ocupação é recompensada pelas suas conquistas humanitárias, enquanto os crimes cometidos contra o corpo palestiniano não são processados nem investigados.


Fonte: https://reseauinternational.net


Tradução RD


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