
Por Cristi Pantelimon
A relação entre os Estados Unidos e o Irão tem todos os ingredientes do velho nó górdio. O actual Alexandre, o Grande, dos Estados Unidos, Trump, não tem, por outro lado, a opção de usar a força perante este nó complexo.
O Irão não é apenas apoiado pela China, mas é também o símbolo da resistência da Eurásia à interferência americana, que, após o Afeganistão, se tornou cada vez mais fraca na região. Além disso, o Irão é o símbolo da resistência do Islão a Israel, o que torna a tarefa de Trump muito mais difícil.
Por um lado, Trump precisa que Israel pressione o mundo árabe; por outro, precisa que o mundo árabe (incluindo o Irão) reduza a pressão do lobby israelita nos Estados Unidos (conforme definido por John Mearsheimer e outros). Colocar Israel no seu lugar garantiria uma retirada honrosa da frente do Médio Oriente, para tentar regressar a outros lugares (para o Japão, Austrália, Gronelândia?).
Por outro lado, um Irão no campo sino-russo não se encaixa nos planos dos EUA de sufocar parcialmente a economia chinesa a longo prazo.
Este é o nó górdio actual!
Trump não tem opção de vencer.
A entrevista de Tucker Carlson com o embaixador Mike Huckabee é uma tentativa de pressionar Israel, no sentido de expor as tendências hegemónicas israelitas na região, que, claro, aguardam a resposta dos árabes/muçulmanos. Mas a situação geral na região já não segue o simbolismo político habitual.
Os Estados Unidos atacarão num vácuo, como fizeram no ano passado; Israel atacará totalmente quando puder; e o Irão permanecerá dentro da esfera de influência da China.
O nó górdio não será desatado, e a Ásia não cederá desta vez.
Fonte: Euro-Synergies
Tradução RD
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